O bem e o mal no mundo. Anjos e demónios

“Toda a pessoa, eventualmente, não nasce nem boa, nem má.”

(Diamantino Bártolo)

Diamantino Bártolo

O mundo atual, primeiro quarto do século XXI, está “recheado” destes dois tipos de seres, na circunstância: pessoas que se comportam como “Anjos” (não como anjinhos), felizmente, muitas, mas sem condições para agir; outras, desgraçadamente, que talvez sejam muitas, são autênticos “Diabos” (Capetas), na sua pior conceção, resultando, em boa verdade, a proliferação e manutenção de inúmeros conflitos, sejam eles a nível individual, grupal, entre nações, ideologias, estratégias e interesses vários.

Tem sido nesta dualidade que algumas pessoas se movimentam na sociedade, revelando-se autênticas malabaristas dos relacionamentos humanos e, em geral, comportam-se de forma a passarem a imagem de sinceras, irradiando uma permanente simpatia, um sorriso persistente para, na opinião delas, conseguirem alcançar os seus objetivos interesseiros, todavia, muitas não passam de criaturas impostoras, falsas, desleais que trocam uma amizade autêntica e incondicional, por, como se costuma dizer: “um prato de lentilhas

Tais seres, que na sua formação ético-moral, assim como no seu caráter, não passam de desprezíveis “Demónios”, conseguem, com mil e um artifícios, passar por “Anjos”, por pessoas que, forçada e hipocritamente, são capazes de levar a pensar, quem com elas convive, que os valores da honestidade intelectual, da gratidão, da lealdade, da amizade e da solidariedade, são as suas características de maior impacto.

Este tipo de “Anjos”, “sem asas e com pelo menos dois chifres”, é muito frequente surgirem em determinados contextos, principalmente, quando pretendem relacionarem-se com “Gregos e Troianos”, para daí retirarem os melhores benefícios, em proveito próprio, quantas vezes humilhando, ofendendo e magoando quem, até, eventualmente, durante certos períodos da vida os apoiou, sem reservas.

A sociedade, de certa maneira contribui para que cada vez existam mais “Demónios” vestidos de “Anjos”, porque o princípio, defendido por muitas pessoas, aponta no sentido de haver todo o interesse em se conviver com “Deus e com o Diabo”, na medida em que assim será possível alcançarem-se objetivos importantes na vida, alguns de seriedade ético-intelectual muito duvidosa.

Nas pequenas comunidades, (também na sociedade em geral) onde proliferam os “Demónios” disfarçados de “Anjos”, a hipocrisia, o cinismo, a traição, esta levada, inclusivamente, até ao seu limite, se dela resultar um grande benefício, que será a infidelidade, poderão ser comportamentos utilizados, por algumas pessoas.

Tal benefício, não tem de ser, necessariamente, material, podendo assumir uma dimensão de prazer sexual, de exibição machista ou feminista e, em algumas situações, de retaliação, de vingança, ou de simples indiferença, humilhação, para com outra pessoa, acerca da qual se pensa já não se precisar dela, apesar de, algumas vezes, num passado recente, se ter recebido grande e incondicional apoio.

As nossas pequenas localidades, as grandes cidades, o mundo em geral, na verdade, estão repletos de “Demónios” disfarçados de “Anjos”, que agem à falsa-fé, que apunhalam pelas costas, quem outrora lhes fez muito bem, que adotam estratégias evasivas, porque não têm a hombridade, nem o caráter, nem sequer um pouco de coragem e de vergonha, para assumirem que se relacionam sob a máscara covarde da falsidade: “Demónios”, profissionalmente, envernizados de “Anjos”.

A composição da humanidade tem, felizmente, acredita-se que em grande parte, pessoas muito boas, autênticos “Anjos” que, quais estrelas fulgentes, nos orientam na vida, pelos seus princípios, valores, sentimentos e boas condutas permanentes. Estas pessoas, que deveriam ser tomadas por referências, e excelentes exemplos, infelizmente, nem sempre são assim consideradas, designadamente, pela outra parte, constituída pelos “Demónios”.

Toda a pessoa, eventualmente, não nasce nem boa, nem má. A sociedade no seu todo, a família, os amigos, as companhias, as instituições, em particular, vão moldando a personalidade humana, naquilo que ela tem de dinâmico, porque alguns traços do caráter até poderão ser hereditários. Se assim é, então tornar-se-á necessário formar pessoas que possam vir a ser verdadeiros “Anjos”, no conceito mais nobre do termo: pessoas do e para o Bem, genuinamente dotadas de valores humanistas.

Nesta dualidade que compõe o mundo, a principal, será, porventura, a mulher e o homem que, obviamente, se complementam: seja para o Bem; seja para o Mal e que, tanto ela quanto ele, também assumem, em determinadas fases das suas vidas, os papéis de “Anjos” e “Demónios”, com consequências, por vezes, catastróficas, para uma das partes, ou até mesmo para as duas. “Anjos” e “Demónios” sempre existiram e vão continuar a conviver com todos nós. Não há que temê-los; há, isso sim, que nos aliarmos aos primeiros e precavermo-nos contra os segundos.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Resenha do livro de Poemas: ‘Gerúndio’

Capa do livro Gerúndio 
Poemas
de Saulo Soares
Capa do Livro Gerúndio

Resenha do livro ‘Gerúndio’
do autor Saulo Soares, pela Semente Editorial.

