Dia Internacional dos Povos Indígenas

Renata Barcellos

‘Dia Internacional dos Povos Indígenas:
avanços e retrocessos’

Renata Barcellos
Renata Barcellos

 “Enquanto tiver gente no Brasil, vai ter presença indígena” (Ailton Krenak: filósofo, poeta, escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras)

Renata Barcellos e Porakê Munduruku
Renata Barcellos e Porakê Munduruku

O Dia Internacional dos Povos Indígenas é comemorado em 9 de agosto. Foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1994, como instrumento de apoio e de luta pelas causas dos povos originários em todo mundo. A data é dedicada a homenagear e reconhecer as tradições dos povos indígenas, promover a conscientização sobre a inclusão deles na sociedade e dos direitos humanos e relembrar a primeira reunião do Grupo de Trabalho sobre Populações Indígenas da ONU, em 1982.

Assim, reafirmando as garantias previstas na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (criada em 2007 pela Organização das Nações Unidas – ONU). O referido documento é composto por 46 artigos, cujo objetivo é apresentar todos os direitos básicos das populações indígenas mundiais. Entre os principais pontos defendidos pela Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas,estão:

  • – igualdade de condições perante as leis internacionais;
  • – autodeterminação dos povos;
  • – combate a qualquer tipo de discriminação;
  • – direito aos territórios;

Atualmente, as comunidades indígenas estão entre as populações mais vulneráveis ​​do mundo. De acordo com dados das Nações Unidas, existem aproximadamente 476 milhões de indígenas em 90 países, representando pouco mais de 5% da população mundial. Utilizam cerca de 22% da área terrestre global. Os povos indígenas de todo o mundo compartilham problemas relacionados à proteção de seus direitos. E continuam a enfrentar a marginalização, a pobreza extrema e outras violações dos direitos humanos.

Lei 14.402/2022 – Art. 1º: institui o dia 19 de abril como o Dia dos Povos Indígenas e revoga o Decreto-Lei nº 5.540, de 2 de junho de 1943.

Segundo o Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há cerca de 1.652.876 pessoas indígenas, no Brasil. Esse número é maior do que o apontado pelo Censo anterior, realizado em 2010. Na época, foram contados mais de 896 mil indígenas. Esse número representa menos de 1% do total da população absoluta do país, com 305 diferentes etnias e 274 línguas, consolidando a pluralidade étnica e linguística dos povos originários.

O Brasil tem 5.568 municípios e 4.832 deles possuem moradores que se identificam como indígenas (86,7% do total). Manaus, capital do Amazonas, é a cidade brasileira com a maior quantidade de indígenas: 71,7 mil pessoas. Em seguida, estão São Gabriel da Cachoeira (com 48,3 mil) e Tabatinga (34,5 mil), ambas também amazônicas.

As regiões Norte e Nordeste concentram aproximadamente 75% da população indígena do Brasil. Os estados com a maior quantidade de pessoas desse grupo são:

  • Amazonas: cerca de 490 mil indígenas
  • Bahia: cerca de 229 mil indígenas
  • Mato Grosso do Sul: cerca de 116 mil indígenas
  • Pernambuco: cerca de 106 mil indígenas
  • Roraima: cerca de 97 mil indígenas

Por outro lado, Sergipe é o estado com a menor população indígena em números totais, registrando pouco mais de 4,7 mil pessoas.

Os dados do Censo 2022 registraram 867,9 mil indígenas vivendo na Amazônia Legal, o equivalente a 51,25% do total. A Amazônia Legalé um recorte geográfico que abrange uma área de aproximadamente 5 milhões de quilômetros quadrados. Fazem parte dela os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão.

Lei nº 2.889/1956 (Crime de Genocídio)

  • O que faz: define e pune o crime de genocídio contra grupos nacionais, étnicos, raciais ou religiosos.
  • Ações punidas: matar membros, causar lesão grave física ou mental, ou submeter o grupo a condições de destruição total ou parcial.
  • Contexto:  Brasil ratificou convenções internacionais para tipificar penalmente esses massacres.

