Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos

Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho

‘A Origem, Fundamentação Histórica e Finalidades do Centro
Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos –
CSAEFH’

Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
Dom Alexandre Rurikovich Carvalho
Logomarca do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e HIstóricos

Capítulo 1

Origem e Fundamentação Histórica do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos

O Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos (CSAEFH) é uma associação civil de caráter científico, cultural e histórico, sem fins econômicos, fundada em 11 de dezembro de 2011, com a finalidade de promover a investigação acadêmica, a produção intelectual e a preservação da memória histórica e filosófica das civilizações humanas.

Constitui-se como instituição oficial de pesquisas da Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, atuando como órgão de estudos históricos, filosóficos e culturais voltado à investigação das tradições civilizacionais europeias e euroasiáticas, especialmente aquelas relacionadas à formação histórica da Europa medieval.

O Centro é mantido pela Associação Cultural Internacional de Ciências, Letras e Artes e pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (FEBACLA), entidades que lhe conferem sustentação institucional, científica e cultural, consolidando sua natureza acadêmica e interdisciplinar.

Sua finalidade principal consiste no estudo, na pesquisa, na preservação, na promoção e na difusão das Ciências Históricas, Ciências Jurídicas, Letras, Artes, Educação e Filosofia, com especial atenção às tradições intelectuais e históricas dos povos antigos e medievais, compreendidos como elementos formadores da civilização ocidental.

Nesse contexto, o Centro Sarmathiano assume não apenas função acadêmica, mas também missão cultural e historiográfica, buscando estabelecer pontes entre o patrimônio histórico da Antiguidade tardia, o mundo medieval e a reflexão contemporânea sobre identidade, memória e tradição.

A Denominação “Sarmathianos” e Seu Significado Histórico

A denominação Sarmathianos inspira-se nos sármatas, antiga confederação de povos nômades de origem iraniana que dominaram as estepes pónticas — região situada ao norte do Mar Negro — estendendo sua influência por vastas áreas da Europa Oriental e Central entre os séculos V a.C. e IV d.C.

A escolha desse nome possui caráter simbólico e historiográfico, representando a convergência entre mobilidade cultural, intercâmbio civilizacional e formação histórica dos povos europeus. Os sármatas ocuparam posição singular na história antiga ao atuarem como mediadores entre o Oriente e o Ocidente, conectando mundos culturais distintos por meio do comércio, da guerra e da transmissão de tradições.

Autores clássicos como Heródoto, Estrabão e Tácito mencionam esses povos sob as denominações Sauromatae e Sarmatae, descrevendo-os como cavaleiros das estepes cuja organização social e militar exerceu profunda influência sobre povos vizinhos.

Origem e Estilo de Vida dos Sármatas

Os sármatas pertenciam ao grupo iraniano oriental das línguas indo-europeias, aparentados aos citas e aos alanos. Desenvolveram uma civilização essencialmente nômade e pastoril, adaptada às vastas planícies eurasiáticas.

Sua economia baseava-se principalmente na criação de cavalos, elemento central de sua cultura material e simbólica. O cavalo representava simultaneamente meio de subsistência, instrumento militar e símbolo de prestígio social. A sociedade organizava-se em clãs tribais liderados por aristocracias guerreiras, cuja autoridade derivava do valor militar e da linhagem.

Escavações arqueológicas em túmulos tumulares (kurgans) revelam complexa cultura funerária, com ricos artefatos metálicos, armas e ornamentos que demonstram elevado grau de especialização artesanal e diferenciação social (Sulimirski, 1970; Rolle, 1989).

O Poder Militar e a Cultura da Cavalaria

A notoriedade histórica dos sármatas decorreu principalmente de sua excelência militar. Reconhecidos como cavaleiros excepcionais, desenvolveram formas avançadas de guerra montada que influenciaram profundamente a evolução da cavalaria europeia.

Destacavam-se pelo uso da cavalaria pesada blindada, equipada com longas lanças (contus) e armaduras de escamas metálicas. Fontes romanas relatam a incorporação de guerreiros sármatas como tropas auxiliares do Império Romano, especialmente nas fronteiras danubianas e na Britânia.

A historiografia moderna identifica nesses modelos militares um dos antecedentes do ideal cavaleiresco medieval europeu, evidenciando a continuidade cultural entre as tradições das estepes e a formação das elites guerreiras medievais (Littleton & Malcor, 1994).