Um livro de escrita delicada, elegante e reflexiva que nos fala de sentimentos muito vivos em todos nós, como o amor, a fé e nossas lembranças.

O autor nos leva a um contexto poético muito particular, onde ele fala sobre lembranças, busca e encontro.

De uma forma muito sofisticada, nos dá uma obra linda, clara, com gravuras em alguns poemas, o que traz um toque de elegância ao layout do livro.

Uma obra ousada na sua singularidade.

Complexa na sua simplicidade.

E linda na sua sonoridade.

E ainda, como se tudo não bastasse, o poeta ainda abre espaço em sua obra para que a amiga Vanessa Proteu pudesse nos mostrar 5 obras de sua autoria. Lindas!

Um livro para ler devagar, e viajar nas palavras.

Super recomendo.

SOBRE A OBRA

‘Gerúndio’ é o segundo livro publicado do autor. Ele nasce, tanto da observação da poesia das ruas, do cotidiano, quanto da reflexão do papel do escritor como poeta.

O homem que passa, a saudade do meu pai, a busca pelo “Pai”, minha religiosidade, minhas alegrias e esperanças, minhas dores e dúvidas, tudo o que me emociona e me leva à contemplação ajudou a plasmar ‘Gerúndio‘, afirma Saulo Soares.

Segundo Soares, a obra foi desenvolvida em 2020, buscando uma escrita mais filosófica, bem como mais centrada e reflexiva.

Assista a resenha no canal Lee Oliveira no YouTube

“Gerúndio”, Uma escrita mais filosófica, reflexiva. Escrevo, também, há alguns anos, crônicas nos jornais e revistas. Recentemente, tenho me dedicado aos contos, o que tem sido uma prazerosa atividade literária. A maioria deles de apenas uma página. Pretendo reuni-los num novo livro.

SINOPSE DO LIVRO

(Fonte: Semente Editorial)

Nos poemas que compõem Gerúndio revela-se a voz inconfundível do poeta, que surpreende pela mestria, sensibilidade e simplicidade de versos que inspiram e falam à alma de cada um.

Ilustrado pela artista plástica Ana Cristina Maciel.

O livro revela ainda a voz de Vanessa Proteu, poetisa convidada a apresentar-se por entre suas páginas, como se fora em um sarau literário.

Assim, ‘Gerúndio’ foi acontecendo (e segue movente) à medida das coisas, na dinâmica do dia e, especialmente, na contemplação e no silêncio.

É o que podemos sentir em seus versos:

(…) Pode parecer comum a tantas peles
O vento que ao ventar se revele o canto de
Antigas almas.

Que ao movimentar as palmas das palmeiras,
Num quer queiras ou não queiras, sussurre
Numa folhinha:

“O amor é nossa estrada derradeira. Da escrita,
A nossa linha.”

Pode parecer comum aos caminhantes
O silêncio que aos sons esverdeia,
Mas a Mata que, carinhosamente, nos rodeia,
Fala língua de índio e passarinho.

Como se fosse ela o quente ninho onde se semeia
Gente, bicho, poesia, rio e… eu sozinho.

SOBRE O AUTOR

Saulo Soares Monteiro de Carvalho, 55, nascido em Piraí (RJ), poeta, cronista, contista e compositor.

Escritor Saulo Soares
Escritor Saulo Soares

Atual Presidente da Academia Literária de Piraí e Membro Correspondente da Academia Bonjesuense de Letras, de Bom Jesus do Itabapoana (RJ).

Colabora com os jornais Caderno Especial, de Barra do Piraí (RJ) e, ‘O Norte Fluminense, de Bom Jesus do Itabapoana (RJ).

Em 2018 publicou ‘Lastro‘, seu primeiro livro de poemas e, em 2020, ‘Gerúndio‘, também no gênero poesia.

Participante das Feiras Literárias de Resende (RJ), Valença (RJ), Piraí (RJ), Feira do Livro de Vassouras (RJ), da FlicBonjê, de Bom Jesus do Itabapoana (RJ) e dos Grupos Literários Café com Poesia, da Cia do Livro, de Barra do Piraí (RJ).

Vencedor do 33º Festival de Música de Piraí. Obteve a 3ª colocação em seu conto de estreia – ‘O Facão‘ – no Concurso de Contos do Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, Rio Claro (RJ).

Seu poema Malabares foi publicado na antologia ‘Parem as Máquinas‘, do Selo Off Flip, de Paraty (RJ).

Selecionado nos 3 gêneros literários – CONTO, POESIA E CRÔNICA – para o Prêmio Off Flip de Literatura 2021, sendo um dos finalistas na categoria Poesia.

Na edição de 2022 do referido Prêmio, participa da antologia nas categorias Poesia e Conto.

Vencedor do “Prêmio Olho Vivo 2022”, da cidade de Volta Redonda (RJ), na categoria Poesia, Juri Técnico.
Seu poema Café, do livro ‘Gerúndio‘, consta do número 1 da Revista Arigó, da Academia Volta-redondense de Letras.

Seu mais recente trabalho, “Paina”, integra o Projeto Arte e Natureza do Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos.

