O professor de Matemática

Eduardo Martínez: ‘O professor de Matemática’

Eduardo Martínez. Foto por Irene Oliveira
Eduardo Martínez – Foto por Irene Oliveira
Imagem criada por Gemini - a IA do Google - 1ºde março de2026, às 05:37
Imagem criada por Gemini – a IA do Google – 1ºde março de2026, às 05:37

Não vou conseguir precisar o dia em que aquele rapaz atravessou o portão da propriedade, sorriu confiante, apesar da vestimenta surrada, e foi direto cumprimentar meus pais, que já o aguardavam sentados a uma das mesas ao redor da piscina. Soube naquele momento que aquele jovem, apesar da aparência mais velha, contava apenas 18 anos, enquanto eu, no mês seguinte, completaria 20.

           Meu pai não tardou e se levantou. Foi em direção ao velho José, que já o aguardava, junto a um de nossos automóveis, com a porta de trás aberta. Minha mãe acompanhou com o olhar o marido. Os dois se despediram com beijos soltos no ar. Nessa época, creio que ainda guardavam um resquício do amor, que talvez tiveram algum dia.

            Assim que o Opala partiu, minha mãe pegou a mão do rapaz e veio até mim. Não muito alta, ela carregava o costumeiro du Maurier acoplado à piteira dourada. Por conta de tal hábito, um câncer a tomaria por completo duas décadas após.

            — Augusto, meu querido, quero lhe apresentar o Olegário. Ele o ajudará nas tarefas de matemática. 

            Olegário me estendeu a mão. Olhei para ele com ar de arrogância, que, na verdade, não passava de pura inveja. Como é que aquele maltrapilho poderia me ensinar algo? Mero bandalho! Devo ter feito cara de poucos amigos, pois a minha mãe lançou-me aquele olhar fulminante. Não tive escolha e aceitei o cumprimento.

           A partir da semana seguinte, comecei a ter aulas com o meu novo professor. Um prodígio em trigonometria e geometria, devo admitir. Relutante a princípio, acabei me encantando por aquela situação. Não pelos números, diga-se de passagem, pois até hoje não encontrei razão para decorar nem mesmo a tabuada. Se me interessei, foi por aquela voz rouca do Olegário, que, ainda por cima, era dono do sorriso mais lindo que, até recentemente, não tive o prazer de ver igual.

           Durante nossas tardes no meu quarto, ele tentava a todo custo me ensinar atalhos para que eu não tomasse bomba no final do ano. Por debaixo da mesa, ele cutucava a minha perna com a sua, com o intuito de me fazer prestar atenção. Isso me causava calafrios por todo o corpo, mas, covarde que ainda sou, mirava o piso para não ser descoberto.

          As provas finais vieram e, não sei como, consegui concluir meus estudos. Na certa, devo ter me esforçado além do esperado, pois não queria decepcionar o meu mestre. Não sei se ele ficou feliz com a minha aprovação, pois nunca mais o vi. Minha mãe, hoje consigo ter maior clareza sobre isso, o dispensou assim que possível para evitar que algo pudesse causar certo constrangimento na família. 

          Passei os anos seguintes envolto em códigos civis, penais e trabalhistas. Formei-me com louvor e, a partir de então, comecei a exercer a advocacia no escritório do meu pai. Foi justamente nessa época em que conheci Glória, brilhante advogada, com quem muito aprendi do ofício.

            Protegida do meu velho, ela passou a frequentar a nossa casa. Entretidos que estávamos com o volume de trabalho, não tínhamos tempo para o amor. Foi como um acordo que nos casamos no ano seguinte, logo após ganharmos uma causa de milhões. Minha mãe pareceu aliviada com o matrimônio.

            Como prêmio, viajamos para Europa por uma semana. A agora minha esposa, com um francês muito melhor do que o meu, pareceu adorar aquelas explicações intermináveis nas idas aos museus. Como bom marido, mantive-me sempre ao seu lado, mas com a cabeça na pilha de processos que me esperava no escritório.