As Mulheres Guerreiras e o Legado das Amazonas

Um dos aspectos mais singulares da sociedade sármata foi a participação ativa das mulheres na guerra e na vida social. Descobertas arqueológicas demonstram a existência de sepultamentos femininos com armamentos completos, indicando que mulheres combatiam ao lado dos homens.

Heródoto associou os sauromatas às lendárias amazonas, sugerindo que tais narrativas míticas possuíam base histórica real. Estudos contemporâneos reforçam essa hipótese, reconhecendo nos povos das estepes uma estrutura social mais flexível quanto aos papéis de gênero (Davis-Kimball, 2002).

Impacto Histórico e Transformações na Antiguidade Tardia

Entre os séculos I a.C. e III d.C., os sármatas tornaram-se potência dominante nas estepes europeias, substituindo progressivamente os citas e estabelecendo redes de contato entre o mundo romano, povos germânicos e regiões asiáticas.

Sua influência manifestou-se por meio:

  • da difusão de técnicas militares;
  • do intercâmbio cultural euroasiático;
  • da formação de aristocracias guerreiras híbridas;
  • da integração gradual a novos povos durante o período das migrações.

A chegada dos hunos no século IV desencadeou processos migratórios que levaram à assimilação de diversos grupos sármatas por populações germânicas e alanas.

A Ligação Histórica com os Godos

O encontro entre sármatas e godos ocorreu nas regiões do Mar Negro durante os séculos II a IV d.C., período documentado por autores como Jordanes e Ammianus Marcellinus.

Os godos, ao estabelecerem-se nas áreas pónticas, absorveram elementos culturais e militares das populações iranianas das estepes. Esse contato resultou em intercâmbio tecnológico, integração de guerreiros e transformação das estruturas militares germânicas.

Grupos alanos — herdeiros diretos da tradição sármata — participaram das migrações germânicas rumo ao Ocidente, contribuindo para as mudanças políticas que marcaram o fim do mundo antigo e o surgimento da Europa medieval.

Assim, a tradição sármata constitui elo histórico entre o universo das estepes eurasiáticas e a formação das identidades góticas, justificando simbolicamente a adoção do nome Sarmathiano pelo Centro de Altos Estudos, como expressão de continuidade histórica, investigação científica e preservação da memória civilizacional.

Capítulo II

Tradição Sarmathiana e Identidade Acadêmica do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos

A identidade acadêmica do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos (CSAEFH) fundamenta-se na concepção de tradição como elemento dinâmico da construção histórica do conhecimento, compreendida não como mera preservação do passado, mas como continuidade intelectual entre civilizações, culturas e sistemas de pensamento ao longo do tempo.

Nesse sentido, a tradição sarmathiana constitui referência simbólica e epistemológica que orienta a missão institucional do Centro. Os sármatas, enquanto povos mediadores entre o Oriente e o Ocidente, representam historicamente a circulação de saberes, práticas culturais e estruturas sociais que contribuíram para a formação do mundo europeu tardo-antigo e medieval. Tal herança histórica inspira o CSAEFH a atuar como espaço de convergência interdisciplinar entre história, filosofia, direito, artes e humanidades

I – A Tradição como Continuidade Civilizacional

A tradição Sarmathiana é compreendida, no âmbito do Centro, como expressão da continuidade civilizacional euroasiática. As estepes pónticas constituíram, durante a Antiguidade, um vasto corredor cultural por meio do qual circularam povos, ideias, tecnologias e formas de organização social.

A historiografia contemporânea reconhece que essas regiões não devem ser interpretadas como periferias da história europeia, mas como zonas de interação decisivas para a formação das identidades políticas e culturais do continente (Harmatta, 1999). Nesse contexto, os sármatas desempenharam papel fundamental na transmissão de modelos militares, valores aristocráticos e concepções simbólicas que influenciaram povos germânicos, alanos e posteriormente as sociedades medievais.

O CSAEFH adota essa perspectiva historiográfica ao compreender a história como resultado de encontros culturais e processos de longa duração, valorizando o estudo comparado das civilizações.

II – Humanismo Histórico e Interdisciplinaridade

A identidade acadêmica do Centro baseia-se em um humanismo histórico interdisciplinar, no qual as Ciências Históricas dialogam com:

  • Filosofia;
  • Ciências Jurídicas;
  • Letras e Filologia;
  • Artes e Estética;
  • Educação e formação cultural.

