Aprender a estar sós sem nos sentirmos sós

No artigo de Osíris Lópes Valdéz, o silêncio deixa de ser solidão e se torna o reencontro conosco mesmos

Osiris Lópes Valdéz
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Querido e gentil leitor:

Às vezes confundimos estar sozinhos com nos sentirmos sozinhos. Talvez porque tenhamos aprendido a medir nossa companhia pela quantidade de pessoas que temos ao nosso redor, pelas mensagens que chegam ao telefone, pelas conversas que mantemos ou pela presença de alguém do outro lado da cama. E, no entanto, existe uma solidão que dói e outra que pode nos ensinar a viver de uma maneira completamente diferente.

Estar sozinhos nem sempre significa que nos falte alguém. Às vezes significa que, por um momento, deixamos de buscar fora aquilo que precisamos aprender a encontrar dentro de nós mesmos.

Reconheço que nem sempre é fácil. Quando desaparece o ruído dos outros, também surgem nossos próprios pensamentos. E nem sempre queremos ouvi-los. Há silêncios que nos incomodam porque nos obrigam a fazer perguntas que conseguimos evitar enquanto estávamos ocupados ou acompanhados.

Mas talvez seja aí que começa uma das formas mais profundas de nos conhecermos.

Quando aprendemos a estar sozinhos, começamos a descobrir do que realmente gostamos quando ninguém está dando opiniões. O que queremos quando não precisamos atender às expectativas de outra pessoa. Quais coisas fazemos por desejo e quais fazemos simplesmente por medo de decepcionar, de ficar para trás ou de nos sentirmos diferentes.

A solidão também pode nos ensinar a desfrutar da nossa própria companhia. Sair para caminhar sem precisar de uma conversa. Sentar em um café e observar o mundo. Ler um livro durante horas. Ouvir música. Viajar. Cozinhar para nós mesmos. Pensar. Escrever. Até mesmo passar uma tarde sem fazer absolutamente nada e descobrir que o silêncio também pode ser uma forma de descanso.

Há uma liberdade especial em não precisar que alguém esteja permanentemente ao nosso lado para sentir que nossa vida tem sentido.

Isso não significa que deixemos de precisar dos outros. Eu não acredito em uma vida completamente isolada. Acredito na companhia escolhida.

Com o tempo, também compreendi que existe uma enorme diferença entre escolher a solidão e nos sentirmos abandonados por ela. Uma pode se transformar em refúgio; a outra pode se transformar em uma ferida. Por isso, não se trata de romantizar a ausência nem de dizer que não precisamos de ninguém. Trata-se de aprender a reconhecer quando buscamos companhia porque queremos compartilhar nossa vida e quando a buscamos apenas porque temos medo de ficar a sós conosco mesmos.

E então surge uma pergunta que talvez todos devêssemos nos fazer alguma vez: sabemos realmente quem somos quando não há ninguém nos observando?

Talvez essa seja uma das perguntas mais difíceis e, ao mesmo tempo, mais necessárias.

Porque, quando deixamos de ter medo da nossa própria companhia, algo muda. Já não aceitamos qualquer presença simplesmente para evitar o vazio. Já não confundimos estar acompanhados com ser amados. Já não sentimos que devemos permanecer em lugares que nos fazem mal apenas porque temos medo de partir.

Estar sozinhos conosco mesmos é uma oportunidade de nos ouvirmos sem interrupções e de descobrir que dentro de nós existe uma pessoa que talvez tivéssemos passado tempo demais sem ir visitar.

E talvez, querido leitor, aprender a estar sozinhos não seja aprender a viver sem os outros. Seja aprender a viver conosco mesmos o suficiente para que a presença dos outros seja uma escolha, e não uma necessidade.

Porque, quando conseguimos desfrutar da nossa própria companhia, deixamos de ter medo do silêncio.

E então compreendemos algo belo: estar sozinhos nem sempre significa estar sem companhia. Às vezes é, simplesmente, ter aprendido a fazer companhia a nós mesmos.

Osiris Lópes Valdéz

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Setembro Amarelo

Adriana Rocha: ‘Setembro Amarelo: quando a escuta também pode salvar’ | Uma reflexão profunda sobre como a mediação e a escuta ativa são ferramentas capazes de romper o silêncio e acolher a dor alheia

Adriana Rocha
Adriana Rocha
Laço dourado simbolizando união e esperança, cercado por pessoas de diferentes origens e mãos que protegem uma pequena planta, em aquarela.
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Há silêncios que não significam ausência de palavras. Às vezes, significam excesso delas — pensamentos que se acumulam, sentimentos que não encontram espaço, dores que não sabem como ser ditas.

