Entrevista com o mestre romeno Gigi Căciuleanu

Rhea Cristina

‘Entrevista com o mestre romeno Gigi Căciuleanu’

Logo das Entrevistas ROLianas
Logo das Entrevistas ROLianas

“É preciso muito talento, grande habilidade, autodisciplina e autocensura para conseguir inventar não apenas algo novo, mas também algo realmente válido!” (Gigi Căciuleanu)

Caros amigos, tenho o grande prazer e a honra de dar continuidade à minha série de entrevistas no maravilho Jornal Cultural ROL com esta entrevista realizada com o renomado bailarino e coreógrafo francês de origem romena, Gigi Căciuleanu.

Capa do livro 'Romenos do Século XXI', de Rhea Cristina
Capa do livro ‘Romenos do Século XXI’, de Rhea Cristina

A entrevista foi publicada no meu quarto livro de entrevistas, ROMENOS DO SÉCULO XXI. Entrevistas-documento com personalidades romenas (editora Pro Universitaria, 2013). 

O volume contém 32 entrevistas com 29 personalidades (culturais e sociopolíticas) da Roménia contemporânea, nas quais analiso diversos aspetos da vida política, socioeconómica e cultural da Roménia, bem como as formas pelas quais estas foram afetadas pela ideologia comunista e pela transição para a democracia após 1989.

Os temas de discussão destas entrevistas abordam a ideia da nação romena, o destino do povo romeno nos planos cultural, social, histórico e político, analisando o processo do comunismo na Roménia, o período de transição pós-comunista e a fase da monarquia constitucional da Roménia.

Gigi Căciuleanu Arquivo pessoal
Gigi Căciuleanu Arquivo pessoal

Conhecido como bailarino e coreógrafo em quatro continentes, dançarino ao lado de Pina Bausch, coreógrafo em diversas ocasiões em sua companhia, coreógrafo e parceiro de Maya Plisetskaya, entre tantas outras colaborações internacionais, além de diretor artístico do Ballet Nacional Chileno, “El Banch”, Gigi Căciuleanu é, por sua maneira de ser, uma combinação singular de originalidade, sensibilidade artística e humor.

Gigi Căciuleanu é primeiro bailarino e professor de dança contemporânea de renome mundial, fundador da companhia de dança que leva seu nome. É um dos mais importantes bailarinos, coreógrafos e professores romenos de dança contemporânea, com uma notável carreira internacional desenvolvida na Romênia, França, Chile e em diversos outros países.

Nascido em Bucareste e formado pela Escola Nacional de Coreografia, descobriu a dança contemporânea aos 14 anos, sob a orientação de Miriam Răducanu, participando das célebres “Nocturnas 9½”. Complementou sua formação artística no Teatro Bolshoi, em Moscou, e tornou-se solista da Ópera Romena de Bucareste, onde interpretou papéis de destaque e inspirou a criação de partituras coreográficas especialmente concebidas para ele.

Desde o início da década de 1970, destacou-se internacionalmente ao conquistar importantes prêmios de coreografia: o Prêmio de Coreografia no Concurso Internacional de Varna (1970) e, por duas vezes, o Primeiro Prêmio no Concurso Internacional de Coreografia de Colônia (1971 e 1972). Entre 1972 e 1973, integrou a companhia Folkwang Ballet, em Essen, dirigida por Pina Bausch, onde criou dez obras originais.

Em 1973, com o apoio de Rosella Hightower, fundou em Nancy, na França, o Estúdio de Dança Contemporânea, que posteriormente se transformaria nos “Ballets de Lorraine – Danse Contemporaine de France”. 

Entre 1974 e 1978, dirigiu o Balé do Grand Théâtre de Nancy, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento da dança contemporânea francesa. Tornou-se membro da SACD e um dos fundadores do Conselho Internacional da Dança da UNESCO, organizando festivais, turnês e encontros coreográficos, além de promover numerosos artistas da nova geração.

No período de 1978 a 1993, foi diretor artístico do Centro Nacional Coreográfico de Rennes e do Teatro Coreográfico Rennes/Bretagne. Colaborou com personalidades de renome mundial, como Astor Piazzolla, Pina Bausch, Maya Plisetskaya e Jean-Michel Jarre. Suas coreografias passaram a integrar o repertório de importantes instituições culturais de Paris, Hamburgo, Roma, Veneza, Cardiff, Montevidéu, São Paulo e Israel. Nessa mesma fase, organizou numerosas turnês internacionais e consolidou sua reputação como um criador inovador.

Seu reconhecimento internacional foi confirmado por diversas distinções. Em 1984, recebeu na França o título de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras. Em 1991, conquistou o Prêmio de Coreografia da revista Actualitatea Muzicală e, em 1992, criou para Maya Plisetskaya o espetáculo A Louca de Chaillot (Nebuna din Chaillot), apresentado com grande sucesso em Moscou. Suas criações foram transmitidas por importantes emissoras internacionais de televisão.

A partir de 1994, estabeleceu-se em Paris e fundou a Companhia Gigi Căciuleanu, com a qual desenvolveu inúmeros espetáculos e turnês internacionais. Paralelamente, colaborou com instituições e companhias de dança da Europa e da América Latina. 

Em 2001, assumiu a direção artística do Balé Nacional do Chile, onde criou diversos espetáculos amplamente aclamados e recebeu importantes prêmios, incluindo o Prêmio Altazor, equivalente chileno do Oscar das artes.

Nas décadas de 2000 e 2010, continuou a criar espetáculos na França, Chile, Uruguai e Romênia, a ministrar oficinas e masterclasses e a participar de júris internacionais de dança. Em 2007, fundou em Bucareste a Gigi Căciuleanu Romania Dance Company. Sua atividade foi recompensada com inúmeras distinções, entre elas o Prêmio Especial UNITER pelo conjunto da carreira (2010), o Prêmio ROMAinDANZA pela contribuição ao desenvolvimento do teatro-dança contemporâneo (2011), o título de Professor Honoris Causa da Universidade de Artes de Târgu Mureș (2012) e a Medalha Reitoral da Universidade do Chile.

Por meio de sua atividade artística, pedagógica e de gestão, Gigi Căciuleanu contribuiu de forma decisiva para a afirmação e o desenvolvimento da dança contemporânea em nível internacional, sendo considerado uma das grandes personalidades da coreografia mundial.

Em agosto de 2009, tive o privilégio de realizar uma entrevista com o mestre Gigi Căciuleanu. Um homem da comunicação e da excelência artística. Um artista seduzido pelo próprio voo, pelo conhecimento humano da Arte. E um ser de rara modéstia.

Reproduzo agora, na íntegra, esta fascinante entrevista.

Rhea Cristina: Antes de dezembro de 1989, qual era o significado do repertório da Ópera? O termo “bailarino” tinha o mesmo significado que “dançarino”? E depois de 1989?

Gigi Căciuleanu: Prefiro que me chamem de “dançarino”. Nunca gostei do termo “bailarino”. É uma espécie de equivalente masculino de “bailarina”. A bailarina é aquela que faz as jovens sonharem. O dançarino (tanto no masculino quanto no feminino) é aquele que faz pensar. Isso vale tanto antes quanto depois de 1989.

Voltando ao repertório. Considero que, no que diz respeito ao Balé (e à Ópera), a situação na Romênia (assim como nos demais países do Leste Europeu) era muito positiva. Qualquer pessoa podia assistir, a qualquer momento, a qualquer obra do repertório. Isso se perdeu ou nunca existiu no Ocidente. 

As criações são produzidas e descartadas conforme o gosto do momento, mas nada permanece. O que teria acontecido com O Lago dos Cisnes se não existisse a noção de repertório e se a obra não tivesse sido integrada a ele?… Ou com Molière sem a Comédie-Française e Bertolt Brecht sem o Berliner Ensemble?… E o que teria sido da pintura moderna (e das artes plásticas em geral) se tivéssemos jogado fora as telas de Da Vinci, Rafael, Rembrandt, Picasso, Dalí etc., depois de vê-las apenas uma única vez?

Rhea Cristina: O que a dança representa, em nível europeu e mundial, em 2009?