Está presente nas redes socias Instagram e Facebook

SUAS OBRAS

LASTRO

Livro Lastro

GERÚNDIO

Livro Gerúndio

ONDE ENCONTRAR O LIVRO

Diretamente com o autor através das suas redes sociais:


Resenhas da colunista Lee Oliveira




O FASCÍNIO PELO OBSCURO

AS VÁRIAS VERTENTES DO HORROR EM “O BEBÊ DE ROSEMARY”

CINEMA E PSICANÁLISE

Por Marcus Hemerly e Bruna Rosalem

É cediço que o horror pode se desvelar a partir de feições fantásticas, o típico monstro da Lagoa Negra, a criatura do armário, vampiros e lobisomens; ou mesmo, ampliar-se a partir de abordagens psicológicas pautadas no universo real.

Não raro, não tão real assim. Inclusive, hodiernamente, tais explorações são mais poderosas do que o medo incutido a partir do sobrenatural. O temor material, tangível, perpassa às percepções do ser humano fazendo com que seus próprios medos, frequentemente inconscientes, assomem de forma palpável, e, até mesmo, idealizável.

A partir dessa premissa, repise-se, o medo legítimo/empírico, é estimulado pelo próprio ser complexo – tal a característica precípua humana – direta ou indiretamente, como um desdobramento de sua interpretação, (ou distorção) da realidade que o circunda, como uma tendência explorada de maneira paralela à própria evolução histórica das sociedades.

A título de exemplo, nas décadas de 50 e 60, o temor de uma guerra nuclear aliada às inovações tecnológicas coroaram as produções de sci-fi no respectivo período, como um reflexo dos receios então contemporâneos. O fenômeno pode ser observado tanto de maneira explícita, retratado nos embates imaginários concebidos nos roteiros ominosos, seja a partir da potência rival na figura de inimigo, seja na figura de seres de outras galáxias em tons quase “lovecraftianos”, ou mesmo, implícita ou simbolicamente. 

As faces rubras do temor comunista, a paranoia da manipulação de massas, entre outros aspectos, pode ser identificados consistentemente no filme Vampiros de Almas, primeira versão da franquia posteriormente intitulada de Os Invasores de Corpos; mas, quais invasores? Sobrenaturais? Políticos?

A pergunta ecoa com diferentes respostas; óbvias ou interpretativas, pois até mesmo o conceito de alien assimila significados distintos, ao indicar elementos oriundos de países estrangeiros. Decerto, ainda que a criação artística do horror ou sua manifestação nas mais variadas formas de ficção acentue contornos pautados na realidade, o sobrenatural, a despeito de tudo, nunca perdeu sua majestade.

Afinal, o terror, assim como qualquer forma de arte, pode ser analisado como uma espécie de escapismo. Todavia, um escapismo que incita medo, para o qual aquele que o consome caminha a passos largos e de mãos dadas à sua própria “atemorização”.

Já foi explicado que o cérebro funciona em paralelo e se atrai em relação ao mórbido e ao macabro, informações não usualmente processadas, o que explicita o fascínio humano pelo que, num primeiro momento, causaria asco ou repulsa. E, nesses meandros, o sobrenatural, envolvendo as várias percepções do mal, seja na figura do homem ou do demônio, sempre estiveram presentes nas manifestações artísticas.  

Na obra cinematográfica O bebê de Rosemary, (1967), adaptada do livro homônimo de Ira Levin, conhecemos a história de Rosemary Woodhouse, esposa de um ator decadente e frustrado que se vê habitando um disputado prédio novaiorquino, com locações gravadas no Edifício Dakota, onde foi assassino John Lennon.

Nesse passo, desde que trava conhecimento com seus novos vizinhos, o aparente simpático casal de idosos interpretados por Sidney Blackmer e Ruth Gordon, em meio à sua própria solidão imposta, estranhos desdobramentos fazem com que seja semeada a suspeita de seu envolvimento com o ocultismo.

Seria realmente um conciliábulo de bruxas em pleno século XX, no qual ela foi inserida como coadjuvante e vítima, ou projeções oriundas de suas próprias fantasias incentivadas por uma crise existencial? 

O filme, desde os primórdios de sua realização, foi nutrido com um olhar especial pela produtora cinematográfica Paramount. Projeto com direção originalmente delegada a Willian Castle, que em momento posterior ficou a cargo da produção, pois oriundo de um nicho substancial de produções baratas de terror, o estúdio não queria que a obra fosse, de plano, rotulada como mais uma película rasa como as que permeavam o período.

A despeito de não surgir como a primeira retratação do demônio no cinema, pode ser indicado como o filme de maior relevância até então. Nos anos vindouros, os argumentos derivados do tema possessões demoníacas se popularizariam a partir do lançamento de “O Exorcista”, (1973), de William Friedkin, baseado no fabuloso romance de William Peter Blatty, e, até mesmo, no Brasil, com o lançamento de “Exorcismo Negro”, de José Mojica Marins.

Inúmeros são os títulos que flertam ou abordam diretamente a temática, alguns com mais êxito, como “O Anticristo”, (1974) e as franquias “Profecia”, (1976), e mais recente “Invocação do Mal” (2013), além do spin-off Annabelle (2014). Estes últimos conquistaram grande número de admiradores do gênero, tendo como plano de fundo, histórias reais do casal de pesquisadores do sobrenatural Ed e Lorraine Warren.

