O Escritor na era da Inteligência Artificial

Alexandre Rurikovich Carvalho

‘O Escritor na era da Inteligência Artificial: Entre a Criatividade Humana e a Tecnologia’

Alexandre Rurikovich Carvalho
Alexandre Rurikovich Carvalho
A imagem produzida por IA, apresenta o diálogo entre literatura, criatividade humana e Inteligência Artificial, unindo a tradição dos livros ao universo tecnológico contemporâneo. A imagem do autor simboliza o escritor como protagonista dessa transformação cultural. Entre páginas, ideias e tecnologia, a obra reflete sobre autoria, criatividade, ética e os novos caminhos da escrita. Uma produção especial para o Jornal Cultural ROL.

RESUMO

A expansão da Inteligência Artificial (IA) generativa vem produzindo transformações significativas nas formas de criação, produção, circulação e consumo de conteúdos culturais. No campo da literatura, ferramentas baseadas em IA passaram a auxiliar escritores em atividades como pesquisa, organização de ideias, planejamento narrativo, revisão textual, tradução, experimentação estilística e desenvolvimento de personagens. Ao mesmo tempo, a incorporação dessas tecnologias suscita questões fundamentais acerca da criatividade, da autoria, da originalidade, dos direitos autorais, da ética e do futuro da profissão de escritor.

Este artigo tem como objetivo analisar a relação entre o escritor contemporâneo e a Inteligência Artificial, investigando as possibilidades de colaboração entre a criatividade humana e a tecnologia, bem como os riscos decorrentes da dependência tecnológica e da substituição da intervenção intelectual do autor. Parte-se da compreensão de que a literatura constitui uma manifestação cultural profundamente relacionada à experiência humana, à memória, à imaginação, à subjetividade e à interpretação da realidade. Embora sistemas de IA sejam capazes de gerar textos linguisticamente sofisticados, sua atuação não deve ser confundida automaticamente com a experiência humana de criação.

Defende-se, portanto, uma perspectiva de complementaridade: a Inteligência Artificial pode funcionar como ferramenta de apoio e ampliação das capacidades do escritor, desde que submetida à análise crítica, à supervisão humana e aos princípios de responsabilidade e integridade intelectual. Conclui-se que o futuro da literatura não necessariamente será marcado pela substituição do escritor pela máquina, mas pela construção de novas relações entre autor, tecnologia e leitor. Nesse cenário, a principal riqueza do escritor continuará sendo sua capacidade de pensar, sentir, interpretar, imaginar e atribuir significado à experiência humana.

Palavras-chave: Literatura. Escritor. Inteligência Artificial. Criatividade. Autoria. Tecnologia. Ética.

1 INTRODUÇÃO

A história da literatura acompanha a própria trajetória da humanidade. Desde as primeiras manifestações da linguagem escrita, o ser humano encontrou na palavra um instrumento para preservar memórias, transmitir conhecimentos, registrar acontecimentos, expressar sentimentos e imaginar mundos possíveis. A escrita permitiu que experiências individuais ultrapassassem os limites da existência de seus autores; reis, filósofos, poetas, historiadores, romancistas e pensadores deixaram, por meio das palavras, testemunhos capazes de atravessar séculos. A literatura tornou-se, assim, não apenas uma forma de expressão artística, mas também uma das principais vias de preservação da memória cultural.

Entretanto, a atividade literária nunca esteve dissociada do desenvolvimento técnico. A invenção da imprensa por Gutenberg modificou radicalmente a produção e a circulação dos livros. Posteriormente, a máquina de escrever, o computador, a internet, os livros eletrônicos e as plataformas digitais introduziram sucessivas transformações no processo de criação e divulgação literária. No século XXI, um novo avanço ocupa o centro desse debate: a Inteligência Artificial (IA).

A emergência dos sistemas de IA generativa introduziu uma mudança qualitativa nesse panorama. Diferentemente de recursos destinados apenas à edição, ao armazenamento ou à transmissão de textos, os sistemas contemporâneos são capazes de gerar conteúdos linguísticos complexos a partir de comandos (prompts) fornecidos pelos usuários. Essa capacidade abre novas possibilidades para escritores, pesquisadores, professores, jornalistas e profissionais de diversas áreas.

Ao mesmo tempo, surge uma inquietação legítima: se uma máquina consegue produzir poemas, contos, roteiros, ensaios e narrativas, qual será o papel do escritor? A questão ultrapassa o âmbito estritamente técnico e alcança a própria definição de criatividade e autoria. Pode uma máquina ser considerada autora? Um texto produzido com auxílio de Inteligência Artificial continua sendo uma obra humana? Em que momento a utilização de uma ferramenta deixa de ser auxílio e passa a representar a terceirização da criação? Quais são os limites éticos do uso da IA na literatura? Essas perguntas tornam-se ainda mais urgentes diante da velocidade com que tais tecnologias são incorporadas ao cotidiano.

A UNESCO (2022), em sua Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial, estabelece a dignidade humana, os direitos humanos, a transparência, a responsabilidade e a supervisão humana como princípios fundamentais para o desenvolvimento e a utilização dessas tecnologias. A organização alerta, ainda, que sistemas de IA podem reproduzir e amplificar desigualdades, vieses e formas de discriminação, tornando indispensável uma abordagem crítica e responsável.

No campo literário, essa discussão ganha uma dimensão particular. Um texto literário não é apenas uma sequência organizadamente probabilística de palavras, mas um constructo carregado de memórias, experiências, valores, conflitos, identidades, emoções e visões de mundo. O escritor escreve porque observa, questiona, recorda, imagina e transforma a realidade em linguagem. A Inteligência Artificial pode contribuir para esse processo, contudo a relação entre a ferramenta e o autor precisa ser cuidadosamente balizada.

Este artigo parte, portanto, de uma hipótese central: a Inteligência Artificial não representa inevitavelmente o desaparecimento do escritor, mas provocará uma redefinição de seu papel no processo literário. O escritor do futuro talvez não seja aquele que rejeita a tecnologia, mas aquele que aprende a utilizá-la sem abdicar de sua autonomia intelectual, de sua criatividade e de sua identidade autoral.

2 A ESCRITA E AS GRANDES TRANSFORMAÇÕES TECNOLÓGICAS

A relação entre literatura e tecnologia não começou com a Inteligência Artificial. Durante milênios, a produção e a circulação do conhecimento dependeram da oralidade e, posteriormente, dos manuscritos. A escrita transformou a relação da humanidade com a memória ao permitir o registro de informações de maneira relativamente permanente. A cultura manuscrita, contudo, apresentava limitações claras: a reprodução de livros era lenta, trabalhosa e restrita ao trabalho de copistas especializados.

A invenção da imprensa por tipos móveis modificou esse cenário. A possibilidade de reproduzir livros em grande escala contribuiu para a democratização do conhecimento e para a formação de novos públicos leitores; o livro deixou de ser um objeto exclusivo para integrar uma nova dinâmica cultural. A tecnologia, portanto, não destruiu a literatura, mas transformou suas condições de produção e alcance. O mesmo fenômeno ocorreu posteriormente com a máquina de escrever, que conferiu velocidade e praticidade ao trabalho do autor, e com o computador, que introduziu recursos inéditos de edição, armazenamento e correção. Em seguida, a internet eliminou barreiras geográficas de circulação e o livro digital ampliou o acesso e a distribuição.

Cada uma dessas transformações provocou receios em sua época. Entretanto, a literatura sobreviveu e se reconfigurou. Isso demonstra que a tecnologia não é uma oposição inerente à criação literária; ela altera os instrumentos empregados pelo escritor sem necessariamente suprimir a necessidade da sensibilidade humana.