Lei nº 6.001/73 – Estatuto do Índio: garante a proteção e a preservação das comunidades indígenas. No Art.1 consta o seguinte: “Esta Lei regula a situação jurídica dos índios ou silvícolas e das comunidades indígenas, com o propósito de preservar a sua cultura e integrá-los, progressiva e harmonicamente, à comunhão nacional”.

Constituição Federal de 1988 reconhece o direito originário dos indígenas sobre as terras, como consta no Art. 216 da CF, “Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”.

  • Lei nº 14.701/2023 (Marco Temporal)
  • O que faz: estabelece que os povos indígenas só têm direito a demarcar terras que ocupavam em 5 de outubro de 1988.
  • Crítica: lideranças indígenas e entidades como o Greenpeace Brasil batizaram a norma de “Lei do Genocídio Indígena” por entenderem que ela anula direitos originários e estimula conflitos e invasões de territórios.

A Convenção 169 da OIT é um tratado internacional da Organização Internacional do Trabalho que protege os direitos dos povos indígenas e tribais. Ela garante o direito à terra, à cultura própria e a consulta prévia sobre leis ou obras que afetem esses grupos. No Brasil, o texto foi promulgado pelo Decreto nº 5.051/2004.

Lei nº 11.645, sancionada em 10 de março de 2008. Esta altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e define regras para escolas públicas e privadas sobre o ensino das culturas e literaturas dos povos indígenas.

Sônia Guajajara: primeira e atual ministra dos Povos Indígenas do Brasil (ativista e liderança da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil -APIB).

Ailton Krenak: primeiro escritor indígena a ingressar na Academia Brasileira de Letras (ABL): ambientalista, filósofo e escritor. Eleito em 5 de outubro de 2023 e tomou posse em 5 de abril de 2024.

Depoimentos

Altaci Kokama (primeira professora indígena da UnB, pré-candidata à Deputada Distrital pelo PT): “A situação atual dos *povos originários no Brasil em 2026* é de avanços em algumas áreas e retrocessos/desafios ainda muito grandes em outras”.

Luana Guarani – Cunhã Pará Potÿ: “Enfrentamos grandes desafios. O preconceito, a invisibilidade, a perda de territórios, as dificuldades de acesso a direitos básicos e a desvalorização de nossas culturas continuam fazendo parte da realidade de muitos povos indígenas. Em diversos lugares, somos vistos apenas pelas lentes dos estereótipos, quando, na verdade, somos povos vivos, diversos, contemporâneos e protagonistas de nossa própria história.

Ser indígena não significa viver preso ao passado. Continuamos preservando nossas identidades, nossas línguas, nossos costumes e nossa espiritualidade, ao mesmo tempo em que ocupamos universidades, espaços de decisão, escolas, centros culturais e diferentes profissões. Nossa identidade não é definida pelas roupas que usamos ou pelo lugar onde vivemos, mas pelo pertencimento ao nosso povo, à nossa ancestralidade e aos nossos modos de existir”.

Maria Lídia Tupinambá (pedagoga maranhense, conselheira da Educação Escolar Indígena, vice-presidente do Conselho Estadual da Mulher do Maranhão, Assessora Especial de Assuntos Indígenas da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular – SEDIHPOP – e Coordenadora Nacional da RENIU – Rede de Articulação de Indígenas em Contexto Urbano e Imigrantes): “o Dia Internacional dos Povos Indígenas representa um momento de celebrar conquistas históricas e reafirmar a luta permanente pela garantia dos direitos dos povos originários.

A criação do Ministério dos Povos Indígenas, sob a liderança da ministra Sônia Guajajara, marcou um novo momento na história do Brasil ao reconhecer a necessidade de um órgão específico para formular, articular e fortalecer políticas públicas voltadas aos povos indígenas. A atuação da ministra consolidou o protagonismo indígena nos espaços de decisão, ampliou o diálogo entre o Estado e as comunidades, fortaleceu a defesa dos territórios, das culturas e dos direitos originários, além de conferir maior visibilidade às demandas históricas dos povos indígenas.

Da mesma forma, a eleição de Ailton Krenak para a Academia Brasileira de Letras representa um marco para o reconhecimento da produção intelectual indígena, demonstrando que os saberes ancestrais e as narrativas dos povos originários ocupam, cada vez mais, espaços de destaque nas instituições brasileiras, fortalecendo a diversidade, a memória e a identidade nacional”.

