Aurora nórdica do amor

Ella Dominici: Poema ‘Aurora nórdica do amor’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem gerada pelp ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69bd5138-c27c-83e9-ac55-1d33d1478253

em mares nórdicos
navega homem e busca
encontrar próprio destino

fada-lhe o espírito
dói-lhe vida tão tosca
tenta achar seu solstício

nas peladas águas frias
barco branco em liso ventre
desliza

fecha os olhos, mentaliza
curvas de um corpo entre
glória e euforia

no oceano avista o pórtico
entre fiordes cristalinos
geleiras diamantes poéticos
coroa transparente do destino

enxerga altos bicos nus que brilham

a vela move, a veia sorve, suor escorre
na testa gelam pingos de lua
os bicos seios são só miragem
o alcance do eros-desejo bobagem
da lua de verão cheia e nua

se frusta a alma apaixonada
o tudo ou nada segue viagem
atravessa polos de madrugada
pórtico penetra como em virgem

sumo milagre da alta atmosfera
se funde às partículas solares
no vento qu’as trouxe em plenos mares
voltarei com a êxtase que me dera

o brilho que observo em céu noturno
no âmbito do norte magnético
desfaz quem desmedrava taciturno…
no pórtico nasce ser sinérgico
espírito uno completo

homem mulher unidos são
fenômeno perfeito da existência
partículas imantadas
fluorescência
reflexivas no real
milagre da óptica glacial
magnífica aurora

aurora boreal…
norte e final

Ella Dominici

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Ouro derretido à deriva

Ella Dominici: Poema ‘Ouro derretido à deriva’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA do Bing (https://sl.bing.net/cA5FAA4aR6i) , em 04 de dezembro de 2025, às 15:38.

pergunta-me onde me achava morrendo
como um navio incendiado em alto mar
deixando tombar o ouro que se fundia em pleno amar lava
incandescente derretendo aos poucos a formar arte deslumbrante

sem ar no pulmão das águas frias
pergunta-me as palavras que te dissera
foram de audácia as correntes que te prenderam
algema líquida que te segurou bem firme
deixara-te deslizar como peixe escorrega das mãos
redimes, lembra-te e salta em águas conhecidas
reconhece teu habitat

peixe que passa por minhas pedras limosas de cheiro do mar
marulho te cante aos ouvidos
salgado salino ao teu paladar
brinda e não esqueças do molhado na borda da taça
folga-te das bolhas que se formam na boca que beijas
palavras poéticas feitas de um nada
se agitam e dizem o tudo de uma só vez

brigas comigo que o tudo é teu é meu
é demais e de mais ninguém
nademos sem rumo de mãos enamoradas
se me afundas te sossego, se te afundo nadas de braçadas
e boias de prazer comigo

olha-me molha-me debaixo d’água
meu corpo se dilui e a visão é ilusão
o movimento é nosso no insustentável
até que morras até que acordes
de tuas águas que me quiseram e me amaram
pergunta-me onde me achava
morrendo como um navio incendiado em alto mar,
à deriva

Ella Dominici

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