Poeta Gonçalves Viana é agraciado pela FEBACLA com Títulos e Medalha
Aos 77 anos de idade, o poeta Gonçalves Viana mostra-se um jovem enamorado pela vida!
Um justo reconhecimento
Diante de uma semeadura longa e laboriosa na seara da literatura, e por indicação do professor, escritor, poeta e historiador Carlos Carvalho Cavalheiro, recentemente o poeta Aparecido Gonçalves Viana, ou Gonçalves Viana, como é mais conhecido no meio literário, teve um reconhecimento advindo da mais alta entidade representante de acadêmicos em âmbito nacional, a FEBACLA – Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes, sob a presidência de S.A.R.IPríncipe Dom Alexandre da Silva Camêlo RurikovichCarvalho: a COMENDA DO MÉRITO HISTÓRICO D. JOÃO VI, bem como o PRÊMIO DESTAQUE DO ANO 2021!
A Comenda do Mérito Histórico D. João VI foi outorgada em reconhecimento dos atos meritórios, culturais, cívicos e sociais, concorrendo para a integração e engrandecimento da Cultura Nacional. E o Prêmio Destaque do Ano 2021, em reconhecimento de consagração pública, pela excelência e qualidade de atuação com destaque e credibilidade no cenário nacional.
Viana, ao lado do escritor e poeta Carlos Carvalho Cavalheiro
O poeta
Natural de Itatinga (SP), Gonçalves Viana reside em Sorocaba desde os dois anos de idade.
Profissionalmente, é Projetista Mecânico aposentado.
Na área cultural, é ex-presidente da Associação Cultural Coesão Poética de Sorocaba, da qual foi um dos fundadores, e, também, do grupo cultural Sorocult. Participou, ainda, do Instituto Literário Paulo Tortello – Poesia em Debate .
Escreveu crônicas para o jornal-revista Provocare.
É autor dos livros de poesias: ‘Vertentes’ (2006), ‘Quase cai… – Haikais’ (2007), ‘Estilhaços’ (2008), ‘Fluxos e refluxos'(2010), ‘Por uma deusa’ (2016) e ‘Meus versos’ (2017) e ‘Quadras Quadradas Quadrinhas’ (2019).
É autor de aproximadamente 700 poemas.
Tem participação, também, em várias Coletâneas poéticas.
Amante da literatura, Viana tem uma biblioteca com aproximadamente 5 mil livros. E, como não poderia deixar de ser, sua alma poética se irradiou também na música, tornando-se um colecionador de centenas de discos de vinil.
Colunista do ROL, suas publicações, além de poemas e contos, versam sobre MPB.
Por meio de suas crônicas, desfilam grandes poetas, cantores e compositores, dentre outros, Vinícius de Moraes, Gilka Machado, Raul Seixas, Angela Maria, Noel Rosa, Cartola, Herivelto Martins e Lupicínio Rodrigues.
Aos 77 anos de idade, o poeta Gonçalves Viana mostra-se um jovem enamorado pela vida!
Poeta Gonçalves Viana promove Roda de Conversa Lítero-Poética
Com o tema ‘A poesia em seu estado mais simples’, a Roda de Conversa será realizada no dia 18 de maio (sábado), às 10h, na Livraria Nobel
Com o tema ‘A poesia em seu estado mais simples’, o poeta Gonçalves Viana promoverá Roda de Conversa no dia 18 de maio (sábado), às 10h, na Livraria Nobel (R. Barão de Tatuí, 867 – Jd. Vergueiro – Sorocaba – 15 3219-6969).
No encontro, Viana apresentará uma visão geral sobre as escolas lítero-poéticas, como o Modernismo, a Poesia Marginal, o Concretismo etc., mas focando, em especial os poemas monotróficos (ou monostrófico, isto é, que apresentam uma única estrofe com sete sílabas poéticas em cada verso ), como o Haicai (também chamado de ‘Haiku’ ou ‘Haikai’, poema curto de origem japonesa, do séc. XVI), a Trova (poema autônomo monostrófico), o Sijô (forma poética tradicional coreana ) e o Rubai (trova popular dos persas, turcos, árabes etc.)