            Assim que o avião pousou no Galeão, senti um grande alívio. Nada mais de passeios infrutíferos por Paris, onde sentamos em todos os cafés possíveis. A companhia era ótima, é verdade, tanto é que na segunda semana de volta ao Brasil, Glória se sentiu indisposta e correu para o banheiro a fim de evitar devolver, sobre a mesa, o salmão com nozes ingerido há pouco.

            No verão seguinte, eis que estávamos na sala de parto. Minha mulher segurava minhas mãos tão fortemente, que imaginei que iria arrancar todos os meus dedos. Devo confessar que aquela era uma situação nova para mim também, porém, muito mais cômoda. Afinal, todas as dores do parto se encontravam com Glória. 

            Às 12h43 do dia 15 de fevereiro de 1989, ouvimos pela primeira vez o choro de Rubens. Minha esposa e eu, talvez não querendo deixar nosso filho chorando sozinho, o acompanhamos. Esse momento mostrou a nós dois que, apesar de ter surgido de um acordo, aquele casamento havia conseguido gerar um fruto do nosso amor. 

            Depois de alguns meses de correria, a nossa vida acabou entrando nos eixos. É verdade que agora tínhamos um filho para criar e, hoje posso afirmar, o tempo é sábio e toma conta de tudo. Ou, caso não cuide tão bem assim, o dinheiro ajuda a superar as dificuldades.

            Nosso menino cresceu cercado de todos os mimos e regalias, é verdade. No entanto, até entre os abastados há certos percalços. Seja como for, lá estávamos para lhe dar o suporte necessário. E foi assim que fizemos, quando, antes de completar 10 anos, ele cismou em ser tenista.

            Compramos os melhores materiais esportivos, contratamos o mais afamado treinador. Até mandamos construir uma quadra de tênis na nossa ampla propriedade. Entretanto, essa febre passou e a raquete, comprada a peso de ouro, foi parar em algum canto.

            Aos 13, Rubens cismou que queria ser músico. Como dinheiro não era problema, compramos vários instrumentos, mas, no final, o nosso rapazinho desistiu de todos. Ainda carregou a gaita no bolso por alguns meses, mas nunca o vi soprando-a nem uma vez sequer.

            Rubens, prestes a concluir o ensino médio, parece ter herdado a minha aversão por números. Por isso, a minha mãe, ainda que adoentada, contratou um professor de matemática para o único neto. Na hora nem me dei conta da situação, até que, sentados a uma das mesas ao redor da piscina, vi passar pelo portão um jovem de lá seus 25. Na verdade, soube logo em seguida, ainda contava 18. Ele parou diante de mim e sorriu um sorriso, que há muito guardo na lembrança, e, então, naturalmente, acabei por me encantar por aquela rouquidão: “- Prazer, sou o Olegário!”

Eduardo Martínez

Voltar

Facebook




Os encontros e desencontros na vida de um advogado

Livro do escritor carioca Alper Tadeu Alves Pereira retrata as desventuras de Ricardo Santos pelos bastidores do poder

Os bastidores do poder na visão de um advogado e sua busca pelo autoconhecimento em um mundo de aventuras e desventuras. Assim é retratada a vida de Ricardo Santos em Marte morreu porque os marcianos quiseram. A obra lançada pela Chiado Books é assinada pelo escritor Alper Tadeu Alves Pereira.

A história começa quando jovem, Ricardo é expulso de casa pelo pai opressor e inicia sua jornada. Entre tropeços e acertos, o enredo mostra as dificuldades, as alegrias e as experiências as quais o advogado é submetido, envolto a uma trama repleta de personagens caricatas de índole discutível.

“Brasília. Em uma segunda-feira chuvosa, embarquei rumo ao centro do poder com o dr. Cabreiro a tiracolo, cujo ar pesado demonstrava que as revelações da vida pessoal e do comportamento compulsivo tinham sido demasiadamente íntimas para o estagiário que ele mal conhecia, mas era obrigado a suportar por encargo profissional. (Marte morreu porque os marcianos quiseram, p. 58)

A obra é uma pequena amostra de como a vida, que é uma dádiva, vai enfraquecendo a chama, justamente porque muitos não se dão conta que o cotidiano é mola mestre para o acaso. E que mergulhar de cabeça no mundo material, sem refletir que, em um dado momento, é preciso puxar o freio de mão para evitar a própria aniquilação, pode desaguar em angústia existencial.

