Concurso Literário Poesias sem Fronteiras
Pietro Costa conquista o 1º lugar no XXII Concurso Literário Poesias sem Fronteiras — Edição 2026, com o poema ‘O espelho habitável’


Celebro muito as conquistas que ultrapassam a dimensão de um reconhecimento individual e se convertem em marcos de uma trajetória. São momentos em que a palavra, cultivada entre inquietações, descobertas e perseverança, encontra novos horizontes de ressonância.
Nesse viés, é com profunda alegria e gratidão que compartilho a conquista do 1º lugar no XXII Concurso Literário Poesias sem Fronteiras — edição 2026, com o poema “O Espelho Habitável”, distinção que me sensibiliza de uma forma deveras marcante, sobretudo pela qualidade das produções participantes e pela relevância cultural de um projeto que, há mais de duas décadas, viabiliza o encontro de vozes literárias de diferentes regiões do Brasil e do exterior.
Idealizado e organizado pelo escritor Marcelo de Oliveira Souza, o certame consolidou-se como uma iniciativa de valorização e difusão da literatura, aproximando autores, leitores e diferentes sensibilidades estéticas. Em sua vigésima segunda edição, reafirma a vocação de transpor fronteiras geográficas e linguísticas, fazendo da poesia um território de convergência entre experiências humanas, culturas e visões de mundo.
A premiação, registrada oficialmente em 7 de julho de 2026, integra a antologia XXII Concurso Literário Poesias sem Fronteiras, organizada por Marcelo de Oliveira Souza e publicada pela Editora Illuminare, em sua primeira edição, com circulação editorial vinculada ao Brasil, à Argentina e a Portugal. É a minha 457ª participação em obras coletivas.
📚 REFERÊNCIA EDITORIAL
- Obra: XXII Concurso Literário Poesias sem Fronteiras
- Organização: Marcelo de Oliveira Souza
- Editora: Illuminare
- Edição: 1ª, 2026
- ISBN: 978-65-6040-136-5
- Poema premiado: O Espelho Habitável
- Páginas: 81–82
- Edição: Laura Salles
- Capa: ASN Design
- Diagramação: Sarah Schoenberg
A POESIA COMO EXERCÍCIO DE RECONSTRUÇÃO
O poema laureado, “O Espelho Habitável”, preconiza uma incursão pelos territórios da memória, da consciência e da reinvenção de si. Nele, a experiência humana é compreendida não como uma sucessão imutável de acontecimentos, mas como matéria viva, suscetível de reelaboração e ressignificação.
A escrita assume, pois, uma dimensão existencial: mais do que testemunhar dores, perdas e deslocamentos interiores, torna-se instrumento de reconhecimento, elaboração e reconstrução subjetiva.
O espelho que dá título ao poema não se limita a refletir uma imagem. Converte-se em espaço simbólico de acolhimento e transformação, onde o sujeito pode revisitar as próprias ruínas sem permanecer prisioneiro delas.
Essa perspectiva encontra expressão particularmente significativa nos versos:
Escrever torna-se método de existência.
Ao registrar-se, o vivido é rearranjável.
A palavra, instância sutil de prudência,
converte-se em espelho habitável:
lugar para compreender-se sem fugir.
Há, nessa travessia, uma convicção que me é especialmente cara: a literatura não elimina as cicatrizes da existência, mas pode conferir-lhes novos sentidos, transformando a experiência vivida em possibilidade de consciência, criação e liberdade.
UMA PREMIAÇÃO QUE ABRE NOVOS HORIZONTES
Além do troféu e do certificado de primeiro lugar, a premiação contempla uma oportunidade de especial significado em minha trajetória: a publicação de uma obra autoral, com os custos editoriais assumidos pela editora responsável pela antologia comemorativa.
E é com singular entusiasmo que anuncio o projeto escolhido para materializar essa conquista: A Abelhinha Dalila e os Defensores da Ecologia, meu primeiro trabalho literário destinado ao público infantojuvenil.