É nesse território delicado que o Setembro Amarelo nos convida a permanecer atentos: ninguém deveria precisar gritar para ser ouvido.

Falar sobre prevenção ao suicídio é, antes de tudo, falar sobre humanidade. É compreender que acolher não significa ter respostas prontas, oferecer soluções imediatas ou tentar convencer alguém de que “vai ficar tudo bem”. Acolher pode começar simplesmente pela disposição genuína de estar presente.

E talvez seja justamente aqui que os princípios da mediação nos ofereçam uma importante inspiração, pois na mediação, aprendemos que escutar é muito mais do que ouvir. A escuta ativa pressupõe presença, atenção, respeito e disponibilidade para compreender o que está sendo comunicado — inclusive aquilo que não é dito explicitamente.

O mediador não escuta para julgar ou para disputar razão.
Não escuta para preparar uma resposta.Escuta para compreender!

Essa postura, tão essencial à construção de diálogos qualificados, também pode transformar relações cotidianas. Uma pergunta feita com genuíno interesse, um olhar atento, um espaço sem julgamentos ou simplesmente a disponibilidade para permanecer ao lado de alguém podem representar uma diferença significativa para quem atravessa um momento de sofrimento.

O diálogo qualificado não elimina a dor, mas pode impedir que a dor seja vivida em absoluta solidão.

Na perspectiva da mediação, o conflito não precisa ser compreendido apenas como ruptura. Ele pode também revelar necessidades, sentimentos, interesses e histórias que precisam ser reconhecidos.

Com a vida acontece algo semelhante. Por trás de um comportamento que nos incomoda, de um afastamento repentino, de uma mudança de rotina ou de um silêncio persistente, pode existir uma história que ainda não encontrou espaço para ser contada.

Por isso, prevenir também é perguntar. É perguntar e realmente permanecer para ouvir. “Como você está?” não deveria ser apenas uma pergunta automática, mas ser uma porta. “Quer conversar?” pode ser um convite. “Estou aqui para ouvir você.” pode ser uma forma de dizer: sua existência importa para mim.

A mediação nos ensina o valor de construir espaços nos quais as pessoas possam falar sem serem imediatamente interrompidas, rotuladas ou desqualificadas. Espaços em que diferentes perspectivas possam coexistir e em que a dignidade de cada pessoa seja preservada.

No Setembro Amarelo, essa aprendizagem ganha uma dimensão ainda mais profunda.

Precisamos construir, em nossas famílias, escolas, organizações, instituições e comunidades, uma verdadeira cultura da conversa.

Uma cultura em que pedir ajuda não seja interpretado como fraqueza.Em que demonstrar vulnerabilidade não seja motivo de vergonha. Em que cuidar da saúde emocional seja compreendido como parte do cuidado com a própria vida.

E, sobretudo, uma cultura em que saibamos reconhecer os limites da nossa escuta: acolher não significa substituir o cuidado profissional. Quando há sofrimento intenso ou risco de suicídio, é fundamental buscar ajuda especializada e acionar os serviços de saúde e emergência adequados.

A mediação nos lembra que algumas situações precisam de um espaço protegido para o diálogo.

O Setembro Amarelo nos lembra que algumas dores também precisam de um espaço protegido para existir — e para serem cuidadas.

Talvez o grande convite deste mês seja justamente este: antes de procurar a palavra certa, ofereça presença. Antes de oferecer conselhos, ofereça escuta.
Antes de julgar, procure compreender. Antes de concluir que alguém está bem, pergunte novamente.

Porque existem conversas que não resolvem tudo, mas existem conversas que podem fazer alguém perceber que não está sozinho.

E, às vezes, é nesse pequeno espaço entre uma pergunta e uma escuta verdadeira que nasce uma possibilidade: a possibilidade de pedir ajuda, de ser acolhido, de encontrar cuidado e de continuar.

Setembro Amarelo nos convida a iluminar a vida.
A mediação nos ensina que, para isso, precisamos aprender a escutar.

Que sejamos, portanto, presença onde houver silêncio, diálogo onde houver distância e acolhimento onde alguém estiver precisando encontrar um lugar seguro para dizer:
“Eu preciso conversar.” E ouvir como resposta: “Vamos Conversar!”

