Dentro de um Olhar desmistifica a heterocisnormatividade no amor entre uma pessoa trans e uma cisgênero

Espetáculo da Cia. Recôncavo ainda discute questões como dependência emocional, responsabilidade afetiva e alcoolismo

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O amor que quase sempre é negado socialmente para pessoas trans, travestis, não-binárias e agênero é tema do espetáculo Dentro de um Olhar, com direção de Mayla Fernandes, trilha sonora original ao vivo de Amanda Ferraresi e dramaturgia de Myra Gomes, que ainda está no elenco ao lado de Carol Lira. 

O espetáculo da da Cia. Recôncavo tem apresentações no TUSP Butantã (de 25 a 27 de julho), no Centro Cultural da Diversidade (de 28 a 30 de julho) e no Centro Cultural Olido (de 19 a 27 de agosto).

A montagem acompanha a relação entre Laura e Liz, que se apaixonam à primeira vista. Com o passar dos anos, a dependência emocional, a bebida e a toxicidade tornam essa relação fria e distante. A falta do olhar que uniu duas almas poderia separá-las? Essa história de amor e desamor desmistifica a heterocisnormatividade nas relações ao desconstruir a ideia de que um casal é formado apenas por pessoas hetero-cisnormativas, trazendo ao palco um relacionamento entre uma pessoa trans e uma pessoa cisgênero.

A peça ainda aborda um mix de sentimentos complexos, determinados pela individualidade das pessoas envolvidas. Afinal, as relações são formadas por mundos que colidem e causam sempre um grande fenômeno – resta saber se este é uma flor que desabrocha ou um furacão devastador. 

Além disso, a montagem evoca o tema da dependência emocional nos relacionamentos e como isso pode ser nocivo para todas as pessoas envolvidas. Na trama, pode-se dizer que tanto Liz como Laura são dependentes uma da outra, mas essa questão é mais complexa para a segunda personagem. 

Desde que se apaixonou, Laura se vê num relacionamento no qual quer prover tudo: a comida, o teto e o cuidado. Ela se dedica integralmente à Liz, sem perceber que, pouco a pouco, por causa do seu ciúmes possessivo e abusos, acaba sufocando sua parceira. Laura abriu mão de estudar, se afastou das pessoas que amava, e espera, de uma forma abusiva, que Liz faça o mesmo para viver integralmente. 

Já o alcoolismo de Liz é evocado pelo grupo para propor uma reflexão sobre as consequências dessa dependência física e emocional para o indivíduo, tanto no relacionamento como em outras esferas da vida. 

A partir de todas essas questões, a peça tem a proposta de despertar no público sentimentos sobre as relações interpessoais que vivenciamos na nossa jornada pessoal e como elas podem afetar o modo como vivemos, nos relacionamos com o outro e na percepção que temos de nós mesmos.

Sinopse

Laura e Liz se conhecem e se apaixonam a partir de um olhar. Com o passar dos anos, a dependência emocional, a bebida e a toxicidade tornam essa relação fria e distante. A falta do olhar que uniu duas almas poderia separá-las? Dentro De Um Olhar é uma história de amor e desamor, que desmistifica a heterocisnormatividade nas relações. 

Ficha técnica:

Dramaturgia: Myra Gomes

Direção: Mayla Fernandes

Produção: Corpo Rastreado | Jack dos Santos 

Elenco: Carol Lira e Myra Gomes

Direção Musical/Trilha Sonora Original: Amanda Ferraresi

Composição – Música Ação e Teoria: Yuri Garcia

Operação de Luz: Marina Gatti, Lilia Silva e Carol Honorato

Técnico de Som: 

Figurino: Gustavo de Carvalho

Visagismo: Athena Leto

Preparadora Vocal: Beatriz Chadt

Vídeos e Projeções: Genildo e Wellington Belarmino

Registro Vídeo e Fotografia: Rafa Tayslan \ Transmuta

Designer: Oru

Intérprete de Libras: Amanda Marcondes

Social Media: Carol Ancoreli 

Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Serviço:

Dentro de um Olhar, da Cia. Recôncavo

Classificação: 14 anos

Duração: 60 minutos

TUSP Butantã – Teatro Rua do Anfiteatro, 109

Quando: 25 a 27 de julho, às 20h. (Sessão extra dia 27/7, às 18h).

Ingressos: grátis, distribuídos uma hora antes de cada apresentação

Capacidade: 380 lugares 

Centro Cultural da Diversidade – Rua Lopes Neto, 206, Itaim Bibi, São Paulo

Quando: 28 a 30 de julho, na sexta e sábado às 20h, e no domingo, às 18h

Ingressos: grátis, distribuídos uma hora antes de cada apresentação

Capacidade: 186 lugares

Acessibilidade: 28 e 29 de julho – sessões com interpretação de libras. 

Centro Cultural Olido – Sala Paissandu – Avenida São João, 473, Centro Histórico, São Paulo

Quando: 19 a 27 de agosto, aos sábados, às 19h, e aos domingos, às 16h 

* Dia 19 de agosto, sessão extra às 16h. 

Ingressos: grátis, distribuídos uma hora antes de cada apresentação

Capacidade: 136 lugares 

Acessibilidade: 19/08 às 19h e 20/08 às 16h – sessões com interpretação de libras

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Santa Catarina – FLIPomerode terá mais de 60 horas de programação

Grandes nomes como Uljana Wolf (Alemanha), Ana Maria Gonçalves e Sylk Schneider (Alemanha) estão confirmados

Autores alemães estão confirmados e evento internacional será realizado de 9 a 13 de agosto e terá mais de 60 horas de atividades

O Festival Literário Internacional de Pomerode (FLIPomerode) será realizado em Pomerode (SC), a cidade mais alemã do Brasil, entre os dias 9 e 13 de agosto. Com o propósito de conectar a literatura brasileira à de expressão alemã, o evento contará com nomes consagrados no Brasil e no exterior. 

Marcelo Backes, doutor em Germanística e Romanística pela Universidade de Friburgo em Brisgóvia, na Alemanha, estará no evento no sábado (12/8). Ele dividirá a mesa com o renomado escritor e pesquisador alemão Sylk Schneider, autor de “Viagem de Goethe ao Brasil”. Eles irão debater a presença da natureza na vida e na obra de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), sinônimo de literatura internacional.

      
Uljana Wolf, a maior poeta e tradutora da nova geração alemã, também já confirmou presença no FLIPomerode no sábado (12/8). Com mais de 20 prêmios literários na carreira, Uljana foi professora da Universidade de Nova York e tem um livro no Brasil traduzido por Guilherme Gontijo Flores. Ela estará em uma mesa com o reverenciado poeta e tradutor brasileiro Paulo Henriques Britto. A dupla irá compartilhar as experiências, influências e visões sobre a poesia e a tradução em um debate repleto de línguas, sentidos e significados.

      
Para Carlos Henrique Schroeder, curador do FLIPomerode, o desafio de trazer nomes de relevância nacional e internacional ao evento é proporcional à importância de um evento deste porte no Sul do país. “A programação é voltada para discutir a centralidade da literatura em um mundo fraturado. Então discussões acerca da poesia, tradução e homenagens a grandes autoras brasileiras dão o tom, mas sem esquecer da formação dos leitores, por isso temos dezenas de contações de histórias e mediações de leituras”.