Gigi Căciuleanu: A dança, apesar de ser talvez a arte mais antiga e mais completa que existe (afinal, não há uma única parte, não apenas do corpo, mas de todo o ser humano, que não participe do ato de dançar!), continua sendo… a quinta roda da carroça. Não por culpa do público ou das diferentes “autoridades” culturais, mas sobretudo por culpa… nossa, dos artistas da dança.

Minha opinião é a seguinte:

  1. A dança é uma arte tão antiga quanto ainda inexplorada; 

  1. Para que ela saia da sua “idade da pedra”, é necessário PROFISSIONALISMO em um nível muito elevado. 

Não se deve aceitar qualquer coisa, a qualquer momento e de qualquer pessoa…

Claro que tudo é possível!

Beethoven também era uma possibilidade, mas, entre infinitas possibilidades, até hoje surgiu… apenas um único Beethoven!

Para ser um artista da dança, é preciso conhecer o próprio instrumento, ou seja, o CORPO, e isso não apenas em cada átomo do ser físico, mas até nas profundezas do cérebro.

Para ser Verdi, não basta ter algumas ideias ou saber organizar uma melodia; é preciso também conhecer as cordas vocais.

Para ser verdadeiramente um coreógrafo (e não apenas um organizador de movimentos), considero indispensável ter passado pela prova de fogo do palco, ter dançado centenas ou milhares de horas seguidas, ter morrido dançando entre quatro paredes e ressuscitado outras tantas vezes.

Rhea Cristina: Nesse contexto, onde se situa o dançarino romeno? Ele é um bastardo da Europa? Faz parte da elite da coreografia europeia ou mundial?

Gigi Căciuleanu: Não devemos confundir a noção de dançarino com a noção mais ampla de artista coreográfico, de coreógrafo, de coreautor (definição criada por Serge Lifar). O dançarino, assim como o artista circense, é uma espécie de bastardo não apenas da Europa, mas das artes em geral. Mas não por muito tempo.

Assim que a necessidade de uma linguagem universal se impuser como uma necessidade, como uma forma de sobrevivência, a linguagem do corpo se tornará o veículo de uma arte maior, no mesmo nível (ou talvez ainda mais necessária e elevada) que a música, o teatro etc. E as diversas imposturas (inclusive as internacionais) desaparecerão por si mesmas…

Porque a dança não é apenas movimento ou emoção (como no circo ou nos programas de variedades da televisão), mas sobretudo — pelo menos para mim — significado.

Independentemente de considerações geográficas ou político-materiais, faz realmente parte da elite da dança aquele que consegue fazer com que apenas a dança possa verdadeiramente expressá-lo, e que, por sua vez, consegue expressar-se através do movimento. De forma sincera e sem cálculo. Simplesmente pela necessidade de sobreviver (e não apenas fisicamente) por meio de sua arte. Aquele que realmente não consegue viver sem tornar-se um só com sua arte.

Ao mesmo tempo, deve ter a coragem de ser e permanecer ele mesmo (sem imitar este ou aquele). Permanecer fiel a si próprio não apenas em sua loucura, mas também em seu próprio conhecimento. Cultivar ambos, passo a passo. E aceitar, apesar do canto das sereias ou das exigências momentâneas de alguma moda, ser uma “singularidade”. Não apenas desfrutando de seus aspectos maravilhosos, mas também aceitando — e sendo capaz de suportar — as numerosas e agressivas desvantagens que essa condição representa.

Rhea Cristina: O que significava, para o coreógrafo romeno, participar de um concurso internacional de balé nas condições do marasmo totalitário comunista anterior a 1989?

Gigi Căciuleanu: Antes de 1989, era a única possibilidade de sair do país ou até mesmo de “fugir”, ou, como se dizia de forma mais elegante, de “ficar”. Em outras palavras, uma oportunidade de “escolher a liberdade”.

Rhea Cristina: E atualmente?

Gigi Căciuleanu: Participar de um concurso artístico, onde quer que ele aconteça, foi, é e continuará sendo uma loteria. Assim como os membros dos diversos júris e comissões. Muitas vezes também retirados do chapéu do acaso…

Não há como avaliar a arte de maneira objetiva. Digo isso porque participei de inúmeros concursos, dos dois lados do espelho: tanto como concorrente quanto como membro do júri. Como concorrente, tive sorte todas as vezes. Como jurado, procurei não esquecer os momentos em que minha própria arte foi julgada e pontuada, ficando à mercê de um veredicto tão subjetivo quanto aquilo que eu apresentava…

Rhea Cristina: Quais são as frustrações, as motivações e a força criadora de sua arte?

Gigi Căciuleanu: Muito frequentemente, essas noções se entrelaçam e se devoram mutuamente justamente para… alimentar o ato criador.

Rhea Cristina: Depois de 1989, podemos falar de um fracasso da coreografia romena ou de uma explosão de talentos que puderam se afirmar?

Gigi Căciuleanu: Eu falaria antes da existência permanente de grandes figuras da dança romena. Elas sempre existiram, existem e continuarão existindo. As flores não começaram a florescer depois de 1989, assim como não esperaram 1944 para fazê-lo.

Se eu tivesse de mencionar apenas uma dessas personalidades, pensaria em Miriam Răducanu. E somente por sua existência já podemos considerar que a dança romena está muito mais do que à altura…

Rhea Cristina: Na Romênia, o valor é apreciado ou desencorajado?

Gigi Căciuleanu: Voltemos ao exemplo de Miriam. Se percebermos que uma grande Dama da Dança romena (não apenas da dança moderna) — e não apenas da Romênia — não possui em seu próprio país sequer um espaço de um centímetro quadrado dedicado à sua arte (uma arte tão valiosa internacionalmente quanto específica e singular), deixo que a senhora mesma responda à pergunta…

Rhea Cristina: A dança está diretamente ligada à evolução da sociedade civil romena? Ela exerce uma ação catártica? O diálogo com o público ocorre de forma definidora e substancial na Romênia? E no Ocidente?

Gigi Căciuleanu: Não sou crítico nem historiador de arte ou de dança — e nem desejo ser.

Para descontrair um pouco: pessoalmente, tenho diante da dança a mesma atitude que tenho diante do AMOR: gosto de praticá-lo eu mesmo e não de ficar olhando os outros…

Brincadeiras à parte (embora talvez nem fosse brincadeira): a Dança, com letra maiúscula, como arte maior, está sem dúvida ligada à evolução da sociedade. Só que hoje, com a explosão dos meios de comunicação, entre os quais a Internet (a circulação de informações e vídeos) é a mais revolucionária e poderosa, já não se pode dizer que essa evolução esteja ligada apenas à sociedade romena. Estamos, na dança como em todos os outros domínios, “condenados” à globalização.

Uma ação catártica? Sem a menor dúvida. Tanto no sentido aristotélico quanto no da psicanálise.

Para mim, a dança é ao mesmo tempo doença e remédio. Doença e droga porque, se você estiver realmente “contaminado”, não consegue viver sem ela. E é também um remédio, sem qualquer dúvida, para muitas de nossas feridas físicas e emocionais. E até filosóficas, existenciais.

Uma espécie de elixir dos alquimistas, obtido não apenas pela manipulação física e/ou pela transmutação dos elementos, mas sobretudo pela transfiguração essencial da própria pessoa que provoca e conduz esse processo.

Rhea Cristina: Fale-nos um pouco sobre as origens de sua família…

Gigi Căciuleanu: Uma origem que, como se dizia antes de 1989, era o mais “não saudável” possível…

Antes de 1944, eu teria sido considerado alguém de “boa família”…

Rhea Cristina: Desde 2001, o senhor é diretor artístico do Balé Nacional do Chile, em Santiago.

Gigi Căciuleanu: Existem diretores porque são políticos (da cultura ou simplesmente da política). Outros são artistas porque são diretores. No meu caso, é diferente: sou diretor porque sou artista.

O Chile, depois da França, foi o país que me confiou o destino de uma companhia nacional. Lamento que não tenha sido a Romênia a me conceder essa honra. Mas quem sabe? Talvez um dia…

Rhea Cristina: Como isso aconteceu?

Gigi Căciuleanu: No Chile, assim como na França, deram-me a oportunidade de propor. E gostaram daquilo que eu propunha. Em Santiago, encontrei novamente um terreno fértil, como se diz na botânica.

Rhea Cristina: Como é o espaço cultural da América do Sul?

