Teatro nos Parques leva peças para São José dos Campos

Em sua 15ª edição, projeto leva trabalhos de grupos talentosos e renomados ao parque da cidade

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A formação de público para as artes cênicas e a democratização do acesso à Cultura estão no cerne do Teatro nos Parques, que chega a sua 15ª edição levando espetáculos gratuitos para toda a família. O projeto é uma ação de caráter sociocultural e ambiental realizada em parques públicos urbanos e alia cultura, entretenimento e lazer à formação de cidadania e responsabilidade social.

Entre os dias 2 e 9 de julho, o projeto passa pelo Parque da Cidade, em São José dos Campos, com os grupos Cia. Talagadá, Pombas Urbanas e Os Palhaços de Rua (programação completa abaixo).

A ideia é desmistificar a arte, de acordo com Edson Caeiro, idealizador e coordenador do projeto. “Quando as pessoas veem os artistas montando a peça ali no parque, se maquiando antes de entrar em cena, fazendo o aquecimento, isso aproxima o público do fazer teatral. Muitas pessoas nos contam que estão vendo teatro pela primeira vez na vida. Esperamos que elas possam se encantar pela arte e passem a procurar pelos tantos espetáculos e projetos incríveis e gratuitos que existem nas nossas instituições culturais”, explica.

O projeto valoriza o teatro de rua no Estado de São Paulo. “Já existia um movimento forte do teatro de grupos de rua, mas o Teatro nos Parques ajudou a sedimentar o impulsionar outros grupos a fazerem o mesmo caminho de se apresentar na rua, praças e parques. Temos um teatro de pesquisa, com atores, diretores e dramaturgos respeitados buscando uma valorização e abrangência maior junto ao público”.

A 15ª edição do Teatro nos Parques conta com 28 peças de companhias que têm se destacado na cena nacional por fazer trabalhos que dialoguem com pessoas de todas as idades.
A programação completa, com detalhes sobre todas as peças, pode ser conferida no site
http://teatronosparques.com/

Sobre o Teatro nos Parques
Criado em 2009, o Teatro nos Parques tem a missão de planejar e executar projetos de teatro, circo e dança para todas as idades e classes sociais, em espaços abertos e parques com acessibilidade garantida para toda população.

Até maio de 2022, em sua 16ª edição, o projeto já realizou 560 apresentações teatrais em 6 estados e25 cidades brasileiras, ficando entre uma das maiores temporadas itinerantes de teatro do país.

O projeto é uma coprodução do Cais das Artes e da Estima Cultural, com patrocínio da Gerdau, que apoia o evento desde 2011.

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Entre Frontalidade e a Bajulação

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo:

Artigo

‘Entre Frontalidade e a Bajulação’

Diamantino Bártolo

É sabido que uma parte, eventualmente, significativa da sociedade, aprecia muito ser bajulada, receber atenções de outras pessoas, no sentido de lhes dar notoriedade, importância e um estatuto que, quantas vezes, não possuem, de resto, nem sequer têm a formação educacional e socioprofissional para serem “glorificadas”, por isso, tais pessoas, que se deixam e gostam de ser aduladas, normalmente com hipocrisia, por parte de quem lisonjeia, afinal, não passam de “bobos da corte”, quais palhaços de circo, que nos fazem “rir às gargalhadas”.

O recurso ao elogio interesseiro, feito por alguém, a outra pessoa, nem sempre é verdadeiro, principalmente quando por detrás dele existe algum objetivo, menos claro, para não dizer, ilegítimo, e/ou ilegal, então é possível enquadrá-lo na Bajulação que, nestas circunstâncias, carece, portanto, de sinceridade, Frontalidade, e por que não, de muita coragem.

Por vezes, bastantes pessoas, como que se colocam em “bicos de pés” para serem vistas, para chamarem as atenções, parta se “afirmarem”, para adularem a quem, eventualmente, vão, de seguida, trair, aqui no conceito de falsear o que fazem e dizem, em benefício de interesses próprios.