Nova geração de escritores

No domingo (13/8), quatro grandes nomes da nova geração de escritores catarinenses debatem sobre seus livros e também sobre os amores e os humores de viver e escrever em Santa Catarina. Com o tema “Prosa, poesia: SC”, a conversa reunirá Luciana Tiscoski (Florianópolis), Marcelo Labes (Blumenau), Demétrio Panarotto (Chapecó) e Isadora Krieger (Balneário Camboriú).

A literatura será apresentada também na linguagem da música e do cinema com a performance “A Máquina e o Humano, com música ao vivo para o filme Metrópolis”, com Diogo de Haro (Florianópolis). Enquanto o público assiste ao drama expressionista, o músico interpreta sonoramente a narrativa do filme, combinando a música aos elementos de sonoplastia e efeitos sonoros.

O Centro Cultural de Pomerode será o palco do festival, que contará ainda com autores regionais e estaduais. Todas as atrações serão gratuitas, no entanto, os ingressos devem ser garantidos de maneira on-line através do site oficial do evento, na aba “ingressos”, a partir do dia 12 de julho. Será possível retirar um ingresso por CPF por atração.

O festival tem programação para todas as idades e as oficinas podem ser frequentadas por crianças, grupos e famílias que queiram mergulhar no universo da leitura. Um espaço especial será dedicado ao momento de autógrafos e fotos com os convidados e palestrantes. A cerimônia oficial de abertura terá o espetáculo da Orquestra Filarmônica de Jaraguá do Sul, uma das melhores orquestras de Santa Catarina, que apresentará um repertório eclético e vibrante de compositores alemães e brasileiros, no Teatro Municipal da cidade.

O FLIPomerode é uma realização da Associação Visite Pomerode (AVIP), com produção do Centro Cultural SCAR. Conta com o apoio do Goethe-Institut, da Câmara Literária de Pomerode e da Prefeitura Municipal de Pomerode. O evento tem o patrocínio de Juriti, Oxford, Kyly, Havan, Nugali, Netzsch, Karsten e Damenny, através do Programa de Incentivo à Cultura do Governo do Estado de Santa Catarina.

Programação completa do FLIPomerode

Quarta-feira (9/8)

8h – Início das atividades de programação e da livraria oficial do evento

8h15min e 14h– “Os músicos de Bremen” com Anna-Lena Scholl Menna Barreto (Porto Alegre/RS) e Susanne Gattaz (São Paulo/SP), na Märchenhaus

Contação de história bilíngue português-alemão a partir do clássico dos irmãos Grimm. Indicação: a partir de seis anos.

9h e 14h30min – “Histórias para encantar” com Gelson Bini (Palhoça/SC), no Teatro Municipal

Mediação de leitura para crianças com a proposta de apresentar inúmeros contos infantis, de fadas, fábulas – dos clássicos aos contemporâneos – adaptados às narrativas da oralidade promovendo uma viagem lúdica e de autoconhecimento. Indicação: a partir de seis anos.

9h30min e 15h – “Um sem fim de histórias” por Leticia Liesenfeld (São Paulo/SP), na Sala Cineclube

Narração de histórias bilíngue português-alemão a partir dos contos para jovens e crianças do autor alemão Michael Ende. Indicação: a partir dos nove anos.

10h15min e 16h – “Max e o gigante dos oceanos” com Anna-Lena Scholl Menna Barreto (Porto Alegre/RS) e Susanne Gattaz (São Paulo/SP), na Märchenhaus

Contação de história bilíngue português-alemão inspirada no livro de Torsten Andreas. Indicação: a partir de seis anos.

15h30min e 20h ­– “Escrita e escuta criativa: contos alemães” com Stefanie Herzog (Garopaba/SC), no Espaço das Oficinas

A tradutora alemã Stefanie Herzog (desde 2010 no Brasil) faz um percurso de escrita e tradução com contos instigantes. Atividade bilíngue: português e alemão. Indicação: a partir de 15 anos.

19h30min – “Letramento literário”. Oficina de mediação de leitura para professores e auxiliares de bibliotecas com Gelson Bini (Palhoça/SC), na Märchenhaus

A atividade traz referencias sobre a literatura infantil e juvenil com o intuito de dinamizar os processos de ensino e aprendizagem e contribuir para a concepção de mundo dos educandos. Indicação: professores e auxiliares de biblioteca.

19h30min – Cerimônia oficial de abertura com a Orquestra Filarmônica de Jaraguá do Sul, no Teatro Municipal

A Orquestra Filarmônica de Jaraguá do Sul, uma das melhores orquestras de Santa Catarina, apresenta um repertório eclético e vibrante de compositores alemães e brasileiros.

22h – Encerramento das atividades

Quinta-feira, 10 de agosto de 2023

8h – Início das atividades de programação e da livraria oficial do evento

8h15min e 14h – “Os músicos de Bremen” com Anna-Lena Scholl Menna Barreto (Porto Alegre/RS) e Susanne Gattaz (São Paulo/SP), na Märchenhaus.

Contação de histórias bilíngue português-alemão a partir do clássico dos irmãos Grimm. Indicação: a partir de seis anos.

9h, 14h30min e 20h – “Antenas periféricas” com Gelson Bini (Palhoça/SC), no Teatro Municipal

Mediação de leitura para crianças e jovens com a proposta de levar ao público ouvinte, em tom de bate-papo, questões relacionadas à arte e à cultura oriunda das periferias: a poesia falada (SLAM), o grafite, o rap, o hip-hop e a arte indígena. Indicação: a partir dos 12 anos.

9h30min e 15h – “Um sem fim de histórias” por Leticia Liesenfeld (São Paulo/SP), na Sala Cineclube

Narração de histórias bilíngue português-alemão a partir dos contos para jovens e crianças do autor alemão Michael Ende. Indicação: a partir dos nove anos.

10h15min e 16h – “Max e o gigante dos oceanos” com Anna-Lena Scholl Menna Barreto (Porto Alegre/RS) e Susanne Gattaz (São Paulo/SP), na Märchenhaus

Contação de história bilíngue português-alemão inspirada no livro de Torsten Andreas. Indicação: a partir de 6 anos.

19h30min – “A voz de Kehinde”: mesa especial com Ana Maria Gonçalves, no Teatro Municipal

Mediação de Clarice Fortunato.

Uma conversa em torno de “Um defeito de cor”, o livro de Ana Maria Gonçalves que venceu o Prêmio Casa de las Américas e está na lista da Folha de S.Paulo como o sétimo entre os 200 livros mais importantes para entender o Brasil (e considerado por Millôr Fernandes o livro mais importante da literatura brasileira do século XXI).

Este clássico contemporâneo conta a saga de Kehinde, mulher negra que, aos oito anos, é sequestrada no Reino do Daomé, atual Benin, e trazida para ser escravizada na Ilha de Itaparica, na Bahia. O livro inspirou, em 2022, uma exposição homônima no Museu de Arte do Rio (MAR), com curadoria de Amanda Bonan, Marcelo Campos e da própria Ana Maria Gonçalves. Em 2024, o livro será o tema do desfile da Portela no grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro. Indicação: a partir dos 12 anos.

21h – Sessão de autógrafos com Ana Maria Gonçalves na Praça dos Autógrafos

22h – Encerramento das atividades

Sexta-feira (11/8)

8h – Início das atividades de programação e da livraria oficial do evento

8h15min e 14h – “Os músicos de Bremen” com Anna-Lena Scholl Menna Barreto (Porto Alegre/RS) e Susanne Gattaz (São Paulo/SP), na Märchenhaus.

Contação de histórias bilíngue português-alemão a partir do clássico dos irmãos Grimm. Indicação: a partir de seis anos.

