O Sonho de Um Homem Ridículo

Entre Dostoiévski, Nietzsche e Camus, o premiado espetáculo ‘O Sonho de Um Homem Ridículo’ retorna a São Paulo

Espetáculo 'O sonho de Um Homem Ridículo' - Crédito Arô Ribeiro
Cena do Espetáculo ‘O sonho de Um Homem Ridículo’ – Crédito Arô Ribeiro

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Sob direção de Alexandre Kavanji, o solo protagonizado por Léo Horta atravessa a literatura russa e encontra ecos contemporâneos na atmosfera poética e existencial de Minas Gerais

O premiado espetáculo ‘O Sonho de Um Homem Ridículo, da Companhia Lúdica dos Atores, desembarca no Teatro de Arena Eugênio Kusnet em uma curta temporada que vai de 04 de junho a 14 de junho sempre de quinta a domingo.  Os ingressos a preços populares de R$ 50.00 (inteira) R$ 25,00 (meia entrada) estão disponíveis pelo Sympla ou na bilheteria do teatro. 

Dirigido por Alexandre Kavanji, o espetáculo adapta para o teatro o clássico conto homônimo do escritor russo Fiódor Dostoiévski. O grupo teve a preocupação de manter o texto o mais fiel possível à obra original, transportando o público para um mundo de reflexões profundas sobre vida, morte e redenção. 

Na trama, o ator Léo Horta, formado pela academia russa de teatro (The International Seminar “The Stanislavsky System Today”/Moscou, 2011 e Konstantin Stanislavsky and Mikhail Chekhov Today – practical training for actors and directors/Letônia, 2013), Interpreta um personagem em colapso emocional, atravessado pela sensação de fracasso, vazio e desconexão com a humanidade ao seu redor, diante da perda de propósito e da incompreensão da existência ele decide pôr fim a própria vida. 


“Ah, imediatamente, no primeiro olhar que lancei aos seus rostos, entendi tudo, tudo! Essa era a terra não profanada pelo pecado original, nela vivia uma gente sem pecado, vivia no mesmo paraíso em que viveram, como rezam as lendas de toda a humanidade, os nossos antepassados pecadores, apenas com a diferença de que aqui a terra inteira era em cada canto um único e mesmo paraíso. Essas pessoas, rindo alegremente, se achegavam a mim e me afagavam; levaram-me consigo, e cada uma delas queria me apaziguar. Ah, não me fizeram nenhuma pergunta, mas era como se já soubessem de tudo, assim me pareceu, e queriam expulsar o mais depressa possível o sofrimento do meu rosto….”.

(Trecho de O Sonho de um Homem Ridículo, de Fiódor Dostoiévski)

O conto é uma reflexão sobre a busca de sentido, o valor da empatia e a possibilidade de redenção. Dostoiévski usa este sonho fantástico para questionar a natureza humana e a existência de um propósito maior, destacando a importância do amor e da compreensão como valores universais. A obra é um exemplo brilhante de como a literatura pode explorar as profundezas da mente e da alma humana, inspirando leitores a refletirem sobre suas próprias escolhas.

Sobre a encenação e prêmios

“Para a adaptação teatral, nos interessa sobretudo esta narrativa fantástica, a intensidade da interpretação dramática, a inventividade da linguagem cênica, assim como uma reflexão crítica aliada à beleza que a obra de Dostoiévski nos proporciona”, conta Kavanji. 

Para esta montagem, foi fundamental o aprofundamento do ator na busca de vestígios deste homem, o Homem Ridículo, este personagem em movimento no espaço, sua linguagem corporal, a partir da pesquisa em referências das artes plásticas, literatura, cinema, proporcionando explosões imagéticas combinadas com cenário, figurino e iluminação.

Nas pesquisas para a criação do espetáculo, o grupo também recorreu a duas referências extras. Uma é o texto O Louco, ou O Homem que Matou Deus, de Friedrich Nietzsche, e a outra é uma reflexão sobre o mito de Sísifo feita por Albert Camus. 

Esta montagem de O Sonho de um Homem Ridículo estreou em 2023, em Minas Gerais, e recebeu 17 indicações a prêmios em oito festivais pelo Brasil, com destaque para as conquistas de Melhor Ator, Melhor Espetáculo de Palco, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Cenário no renomado 7º FESTA – Festival Internacional de Palco e Rua de Araçuaí, e mais recente os prêmios de Melhor Ator, Melhor Direção e Melhor Espetáculo Solo no 12º Festival Nacional de Teatro do Piauí – Floriano PI, consolidando-se como uma referência em excelência artística, ao todo a companhia já coleciona 08 prêmios do espetáculo.

SINOPSE

No premiado espetáculo “O Sonho de Um Homem Ridículo”, de Fiódor Dostoiévski, o personagem mergulhado em reflexões sobre as contínuas frustrações em sua vida, bem como a falta de significado e propósito no mundo que o rodeia, adormece na poltrona diante do revólver carregado, após decidir acabar com sua própria vida. Inicia-se então um dos sonhos mais fantásticos da literatura mundial, onde Dostoiévski propõe uma reflexão sobre o sentido da vida, a existência ou não do além vida, a força da empatia e o amor como um grande valor universal, explorando a introspecção do personagem e sua jornada rumo à compreensão de si mesmo e do universo ao seu redor.