Mais uma vez a vida lançava um desafio me tirando da zona de conforto para que eu corrigisse pela enésima vez a rota de voo, a fim de desviar das nuvens monolíticas ameaçadoras. (Marte morreu porque os marcianos quiseram, p. 143)

Mesmo diante da falta de escrúpulos e de toda a miséria revelada, Ricardo Santos encontra também pessoas altruístas, que são luz no caminho enquanto perambula pelos meandros da vida. Altos e baixos que levam o herói ao encontro de contas consigo mesmo e, o leitor, a recuperar o fôlego após refletir – e rir – sobre os assuntos mais densos da sombra humana.

 

Ficha técnica:
Título: 
Marte Morreu Porque os Marcianos Quiseram
Autor: Alper Tadeu Alves Pereira
ISBN: 978-989-52-6288-5
Editora: Chiado Books
Páginas: 254
Altura: 22 cm
Largura: 14cm
Preço: R$ 39,00
Link de compra: http://bit.ly/2RbltGU

Sinopse: A obra quase que psicografada é uma torrente emocional pelos corredores do Poder, retratando as desventuras do Advogado Ricardo Santos, um misto de Macunaíma, solto na Selva Urbana, que se enreda por completo nas tramas do Mundo Material. Tal qual um anjo caído, após ser expulso de casa por seu pai repressor, personificação da classe média da zona sul carioca, adepto da tradição, propriedade e família, inicia sua jornada em um mundo recheado de personagens de má índole, canalhas, charlatões e viciados, para compreender que há esperança na humanidade, pois, mesmo diante de toda a miséria revelada, encontra também pessoas altruístas que são luz no caminho enquanto perambula pelos meandros da vida. A escalada ao topo da pirâmide social, compreendendo o sistema de freios e contrapesos, leva o herói ao encontro do seu destino, cujo desfecho será um encontro de contas consigo mesmo, cercado por todos aqueles que contribuíram, para o bem ou para o mal, à sua completa (de) formação como Homem. O título do livro embora apocalíptico, como se derivasse de ciências ocultas, nada mais é do que a revelação metafísica da descoberta que marcianos somos todos nós (apesar de não ser um tratado extraterrestre, pelo contrário, e nem alinhado às teorias da conspiração) e que o Planeta Marte, que é a nossa própria vida, pode muito bem ser objeto de construção ou total destruição (não é autoajuda também!), pois, basta enveredarmos para um dos dois caminhos (sem ser maniqueísta ou fatalista!).

Sobre o autor: Alper Tadeu Alves Pereira nasceu em 1968, no Rio de Janeiro.

Advogado navegando à deriva em um mundo de sombras e tons de cinza, sempre teve nas artes o refúgio para a desesperança, sobretudo ao lidar com a vaidade e ambições desmedidas.

A imaginação, combustível que alimenta o universo em que orbita, é o seu maior aliado, enquanto a jornada não se encerra.

Redes Sociais do Autor:
Facebook: AlperTadeu
Instagram: @escritoralperpereira

 

 

 

 

 

 

 

 




Sergio Diniz da Costa: 'O Ponto de equilíbrio: uma reflexão sobre a prática advocatícia'


Sergio Diniz da Costa:

‘O Ponto de equilíbrio: uma reflexão sobre a prática advocatícia’

 

Exerci a advocacia durante 22 anos. Nesse período, prestei  vários e relevantes serviços ao Direito e à Justiça.

Fui advogado dativo da 9.ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/SP, Mestre de Cerimônia e Orador da 24.º Subseção (Sorocaba), professor de Linguagem Jurídica, Direito do Trabalho e Humanidades, publiquei um livro de linguagem jurídica (elegantiajuris: o argumento eloquente – Aguiar Editora, 2002) e escrevi vários artigos jurídicos, publicados no jornal Cruzeiro do Sul.