8h30min – “Danilo, sua mochila e seus amigos” com Neida Rocha (Pomerode/SC), na Sala Cineclube

Contação de histórias baseada no livro homônimo. Trata a problemática do peso da mochila escolar de forma lúdica e desperta o carinho e o interesse da criança pelo material escolar ao narrar a história de um menino de 11 anos que, ao dirigir-se para a escola, cai e vive uma aventura com seu material escolar. Indicação: a partir de seis anos. Atividade em parceria com a Câmara Literária de Pomerode (CLiP)

9h e 20h – “Contos de assombro” com Gelson Bini (Palhoça/SC), no Teatro Municipal

Mediação de leitura para jovens com a proposta de formar novos leitores e promover a literatura através de três narrativas fantásticas de Alberto Mussa, Edgar Allan Poe e Monteiro Lobato, pelo viés do suspense, do estranhamento e do inacreditável. Indicação: a partir de 13 anos.

9h30min e 15h – “Um sem fim de histórias” por Leticia Liesenfeld (São Paulo/SP), na Sala Cineclube

Narração de histórias bilíngue português-alemão a partir dos contos para jovens e crianças do autor alemão Michael Ende. Indicação: a partir dos nove anos.

10h15min e 16h – “Max e o gigante dos oceanos” com Anna-Lena Scholl Menna Barreto (Porto Alegre/RS) e Susanne Gattaz (São Paulo/SP), na Märchenhaus

Contação de história bilíngue português-alemão inspirada no livro de Torsten Andreas. Indicação: a partir de seis anos.

14h – “Vamos fazer um livro?” Oficina de escrita, pintura e encadernação com o coletivo Papel do Mato (Rodeio/SC), na Sala das Oficinas

Que tal escrever uma história ou um poema e então ilustrar e encadernar e… Plim! Ter um livro escrito, ilustrado e encadernado em cartonaria prontinho em mãos. Indicação: a partir de 11 anos. Duração: 3 horas. Mentores: Cristiano Moreira, Jackson Chiappa e Patrícia Costa.

14h30min – “O flautista de Hamelin” com a Trip Teatro (Rio do Sul/SC), no Teatro Municipal

Três artistas medievais chegam sem aviso juntos de sua pequena carroça, que aos poucos se transforma na cidade de Hamelin, para contar a clássica história do flautista que livra a cidade de uma peste de ratos e sobre a importância de cumprir os tratos feitos. Duração: 40 minutos. Classificação: livre.

19h30min – “Um mapa todo seu”. Uma mesa em homenagem a Ana Maria Machado

Mediação de Vanessa Gonçalves.

Um percurso sobre a vida e a obra de uma das mais versáteis e consagradas escritoras brasileiras: Ana Maria Machado, que já lançou mais de cem livros, entre infantis, juvenis, romances e ensaios, publicados em 20 idiomas e 26 países.

São mais de 20 milhões de exemplares vendidos e prêmios como o Hans Christian Andersen (o Nobel da literatura para crianças), o Jabuti (venceu três vezes), o Príncipe Claus (Holanda) e o Iberoamericano SM. Ocupa a cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras, instituição que presidiu em 2012 e 2013.

21h – Sessão de autógrafos com Ana Maria Machado na Praça dos Autógrafos

22h – Encerramento das atividades

Sábado (12/8)

8h – Início das atividades de programação e da livraria oficial do evento

8h15min – “Os músicos de Bremen” com Anna-Lena Scholl Menna Barreto (Porto Alegre/RS) e Susanne Gattaz (São Paulo/SP), na Märchenhaus.

Contação de histórias bilíngue português-alemão a partir do clássico dos irmãos Grimm. Indicação: a partir de seis anos.

9h e 14h – “Vamos fazer um livro?” Oficina de escrita, pintura e encadernação com o coletivo Papel do Mato (Rodeio/SC), na Sala das Oficinas

Que tal escrever uma história ou um poema e então ilustrar e encadernar e… Plim! Ter um livro escrito, ilustrado e encadernado em cartonaria prontinho em mãos. Indicação: a partir de 11 anos. Duração: 3 horas. Mentores: Cristiano Moreira, Jackson Chiappa e Patrícia Costa.

10h – “Leituras que transformam” com Adriana Krauss (Blumenau/SC), na Sala Cineclube

Como transformar crianças em leitores? A comunicadora e escritora Adriana Krauss apresenta um caminho de conexão com a leitura. Nesta palestra, Krauss responde perguntas importantes para mães, pais, tios, padrinhos, rede de apoio, profissionais das mais variadas áreas, médicos pediatras, psiquiatras, psicólogos: porque ler e o quê ler, como e onde, quando começar?

Entender que os benefícios da leitura vão muito além do que o senso comum crê é um grande passo para estar de fato presente na vida delas. A leitura transforma crianças em crianças que transformam. Atividade em parceria com a Câmara Literária de Pomerode (CLiP).

10h15min – “Max e o gigante dos oceanos” com Anna-Lena Scholl Menna Barreto (Porto Alegre/RS) e Susanne Gattaz (São Paulo/SP), na Märchenhaus

Contação de história bilíngue português-alemão inspirada no livro de Torsten Andreas. Indicação: a partir de seis anos.

11h – “O flautista de Hamelin” com a Trip Teatro (Rio do Sul/SC), no Teatro Municipal

Três artistas medievais chegam sem aviso juntos de sua pequena carroça, que aos poucos se transforma na cidade de Hamelin, para contar a clássica história do flautista que livra a cidade de uma peste de ratos e sobre a importância de cumprir os tratos feitos. Duração: 40 minutos. Classificação: livre.

13h – “Histórias para encantar” com Gelson Bini (Palhoça/SC), na Märchenhaus

Mediação de leitura para crianças com a proposta de apresentar inúmeros contos infantis, de fadas, fábulas – dos clássicos aos contemporâneos – adaptados às narrativas da oralidade promovendo uma viagem lúdica e de autoconhecimento. Indicação: a partir de seis anos.

14h – “Sonhos e histórias” com Alinne Gama (Recife/PE), na Märchenhaus

Uma roda de conversa para adultos e crianças sobre o mundo dos sonhos e das histórias com a psicóloga e escritora Alinne Gama. A conversa parte de seu livro “Guilherme – O guardião do mundo dos sonhos”, em que um garoto de 10 anos tem a missão secreta de proteger o mundo dos sonhos contra as terríveis forças do malvado Mestre do Pesadelo, Pordeiron.

Esse mundo, onde ele vive grandes aventuras com seus amigos encantados, existe em uma realidade paralela à sua vida no mundo real, na qual ele é um menino como outro qualquer. Indicação: a partir de seis anos. Atividade em parceria com a Refopa Joli Livraria.

15h – “Um sem fim de histórias” por Leticia Liesenfeld (São Paulo/SP), na Märchenhaus

Narração de histórias bilíngue português-alemão a partir dos contos para jovens e crianças do autor alemão Michael Ende. Indicação: a partir dos nove anos.

16h – A natureza de/em Goethe: debate com Sylk Schneider (Weimar, Alemanha) e Marcelo Backes (Rio de Janeiro/RJ)

Mediação de Daniel Martineschen. Debate com tradução simultânea.

A mesa discute a presença da natureza na vida e na obra deste autor que é sinônimo de literatura: Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832).

O escritor, curador e pesquisador alemão Sylk Schneider é autor de “Viagem de Goethe ao Brasil”, obra em que mostra como o autor de “Fausto” se interessava pelas plantas, minérios e culturas brasileiras.

