A civilização ocidental

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘A civilização ocidental, precursora
dos direitos humanos’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
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Indiscutivelmente que os Direitos Humanos pressupõem valores que a Sociedade Organizada e convencionada procura respeitar, destacando-se, qualquer que seja a sua perspectiva, a liberdade, isto é: consideremos a liberdade de expressão, a liberdade de religião, a liberdade de educar. 

A civilização ocidental, neste domínio, tem sido pioneira, aliás, poderá parecer um lugar-comum afirmar que: «o ocidente foi fundado por dois acidentes históricos, o milagre grego e o cristianismo. Podemos expressar isto com a palavra “sorte” porque estes fenómenos não foram planeadamente criados, simplesmente surgiram.» (PEREIRA, 1993:175).

A título informativo, permita-se-me, numa interpretação, certamente criticável, à Epistemologia de Popper que explicita, a partir da intuição sociológica, alguns valores, sendo a ideia de liberdade um conceito ético, ligado à tradição racionalista grega, e, assim, teríamos: uma relação entre realismo enquanto pressuposto importante; e racionalismo enquanto atitude de repercussões éticas e gnosiológicas. Os valores liberais estão assim relacionados com a Gnosiologia popperiana, que se insere na tradição ocidental, que articula o altruísmo e o individualismo, numa realidade que o ser humano não consegue disfarçar.

Na sua fundamentação implícita dos valores, Popper, a partir do dualismo crítico: Racionalismo-Irracionalismo, deixa-nos a ideia de que é impossível a redução de normas a factos, porque a opção por determinadas normas é sempre uma decisão humana.

Na verdade: «Popper não afirma que o irracionalismo esteja errado na sua ênfase, na passionalidade fundamental da natureza humana (…) já que essa irracionalidade deixaria em aberto um vasto campo para a utilização da violência como critério de resolução de conflitos. Mesmo que partíssemos do postulado de que o impulso básico da natureza humana é o amor, esta emoção não resolveria questões políticas, pois ninguém pode amar no abstracto. Tal emoção tenderia a dividir os homens entre aqueles que amamos e aqueles a quem não amamos, ou seja, teremos uma ameaça ao igualitarismo político. Esta afirmação não deve ser interpretada, como uma crítica à ética fundada no amor, mas apenas que tal emoção não conduz à imparcialidade e nem faculta a possibilidade de resolução racional de problemas.» (Ibid.:166-67).

BIBLIOGRAFIA

PEREIRA, Júlio César Rodrigues, (1993). Epistemologia e Liberalismo: (uma introdução à Filosofia de Karl R. Popper). PUC/RS, Porto Alegre/RS, Edipucrs

POPPER, Karl R, (1992). Em Busca de um Mundo Melhor, 3a Ed. Trad. Teresa Curvelo. Lisboa: Editorial Fragmentos.

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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