Essa abordagem reflete a própria natureza das sociedades antigas e medievais, nas quais conhecimento, tradição e prática social não estavam rigidamente separados. Assim como os povos das estepes integravam guerra, espiritualidade e organização social em uma visão unitária do mundo, o CSAEFH promove a integração dos saberes como princípio metodológico.

A interdisciplinaridade constitui, portanto, elemento estruturante da identidade acadêmica sarmathiana, permitindo análises amplas dos fenômenos históricos e culturais.

III – A Herança Sarmathiana e a Formação do Ideal Cavaleiresco

Entre os elementos simbólicos associados à tradição sarmathiana destaca-se o ideal da cavalaria, entendido não apenas como prática militar, mas como expressão ética e cultural.

Estudos historiográficos indicam que a cavalaria pesada desenvolvida pelos povos sármatas e alanos influenciou modelos militares adotados por Roma e posteriormente assimilados por povos germânicos (Sulimirski, 1970; Littleton & Malcor, 1994). Esses elementos contribuíram para a formação do ethos cavaleiresco medieval, caracterizado por valores como honra, lealdade, coragem e serviço.

O CSAEFH incorpora simbolicamente tais valores como princípios acadêmicos, traduzindo-os em:

  • compromisso com a verdade histórica;
  • responsabilidade intelectual;
  • respeito à tradição cultural;
  • promoção do conhecimento como serviço à sociedade.

IV – Relação com a Tradição Gótica e a Antiguidade Tardia

A conexão entre tradição sarmathiana e herança gótica constitui eixo interpretativo central para a identidade institucional do Centro.

Durante os séculos II a IV d.C., as regiões do Mar Negro tornaram-se espaço de interação entre povos iranianos das estepes e grupos germânicos orientais, especialmente os godos. A historiografia registra processos de intercâmbio militar, político e cultural que contribuíram para a transformação das sociedades germânicas na Antiguidade tardia (Jordanes; Ammianus Marcellinus).

A integração de elementos sármatas e alanos nas confederações góticas demonstra que a formação da Europa medieval resultou de sínteses culturais complexas. Assim, o CSAEFH reconhece a tradição gótica não como fenômeno isolado, mas como parte de um continuum histórico mais amplo que inclui as civilizações das estepes euroasiáticas.

Essa perspectiva legitima a vinculação acadêmica do Centro à Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, entendida como referência histórica e cultural inserida em longa tradição civilizacional.

V – Missão Acadêmica e Projeção Contemporânea

Inspirado pela tradição sarmathiana, o Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos assume como missão:

  • promover a pesquisa científica nas humanidades;
  • preservar a memória histórica das civilizações antigas e medievais;
  • incentivar a produção intelectual interdisciplinar;
  • difundir valores culturais fundamentados no humanismo histórico;
  • contribuir para o diálogo entre tradição e contemporaneidade.

A identidade acadêmica do CSAEFH fundamenta-se, portanto, na compreensão da história como patrimônio vivo da humanidade, cuja investigação científica possibilita a construção consciente do presente e a preservação da memória coletiva.

Nesse sentido, o termo Sarmathiano transcende sua origem etno-histórica para tornar-se conceito intelectual que simboliza intercâmbio cultural, mobilidade do conhecimento e continuidade civilizacional.

Capítulo III

Das Atividades Institucionais e da Outorga de Títulos Honoríficos do Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos

O Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos (CSAEFH), no cumprimento de sua missão científica, cultural e educacional, desenvolve atividades destinadas à promoção do conhecimento, à preservação da memória histórica e ao incentivo à produção intelectual nas diversas áreas das humanidades e das ciências correlatas.

Inspirado pelos princípios do humanismo histórico e pela tradição acadêmica que orienta sua identidade institucional, o Centro atua como espaço de reflexão, intercâmbio cultural e reconhecimento do mérito intelectual e social, contribuindo para o fortalecimento da cultura, da educação e da pesquisa histórica.

I – Das Atividades Acadêmicas e Culturais

Para atingir seus objetivos institucionais, o Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos promove e realiza:

a) sessões acadêmicas, palestras, seminários, conferências, congressos, simpósios e demais atividades científicas, públicas ou privadas;

b) atividades associativas, culturais e educativas destinadas à difusão do conhecimento e à valorização das artes, das letras e das tradições históricas;

c) a coleta, classificação, conservação, digitalização e arquivamento de documentos, registros e acervos de interesse histórico, filosófico e cultural;

d) a manutenção de intercâmbio científico e cultural com instituições congêneres nacionais e estrangeiras, visando ao fortalecimento da cooperação acadêmica internacional;

e) a formalização de convênios, termos de cooperação e acordos institucionais com entidades públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras, conforme deliberação da Diretoria.

