A casa e exílio

Ella Dominici: Poema ‘A casa e exílio’

Ella Dominici
Ella Dominici
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Há em mim a casa e o exílio.
A casa é um rumor de água antiga
correndo dentro do nome que me deram.

É o cheiro do pão invisível
que a memória ainda assa
nas cozinhas do afeto.

Casa é onde o olhar repousa
e não precisa explicar-se.
É quando a alma se despe
e o silêncio não constrange.

Mas o exílio —
ah, o exílio —
é quando o olhar não se reconhece
no espelho das horas.

Quando caminho entre rostos familiares
como quem atravessa um país
cuja língua desaprendeu.

Exílio é essa delicada estrangeiridade
de existir demais.
É sentir o mundo por dentro
enquanto o mundo me quer superfície.
E, no entanto…não os renego

Ella Dominici

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Anatomia das vivas ondas!

Ella Dominici: Poema ‘Anatomia das vivas ondas!’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA do Bing - 27 de junho de 2025, às 15:22 PM
Imagem criada por IA do Bing – 27 de junho de 2025,
às 15:22 PM

De um exílio entre o mar e o céu
sendo o pisar em estrela, maré de areia,
do outro lado, ilha ensolarada em véus do nada

Nua como um dia que engatinha a vida

Entre o ser das rochas, alto e decidido
ao mínimo de mim, conceito dividido
no engolir dunas pela boca sedenta

Desolada figura, símbolo da existência

Revendo sempre como nascem vagas,
crescem
quase imortalizado o tempo nas alturas,
arrebentam

renascem no ínfimo tamanho de uma bolha, alongada
desenhando um mapa em água

Nem mesmo em dor consigo compreendê-la, vaga
efêmera se desmancha como num parto de uma fêmea

minuciosamente diz num beijo um louco amor, alada
cavalga como uma amazona reclusa nas
montanhas

na liberdade do levantar de saias por movidas brisas

Diálogo com ímpeto aquoso

Traduza o sentimento do pavor, do ímpeto
do mar que movimenta forte e lento,
sem demonstrar o verdadeiro encanto

Traduza onda que canta no marulho
como criança antiga empertigada
desesperando a noite que engasgada

fenece em teu abraço disfarçada
O que sei de mim se sou das águas
onda, corpo, sinuosamente escuma,
sendo enfim terra no indelével plano,

do exílio entre o mar e minha voz exígua ,
o que sei de mim, em terra de escolhas,
olhando a querer céu de Estrela Única.

Ella Domicini

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