A Frontalidade, por vezes, implica uma responsabilidade acrescida, na medida em que envolve, possivelmente, a coragem de se dizer e fazer o que, verdadeiramente, se pensa. Esta assertividade, deve ser sempre utilizada, principalmente, entre pessoas amigas, que se querem muito bem, porque perante adversários, inimigos, impostores e pessoas em relação às quais não existe nenhuma afetividade, o mais normal, para quem não está de boa-fé, é que sinta prazer na desgraça alheia.

Os verdadeiros e incondicionais amigos, a começar na família, são sinceros, não precisam de recorrer à Bajulação, à hipocrisia cínica e, pelo contrário, eles como que se protegem, criticando, corrigindo, dando sugestões e soluções, acompanhando todos os passos possíveis, sem o significado de controlo, para que o amigo não caia no ridículo, nos perigos das companhias comprometedoras, e nos aviltamentos mundanos.

Quem não é autenticamente amigo, mas deseja tirar proveitos de alguma pessoa conhecida: seja ela um familiar; um colega de trabalho; seja um detentor de um determinado cargo, estatuto ou posição social; ou de qualquer outra situação, recorre à Bajulação, ao elogio “balofo”, à subserviência exagerada, ao comportamento típico do “lambe-botas”, para dar nas vistas e conseguir o que pretende, para si próprio, familiar ou algum amigo.

É certo, infelizmente, que na atual sociedade, muitas pessoas têm de recorrer à Bajulação, à prática de atos humilhantes, à cedência de pedidos indecentes, para conseguirem algum proveito, resolver algum problema, lamentavelmente, em vários setores, de algumas das atividades societárias, entre outras: emprego, saúde, formação, habitação, benefícios sociais, habilitações académicas e sabe-se lá que mais.

Com efeito: uma palavrinha elogiosa, nem sempre sincera, um gesto insinuante, um olhar comprometedor, realmente, podem fazer toda a diferença, pelo menos numa determinada situação concreta, tendo um objetivo bem definido e, por vezes, quem recebe uma destas manifestações, qual “pinga-amor” deixa-se influenciar e decidir a favor de tais pessoas “intrujonas”.

Mas a Bajulação não se fica pela estratégia de querer “viver bem com Deus e com o Diabo”, “agradar a Gregos e a Troianos”, e/ou a “servir a dois amos ao mesmo tempo”. Há setores da vida em sociedade onde ela, a Bajulação, é, deploravelmente, muito utilizada, seja na progressão nas carreiras profissionais, seja para favorecimentos pessoais na família, amigos e conhecidos, seja, ainda, para uma qualquer desresponsabilização, por algo errado que se fez na vida.

Pensar que a Frontalidade é fácil, constitui demasiada ingenuidade. Pretender demonstrar assertividade com a mentira encoberta, é a mesma coisa que estarmos perante “Diabos com asas de Anjos”. Tentar “servir a dois senhores ao mesmo tempo” revelar-se-á, a curto ou médio prazos, uma incongruência que se pagará caro, desde logo com a destruição da credibilidade, da honra, bom nome e da própria dignidade, principalmente, quando os “senhores” estão, em alguma circunstância da vida, em campos relativamente diferentes ou até opostos.

Sejamos, portanto, frontais, porque esta será a melhor atitude que os verdadeiros amigos podem assumir, mas que os adversários preferem não utilizar em certo tipo de relacionamentos. A Frontalidade dá muito trabalho, exige muita coragem, mas vale a pena. A Bajulação é fácil, covarde, própria de quem procura tirar proveito, de quem se comporta como um “Bobo da Corte”, de quem gosta de se exibir na “Feira das Vaidades Bacocas”. 