Gigi Căciuleanu: Não sou político. Nem mesmo um político da cultura…

Ele se parece com qualquer outro espaço “cultural”. Cultura não significa arte. A arte é a mesma em qualquer lugar. Ou seja, é praticada por personalidades — ou melhor, por “singularidades”.

Essas singularidades não se definem nem politicamente nem geograficamente, e evoluem não na horizontal, mas na vertical de uma espécie de escala de valores, semelhante à escala Richter dos terremotos.

Rhea Cristina: Quem foi/é Miriam Răducanu no contexto do balé romeno e mundial?

Gigi Căciuleanu: Ela é uma Mestra. Como eu dizia antes: universal, mas também única. Além de qualquer definição.

Rhea Cristina: Como a dança contemporânea se relaciona com o balé clássico, do tipo tchaikovskiano? Poderia me dar uma definição, se possível?

Gigi Căciuleanu: Dança é… dança. Uma grande crítica de dança parisiense, Dinah Maggie, dizia que o balé clássico é a dança contemporânea da época de Luís XIV. Tchaikovsky foi apenas compositor, não coreógrafo, e Petipa foi extremamente moderno para o seu tempo.

Hoje, como sempre, virar a página é algo tão necessário quanto difícil. Precisamos propor algo que supere aquilo que existiu antes, e não que o reduza. É preciso muito talento, grande habilidade, autodisciplina e autocensura para conseguir inventar não apenas algo novo, mas também algo realmente válido!

Rhea Cristina: Que tipo de esperança e de desesperança existe na sociedade romena contemporânea?

Gigi Căciuleanu: A mesma que existe no mundo inteiro, acrescida dos parâmetros específicos do espaço miorítico. Isso explica, na minha opinião, por que, apesar de termos artistas, intelectuais e cientistas excepcionais em abundância, ainda não temos nenhum Prêmio Nobel!…

Rhea Cristina: O que o público romeno espera atualmente dos coreógrafos romenos?

Gigi Căciuleanu: Provavelmente a mesma coisa que eu espero, e que qualquer um de nós espera…

A questão principal é: o que nós, artistas e criadores, somos capazes de oferecer a esse público?

Rhea Cristina: Que tipo de público de balé existe na Romênia, em comparação com a Europa e os Estados Unidos?

Gigi Căciuleanu: Tenho a impressão de que é o mesmo. “La même Jeannette mais autrement coiffée” (“A mesma Jeannette, apenas penteada de outra maneira”). Minha ideia é que o público é, em toda parte — do Chile ao Vietnã, da Romênia ao Canadá, da Grécia Antiga à moderna Nova York ou à decadente Paris — uma entidade mais inteligente ou, pelo menos, muito mais informada do que o autor de uma obra ou o intérprete em cena. E isso pela simples razão de que o público, sendo mais numeroso, representa uma quantidade maior (e também uma qualidade maior) de massa cinzenta e de antenas emocionais.

Rhea Cristina: Recentemente, em 2009, o senhor montou Sinfonia Fantástica na Ópera de Bucareste; em 2007 fundou a companhia de dança que leva seu nome, presente também no espetáculo Răzvan Mazilu e seus convidados; e, em 2009, lançou a versão em língua romena de seu livro Vento, Volumes, Vetores (Vânt, Volume, Vectori), publicado na coleção “Urban” da editora Curtea Veche, na qual descreve os símbolos alquímicos de sua arte.

Pouco antes, o senhor dançou no palco da Ópera Nacional de Bucareste ao som de La Vie en Rose, como convidado especial do evento de Răzvan Mazilu, organizado em apoio às escolas de coreografia (a última vez que o senhor havia dançado na Romênia foi em 1973, no espetáculo Um Americano em Paris, de Gershwin)…

Gigi Căciuleanu: Uau! Fui eu mesmo quem fez tudo isso???

Rhea Cristina: O que representam para o senhor a Romênia, a língua romena e o povo romeno? Qual é sua motivação para continuar vivendo e criando dança na Romênia, para os romenos?

Gigi Căciuleanu: A Romênia representa para mim um público com o qual me identifico plenamente do ponto de vista cultural, tanto pelo humor quanto pelo amor. Um público que, acredito, me compreende melhor do que qualquer outro e que eu não apenas compreendo, mas também gosto de compreender. E, pelo que me foi dado ver e viver, tenho a impressão de que o público romeno é mais apto a compreender o universal do que o público de países que se consideram depositários da “universalidade”!…

A língua romena? É a minha língua. Minha língua materna. Em determinado momento, no início do exílio, ela me ajudou a sobreviver psicologicamente. Hoje, ela me ajuda a viver. Quando não danço, escrevo. Embora eu também escreva em francês e em espanhol, e às vezes em russo, italiano ou até inglês, penso a minha dança em romeno. E aquilo que escrevo não são textos, mas dança.

Rhea Cristina: Por que o senhor decidiu se estabelecer definitivamente no Ocidente (França, Paris)?

Gigi Căciuleanu: Não fui eu que me estabeleci lá. Foi ele que se estabeleceu em mim…

Apaixonei-me por Paris desde o primeiro instante. Eu estava em Paris a caminho dos Estados Unidos quando, ao passar pela Embaixada Americana para retirar os documentos necessários à minha emigração, decidi reconstruir minha vida — ou melhor, renascer — ali, e não em outro lugar. Coupe de foudre! — amor à primeira vista!…

Rhea Cristina: Em 2009, Paris ainda é a “capital mundial da cultura”?

Gigi Căciuleanu: A capital do Artista é onde ele se encontra. Nesta época em que percebemos não apenas que a Terra é um planeta redondo, mas sobretudo que é um planeta muito pequeno, o umbigo do mundo pode estar em qualquer lugar.

Rhea Cristina: Ainda se lê poesia em Paris?

Gigi Căciuleanu: Não muito. Mas ainda se escreve.

Rhea Cristina: Qual é atualmente a situação do balé na capital francesa?

Gigi Căciuleanu: Como em qualquer outro lugar: muitas bobagens, alguns artistas maravilhosos (poucos, mas excelentes); tudo isso promovido mais pelos critérios de uma determinada política cultural do momento do que pelos da verdadeira Arte, que é atemporal e universal.

Rhea Cristina: Quais são seus maiores arrependimentos e suas maiores realizações?

Gigi Căciuleanu: Como na canção de Edith Piaf: “Non, rien de rien, non, je ne regrette rien…” (“Não, nada de nada, não me arrependo de nada…”). Quanto às minhas maiores realizações: espero que elas ainda estejam me esperando no futuro!

Uma entrevista realizada por Rhea Cristina. Qualquer uso do conteúdo desta entrevista implica citar a fonte e requer o consentimento prévio por escrito de Rhea Cristina. 

Todos los derechos reservados © Rhea Cristina, www.cristinarhea.wordpress.com

Rhea Cristina

Voltar

Facebook




Boi é personificado em solo de dança

Espetáculo “Urrou” no Festil em Pindamonhangaba. (Foto: Luis Claudio Antunes/PortalR3)

‘Urrou’ é inspirado no culto ao Boi Ápis e no Bumba Meu Boi. Projeto contemplado pela Lei Aldir Blanc estreia dia 10 de fevereiro no YouTube e conta com cursos gratuitos

De 10 de fevereiro a 10 de março acontece no YouTube a apresentação do espetáculo “Urrou”, um solo de Dança Contemporânea premiado em todo o país e protagonizado pela experiente Mônica Alvarenga.

Corporificando o arquétipo da figura mitológica e totêmica do Boi, “Urrou” é um manifesto ritualístico poético e político que metaforiza o reencontro com o corpo, cultura e ancestralidade. Mônica personifica o Boi representando os conflitos que surgem do solitário papel de nossa raça. O público vê, refletido no espelho da tragicomédia, um personagem que luta.

“Urrou” mergulha numa dramaturgia corporal híbrida produzida na sala de ensaio a partir de estudos dos Fatores de Movimento desenvolvidos por Rudolf Von Laban. Pesquisas cênicas com múltiplos estímulos físicos oriundos das danças Bumba Meu Boi, Terecô, Butoh e Dervixes também fazem parte da concepção do espetáculo.

