Educação estética

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Artigo ‘Educação estética’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Public Domain Media - Schiller by 
Louis Ammy Blanc
Public Domain Media – Schiller by
Louis Ammy Blanc

Das reflexões que foram efetuadas e que tiveram por base a obra de Friedrich Schiller, denominada ‘Cartas Sobre a Educação Estética da Humanidade’, creio poder pensar que tal obra está ao serviço da Humanidade, porque ela revela o espírito sofredor, que encontra na educação estética um lenitivo e motivo para a luta por um bem supremo.

O autor pretende que o estado natural atinja o moral pelo empreendimento do estado estético, isto é, do ‘Terceiro Carácter’, já que as sociedades são conflituosas, por interesses antagónicos e nestes, o homem ideal não pode viver pelo situacionismo material reinante.

Na perspetiva Schilleriana, o homem deve autoconstruir-se como obra de arte, a fim de poder reaver a humanidade que possuía, e perdeu pelas constantes investidas de uma civilização que o pretende destruir, ou pelo menos reduzir a um ser impessoal, pelo que para voltar a um estado puro deve libertar-se do material e subir ao ideal, onde o espírito se sobressai da matéria.

O homem é, na sua essência originária, uma obra de arte, um modelo de Beleza porque integra uma unidade perfeita, em todos os seus elementos constituintes, é uma obra inacabada, porque em constante relacionamento com o seu Criador, seja ele apelidado desta ou daquela maneira, porque, efetivamente, o artista desta obra suprema, que é o homem, foi apenas um, Deus Criador, Deus Artista.

É por isso que a educação estética do homem deve iniciar-se o mais cedo possível, em ordem à chamada para as realidades belas e, desde logo, aquela que à sua volta se coloca, ou seja, a Beleza Natural: seja a beleza mineral, vegetal ou animal, e isto porque todos os elementos que integram o nosso mundo têm o toque do seu Criador, que foi o mesmo para todos, e n’Ele, todos devemos ir buscar a inspiração necessária à compreensão de toda a obra de arte: desde o conhecimento da obra de arte, que é a linguagem, até ao entendimento do gesto e da intenção do nosso homólogo dialogante.

Entre outras formas de a humanidade se cultivar, se compreender, se auxiliar é, naturalmente, pela leitura que cada um faz da obra de arte, é através do aperfeiçoamento do juízo do gosto, que nós aprendemos a amarmo-nos em respeito, em tolerância e em harmonia, na medida em que todos somos uma obra de arte produzida pelo mesmo Artista.

Ao finalizar esta minha análise sobre a Educação Estética, creio ser meu dever afirmar a necessidade imperiosa de, tal como outras matérias, designadamente a ética, a educação cívica, a mundividência, também a Estética deveria ser implementada ao nível do ensino preparatório.

 Isto porque só bem cedo na vida de uma pessoa, que se pretende digna e titular dos seus direitos, e responsável pelos seus deveres, se conseguirá alterar o curso de uma mentalidade fortemente afetada pelo “ideal do belo material”, ou seja, o ideal do Ter, a troco da degradação do nosso semelhante, terá de ser erradicado da humanidade e, nada melhor do que na comunhão do homem com a Beleza Natural para se elevar ao nível do Supremo Belo Absoluto. 

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Clayton Alexandre Zocarato: 'Aborto e demagogia – Uma fagulha (a)moralista tupiniquim'

Clayton Alexandre Zocarato

Aborto e demagogia – Uma fagulha (a)moralista tupiniquim

Para falar do caso do aborto feito em uma adolescente em Santa Catarina recentemente, vamos recorrer primeiramente à literatura e à Filosofia.

O romancista Eça De Queiroz em sua obra O Crime do Padre Amaro, escancarou que as vontades carnais podem chegar ao seu ápice em quaisquer classes sociais e religiosas, enfatizando uma humanização bizarra do clero, que, assim como qualquer outra instituição, detém seus aspectos doutrinários tanto positivos como negativos. Assim como também Jean Paul Sartre, em sua A Idade Da Razão, eclodiu a banalidade da vida através do professor Mathieu Delarue, que tenta conseguir dinheiro de todas as formas para financiar o aborto da namorada, de uma gravidez indesejada.

Mas o que o Realismo e Existencialismo têm a ver com a sociedade brasileira e seus ‘abortos’? Bem, em um sentido de moral demagógico, em torno do caso do estupro e interrupção da gravidez de uma menina de 11 anos, colocou novamente essa questão bioética à tona. O aborto faz parte da história humana, que em sua insatisfação na não agregação moral em propiciar um lugar ao sol para todos, faz silenciosamente um desejo inconsciente de interromper a ida, para depois ficar em sacrilégios de argumentações que venham assim angariar novos vieses de debates sobre quem vai cair o direito ou não de continuar ou parar com a vida intrauterina.

Para nossa sociedade cristã, tantos os novos ‘Amaros’ como ‘Mathieus’ não levam em consideração a instauração de uma cultura cruel do estupro no Brasil. Para os demais setores, pontos de vistas nefastos, que têm como objetivos servir como base que a opinião particular de cada um deve ser respeitada, e não ser traçada como uma ‘verdade
universal’, que sirva para todos.

É necessário, portanto que haja uma revisão das formações escolares para que elas venham a garantir a volta de uma educação sexual e que também respeitem a base constitucional de um estado laico, sem falsidade ética impregnada de um ‘pensamento libidinal crítico’ em torno da vida das crianças e adolescentes.

Enfim, sair da mordaça ‘sexualizante’ para a construção de uma cidadania lúdica, onde cada pessoa dentro da lei possa ter o direito de escolher o que é melhor para si, independentemente ou não do que a sociedade julga ser coerente ou não, como também a lapidar pensamentos violentos de virilidade sexual sem limite, promovendo uma ética do cuidado, perante a sexologia humana. uma ‘verdade universal’, que sirva de forma uniforme para todos.

Clayton Alexandre Zocarato