Gonçalves Viana
Gonçalves Viana
Aparecido Gonçalves Viana é natural de Itatinga (SP) e desde os dois anos reside em Sorocaba. É Projetista Mecânico aposentado. Foi Fundador e ex-presidente do grupo ‘Coesão Poética de Sorocaba’ e, também, do grupo cultural Sorocult.
Participou, ainda, do Instituto Literário Paulo Tortello – Poesia em Debate e é colunista do Jornal Cultural ROL.
Escreveu crônicas para o jornal-revista Provocare.
É autor dos livros de poesias: ‘Vertentes’ (2006), ‘Quase cai… – Haikais’ (2007), ‘Estilhaços’ (2008), ‘Fluxos e refluxos'(2010), ‘Por uma deusa’ (2016), ‘Meus versos’ (2017) e ‘Quadras Quadradas’ (2019). Tem participação, também, em várias Coletâneas.
Poetas e amigos prestigiam o lançamento do livro Quadras Quadradas Quadrinhas, de Gonçalves Viana
Com o microfone, Gonçalves Viana
Amizade, emoção e descontração marcam o lançamento do 7º livro do poeta Gonçalves Viana
O poeta Gonçalves Viana escolheu o Estúdio Cultural Lexmediare, do casal de escritores e amigos Élcio Mário Pinto e Adriana Rocha, para o lançamento de Quadras Quadradas Quadrinhas, sua 7ª obra poética, editada pela Crearte Editora e ilustrada pelo jovem desenhista Caique Ferraz.
Ocorrido na tarde de sábado (26), o evento, conduzido pelo escritor e poeta Sergio Diniz da Costa, contou com a presença de poetas, amigos e familiares de Viana, num clima de amizade, emoção e descontração.
Dentre os poetas presentes, e que renderam homenagens ao autor, membros do grupo Coesão Poética de Sorocaba, do qual, até pouco tempo, Viana foi o presidente (tendo sido, também, um dos fundadores).
O livro, para quem não teve a oportunidade de participar do lançamento, está sendo oferecido pelo valor de R$25,00 e poderá ser adquirido diretamente com o autor, por meio dos seguintes contatos: viana.gaparecido@gmail.come pelos telefones (15) 3035-6380 e (15) 98137-7220
Momentos do lançamento
Abertura, pelo Cerimonialista Sergio Diniz da Costa
A escritora Adriana Rocha, presidente da Lexmediare Ltda.
O jovem ilustrador do livro, Caique Ferraz
O escritor Élcio Mário Pinto
Córdoba Jr., do grupo Coesão Poética de Sorocaba
J.C. Freitas, do grupo Coesão Poética de Sorocaba
Bosco da Cruz, do grupo Coesão Poética de Sorocaba
O poeta Dado Carvalho
A poetisa Mari Moraes
Nicanor Pereira, do grupo Coesão Poética de Sorocaba
Dentre os presentes, a pequena Micaela e suas bonecas
O autor, no momento dos autógrafos
Familiares de Gonçalves Viana
O lançamento pode ser acompanhado na íntegra, pelo link: https://www.facebook.com/adriana.rocha.90663/videos/2172036696193799/?comment_id=2175148162549319&reply_comment_id=2175604529170349¬if_id=1548754999543663¬if_t=video_reply
O poeta Gonçalves Viana lança seu 7º livro: 'Quadras Quadradas Quadrinhas'
Mestre em haicais, Gonçalves Viana, agora, navega pelo universo das quadras
‘Quadras Quadradas Quadrinhas‘, editado pela Crearte Editora e com o apoio cultural da Lexmediare Ltda., é o 7º livro lançado pelo poeta Gonçalves Viana.
A obra, prefaciada pelo escritor e poeta Sergio Diniz da Costa e ilustrada por Caique Ferraz, será lançada no dia 26 de janeiro (sábado), às 17h, no Estúdio Lexmediare (R. Cesarino de Barros, 156 – Bairro Júlio de Mesquita Filho.
No lançamento, o livro será oferecido por R$25,00.