Marcelo Backes é doutor em Germanística e Romanística pela Universidade de Friburgo em Brisgóvia, na Alemanha, e escritor e tradutor brasileiro especialista em literatura alemã. Foi responsável pela tradução, prefácio, notas e comentários da edição de “Os sofrimentos do jovem Werther”, da LP&M.

Já traduziu Kafka, Heine, Schiller, Schnitzler, Brecht e recebeu o Prêmio Nacional da Áustria pelo conjunto de sua obra traduzida. É autor de romances como “A casa cai”, “O último minuto” e “Três traidores e uns outros”.

17h30min – Sessão de autógrafos com Sylk Schneider e Marcelo Backes na Praça dos Autógrafos

19h – Entre a poesia e a tradução: debate com Uljana Wolf (Berlim, Alemanha) e Paulo Henriques Britto (Rio de Janeiro/RJ).

Mediação de Guilherme Gontijo Flores e leituras de Ricardo Pozzo. Debate com tradução simultânea.

A multipremiada poeta e tradutora alemã Uljana Wolf e o lendário poeta e tradutor brasileiro Paulo Henriques Britto compartilham suas experiências, influências e visões sobre a poesia e a tradução em uma mesa repleta de línguas, sentidos e significados.

Uljana já recebeu mais de 20 prêmios e bolsas por seus livros de poesia, ensaio e suas traduções. Autora mais jovem a receber o prêmio Peter Huchel (o mais prestigioso para a poesia em língua alemã), teve seu livro “Nosso amor de trincheira nosso amor de fronteira” lançado no Brasil em 2019 pela editora Moinhos. Sua obra já foi traduzida para mais de 12 idiomas.

Paulo é autor de livros de poesia como “Formas do nada” (2012) e “Nenhum mistério” (2018), e de contos como “Castiçal florentino” (2021). Recebeu os prêmios Portugal Telecom, APCA, Alphonsus de Guimaraens (duas vezes), Alceu Amoroso Lima, Bravo! Prime de Literatura e Jabuti.

19h30min – Performance “A Máquina e o Humano: música ao vivo para o filme Metrópolis” com Diogo de Haro (Florianópolis/SC)

Espetáculo musical criado por Diogo de Haro para o filme de ficção científica mais influente da história do cinema: “Metrópolis” (1927), de Fritz Lang. O drama expressionista é exibido na íntegra, enquanto o músico interpreta sonoramente a narrativa do filme, combinando música aos elementos de sonoplastia e efeitos sonoros.

Este ambiente transdisciplinar (música-cinema-performance) possibilita uma apreciação renovada de um clássico que influenciou e foi referência por gerações no mundo todo. Duração: 2h30min. Indicação: a partir de 12 anos.

20h30min – Sessão de autógrafos com Uljana Wolf e Paulo Henriques Britto

21h – “Contos de assombro” com Gelson Bini (Palhoça/SC), na Märchenhaus

Mediação de leitura com a proposta de formar novos leitores e promover a literatura através de três narrativas fantásticas de Alberto Mussa, Edgar Allan Poe e Monteiro Lobato, pelo viés do suspense, do estranhamento e do inacreditável. Indicação: a partir de 13 anos.

Domingo (13/8)

8h – Início das atividades de programação e da livraria oficial do evento

9h e 14h – “Vamos fazer um livro?” Oficina de escrita, pintura e encadernação com o coletivo Papel do Mato (Rodeio/SC), na Sala das Oficinas

Que tal escrever uma história ou um poema e então ilustrar e encadernar e… Plim! Ter um livro escrito, ilustrado e encadernado em cartonaria prontinho em mãos. Indicação: a partir de 11 anos. Duração: 3 horas. Mentores: Cristiano Moreira, Jackson Chiappa e Patrícia Costa.

9h – “Zig na terra dos sonhos” com Andréa G. Gomes (Pomerode/SC)

Contação de história baseada em livro homônimo.  A história de ZIG, um menino que valoriza as tradições de seus antepassados e mostra as diversas atrações turísticas de Pomerode. Indicação: a partir de seis anos. Atividade em parceria com a Câmara Literária de Pomerode (CLiP).

10h – “O flautista de Hamelin” com a Trip Teatro (Rio do Sul/SC), no Teatro Municipal

Três artistas medievais chegam sem aviso juntos de sua pequena carroça, que aos poucos se transforma na cidade de Hamelin, para contar a clássica história do flautista que livra a cidade de uma peste de ratos e sobre a importância de cumprir os tratos feitos. Duração: 40 minutos. Classificação: livre.

11h – “Um sem fim de histórias” por Leticia Liesenfeld (São Paulo/SP), na Sala Cineclube

Narração de histórias bilíngue português-alemão a partir dos contos para jovens e crianças do autor alemão Michael Ende. Indicação: a partir dos nove anos.

14h – “Histórias para encantar” com Gelson Bini (Palhoça/SC), na Sala Cineclube

Mediação de leitura para crianças com a proposta de apresentar inúmeros contos infantis, de fadas, fábulas – dos clássicos aos contemporâneos – adaptados às narrativas da oralidade promovendo uma viagem lúdica e de autoconhecimento. Indicação: a partir de seis anos.

15h – Escrever para (e com) crianças: um encontro (culinário e divertido) com Guilherme Karsten (Blumenau/SC), na Märchenhaus

Um bate-papo descontraído com Guilherme Karsten, escritor e ilustrador com livros lançados em mais de 15 idiomas e que conquistaram reconhecimento e prêmios como a Placa de Ouro da Bienal de Ilustrações de Bratislava (Eslováquia) em 2019, o Golden Pinwheel Grand Award (China) em 2019 e o Prêmio Jabuti de “Melhor Livro Ilustrado” (Brasil) em 2021. Durante e após a conversa, será servido um delicioso café e cucas. A ação será seguida de lançamento e mostra de coleção cápsula da Oxford inspirada no traço e no universo de Guilherme Karsten.

17h – “Prosa, poesia: SC”: mesa com Luciana Tiscoski (Florianópolis/SC), Marcelo Labes (Blumenau/SC), Demétrio Panarotto (Chapecó/SC) e Isadora Krieger (Balneário Camboriú/SC), na Sala Cineclube

Quatro grandes nomes da nova geração catarinense debatem sobre seus livros e também sobre os amores e os humores de viver e escrever em Santa Catarina.

Luciana Tiscoski é doutora em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com estágio em doutorado na Université Paris X – Nanterre, França, e pós-doutorado em Artes Visuais (História, Teoria e Crítica) pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

Autora de “Área de broca”, livro semifinalista do Prêmio Oceanos 2022. Marcelo Labes publicou “Três porcos”, vencedor do Prêmio Machado de Assis em 2021 e “Paraízo-Paraguay”, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura em 2020. Seu livro de poemas “Enclave” foi finalista do Prêmio Jabuti em 2019. Seu último livro é o celebrado “Deus não dirige o destino dos povos”.

Demétrio Panarotto é músico, roteirista, escritor e professor universitário. É também doutor em Literatura pela UFSC e professor de roteiro no curso de Cinema da Unisul. Publicou mais de 10 livros, com destaque para “Ares condicionados”, “Mas é isso, um acontecimento?” e “Tratamento de imagem”.

Isadora Krieger publicou “Explorações Cardiomitológicas”, semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura 2019, e do aclamado “Tanatografia da mãe”, publicado em 2022 e já na segunda edição.  Também lançou “O wi-fi da igreja é muito fraco” e “Memória da Bananeira”. Já ministrou oficinas de escrita em São Paulo (SP), São Carlos (SP) e Belo Horizonte (MG).

