Soneto do poeta imperfeito
Poesia indômita
Pietro Costa: ‘Poesia indômita’


Criador de imagens do Bing
À barbárie, o poder se resigna
A marca da maldade em voga
Na orgia instituída que revoga
O direito popular à vida digna
Ah, sociedade sem lei e sem alma
Que para a truculência bate palma
Nos exemplos fajutos de altivez
Será que a poesia ainda tem vez?
Na bandidagem de ‘heróis’ venais
E no heroísmo dos falsos sicários
As armas são modernas e digitais
Balas matam biografias e legados
O @ um dos distintivos mais temidos
Insígnia dos xerifes e milícias virtuais
Arrombando o salão, temperamentais
Fortes disparos nas teclas, há feridos
A sede de poder saciada no sangue
Os descontentes rotulados: gangue
Eis a Carnificina de todos os dias
Bangue-bangue, parece não findar
A democracia e soberania, vítimas
Só na poesia indômita, irei confiar
Pietro Costa
Contatos com o autor
Voltar: http://www.jornalrol.com.br
Facebook: https://www.facebook.com/JCulturalRol/
Humor versus horror
Pietro Costa: Poema ‘Humor versus horror’

Fênix da crônica atroz, astuciosa
De chama inexaurível e poderosa
Caneta de fogo, a tinta subversiva
Artista da sutileza, mente criativa
Humor afiado para a torpeza política
O malabarista das palavras e piadas
Equilibrou-se na corda fina da crítica
Nos trocadilhos, nas linhas traçadas
“Castigat ridendo mores”*
Açoite das ideias livres, debochadas
Espantos tantos das letras reflexivas
Pura insolência das sonoras risadas
Aforismos que afloram perspectivas
Millôr, gênio, carioca multifacetário
O Brasil enaltece o seu centenário
Pietro Costa
N.E.
* Castigat ridendo mores é uma frase em latim que geralmente significa “alguém corrige costumes rindo-se deles” ou “alguém corrige costumes ridicularizando”. Alguns comentaristas sugerem que a frase incorpora a essência da sátira, em outras palavras, a melhor maneira de mudar as coisas é apontar seu absurdo e rir delas. (Wikipédia. A enciclopédia livre)
Contatos com o autor
Voltar: http://www.jornalrol.com.br
Facebook: https://facebook.com/JCulturalRol/
EMORIÔ
Pietro Costa: Poema ‘Emoriô’*


Guiné e Brasil, laços de cultura,
Ritmos inebriantes, desenvoltura,
Povo amoroso, mútua irmandade,
Tambores sagrados, diversidade.
Acordes de batuque, o canto do griô,
As túnicas estampadas, gumbé, nagô,
Elo de musicalidade, fervor, memória,
Lutas contra sua desigualdade inglória.
Emoriô, meus irmãos, unamos as mãos!!
Pietro Costa
N.E.
* Emoriô. É uma frase em iorubá ‘E mo ri O’, e significa Eu Te Vejo, em referência a Oxalá, uma reverência a este Orixá que guarda plena relação com o Sol, a Lua e o Céu e está associado à criação do mundo e da própria espécie humana.
Griô. Griô ou Mestre(a) é toda pessoa que se reconheça e seja reconhecido(a) pela sua própria comunidade como herdeiro(a) dos saberes e fazeres da tradição oral e que, através do poder da palavra, da oralidade, da corporeidade e da vivência, dialoga, aprende, ensina e torna-se a memória viva e afetiva da tradição oral
Gumbé. Gênero musical que nasceu da junção de alguns ritmos tradicionais da Guiné-Bissau como o Tina, Tinga e Kunderé. O instrumento principal desse ritmo é a cabaça, mas também usam o tambor.
Nagô. Designação de qualquer negro escravizado, comerciado na antiga Costa dos Escravos e que falava o iorubá.
Contatos com o autor
Voltar: http://www.jornalrol.com.br
Facebook: https://facebook.com/JCulturalRol/
O Criador de mundos
Pietro Costa: Poema ‘O Criador de mundos’

O emérito maestro do desconcerto
Canto os teus pendores visionários
Refrigério da alma, oásis do pensar
Imerso nas letras, tu crias cenários
Abrandas a dor, o mundo a encantar
Dentro de ti, habitam vários universos
Onde a magia se faz sentir em versos
Ressoas em vozes e nomes diversos
Decifrando o mistério da existência
Ergues-te como farol da resiliência
Mergulhando na imensidão, imerso
Ungido Pessoa, dom incontroverso
Navegas em marés de introspecção
Desvelando o humano com comoção
Onde sua pá lavra jardins de emoção
Sorvemos os eflúvios da inspiração
Pietro Costa
Contatos com o autor
Voltar: http://www.jornalrol.com.br
Facebook: https://facebook.com/JCulturalRol/
Terra-floresta
Pietro Costa: Poema ‘Terra-floresta’

É preciso restituir os sonhos dos Yanomamis
Que a espada da justiça redima tanto sangue
E que o seu cântico volte a ser forte, vibrante
No ritmo do xamã, que cada alma se encante
Omissão de socorro na insegurança alimentar
Terras indígenas onde a lei é invadir, devastar
O Estado em xeque, situação para se lamentar
E tal selvajaria a humanidade precisa enfrentar
E no fogo da resistência o qual se alastra e vibra
Todo o garimpo ilegal e infâmia irão se dissolver
O mais tenebroso redemoinho não há de evolver
Essa nação dotada de esperança, tradição e fibra
Porque coexistir para a humanidade é preciso
E a sobrevivência do inteiro planeta, sob aviso
Na terra-floresta, viceja o irremediável refúgio
Prosperidade sem direitos, abjeto subterfúgio
Pietro Costa
Contatos com o autor
Voltar: http://www.jornalrol.com.br
Facebook: https://facebook.com/JCulturalRol/