“A trova é um poema monotrófico com quatro versos heptassílabos (redondilha maior), sem título, e tem sentido completo em seus quatro versos. Fernando Pessoa considerava que ‘a trova é o vaso de flores que o povo põe à janela de sua alma.” (Apresentação, pelo autor)
Eu quero ser Peter Pan,
eternamente garoto.
Ontem, hoje, amanhã
eternamente maroto!
(Peter Pan)
O poeta
Natural de Itatinga (SP), Gonçalves Viana desde os dois anos reside em Sorocaba. É Projetista Mecânico aposentado. Ex-presidente da Associação Cultural Coesão Poética de Sorocaba, da qual foi um dos fundadores, e, também, do grupo cultural Sorocult. Participou, ainda, do Instituto Literário Paulo Tortello – Poesia em Debate .
Escreveu crônicas para o jornal-revista Provocare. É autor dos livros de poesias: ‘Vertentes’ (2006), ‘Quase cai… – Haikais’ (2007), ‘Estilhaços’ (2008), ‘Fluxos e refluxos'(2010), ‘Por uma deusa’ (2016) e ‘Meus versos’ (2017). Tem participação, também, em várias Coletâneas.
Viana é colunista do ROL, publicando matérias sobre MPB, em especial as grandes composições do passado.
Gonçalves Viana: 'Braça anã'
“Dos seus estudos, pesquisas e experiências com baiões, toadas, xaxados e xotes, Luiz Vieira construiu o que ele mesmo denominou de repertório ‘ecumênico’”.
Luiz Vieira
Luiz Rattes Vieira Filho, conhecido artisticamente por Luiz Vieira, nasceu aos 12 de outubro de 1928 em Caruaru, Pernambuco. Seu pai, advogado e jornalista, havia ido a Caruaru a trabalho, então lá nasceu o Luiz.
Com menos de 10 anos de idade, veio para Alcântara, município de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, morar com seu avô.
Ele sempre gostou muito de música e achava esquisito ter nascido em Caruaru e não saber nada sobre o sertão, sobre o Nordeste. Então começou a estudar e pesquisar muito sobre isso.
Zé do Norte
Em 1943, já cantava em programas de calouros e era crooner de um cabaré da Lapa. Em 1946, foi contratado pela Rádio Clube do Brasil para apresentar com o cantor e compositor Zé do Norte¹ o programa “Manhãsda Roça”, dedicado às músicas nordestinas.
Transferiu-se posteriormente para a Rádio Tamoio, onde passou a apresentar-se no programa “Salve o Baião”, tornando-se o “Príncipe doBaião”, ao lado de Luiz Gonzaga, o “Rei do Baião”, Carmélia Alves, a “rainha” e Claudete Soares, a “princesinha”.
Dos seus estudos, pesquisas e experiências com baiões, toadas, xaxados e xotes, Luiz Vieira construiu o que ele mesmo denominou de repertório “ecumênico”. Abriu espaço para a guarânia, de procedência paraguaia, e até prelúdios de aspecto erudito, apesar de não ter estudo teórico de música.
Certa feita, lembrando-se de um tio, o Augusto, já falecido, que tinha uma fazenda em Posse dos Coutinhos, perto de Itaboraí, onde fica a montanha de Braçanã.
Essa região foi comprada pela família dos Coutinhos, que originou o nome. Antigamente, as terras eram medidas em “braças”, e quando eles foram conferir, achavam que estava faltando terra. Foram então ao Cartório e viram que as marcações estavam corretas, só que havia sido medida por braça anã, isto é, braça pequena, daí Braçanã.
Havia um menino que morava em Tanguá – um vilarejo próximo – que a mãe sempre mandava buscar farinha na fazenda do seu tio Augusto. E ela sempre recomendava: ‒ Não demore lá no seu Augusto, volte logo, que o caminho é assombrado. Leve este crucifixo, que quem anda com Deus não tem medo de assombração!
Corria o ano de 1953 e, Luiz, rememorando esses fatos, escreveu um de seus maiores sucessos, “Menino de Braçanã”. Assim que terminou a música, ligou para o seu amigo Venilton Santos², que iria gravar o seu primeiro disco e estava escolhendo o repertório. Eram três horas da manhã, Luiz cantou ao violão: ‒ Olha aí! Ouça… Venilton, sonolento, disse: ‒ Pô, Luiz, eu não estou sentindo a essa música. Nós estamos na época dos boleros, Dick Farney, Lúcio Alves. Toada está fora de moda. Luiz retrucou: ‒ Puxa vida, Venilton! Eu estou apaixonado por essa música.