Tais atividades refletem o compromisso do Centro com a produção e a difusão do saber, bem como com a preservação do patrimônio intelectual e histórico das civilizações humanas.

II – Das Distinções Honoríficas e Títulos Honoris Causa

No âmbito de suas atribuições estatutárias e culturais, o Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos poderá outorgar títulos e distinções honoríficas Honoris Causa, abrangendo os diversos campos do saber humano, especialmente aqueles relacionados às Ciências Históricas, Ciências Jurídicas, Letras, Artes, Educação, Filosofia, Cultura Popular e áreas afins.

A expressão latina Honoris Causa significa literalmente “por causa de honra”, sendo tradicionalmente utilizada para designar distinções concedidas como reconhecimento público a méritos excepcionais e contribuições relevantes à sociedade.

A concessão dessas honrarias constitui ato institucional de natureza cultural e honorífica, destinado a reconhecer trajetórias que contribuam para o desenvolvimento intelectual, social, humanitário e cultural da humanidade.

III – Do Título de Doutor Honoris Causa

O Título de Doutor Honoris Causa representa uma das mais elevadas distinções honoríficas conferidas pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos.

Trata-se de honraria concedida a pessoas físicas, nacionais ou estrangeiras, que, independentemente da posse de formação universitária formal, tenham contribuído de maneira significativa para o avanço:

  • das artes;
  • das ciências;
  • das letras e humanidades;
  • da educação e da filosofia;
  • da cultura e da preservação histórica;
  • da política e da vida pública;
  • da promoção dos direitos humanos;
  • da paz e do desenvolvimento social.

Historicamente, as distinções honoris causa tiveram sua origem no âmbito das universidades europeias, constituindo instrumentos simbólicos de reconhecimento público conferidos a personalidades cujas trajetórias evidenciavam relevantes serviços prestados à sociedade, ao Estado e ao desenvolvimento do saber. Inseridas na tradição acadêmica medieval e moderna, tais honrarias representavam não apenas um tributo individual, mas também a afirmação do papel social das universidades como guardiãs e legitimadoras do conhecimento.

Ao longo dos séculos XIX e XX, observa-se um processo de ampliação institucional dessa prática, que passou a ser gradualmente incorporada por entidades culturais e científicas não universitárias, como academias de letras, institutos históricos e geográficos, associações culturais e centros independentes de estudos e pesquisa. Esse movimento refletiu a expansão do próprio conceito de produção intelectual e de reconhecimento público, acompanhando a diversificação dos espaços de circulação do saber e das formas de contribuição à vida cultural e social.

Nesse contexto, as distinções honoris causa passaram a assumir caráter mais abrangente, destinando-se ao reconhecimento de contribuições intelectuais, científicas, artísticas, sociais e humanitárias, consolidando-se como mecanismos simbólicos de valorização da excelência e do mérito nas múltiplas áreas do conhecimento humano.

Assim, personalidades oriundas de múltiplos campos de atuação — incluindo educação, ciência, artes, literatura, filantropia, empreendedorismo, esportes e serviço público — podem ser legitimamente agraciadas com essa honraria, desde que comprovado impacto social relevante e mérito reconhecido.

IV – Natureza Honorífica do Título

O Título de Doutor Honoris Causa distingue-se dos graus acadêmicos regulares conferidos por instituições de ensino superior.

Diferentemente do doutorado acadêmico obtido mediante programas de pós-graduação, o título honorífico:

  • não exige frequência em cursos formais;
  • não requer produção de tese ou dissertação;
  • não gera histórico escolar;
  • não constitui grau acadêmico profissionalizante.

Sua concessão materializa-se exclusivamente por meio de diploma, certificado, insígnia ou medalha honorífica, simbolizando o reconhecimento institucional por realizações excepcionais e serviços prestados à sociedade.

V – Autonomia Institucional e Ausência de Vinculação ao MEC

O Título de Doutor Honoris Causa possui natureza estritamente honorífica e cultural, não se enquadrando como título acadêmico regulamentado pelo sistema educacional brasileiro.

Por essa razão, sua concessão não está sujeita à fiscalização ou regulamentação do Ministério da Educação (MEC), uma vez que não confere habilitação profissional nem equivalência a graus acadêmicos reconhecidos oficialmente.