Pierre Lévy (1999) observa que as tecnologias digitais provocam transformações culturais profundas, alterando as dinâmicas de comunicação, produção e circulação do conhecimento. O ciberespaço, nesse sentido, constitui não apenas um suporte técnico, mas um ambiente de metamorfose cultural. De modo complementar, Santaella (2003) demonstra que a emergência de novas mídias modifica a relação entre produção cultural, linguagem e participação social. A Inteligência Artificial deve ser compreendida no interior dessa trajetória histórica: trata-se de uma nova etapa do desenvolvimento técnico, contudo com um diferencial qualitativo decisivo — pela primeira vez, a tecnologia participa diretamente da geração da própria linguagem, o que exige uma reflexão teórica e ética ainda mais profunda.

3 A LITERATURA COMO EXPRESSÃO DA EXPERIÊNCIA HUMANA

Definir a literatura apenas como produção textual ou manipulação de código verbal seria insuficiente. A literatura é, fundamentalmente, uma forma de interpretar a existência humana. O escritor transforma acontecimentos, pensamentos, emoções, observações e imaginação em linguagem. Mesmo quando projeta mundos estritamente fictícios, extrai a matéria-prima de sua percepção e vivência da realidade. Um romance, um poema, uma crônica ou um ensaio podem surgir de memórias pessoais, inquietações intelectuais ou da simples contemplação do cotidiano.

Em todas essas manifestações opera uma dimensão subjetiva singular. O escritor não é apenas quem domina a gramática, mas quem constrói uma perspectiva única sobre o mundo. Essa voz literária é moldada ao longo da vida pela leitura, pela educação, pelas relações sociais, pelas perdas, afetos, viagens, conflitos e pelo contexto histórico. Por essa razão, dois autores podem abordar exatamente o mesmo tema e gerar obras radicalmente distintas: a literatura não reside unicamente no tema, mas no olhar e no filtro existencial do autor.

Essa dimensão demarca a diferença fundamental entre o criador humano e os sistemas de IA. Um modelo generativo é capaz de estruturar uma narrativa coesa sobre determinado tema, mas carece de uma biografia vivida. A máquina não envelhece, não guarda a memória da infância, não vivencia o luto, a finitude, o amor ou o deslumbramento existencial. Ela produz linguagem combinatória a partir do processamento de grandes volumes de dados, sem, contudo, experienciar o significado daquilo que articula. Essa distinção não visa anular o valor técnico da tecnologia, mas delimitar com clareza seus limites e possibilidades no fazer literário.

4 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA E PRODUÇÃO LITERÁRIA

A Inteligência Artificial generativa caracteriza-se como um conjunto de sistemas capazes de produzir novos conteúdos a partir da identificação de padrões em grandes bases de dados. No âmbito textual, os grandes modelos de linguagem (LLMs) geram respostas, narrativas, diálogos e estruturas estilísticas complexas, configurando um recurso de alto potencial para o trabalho do escritor.

No processo criativo, a IA pode atuar no mapeamento de caminhos narrativos, na organização de ideias, no levantamento de hipóteses, na sugestão de estruturas ou na revisão estilística e gramatical. O autor pode utilizá-la para identificar repetições, testar dinâmicas de diálogos, traduzir excertos ou usá-la como interlocutora dialética para refinar seus próprios argumentos. Nesses casos, a tecnologia não substitui o escritor, mas expande seu ecossistema de trabalho.

Torna-se imprescindível, contudo, diferenciar a assistência tecnológica da substituição criativa. Quando o escritor formula a premissa, analisa criticamente as sugestões da máquina, reescreve, pesquisa e assume a responsabilidade ética e estética pelo resultado final, preserva-se a centralidade da autoria humana. Por outro lado, quando o indivíduo delega a produção integral da obra à máquina e a publica sem intervenção crítica substancial, altera-se a natureza do ato criativo.

A questão central não é a simples presença da IA, mas o grau e a qualidade da mediação humana. Estudo recente publicado por Formosa et al. (2025) aponta que a intensidade da assistência tecnológica influencia diretamente a percepção do público e da crítica sobre autoria, criatividade e responsabilidade, além de suscitar debate sobre a obrigatoriedade da transparência do uso desses recursos. Assim, a pergunta central deixa de ser apenas “se” a IA foi utilizada, passando a investigar como ela foi incorporada ao processo.

5 A IA COMO FERRAMENTA DE APOIO AO ESCRITOR

Uma abordagem produtiva consiste em situar a Inteligência Artificial no ecossistema de instrumentos dos quais o escritor historicamente lança mão, como dicionários, enciclopédias, bibliotecas, programas de edição e bancos de dados. Contudo, assim como uma câmera fotográfica não substitui o olhar do fotógrafo e um instrumento musical não anula a sensibilidade do músico, a IA não precisa suprimir a figura do escritor.

O risco emerge quando o autor deixa de empregar a ferramenta para expandir suas capacidades e passa a usá-la para esquivar-se do próprio esforço intelectual. O processo criativo é inerentemente trabalhoso: escrever exige selecionar, cortar, reescrever, duvidar e buscar a palavra precisa. Se a IA pode acelerar etapas operacionais, a decisão final sobre a permanência ou o descarte de cada trecho continua dependendo do julgamento crítico humano.

Nesse cenário, uma das funções primordiais do escritor contemporâneo passa a ser a de curador de linguagem e de conhecimento. Caberá ao autor avaliar a precisão do material gerado, checar fontes, identificar alucinações de dados, refinar respostas genéricas e, sobretudo, assegurar a presença de sua própria voz estilística. Essa prerrogativa converge com a Recomendação sobre a Ética da IA da UNESCO (2022), a qual reitera que os sistemas tecnológicos jamais devem anular a supervisão e a responsabilidade final do ser humano.

6 PODE A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL SER CRIATIVA?

Uma das questões mais complexas no debate contemporâneo consiste em determinar se a Inteligência Artificial é capaz de criar. A resposta a essa indagação depende essencialmente do significado atribuído ao conceito de “criatividade”. Se por criatividade entende-se a capacidade de produzir arranjos e combinações inéditas a partir de elementos preexistentes, os sistemas de IA desempenham operações notáveis: são capazes de estruturar frases originais, mesclar estilos literários, desenhar personagens, formular arcos narrativos e compor poesias.

Ocorre que a criatividade humana envolve dimensões que ultrapassam o mero arranjo formal, abrangendo intencionalidade, vivência corporificada, consciência, contexto social e atribuição de significado. O escritor não cria apenas por dominar a técnica de articulação vocabular, mas porque busca comunicar uma visão do mundo. Existe no ato criativo humano uma intenção estética, uma escolha consciente e um vínculo profundo entre a obra e a experiência existencial do autor.

A reflexão sobre a autoria na era das mídias gerativas tem questionado os paradigmas tradicionais. Uebel e Hamamra (2026) argumentam que a IA generativa expõe as fragilidades da concepção do autor enquanto agente isolado e soberano, propondo que se pense a criatividade e a responsabilidade de forma relacional e distribuída. Essa perspectiva evita simplificações, lembrando que a própria criação literária humana jamais ocorreu no vácuo: todo autor dialoga com a tradição, com seu tempo e com as vozes que o antecederam. Machado de Assis dialogou com o século XIX; José de Alencar com as matrizes românticas; Carlos Drummond de Andrade com a poesia tradicional e com o modernismo; e Clarice Lispector construiu uma linguagem singular a partir da investigação profunda da subjetividade. A originalidade não reside na ausência de influências, mas na capacidade de transmutar influências em expressão autêntica e própria.

7 O ESCRITOR E A CONSTRUÇÃO DE UMA VOZ AUTORAL

A voz autoral constitui o elemento distintivo da produção de um escritor. É por meio dela que um leitor qualificado reconhece determinado autor não apenas pelo nome na capa, mas pelo ritmo da frase, pela cadência vocabular, pelas temáticas recorrentes e pelo olhar singular lançado sobre a realidade. Essa identidade estética não é imediata; resulta de um longo processo de amadurecimento que exige leitura constante, prática, experimentação, falhas e depuração técnica.