A obra representa a abertura de uma nova vertente em minha produção, ao aproximar literatura, educação ambiental, imaginação e sensibilidade poética em uma narrativa concebida para despertar, especialmente entre os jovens leitores, a consciência ecológica, o respeito à biodiversidade e o compromisso com a preservação da vida.
Mais do que transmitir uma mensagem ambiental, o projeto busca cultivar uma relação afetiva com a natureza, reconhecendo na fantasia e na linguagem literária caminhos privilegiados para a formação de leitores críticos, sensíveis e conscientes de sua responsabilidade diante do mundo.
Tenho ainda a felicidade de contar com duas contribuições especialmente generosas para essa nova aventura literária: Verônica Moreira, que gentilmente assina o prefácio, e a querida Ana Mendes, responsável pela resenha poética destinada à contracapa.
A ambas, minha sincera gratidão pelo carinho, pela sensibilidade e pela confiança depositada nesse projeto.
GRATIDÃO: O RECONHECIMENTO COMO PARTILHA
Registro meus agradecimentos ao escritor Marcelo de Oliveira Souza, idealizador e organizador do Concurso Literário Poesias sem Fronteiras, pela dedicação perseverante a uma iniciativa que, ao longo de vinte e duas edições, tem contribuído para ampliar os espaços de expressão e reconhecimento da criação literária.
Estendo minha gratidão à comissão organizadora, aos responsáveis pela avaliação dos trabalhos, à equipe editorial e à Editora Illuminare, pelo compromisso com a difusão da literatura e pela oportunidade de transformar uma premiação poética em incentivo concreto à publicação de uma nova obra.
Agradeço igualmente aos escritores que integram esta edição, cuja diversidade de estilos, experiências e perspectivas enriquece a antologia e reafirma a vitalidade da palavra literária.
À minha família, aos amigos, aos leitores e a todos que acompanham minha caminhada, deixo meu reconhecimento pelo afeto, pelo estímulo e pela presença constante. E, acima de tudo, minha gratidão a Deus, pela vida, pelas possibilidades de criação e pelas oportunidades de seguir aprendendo e compartilhando.
Recebo esta distinção com humildade, felicidade e renovado compromisso com a literatura. Não a compreendo como ponto de chegada, mas como estímulo para prosseguir, experimentar novas linguagens e honrar, com responsabilidade e autenticidade, o ofício da escrita.
Porque há conquistas que não se encerram na entrega de um troféu: prolongam-se nos livros que ainda serão escritos, nas consciências que poderão ser tocadas e nas histórias que encontrarão novos leitores.
Que a poesia continue atravessando fronteiras — inclusive aquelas que, silenciosamente, erguemos dentro de nós.
Com gratidão e abraços fraternos e poéticos,
PIETRO COSTA
Escritor e poeta
Instagram: @pietrocosta_poeta
O ESPELHO HABITÁVEL
*** Poema de Pietro Costa | 1º lugar — XXII Concurso Literário Poesias sem Fronteiras (2026)
*** Publicado na antologia XXII Concurso Literário Poesias sem Fronteiras, Editora Illuminare, 2026, pp. 81–82. ISBN 978-65-6040-136-5.
Há perdas invisíveis à ribalta:
mudam de morada dentro de nós.
Quando a dor se cala, não é falta,
é cárcere do sós ao relento de sóis.
Escrutinar-se é muito mais do que narrar:
é ser-sentido-no-mundo, é atravessar-se.
Submeter a história a um exame sem álibis,
onde a sensibilidade não recua, faz iluminar.
Visita aos escombros da consciência,
cemitério sem epistemicídios e epitáfios
onde restos são matéria de reinvenção.
Escrever torna-se método de existência.
Ao registrar-se, o vivido é rearranjável.
A palavra, instância sutil de prudência,
converte-se em espelho habitável:
lugar para compreender-se sem fugir.
O que era ferida torna-se referência, fonte.
O que era ruína revela inteireza, estrutura.
Ao apropriar-se de si, não se enclausura:
O sujeito nota-se, reescreve-se como ponte.
E nessa (re)construção, com o próprio nome,
projeta um sentido que não ousava existir!