Monumento do Largo da Penha

Historiador entrega pesquisa histórica para monumento do Largo da Penha

Fotos do arquivo de Carlos Carvalho Cavalheiro
Fotos do arquivo de Carlos Carvalho Cavalheiro

Foi entregue oficialmente na manhã desta segunda-feira, 15 de dezembro de 2025, às 9h, ao prefeito em exercício de Porto Feliz, Lucas Aparecido Rodrigues, o conjunto de textos e pesquisas históricas produzidos pelo historiador e professor Carlos Carvalho Cavalheiro. O material será disponibilizado à população por meio de QR Code, vinculado ao monumento que será inaugurado ainda neste mês no Largo da Penha (atual Praça Duque de Caxias).

O professor Carlos Carvalho Cavalheiro foi convidado para desenvolver o trabalho no dia 4 de dezembro, pelo vice-prefeito, então prefeito em exercício, tendo aceitado oficialmente a tarefa em 8 de dezembro, após certificar-se de que possuía plena competência técnica para realizar a pesquisa e a produção dos textos.

O trabalho foi realizado de forma voluntária, sem qualquer ônus para o poder público, como gesto de compromisso do pesquisador com a preservação da memória e da história de Porto Feliz. Ao todo, foram produzidas quinze páginas de textos, abordando temas diretamente relacionados ao monumento e ao processo histórico de formação da cidade.

Entre os assuntos contemplados estão:

– a planta da Freguesia de Araritaguaba em 1769;

– a história de Nossa Senhora da Penha;

– a visita do Imperador Dom Pedro II a Porto Feliz, em 1846;

– a força da mulher monçoeira;

– o negro na História de Porto Feliz;

– a trajetória do fundador Antônio Cardoso Pimentel e do povoador Antônio Aranha Sardinha;

– a atuação dos jesuítas na região;

– o batelão e as viagens monçoeiras, com destaque para a contribuição indígena no conhecimento dos rios e dos caminhos, como o Peabiru, além do cotidiano e da dimensão épica dessas expedições;

– a história do Largo da Penha;

– a monção liderada por Dom Rodrigo César de Menezes, governador da Capitania de São Paulo;

– e a esfera armilar, símbolo presente no monumento alusivo aos 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil.

Carlos Carvalho Cavalheiro é professor de História da rede pública municipal de Porto Feliz desde 2006, colaborador do jornal Tribuna das Monções e historiador registrado (nº 317/SP). O material entregue contribui para ampliar o acesso da população às informações históricas da cidade, valorizando o patrimônio cultural e a memória coletiva porto-felicense.

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Marcelo Augusto Paiva Pereira: 'Memória e monumento: a preservação do tempo'

Marcelo A. Paiva Pereira

Memória e monumento: a preservação do tempo

Igreja de Nossa Senhora de Nazaré (Recife – PE)- Foto by Marcelo Paiva Pereira em 02.01.2014

A memória é o conjunto de experiências vividas no passado, as quais servem de paradigmas às condutas atuais. É um processo psicológico que valora trechos do passado trazidos ao presente. Recupera fatos e experiências remotas, faz uma ponte entre esses períodos, examina o presente e projeta o futuro.

Sua qualidade íntima, entretanto, é atingida por qualquer alteração do ambiente onde o indivíduo ou grupo social estiver. Para ter estabilidade são necessárias referências, figuras que atestem a época e o lugar que representem.

Essas figuras de referência se identificam nos monumentos, que são coisas ou bens cuja função antropológica é trazer à lume o passado, que faz lembrar e resgatar a identidade de uma cultura. Enquanto tal, o monumento indica um fato social ou político; e, quando encampa a natureza de documento, aponta para o período histórico do qual faz parte.

Os monumentos carregam as marcas do tempo e são temporalidades, bens culturais estratificados, embutem nossa consciência de passado e presente. Muitos são os monumentos e dentre eles se destacam os históricos, escolhidos para testemunhar os fatos e os períodos do passado que se deseja preservar. Estes são símbolos da memória de uma sociedade, que depende da preservação deles para prosseguir às gerações atuais e futuras.

A restauração é um processo de intervenção, de natureza crítica e científica que, com cautelosas alterações, atualiza e limita o uso e preserva o monumento em sua historicidade (os extratos temporais).

À atualização do uso de um monumento histórico se faz necessária sua releitura, dependente do contexto temporal e ambiental (ou urbano) em que se encontra. Daí decorre a questão da autenticidade, da qual o processo de restauração é sua causa.

Introduzir elementos estranhos à figuração (linguagem artística e estética) do monumento poderá nele causar os efeitos impróprios do falso histórico e do falso estético e, na sociedade, a falsa memória. Tais elementos se revelam pitorescos, parasitários, porque inoportunos à identidade e materialidade do monumento.

As razões da restauração são científica (visa transmitir o conhecimento às várias áreas do saber), ética (visa à existência dos bens e servir de suporte à memória) e cultural (atribui valor estético, documental (período histórico) e memorial (simbólico)).

A memória é o elemento subjetivo ou psicológico do indivíduo ou grupo social, enquanto os monumentos são o elemento objetivo, externo a eles. Daí a importância das razões da restauração e dos monumentos históricos à memória.

À preservação da memória depende a dos monumentos históricos que a simbolizam. A restauração deve desacolher elementos pitorescos, pugnar pela identidade, autenticidade e historicidade de cada monumento histórico, atualizá-los ao presente e garantir a existência às gerações atuais e futuras. Memória e monumento são a preservação do tempo. Nada a mais.

 

Marcelo Augusto Paiva Pereira

Arquiteto e urbanista