Porakê Munduruku (indígena em retomada no contexto urbano da Região Metropolitana de Belém, escritor, roteirista e coordenador do Tekó – Coletivo de Artivismo Indígena), afirma: “Celebrar o Dia Internacional dos Povos Originários exige encararmos de frente a dura realidade com a qual ainda nos deparamos. Ainda sangramos com invasões territoriais e a violência colonial e xenófoba na Amazônia e demais territórios indígenas.

Embora a presença de um Ministério dos Povos Indígenas e a histórica ocupação de uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL) representem vitórias políticas e simbólicas fundamentais para ecoar nossas vozes nas estruturas institucionais, tais avanços não podem mascarar a urgência da demarcação de terras, do combate ao garimpo ilegal e da garantia de dignidade e direitos fundamentais para os parentes que resistem tanto nas aldeias quanto nas periferias urbanas”.

A partir do exposto acima, podemos constatar a criação de legislações e datas comemorativas como a do dia 9. Entretanto, apesar de conquistas, o que observamos é ainda a exclusão dos povos indígenas. Pensemos:

– Convivemos no quotidiano com indígenas de diferentes etnias?

– Os indígenas assumiram funções nas diversas áreas onde convivo?

– Estudo (ei) literaturas produzidas pelos povos indígenas?

– Escritores indígenas são divulgados devidamente nos eventos culturais?

Que, nesta data de 2026, possamos reconhecer a luta histórica dos povos indígenas!!! Estes que resistem ao apagamento, à violência e à invasão de seus territórios. Diariamente, enfrentam ameaça às suas terras, à sua existência e aos seus direitos.

O Brasil precisa reescrever sua história, sobretudo no que tange ao povo originário. Só a partir da constituição de 1988, teve seus direitos reconhecidos “no papel”, porque, na prática, ainda é latente e urgente a luta por seu protagonismo, seus direitos pela terra, seus direitos políticos… Infelizmente, vozes indígenas são silenciadas e há a constante  invisibilização. Levantar a bandeira pelas causas deles é não só defendê-los como também proteger o futuro da humanidade e a preservação do planeta.

Renata Barcellos

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Como o jornalista Helio Rubens vê o mundo

Nesta edição, Helio Rubens aborda a Guerra de Israel e o Hamas

Helio Rubens
Helio Rubens
A ONU, como facilitadora da paz mundial"
“A ONU, como facilitadora da paz mundial”
Criador de imagens do Bing

A resposta armada de Israel contra o Hamas é proporcional à ação inesperada do ataque do Hamas? Qual tem sido o papel da ONU? E o conflito tem solução?

Nesta edição da coluna ‘Como o jornalista Helio Rubens vê as coisas‘, publicada pela TVITAPÊ (Programa Telescópio), pelo programa Telejornal A Voz do Povo e pelo Jornal Cultural ROL, o jornalista Helio Rubens discorre sobre a violenta resposta armada de Israel contra o Hamas, o papel da ONU em relação ao conflito, e aponta uma solução.

TRECHO DO TELEJORNAL ‘A VOZ DO POVO’ – TERÇA-FEIRA 12/12/2023

Acesse o linque: https://www.facebook.com/100010112403173/posts/pfbid02DzvoorXSGDzDFD6sPDEhtJKGajZHmxSbJdkkqVjE7Ht96CPL5WYqsLoo3upEwHrUl/?app=fbl

Voltar: http://www.jornalrol.com.br

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Uma resolução histórica para proteger o patrimônio cultural

 “… a Resolução 2347, do Conselho de Segurança da ONU, reconhece formalmente que a defesa do patrimônio cultural é imperativa para a segurança.”

A quantidade de conflitos armados tem aumentado muito desde os anos 1980 – primeiro na Ásia Central (Afeganistão), depois em partes do Oriente Médio (Iraque e Síria) e da África Ocidental (Mali). Isso levou ao aumento da destruição de sítios históricos por grupos terroristas e a uma explosão do tráfico de artefatos culturais. A comunidade internacional respondeu ativamente à destruição causada pelo grupo Estado Islâmico (EI, ISIS ou Daesh), com uma gama muito maior de instrumentos à sua disposição – o que possibilita aumentar a proteção da Memória Cultural da Humanidade.