Com mais de 20 prêmios em festivais de todo o país e apresentações em Córdoba, Argentina, “Urrou” vai além do espetáculo e oferece ao público gratuitamente oficinas e encontros que visam o compartilhamento de conhecimentos de técnicas contemporâneas de dança, circulação de um espetáculo, formação de plateias e conexões com mestres da cultura popular brasileira. Todo o projeto acontecerá virtualmente com links que serão disponibilizados em plataformas como Instagram, Facebook e YouTube. As inscrições para os encontros já estão abertas.

Atividades gratuitas:

*Residência Bumba Meu Ápis: Mônica Alvarenga

Dias: 15, 17, 22 e 24 de fevereiro das 18h às 21h

Público: Maiores de 12 anos

*Oficina de confecção de Boi e Burrinha: Ederson Cleiton

Dias: 13 e 20 de fevereiro das 09h às 13h

Público: Maiores de 16 anos

*Oficina Bumba Meu Boi: Cláudia Regina Avelar

Dias: 11, 18, 25 de fevereiro e 04 de março das 19h às 21h

Público: Maiores de 12 anos

 

Serviços:

Urrou

De 10 de fevereiro a 10 de março de 2021

Horário da estreia: 20h00

Canal YouTube: shorturl.at/axP56

Inscrições para os cursos: https://linktr.ee/Urrou

Direção: Ederson Cleiton

Criação coreográfica e Intérprete: Mônica Alvarenga

Iluminação: Ederson Cleiton

Trilha sonora: Mônica Alvarenga e Escola Satori de Música

Cenário: Ederson Cleiton

Maquiagem: Mônica Alvarenga

Figurino: Tainara Dutra

Operador de som e luz: Ederson Cleiton

Técnico: Ederson Cleiton

Produção: Mônica Alvarenga

 

 

 

 

 




GIRA: Mostra Nave Gris de videodança estreia nesta quinta-feira

Periferias manifestam sua força na Dança Contemporânea.

Com 14 obras, evento virtual acontece entre os dias 08 e 13 de outubro de 2020

A Dança Contemporânea surgiu em meados da década de 1950, como uma forma de rompimento com a cultura clássica. O gênero, que ainda é tachado por aqui como elitista, tem ganhado destaque entre as camadas mais populares, fator que ironicamente remete a origem do gênero que também surgiu como crítica ao estilo valorizado pelo mercado da dança por décadas, o balé. Baseado na pesquisa de linguagem e na busca de novos parâmetros para o corpo, o gênero no Brasil tem ganhado espaço fora do circuito das grandes salas de espetáculos, e revelado as periferias como território produtores de danças contemporâneas.

De 08 a 13 de outubro acontece a GIRA – Mostra Nave Gris de Videodança que tem como foco a produção de videodanças de artistas (bailarinos(as)(es), coreógrafos(as)(es) e performers) que constituem suas materialidades poéticas em diálogo com as culturas tradicionais e populares do Brasil e suas inter-relações com as artes contemporâneas. Das 14 obras selecionadas, por meio de chamamento público, a maioria teve sua produção executada em regiões periféricas do país como Campo Limpo, Parelheiros, Itaquera, Jaraguá (São Paulo, SP) e subúrbios de capitais como  Rio de Janeiro, Belém, Recife entre outros. Vale destacar também, que boa parte das obras nasceu durante o período de isolamento social.

Para a Nave Gris Cia Cênica, idealizadora da mostra, a GIRA revela-se como uma das poucas possibilidades no panorama da videodança em que o protagonismo poético, delineado por sua curadoria, emerge dos veios originários e afrodiaspóricos que constituem as culturas do Brasil. A mostra configura-se como espaço de visibilidade, ampliação e criação de redes entre artistas e público e de circulação artística.

Devido ao cenário da Covid-19, o evento será realizado virtualmente e contará com a palestra “As relações cinema-dança-videodança” com a cineasta e coreógrafa Carmen Luz.

A mostra é uma das ações (per)formativas da Nave Gris Cia Cênica que faz parte do projeto “Mãos que bordam o tempo, pés que acordam o chão – circulação dos espetáculos A-VÓS e Corredeira”, contemplado pela 27ª Edição do Programa de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo. Todas as atividades serão gratuitas.

Programação:

Abertura da GIRA, 08/10/2020 às 19:00: Encontro com a equipe curatorial, Vanessa Hassegawa, Murilo De Paula e Kanzelumuka, após a primeira exibição da GIRA – Mostra Nave Gris de Videodança.

Vanessa Hassegawa é artista da dança, pesquisadora de dança da Amazônia paraense, curadora, artista do campo da videodança/dança para tela e trabalha também com comunicação corporativa. É uma das idealizadoras da mostra Prosa, Vídeo e Dança, ao lado dos artistas da dança Pedro Costa e Renata Daibes, do qual acumula o acervo de cerca de 100 videodanças provenientes de vários países do mundo.

Kanzelumuka

A Nave Gris Cia Cênica é dirigida por Kanzelumuka, criadora-intérprete-pesquisadora-professora de dança, bacharela em Dança pela UNICAMP, mestra e doutoranda em Artes pela UNESP, que há 14 anos pesquisa representações performáticas de origem banto no Brasil e suas relações com as danças contemporâneas, e por Murilo De Paula, ator-bailarino, dramaturgo, diretor e professor de artes cênicas, bacharel em Artes Cênicas pela UNICAMP, que pesquisa as narrativas e dramaturgias possíveis a partir dos sonhos e as culturas ameríndias. Há 08 anos, Nave Gris dedica-se à pesquisa e desenvolvimento da cena como campo de pluralidade, espaço expandido e limiar entre dança e teatro. As culturas afro-brasileiras e ameríndias estão presentes no trabalho da companhia como motores na pesquisa e produção artística. A Companhia foi contemplada com o Prêmio Denilto Gomes (Projeto de Dança) pelo II Encontro Mulheres Negras na Dança e também indicada ao APCA Dança 2017 na categoria Projeto/Programa/Difusão/Memória. Com o espetáculo A-VÓS, um dos melhores espetáculos de dança de 2018 pelo júri do Guia Folha de São Paulo, foi indicada ao APCA 2018 na categoria Espetáculo/Estreia.

Palestra, 10/10/2020 às 16:00: “As relações cinema-dança-videodança” com Carmen Luz

Carmen Luz é coreógrafa, cineasta, curadora, artista audiovisual e cênica. Fundadora, coreógrafa e diretora artística da Cia. Étnica de Dança e Teatro e integrante da Orquestra de Pretxs Novxs. Suas obras foram exibidas em festivais, mostras e eventos de dança, performance e cinema nos EUA, Alemanha, Brasil, Benin e Burkina Faso.

Exibição da GIRA – Mostra Nave Gris de Videodança On Demand, período de 09/10/2020 à 13/10/2020 exclusivamente pelo site http://navegris.com.br

Obras selecionadas:

– Encruzidança (São Paulo, SP – 04min39seg)

Com imagens captadas em Itaquera, zona leste de São Paulo, a videodança Encruzidança pertence ao Núcleo de Estudos em Corporeidades Negras. O grupo nasceu com o intuito de investigar a presença do corpo negro nas artes, nos rituais e nos fenômenos sociais; e ainda apresentar a periferia como um território produtor de arte, conhecimento e novas narrativas.

– Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta) (São Paulo, SP – 03min09seg)

Protagonizada por um rapper indígena (MC Kinumi), as imagens dessa videodança foram captadas na barragem de Parelheiros, zona sul de São Paulo.

ANGRY Duo (Bruno Silva e Gabe Maruyama) é uma dupla de direção inquieta de São Paulo. Com habilidades distintas que se complementam e um forte apelo estético. Gostam de criar histórias, mas também de expressar o mundo ao seu redor.

– A Pele de Dentro (Campo Grande, MS – 05min.)

Finalizado em março de 2020, a videodança é protagonizada por Ariane Nogueira, 31 anos, filha de mãe indígena e pai negro, é artista da dança e faz parte do projeto Singulares da Cia Dançurbana.

– Chuta que é Macumba (Rio de Janeiro, RJ – 01min21seg)

Produzida durante o período de isolamento social, a obra é protagonizada por Luiz Gustavo, 20 anos, bacharel em dança e integrante do NUDAFRO – Núcleo de Pesquisa em Dança e Cultura Afro-brasileira, Cia de Dança Contemporânea da UFRJ.

