A história da música
Augusto Damas: Poema ‘A história da música’


Antes das palavras nascerem,
antes dos livros e das canções escritas,
já existia a música.
Ela habitava o vento que soprava entre as montanhas,
o murmúrio dos rios,
o canto dos pássaros ao amanhecer
e o pulsar dos corações humanos.
Nos tempos antigos, quando a humanidade ainda aprendia a caminhar pela história,
mãos simples transformavam troncos em tambores,
ossos em flautas
e o silêncio em melodia.
A música acompanhou os povos em suas jornadas,
esteve presente nos templos sagrados,
nas festas dos reis,
nas colheitas, nas guerras e nas celebrações da vida.
Nas margens do Nilo, nas cidades da Mesopotâmia,
nas praças da Grécia Antiga,
ecoavam harpas, liras e cânticos
que atravessariam os séculos.
Veio a Idade Média,
e nos mosteiros a música elevou-se aos céus,
como oração transformada em som,
como ponte entre a Terra e o infinito.
Depois floresceu o Renascimento,
e as notas ganharam novas cores,
novas formas, novos sonhos,
como jardins sonoros cultivados pela imaginação humana.
Bach teceu harmonias como quem borda estrelas.
Mozart fez dançar a alegria entre os acordes.
Beethoven transformou desafios em eternidade,
fazendo da música uma voz mais forte que o tempo.
Então chegaram os novos séculos,
e a música atravessou rádios, discos, palcos e telas,
viajou por oceanos e continentes,
unindo povos, culturas e emoções.
No Brasil, ela encontrou morada no samba,
na saudade da bossa nova,
na poesia do choro,
na força do forró e na alma sertaneja.
E assim continua,
eterna companheira da humanidade,
contando histórias que as palavras não alcançam,
guardando memórias que o tempo não apaga.
Porque a música é mais que arte.
É linguagem da alma,
é emoção que ganha asas,
é o invisível transformado em som,
é a própria história da humanidade cantando através dos séculos.