Enquanto os títulos acadêmicos formais são regulados pela legislação educacional vigente, as distinções Honoris Causa decorrem da autonomia cultural e institucional das entidades outorgantes, fundamentadas em seus estatutos, tradições e critérios próprios de reconhecimento do mérito.

Consequentemente, a honraria não concede prerrogativas profissionais, direitos acadêmicos formais ou equivalência a doutorado universitário reconhecido pelo MEC.

VI – Da Responsabilidade Institucional na Concessão

A outorga do Título de Doutor Honoris Causa constitui ato de elevada responsabilidade institucional e simbólica.

Sua concessão deve fundamentar-se em critérios:

  • éticos;
  • transparentes;
  • meritocráticos;
  • historicamente justificáveis;
  • socialmente relevantes.

Compete à instituição outorgante assegurar que o reconhecimento honorífico preserve sua credibilidade, seriedade e valor cultural, considerando sempre o mérito pessoal, o impacto social das ações do homenageado e sua contribuição efetiva para o desenvolvimento humano e intelectual.

Dessa forma, o Centro Sarmathiano reafirma seu compromisso com a excelência acadêmica, a valorização do conhecimento e o reconhecimento daqueles que, por suas obras e ações, contribuem significativamente para o progresso da sociedade.

Considerações Finais

O Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos (CSAEFH) afirma-se, por meio de sua constituição institucional, de sua fundamentação histórica e de suas atividades acadêmicas, como espaço dedicado à preservação da memória civilizacional, à produção do conhecimento humanístico e à valorização das tradições intelectuais que contribuíram para a formação da cultura ocidental.

Inspirado simbolicamente na herança histórica dos povos sármatas — mediadores culturais entre diferentes mundos e épocas — o Centro adota como princípio orientador a compreensão da história enquanto continuidade dinâmica das experiências humanas. Nesse sentido, a tradição sarmathiana representa não apenas referência histórica, mas paradigma intelectual voltado ao diálogo entre passado e presente, tradição e reflexão crítica, memória e construção do conhecimento.

Ao estabelecer vínculos acadêmicos com a tradição histórica associada aos povos das estepes eurasiáticas e à herança gótica da Antiguidade Tardia, o CSAEFH reafirma seu compromisso com uma abordagem historiográfica ampla, interdisciplinar e humanista, reconhecendo que as civilizações se formam por processos de intercâmbio cultural e síntese histórica.

As atividades promovidas pelo Centro — incluindo pesquisas, conferências, intercâmbios culturais, preservação documental e iniciativas educacionais — constituem instrumentos fundamentais para a difusão do saber e para o fortalecimento da consciência histórica. Nesse contexto, a outorga de distinções honoríficas, especialmente o Título de Doutor Honoris Causa, insere-se como expressão institucional do reconhecimento público ao mérito intelectual, cultural e social de personalidades cujas ações contribuam significativamente para o progresso humano.

Tal prática não se limita ao ato simbólico da homenagem, mas representa a valorização da excelência, da ética e do compromisso com o desenvolvimento da sociedade, reafirmando o papel das instituições culturais como guardiãs da memória e promotoras do conhecimento.

Dessa forma, o Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos consolida-se como instituição voltada à investigação científica, à promoção cultural e ao reconhecimento do mérito humano, preservando tradições históricas enquanto projeta sua atuação para os desafios contemporâneos e futuros.

Conclui-se, portanto, que a missão do CSAEFH transcende o âmbito institucional, constituindo-se em esforço contínuo de preservação da herança intelectual da humanidade, de estímulo à reflexão filosófica e histórica e de promoção dos valores universais do conhecimento, da cultura e da dignidade humana.

Referências

1. Fontes Clássicas Antigas

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HERÓDOTO. Histórias. Tradução de Mário da Gama Kury. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1985.

JORDANES. Getica: The Origin and Deeds of the Goths. Tradução de Charles C. Mierow. Princeton: Princeton University Press, 1915.

TÁCITO. Germania. Tradução de J. B. Rives. Oxford: Oxford University Press, 1999.

2. Estudos Históricos e Arqueológicos Modernos

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HARMATTA, János (ed.). History of Civilizations of Central Asia: The Development of Sedentary and Nomadic Civilizations (700 B.C. to A.D. 250). Paris: UNESCO Publishing, 1999.

KUZMINA, Elena E. The Origin of the Indo-Iranians. Leiden: Brill, 2007.

ROLLE, Renate. The World of the Scythians. Berkeley: University of California Press, 1989.