– Cupim de Ferro (Recife, PE –  04min13seg)

Gravado em meados de 2018, a produção é da Cia. Artefolia que há 27 anos cria conexões através de pesquisas e vivências nas danças e brincadeiras populares de Pernambuco. Com uma extensa produção artística, criativa e de intercâmbio, produziu oito espetáculos autorais, participou de turnês e festivais culturais com premiações em reconhecimento ao seu trabalho. Com imagens captadas na região central do Recife a Cia conta com jovens de 19 a 35 anos no elenco.

– Èjé (Goiânia, GO – 12min40seg)

Solo de Wellignton Campos, morador de Guarulhos na Grande São Paulo e integrante   do Núcleo Coletivo 22. Fundado em 2001, a Cia é composta por artistas ligados a dança, teatro e música interessados em saberes e poéticas afro-ameríndias como lugar de aprendizagem.

– Em Canto para Ogunhê (São Paulo, SP – 04min03seg)

Videodança protagonizada pela Família Ribeiro, residente no bairro Jaraguá, região noroeste de São Paulo. Na família a arte está presente em diversos momentos, lugares, no estilo de vida e através dos saberes compartilhados de um modo trans-geracional, da dança, canto, música e festas. Val Ribeiro, em seu fazer artístico, representa a família, tendo como base para a criação em artes cênicas as culturas afro-brasileiras e dos povos originários.

– Jongo Sapateado (Rio de Janeiro, RJ – 01min22seg)

Produzido durante a quarentena, o vídeo é um solo de Munique Mattos, idealizadora do COLETIVO SAPATEADO DO SAMBA. O grupo formado por mulheres desenvolve desde 2005 pesquisa pessoal com a música corporal a partir de composições musicais expressas pela matriz CONTAR- CANTAR – DANÇAR – BATUCAR.

– Maré Lunissolar (Belém, PA – 02min59seg)

Gravado entre rios, no subúrbio de Belém, Maré Lunissolar é protagonizado por Samily Silva, pedagoga formada pela Universidade Federal do Pará, dançarina e pesquisadora artivista do corpo. Especialista em dança popular paraense e cultura afro-amazônica, Samily integrou o balé folclórico da Amazônia e participou e produziu produções do setor audiovisual.

– Marunga (Pindamonhangaba, SP – 08min06seg)

Gravado na zona rural de Pindamonhangaba , no Vale do Paraíba paulista, durante o período de isolamento social, a videodança pertence a Cia Mônica Alvarenga. Composta pela artista Mônica Alvarenga, atriz, bailarina, pesquisadora cultural, palhaça e preparadora corporal de atores, e por Ederson Cleiton, Artista Plástico, cenógrafo e iluminador profissional, o filme é um ato político ao qual o espectador não sabe se o Marungo (personagem da Folia de Reis) é um homem ou uma mulher.

– Poéticas do Encantamento (São Paulo, SP – 03min54seg)

Marina Souza (Risoflora) é pernambucana, capoeirista e educadora. Cabocla nordestina migrante, nesta videodança produzida durante a quarentena, a artista se faz tronco fincado no abraço do solo da cidade de São Paulo.

– Tico Tico – Uma dança para o apelido que meu avô me deu (São Paulo, SP –  04min)

Morador do bairro de Campo Limpo, zona sul da capital paulista, Erico Santos é pedagogo, artista da dança, produtor independente, artista-educador e orientador social. Iniciou seus estudos em danças através do Programa Vocacional em 2011. Atualmente integra o elenco de Cia. Sansacroma, Coletivo Desvelo, Núcleo Ajeum e de seu trabalho solo “Abraço que vós me nordestes”.

– Traço de Exu (São Paulo, SP – 05min32seg)

Gravada em 2015, na Casa da Luz, zona central de São Paulo, capital, a produção é protagonizada por Arlete Alves, bailarina, professora de dança afro e improvisação, performer e produtora artística. Atuou em diversos blocos e companhias de dança afro, como o Bloco Afro Kizumba e Cia. Abiéie de Dança e Arte Negra.

 

– Tropeiro (São Paulo, SP – 08min14seg)

Tropeiro é uma produção da Cia. Dual, o grupo realiza trabalhos artísticos a partir de mitologias e fenômenos históricos relacionados à cultura brasileira, investigando bases técnicas e estruturais das danças desenvolvidas no Brasil. A Cia. participou de importantes festivais nacionais e internacionais e foi premiada pelo FETEG 2019, Prêmio Arte e Inclusão 2018, Prêmio Brasil Criativo 2016, indicada ao APCA 2017 e ao Prêmio Bravo! 2017. As imagens da videodança foram captadas durante o período de isolamento social.

Serviços:

Abertura da GIRA: exibição das obras e bate-papo com equipe curatorial (Vanessa Hassegawa, Murilo De Paula e Kanzelumuka)

Dia 08/10/2020 (quinta-feira) às 19:00

Local: O.C. Oswald de Andrade, atividade online através da plataforma de exibição Google Meet

Inscrições: http://navegris.com.br de 01/10/2020 à 07/10/2020.

Exibição da GIRA – Mostra Nave Gris de Videodança: On Demand

Período de 09/10/2020 à 13/10/2020

Local:  http://navegris.com.br

Palestra: As relações cinema-dança-videodança com Carmen Luz

Dia 10/10/2020 (sábado) às 16:00

Local: O.C. Oswald de Andrade, atividade online através da plataforma de exibição Google Meet

Inscrições: http://navegris.com.br/ de 01/10/2020 à 09/10/2020.

Imprensa:

Iara Filardi

55 11     2352 0881

55 11 9 9318 3805

atendimento@iarafilardi.com

 

 

 

 

 

 




SescTV Lança a Nova Temporada da Série Dança Contemporânea

O canal disponibiliza apresentações que trazem um olhar plural e decolonial da produção de dança para tela da TV

 

SescTV disponibiliza on demand os episódios inéditos da série Dança Contemporânea. Exibida pelo canal desde maio de 2009, com direção geral de Antonio Carlos Rebescoa nova temporada da série propõe um olhar plural para a cena da dança contemporânea no país, a partir das poéticas do corpo negro na cena.  (Assista em sesctv.org.br). No dia 25 de junho, quinta, às 20h, o canal exibe o programa Mensagens de Moçambique, encenado pela Taanteatro Companhia.

 

Nova Temporada da Série Dança Contemporânea é composta por 13 programas, com duração de 52 minutos cada. São eles: Encruzilhada – Fragmento Urbano, Arquivo Negro – Passos Largos em Caminhos Estreitos – Cia Pé no Mundo; Noite de Solos composto pelas apresentações Depoimentos para Fissurar a Pele – Núcleo Djalma Moura e Corredeira – Nave Gris Cia Cênica;  Filhxs –da– P°##@ – T O D A – Coletivo Calcâneos; Herança Sagrada – A Corte de Oxalá, com o Balé Folclórico da Bahia; Cria – Cia. Suave; Eles Fazem Dança Contemporânea – interpretado por Leandro Souza; Anonimato- Orikís aos Mitos Pessoais Desaparecidos – Cia Treme Terra; Subterrâneo – Gumboot Dance Brasil; 5 Passos para não Cair no Abismo – Cia Urbana de Dança; Mulheres do Àse.- com Edileusa Santos ; Sons D’Oeste -Trupe Benkady e Mensagens de Moçambique – Taanteatro Companhia.

 

As novas produções que têm curadoria da artista e pensadora em dança, gestora cultural e cientista social Gal Martins, além de seguirem a mesma proposta das edições anteriores, também propõem uma reflexão sobre os rumos conceituais da dança contemporânea para televisão. (Assista também pela internet em sesctv.org.br/noar).

 

Para Danilo Santos de Miranda, Diretor do SescSP, que mantém o SescTV como uma das ações digitais da instituição, “a dança, como uma das linguagens artísticas, promove a ampliação de nossas percepções sobre nós mesmos e sobre a sociedade, a partir do senso estético e ético.  Para o Sesc, proporcionar ao público a fruição da dança nos meios audiovisuais, é expandir, de forma democrática o acesso aos bens culturais, uma das diretrizes da instituição”.