O risco associado ao uso acrítico ou padronizado da Inteligência Artificial reside na homogeneização do estilo. A utilização massiva dos mesmos modelos de linguagem por diferentes autores pode induzir a uma “padronização da expressão”, resultando em uma literatura previsível e estilisticamente uniforme.

Contudo, nesse novo contexto surge um fenômeno paradoxal: quanto maior for a profusão de textos algoritmicamente corretos e impessoais, maior tende a ser o valor atribuído a uma voz humana genuína. Em um ecossistema saturado de conteúdos linguisticamente polidos, a busca do leitor poderá deslocar-se para a singularidade, a imperfeição estilística consciente, a memória individual e a experiência vivida. A literatura revalorizará, assim, não apenas a correção formal do texto, mas a autenticidade da voz que o profere.

8 AUTORIA, ORIGINALIDADE E RESPONSABILIDADE

Os ecossistemas de IA generativa colocam desafios diretos às definições jurídicas e conceituais de autoria. No contexto nacional, a Lei nº 9.610/1998 constitui o marco geral dos direitos autorais no Brasil, assegurando em seu artigo 22 que pertencem ao autor os direitos morais e patrimoniais sobre a obra que criou (BRASIL, 1998). Ocorre que as obras produzidas com o auxílio de inteligência computacional apresentam gradações que não se ajustam facilmente às categorias tradicionais.

Para ilustrar essa complexidade, considere-se dois cenários distintos. No primeiro, um escritor concibe um projeto original, insere comandos detalhados na ferramenta, recebe rascunhos, reescreve passagens, pesquisa fontes, reestrutura capítulos, ajusta tons e assume a condução editorial do produto final, situação na qual a intervenção intelectual humana permanece central. No segundo cenário, uma pessoa solicita à máquina a geração integral de um romance, realiza modificações superficiais e o publica sob sua autoria. Embora ambos utilizem IA, o nível de agência humana e de responsabilidade intelectual é substancialmente díspares.

Conforme evidenciado pela pesquisa de Formosa et al. (2025), o grau de assistência tecnológica interfere diretamente na percepção social sobre atribuição de autoria, mérito e responsabilidade moral. Em âmbito global, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) conduz debates sobre a redefinição de originalidade e proteção patrimonial das criações assistidas por IA. Nesse cenário, cabe ao escritor compreender que o recurso à tecnologia exige discernimento ético: além de indagar se a ferramenta pode executar determinada tarefa, o autor deve perguntar-se sob quais critérios ela deve ser empregada.

9 IA, PLÁGIO E INTEGRIDADE INTELECTUAL

A facilidade com que textos são gerados automaticamente intensifica a exigência de rigor e integridade intelectual. Embora os modelos de linguagem sintetizem textos gramaticalmente corretos e coesos, eles não garantem a veracidade das informações nem a isenção de problemas em relação às bases de dados utilizadas em seu treinamento.

Diante da propensão das ferramentas de IA para gerar alucinações de dados — produzindo citações fictícias, atribuindo declarações a autores inexistentes, distorcendo cronologias históricas ou apresentando conjecturas como fatos comprovados —, a verificação humana rigorosa torna-se uma etapa indispensável.

O escritor não pode abdicar da pesquisa direta e do manuseio de fontes primárias, documentos, literatura acadêmica e dados auditáveis. A integridade intelectual pressupõe que o autor conheça, domine e responda por aquilo que assina. Não basta disponibilizar um texto estilisticamente articulado; é preciso compreender suas premissas, fundamentar suas afirmações e assumir plena responsabilidade ética sobre o conteúdo publicado.

10 A QUESTÃO DA TRANSPARÊNCIA

Outra dimensão central na relação entre literatura e inteligência artificial diz respeito à transparência. À medida que a tecnologia se consolida na cadeia de produção textual, torna-se uma boa prática ética esclarecer o leitor sobre a extensão do uso desses recursos na elaboração da obra.

Longe de depreciar o valor do trabalho, a declaração explícita de uso reflete maturidade intelectual. A utilização de ferramentas para correção gramatical, brainstormings conceituais, estruturação de tópicos, pesquisas preliminares ou versões brutas de tradução não anula a autoria do escritor, desde que o controle crítico permaneça em suas mãos.

A esse respeito, os achados de Formosa et al. (2025) reforçam que a divulgação do uso e do tipo de suporte tecnológico influencia decisivamente na avaliação social e moral do trabalho. A adoção de notas de transparência ou declarações de coautoria técnica pode consolidar-se como um novo padrão editorial, fortalecendo a relação de confiança entre autores, editoras e leitores.

11 O RISCO DA DEPENDÊNCIA TECNOLÓGICA

Como ocorre em toda inovação de grande impacto, o avanço da inteligência artificial na literatura envolve tanto potencialidades quanto riscos significativos, sendo a dependência cognitiva um dos mais críticos. Se o escritor delegar à ferramenta a concepção integral de suas ideias, a construção dos arcos argumentativos, o desenho das personagens e a redação final do texto, ele arrisca comprometer progressivamente sua autonomia e agência criativa.

Sob essa perspectiva, vislumbra-se um cenário em que o autor se converte em mero formulador de comandos (prompt engineer). Nesses termos, a tecnologia deixa de atuar como extensão do intelecto para assumir um papel substitutivo, descaracterizando o ato de escrever enquanto prática eminentemente reflexiva e humana.

Diante dessa ameaça, é imperativo que a escrita permaneça como um exercício intelectual autônomo: cabe ao autor conceber antes de interrogar a máquina, pesquisar criticamente antes de aceitar respostas automatizadas, redigir antes de delegar e revisar minuciosamente antes de publicar. Como defende a UNESCO (2022), a promoção da alfabetização digital e do pensamento crítico é essencial para que os sujeitos compreendam os sistemas de IA e os utilizem de modo consciente. No âmbito literário, essa formação estende-se ao compromisso de empregar a tecnologia de forma analítica e não submissa.

12 A PADRONIZAÇÃO DA LINGUAGEM E O PERIGO DO TEXTO SEM IDENTIDADE

No campo da estética literária, um dos maiores desafios colocados pela IA generativa é a tendência à homogeneização da linguagem. Concebidos para gerar respostas organizadas, claras, coerentes e estatisticamente prováveis, os modelos de linguagem tendem a favorecer a previsibilidade. A literatura, contudo, extrai sua força poética precisamente daquilo que se desvia do padrão e rompe com o esperado.

A liberdade artística manifesta-se na subversão deliberada da norma gramatical, na introdução do termo incomum, na valorização do registro regional, no uso estratégico do silêncio, na ambiguidade calculada, na fragmentação narrativa ou na provocação do desconforto. A literatura não visa à eficiência utilitária; ela pode ser lenta, elíptica, contraditória e desafiadora.

Na medida em que sistemas treinados para a otimização de conteúdo impõem padrões de comunicação polidos e impessoais, cabe ao escritor o discernimento de quando acatar tais convenções ou quando subvertê-las. A autenticidade literária não se esgota no texto formalmente correto, mas reside na capacidade de produzir uma obra esteticamente necessária.

13 A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COMO NOVA FORMA DE COLABORAÇÃO

Sob um prisma propositivo, seria reducionista compreender a Inteligência Artificial exclusivamente como uma ameaça ao fazer literário, haja vista seu potencial como parceira de experimentação criativa. O autor pode recorrer à ferramenta como um espaço de teste para interrogar comportamentos de personagens, explorar conflitos narrativos, mapear contextos históricos, organizar estruturas complexas ou avaliar variações de um argumento.