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

site@nalap.org

http://nalap.org/Directoria.aspx

http://nalap.org/Artigos.aspx

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O som do strike

Pietro Costa: Poema ‘O som do strike’

Pietro Costa
Pietro Costa

E a bola desliza na pista, ansiedade

Um só lance para derrubar os pinos

Sorte, precisão, técnica, intensidade

Boliche é isso tudo sim e improvisos

Escolha logo o seu número da sorte

Provoque, ria, faça caretas e aposte

Vale um refri, sanduba, pipoca e cine

Pode brincar muito, porém, raciocine

Fone de ouvido, música preferida

A mente embalar, deixá-la atrevida

Observe bem as canaletas e a linha

Cada ponto é uma sofrida conquista

Mas o barato é ouvir o som do strike

E se sentir o rei ou a rainha do baile

Pietro Costa
pietro_costa22@hotmail.com

Canal no Youtube de Pietro Costa: 
https://www.youtube.com/user/pietrolemos0519 

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Desapegando

Ivete Rosa de Souza: Crônica ‘Desapegando’

Ivete Rosa de Souza

Ao me olhar no espelho, vi tantas rugas, a pele murcha caindo na direção do chão.   Realmente nesse momento descobri minha idade externa. O tempo foi rigoroso comigo, resolveu mostrar tudo de uma vez. As bochechas de buldogue, que no cãozinho são charme, para nós mulheres é um incômodo.

 
As rugas ou linhas de expressão, não suavizam o desespero. Dizem ser marcas da maturidade. Mas para mim, são marcas de trabalhos exaustivos, noites sem dormir, por estar sempre cuidando do outro.

Sendo familiar, filhos principalmente, nos transformam em uma máquina que lava, passa, cozinha, limpa, trabalha fora para ajudar nas despesas.  Deixa de ir ao salão, faz em casa mesmo, para não deixar os filhos sozinhos.

Mãe é babá em tempo integral. Além, de ser economista nas horas vagas, depois do trabalho. É médica, enfermeira, conselheira, faz previsão do tempo, do destino das crianças, pessoas e coisas.  Mas, não de si mesma.

Esquece, deixa de se priorizar. E quando me vi velha, enrugada, com tristeza no olhar eu percebi. Vivi a vida dos outros, acumulei trabalho e coisas. Hoje em dia a casa está grande demais, os dias de faxina, foram deixados de lado. Olho para tudo com vontade de me desfazer de tantas coisas acumuladas. Para que tudo isso? Camas demais, e ninguém para dormir. Pratos e panelas grandes demais, quando a família vem se puder, só no fim de ano ou datas especiais.

Roupas demais que já não me servem, não se ajustam ao corpo, agora mais roliço, com sobras nas laterais não caem bem. Até o corpo mudou, pareço estar ainda mais baixinha. Aumentou a bainha, apesar do número ainda continuar o mesmo. Uma roupa mais justa denuncia as imperfeições, causando angústia.

Guarda-roupas cheio sem ter o que vestir; saias, vestidos, agora todos soltos tentando esconder as tais marcas do tempo.

Não quero ser acumuladora, continuar guardando o não utilizável. Quero ter meu cantinho “clean”. Limpo arejado. Menos quartos, menos pratos, menos tudo. Só aquilo que me couber. Limpeza de alma, corpo e espaço.  Tudo livre de grandes recordações, livre dos pensamentos ruins, dos fatos imutáveis. Quero ser a borboleta não a lagarta.  Quero ter um cantinho do meu gosto. Um espaço para meus cães,  livros e outras coisinhas, que não  ocupem meu espaço físico, nem me deixem cheia de memórias já  vividas.

Hoje mesmo feia e cheia de rugas, eu senti que quero a liberdade. A liberdade de ir e vir já foi conquistada. Quero me libertar de coisas físicas, nem ter preocupação e obrigação de limpar, arrumar, só a obrigação de estar sempre ocupada comigo mesma.

Quero deixar o legado de obrigações aos que viverão mais do que eu. Agora quero ser livre, de preocupações, de incômodos, de gente que nada fez ou faz por mim.

Tomei as rédeas de minha própria vida e consciência de que guardar objetos, coisas, até mesmo determinados acontecimentos, causam um desgaste físico e mental. O jeito é ser despreocupadamente minimalista. O que passou não volta, reconhecendo que até museus que vivem de relíquias dos passado distante, também são esquecidos, acumulando poeira, em seus dias e memórias.