Roberto Paiva
Ante a recusa do amigo, ele saiu a procura de outro interprete – ele não gostava de gravar suas próprias músicas – mostrou pra todo mundo na rádio, ninguém queria. Um dia o Roberto Paiva³ pediu a ele, um baião, quando estava mostrando vários baiões, o seu irmão falou: ‒ Porque você não mostra aquela música pra ele? Luiz respondeu: ‒ Pô, não fala o nome dessa música, ela dá azar e ninguém quer. Curioso, Roberto pediu: ‒ Canta essa que teu irmão está falando. Cantou e Roberto falou: ‒ É essa que eu vou gravar! E assim foi o primeiro a gravar “Menino de Braçanã”.
Ivon Cury
Fez relativo sucesso. Só não fez mais, porque a gravadora do Roberto era a Sínter, que não tinha distribuição e nem cuidava da divulgação. Um dia o Ivon Cury ligou para o Luiz e disse: ‒ Eu posso gravar o Menino deBraçanã? ‒ Ô, Ivon, tem que falar com o Roberto, ele que está com a música.
O Roberto respondeu: ‒ Ô, Luiz, pelo amor de Deus, deixa ele gravar, que você vai arrebentar! Ele está na RCA Victor, que faz divulgação e distribuição no Brasil inteiro. E realmente, assim aconteceu.
Sobre essa música, Luiz Vieira contou em uma entrevista no programa Mosaico da TV Cultura, e também em entrevista a Tárik de Souza para o Canal Brasil, que ela foi roubada em Paris, na África, em Portugal e até em Porto Rico.
Em Porto Rico, por um cidadão chamado Carlos Suárez, que conheceu a música quando esteve no Brasil. Ele fez uma versão para o castelhano, dando-lhe o nome de “Mi Negrita” e gravou-a como o autor:
Es tarde, ya me voy
mi negrita me espera
hasta mañana,
porque cuando salí
dijo: Negro no tardes en la ciudad.
Ele contou a história como se fosse a mãe dele. Em Porto Rico “mi negrita”, pode significar ou a companheira ou a própria mãe. Já Braçanã, ele imaginou que fosse uma cidade.
Marcel Amont
Em Paris, um safado de nome Marcel Amont, lançou como “Des larmes dela tendresse”. É o meu “Menino de Braçanã” cantado em francês. Até o aboio ele não canta “ô, ô, ô” como eu. Porque ele é homossexual, então… “ai, ai, ai, ai, ai”. Ah! É de lascar, meu Deus!
De Porto Rico, diz Luiz, fiquei sabendo através de um amigo que estava lá, a serviço da Petrobras. Ligou-me e disse assim: ‒ Luiz, a sua música é um tremendo sucesso aqui em Porto Rico, é como a nossa “CidadeMaravilhosa”, cada vez que termina um espetáculo ou uma festa, todo mundo canta: “Es tarde ya me voy…”. Minha esposa que sabe mexer com esse treco de computador, pesquisou e descobriu esse tal de Carlos Suárez com a minha música. Ele é pianista, teve conjunto de jazz, teve orquestra, em Porto Rico é tão famoso como o nosso Tom Jobim aqui. Em Miami, todo programa que tem salsa, ela já está há anos entre as mais tocadas.
Já em Paris, quem me deu a notícia, foi um amigo que era da rádio Globo de São Paulo. Ele apresentava um programa de intercâmbio cultural França-Brasil. Ele ouviu e ligou pra mim: ‒ Pô, Luiz, roubaram tua música! Um cidadão chamado Marcel Amont.
A gente está movendo um processo agora com a Fermata, mas sabe quando é que vou ganhar isso? Nunca… Né!