Em 2012, aposentei-me. E, como primeira providência, dei baixa definitiva na minha inscrição perante a OAB.

Simplesmente desisti da carreira! E desisti, porque venceram-me a lentidão do Poder Judiciário, refém de leis processuais complexas e procrastinatórias e precárias condições de trabalho e, sobretudo, a falta de ética de alguns colegas de profissão.

Quero, neste artigo, destacar o que, para mim e para muitos advogados obedientes à própria consciência e ao Estatuto da Advocacia e ao Código de Ética sempre se constituiu e constitui um verdadeiro ‘câncer moral’: a desobediência aos ditames da ética profissional!

E, neste tópico, há advogados que são verdadeiros Rábulas, mas não no sentido originário da palavra, qual seja, o advogado,  o provisionado que, não possuindo formação acadêmica em Direito (bacharelado), obtinha a autorização do órgão competente do Poder Judiciário (no período imperial), ou da entidade de classe (primeiro do Instituto dos Advogados; a partir da década de 1930 da OAB), para exercer, em primeira instância, a postulação em juízo.

Refiro-me ao sentido atual, pejorativo que tal palavra representa;  rábula é sinônimo de chicaneiro, pilantra (Dicionário online de Português).

Os rábulas são verdadeiros Chacais do Direito, pois, semelhantes ao referido animal, são profissionais predadores. Exercem uma advocacia torpe, de exclusão dos advogados honestos.

Para atingir seu propósito de enriquecimento ilícito e imoral, utilizam-se de terceiros para a distribuição de cartões de visita e até mesmo de panfletos nas ‘filas da vida’, caixas do correio e cartas para pessoas desconhecidas, bem como adesivando a porta de seus carros com a logomarca de seus escritórios, caracterizando, desta forma, a chamada ‘captação de clientela’, ato esse previsto como infração disciplinar.

Com isso, multiplicam a clientela, abrem vários escritórios e, para os leigos, passam a ser considerados ‘benfeitores’ dos advogados iniciantes na carreira, ou os que, apesar dos anos – mas vítimas deles -, tentam tão somente sobreviver, uma vez que dão-lhes trabalho (trabalho e não emprego, pois que sem registro em Carteira. E um trabalho de baixa remuneração). O que, no entanto, é desconhecido pelos mesmos leigos, é que assim o fazem não por um espírito de abnegação, de altruísmo, de solidariedade, da consciência do relevante papel do advogado na sociedade, mas tão somente para poderem dar conta dos milhares de processos que vão acumulando e, com o tempo, enriquecendo-os cada vez mais.

Constituem, assim, um verdadeiro Feudo Advocatício, pois, dentro das muralhas de seu castelo, reúnem uma cada vez mais crescente vassalagem. E a advocacia vai se constituindo, cada vez mais, numa infame vassalagem!

Em 2010, eu já denunciara essa prática, publicando no jornal Cruzeiro do Sul o artigo ‘O ponto de equilíbrio’.

Como subsidio desta reflexão, vale a pena, aqui, republicá-lo:

 

O PONTO DE EQUILÍBRIO

 

O Direito, ciência que outrora era acessível a apenas determinada camada da sociedade, hoje abre seu mundo praticamente a todos. Tal fato se comprova pelo espantoso número de faculdades espalhadas por nosso país, o que implica um número anual significativo de bacharelandos, os quais, em boa parte, optam pelo exercício da advocacia.

A quantidade de novos advogados só não é maior no mercado de trabalho por força do rigoroso exame da OAB. De qualquer forma, o número crescente de profissionais leva à preocupação quanto ao aspecto da concorrência e da pulverização da clientela.

Vem daí uma preocupação cada vez mais recorrente, principalmente por parte do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB, pois, para a sobrevivência profissional, muitos colegas, por falta de conhecimento da lei (o que é reprovável) ou justamente por conhecê-la (o que é inadmissível), praticam aquilo que o Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/904) denomina de captação de causa, tipificado no art. 34, IV, como uma das infrações disciplinares.