Nesse processo, o retorno gerado pela IA não precisa ser tomado como solução definitiva, mas como estímulo reflexivo ou provocação dialingual. A ferramenta atua, assim, como uma espécie de “espelho intelectual”: ao receber uma resposta, o escritor a analisa, discorda, reformula e refina suas próprias concepções. O valor do recurso reside no processo dialógico por ele instaurado.

Essa dinâmica aproxima-se das formulações de Uebel e Hamamra (2026) sobre a criatividade distribuída e a responsabilidade relacional. Longe de anular a autoria humana, o uso colaborativo da IA reconfigura o ecossistema criativo, posicionando o escritor em uma nova dimensão de trabalho interativo com a tecnologia.

14 O ESCRITOR COMO CURADOR DO CONHECIMENTO

Diante da capacidade dos sistemas generativos de produzir textos em escala e velocidade sem precedentes, o diferencial do escritor desloca-se da mera capacidade de geração textual para a competência da curadoria intelectual. Em um cenário caracterizado pela superabundância de dados, o autor assume o papel de curador de informações, fontes, ideias, matizes de linguagem e perspectivas teóricas.

Produzir mais conteúdo não equivale a produzir com superioridade qualitativa. Nesse contexto, o valor cultural da literatura passa a residir também no discernimento sobre o que merece ser lido, preservado e interpretado.

Esse movimento reconfigura a atuação de editoras, críticos, educadores e leitores, elevando o escritor à condição de mediador entre a densidade de informações disponíveis e a experiência humana singular. Em vez de disputar produtividade quantitativa com algoritmos, a literatura reafirma sua vocação sintética, concentrando-se no que exige hermenêutica, sensibilidade e atribuição de sentido.

15 O ESCRITOR BRASILEIRO DIANTE DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

No cenário nacional, a discussão sobre inteligência artificial e literatura ganha contornos específicos em razão da vasta pluralidade cultural e linguística do país. Expressa em uma rica diversidade de regiões, sotaques, manifestações populares, memórias e registros idiomáticos, a literatura brasileira recusa a imposição de um padrão linguístico uniforme.

Por um lado, as ferramentas de IA oferecem oportunidades inéditas para ampliar a circulação da literatura nacional no exterior, facilitando processos de tradução, edição digital, adaptação para audiolivros e difusão em plataformas globais. Por outro lado, há o risco iminente de que modelos de linguagem treinados a partir de bases de dados hegemônicas atenuem ou apaguem as marcas de brasilidade e os regionalismos expressivos.

Conforme assinala a UNESCO (2022), o respeito à diversidade cultural e a promoção da inclusão são pilares indispensáveis para a governança ética da IA. Assim, o debate sobre o uso da tecnologia na literatura brasileira ultrapassa as questões de produtividade para alcançar a preservação da memória e da identidade cultural do país.

16 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, LITERATURA E EDUCAÇÃO

A relação entre IA e literatura projeta-se diretamente sobre o campo educacional. Docentes encontram nessas ferramentas recursos para a concepção de atividades de leitura, elaboração de exercícios, análise comparativa de estilos e desenvolvimento de materiais pedagógicos. Estudantes, por sua vez, podem empregá-las para a apreensão de conceitos complexos, organização de itinerários de estudo e exploração de diferentes correntes hermenêuticas.

Contudo, manifesta-se no ambiente escolar o mesmo risco observado no fazer literário: a supressão do esforço intelectual autônomo. O estudante que delega integralmente a redação de um trabalho acadêmico à IA priva-se da experiência formadora da pesquisa, do confronto com as fontes e do exercício da escrita. Da mesma forma, o escritor que terceiriza a sua criação abdica de etapas constitutivas da sua maturação intelectual.

A educação contemporânea enfrenta, assim, o desafio de ensinar o uso instrumental da tecnologia sem negligenciar o desenvolvimento do pensamento crítico. O objetivo pedagógico no século XXI não deve ser a formação de sujeitos aptos apenas a formular comandos para a obtenção de respostas automatizadas, mas a capacitação de indivíduos dotados de rigor analítico para avaliar, questionar e contextualizar o conhecimento produzido pelas máquinas.

17 O FUTURO DO LIVRO

É plausível conceber que a materialidade e o suporte do livro do futuro sofram contínuas transformações. Seja impresso, digital ou híbrido, o livro poderá incorporar elementos multimídia, recursos de tradução simultânea, mecânicas interativas, camadas dinâmicas de leitura e algoritmos de personalização e acessibilidade.

Nada obstante tais mutações técnicas, subsiste uma dimensão invariante na cultura: a necessidade ontológica de narrar. A tecnologia reconfigura o suporte, a velocidade de difusão, os canais de circulação e as formas de interação com o texto, contudo não extingue o impulso humano de estruturar a experiência por meio de histórias.

Trata-se de um continuum histórico. A humanidade narrou ao redor do fogo, grafou memórias em paredes rochosas, registrou pensamentos em papiros e pergaminhos manuscritos, multiplicou ideias com a imprensa, difundiu informações pelo jornalismo, inventou a imagem em movimento com o cinema e a televisão, estruturou redes digitais em blogs e mídias sociais e, no presente, mobiliza a Inteligência Artificial. Os ecossistemas mudam; a busca pelo sentido traduzido em narrativa permanece.

18 O LEITOR NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

As transformações em curso não se restringem ao polo da produção; alcançam de igual modo a recepção e a figura do leitor, que passa a demandar novas competências críticas. Em uma sociedade caracterizada pela hiperprodução e aceleração textual, saber discernir densidade de superficialidade converte-se em um requisito indispensável.

O leitor crítico é incitado a interrogar a gênese do texto: quem o formulou, sob quais condições operacionais, mediante quais fontes bibliográficas e com qual grau de rigor, originalidade e identidade. Tais questionamentos ganham urgência em razão da escala exponencial com que os conteúdos automatizados são postos em circulação. O impasse do futuro não será a carência de textos, mas a saturação de informações e a escassez de síntese.

Nesse cenário de superabundância, a capacidade de leitura reflexiva consolida-se como habilidade essencial. O leitor precisará transitar com discernimento entre produções de autoria estritamente humana, textos assistidos por tecnologia e materiais gerados prioritariamente por algoritmos. A literatura reafirma-se, assim, como um espaço de resistência contra a pasteurização da linguagem e a superficialidade comunicativa.

19 UMA NOVA ÉTICA DA ESCRITA

A consolidação da Inteligência Artificial na cultura textual exige a formulação de uma nova deontologia da escrita, pautada por vetores normativos fundamentais:

  1. Responsabilidade: o autor e o editor devem responder integralmente pelas afirmações e pelo teor do conteúdo publicado;
  2. Transparência: cabe declarar expressamente a extensão e a natureza da assistência tecnológica quando esta for determinante no processo de criação;
  3. Verificação: as informações sintetizadas por sistemas de IA devem ser submetidas a criteriosa checagem e cotejo com fontes primárias auditáveis;
  4. Preservação da Autoria: o escritor deve assegurar o primado de sua agência intelectual, impedindo a anulação de sua voz e de sua identidade criativa;
  5. Proteção aos Direitos Autorais: o uso de modelos generativos deve respeitar as normativas jurídicas no que tange ao uso de obras protegidas em bases de treinamento e ao reconhecimento da propriedade intelectual;
  6. Supervisão Humana (Human-in-the-Loop): a decisão final e o controle crítico sobre o produto cultural devem permanecer sob a égide do julgamento humano.

Conforme postula a UNESCO (2022), responsabilidade, transparência, explicabilidade e supervisão humana constituem as premissas para a governança dos ecossistemas digitais. Transpostos para o campo literário, tais princípios erigem a base de uma ética da escrita compatível com as exigências da era digital.