19h – Espetáculo de encerramento: “O incrível ladrão de calcinhas” com a Trip Teatro (Rio do Sul/SC), no Teatro Municipal

O escritório do Detetive Bill Flecha é procurado pela Srta. Velda, uma “mulher-fatal” que tem sua “peça íntima” roubada e pagará qualquer quantia para tê-la de volta. O que parecia um crime banal dá origem a uma série de outros crimes violentos, onde todos são suspeitos até que se prove o contrário, ou até que seus corpos sejam encontrados em algum beco escuro.

Inspirado na vida e obra de Dashiell Hammett, considerado o pai da literatura policial moderna, o espetáculo utiliza uma técnica de construção de bonecos pouco conhecida no Brasil, a partir de modelos desenvolvidos por Hansjürgen Fettig em seu livro “Rod-Puppets & Table-Top Puppets (Standing Figures)”. A cenografia foi inspirada no “Expressionismo Alemão”, movimento artístico que contribuiu para o surgimento do Cine Noir. Duração: 55 minutos. Classificação: a partir de 16 anos.

20h – Encerramento do FLIPomerode

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Projeto Cidade Viva colore CEU Parque do Carmo com grafite do artista Diego DGOH

Idealizado pela Numen Produtora, o projeto defende a arte urbana, o muralismo e o grafite como formas de revitalizar espaços públicos. Iniciativa ainda conta com bate-papos e evento de inauguração da obra

Reprodução / Arquivo Numen Produtora

A arte urbana e o grafite têm o poder de transformar e dar mais vida para as cidades. E o CEU Parque do Carmo, gerido pelo Instituto Baccarelli, está prestes a ganhar do projeto Cidade Viva um grande mural feito pelo artista Diego DGOH. A iniciativa é idealizada e executada pela Numen Produtora, com o patrocínio das Lojas Besni.

A obra está sendo criada até o dia 20 de julho e tem a proposta de contribuir para a revitalização desse importante centro de ensino para os moradores da região. A inauguração do mural acontece no dia 22 de julho, às 11h, em um evento que conta com DJ, música e microfone aberto para todos que quiserem se manifestar sobre a iniciativa.

Além da pintura, o projeto Cidade Viva prevê um bate-papos, no qual Diego fala mais um pouco sobre o projeto, traça um panorama da história das artes urbanas e conta sobre sua trajetória artística. O encontro acontece no dia 22 de julho, às 10h, no teatro do CEU Parque do Carmo.

O projeto de impacto visual é inspirado no muralismo, uma das técnicas mais antigas na história da arte, que tem se transformado muito ao longo do tempo – da arte rupestre à arte urbana. No século 20, no México, o muralismo foi encabeçado por artistas como Diego Rivera, que passaram a pintar muros como uma forma de expressar os sentimentos e os anseios de uma população sufocada pela ditadura porfirista e que era excluída dos elitizados salões e galerias de arte.

Assim como esse importante movimento, o projeto Cidade Viva tem a proposta de humanizar os espaços públicos, estabelecendo uma relação afetiva entre pessoas e lugares, ao mesmo tempo em que transforma positivamente a paisagem urbana e a estética das cidades.

Entre os principais objetivos da iniciativa estão estimular a circulação de pessoas nos espaços-alvo; gerar engajamento afetivo da população local; fomentar a participação dos moradores locais; levar mais cultura para o dia a dia da população; e fomentar as intervenções artísticas urbanas no Brasil como área estratégica na Economia Criativa.

A intervenção artística em São Paulo é uma ação do projeto cultural Cidade Viva, idealizado e produzido pela Numen Produtora, no qual conta com o patrocínio das Lojas Besni, por meio do ProAC ICMS, e apoio do CEU Parque do Carmo, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação da cidade de São Paulo, com gestão do Instituto Baccarelli. A iniciativa é realizada pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.

Sobre a Numen Produtora

A Numen Produtora foi criada em 2016, na cidade de Campinas/SP. Trata-se de uma produtora cultural especializada em projetos de artes visuais elaborados para impactar a vida de pessoas e comunidades por todo o Brasil. Seus projetos são viabilizados pelo ProAC/ICMS (Programa De Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo) e pela Lei de Incentivo à Cultura (“Lei Rouanet”) e são adaptados para demandas sociais próprias à realidade brasileira.

Todos os projetos culturais da Numen Produtora estão alinhados aos 17 ODS (objetivos de desenvolvimento social da ONU). As principais temáticas abordadas nos projetos são sustentabilidade, capacitação profissional, ocupação do espaço público e empoderamento feminino, utilizando a cultura como ferramenta para desenvolver ambientes transformadores.

Sobre o Instituto Baccarelli

O Instituto Baccarelli é uma das organizações sem fins lucrativos mais respeitadas no Brasil por proporcionar ensino de excelência combinando três eixos de grande importância: social, educacional e cultural. É responsável por formar a primeira orquestra sinfônica do mundo em uma favela, a Orquestra Sinfônica Heliópolis, que conta com o maestro Isaac Karabtchevsky como diretor artístico e regente titular, quebrando diversas barreiras e incentivando o surgimento de outros projetos similares no país. 

Sua sede está instalada na comunidade de Heliópolis, São Paulo, onde opera como agente de transformação social há 26 anos, mostrando um futuro com mais perspectivas a centenas de crianças e jovens. Ali, beneficia anualmente 1200 alunos em situação de vulnerabilidade por meio de programas de ensino de excelência que se dividem em: Musicalização Infantil, Canto Coral, Aulas de Instrumentos (classes coletivas e individuais) e Prática Orquestral, com reais oportunidades de profissionalização na música para aqueles que desejam construir uma carreira. 

A instituição também assiste as famílias dos beneficiados com a distribuição de alimentos e outros itens de primeira necessidade, além de disponibilizar atendimentos de uma equipe de assistentes sociais. 

Em 2022, assumiu a gestão de 12 unidades dos CEUS, em contrato firmado com a Secretaria Municipal de Educação, e ampliou seu campo de atuação, levando esta consistente trajetória de transformação social em Heliópolis para outras regiões da cidade, em conformidade com os objetivos, planos e políticas estabelecidas pela SME para as áreas de educação, cultura, esporte, lazer, recreação e tecnologia da cidade de São Paulo.

Para mais informações, acesse: www.institutobaccarelli.org.br 

SERVIÇO

Projeto Cidade Viva em São Paulo

Bate-papo com Diego DGOH
Quando: 22 de julho (sábado), às 10h
Onde: Teatro do CEU Parque do Carmo – Rua Gaspar da Silva, 240, Parque do Carmo

Criação do Mural
Quando:
 3 a 20 de julho
Onde: CEU Parque do Carmo – Rua Gaspar da Silva, 240, Parque do Carmo

Inauguração do Mural
Quando: 
22 de julho (sábado), às 11h
Onde: CEU Parque do Carmo (pátio externo, próximo ao muro da entrada principal) – Rua Gaspar da Silva, 240, Parque do Carmo

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Policial publica livro sobre projeto de teatro com jovens em situação de rua

“Refúgios sob Guerras: Relatos sobre Teatrar com Juventudes” mostra como uma escrivã de polícia ajudou a construir um espetáculo para ressoar as vozes de crianças e adolescentes vulneráveis

 Título do livro: ‘Relatos Sobre Teatrar com Juventudes’
Lívia Martins Fernandez

Policial, artista e mulher negra, Lívia Martins Fernandez foi às ruas para iniciar projetos teatrais com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Sem a farda de agente de segurança pública, a qual muitos deles temem, escutou por anos as vozes de uma juventude silenciada pela sociedade brasileira. Desse processo, surgiram peças como “Meninos da Guerra” e “Teto e Paz”, ambas dirigidas pelo espanhol Carlos Laredo e construídas em conjunto com a autora e os jovens.