A vereda pelo desconhecido sempre desperta algo dentro de nós, seja nas fantasias, na imaginação, nos sonhos. Aquilo que está nas entrelinhas, nos discursos enigmáticos, nas figuras formadas pela nossa mente ao avistar algo que não está claro, nas sombras assustadoras, indefinidas projetadas nos cantos dos ambientes. Seja consciente ou inconsciente, sempre buscamos algum tipo de interpretação para dar conta de nossas indagações cotidianas, de angústias existenciais, sobre a alma, a morte, o mundo espiritual, a existência de dimensões, viagem no tempo, vida após a morte, ou simplesmente, o nada. De qualquer maneira, a busca por explicações parece fazer parte da essência humana.

De volta ao longa O bebê de Rosemary, o que faz então, este verdadeiro clássico do cinema ser até hoje tão perturbadoramente instigante? É possível dizer que o filme causa estranheza, desconforto, angustia, sensações incomodas. Podemos arriscar ainda que, apesar de novas tentativas surgirem ao longo da história cinematográfica, dificilmente filmes contemporâneos conseguiram provocar em seus espectadores tantas emoções, e impactos.

Além disso, um detalhe muito importante: sem revelar quase nada ao público. Brilhantemente, o filme opta por seguir por uma narrativa velada e obscura, o que aumenta ainda mais a tensão em torno de Rosemary e sua gravidez. O que ela de fato carregava em seu ventre? Um ser maligno? Um monstro? Alguma criatura desconhecida? Algo poderoso? Hipóteses gravitam o tempo todo. Não é à toa que esta grande obra do terror é considerada referência em produção, roteiro, cinematografia, atuações, tendo ganhado o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz Coadjuvante.

A trama flerta, principalmente no início, com nossos julgamentos: ora é crível a existência de um mundo oculto, ora apostamos numa interpretação mais cética, pois a ingênua e simpática protagonista parece nos dar pistas de que tudo não passava de alucinações e perturbações fruto de sua imaginação fértil. Porém, até os mais céticos, ao longo da narrativa, caem nas garras do sobrenatural, do nebuloso e curioso domínio do misticismo, da magia, dos fenômenos paranormais, das seitas e da prática de bruxaria.

Um dos pontos mais angustiantes do longo é o fato de que em nenhum momento a criatura é revelada. Mesmo que a narrativa seja um tanto lenta, o espectador prende-se ao imaginário pulsante daquela tenebrosa gravidez, alimentando um crescente mal-estar por algo que parece ser proibido e inalcançável. Ainda assim, queremos chegar até o final daquele enredo macabro na ilusória ideia de que tudo será solucionado e satisfatoriamente concluído.

O que vemos é justamente o contrário, ao nascer a criatura, o filme faz questão de focar na expressão aterrorizada de Rosemary ao olhar para o seu bebê. Feição esta que permanece em nossas mentes por muito tempo, nos provocando uma intensa sensação de pavor e, ao mesmo tempo, de grande falta, frustração, pois nunca saberemos o que de fato havia naquele carrinho. E bem sabemos que, psiquicamente, quanto mais há falta, maior parece ser o desejo. Quanto mais incógnita é a situação, mais voraz é a nossa vontade de conhecer.

De maneira inteligente e perspicaz, sem expor cenas sanguinolentas ou atos violentos, pessoas desfiguradas ou sorrisos enviesados, a obra aponta outras perspectivas que nos geram uma crescente estranheza, seja nas ambientações, a exemplo do edifício envelhecido e charmoso, nas personagens prestativas demais, nos diálogos com “pontas soltas”, esquisitas coincidências e uma gestação problemática sem motivos aparentes. 

Podemos arriscar dizer que o filme nos coloca numa corda bamba: pendemos entre os limites da racionalidade e uma verdade absolutamente incomoda e de difícil digestão. Pior do que esperar que algo realmente aconteça, é sentir-se aprisionado numa sensação constante de tensão, na iminência de se realizar, mas que não se concretiza.

E é exatamente isso que O bebê de Rosemary faz com nossa mente: nos provoca uma sensação terrível que implora por um desfecho que encerrará nosso desconforto, mas que nunca se cumpre. Ficamos permeados por um mistério insolúvel que não cessa de nos perturbar. Deparamo-nos com o vazio, e que jamais o preencheremos. 

No contexto atual, o subgênero — inclusive, a ânsia por rótulos e definições, nunca se mostrou tão ávida — recebe constantes e pontuais revisitações. Os suspenses psicológicos, por exemplo, “caíram nas graças” do público, intitulados de cult, assim como as faces do sobrenatural ainda se mantêm igualmente sedutoras, bem como o interesse pelo sombrio e por fenômenos aparentemente inexplicáveis. Desde o body horror de David Cronenberg, ao surrealismo de David Lynch, perpassando as sutilezas do cinema japonês no qual drama e horror se unem, o terror – humano ou sobrenatural – evolui em paralelo ao amadurecimento do cinema. E, por óbvio, do perfil de público. 

Aos apaixonados por histórias que “deixam em aberto” seu desfecho, e a “conclusão” a cargo do imaginário dos espectadores, O bebê de Rosemary é um verdadeiro deleite. Já para aqueles que anseiam por finais explicáveis e obsessivamente interpretáveis, a experiência pode ser um tanto desoladora.