Provavelmente o leitor alguma vez já presenciou, ou ouviu falar, de pessoas que distribuem cartões de visita de advogados (as) nas filas do INSS ou mesmo encontrou em sua caixa do correio cartões de visita ou outro tipo de impresso desses profissionais. Tal conduta é intolerável, tanto sob o aspecto moral quanto legal.

Outra forma de captação de clientela que também se tem feito comum, é aquela feita por meio de placas que não guardam a discrição que a profissão exige.

O Estatuto da Advocacia, em seu art. 2.º, § 2.º, reza que “no seu ministério privado, o advogado presta serviço público e exerce função social”. Essa função talvez seja o principal atributo de quem exerce a advocacia. O juiz José Renato Nalini, professor de ética nas faculdades Padre Anchieta e Faap, se refere a essa característica nos seguintes termos: “o espírito de serviço, de doação ao próximo, de solidariedade, é característica essencial à profissão. O profissional que apenas considere a própria realização, o bem-estar pessoal e a retribuição econômica por seu serviço não é alguém vocacionado” (Ética Geral e Profissional, Ed. RT, 2004, p. 190).

Já o art. 33 prescreve que “o advogado obriga-se a cumprir rigorosamente os deveres consignados no Código de Ética e Disciplina”. E, dentre os deveres, encontram-se aqueles em relação à comunidade, o outro profissional e a publicidade (art. 33, parágrafo único).

O Código de Ética e Disciplina da OAB, por sua vez, prevê que “correspondências, comunicados e publicações, versando sobre constituição, colaboração, composição e qualificação de componentes de escritório e especificação de especialidades profissionais, bem como boletins informativos e comentários sobre legislação, somente podem ser fornecidos a colegas, clientes, ou pessoas que os solicitem ou os autorizem previamente” (art. 29, § 3.º).

E, em relação às placas, determina que “o anúncio sob a forma de placas, na sede profissional ou na residência do advogado, deve observar discrição quanto ao conteúdo, forma e dimensão, sem qualquer aspecto mercantilista, vedada a utilização de ‘outdoor’ ou equivalente” (art. 30).

O profissional da advocacia, portanto, que desrespeita a lei que o rege fere, ao mesmo tempo, o colega honesto e a comunidade, pois, se usa de meio ilegal para se enriquecer, certamente contribui para o empobrecimento de outro colega e, em relação à comunidade, se esquece de que, nas palavras do jurista Caio Mário da Silva Pereira, “o advogado está, mais que todos os profissionais, habilitado para penetrar na problemática do desenvolvimento social. Não apenas por ser integrante da sociedade. Muito mais que isto. Em razão de sua profissão mesma, ele se sintoniza com o mais agudo senso de percepção para os dramas da vida social. Na sua banca vão desaguar, qual um estuário vivo, os sofrimentos humanos” (Advocacia e desenvolvimento social”. Revista da OAB, n.º 20, ano VII, v.VII, set./dez.1976, p. 4). E isso, sem contar que, por não construir sua banca sobre os alicerces da ética e sim levantando seu castelo financeiro sobre as areias da ilusão terrena, estará sujeito às chuvas, às enchentes e aos ventos da Justiça Divina.

Por fim, há de se destacar que a OAB, por meio de seu Tribunal de Ética e Disciplina, está atenta a esse tipo de procedimento, punindo exemplarmente os profissionais que o praticam, tal se dando, evidentemente, após a instauração de regular processo disciplinar, onde lhes é assegurado o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa. Mas, para tanto, é preciso que os colegas prejudicados e principalmente a comunidade, em se deparando com esse tipo de conduta, procurem a entidade, levando consigo a prova da conduta irregular seja esta por meio de documentos ou mesmo testemunhal. Em assim procedendo, estarão contribuindo para fazer valer o texto da lei, que apregoa: “o advogado deve proceder de forma que o torne merecedor de respeito e que contribua para o prestígio da classe e da advocacia” (Código de Ética da Advocacia, art. 31).

 

Sergio Diniz da Costa – Colunista e Editor (sergiodiniz.costa2014@gmail.com)