Em 2017, a comunidade internacional demonstrou que estava unida em sua determinação política de proteger o patrimônio cultural – a Resolução 2347 (link is external), do Conselho de Segurança da ONU, reconhece formalmente que a defesa do patrimônio cultural é imperativa para a segurança.

Demorou muito tempo para que as sementes da ideia de imunidade dos bens culturais em tempos de guerra florescessem em uma decisão histórica. Isso marca uma nova consciência mundial sobre o papel que a cultura desempenha na manutenção da segurança.

O processo começou ao final do século XIX, quando 15 Estados europeus se reuniram em Bruxelas (Bélgica), em 27 de julho de 1874, para examinar o projeto do acordo internacional sobre as Leis e Costumes da Guerra. Um mês depois, o Artigo 8(link is external) da Declaração de Bruxelas estipulou que: “Todo confisco ou destruição de, ou dano intencional a, […] monumentos históricos, obras de arte e ciência serão submetidos a procedimentos legais pelas autoridades competentes”.

Vinte e cinco anos depois, em 1899, por a iniciativa do Czar Nicolau II, da Rússia, foi realizada, nos Países Baixos, uma conferência internacional para a paz com o objetivo de revisar a Declaração – que nunca foi ratificada – e adotar a Convenção a Respeito das Leis e dos Costumes da Guerra em Solo (link is external).

Também conhecida como a Convenção de Haia de 1899, ela avançou consideravelmente a lei internacional e estabeleceu o princípio de imunidade dos bens culturais. Segundo o Artigo 27 (link is external) da Convenção (revisado durante a Segunda Convenção de Haia, em 18 de outubro de 1907): “Em cercos e bombardeios, todas as medidas devem ser tomadas para poupar, o tanto quanto possível, edifícios dedicados a religião, arte, ciência ou para fins de caridade, monumentos históricos, hospitais […] desde que eles não estejam sendo usados no momento para fins militares. É dever de quem estiver sitiado indicar a presença de tais edifícios ou lugares com sinais distintivos ou visíveis, que serão notificados antecipadamente ao inimigo”.

Três décadas depois, em 1935, o preâmbulo do Tratado sobre a Proteção de Instituições Artísticas e Científicas e Monumentos Históricos – uma iniciativa pan-americana também conhecida como Pacto de Roerich – formulou a ideia de que os bens culturais que “formam o tesouro cultural dos povos devem “er respeitados e protegidos em tempos de guerra e de paz”.

 

Fonte de pesquisas no site da UNESCO:

https://pt.unesco.org/…/uma-resolucao-historica…

 

 

 

 

 

 




Célio Pezza – ONU

Célio Pezza  – Crônica # 356

 

Célio Pezza  – ONU

 

Em 26 de junho de 1945, na cidade de São Francisco, EUA, representantes de 50 países, assinaram a Carta de São Francisco, criando a ONU, para manter a paz mundial. Essa carta entrou em vigor no dia 24 de outubro do mesmo ano, com o seguinte slogan: Nós, os povos das Nações Unidas, unidos para um mundo melhor. Os propósitos e princípios são:

Manter a paz e a segurança internacionais, tomar, coletivamente, medidas efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir atos de agressões ou qualquer outra ruptura da paz. Desenvolver relações amistosas entre as nações, baseadas no respeito ao princípio de igualdade de direitos. Conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de caráter econômico, social, cultural ou humanitário, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião. Ser um centro destinado a harmonizar a ação das nações para a consecução desses objetivos comuns.