Gonçalves Viana viana.gaparecido@gmail.com
MENINO DE BRAÇANÃ
É tarde, eu já vou indo
preciso ir embora, ‘té amanhã
Mamãe quando eu saí disse
filhinho não demore em Braçanã
Se eu demoro mamãezinha
tá a me esperar, pra me castigar,
Tá doido moço num faço isso não.
Vou-me embora, vou sem medo
dessa escuridão.
Quem anda com Deus
não tem medo de assombração
E eu ando com Jesus Cristo
no meu coração.
(Luiz Vieira)
Gonçalves Viana: 'Paulo César Pinheiro'
“Paulo, apesar da pouca idade, queria cada vez mais compor e a entender o processo musical. Conversando com o João de Aquino, disse-lhe que eles tinham que fazer música, e citava o exemplo do primo Baden.”
Paulo César Pinheiro e Baden Powell
Paulo César Pinheiro começou a compor música e a escrever versos aos treze anos. Nesse início era tudo muito simples, bem fraquinho mesmo. Foi um tempo de exercício e aprendizado. Ele rapidamente assimilou a habilidade poética e, um ano depois, já estava produzindo coisas mais sérias.
Mas ele ainda levava a vida de criança de subúrbio, jogando bola de gude, rodando pião e batendo bola.
João de Aquino
Acontece que Paulo, era vizinho, em São Cristóvão (Rio de Janeiro), de João de Aquino, um violonista e compositor primo de Baden Powell. O Baden, já nessa época, fazia muito sucesso no mundo musical. Ele tinha uma parceria sólida com Vinícius, tendo passado dois anos na França.
Paulo, apesar da pouca idade, queria cada vez mais a compor e a entender o processo musical. Conversando com o João de Aquino, disse-lhe que eles tinham que fazer música, e citava o exemplo do primo Baden.
Então, começaram a esboçar as primeiras músicas. De muitas, Paulo já tinha as ideias prontas, e assim, eles as desenvolviam. É dessa fase, a música “Viagem”, talvez, a mais conhecida e mais gravada. João de Aquino foi seu primeiro parceiro, musicou aquele verdadeiro poema, João gravou numa fitinha e passou a Paulo. Este levou para casa, e passou a trabalhar na melodia, pois ele a julgava meio inexata e com um andamento muito rápido.
Na manhã seguinte, os seus coleguinhas de folguedos foram chamá-lo para a pelada tradicional, e ele nada, estava em seu quarto, completamente tomado, rabiscando as estrofes, querendo terminar logo, pra ir para o seu futebol.
Assim, Paulo foi deixando a canção mais lenta, até que acabou por transformá-la em valsa. Era meio-dia quando terminou. Seu pai acabava de chegar do trabalho para sua hora de almoço, passou por ele e deu a clássica balançada de cabeça, em sinal de reprovação, e partiu bravo para a mesa. Ele ainda não entendia o que significava aquilo, pois era contra o seu filho querer ser compositor. Achava coisa de vagabundo, que iria atrapalhar os seus estudos. – Isso não dá camisa a ninguém – dizia.
As pessoas ficavam assombradas e não queriam acreditar que o autor daquela letra, tinha apenas quatorze anos. Muitos músicos e críticos consideram Viagem, uma das letras mais bonitas da MPB.
VIAGEM
Oh! Tristeza me desculpe
Tô de malas prontas
Hoje a poesia
Veio ao meu encontro
Já raiou o dia
Vamos viajar
Vamos indo de carona
Na garupa leve
Do vento macio
Que vem caminhando
Desde muito longe
Lá do fim do mar
Vamos visitar a estrela
Da manhã raiada
Que pensei perdida
Pela madrugada
Mas que vai escondida
Querendo brincar
Senta nessa nuvem clara
Minha poesia
Anda se prepara
Traz uma cantiga
Vamos espalhando
Música no ar
Olha, quantas aves brancas
Minha poesia
Dançam nossa valsa
Pelo céu que o dia
Faz todo bordado
De raios de sol
Oh! Poesia me ajude
Vou colher avencas
Lírios, rosas, dálias
Pelos campos verdes
Que você batiza
De jardins do céu
Mas pode ficar tranquila
Minha poesia
Pois nós voltaremos
Numa estrela-guia
Num clarão de lua
Quando serenar
Ou, talvez, até quem sabe
Nós só voltaremos
No cavalo baio
No alazão da noite
Cujo nome é raio
Raio de luar.