Ivete Rosa de Souza
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Inédita no Brasil, comédia ‘O nome do bebê’ no SESC Ipiranga

Com direção de Elias Andreato e com Bianca Bin no elenco, o espetáculo é uma adaptação para a realidade brasileira da bem-sucedida peça de Matthieu Delaporte e Alexandre de la Patellière

Fotos de Ronaldo Gutierrez 

Em tempos cada vez mais violentos e agressivos, a comédia O Nome do Bebê, da dupla francesa Matthieu Delaporte e Alexandre de la Patellière, discute a dificuldade de escuta nas nossas relações mais íntimas. A comédia, que tem direção de Elias Andreato, estreia no dia 14 de julho no Sesc Ipiranga, onde segue em cartaz até 20 de agosto, com apresentações às sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h.

Montado em vários países e adaptado para o cinema em 2012, o premiado texto foi traduzido pela atriz
Clara Carvalho, que buscou aproximá-lo ainda mais da realidade brasileira, valorizando ironias e sarcasmos. Já o elenco traz Bianca Bin, Cesar Baccan, Dudu Pelizzari, Lilian Regina e Marcelo Ullmann.
Depois de protagonizar o espetáculo “Jardim de Inverno”, com direção de Marco Antônio Pâmio, Bianca Bin, que está na telenovela das 9, Terra e Paixão, solidifica sua carreira com papéis cada vez mais complexos, também no teatro.

Na peça, Vincente e Anna vão jantar na casa da irmã dele para comunicar a ela, ao cunhado e a um amigo de infância o nome escolhido para seu primeiro filho. O pai de primeira viagem faz uma brincadeira infeliz e diz que o bebê se chamará Adolfo; nome cuja sonoridade se assemelha ao maior ditador da História.

A partir dessa situação absurda, as personagens dão início a uma discussão crescente, que evoca uma série de memórias e ressentimentos profundamente escondidos, revelando seus preconceitos e contradições.

“Nosso olhar, percorre a crueldade e o fascínio que essas relações, tão conhecidas do nosso cotidiano, nos remetem às lembranças pueris e medonhas que guardamos para sempre. É impossível não nos identificarmos com os personagens, e com a situação criada pelos autores de forma tão realista e explosiva”, comenta o diretor Elias Andreato.

A peça revela que, para chegarmos às relações verdadeiras em nossas vidas, precisamos estar desarmados para aceitar e ouvir. A falta de escuta, tão comum nos dias de hoje, é o primeiro passo para a não-aceitação dos outros. E, sem aceitação, não há solução de conflitos. Os personagens descobrem que a única maneira de se entenderem, inclusive nas relações de amizade, é se abrirem para o diferente e deixarem de lado suas aparentes incompatibilidades.

“Quando o teatro provoca e nos inquieta, propondo um jogo teatral absolutamente verdadeiro, é porque ele está vivo, podendo ser violento e muito divertido. O homem é o único animal que ri diante do inferno que são os outros. Humor não se explica, mas a crueldade sempre nos incomoda. A nossa comédia certamente deixará o espectador feliz, mas ele terá que rir de si mesmo”, acrescenta o diretor sobre a encenação.

Com humor inteligente, a montagem mostra como a polarização do pensamento e a falta de escuta e de acolhimento podem fazer ruir mesmo as relações mais íntimas.

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O inverno

Denise Canova: Poema ‘O inverno’

Denise Canova

O inverno

Mil razões

Viver um sonho

Um amor de inverno.

Dama da Poesia

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Mesmo sem entender

Paulo Siuves: Poema ‘Mesmo sem entender’

Paulo Siuves

Sinto vibrar as cordas do meu violão,

Nenhuma palavra vem à mente,

Para compor uma nova canção.

Mas quando me lembro de tudo,

Tudo o que vivi ao seu lado,

Aí quem vibra sou eu,

Chego a estremecer.

Estremeço ao lembrar da intensidade,

Da nossa paixão ardente,

As memórias surgem prontamente,

E então nasce uma nova canção.

Enquanto componho, penso,

Por que tudo isso chegou ao fim?

Esse fogo, essa paixão avassaladora,

Será que nunca houve amor?

Será que nesta canção,

Vou conseguir expressar finalmente,

Que no fundo do meu coração,

Ainda desejo você?

Paulo Siuves
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