Marcus Hemerly
E:meio: MARCUSHEMERLY@GMAIL.COM
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marcushemerly@adminj

Bruna Rosalem
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Visão além das palavras, com Sandra Albuquerque

Entrevista com a Poetisa Sandra Albuquerque, que fala sobre literatura e seu problema na visão

Descubra a emocionante trajetória de Sandra Albuquerque, professora, poetisa e escritora aclamada. Conheça sua participação em antologias, títulos de reconhecimento e seu engajamento em causas sociais. Uma voz única que superou desafios, incluindo recentes problemas de visão. Prepare-se para se encantar e se inspirar com essa entrevista imperdível!

Sandra Regina de Almeida Gomes Cavalcante de Albuquerque, uma inspiradora multiartista, nascida em Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Professora, poetisa e escritora reconhecida, com participações em diversas antologias e revistas literárias. Acadêmica Correspondente e Internacional da FEBACLA, além de receber diversas comendas e títulos de reconhecimento. Engajada em causas sociais e ambientais, colabora com organizações como a Greenpeace. Apelidada carinhosamente de “Fada Madrinha do ROL”. Sua recente batalha contra problemas de visão inspira ainda mais sua trajetória.

Você é uma professora, poetisa e escritora talentosa, com várias antologias publicadas. Poderia falar um pouco sobre a sua trajetória literária e o que a inspira a escrever?

Em primeiro lugar, quero agradecer a você, Celso Ricardo de Almeida, pela oportunidade de estar trazendo publicamente a minha história. Eu vejo o escrever como um dom ou um hábito adquirido e no meu caso, trata-se de um dom porque desde criança eu escrevo.

Sou filha de avós paternos e sempre tive uma imaginação muito fértil, pois aprendi a ler muito cedo, aos seis anos e aos 8 anos eu tirava 10 em redação e meu QI era de 4ª série, sendo sempre a representante da turma. Interessante que eu fui criada em Saquarema e praticamente todos os dias eu gostava de ver o mar, sentava nas pedras e observava a natureza e as ondas batendo nelas e envolvendo areia e eu escrevia.

Aos 17 anos eu tocava violão e compunha músicas do estilo Gospel porque já era e continuo sendo evangélica. Eu sempre tive muita habilidade para escrever e desenvolver qualquer tema e assim fiquei conhecida e era convidada para fazer letras de temas especiais para as festas das igrejas e das escolas do município e eu já perdi a conta da quantidade de minhas composições e devido ao fato da minha desenvoltura na escrita e nas composições eu cheguei a ser ministra de cultura de uma igreja muito famosa e cheguei a fazer um show no SKALA quando ainda existia.

Também escrevi peças teatrais e jograis e monólogos; pena quer naquela época não havia tanta facilidade tecnológica como hoje e em uma enchente perdi todo o material. Também fiz curso de canto e dei muita aula de canto e formei muitos cantores. Fiz o técnico de química e passava em todos os concursos da Petrobras e os homens que tinham notas menores que as minhas eram chamados porque havia uma discriminação muito grande quanto à presença da mulher em trabalhos do tipo e foi assim que por desilusão eu fiz formação de professores e quem diria que eu iria me encontrar quando comecei a lidar com o social e com isto, fiz muitos cursos e a literatura sempre andou comigo. Trazendo para o hoje, qualquer coisa me inspira a escreve, e eu viajo no tempo, para os lugares e fatos e desenvolvo-os.

Você é colunista do Jornal Cultural ROL e do Internet Jornal, e também participou da revista bilíngue Italiamiga. Como é a sua experiência ao colaborar com essas publicações e como isso contribui para a divulgação de sua obra?

Para eu lhe responder é necessário que eu lhe conte como tudo começou. Certa vez alguém me falou porque você não expõe seus poemas no Orkut? Eu passei um bom tempo nele até o mesmo ser extinto e surgiu o Facebook. Até ali eu era apenas a Sandra Albuquerque e começaram a surgir os convites para eu participar de vários grupos literários e na maioria dos eventos, eu estava, e recebia os certificados.

Participei intensamente de um Festival de Inverno com o Iran Maceno dos Santos, a convite da Sr.ª Tatiana Azevedo, presidente da AIAP, e o meu nome viajou para outros países e nesse momento um ser iluminado observando os meus trabalhos convidou-me a fazer parte da FEBACLA, o Presidente Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho, e na tarde de 29 de Novembro de 2019 em uma cerimônia de posse em Niterói tornei-me Acadêmica Correspondente e ele mesmo colocou-me no grupo do WhatsApp e eu fiquei conhecida entre os membros e comecei a expor ali no grupo os meus trabalhos e foi quando a Vera Figueiredo tomou conhecimento e convidou me a fazer parte da revista Italiamiga e eu fiquei encantada porque, afinal, meu trabalho seria exposto em dois idiomas.

Estando nesse grupo de WhatsApp, conheci o ROL e eu gostava de comentar o jornal inteiro no grupo e o Sergio Diniz da Costa, sendo um dos editores do jornal, apreciou a minha dedicação ao mesmo e surgiu o convite para eu tornar-me  uma colunista, e no dia 13 de junho de 2020 eu expus o meu primeiro trabalho e foi a partir daí que surgiram os convites para participar de antologias e a minha vida literária se transformou e com este crescimento eu passei a fazer parte de outras academias como Academia Caxambuense de Letras, onde participei da Feira Literária Flavir; Academia Brasileira Camaquiana e Academia de Letras Poetas Além do Tempo.