O trabalho resultou no livro Refúgios sob Guerras: Relatos sobre Teatrar com Juventudes, que compila experiências e memórias da autora sobre essas vivências. A obra respeita o objetivo primordial da experimentação cênica: o de retirar os “meninos de rua” da margem imposta socialmente, para colocá-los nos centros das discussões e apresentá-los como formadores de opinião.

Por isso, a produção literária mistura trechos de oficinas e montagens teatrais com dados sobre a realidade do país, entrevistas e textos de ativistas. Há, por exemplo, um capítulo dedicado a Rogério Barba, que morou por mais de duas décadas na rua e atualmente é realizador de projetos sociais em Brasília. No livro, ele explica como o Estado criminaliza pessoas com falta de acesso à moradia e critica governantes que criam políticas públicas sem compreender a visão de quem está inserido nessa realidade.

Enquanto se discute uma política para a população em situação de rua e a gente
é convidado a estar lá, dificilmente colocam aquilo que a gente pensa, né? Geralmente
os técnicos, as pessoas que estudam, né?  Sempre colocam aquilo que eles estão estudando
em suas faculdades, né? Em suas universidades, né? O que tá aplicado no seu TCC, né?
E esquecem que a população em situação de rua tem uma faculdade entre nós mesmos,
que é a rua.
 (Refúgios Sob Guerras, pg. 115)

Lívia Martins Fernandez, que assina como Lívia M. F., também usa a obra para refletir sobre a constante violência experienciada por esses meninos. “Percebi que eles apanhavam de todo mundo: da família, dos colegas na escola, da polícia, do comércio do tráfico”, diz.

Os meninos confidenciavam à artista frustrações, como falta de oportunidade de emprego e depressão, mas também falavam sobre seus sonhos. Queriam construir carreiras, famílias e tinham a urgência de viver, porque não sabiam se seriam mortos no dia seguinte. Ao evidenciar o temor, as dificuldades e as esperanças desses jovens a partir de suas próprias perspectivas, Refúgios Sob Guerras: Relatos sobre Teatrar com Juventudes expõe a realidade brutal de um Brasil com 281 mil pessoas em situação de rua.

Além do convívio com jovens de rua, a autora realizou montagens teatrais com crianças e adolescentes que frequentavam equipamentos públicos, como a Horta Comunitária do Itapoã e o programa CEU das Artes do Recanto das Emas, no Distrito Federal. Destes espaços, surgiram espetáculos que estão na obra: “Controverso”, “A Coisa Impetuosa” e “Outras Histórias das Mesmas”.

O livro foi publicado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.

Doações da obra

Com objetivo de chegar àqueles que vivem situações semelhantes às descritas no projeto, exemplares foram doados para espaços de acolhimento, unidades de internação, bibliotecas e instituições não governamentais, como Instituto Barba na Rua e Movimento Nacional De Meninos e Meninas de Rua. Obras em Braille também foram entregues à Academia Inclusiva de Autores Brasileiros.

Além disso, instituições de ensino receberam o livro, como Universidade de Brasília, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Universidade Federal Fluminense.

FICHA TÉCNICA

Título: Refúgios Sob Guerras: Relatos sobre Teatrar com Juventudes
Autora: Lívia M. F.
Editora: Pandorga
ISBN: 978-65-5579-205-8 
Páginas: 160
Preço: R$ 35 (físico) e R$ 15 (e-book)
Onde comprar: Amazon

SOBRE A AUTORA

Livia Martins Fernandes

Lívia Martins Fernandez é formada em Artes, mestra em Cultura e Saberes pelo programa de pós-graduação em Artes Cênicas da Universidade de Brasília (UnB), diretora, atriz e fundadora do Coletivo Cinema Caliandra. Em paralelo à carreira como artista, é bacharel em Direito e trabalha como escrivã da Polícia Civil do Distrito Federal desde 2009. Estreia na literatura com o livro “Refúgios Sob Guerras: Relatos sobre Teatrar com Juventudes”.

Redes sociais: Instagram | Contato da autora: refugiossobguerras@gmail.com

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Inutilidade dos trabalhos de fim de curso

Orlando Ukuakukula: Artigo ‘Inutilidade dos trabalhos de fim de curso’

Orlando Ukuakukula

Afirmamos, categoricamente, que este texto é nossa produção pessoal. Nossa reflexão, que a trazemos para partilhar.

Concebemos a educação como sendo o meio através da qual o homem é transformado e, consequentemente, transformador. Aliás, este é o fim último dela: a transformação. Nesta ordem de ideia, já sabendo que a educação transforma o indivíduo, as questões que se levantam são as seguintes: o indivíduo, depois de transformado, transforma o quê? Com o quê ou como?

As respostas, no fundo, ficam evidentes. O indivíduo deve ser, durante a sua formação, um ser pensante; aquele que toma decisões e age por conta própria, aquele que produz, embora, às vezes, sob direcção do seu orientador, o professor, que se considera ter, pelo menos, mais experiência que ele.

Assim, “findo” o processo de formação, neste particular, de nível superior, é-lhe colocado à prova sobre o que pensa e como pensa, avaliado por pessoas idôneas, no que a ciência diz respeito, sobre o problema que o estudante viu e que pretende resolver, no seu TFC, como contributo digno de um cidadão.

É aqui em que a educação deve(ria) se enriquecer, pois, os TFC’s são propostas de solução dos problemas educacionais, e não só, de qualquer outra esfera da sociedade. Logo, percebemos que o indivíduo pode transformar, com o seu pensamento, partilhado nestes trabalhos, a sua comunidade, município, província e, pela dimensão do trabalho, o país no geral. É neste entretanto que a negação da aplicabilidade destes trabalhos resulta, também, na instabilidade da própria educação e, concomitantemente, na continuidade dos problemas sociais, pelo que se carimba, nestes termos, a inutilidade destes trabalhos.

Um TFC, ao nível em que abordamos, é um desafio para o governo, no geral, e para o ministério de tutela, no particular. Desafio na medida em que chama à atenção para se partir à uma avaliação e acção. A ausência desta aplicabilidade desencadeia um retrocesso ou mesmice no país, em geral.

Este retrocesso e mesmice é evidente em Angola, o que nos fez acreditar que exista a falta de interesse a quem de direito, e o que nos levou a confirmar que existe uma certa inutilidade dos TFCs, ou seja, os TFCs não prestam para nada em Angola, senão para enfeitarem as prateleiras das faculdades desta circunscrição e empoeirarem ali. Um país em que na educação não existe uma comitiva de fiscalização para acertos de aplicabilidade dos TFCs para solução de determinados problemas sociais é, deveras, um país doente.

Isso expõe a percentagem de importância que se dá neste sector, bem como expõe a desvalorização do indivíduo-académico. A título de exemplo, reclama-se, e até já ouvido pelo próprio presidente da república, João Manuel Gonçalves Lourenço, sobre a incapacidade de produção textual por parte dos estudantes, e a isso acrescenta-se o caso da leitura.