20 ENTRE A MÁQUINA E O HUMANO: O QUE SIGNIFICA SER ESCRITOR?

A indagação determinante na contemporaneidade ultrapassa a pergunta sobre a capacidade de a IA vir a substituir o autor. Consiste, fundamentalmente, em delimitar o que significa ser escritor em um contexto no qual sistemas automatizados também produzem textos de elevada correção sintática.

O fazer literário jamais se reduziu à simples montagem sequencial de palavras. Ser escritor implica escolher vocábulos com intencionalidade estética, sustentar uma visão de mundo, converter vivência existencial em linguagem, assumir posições diante do presente, construir memória e conceber personagens capazes de iluminar os meandros da condição humana.

A Inteligência Artificial pode gerar volumes massivos de páginas em fração de segundos, contudo quantidade não se confunde com relevância literária; o volume de uma biblioteca não garante a existência de uma obra-prima. A literatura realiza-se quando a linguagem estabelece uma conexão viva e dotada de sentido entre autor, texto e leitor. O desafio premente do escritor contemporâneo não é rivalizar com a velocidade e a escala dos algoritmos, mas resguardar a densidade do que torna sua escrita humanamente singular. A máquina pode produzir; o escritor precisa significar.

21 O ESCRITOR DO FUTURO: AUTOR, PESQUISADOR E TECNÓLOGO

O perfil do escritor do futuro delineia-se a partir de um conjunto multifacetado de competências. Exigir-se-á dele a compreensão dos ambientes digitais, o domínio dos fundamentos da inteligência artificial, a habilidade de formulação estratégica de comandos, o rigor na verificação de dados, a consciência dos marcos regulatórios de direitos autorais e a navegação fluida em plataformas de difusão cultural.

Esse letramento tecnológico, todavia, não pode prescindir das faculdades que historicamente fundamentam o ato criativo: a leitura acumulada, a observação do cotidiano, a reflexão filosófica, a imaginação, a sensibilidade poética, o apuro estilístico, a capacidade crítica e a vivência da experiência humana.

A tecnologia estende os horizontes operacionais e o alcance do escritor, mas não substitui o conteúdo de sua consciência. O futuro demandará um autor tecnicamente proficiente, sem que isso implique o arrefecimento de sua dimensão humana. Pelo contrário: quanto maior a presença da tecnologia na mediação cultural, mais indispensável se fará a afirmação da humanidade na literatura.

22 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Inteligência Artificial representa uma das transformações tecnológicas mais profundas do nosso tempo, reconfigurando irreversivelmente o universo da literatura. A capacidade dos modelos generativos de produzir textos, auxiliar em pesquisas, organizar ideias, revisar conteúdos, traduzir obras e propor experimentações linguísticas coloca à disposição do autor instrumentos sem precedentes.

A adoção dessas ferramentas, contudo, não se confunde com a abdicação da responsabilidade autoral. A literatura é essencialmente mais do que uma estrutura de linguagem bem articulada: trata-se da experiência humana traduzida em palavra, carregada de memória, imaginação, interpretação, sensibilidade, identidade e visão de mundo. Por essa razão, a Inteligência Artificial deve ser compreendida como um recurso de ampliação das capacidades intelectuais do escritor, e não como um elemento de substituição da criatividade.

O escritor contemporâneo é desafiado a utilizar a tecnologia de forma crítica e não submissa. Cabe-lhe saber acolher ou rejeitar sugestões algorítmicas, verificar a veracidade das informações, preservar a singularidade de sua voz, respeitar os marcos de direitos autorais e assumir a responsabilidade final pelo texto que assina. O dilema atual não consiste em tentar impedir a inserção da Inteligência Artificial no campo da arte, mas em edificar uma relação ética, analítica e criativa entre o ser humano e a técnica.

Nesse novo paradigma, a autoria adquire contornos mais complexos e relacionais. Conforme aponta a literatura acadêmica contemporânea, sobressai uma concepção de criatividade distribuída, em que diferentes ferramentas e agentes participam da elaboração do texto, sem que isso exima a liderança e a responsabilidade ético-intelectual do autor. O escritor do futuro continuará a mobilizar a IA do mesmo modo que autores de outras épocas incorporaram a imprensa, a máquina de escrever ou a edição digital.

A verdadeira distinção do fazer literário reside naquilo que não se converte em mero comando de programação: a capacidade humana de vivenciar a realidade e transformar essa vivência em significado.

A máquina pode produzir palavras; o ser humano produz histórias. A máquina combina informações; o ser humano interpreta o mundo. A máquina simula estilos; o escritor constrói uma voz. A máquina gera narrativas; o escritor lhes confere sentido.

A literatura, portanto, não exige uma escolha excludente entre a criatividade humana e a tecnologia; ao contrário, pode colocar o recurso técnico a serviço da potência inventiva. O futuro da literatura delineia-se não como um embate entre o homem e a máquina, mas como uma oportunidade de ressignificar o ato de criar, escrever e ser autor. Em última análise, a grande lição da era da Inteligência Artificial é que, quanto mais sofisticada e presente se torna a tecnologia, mais indispensável é o compromisso do ser humano com a sua própria humanidade.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1998. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm. Acesso em: 4 set. 2026.

FORMOSA, Paul; BANKINS, Sarah; MATULIONYTE, Rita et al. Can ChatGPT be an author? Generative AI creative writing assistance and perceptions of authorship, creatorship, responsibility, and disclosure. AI & Society, v. 40, p. 3405-3417, 2025. DOI: https://doi.org/10.1007/s00146-024-02081-0.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999.

MAZZI, Francesca. Authorship in artificial intelligence-generated works: exploring originality in text prompts and artificial intelligence outputs through philosophical foundations of copyright and collage protection. The Journal of World Intellectual Property, v. 27, p. 120-145, 2024. DOI: https://doi.org/10.1111/jwip.12310.

ROLAND, Edwin; SO, Richard Jean; LONG, Hoyt. The social AI author: modeling creativity and distinction in simulated cultural fields. AI & Society, v. 41, p. 4333-4347, 2026. DOI: https://doi.org/10.1007/s00146-025-02790-0.

SANTAELLA, Lucia. Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003.

UEBEL, Michael; HAMAMRA, Bilal. Authorship after generative AI: distributed creativity and relational responsibility. Philosophy & Technology, v. 39, art. 152, 2026. DOI: https://doi.org/10.1007/s13347-026-01170-w.

UNESCO. Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial. Paris: UNESCO, 2022. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000381137_por. Acesso em: 4 set. 2026.

WIPO – WORLD INTELLECTUAL PROPERTY ORGANIZATION. Artificial Intelligence and Intellectual Property. Geneva: WIPO, 2024. Disponível em: https://www.wipo.int/en/web/frontier-technologies/artificial-intelligence. Acesso em: 4 set. 2026.

WIPO – WORLD INTELLECTUAL PROPERTY ORGANIZATION. Generative AI: WIPO Conversation, IP and Frontier Technologies. Geneva: WIPO, 2024. Disponível em: https://www.wipo.int/publications/en/details.jsp?id=4750. Acesso em: 4 set. 2026.

Alexandre Rurikovich Carvalho

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Félix Nicolau

Entrevista com o escritor e professor universitário romeno
Félix Nicolau

Logo da seção Entrevistas ROLianas
Logo da seção Entrevistas ROLianas

“Um intelectual está aberto a um debate totalmente livre e pronuncia-se
contra a censura”. (Félix Nicolau)

Professor Felix Nicolau - Arquivo pessoal
Professor Felix Nicolau – Arquivo pessoal

Caros amigos do Jornal Cultural ROL, e´ com grande prazer que vos apresento Félix Nicolau, um erudito e uma das personalidades da literatura romena contemporânea, com uma carreira complexa e multifacetada que combina, com naturalidade, a criação literária, a reflexão crítica e a atividade académica. 