Criei o meu Instagram (@comendadora_poetisa_sandra) e meu canal no YouTube como Comendadora Sandra Albuquerque Apresentações, após descobrir que eu conseguia fazer vídeos e montagens.

Recentemente, você enfrentou um problema na vista que a deixou alguns dias sem enxergar. Como esse desafio afetou você e sua produção literária? Ele teve alguma influência em seu processo criativo?

Não foram, apenas, dias e sim, um ano e meio. Verdadeiramente, para Deus não existem acasos e sim propósitos. Eu tenho que abrir um parêntese aqui para explicar o porquê que eu fiquei sem enxergar até para que isso sirva de lição para muitas pessoas, que nem tudo que vemos na internet devemos fazer.

Apareceu uma pele no meu canto do olho direito e esquerdo e ficou irritada. Fui ver na internet e vi que água de coco era boa para inflamação nos olhos e como aqui em casa tem coqueiro eu pinguei essa água de coco numa sexta-feira à noite e no sábado pela manhã fui parar na emergência porque os meus olhos inflamaram e eu fiquei parcialmente sem enxergar e o médico foi taxativo ao falar “cirurgia”.

Me bateu um desespero muito grande porque há uma grande diferença entre a pessoa que já nasce com uma deficiência para aquela que adquire da noite para o dia. E foi nesse período que eu fui abraçada de uma tal maneira por alguns amigos e que se tornaram os meus olhos e eu não parei de expor os meus trabalhos e através desses trabalhos surgiram várias Antologias e fui abençoada por vários títulos e recebi diversos prêmios e mesmo a pandemia surgindo com a nova tecnologia os cerimoniais não deixaram de acontecer.

Um dos fatos mais importantes para mim foi, a convite de Dom Alexandre, presidente da FEBACLA, tornar-me Correspondente Internacional, ocupando a cadeira do patrono Oscar Niemeyer e a seguir, tornar-me uma Acadêmica Benemérita e ser uma   Patrona de uma Federação tal como a FEBACLA é uma emoção inexplicável.

E além de outros Prêmios, tornei-me, oficialmente, poetisa e escritora, além de Comendadora, Embaixadora da Paz, D.h.c em Educação, em Comunicação e em Direitos Sociais Históricos e Humanitários, Benfeitora das Ciências Artes e Letras, etc. Neste mesmo tempo, fui agraciada pela OMDDH, pelo Presidente, Dom Iguaci Luiz de Gouveia Júnior, com o título de Embaixadora da Paz e Comendadora da Justiça de paz. Talvez, você não saiba mais em 06 de janeiro de 2021 eu senti um desejo de entrevistar a escritora Letícia Mariana para que através dela fosse abordado o tema a respeito do autismo e a partir daí, outros colunistas passaram a fazer entrevistas no jornal.

Outro fato também é que eu comecei a escrever meus textos em três idiomas: português, inglês e espanhol e tudo isto foi possível Graças ao Sergio Diniz da Costa, à Cláudia Lundgren e Verônica Moreira, que foram os meus olhos amigos e  editavam os meus textos, me ajudando em tudo que era necessário, e com isto, além de ser colunista do jornal, tornei-me Editora Setorial Social e alguns meses depois fui convidada por Hélio Rubens a fazer parte do Internet Jornal, não só como comentarista, mas como colunista e Representante Municipal no Rio de Janeiro.

Eu não tenho palavras para agradecer a paciência deles em aguardar o meu retorno total que será agora no segundo semestre. Ao ver os meus textos em outros idiomas; a Embaixadora e escritora Regina Caciquinho, os apresentou ao Dr. Guilhermo, que os apreciou e os editou em suas antologias espanholas.

Outro fato marcante foi participar, através de um convite da Embaixadora Élle Marques, da Coletânea do Beethoven em todas as suas versões e participar da revista The Bard, através de um convite feito pela Baronesa Verônica Moreira. Enfim, nesse meu período crucial, fui mais agraciada com condecorações como nunca e a minha vida literária em forma de reconhecimento floresceu.

Você recebeu diversos reconhecimentos e comendas ao longo de sua carreira, incluindo o título de Personalidade Cultural e o Grande Prêmio Internacional de Literatura Machado de Assis. Como essas honrarias impactaram sua carreira e seu trabalho como escritora?

Eu deixei para comentar nessa pergunta a respeito desses dois títulos porque ser considerada uma Personalidade Cultural por uma Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências Letras e Artes, título este que venho recebendo desde 2019, é a soma de todos os frutos dos meus trabalhos durante longos anos. É você se destacar e ficar reconhecida mundialmente. E quanto ao Grande Prêmio Internacional de Literatura Machado de Assis, senti-me eternizada na história da literatura, pois ele fez toda a diferença para nós escritores e por isso que ao receber esta honraria eu chorei muito porque foi um momento indescritível, incomparável e único e eu só tenho a agradecer.

Além de suas atividades literárias, você também é engajada em várias causas, como a proteção animal e o trabalho filantrópico. Como você equilibra suas responsabilidades literárias com seu envolvimento nessas causas?

Eu tenho um pensamento que diz: “A literatura é uma porta que, quando aberta, pode mudar o conceito de uma sociedade”. Na literatura, dentre os grupos aos quais eu pertenço apresentamos muitos trabalhos aproveitando as datas históricas e sociais e nelas desenvolvemos o desejo de expressar “Um Mundo Melhor”.

