Saudade

Laskiaf Amortegui: quando a saudade faz morada nas paredes do tempo

Laskiaf Amortegui
Laskiaf Amortegui

As casas guardam histórias que às vezes esquecemos.
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A casa está vazia. Acaso a casa se foi com a mamãe?

A mamãe não sorri mais; a mamãe era o diapasão do lar.

As panelas esfriaram, o seu aroma se esfumou e a sua sinfonia desapareceu. A cozinha emudeceu. A algazarra familiar deixou de ecoar nas paredes: as crianças cresceram e se foram.

O papai deixou o ninho há muito tempo e, atrás dele, a mamãe.

A casa viveu o seu zênite junto a ela; sua alma e sua essência deixaram histórias secretas em suas paredes estéreis. A casa está triste, a mamãe não voltou. Foi-se sem bagagem nem sua bengala.

A casa sorri quando meus irmãos e eu nos aproximamos; ela se acuartela no canto do ontem, talvez procurando a mamãe, a matriarca maior.
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Laskiaf Amortegui

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A casa e exílio

Ella Dominici: Poema ‘A casa e exílio’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA do ChatGPT – https://chatgpt.com/s/m_69a1daaa9390819197679d97d92af421

Há em mim a casa e o exílio.
A casa é um rumor de água antiga
correndo dentro do nome que me deram.

É o cheiro do pão invisível
que a memória ainda assa
nas cozinhas do afeto.

Casa é onde o olhar repousa
e não precisa explicar-se.
É quando a alma se despe
e o silêncio não constrange.

Mas o exílio —
ah, o exílio —
é quando o olhar não se reconhece
no espelho das horas.

Quando caminho entre rostos familiares
como quem atravessa um país
cuja língua desaprendeu.

Exílio é essa delicada estrangeiridade
de existir demais.
É sentir o mundo por dentro
enquanto o mundo me quer superfície.
E, no entanto…não os renego

Ella Dominici

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