Licenciado em Filologia e Filosofia, obteve o título de Doutor em Filologia em 2003, com uma tese de literatura comparada. A sua estreia editorial ocorreu em 1996 com o livro de poesia Ascultând cerurile, publicado na revista Arca de Arad, marcando o início de uma atividade literária prolífica e diversificada. 

É membro da União dos Escritores da Romênia e colabora com numerosas revistas literárias e científicas, tanto nacionais como estrangeiras.  

Ao longo do tempo, Felix Nicolau publicou uma obra rica que inclui poesia (quatro volumes), prosa (dois romances) e ensaios e crítica literária (nove livros). 

No domínio da poesia, obras como Kamceatka, Time is Honey (2014), Bach, manele & kostel (2003), Salonul de invenții (2002) e Cucerirea râsului (1996) revelam um poeta preocupado com o jogo semântico, a ironia cultural e a expressão lúdica.

No que se refere à prosa, os romances Tandru și rece (2007) e Pe mâna femeilor (2011) são exemplos do seu interesse pela exploração das relações interpessoais e dos paradigmas socioculturais do espaço pós-moderno romeno. 

No domínio da crítica literária e da teoria cultural, Nicolau publicou vários volumes de ensaios e estudos que refletem profundas preocupações teóricas. Entre as suas obras de referência, destacam-se: Homo Imprudens (2006), Anticanonice (2009), Codul lui Eminescu (2010), Estetica umană: de la postmodernism la Facebook (2013) e os volumes de 2014: Cultural Communication: Approaches to Modernity and Postmodernity e Comunicare și creativitate. Interpretarea textului contemporan e Take the Floor. Professional Communication: Theoretical Contextualization. Mais recentemente, Nicolau publicou Istoria nucleară a culturii. Cuante hermeneutice (2021) e Știința minciunii responsabile. Tratat de embolii culturale (2024), no qual aborda temas atuais relacionados com a hermenêutica, a identidade e o discurso cultural na era digital.

Além da paixão pela escrita e pela crítica, Felix Nicolau é um professor universitário dedicado e respeitado. Leciona literatura, comunicação e estudos culturais em diversas instituições académicas, nomeadamente como professor convidado do Instituto da Língua Romena (ILR) na Universidade Complutense de Madrid e na Universidade de Granada, como professor na Universidade Técnica de Construções Civis de Bucareste, na Roménia, e como professor convidado na Universidade de Lund, na Suécia.

Além disso, é afiliado à Escola de Doutoramento em Filologia da Universidade “1 de Dezembro de 1918” de Alba Iulia, na Roménia, onde contribui para a formação de investigadores nas áreas da literatura e da comunicação.

A obra e a atividade de Felix Nicolau inserem-se nos debates contemporâneos sobre literatura e cultura, dado que o autor participa ativamente na vida jornalística e académica, tanto romena como internacional, colaborando com publicações como o Swedish Journal of Romanian Studies, a Littera Nova ou a Bucovina literară.

Através das suas abordagens teóricas, ensaísticas e criativas, Felix Nicolau procura conferir clareza e profundidade ao discurso literário, explorando simultaneamente as dimensões hermenêuticas, culturais e comunicativas da arte e da sociedade.

Rhea Cristina: Conhece e fala sete línguas estrangeiras: inglês, italiano, francês, espanhol, alemão, português e sueco. O que o levou a estudar português? O que representam para si o Brasil e a América do Sul em geral?

Felix Nicolau: Há muitos anos, frequentei cursos de língua e cultura portuguesas na embaixada do Brasil em Bucareste. Com certeza irei frequentar um novo curso num instituto para atualizar os meus conhecimentos da língua. Por isso, conheço melhor o português do Brasil, que, aliás, tem uma pronúncia mais clara. 

Sempre me interessei pela cultura de expressão portuguesa, devido à sua vastidão temporal e espacial. O Brasil e a América do Sul são um caldeirão de culturas que não se pode deixar de conhecer. E como nós, romenos, também usamos uma língua neolatina, seria uma pena não aceder ao original do que as culturas de expressão portuguesa têm para oferecer.

Rhea Cristina: O que significam para si as palavras «história», «identidade» e «memória individual e coletiva»? 

Felix Nicolau: São conceitos essenciais para o ser humano. Por exemplo, não basta uma pessoa falar com um certo grau de correção a língua portuguesa ou a língua romena para se poder dizer que é brasileira ou romena. A identidade, que inclui os tipos de memória, significa conhecer a história sem distorções, as tradições e a cultura em causa. Sem isso, ninguém pode assumir uma identidade específica. 

Pelo contrário, se um estrangeiro aprender bem essas coisas, então torna-se mais nativo do que um habitante local que não se esforça para desenvolver a sua identidade. Portanto, a identidade conquista-se, não é algo que se tenha por direito. É em vão que muitos se gabam de ter nascido num determinado lugar. Podiam ter nascido noutro qualquer lugar. 

A falta de pensamento crítico e os automatismos são pragas da humanidade que só podem ser curadas através da exposição à cultura autêntica. No entanto, isso está a tornar-se cada vez mais difícil, pois a educação está cada vez mais diluída. Especialmente para se obter o ser humano globalizado, o homem de plasticina.

Rhea Cristina: Durante os 50 anos de totalitarismo, a Europa de Leste produziu apenas cultura de propaganda? A cultura da Europa de Leste submeteu-se totalmente aos cânones da ideologia oficial? Que ensinamentos sobre os valores do ser humano nos legou essa cultura?

Felix Nicolau: …De modo algum. É verdade, porém, que apenas a cultura alinhada com o sistema comunista foi promovida. Além disso, era mesmo perigoso produzir cultura não alinhada. Muitos acabaram na prisão, foram mortos ou perderam o estatuto social por causa disso. Em suma, apenas os fanáticos, os idiotas e os oportunistas se submeteram aos cânones da cultura oficial. 

A verdadeira cultura, a não alinhada, revelou o lado absurdo, ou mesmo feroz, do mundo. Não existe uma cultura do Leste europeu, mas sim várias. Os romenos promovem criações com um toque folclórico, mas também o absurdo e as vanguardas. Os checos têm um sentido de humor ingênuo-absurdo no cinema. Os húngaros têm uma inclinação para o absurdo sofisticado e para uma visão romântica e misteriosa. E assim sucessivamente. São povos com matrizes culturais semelhantes, mas também diferentes. 

Daí os frequentes conflitos e a incapacidade de estabelecer uma aliança político-militar-econômica em toda a região. Isso diz muito sobre as diferenças.

Rhea Cristina: Num mundo com grandes mudanças geopolíticas, como o atual, qual é ou qual deveria ser o papel da cultura a nível mundial? Que importância tem a cultura europeia? E a literatura sul-americana? 

Felix Nicolau: A cultura tem, como sempre, um papel duplo: preservar identidades e tradições elevadas, não bárbaras, e construir pontes interculturais. Não é uma tarefa fácil e, infelizmente, muitos promotores culturais têm um domínio limitado da cultura, limitando-se a procurar um lugar confortável em diversas instituições e projetos. Além disso, há muitos projetos supostamente culturais, mas centrados em aspectos da moda e ideologizados que, na verdade, não contribuem em nada para a vida cultural. 

A literatura sul-americana tem um papel especial precisamente devido à cultura de onde provém. Como se sabe, esta literatura abordou, com meios estilísticos espetaculares, temas relacionados com a ditadura e o autoritarismo. Afinal, é isso que a literatura deve fazer: propor novas formas narrativas e desenvolver a humanidade, expondo temas e situações de forma desideologizada. Não impor uma única forma de leitura.