(Paulo César Pinheiro – João de Aquino)
Márcia
A canção Viagem foi, inicialmente, gravada de forma instrumental, por Baden Powell. E, em 1968, pela cantora Márcia, mas quem a imortalizou foi Marisa Gata Mansa.
João de Aquino apresentou Paulo César ao seu primo, Baden Powell, que, vislumbrando a capacidade do garoto, depois de algum tempo, propôs parceria ao mesmo.
Marisa Gata Mansa
Inicialmente, Paulo ficou assustado, pois Baden tinha por letrista nada mais, nada menos, que Vinicius de Moraes, consagradíssimo poeta brasileiro, mas acabou aceitando a proposta. Compuseram, então, a primeira música em dupla: “Lapinha”. Inscrita na I Bienal do Samba, um festival realizado pela TV Record de São Paulo, em 1968. “Lapinha” acabou se tornando um grande sucesso nacional, na voz de Elis Regina.
Elis Regina
De tal forma multiplicaram-se os sucessos da dupla e, com o tempo, também, as parcerias de Paulo César: Francis Hime, Eduardo Gudin, Dori Caymmi, Edu Lobo, João Nogueira, Maurício Tapajós e até mesmo Tom Jobim.
Lá pelos idos de 1971, quatro músicos acharam por bem reunirem forças no sentido de gravarem um disco. Pretenciosos que eram, queriam gravar um álbum conceitual, nos moldes de álbuns como Freak Out! (1966) do Frank Zappa & The Mothers of Invention; Tommy (1969), a ópera-rock do The Who; o album divisor de águas do Pop/Rock: Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band de um grupinho chamado The Beatles e, também, do genérico nacional Tropicália(1968), de Caetano e Gil, mais a troupe tropicalista composta por: Mutantes, Tom Zé, Gal Costa, Nara Leão, os poetas Capinan e Torquato Neto e o maestro Rogério Duprat.
Sérgio Sampaio
Pois é, esses visionários que queriam, porque queriam lançar, já no primeiro disco, uma ópera-rock, formavam uma banda que era constituída por: Sérgio Sampaio, cantor e compositor, nascido em 13 de abril de 1947, em Cachoeiro de Itapemirim/ES, que era primo do compositor Raul Sampaio, autor de sucessos, na voz de outro famoso conterrâneo, Roberto Carlos.
Outro era Edivaldo Souza, mais conhecido como Edy, nascido em Salvador/BA, em 10 de janeiro de 1938, cantor e artista performático que, após esse disco, passou a adotar o nome de Edy Star.
Míriam Batucada
Também fazia parte, a cantora de samba, Miriam Ângela Lavechia, nascida em São Paulo/SP, em 1º de janeiro de 1947, seu nome artístico era Miriam Batucada. Ela ficava batucando um pandeiro imaginário com as mãos. O quarto componente era um produtor musical, da Gravadora CBS, um tal de Raul Santos Seixas, que nasceu em 28 de junho de1945, em Salvador/BA, cantor, compositor e um dos pioneiros do rock brasileiro.
Em 1968, Raul com o seu conjunto Os Panteras, vieram ao Rio de janeiro, para gravar o seu primeiro disco, ‘Raulzito e Os Panteras’, na EMI-Odeon. Infelizmente, o disco não vendeu e Raulzito e os seus Panteras acabaram passando por sérias necessidades e, até mesmo, fome, no Rio de Janeiro. Com isso voltaram para Salvador.
Raul Seixas
Mas, Raulzito teve uma segunda chance, seu amigo Jerry Adriani, convenceu o então Diretor-Presidente da CBS, Evandro Ribeiro, a dar a ele o emprego de produtor musical.
Raulzito ainda não era o notório Maluco Beleza, o pai do rock brasileiro, o nosso Raul Seixas. Mas foi justamente a condição de produtor musical que propiciou a oportunidade de ele e seus parceiros poderem gravar o tão sonhado e ansiado álbum conceitual, tendo a banda assumido o nome de “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista”.