Hoje, decorridos 72 anos de sua criação, vemos, com tristeza, que não conseguiu cumprir com seu objetivo principal de manter a paz e a segurança no mundo. Aliás, não tivemos um ano sequer sem um conflito em alguma parte do mundo desde a sua criação. Podemos até dizer que a ONU, atualmente, é somente mais uma organização geradora de eventos, reuniões, relatórios, jantares, comemorações fúteis entre seus membros e desperdício de dinheiro. Quando ela pede um cessar fogo, é simplesmente ignorada, como no caso da Síria, os ataques de Israel na Faixa de Gaza e muitos outros. Na verdade, nem seus membros respeitam suas recomendações, pedidos e muito menos os direitos humanos. A ONU tem um Conselho de Segurança expectador de genocídios em várias partes do mundo e muitos países em desenvolvimento a acusam de ser um órgão antidemocrático e dominado pelos países ricos. Além de não fazer nada que vá ao encontro dos objetivos de sua criação, ainda é acusada pela organização britânica Save the Children (Salvem as Crianças), de cometer abusos sexuais contra crianças no Haiti, Costa do Marfim, Sudão e outros países, onde os funcionários da própria ONU estariam cometendo ou acobertando esses crimes. De acordo com o jornal britânico The Guardian, a ONU gastou mais de US$ 500 bilhões desde a sua criação, o que é um absurdo se consideramos os seus resultados.

Resumindo, a ONU é um órgão sem nenhuma força para cumprir seus objetivos e que serve para impor a vontade de alguns membros sobre o resto do mundo, além, é claro, de uma infinidade de relatórios ricamente ilustrados, grandes eventos, homenagens aos seus membros e um enorme desperdício de dinheiro. Se a ONU fosse extinta hoje, provavelmente ninguém realmente preocupado com a humanidade sentiria sua falta; pelo contrário, aplaudiriam e brindariam à sua extinção. Interessante que a própria ONU emitiu um relatório onde apontou que para acabar com a pobreza extrema no mundo, precisaria ser investido US$ 270 bilhões em áreas rurais e urbanas, ou seja, o que ela gastou já daria para acabar com o sofrimento real de grande parte da população. Fechar a ONU e destinar toda a sua arrecadação para o combate à fome seria uma grande vitória da humanidade.

 

Célio Pezza 

Junho, 2017




Célio Pezza – Crônica # 356 – 'ONU'

Célio Pezza  – Crônica # 356  – ‘ONU’

 

Em 26 de junho de 1945, na cidade de São Francisco, EUA, representantes de 50 países, assinaram a Carta de São Francisco, criando a ONU, para manter a paz mundial. Essa carta entrou em vigor no dia 24 de outubro do mesmo ano, com o seguinte slogan: Nós, os povos das Nações Unidas, unidos para um mundo melhor. Os propósitos e princípios são:

Manter a paz e a segurança internacionais, tomar, coletivamente, medidas efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir atos de agressões ou qualquer outra ruptura da paz. Desenvolver relações amistosas entre as nações, baseadas no respeito ao princípio de igualdade de direitos. Conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de caráter econômico, social, cultural ou humanitário, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião. Ser um centro destinado a harmonizar a ação das nações para a consecução desses objetivos comuns.

Hoje, decorridos 72 anos de sua criação, vemos, com tristeza, que não conseguiu cumprir com seu objetivo principal de manter a paz e a segurança no mundo. Aliás, não tivemos um ano sequer sem um conflito em alguma parte do mundo desde a sua criação. Podemos até dizer que a ONU, atualmente, é somente mais uma organização geradora de eventos, reuniões, relatórios, jantares, comemorações fúteis entre seus membros e desperdício de dinheiro. Quando ela pede um cessar fogo, é simplesmente ignorada, como no caso da Síria, os ataques de Israel na Faixa de Gaza e muitos outros. Na verdade, nem seus membros respeitam suas recomendações, pedidos e muito menos os direitos humanos. A ONU tem um Conselho de Segurança expectador de genocídios em várias partes do mundo e muitos países em desenvolvimento a acusam de ser um órgão antidemocrático e dominado pelos países ricos. Além de não fazer nada que vá ao encontro dos objetivos de sua criação, ainda é acusada pela organização britânica Save the Children (Salvem as Crianças), de cometer abusos sexuais contra crianças no Haiti, Costa do Marfim, Sudão e outros países, onde os funcionários da própria ONU estariam cometendo ou acobertando esses crimes. De acordo com o jornal britânico The Guardian, a ONU gastou mais de US$ 500 bilhões desde a sua criação, o que é um absurdo se consideramos os seus resultados.