Rhea Cristina: Qual é, atualmente, o estatuto do escritor, filósofo e tradutor no espaço cultural europeu e mundial? 

Felix Nicolau: Existem diferenças significativas entre estas três figuras. O escritor tornou-se um pilar da sociedade do espetáculo e um crítico desta, apenas na medida em que não é movido pelo desejo de receber prêmios. Refiro-me aos escritores representativos, aqueles que são apoiados pelos sistemas. No entanto, também existem escritores livres que não se deixam condicionar pelas relações comerciais em busca do sucesso. 

Ultimamente, os filósofos representativos têm recuperado a vantagem perdida face aos escritores. Surgem filósofos-influenciadores que dão conselhos, sobretudo, sobre a felicidade. Quanto aos tradutores, tinham alcançado um certo nível de respeitabilidade, sobretudo sob a pressão dos estudos de tradução. No entanto, a explosão de programas baseados em inteligência artificial irá reduzir a sua contribuição. Ficarão muito poucos tradutores, que se dedicarão mais a aperfeiçoar as traduções feitas com IA. 

Porém, os escritores também começaram a criar textos de forma pós-algorítmica com a ajuda da IA, embora poucos o reconheçam. De qualquer forma, um artista define-se pela liberdade na sua arte. Enquanto o artista se preocupar em incorporar a correção política do momento no seu processo criativo, a sua arte estará morta a nível ontológico. Por mais prêmios que receba.

Rhea Christina: Que tipo de intelectual existe atualmente na Europa e na cultura sul-americana? Estão presentes na cena cultural mundial?

Felix Nicolau: Na minha opinião, um intelectual não é apenas um especialista ou um homem de cultura pago pelo Sistema. O intelectual é alguém que está genuinamente em busca da verdade, com espírito crítico, e que se esforça por acumular informação de tantos domínios quanto possível. Essa informação é depois integrada no seu sistema cultural com base em critérios de valor, e não em função de ofertas e oportunidades. 

Um intelectual está aberto a um debate totalmente livre e pronuncia-se contra a censura. Poderia dizer que uma pessoa amplamente aceite pelo Sistema e multipremiada não pode, de forma alguma, ser um intelectual. A função do intelectual consiste, acima de tudo, em lutar pela decência e pelos direitos, e não em alinhar com os diversos discursos do poder. Da mesma forma, um intelectual esforça-se por construir a sua cultura através de várias línguas estrangeiras. 

A verdade é que esta condição humana é extremamente rara e, na maioria dos casos, é marginalizada. A história mostra-nos que a espécie humana não gosta de jogos justos e baseados em regras. Desde sempre que os sistemas têm influenciado o resultado do jogo e da competição. O mundo poderia ter sido um paraíso para todos, mas está longe disso. 

O mito do robô que libertará o homem do trabalho e lhe permitirá dedicar-se à construção cultural não passa de um mito. A proliferação dos robôs empurra o homem verdadeiramente trabalhador, que não usufrui de diversos privilégios imerecidos, para fora do panorama, tornando-o inútil e dispensável. É uma perspetiva sombria, nada intelectual.

Rhea Cristina: Qual é a sua mensagem para a comunidade romena no Brasil e para a comunidade cultural brasileira?  

Felix Nicolau: Uma mensagem de coragem e abertura cultural, ou seja, de esforço intelectual contínuo, de acumulação e interpretação. Não nos limitemos à superfície das culturas; estudemos com energia durante toda a vida. Só assim as culturas podem permanecer verdadeiramente vivas e não se transformar em mecanismos festivos para a promoção de diversos funcionários. 

Lutem pela verdade e não se deixem levar apenas pelos influenciadores culturais. Procurem os verdadeiros sábios. Pensem, portanto, na vitória e na alegria.

Uma entrevista realizada por Rhea Cristina. Qualquer uso do conteúdo desta entrevista implica citar a fonte e requer o consentimento prévio por escrito de Rhea Cristina. 

Todos los derechos reservados © Rhea Cristina, www.cristinarhea.wordpress.com

Rhea Cristina

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Jornal ROL homenageia o poeta, escritor e compositor folclorista Francisco Garbosi

Francisco Garbosi, folião de Reis desde criança, também é atuante como mestre embaixador desde 1961



O jornal Cultural ROL, reconhecido internacionalmente por sua relevância como disseminador da cultura, homenageia o escritor, poeta e folclorista mineiro Francisco Garbosi, que, ainda hoje, aos 84 anos, faz questão de mostrar seu primoroso trabalho em prol da cultura, especialmente em relação a uma das festas populares mais comemoradas da história do folclore brasileiro, a ‘Folia de Reis‘, uma festa de caráter religioso realizada entre o período do Natal até o Dia de Reis, em 6 de janeiro.

Um eterno folião

Nascido em 1º de janeiro de 1939 em Paraguaçu-MG, filho de Ângelo Garbosi e Geralda Francisca de Jesus. Frequentou a escola mista rural do bairro Aparecida, em Tapiratiba – SP. Em 1950 mudou para o município de Londrina, onde trabalhou nas lavouras de café e em 1972 veio para a cidade, onde trabalhou na empresa Viação Garcia como cobrador; na empresa de Transportes Coletivos Grande Londrina, como cobrador, fiscal e despachante de tráfego e na empresa Colégio Maxi, como segurança patrimonial noturna. É casado desde 20 de setembro de 1961, pai de 4 filhos, 8 netos e 4 bisnetos. É poeta, compositor e folclorista, como folião de Reis desde criança, mas como mestre Embaixador desde 1961 e em 1989 formou o grupo Mensageiros da Paz Londrina PR, que mantém atual até hoje.

Francisco é autor de várias obras literárias e considerado um dos mais antigos folião. Traz consigo a tradição desde a infância, e hoje, aos 84 anos, ainda encanta a todos com seu talento e disposição.

No dia 10/05/2023, entrevistamos Francisco, no programa Ver-arte, que aexibido toda quarta-feira, às 20h, pelo Intagram.

Link da entrevista: https://www.instagram.com/tv/CsFPCRvBKOO/?igshid=MTc4MmM1YmI2Ng==

Instagram do autor: https://instagram.com/franciscogarbosi?igshid=MzRlODBiNWFlZA==

A Folia dos Reis

Ariano Suassuna com Francisco Garbosi – Jornal Folha Norte 2006 Londrina-PR

Na Folia de Reis, grupos organizados de pessoas saem pelas ruas da cidade, visitando as casas e tocando músicas populares e entoando cânticos bíblicos em homenagem aos reis magos e ao nascimento de Jesus. Com os músicos, vão pessoas vestidas com roupas de personagens ligados ao tema da festa.

Alguns aspectos tradicionais da Folia de Reis foram trazidos para o Brasil no final do período colonial (provavelmente no começo do século XIX), pelos portugueses. Porém, de acordo com estudiosos da cultura popular, esta festa tem sua origem na Espanha.

A porta de entrada foi o nordeste brasileiro. Porém, em nosso país, a Folia de Reis ganhou traços culturais particulares, incorporando aspectos da cultura brasileira. Um destes exemplos está presente na música, com a presença das batidas típicas dos tambores africanos.

Vale dizer também que a Folia de Reis possui traços particulares em cada região do Brasil, inclusive, em Minas Gerais, terra do escritor e folclorista, que conheceu pessoalmente grandes nomes da literatura, a exemplo do escritor Ariano Suassuna, pelo qual tem grande carinho e admiração.

Livros de Francisco Garbosi

               




J. H. Martins, um escritor carioca que veio para ficar!

J. H. Martins

Da engenharia de software para as letras, a competência de quem tem o que escrever

José Henriques Martins, ou J. H. Martins, como assina seus textos, natural do Rio de Janeiro/RJ, 59 anos, é filho de portugueses, casado, e tem três filhos e dois netos.