FICHA TÉCNICA

Companhia Lúdica dos Atores de BH

Espetáculo: O Sonho de um Homem Ridículo, de Fiódor Dostoiévski

Prólogo: O Louco, de A Gaia Ciência, de Friedrich Nietzsche 

Edição: Fiódor Dostoiévski. O Sonho de Um Homem Ridículo

Tradução: Vadim Nikitin, São Paulo: Editora 34. 

Coordenação e produção geral: Argos Produções Culturais 

Direção, cenário e figurino: Alexandre Kavanji

Ator: Léo Horta

Produção executiva: Léo Horta

Assistência de direção: Marina Galeri

Iluminação: Felipe Cosse 

Preparação corporal: Priscila Patta

Orientação dramatúrgica: Solange Dias 

Trilha sonora original: Léo Nascimento

Assessoria de imprensa: Argos Comunicação 

TEMPO DE PEÇA: 60 MINUTOS

CLASSIFICAÇÃO – 12 ANOS

SERVIÇO:

Local: Teatro de Arena Eugênio Kusnet

Data: De 04 à 14 de junho | quinta a sábado às 20:00 h | Dom. 18:00 h | Dia 13/06 sábado (especialmente) às 16:00 h. 

Endereço: Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – Vila Buarque, São Paulo

R$50,00 (Inteira no Sympla e na bilheteria do teatro)

R$25,00 (meia no Sympla e na bilheteria do teatro)

LINK SYMPLA

www.sympla.com.br/evento/o-sonho-de-um-homem-ridiculo-sao-paulo-2026/3416141 

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O leitor participa: Caroline Arnold recomenda o livro 'Além do Bem e do Mal', de Friedrich Nietzsche

Livre-se dos preconceitos filosóficos

Com tradução de um especialista em Friedrich Nietzsche, a Edipro publica
a obra mais genuína do filósofo que revela muitas questões a serem feitas a si mesmo

 

Um ano após ser escrita e publicada às custas do autor, a obra vendeu apenas 114 exemplares e fez Friedrich Nietzsche acreditar que não queriam que ele escrevesse. Depois de cem anos, Além do Bem e do Mal tornou-se uma das maiores obras da filosofia ocidental. E, neste mês, ganha uma versão pela Editora Edipro, que cuidadosamente escolheu o tradutor Saulo Kreiger, pesquisador e membro do GEN – grupo de estudos dedicado à obra do filósofo.

Rejeitada por várias vezes seguidas por muitos editores, a obra do filólogo, crítico cultural, poeta e compositor prussiano do século XIX, inaugura uma nova fase na produção de Nietzsche, pela qual ela se tornaria mais conhecido: uma filosofia de negação e de destruição.

Considerado pelo próprio autor um de seus principais escritos, este livro, dividido em nove partes, aborda desde a influência do popular sobre o erudito até a crítica ao nacionalismo e ao antissemitismo crescente na Europa.

Deus está morto? O instinto será condenado? Afasta-se de ti mesmo? Você é senhor ou escravo? A civilização está baseada no medo? Estes são alguns dos questionamentos trazidos pelo filósofo.

Já em sua primeira seção, intitulada “Dos preconceitos dos filósofos”, Nietzsche deixa evidente o tom niilista destrutivo que iria dominar a sua obra a partir de então. O autor passa a defender o desprendimento da filosofia de preconceitos morais e um engajamento maior do filósofo, que deveria se posicionar a respeito do mundo que o cerca.

Esta obra é uma importante reflexão sobre a lógica da humanidade que persegue a razão, seja cartesiana, seja aristotélica. Nietzsche questiona a necessidade de superação dessa lógica e, enfim, a necessidade de ir Além do Bem e do Mal.

Sobre o autor: Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900) foi um filólogo, filósofo, crítico cultural, poeta e compositor alemão do século XIX. Escreveu diversos textos críticos sobre religião, filosofia, ciência, a moral e a cultura contemporânea, exibindo uma predileção por metáforas, ironia e aforismos. Famoso pela sentença “Deus está morto”, ironicamente era neto de dois pastores luteranos e pensou, ele próprio, em seguir a carreira de pastor. Já na adolescência, entretanto, rejeitou os dogmas religiosos e, aos 24 anos, já havia sido nomeado professor de filologia na Universidade da Basileia. Em 1879, sua saúde debilitada obrigou-o a abandonar o cargo de professor. Em 1889, uma crise de loucura colocou-o sob os cuidados da mãe e, posteriormente, da irmã, até sua morte, em 1900, em Weimar, na Alemanha.

Ficha técnica: Editora: Edipro | Assunto: Psiquiatria | Preço: 49,00 – e-book: 24,50 | ISBN: 9788552100430 | Edição: 1ª edição, 2019 | Tamanho: 14×21 | Páginas: 240