 

Segundo Gal Martins, nessa temporada, a série Dança Contemporânea apresenta trabalhos que evidenciam um panorama artístico múltiplo que questiona padrões hegemônicos relacionados a noção de Corpo Negro, Processo e Estética. A dança protagoniza uma trama diversa na qual periferias e centros encontram-se, chocam-se e retroalimentam-se, construindo um território que é multifacetado no que diz respeito aos percursos de concepção. Gal Martins propõe as corporalidades plurais nas danças contemporâneas com o intuito de fazer presente, com a devida dignidade, a multiplicidade de vozes que compõem o universo da dança em todo o país, os quais contemplem o corpo negro, o corpo feminino, o corpo periférico, o corpo gordo, o corpo LGBTQI+ e tantos outros. “A poética desse processo de curadora também evidencia os afetos como ferramenta de resistência, afetos que me afetam e irão afetar também todos os expectadores”, afirma a curadora.

 

O espetáculo Sons D’Oeste foi gravado no Sesc Belenzinho, sob direção de Flávia Mazal. A apresentação alia o ballet africano a pesquisa de ritmos temáticos, fazendo uso de instrumentos tradicionais como o balafon, os dununs, djembês, kalimbas e berimbaus. “Sons D’ Oeste vem articular memórias, ritmos ancestrais, unindo dança, música, ritmo e corpo”, explica a diretora.  Segundo Flávia, o Sons D’ Oeste nasceu com a proposta de unir timbres diferentes porque os espetáculos africanos utilizam o tambor o tempo todo. “Fazemos uma pesquisa de ritmos e outros tons na música fazendo inclusive, uma comparação de situações sociais do que acontece no Brasil e, igualmente, em Guiné, na Costa Oeste da África”, afirma.

 

Em Mensagens de Moçambique, o diretor, dramaturgo, cenógrafo e figurinista Wolfgang Pannek explica que a aproximação entre ele e o bailarino Jorge Ndlozy  foi uma colaboração frutífera por afinidades artísticas que, ao mesmo tempo, trazem experiências sociais e históricas diferenciadas. “A companhia trabalha com a mitologia pessoal dos artistas envolvidos, no caso do Jorge, um moçambicano realizando um trabalho poético e político”, diz o diretor. Segundo Wolfgang é desenvolvido um diálogo sobre que é relevante para o público, de acordo com as experiências de cada um.

 

Jorge Ndlozy conta que o trabalho da Taanteatro Companhia reúne três continentes diferentes como Europa, África e América. “A coreografia de Mensagens de Moçambique é inspirada na moçambicanidade, costumes de Moçambique e de outras partes do mundo, como consequências do período colonial na África”, explica Jorge.

 

Em Herança Sagrada – A Corte de Oxalá, os bailarinos reproduzem com fidelidade sequências de movimentos de alguns dos mais importantes rituais do Candomblé, numa coreografia baseada em danças do culto afro-brasileiro. O espetáculo, que já foi aplaudido nos Estados Unidos, Europa, Caribe, Oceania e África, conta com direção geral de Walson (Vavá) Botelho e direção artística de José Carlos Santos (Zebrinha). A segunda parte do espetáculo reúne coreografias clássicas do repertório do Balé, que traduzem as mais importantes manifestações folclóricas baianas, em “Puxada de Rede”, “Capoeira” e “Samba de Roda”, além de “Afixirê”, coreografia inspirada na influência dos escravos africanos na cultura brasileira.

 

Encruzilhada transita entre as danças urbanas e manifestações artísticas brasileiras, criando um diálogo com a atualidade que ressignifica a ancestralidade.  A apresentação é interpretada pelo grupo Fragmento Urbano, ancorado na circulação pelos mais variados espaços da zona urbana, vivenciando, em cada um deles um público distinto. Nessa concepção, Encruzilhada fomenta a pesquisa continuada, que busca encontrar na heterogeneidade social, étnica e cultural, estímulo e inspiração para suas criações.

 

“Quando o falar de si é tratar de contextos periféricos que se relacionam com a afro-diáspora, com os ameríndios e que dialogam com a ancestralidade e memórias pouco celebradas, o corpo também ganha voz. Dançar se torna palavra. Dançar a contra-história nos faz renascer. O que permite compartilharmos e vivenciarmos o mundo transformado em nossa encruzilhada”, afirma Douglas Iesus, diretor do espetáculo.

 

Anonimato  Orikís aos Mitos Pessoais Desaparecidos é um espetáculo de dança negra que revela situações do cotidiano brasileiro, e aspectos ligados ao soterramento e aniquilamento das memórias negras no seio de uma sociedade eurocentrada. De maneira poética a obra aborda o genocídio étnico-cultural e suas consequências na vida social urbana. Encenado pela Cia Treme Terra.

 

A trajetória de personalidades negras como João Cândido, Maria Firmina dos Reis, Luiz Gama, Carolina Maria de Jesus, Abdias do Nascimento e Aleijadinho inspiraram o espetáculo Arquivo Negro – Passos Largos em Caminhos Estreitos. A montagem resgata e reapresenta arquivos históricos sobre uma cultura afro-brasileira que não nos foi verdadeiramente contada. “Com a Cia Pé no Mundo, os bailarinos subvertem a lógica e propõem processos de investigação que pautam as questões contemporâneas que atravessam seus corpos, fazendo alusão a grandes personalidades negras e suas contribuições para a sociedade”, explica a curadora Gal Martins.

 

Cria investiga a noção de criação e suas possibilidades, como a dança da vida na favela, uma corda bamba onde cada instante é valorizado. O espetáculo retrata uma comunidade e as suas relações com os movimentos e a dança, que transformam a violência do atual contexto brasileiro em potência criativa.

Cria é o segundo espetáculo da Cia. Suave e nasceu inspirado na dancinha, estilo derivado do passinho, através do entrelaçamento do funk com a dança contemporânea e de uma potente pesquisa sonora.

 

O intérprete Leandro Souza foi buscar na performance e nas artes visuais a inspiração para a criação de Eles Fazem Dança Contemporânea. Em um cenário que reproduz o tradicional cubo branco de galerias de arte, o bailarino busca a relação entre o seu corpo, a fala e um objeto cênico. A apresentação acontece a partir de uma lógica da repetição, sobreposição e transformação de ações, movimentos e produção de imagens. A voz do bailarino, repetindo as mesmas frases (em inglês e português), cria uma espécie de ritmo para a cena, além de uma sensação de quase hipnose junto ao público, enquanto ele executa movimentos que fogem dos sinais codificados da dança.

 

Em uma sociedade que historicamente considera a agressão como algo normal, o espetáculo Filhxs –da– P°##@ – T O D A, encenado pelo coletivo Calcâneos, tem a intenção de transpor as dores dos corpos dos moradores da periferia, que sofrem com os altos índices de preconceitos sociais. A montagem manifesta-se na pretensão de instigar questões crítico-reflexivas por intermédio de uma obra artística em dança sobre o “ser periférico”, na reverberação dos contextos de opressor e oprimido, a partir das relações que circundam essas atuações dando corpo a assuntos polêmicos.

 

Em Noites de Solos temos dois espetáculos – Depoimentos para Fissurar a Pele e Corredeira. O primeiro, concebido por Djalma Moura, investiga os arquétipos do orixá Iansã, através de uma coreografia que intenciona criar fissuras no tempo e espaço, a partir das memórias do corpo negro. Iansã é o Orixá que dá corpo para o trabalho. Inserida diretamente nas coreografias, os movimentos de palco concentram-se em seus arquétipos e analogias em relação à natureza — sejam elas dentro do aspecto animal ou de tempo — como os ventos, as tempestades, os raios, o búfalo. Todos esses elementos são utilizados como disparadores do processo criativo das danças.

 

Concebido e dançado por Kanzelumuka, o espetáculo Corredeira nasce da percepção das águas que correm para o mar e da relação entre ancestralidade, às águas e o corpo feminino. A corporeidade levada à cena tem sua origem nas tradições e saberes banto, em especial nas danças presentes em manifestações religiosas de matrizes africanas. É também um exercício de reflexão em torno do corpo negro que dança. Corredeira é dança mergulhada nas formas de representação próprias das culturas negras de origem banto.