Muitas lendas cercam esse disco, cujo projeto inicial era o de uma ópera-rock. A principal delas reza que Raul, sendo o produtor musical da gravadora, teria aproveitado a ausência do Diretor-Presidente, que estava em férias, usando de todos os equipamentos, aparatos e recursos do estúdio, para gravar o tão almejado disco. Eles teriam gravado à noite, e ninguém da CBS ficara sabendo disso.
Quando o Diretor-Presidente voltou, suspendeu o projeto, e Raul foi demitido do cargo. Então, o disco que era composto de onze faixas, intercaladas por vinhetas, mas cujas letras já haviam sido mutiladas pela censura do Regime Militar e, ficando também sem o apoio da gravadora para a divulgação do trabalho junto às rádios e programas musicais, redundou em um enorme fracasso, não obtendo sucesso de público e, muito menos, de crítica.
Em face disso, o disco, que tinha o pomposo nome de SOCIEDADE DA GRÃ-ORDEM KAVERNISTA APRESENTA“SESSÃO DAS 10” foi abandonado à própria sorte pelos executivos da matriz, nos Estados Unidos, que não haviam gostado do resultado final.
O projeto foi levado a cabo, em conjunto, pelos quatro kavernistas. Cada um cantou, sozinho, duas canções; Raul e Sérgio cantaram, juntos, outras três. Raul tocou praticamente todos os instrumentos. As composições são todas de Raul e Sérgio, exceto “Soul Tabaroa” de Antônio Carlos e Jocafi e “Chorinho Inconsequente”, parceria de Sérgio Sampaio com Edy Star.
Os kavernistas utilizaram vários estilos em suas composições, desde uma seresta (Sessão das Dez), cantada por Edy Star; um chorinho (Chorinho Inconsequente) interpretado por Miriam Batucada e, até mesmo, um samba, composto e gravado por Raul Seixas, “Aos Trancose Barrancos”, o único samba composto em toda a sua carreira.
Miriam Batucada não foi a primeira opção de voz feminina no grupo. A prioridade era de Diana, esposa de Odair José, mas como ela já era contratada da CBS, e estava gravando ‘jovem guarda’, foi descartada. Pensou-se, então, em Lena Rios que estava iniciando na gravadora, por indicação de Torquato Neto. Nesse interim, apareceu nos estúdios, Miriam Batucada que, com sua voz rouca e um incrível bom humor, conquistou a todos ganhando a vaga.
Depois de muito tempo condenado ao ostracismo, por ter ficado fora de catálogo, esse disco acabou assumindo o status de Cult. Somente em 1995 voltou às lojas, no formato de CD, primeiro, numa edição limitada da Rock Company e, depois, pela Sony (2000 e 2010). A edição de 2000 foi muito criticada por não trazer as letras, nem a ficha técnica e fotos. Já, a de 2010 veio completa, inclusive com o som remasterizado.
As edições de 1995 e de 2000 são difíceis de ser encontradas. Os LPs originais (vinil), então, nem se fala, são itens de colecionador, chegando a valer pequenas fortunas.
Gonçalves Viana – viana.gaparecido@gmail.com
SESSÃO DAS DEZ
EU COMPREI UMA TELEVISÃO À PRESTAÇÃO,
À PRESTAÇÃO Vinheta
EU COMPREI UMA TELEVISÃO, QUE DISTRAÇÃO,
QUE DISTRAÇÃO, QUE DISTRAÇÃO.
“A nossa homenagem aos boêmios da velha guarda.”
Ao chegar do interior,
Inocente, puro e besta,
Fui morar em Ipanema.
Ver teatro e ver cinema
Era minha distração.
Foi numa sessão das dez
Que você me apareceu,
Me ofereceu pipoca.
Eu aceitei e logo em troca
Eu contigo me casei.
Curtiu com meu corpo
Por mais de dez anos
E depois de tal engano
Foi você quem me deixou.
Curtiu com meu corpo
Por mais de dez anos
E foi tamanho desengano
Que o cinema incendiou
Curtiu com meu corpo
Por mais de dez anos
E depois de tal engano
Foi você quem me deixou.
“Foi demais, rapaz, aliás esta seresta está demais”