SULIMIRSKI, Tadeusz. The Sarmatians. London: Thames & Hudson, 1970.

TAYLOR, Timothy. The Barbarian World. London: Hutchinson, 1987.

3. Povos das Estepes e Contexto Euroasiático

ANTHONY, David W. The Horse, the Wheel, and Language: How Bronze-Age Riders from the Eurasian Steppes Shaped the Modern World. Princeton: Princeton University Press, 2007.

DI COSMO, Nicola. Ancient China and Its Enemies: The Rise of Nomadic Power in East Asian History. Cambridge: Cambridge University Press, 2002.

GOLDEN, Peter B. Central Asia in World History. Oxford: Oxford University Press, 2011.SINOR, Denis (ed.). The Cambridge History of Early Inner Asia. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.

4. Godos e Antiguidade Tardia

HEATHER, Peter. The Goths. Oxford: Blackwell Publishing, 1996.

HEATHER, Peter. Empires and Barbarians: The Fall of Rome and the Birth of Europe. Oxford: Oxford University Press, 2009.

POHL, Walter. The Goths. Oxford: Blackwell Publishers, 1998.WOLFRAM, Herwig. History of the Goths. Berkeley: University of California Press, 1988.

5. Cavalaria Antiga e Tradição Militar das Estepes

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NICOLE, David. Rome’s Enemies (3): Parthians and Sassanid Persians. Oxford: Osprey Publishing, 1996.

Dom Alexandre da Silva Camêlo Rurikovich Carvalho

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Comendador Fabrício Santos: 'A origem do medo'

Comendador Fabrício Santos

A origem do medo

 

Nas lembranças da vida
Uma consciência se contrapõe
Senti meu primeiro medo
No ventre de minha mãe.

Acordei amedrontado
Suando frio, sonhos letais
Com a dor da genitora
Pressentimentos irreais.

São criados pela mente
Num estado de ansiedade
Lamento de rejeição
Complexo de inferioridade.

Fobia da solidão
Temor, horror, aflição
Tensão que corrói por dentro
Silêncio, mortificação.

Tristeza, angústia, depressão
Transtorno de abandonados
Amor sem retribuição
Tormento dos condenados.

Consequências do pânico, apreensão
Ressentir-se com a fraqueza, inquietação
Melindrar-se com a repugnância, consumição
Ofender-se com as críticas, aversão.

Medo emocional, incapacidade
Despertam insegurança, fragilidade
Paralisam a vida, destroem sonhos
Destino final da infelicidade.

Vencer o medo, coragem
Bater de frente com o risco, destemor
Superar o passado, realidade
Não fugir da vida, lutar pelo amor.

Poesia publicada originariamente na coluna Resenha Cultural, do Portal Zona da Mata News, em 27/01/2021.

 

Comendador Fabrício Santos

geniosdapintura@yahoo.com.br

Obra do Artista Plástico Comendador Fabrício Santos da série Apocalipse premiada em 1999 e catalogada no Circuito Internacional de Arte Brasileira coordenado pelo Colege Arte de Belo Horizonte/MG.

 

 

 




Luta, música, dança, ginga, toques e floreios: as várias faces da Capoeira! 1ª Parte: origem da capoeira

A capoeira é praticada por 6 milhões de brasileiros. No mundo, são 8 milhões de capoeiristas espalhados por mais de 160 países

 

Etimologia

Existem duas possibilidades comumente aventadas para se explicar a origem do termo “capoeira”: derivaria do cesto homônimo utilizado pelos escravos para transportar as aves capadas até os mercados onde elas seriam comercializadas: os escravos, no caminho até os mercados, se distrairiam com movimentos de luta, originando, assim, a denominação “capoeira” para os movimentos praticados; derivaria do termo tupi kapu’era, que significa “o que foi mata”, através da junção dos termos ka’a (“mata”) e pûera (“que foi”). Refere-se às áreas de mata rasteira do interior do Brasil onde era praticada agricultura indígena. Acredita-se que a capoeira tenha obtido o nome a partir destas áreas que cercavam as grandes propriedades rurais de base escravocrata. Capoeiristas fugitivos da escravidão e desconhecedores do ambiente ao seu redor frequentemente usavam a vegetação rasteira para se esconderem da perseguição dos capitães do mato.