O social mexe muito comigo, porque eu me preocupo muito com o próximo e, então, tornei-me madrinha da APTI (Arte Para Todas as Idades) em Camaçari- Bahia, sob à criação e direção Geral do artista plástico Nilson Carvalho, o qual honro-me dando a biblioteca da mesma o meu nome. Eu também participo da ONG Voando Alto em Ibicuíba- Saquarema.-RJ e ajudo na Rio Abrace-Penha-RJ, onde faz um serviço social com as crianças e pessoas que têm câncer. E tem outros trabalhos sociais dos quais participo.

Todas as vezes que eu escrevo um texto sobre racismo, violência contra mulher, a criança, o adolescente, o idoso, o deficiente (um termo que eu nem gosto porque eu penso que é deficiente é aquele que vê uma diferença no outro e o trata com descaso) e os animais, eu penso que estou fazendo algo que venha a mexer com a consciência da sociedade, tornando-a melhor. Resumindo, o equilíbrio continuo é o resultado de você não se deixar levar pelas segundas intenções do interesse próprio, ou seja, não tentar se promover usando a desgraça alheia.

Como é ser chamada carinhosamente de “Fada Madrinha do ROL”? Qual a importância desse reconhecimento e como você se sente ao saber que seu trabalho é tão apreciado?

 Como diz Dom Alexandre, eu sou a chorona da casa e nesse momento da entrevista não está sendo diferente porque a lágrima está escorrendo pelo canto do olho de uma forma que para eu responder a esta pergunta, penso, que vou parar algumas vezes para rever o que eu falei. Não existem palavras para expressar essa emoção, porque a palavra fada lembra sonho, desejo, emoções recheadas de risos e lágrimas, persistência e concretizações e eu penso que é isso que eu passo para as pessoas, através dos meus atos, dos meus gestos e dos meus escritos. Sinto-me abraçada, querida e presente.

O ROL é para mim como se eu fosse um filho, um presente de Deus. O que adiantaria um veículo sem combustível, uma casa sem alicerce ou um mercado vazio? Sou o que sou fruto do meio em que vivo. Eu sinto carinho, o calor humano, o abraço e o respeito de cada um. A confiabilidade que Sérgio Diniz da Costa, Editor Geral, e o nosso paizão Hélio Rubens de Arruda e Miranda, o nosso Editor-mor, juntamente com a amabilidade de todos os colunistas e editores, não tem preço. Assim como um avião precisa de uma pista de pouso para alçar voo ou aterrissar, nós escritores precisamos de um meio de comunicação para criar caminhos e conquistar os continentes e eu sou grata ao JORNAL CULTURAL ROL e ao INTER-NET JORNAL por isto.

Deixe uma mensagem aos leitores.

Quero agradecer, primeiramente a Deus e também a você por dar-me oportunidade em escrever aqui a minha história literária e desejo ressaltar que toda educação e princípios que aprendi eu devo a Deus e aos meus avós, paternos Joaquim Almeida e Regina Monteiro, ao meu tio pai, Edson Martins, todos In Memoriam e a minha tia-mãe, Marlene Silva, hoje com 80 anos. Gratidão!

Por Celso Ricardo de Almeida

(MTB N.º 0021802/MG)

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Esperança tardia

Verônica Moreira: Poema Esperança tardia

Verônica Moreira

Ficarás no passado

Na lista de posterioridade

Apagar-te de vez da minha vida

Será minha prioridade.

Aos poucos, eliminarei os vestígios

Trocarei o perfume por outro mais forte,

Trocarei o pingente da corrente

Que esteve presente em nosso suor.

Evitarei os locais onde frequentas

Os eventos que participas

E farei versos desromantizando

O sentimento por ti,

Desde a saudade até o olhar.

Sim, eu decidi não mais chorar

Não quero ouvir músicas sertanejas

E nem Internacionais românticas,

Não vou mais sorrir quando lembrar-me de ti

Eu realmente vou embora do teu mundo

Sem deixar sinais, e jogar o amor por ti porta afora,

Sem jamais olhar para trás

Pois não te amo mais.

Não se admire se algum dia bater de frente comigo

E desconhecer-me pela frieza no olhar,

Não sou mais aquela bela e doce menina

Que quiseste enganar.

O fogo que ardia em meus olhos,

Pouco a pouco fizeste apagar

Finjas que não me conhece

Ou terei que ignorar-te.

Acabou toda esperança

Resta-me sufocar as lembranças

De nossos encontros vespertinos

Acreditar que foi só um golpe sutil do destino,

ensinando-me uma lição.

Verônica Moreira
veronicanoe398@gmail.com

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Verde, que te quero verde

Sergio Diniz da Costa: Poema ‘Verde que te quero verde’

Sergio Diniz

Olhares verdes

verdes folhas

Campos verdes

verdes mares!

Verde, que te

quero verde

Verde, que te

quero ver-te!

Derramas teu manto

sobre mim

Verdejas minha alma

fazes de mim natureza!