Profissionalmente, é pós-graduado em engenharia de software e trabalha como consultor da Tecnologia da Informação (TI) há mais de três décadas, o que o levou a conhecer diversas cidades brasileiras e vários países pelo mundo, oportunidades que enriqueceram sua alma de escritor.

Lançou sua primeira obra em 29 de maio de 2022, com o romance, Nath: A Jornada do Despertar, um livro voltado para o público adolescente que remete à própria adolescência, no período do ensino médio. O livro é o primeiro da trilogia Nath, que, segundo o autor, nasceu em 2007, em um sonho, quando tinha 44 anos, mas só postou alguns capítulos em 2009, em uma ferramenta de autores na internet. Os capítulos se mostraram um sucesso imediato, motivando-o a escrever mais capítulos. Devido ao trabalho, contudo, necessitou atrasar esse sonho até novembro de 2021.

Feito um rastilho de pólvora, as conquistas de J. H. Martins, no período de maio a dezembro de 2022, foram surpreendentes:

  • Escreveu e lançou seu primeiro romance, Nath: A Jornada do Despertar
  • Posses acadêmicas:
    • Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (FEBACLA) – RJ-Brasil – Acadêmico Internacional, assumindo a Cadeira n◦ 218;
    • Academia Intercontinental de Artistas e Poetas (AIAP) – PR-Brasil – Acadêmico de Honra, ocupando a Cadeira n◦ 984;
    • Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB) – Nova York-EUA – Membro da Academia;
    • Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal (NALAP) – Leiria-Portugal – Membro;
    • Organização Mundial dos Defensores dos Direitos Humanos (OMDDH) – RJ-Brasil, ocupando a cadeira Internacional nº. 81 como Embaixador Imortal da Paz da OMDDH;
  • Outorga de Comendas:
    • Comenda Brava Gente Brasileira;
    • Comenda Láurea Acadêmica Qualidade Ouro;
    • Comenda Ativista da Cultura Nacional;
    • Comenda Mérito Literário Gonçalves Dias;
  • Títulos outorgados:
    • Doutor Honoris Causa em Literatura;
    • Destaque Cultural 2022;
    • Mérito Nacional da Cultura Brasileira “Tributo à Memória de Ruy Barbosa pelo dia do seu Nascimento”;
    • Destaque Social 2022;
    • Embaixador da Paz;
  • Homenagens
    • Medalha Comemorativa Alusiva ao Bicentenário da Independência do Brasil;
    • O Prato Dourado em Homenagem Alusiva ao Bicentenário da Independência do Brasil;
    • Medalha Alusiva aos 10 anos da FEBACLA;
  • Coautor de Cinco Antologias:
    • 100 anos da semana de arte moderna;
    • Tributo aos Grandes nomes da literatura Universal;
    • Um Brinde de Natal;
    • Ano Novo chegou e agora?
    • Poesias sobre Tela;
  • Participou do Livro “Rimas – Versas em Bardos”, da Umanos Editora, com cinco poesias;
  • Premiações:
    • 1º lugar no prêmio 20 destaques literários na categoria Romance, com o livro Nath: A Jornada do Despertar;
    • TOP 10 da Influencer @CEMLIVROS. O livro Nath: A Jornada do Despertar, ficou em 8º lugar no TOP 10 entre 103 livros lidos e avaliados pela influencer Natália Balbina (@cemlivros) ;
    • 4º lugar no Prêmio Fanzine de Literatura com sua poesia “Solidão não desejada”;
    • Prêmio Caneta de ouro, como destaque literário do ano de 2022, da FEBACLA;
    • Concurso “Desafio Poético” da Revista The Bard, edição de Novembro e Dezembro de 2022, onde o escritor participou com o poema “Perfeitamente Minha”, conquistando o 3º lugar;
  • Foi convidado para ser colunista do Jornal Cultural ROL;
  • Na mídia:
    • Entrevista no Podcast do programa “Do livro que não me livro” com escritora e influencer Monique Machado;
    • “Entrevista com escritor”, com a Natália Balbina, influencer literária da Cem Livros;
    • Programa “Book Box”, da Focus Brasil em Nova York, E.U.A., programa apresentado por Marcos Rossi;
    • Entrevista no programa “Ver Arte”, com Verônica Moreira, da Academia Cruzeirense de Letras (ACL).
  1. H. Martins, definitivamente, é um escritor que já está inscrevendo seu nome nos anais da Literatura Brasileira!

Para conhecer mais o escritor J. H. Martins, siga-o na rede social Instagram, no link https://www.instagram.com/j.h.martins_oficial/ , ou em seu blog pessoal  https://jhmartins-oficial.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




Ana Beatriz Brandão ensina como ser um escritor de sucesso

Literatura: 25 mil exemplares e as dicas de ouro

 “Quem quer ser um escritor?” 

 

A jovem autora de sucesso Ana Beatriz Brandão está animada com a sua nova série no youtube em que conta algumas estratégias imperdíveis para os aspirantes a escritor. É uma luz no fim do túnel! Abaixo algumas dicas da escritora que vendeu com 19 anos 25 mil cópias e tem duas obras em fase de pré-produção para se tornar filme nacional!
Não é só paixão, não é só português e não é só criatividade. Para ingressar no mercado literário, o aspirante tem que pensar em tudo! Desde a primeira ideia do livro, até a distribuição, marketing, enfim, todo o processo!

Ana Beatriz Brandão, apesar de construir sua carreira de forma despretensiosa no início, tem cinco anos de estrada e conquistas memoráveis como 25 mil livros vendidos, cinco obras publicadas e uma adaptação para o cinema, que está em andamento.

A jovem autora faz questão de ver o mercado cada vez mais cheio de bons livros nas prateleiras e autores felizes, por isso, resolveu em seu canal de Youtube, fazer a série “Quero ser escritor”. Nos vídeos a Ana Beatriz mostra pontos muito importantes para iniciar essa jornada, como editorial, divulgação, escrita, entre outras.

Lá vai algumas delas:

– Livro é um produto – deixe fluir a escrita, ame o momento, mas venda-o como um produto.

– Copidesque – leia e releia, não só pela ortografia, mas para não esquecer de responder algumas perguntas e para que os detalhes não fiquem sem respostas, além disso, corrigir conteúdos que escreveu no calor da emoção, mas não encaixou muito bem na história.

– Leitoras Betas – ajudam a corrigir as falhas e, também, na revisão da gramática.

– Contrate um revisor – ele não estará com a mente viciada na leitura.

– Pesquise formas de publicação, pode ser independente, colocar na Amazon, uma gráfica, afinal, não existe só a editora.

– Clichês… Não tenha medo dos clichês.

– Faça parceria com blogs. Eles são muito importantes! Têm público fiel e fazem resenhas maravilhosas.

 

Corre lá para ver! Youtube: Ana Beatriz Brandão

 

Sobre a autora: Com cinco anos já era uma ávida leitora, aos treze iniciava uma jornada cercada de magia junto aos seus personagens e atualmente, com dezoito anos, já publicou cinco livros e embarca na forte emoção de acompanhar o filme baseado em seus dois best-sellers, O Garoto do Cachecol Vermelho e A Garota das Sapatilhas Brancas. Targaryen, potterhead, narniana, semideusa e tributo, Ana Beatriz Brandão vive intensas aventuras todos os dias e celebra suas publicações, desde a mais recente obra Sob a Luz da Escuridão, até aquela que pela primeira vez cativou o público, Sombra de um Anjo. Não esquece as emoções vivenciadas em Caçadores de Almas que também tem um valor inestimável à jovem escritora. Seu maior sonho é poder continuar contando suas histórias para todos aqueles que, assim como ela, acreditam que os livros são a melhor forma de tocar o coração das pessoas e mudar suas vidas.