História 

Origem

No século XVII, era costume dos povos pastores do sul da atual Angola, na África, comemorar a iniciação dos jovens à vida adulta com uma cerimônia chamada n’golo (que significa “zebra” em quimbundo). Durante a cerimônia, os homens competiam numa luta animada pelo toque de atabaques em que ganhava quem conseguisse encostar o pé na cabeça do adversário. O vencedor tinha o direito de escolher, sem ter de pagar o dote, uma noiva entre as jovens que estavam sendo iniciadas à vida adulta. Com a chegada dos invasores portugueses e a escravização dos povos africanos, a capoeira foi introduzida no Brasil.

No Brasil, assim como no restante da América, os escravos africanos eram submetidos a um regime de trabalho forçado. Eram também forçados a adotar a língua portuguesa e a religião católica. Como expressão da revolta contra o tratamento violento a que eram submetidos, os escravos passaram a praticar a luta tradicional do sul de Angola nos terrenos de mata mais rala conhecidos como “capoeiras” (termo que vem do tupi kapu’era, que significa “mata que foi”, se referindo aos trechos de mata que eram queimados ou cortados para abrir terreno para plantações dos índios).

A partir do século XVI, Portugal começou a enviar escravos para o Brasil, provenientes primariamente da África Ocidental. Os povos mais frequentemente vendidos no Brasil faziam parte dos povos iorubás e Daomé, guineo-sudanês, dos povos Malesi e hauçás e do grupo banto (incluindo os congos, os quimbundos e os Kasanjes), provenientes dos territórios localizados atualmente em Angola e Congo.

A capoeira ainda é motivo de controvérsia entre os estudiosos de sua história, sobretudo no que se refere ao período compreendido entre o seu surgimento e o início do século XIX, quando aparecem os primeiros registros confiáveis com descrições sobre sua prática. No século XVI, Portugal tinha um dos maiores impérios coloniais da Europa, mas carecia de mão de obra para efetivamente colonizá-lo. Para suprir este déficit, os colonos portugueses, no Brasil, tentaram, no início, capturar e escravizar os povos indígenas, algo que logo se demonstrou impraticável. A solução foi o tráfico de escravos africanos.

Capitão do mato

A principal atividade econômica colonial do período era o cultivo da cana-de-açúcar. Os colonos portugueses estabeleciam grandes fazendas, cuja mão de obra era primariamente escrava. O escravo, vivendo em condições humilhantes e desumanas, era forçado a trabalhar à exaustão, frequentemente sofrendo castigos e punições físicas. Mesmo sendo em maior número, a falta de armas, a lei vigente, a discordância entre escravos de etnias rivais e o completo desconhecimento da terra em que se encontravam desencorajavam os escravos a rebelar-se. Neste meio, começou a nascer a capoeira. Mais do que uma técnica de combate, surgiu como uma esperança de liberdade e de sobrevivência, uma ferramenta para que o negro foragido, totalmente desequipado, pudesse sobreviver ao ambiente hostil e enfrentar a caça dos capitães do mato, sempre armados e montados a cavalo.

Nos quilombos

Não tardou para que grupos de escravos fugitivos começassem a estabelecer assentamentos em áreas remotas da colônia, conhecidos como quilombos. Inicialmente assentamentos simples, alguns quilombos evoluíam atraindo mais escravos fugitivos, indígenas ou até mesmo europeus que fugiam da lei ou da repressão religiosa católica, até tornarem-se verdadeiros estados multiétnicos independentes. A vida nos quilombos oferecia liberdade e a oportunidade do resgate das culturas perdidas à causa da opressão colonial. Neste tipo de comunidade formada por diversas etnias, constantemente ameaçada pelas invasões portuguesas, a capoeira passou de uma ferramenta para a sobrevivência individual a uma arte marcial com escopo militar.

O maior dos quilombos, o Quilombo dos Palmares, resistiu por mais de cem anos aos ataques das tropas coloniais. Mesmo possuindo material bélico muito aquém dos utilizados pelas tropas coloniais e, geralmente, combatendo em menor número, resistiram a pelo menos 24 ataques de grupos com até 3 000 integrantes comandados por capitães do mato. Foram necessários dezoito grandes ataques de tropas militares do governo colonial para derrotar os quilombolas. Soldados portugueses relataram ser necessário mais de um dragão (militar) para capturar um quilombola, porque se defendiam com estranha técnica de ginga e luta. O governador-geral da Capitania de Pernambuco declarou ser mais difícil derrotar os quilombolas do que os invasores holandeses.