 

Em 5 Passos Para Não Cair No Abismo, a coreógrafa Sonia Destri Lie e os dançarinos da Companhia Urbana de Dança desenvolveram a apresentação inspirados no texto do Caio Fernando Abreu “Vórtice, voragem, vertigem”, que, de acordo com Sonia, deveria ter se chamado “voragem” – aquilo que sorve ou devora. É assim que a companhia se sente, tanto no abismo dos perigos de ser periférico, quanto os de estrelas falsas e de beijos e desejos. “O espetáculo reflete sobre como lidamos com nossos próprios abismos e propõe uma discussão acerca da realidade vivida pelos integrantes do grupo que driblam suas realidades dentro do contexto social periférico.

 

Traçando um paralelo entre a experiência dos mineiros africanos do século XIX e a luta e sobrevivência da população negra e periférica das grandes cidades brasileiras, o espetáculo Subterrâneo propõe uma explanação em forma de dança e música, sobre as memórias soterradas de personagens suburbanos, vítimas de um regime de extermínio que avança sistematicamente.

 

O programa Mulheres do Asè, cujo espetáculo é dirigido e concebido por Edileusa Santos, reúne performance e depoimentos de personalidades do Candomblé da Bahia, em que a dança contemporânea, música, poesia e religiosidade afro estão em cena. Segundo a curadora Gal Martins, o espetáculo é uma performance ritual que nos embala e revela crença, sentimentos e resistências das mulheres que atuam nas religiões de matrizes africanas. “É um espetáculo que evidencia a celebração, percepção, personalidade, fé e àse pelos orixás, inquices, voduns e caboclos, cuja valorização se manifesta na plasticidade da cena e no corpo maduro das intérpretes”, explica.

 

Curadoria: Gal Martins

Artista da Dança, Atriz, Arte Educadora, Gestora Cultural e Cientista Social. Com 20 anos de pesquisa em dança, em 2002 cria a Cia Sansacroma, grupo paulistano de dança contemporânea preta. No ano de 2007 recebeu o Prêmio Criando Asas (Red. Bull e Instituto Criar de TV e Cinema) pelo projeto: “Imagens de Uma Vida Simples” – espetáculo e documentário abordando a vida e obra de Solano Trindade. No ano de 2011 atuou como vice-presidente da Cooperativa Paulista de Dança.  Em 2014 recebe o prêmio “Denilton Gomes” na categoria Difusão em Dança. Em 2016 foi eleita uma das 10 personalidades negras do país pelo canal Pretinho Mais que Básico. Em 2017 recebe o prêmio APCA na categoria Difusão e Memória da Dança pelo projeto “Circuito Vozes do Corpo”. Atualmente além do trabalho com a Cia Sansacroma, criou e compõe a zona AGBARA, projeto destinado a produção em dança de mulheres pretas e gordas e atua como Supervisora Artística Pedagógica do Programa Fábricas de Cultura.

Acompanhe também a programação do #Do13ao20 – (Re)Existência do Povo Negro, que faz alusão aos marcos do 13 de maio e do 20 de novembro, propõe diálogos sobre a condição social da população negra e objetiva reiterar os valores institucionais, bem como o reconhecimento das lutas, conquistas, manifestações e realidades do povo negro.

 

 

Sobre o SescTV:
O SescTV é um canal de difusão cultural do Sesc em São Paulo, distribuído gratuitamente, que tem como missão ampliar a ação do Sesc para todo o Brasil. Sua programação é constituída por espetáculos, documentários, filmes e entrevistas. As atrações apresentam shows gravados ao vivo com variadas expressões da música e da dança contemporânea. Documentários sobre artes visuais, teatro e sociedade abordam nomes, fatos e ideias da cultura brasileira em conexão com temas universais. Ciclos temáticos de filmes e programas de entrevistas sobre literatura, cinema e outras linguagens artísticas também estão presentes na programação.

Conheça também a plataforma digital do SescSP com diversos outros conteúdos exclusivos. Lançado em meio à pandemia do COVID-19, o https://sesc.digital (ou sescsp.org.br/sescdigital) expande suas ações para além das unidades operacionais, que continuam fechadas.

Serviço:

Nova Temporada da Série Dança Contemporânea

Direção geral: Antônio Carlos Rebesco.

Verifique a classificação indicativa.

Produção: Pipoca Cine Vídeo.

Realização: SescTV.

 

Sons D’Oeste

Concepção e direção: Flávia Mazal.

Intérpretes: Flávia Mazal, Nathália Freitas, Rafael Rodrigues, Ton Moura e Victor Dias.

Produção: Kelson Barros.

 

Mensagens de Moçambique

Dramaturgia, Texto, Cenário e Figurino: Wolfgang Pannek e Jorge Ndlozy.

Dança, Timbila e tambor: Jorge Ndlozy.

Produção: Wolfgang Pannek e Mônica Cristina Bernardes.

 

Encruzilhada

Direção: Douglas Iesus

Intérpretes: Douglas Silva de Jesus, Tiago da Silva, Anelise Mayumi Soares, Joelma de Souza e Luiz Fernando Bernardino de Souza.

Produção: Fragmento Urbano.

 

Anonimato  Orikís Aos Mitos Pessoais Desaparecidos

Direção geral e musical: João Nascimento.

Intérpretes: Terená Kanouté, Fernanda Perea, Luciano Virgílio, Thiago Bilieri, Tamiris Zaco, Huiris Daniel, Tiago Ferraz, Tito Nascimento, Afroju Rodrigues, Pedro Henrique, Daniel Pretho, João Nascimento, Rafael Mansor, Bira Nascimento, Jotabe Arantes, Spike, Nicolly Silva e Thais Dias.

 

Arquivo Negro – Passos Largos em Caminhos Estreitos

Direção e coreografia: Cláudia Nwabasili e Roges Doglas.

Intérpretes: Andrus Santana, Claudia Nwabasili, Cristiano Saraiva, Fernanda Sala, Roges Doglas, Thaís Menutole  e Vinicios Silva.

 

Cria

Direção: Alice Ripoll.

Intérpretes: Tiobil Dançarino Brabo, Kinho Jp, Vn Dançarino Brabo, Nyandra Fernandes, May Eassy, Romulo Galvão, Sanderson Bdd, Thamires Candida, Gb Dançarino Brabo e Ronald Sheick.

Produção: Rafael Fernandes.

 

Eles Fazem Dança Contemporânea

Concepção, dança e figurino: Leandro Souza.

Intérpretes: Ana Pi, Inês Terra, Renan Marcondes e Thaís De Menezes.

Produção: Tetembua Dandara.

 

Filhxs –da– P°##@ – T O D A

Direção: Joelma Souza, Victor Almeida e Vinicius Longuinho.

Intérpretes: Barbara Oliveira, Joelma Souza, Lucas Pardin, Marina Lima, Richard Pessoa, Thainá Souza  e Victor Almeida.

Concepção Musical: Victor Almeida.

Produção: Vanessa Soares.

 

Noites de Solos – Depoimentos Para Fissurar A Pele

Concepção, criação e dança: Djalma Moura.

Produção: Erico Santos.

 

Noites de Solos – Corredeira

Criadora-intérprete e direção: Kanzelumuka

Colaboração dramatúrgica e codireção: Murilo De Paula

Iluminação e operação de luz: Diogo Cardoso

 

5 Passos Para Não Cair No Abismo

Direção: Sonia Destri Lie.

Intérpretes: Tiago Sousa, Miguel Fernandes, Andre Virgilio, Rafael Balbino, Julio Rocha, Jessica Nascimento e Johnny Britto.

Produção: Claudia Bueno.

 

Herança Sagrada – A Corte de Oxalá

Direção: Walson Botelho.

Intérpretes: Nildinha Fonseca, Tamires Silva Amorim, Aloma Araujo de Almeida Silva, Luana França Peçanha, Jéssica Martins Sena, Ágatha Simas Souza, Gabriel Guimaraes Silva Santos, Micael Figueiredo Santos, Jeferson de Jesus Nascimento, Wagner dos Santos Santana, Jadson de Jesus dos Santos, Marcus Vinicius Pereira Conceição Brito, Edemilson Jorge Correia Andrade, Hugo Martins Silva, Irlen Bispo Santos, Douglas dos Santos da Silva e Wendel Damasceno dos Santos.