Resumindo, a ONU é um órgão sem nenhuma força para cumprir seus objetivos e que serve para impor a vontade de alguns membros sobre o resto do mundo, além, é claro, de uma infinidade de relatórios ricamente ilustrados, grandes eventos, homenagens aos seus membros e um enorme desperdício de dinheiro. Se a ONU fosse extinta hoje, provavelmente ninguém realmente preocupado com a humanidade sentiria sua falta; pelo contrário, aplaudiriam e brindariam à sua extinção. Interessante que a própria ONU emitiu um relatório onde apontou que para acabar com a pobreza extrema no mundo, precisaria ser investido US$ 270 bilhões em áreas rurais e urbanas, ou seja, o que ela gastou já daria para acabar com o sofrimento real de grande parte da população. Fechar a ONU e destinar toda a sua arrecadação para o combate à fome seria uma grande vitória da humanidade.

 

Célio Pezza 

Junho, 2017




Artigo de Celio Pezza: 'Para que serve a ONU?'

Crônica # 297: Para que serve a ONU?

 

Colunista do ROL
Celio Pezza

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) foi criado após a Segunda Guerra Mundial, em outubro de 1945, com o objetivo de manter a paz e a segurança entre países.

Atualmente a ONU tem como missão promover o direito internacional entre as Nações, assegurar a segurança internacional, promover o desenvolvimento econômico e social, fazer respeitar os direitos humanos e defender a paz mundial. Ela tem como membros permanentes as cinco maiores potências militares (EUA, Rússia, Inglaterra, França e China), que também financiam grande parte de suas despesas.

Esse grupo privilegiado tem o direito de vetar outros países de pertencerem à ONU, assim como barrar qualquer resolução que seja apreciada.

Também tem dez membros rotativos, que são eleitos pela Assembléia Geral da ONU por um período de dois anos.

Além disso, tem 193 países-membros, que ajudam a pagar as suas contas.

Desde sua fundação, já houveram vários pedidos para uma reforma, alguns querendo uma atuação real da ONU para resolver os conflitos mundiais e outros querendo que ela se dedique somente a trabalhos humanitários.  Também já foi acusada de desperdício e ineficiência em todos os seus setores.

A verdade é que, atualmente, a ONU não atende nem de longe os motivos para os quais foi criada e se tornou uma organização geradora de eventos, reuniões, relatórios, jantares, comemorações e desperdício de dinheiro.

Também temos inúmeros casos, onde a ONU pediu um cessar fogo, mas foi simplesmente ignorada, como os ataques de Israel à Faixa de Gaza, o conflito na Síria onde está ocorrendo um verdadeiro massacre da população civil, o drama dos refugiados e outros.

Isso mostra que é uma organização impotente, pois nem seus membros respeitam os direitos humanos.

Também não é uma instituição democrática, visto que seus membros permanentes ditam as regras.

Evidente que tudo que não é do interesse destes países será vetado, como por exemplo, acabar com um conflito no Oriente Médio.

Além de não fazer nada que vá de encontro aos objetivos de sua criação, também é acusada pela organização britânica ‘Save the Children’ (Salvem as Crianças), de cometer abusos sexuais contra crianças no Haiti, Costa do Marfim, Sudão e outros países, onde os funcionários da própria ONU estariam cometendo ou acobertando esses crimes.

Ela tem um Conselho de Segurança expectador de genocídios em várias partes do mundo e países em desenvolvimento a acusam de ser um órgão antidemocrático dominado pelos países ricos, além de ser uma organização inchada e ineficiente, que investe mais na criação de metas e relatórios do que na apresentação de resultados.

De acordo com o jornal inglês ‘The Guardian’, a ONU gastou mais de US$ 500 bilhões desde a sua criação, o que é um absurdo se considerarmos seus resultados.

Resumindo, a ONU é um órgão sem força para cumprir seus objetivos e que serve para impor a vontade de algumas potências, além, é claro, de uma infinidade de relatórios, grandes eventos e homenagens aos seus membros.

A verdade é que se extinguida, provavelmente ninguém sentirá sua falta.

Célio Pezza

Janeiro, 2016