A urbanização

Com a transferência do então príncipe regente dom João VI e de toda a corte portuguesa para o Brasil em 1808, devido à invasão de Portugal por tropas napoleônicas, a colônia deixou de ser uma mera fonte de produtos primários e começou finalmente a se desenvolver como nação. Com a subsequente abertura dos portos a todas as nações amigas, o monopólio português do comércio colonial efetivamente terminou. As cidades cresceram em importância e os brasileiros finalmente receberam permissões para fabricar no Brasil produtos antes importados, como o vidro.

Já existiam registros da prática da capoeira nas cidades de Salvador, Rio de Janeiro e Recife desde o século XVIII, mas o grande aumento do número de escravos urbanos e da própria vida social nas cidades brasileiras deu à capoeira maior facilidade de difusão e maior notoriedade. No Rio de Janeiro, as aventuras dos capoeiristas eram de tal jeito que o governo, através das portarias como a de 31 de outubro de 1821, estabeleceu castigos corporais severos e outras medidas de repressão à prática de capoeira.

Libertação dos escravos e proibição

No fim do século XIX, a escravidão no Brasil era basicamente impraticável por diversos motivos, entre eles o sempre crescente número das fugas dos escravos e os incessantes ataques das milícias quilombolas às propriedades escravocratas. O império Brasileiro tentou amenizar os diversos problemas com medidas como a lei dos Sexagenários e a lei do Ventre Livre, mas o Brasil inevitavelmente reconheceria o fim da escravidão em 13 de maio de 1888 com a lei Áurea, sancionada pelo parlamento e assinada pela princesa Isabel.

Livres, os negros viram-se abandonados à própria sorte. Em sua grande maioria, não tinham onde viver, onde trabalhar e eram desprezados pela sociedade, que os via como vagabundos. O aumento da oferta de mão de obra europeia e asiática do período diminuía ainda mais as oportunidades e logo grande parte dos negros foi marginalizada e, naturalmente, com eles a capoeira.

Foi inevitável que diversos capoeiristas começassem a utilizar suas habilidades de formas pouco convencionais. Muitos começaram a utilizar a capoeira como guardas de corpo, mercenários, assassinos de aluguel, capangas. Grupos de capoeiristas conhecidos como maltas aterrorizavam o Rio de Janeiro. Em pouco tempo, mais especificamente em 1890, a República Brasileira decretou a proibição da capoeira em todo o território nacional, vista a situação caótica da capital brasileira e a notável vantagem que um capoeirista levava no confronto corporal contra um policial.

Devido à proibição, qualquer cidadão pego praticando capoeira era preso, torturado e muitas vezes mutilado pela polícia. A capoeira, após um breve período de liberdade, via-se mais uma vez malvista e perseguida. Expressões culturais como a roda de capoeira eram praticadas em locais afastados ou escondidos e, geralmente, os capoeiristas deixavam alguém de sentinela para avisar de uma eventual chegada da polícia.

Atualmente

Hoje em dia, a capoeira se tornou não apenas uma arte ou um aspecto cultural, mas uma verdadeira exportadora da cultura brasileira para o exterior. Presente em dezenas de países em todos os continentes, todo ano a capoeira atrai ao Brasil milhares de alunos estrangeiros e, frequentemente, capoeiristas estrangeiros se esforçam em aprender a língua portuguesa em um esforço para melhor se envolver com a arte. Mestres e contra-mestres respeitados são constantemente convidados a dar aulas especiais no exterior ou até mesmo a estabelecer seu próprio grupo. Apresentações de capoeira, geralmente administradas em forma de espetáculo, acrobáticas e com pouca marcialidade, são realizadas no mundo inteiro.

O aspecto marcial ainda se faz muito presente e, como nos tempos antigos, ainda é sutil e disfarçado. A malandragem é sempre presente, capoeiristas experientes raramente tiram os olhos de seus oponentes em um jogo de capoeira, já que uma queda pode chegar disfarçada até mesmo em um gesto amigável. Símbolo da cultura afro-brasileira, símbolo da miscigenação de etnias, símbolo de resistência à opressão, a capoeira mudou definitivamente sua imagem e se tornou fonte de orgulho para o povo brasileiro. Atualmente, é considerada patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade

Em 24 de novembro de 2014, durante a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda, que é realizada na sede da Unesco, em Paris, teve a inscrição para recebimento do título aprovada. Em 26 de novembro, a Unesco declara que a Roda de Capoeira é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

 

Fonte de pesquisa:

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

(Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Capoeira>. Acesso em: 19 fev.2018)