 

Mulheres do Asè

Direção Geral, Concepção e Roteirização Cênica: Edileuza Santos.

Intérpretes: Sueli Ramos, Tânia Bispo, Sandra Santana, Fátima Carvalho, Sônia Gonçalves.

Produção: Fernanda Rodrigues.

 

Subterrâneo

Direção e coreografia: Rubens Oliveira.

Intérpretes: Danilo Nonato, Diego Henrique, Munique Mendes, Pâmela Ammy, Rafael Oliveira, Rubens Oliveira, Samira Marana, Silvana De Jesus e Washington Gabriel.

Produção: Kelson Barros.

 

Para sintonizar o SescTV:

Canal 128, da Oi TV

Ou consulte sua operadora

Assista também online em sesctv.org.br/noar

Siga o SescTV no twitter: http://twitter.com/sesctv

E no facebook: https: facebook.com/sesctv

 

Informações para imprensa:

Eloá Cipriano – Assessoria de Imprensa

eloa@sesctv.sescsp.org.br

imprensa@sesctv.sescsp.org.br

 

SIGA O SESC NAS REDES:

Facebook/Twitter/Instagram

 

Fase Beta

As versões da plataforma do Sesc Digital encontram-se em fase beta, ou seja, novidades e melhorias serão implementadas a partir das interações que se desenvolverem entre o público e os recursos. Além disso, o catálogo será expandido periodicamente, englobando novas temáticas e linguagens.

 

+ Sesc Digital

A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. Por essa razão, o Sesc apresenta o Sesc Digital, sua plataforma de conteúdo!

 

Saiba+: sescsp.org.br/sescdigital

 

 

 

 

 

 

 




Cia. Sozinha promove curso de Dança Contemporânea e Alongamento

Foto por Thiago Roma

Workshop com técnicas da dança contemporânea na execução de partituras coreográficas e ferramentas para a improvisação e a criação em dança

 

O curso tem como alicerce proporcionar uma primeira vivência em dança contemporânea aos alunos, entretanto é proveitosa para os já iniciados na dança contemporânea pelo seu caráter flexível quanto ao grau de dificuldade e abordagem do conteúdo de acordo com o público.

É um encontro com a percepção corporal, a educação somática, o improviso, o contato com o solo e a criação artística. Neste workshop são abordadas tanto as técnicas da dança contemporânea na execução de partituras coreográficas, quanto às ferramentas para a improvisação e a criação em dança.

O curso será ministrado por Mimi Naoi, eleita como Melhor Dançarina Contemporânea, na enquete ‘Melhores do Ano 2018 em Sorocaba na Área Cultural, promovida pelo Jornal Cultural ROL

 

Serviço:

Onde: Maloca (do lado do shopping Cianê)
Quando: quintas: 19h00 – 20h00 dança contemporânea / 20h00 – 20h30 alongamento
Quanto: Dança contemporânea (alongamento incluso): 120,00 mensal
Plano trimestral: 3x 100,00
Só alongamento: 50,00 mensal
Plano trimestral: 3x 35,00
Inscrições: mandar nome, e-mail, telefone e RG para cia.sozinha@gmail.com ou inbox 




Sesc Sorocaba apresenta uma programação especial voltada para a dança contemporânea: a 'Mostra Corpografias'

 A programação, de 31/10 até 4/11, será voltada para a dança contemporânea. A ‘Mostra Corpografias’ terá espetáculos de dança, roda de conversa e intervenções

 

Sesc Sorocaba apresenta de 31/10 até 4/11 uma programação especial voltada para a dança contemporânea. A “Mostra Corpografias” terá espetáculos de dança, roda de conversa e intervenções nesses cinco dias de programação. A proposta é trazer as possibilidades da dança contemporânea enquanto atividade que habilita o corpo para se expressar de forma livre a criativa.

Confira a programação:

Dia 30 (quarta)

No hay banda, é tudo playback: Subitamente as cinco artistas do ‘Grupo Vão’ surgem no espaço em meio ao público e performam através de Lip Sync – técnica de sincronismo entre o som e movimento labial – alguns hits remixados da década de 90. O trabalho mobiliza a sensação ambígua de familiaridade e incômodo que vaza e desloca de um estado festivo para um estado ácido, nossas percepções e referências.
Às 20h, na Área de Convivência. 10 anos.

Dia 01 (quinta)

Apagão: Neste espetáculo, David Marques e Tiago Cadete resgatam uma técnica tradicional utilizada pelo compositor alemão Richard Wagner. No século XX para criar uma maior atenção ao que se passava em cena perante os olhos do espectador, Wagner escureceu a plateia utilizando recursos de luz presentes no teatro. Esta escuridão permitiu uma maior imersão do público no espetáculo e a exploração de efeitos ópticos e ilusões que deram origem ao chamado ‘teatro negro’, que explorava o desaparecimento de corpos e objetos sobre um fundo negro que enganava o olhar. Em Apagão, os artistas não só querem retirar a luz da plateia – como fez Wagner – mas também a do palco que tradicionalmente se ilumina perante o espectador.
Às 20h, no Teatro. 16 anos.

Dia 02 (sexta)

Praga de Dança: A intervenção que ocorre na sexta, dia 2, às 19h30, é inspirada no fênomeno de mesmo nome, “Praga da Dança” e traz a experiência de contaminação, a fim de instigar o público na ocupação dos espaços de transição, emergindo assim uma grande dança-celebração.
Às 19h30, no Anfiteatro. Livre.

In-trópicos: Nessa apresentação, o ‘Coletivo O¹²’ propõe um teorema estético, que funcionará como um tipo de hipótese artística e um modo de ler o Brasil por meio dos movimentos. O publico poderá conferir esse trabalho que vai misturar tendências clássicas e contemporâneas, além de trazer músicos como Handel, Capiba, Alçeu Valença e e Bach para sua composição. Além destas referências, o movimento ganha reforço com toques de artes marciais e ballet clássico. O artista trabalha com a hipótese de que, um modo possível de discutir o sujeito nacional, cujo traço principal é sua mestiçagem, seria através das próprias materialidades coloniais que se misturam ao longo da história e se transformam em corpo.
Às 20h, no Teatro. 16 anos.

Dia 03 (sábado)

Bailarina Fulêra: Nesta intervenção, a caixinha de música retrata o imaginário da dançarina. Imagens em torno da figura da bailarina são construídas pela artista, que utiliza uma série de blocos de pedra para buscar instabilidade e resistência diante de sua inadequação perante alguns treinamentos estabelecidos em algumas práticas da dança.
Às 17h30, na Área de Convivência. Livre.

Os corvos: Luis Arrieta e Luis Ferron levam para cena uma questão latente: a morte. A partir dela, os artistas refletem sobre o presente sem passado ou futuro – o presente como sentido vital e a morte como certeza final. Os corvos são comumente associados ao mau-agouro, mensageiros da morte. Neste espetáculo, essa visualidade é repensada a partir da vida. Os artistas descrevem corporalmente experiências pessoais de encontros e perdas.
Às 20h, no Teatro. 14 anos.

Dia 04 (domingo)

Pé de cachimbo: A Vivá Cia. de Dança traz o espetáculo Pé de Cachimbo. Aqui, o grupo explora todas as ramificações que envolvem o folclore brasileiro. Nessa apresentação, os principais ritmos das Danças Folclóricas (samba de roda, forró, baião, maracatu, catira, quadrilhas) surgem com uma roupagem moderna tornando-as intensas e mais dançantes. Além disso, jogos, brincadeiras e brinquedos do folclore como soltar pipa, estilingue, pega-pega, esconde-esconde, bola de gude, cabo de guerra e também as lendas e mitos como: Curupira, Boi da cara preta, e a Yara- Sereia do Mar constroem a obra.
Às 16h, no Teatro. Livre.

Para mais informações, clique aqui.

Não permitido ou recomendado para menores de 12 anos

Hoje, às 20h

Crianças até 12 anos não pagam

R$ 5,00 (credenciados Sesc)
R$ 8,50 (meia-entrada)
R$ 17,00 (inteira)

Sesc Sorocaba – Rua Barão de Piratininga, 555 – Jardim Faculdade

(15) 3332-9933

www.sescsp.org.br/sorocaba