Sergio Diniz da Costa
jornalculturalrol2@gmail.com

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FAMA Museu inaugura a exposição ‘Diálogos Possíveis’

FAMA Museu inaugura a exposição com obras de Rubens Espírito Santo, Bruno Passos e mais outros 5 artistas

O FAMA Museu, localizado na cidade de Itu (SP), está com uma nova exposição em cartaz, ‘Diálogos Possíveis’, uma ótima oportunidade para conhecer um pouco da coleção pessoal de Marcos Amaro, criador do museu e curador da nova atração. Sobretudo obras de grandes artistas brasileiros.

Ao todo, sete diferentes artistas protagonizam a exposição ‘Diálogos Possíveis’: Rubens Espírito Santo, Anna Israel, Eduardo Berliner, Julio Bittencourt, Bruno Passos, Daniel Lannes e José Rufino.

“Queremos aproximar sete artistas brasileiros de lugares diferentes, uns se conhecem, outros nunca se viram, e também incentivar cada vez mais as pessoas para que visitem o FAMA. Os visitantes vão notar algumas obras mais contidas, outras mais expressivas, mas queremos ver o que os sete artistas podem ter em comum”, disse Marcos Amaro, curador da mostra. 

Ao todo, são 25.000 m² de dependências. O acervo com foco na arte brasileira inclui obras de artistas fundamentais, do moderno ao contemporâneo, contemplando diversas linguagens artísticas, escultura, gravura, desenho, instalações, pinturas e fotografia.

São mais de oito salas expositivas, com destaque para os jardins e galpões industriais, onde a arquitetura do início do século 20 envolve o visitante em uma experiência única.

No acervo, há obras raras de Aleijadinho, desenhos de Tarsila do Amaral e uma infinidade de outros artistas. Algumas mostras são permanentes e os tours não são guiados, cada um percorre as diversas salas e áreas abertas do museu no seu próprio ritmo. O que torna o programa perfeito para fazer com crianças também. 

Cozinha São Pedro

O passeio fica ainda mais completo com o almoço no restaurante Cozinha São Pedro, situado nas dependências da fábrica tombada. Em um ambiente agradável, a casa oferece diversas sugestões de entradas, pratos principais, massas e os especiais da cozinha, com delícias como o bobó de camarão, o picadinho filé mignon, costela bovina, cozida lentamente e servida com polenta cremosa com parmesão. De sexta a domingo tem ainda a sugestão do dia. 

Há opções veganas e vegetarianas, como a Moqueca Vegana e o Tortellini de Shitake, e os pratos infantis, massas, bifinhos, acompanhados de arroz, fritas, purê de batatas e mandioquinha. Na hora da sobremesa, muitas delícias como pudim de leite condensado, sorvetes artesanais produzidos lá mesmo e uma sugestão vegana. A casa tem vasta carta de vinhos e uma enorme lista de coquetéis tradicionais e autorais. 

Outras exposições que podem ser visitadas no Museu FAMA 

‘Um Presente para Ciccillo

Desde maio do ano passado é possível ver a mostra “Um Presente para Ciccillo”, que reúne as obras extraídas de um álbum que pertenceu a Ciccillo Matarazzo (Francisco Matarazzo Sobrinho) com quarenta e oito trabalhos, dos mais importantes artistas daquele período. Organizado por Pedroso d’Horta, o álbum tem uma capa dura que contém desenhos, aquarelas e gravuras, cada um deles fixado em uma prancha de papel 72,5 x 50,5 cm.

Desconstruções e Articulações Dinâmicas espaciais – Galáxias

Nesta mostra é possível conhecer uma parte do trabalho de  Marcos Amaro, que não trabalha apenas com sucata de aviões, mas incorpora inúmeros outros objetos e materiais, quase sempre coisas que foram descartadas pela sociedade e que ganham outro significado na obra do artista. 

Sala Tunga – permanente 

Um dos destaques é “Vers la Voie Humide 2” (2013) – do francês, algo como “em busca do caminho molhado”. O artista pernambucano Tunga (1952 – 2016) criou essa espécie de portal com o ímã e o cristal. Contrastando o branco e o preto, o cheio e o vazio, Tunga nos coloca em contato com as polaridades. As pedras pretas, os ímanes, estão soltas e permanecem unidas pela força do magnetismo. 

Acervo em Exposição – permanente

Acervo em Exposição está em cartaz no FAMA Museu, na Sala Almeida Júnior, exibe o acervo permanente do museu apresentando o olhar afetivo do colecionador e suas afinidades eletivas.

Serviço

Endereço – A entrada do FAMA Museu é pela Rua Doutor Graciano Geribello, nº 8 – Bairro Alto – Itu/SP

Horário de funcionamento – de quarta a domingo, das 11h às 17h

Informações  – 11 4022-4828

contato@famamuseu.org.br

Ingressos – R$ 10,00 (menores de 10 anos e maiores de 60 anos não pagam) – às quartas-feiras a entrada é franca

Estacionamento –  R$ 10,00

O pagamento pode ser feito em cartão de crédito, débito ou pix. 

Pet friendly

Animais de estimação são bem-vindos nos espaços externos e jardins. Não é permitida a entrada de animais dentro das salas expositivas – com exceção de  cão-guia.

Restaurante Cozinha São Pedro

Dentro do FAMA Museu, o visitante tem a opção de almoçar ou tomar um café no restaurante Cozinha São Pedro. Com um cardápio exclusivo, o restaurante atende de quarta a domingo, das 12h às 16h.Reservas e informações pelo telefone: (11) 98944 4330

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