Embora seja escasso, mas a pergunta é: quantos trabalhos, a nível da licenciatura, mestrado ou doutoramento abordam sobre soluções desses problemas? Que interesse já houve na sua aplicabilidade? Que discussão se teve em relação aos trabalhos com solução dessa natureza? Queremos crer: as soluções estão aí, à vista, mas o interesse está à falta. Repetimos: os TFCs são inúteis, pelo menos no nosso contexto.

Há pouco interesse em discutir sobre isso e, portanto, Angola, neste aspecto, que é pilar principal de qualquer país, se considerarmos que o desenvolvimento de um país depende do contributo dos seus cidadãos, continuará a andar de patas para o ar e cabeça para baixo. E, deste jeito, a ciência nunca será disputada, e os trabalhos do fim do curso continuarão sendo apenas um requisito de obtenção de títulos, já que nunca são valorizados como deviam.

A nível do doutoramento, temos a obra-tese de Panzo, publicado em 2019, referimo-nos ao “Português Língua Segunda em Angola”, uma proposta metodológica do ensino do português neste território, que, fruto da leitura que dela fizemos, tendência, com as estratégias, ali, apresentadas, resolver o problema da escrita e da leitura.

Temos, ainda, a obra de Undolo “A Norma do Português em Angola”, uma obra-tese em que se traz a discussão da variedade do Português em Angola, na perspectiva de passarmos já a olhar com outros olhos a peculiaridade do português neste território, pois, a cegueira a isso, se traduzirá no insucesso escolar, no que a Língua Portuguesa, enquanto disciplina e meio de ensino – como atesta a Constituição da República – diz respeito; “Umbundismos Lexicais no Português de Angola: Proposta de um dicionário de Umbundismos”, de Costa.

A nível da licenciatura, embora sejam recentes, mas já podemos avançar, temos, ainda, trabalhos como “Vocabulário de Especialidade da Medicina Tradicional em Angola”, de Ukuakukula e Bilhete, “Léxico de Especialidade da Política Angolana”, de Ângelo, Balduíno e Muacaputo, “A Ressignificação da História por meio do Conto”, de Marcelo e Mártir, só para citar.

As discussões desses ofícios ou, pelo menos, o interesse de aplicabilidade desses trabalhos (os já antigos) onde ficaram? Que estratégia o estado usa para tornar úteis esses trabalhos? Até ao ponto em que estamos, fruto da ausência de práticas destes trabalhos, podemos dizer que andamos mal, ou melhor, muito mal.

Talvez nos perguntariam: como sabemos que não estão a ser aplicados? Temos uma resposta acima: a prática fala mais que a teoria. Os problemas continuam os mesmos, mesmo com o número de formados existentes. A título de exemplo, na educação, no que os programas de língua portuguesa diz respeito, não há modificação significativa.

Para terminar, as negligências com o fim último da educação fotografam o tipo de país que temos e, invertido o quadro, fotografariam o tipo de país que pretendemos ter. Portanto, mais uma vez, fica exposta a falta de vontade política, a desvalorização dos TFC’s e, consequentemente,  desrespeito pelos académicos.

As utopias continuam a se afirmar, e sonhos se vão sonhando em perpetuação. Mais do que meros trabalhos, teriam outros olhos: os TFC’s são discussões de pessoas comprometidas com o país.

Orlando Ukuakukula

orlandorafaelukuakukula@gmail.com

WhatsApp: 244 934 665 351

Facebook: orlando ukuakukula

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Amor e traição na alta sociedade brasileira do início do século XX

Após se envolver em um triângulo amoroso e fora dos bastidores da política no centro do poder, Verônica depara-se com a solidão no desfecho da saga ficcional de Aliel Paione

Capa do livro ‘Sol e Solidão em Copacabana – Aliel Paione – Vol.3 da trilogia

Com uma abordagem analítica a momentos marcantes da história do Brasil, o escritor Aliel Paione lança Sol e Solidão em Copacabana, uma saga de amor, ambição e solidão, ambientada em um cenário político turbulento na primeira metade do século XX. Com o terceiro volume, ele conclui a trilogia ficcional que conta a trajetória de Verônica, frequentadora da alta sociedade do Rio de Janeiro entre as décadas de 1910 a 1940.

O autor entrelaça a busca da protagonista por amor e realizações a fatos relevantes da política do país. Depois de viver um triângulo amoroso envolvendo a própria filha, Henriette, Verônica precisa lidar com a escolha ambiciosa de João Antunes. Dividido entre o amor de ambas, ele se encanta pela luxuosa vida da sedutora Riete.

Paione insere os protagonistas nos bastidores do poder em um período de intensas transformações que envolveram a tentativa de independência econômica, a industrialização e a modernização do trabalho no Brasil. Com uma narrativa fluida, o escritor apresenta os desdobramentos políticos que levaram ao agravamento da crise após o retorno de Getúlio Vargas ao poder e passeia pelos acontecimentos até o suicídio do presidente.

— Até quando, Riete, este país rico conviverá com a imensa desigualdade social, com o sofrimento dos humildes e com a prepotência dos poderosos? Até quando prevalecerá o espírito do relho nas costas dos negros, metáfora do que está introjetado no inconsciente da sociedade brasileira? Daqueles que se julgam brancos e branquinhos de cabelos bons? Quando essa gente pretenciosa perderá esse ranço e será menos ignorante e mais solidária? — indagava João Antunes.

Sol e Solidão em Copacabana, p. 436

Em Sol e Solidão em Copacabana, o autor traz um desfecho surpreendente para a trama e possibilita uma leitura independente da obra. As conturbadas relações amorosas evidenciam a complexidade do ser humano, em que sonhos, conquistas e fracassos associam metaforicamente a história brasileira à vida dos personagens. E a busca dos leitores por entendê-los representa, também, a vontade de compreender e melhorar a realidade do Brasil.

Ficha técnica

Título: Sol e Solidão em Copacabana
Autor: Aliel Paione
Editora: Pandorga
ISBN:
 978-65-5579-225-6
Páginas: 632
Preço
: R$ 34,90
Onde encontrar: 
Amazon

Sobre a Trilogia do Sol

Os livros “Sol e Sonhos em Copacabana” e “Sol e Sombras” correspondem aos volumes 1 e 2 da Trilogia do Sol, respectivamente. A saga retrata momentos emblemáticos da política brasileira e entrelaça a história do país a personagens que vivem uma intensa jornada em busca do amor.

Sobre o autor

Aliel Paione

Aliel Paione é engenheiro e Mestre em Ciências e Técnicas Nucleares pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde lecionou. Trabalhou com salvaguardas nucleares na estatal Nuclebrás, no Rio de Janeiro (RJ), e foi professor de Física na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). É autor de “Sol e Sonhos em Copacabana” e “Sol e Sombras”. A pedido do consulado dos Estados Unidos, em São Paulo, as obras da trilogia integram o acervo da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em Washington.

Redes sociais do autor

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Nova exposição temporária do Museu da Língua Portuguesa revela o elo profundo entre a língua e a canção brasileira

Essa nossa canção entra em cartaz no dia 14 de julho. Mostra tem participação de artistas como Carlinhos Brown, Tom Zé, Xênia França, Teresa Cristina e Johnny Hooker, entre outros

Jacob Solitrenick
Xênia França canta “Garota de Ipanema”

Que relações profundas existem entre a língua portuguesa e a música cantada? Entre as letras de sucesso da música brasileira e a forma original que a língua assumiu no Brasil? Entre nossos diversos falares e os ritmos que nos fazem dançar? Entre as letras que não saem da nossa cabeça e a vida de cada um de nós? Essa nossa cançãoa nova exposição temporária do Museu da Língua Portuguesa, explora a ligação visceral entre o português e a música – tão profunda no caso do Brasil que faz parte da nossa identidade como povo e da nossa memória coletiva.   

A mostra entra em cartaz no dia 14 de julho na sede do Museu da Língua Portuguesa, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, contando com o patrocínio máster da CCR, patrocínio do Grupo Globo, e com o apoio do BNY Mellon, da PwC Brasil e do Itaú Unibanco, todos por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.   

Com curadoria de Carlos Nader Hermano Vianna, consultoria de José Miguel Wisnik e curadoria especial de Isa Grinspum Ferraz, a mostra Essa nossa canção abarca diversos gêneros do cancioneiro brasileiro, promovendo conexões entre algumas das canções mais representativas da história da música nacional às formas contemporâneas de expressão musical. Da bossa nova ao sertanejo; do rock ao samba; do funk ao axé; do chorinho ao forró – a exposição reafirma a força da diversidade brasileira através da canção.   

Em Essa nossa canção, música e língua se unem como um sopro e se espalham como o vento pelo espaço expositivo, trabalhado com tecidos leves e formas onduladas. A experiência dos visitantes começa já no elevador, quando o público é surpreendido por uma intervenção sonora criada pelo produtor cultural Alê Siqueira a partir de vocalizes das músicas brasileiras. Cantos como “Ôôôôô”, “Ilariê”, “Aê-aê-aê” foram editados para formar uma única canção sem aquilo que convencionalmente se entende por palavra.  

Depois desse primeiro estranhamento, o público encontra a instalação sonora Palavras Cantadas, também de Alê Siqueira, na qual 54 músicas brasileiras são despidas do acompanhamento instrumental; cantadas à capela e entremeadas umas nas outras, parecem conversar entre si. A obra costura versos de faixas como Trem das Onze (Adoniran Barbosa), Salve (Mano Brown) e Nem Luxo Nem Lixo (Rita Lee e Roberto de Carvalho). O visitante perceberá que o trecho “Olá, como vai?” de uma canção se relaciona com “Eu estou aqui. O que é que há?” de outra, como se criasse uma história única composta por dezenas de vozes.  

A instalação é vivenciada em um espaço contido por cortinas, acolhedor e confortável, e conta com 14 caixas de som acústicas, que vão permitir a percepção de nuances das vozes criando um ambiente sonoro imersivo.   

Jacob Solitrenick
Carlinhos Brown canta “O Vento”

Na segunda sala da exposição, dez canções emblemáticas do cancioneiro nacional ganham novos intérpretes, promovendo ligações inusitadas entre as interpretações “clássicas” e a música brasileira contemporânea. Em vídeos dirigidos por Daniel Augusto, Carlinhos Brown interpreta O Vento, de Dorival Caymmi, uma canção-guia para o sopro musical da exposição Essa nossa canção.  

Jacob Solitrenick
Felipe Araújo e João Reis cantam “Tristeza do Jeca”

O cantor sertanejo Felipe Araújo e seu pai, João Reis, emprestam suas vozes para a caipira Tristeza do Jeca, de Angelino de Oliveira. Juçara Marçal canta Sinal Fechado, de Paulinho da Viola. Johnny Hooker e Luiz Tatit interpretam Conceição, de Jair Amorim e Dunga, sucesso no repertório de Cauby Peixoto. Cabem a José Miguel Wisnik e Xênia França a faixa Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, uma das mais conhecidas em todo o mundo.  

Dez slammers soltam a sua versão de Construção, de Chico Buarque; e dez fãs dos Racionais MC’s cantam o clássico rap Diário de um Detento. “Não se trata das melhores canções que o Brasil já produziu. Foram escolhidas por outro motivo: todas aparecem aqui por serem exemplos reveladores de determinadas relações entre canções e língua em território brasileiro. Do uso de frases bem coloquiais até o debate que questiona se o rap anuncia o ‘fim da canção’”, afirmam os curadores Carlos Nader e Hermano Vianna. 

O terceiro ambiente da exposição é dividido em dois espaços. Em um deles, o público terá a oportunidade de assistir ao documentário As Canções (2011), de Eduardo Coutinho. Para este filme, ele conversou com anônimos que cantam as músicas de que mais gostam e revelam histórias pessoais relacionadas a essas faixas. No outro, os cineastas Quito Ribeiro e Sérgio Mekler realizam obra inédita composta por pequenos trechos de músicas que estão em vídeos do YouTube com interpretações de Homem com H, conhecida na voz de Ney Matogrosso, Beijinho no Ombro, sucesso de Valesca Popozuda, Índia, do repertório de Roberto Carlos, e O Caderno, de Toquinho.  

Neste segmento da exposição Essa nossa canção, o objetivo é mostrar de que forma o público em geral, não só cantores, cantoras, instrumentistas e produtores, conseguem se apropriar das canções e registrá-las. Se antes era preciso ter acesso a engenhocas, como gramofones, ou ir a estúdios ultramodernos, atualmente basta ter um celular na mão. Haverá, ainda, uma linha do tempo em que serão apresentados aparelhos que serviram e servem para “aprisionar” a língua cantada, como vitrola, disco de 78 rpm, fitas K7 e iPods. 

Na última sala da exposição, a canção ganha materialidade no papel escrito e desmistifica-se a ideia de que, para a composição de uma música, basta a inspiração. Reproduções dos manuscritos de canções de nomes como a cantora sertaneja Marília Mendonça, o rapper e MC Xis e o sambista Cartola, com rabiscos em diversos versos, estarão expostas nas paredes a fim de mostrar as escolhas linguísticas que podem ser vitais para tornar uma canção inesquecível. 

Fotos da exposição serão disponibilizadas em breve. Em anexo, há imagens de Xênia França cantando “Garota de Ipanema”; de Felipe Araújo e João Reis em “Tristeza do Jeca”; e Carlinhos Brown que canta “O Vento”. 

SERVIÇO  
Mostra temporária Essa nossa canção  
De 14 de julho a março de 2024  
De terça a domingo, das 9h às 16h30 (com permanência até as 18h)  
R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)  
Grátis para crianças até 7 anos  
Grátis aos sábados  
Acesso pelo Portão A  
Venda de ingressos na bilheteria e pela internet:  
https://bileto.sympla.com.br/event/68203  

Museu da Língua Portuguesa  
Praça da Luz, s/n – Luz – São Paulo  

Estação da Luz – Museu da Língua Portuguesa
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Esta%C3%A7%C3%A3o_da_Luz_-_Museu_da_L%C3%ADngua_Portuguesa_01.jpg

SOBRE O MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA  
O Museu da Língua Portuguesa é um equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, concebido e implantado em parceria com a Fundação Roberto Marinho. O IDBrasil Cultura, Esporte e Educação é a Organização Social de Cultura responsável pela sua gestão.  

PATROCÍNIOS E PARCERIAS  
A reconstrução do Museu da Língua Portuguesa tem Patrocínio Máster da EDP e Patrocínio do Grupo Globo, Itaú Unibanco e Sabesp – todos por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O Apoio é da Fundação Calouste Gulbenkian.  

A Temporada 2023 conta com patrocínio da CCR, do Instituto Cultural Vale, da Petrobras e do Grupo Globo, com apoio do BNY Mellon, da PwC Brasil e do Itaú Unibanco, e com as empresas parceiras Marsh McLennan, Eaton, Machado Meyer e Verde Asset Management. Revista Piauí, Guia da Semana, Dinamize, JCDecaux e Helloo são seus parceiros de mídia. A Temporada é realizada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.  

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