Adriana Rocha

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Três telefones em pensão para senhoras

Em um corredor silencioso, três telefones são o único elo com o mundo e com a esperança do reencontro

Eduardo Cesario-Martínez
Eduardo Cesario-Martínez
Imagem colorida mostra seis mulheres idosas num pátio de pedra. No centro, uma mulher de cabelo cacheado e casaco azul caminha. À esquerda, três mulheres sentadas, uma com andador. À direita, uma mulher numa cadeira de rodas e duas numa banca. O fundo tem paredes de tijolo e telefones pretos vintage.
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Três telefones presos à mesma parede do corredor daquela pensão para senhoras. Enquanto aqueles três objetos permaneciam grudados, sempre no mesmo lugar, as hóspedes, ansiosas, olhavam para o vazio na esperança de que a próxima chamada fosse para elas. Nesse silêncio, até o zumbido de uma mosca poderia ser confundido com o toque do telefone.         

          Alice, uma das hóspedes mais antigas, imaginava estar em um hospício. Já Ruth, que há dois dias havia sido levada para lá, não tinha a menor dúvida. Mas outras opiniões saíam da boca daquelas mulheres, a maioria já passada dos 70, cinco ou seis beirando os 90, sem contar Clara, que insistia em permanecer sobre a terra, apesar dos 104 completados em janeiro. 

          Não eram maltratadas fisicamente, pois o tempo já se encarregara desse papel. Todavia, dor maior era aquela que todas sentiam: o abandono. É verdade que algumas recebiam visitas de parentes, que, aos poucos ou de modo mais ligeiro, iam escasseando até que restassem apenas datas especiais, quando muito. 

          — Isto é uma prisão!

          — Dona Laura, aqui estão os seus remédios. A senhora precisa tomá-los.

          A velha, olhos arregalados, torceu os lábios e, contrariada, obedeceu. Bebeu meio copo d’água e, em seguida, abriu bem a boca para mostrar que havia engolido tudo. A funcionária, assim que deu as costas para levar medicamentos para outras hóspedes, esboçou um sorriso com as palavras de Laura para a hóspede ao lado, Solange.

          — Essa aí é uma peste!

          Solange, que há tempos não falava e mal se movia, se esforçou ao máximo para concordar. Maldito AVC, que a limitou ao quase imperceptível movimento do indicador da mão esquerda. Por conta de toda essa limitação, era comum colocá-la em frente à televisão, onde era obrigada a assistir à mesma programação todos os dias. Ela sonhava em ter o controle do aparelho em suas mãos para poder trocar de canal. Melhor, desligaria aquela caixa falante e cheia de imagens distorcidas. Pobre mulher, sonhava com os dias em que possuía controle sobre suas próprias ações. 

          Hora para isso, hora para aquilo, hora que não era hora. Ora, vê se pode? Onde já se viu ter hora para tudo e para nada? Isso lá é vida? Até planta tem hora de abrir e fechar as flores. Ali, naquele lugar, não havia botões. Todas as pétalas já teriam caído há tempos. Há tempos! Quiçá não foram arrancadas por mãos truculentas. 

          Hora do pátio. A osteoporose comia solta naquele ambiente. Melhor tomar um solzinho. Era hora de relembrar tempos de praia, idas ao clube ou banhos de cachoeira. Por ali, no entanto, quando muito, um borrifador. 

          Aquelas velhas, algumas sentadas, outras em pé, praticamente todas com a face virada para cima tentando sentir os raios solares invadirem a alma. Momento em que se simulavam vivas. Eis que o telefone tocou. Todas se olharam, sorrisos estampados em lábios murchos. 

          Elizabeth, no auge dos 73, simulou uma corrida até o corredor. Não demorou, voltou para o pátio, onde ouviu várias vozes perguntando para quem era a ligação. A mulher, olhos tristonhos, voz quase muda, finalmente respondeu.

          — Era engano.

Eduardo Cesario-Martínez

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Metacognição

Márcia Nàscimento

Metacognição: uma abordagem neuroeducativa para a
saúde mental

Márcia Nàscimento
Imagem criada por IA da Meta - 30 de janeiro de 2026, às 16:14 PM - https://www.meta.ai/create/hW4indOGIFt/?prompt_id=86ceae78-eee1-4f58-a1a7-75d16301fa59
Imagem criada por IA da Meta – 30 de janeiro de 2026, às 16:14 PM – https://www.meta.ai/create/hW4indOGIFt/?prompt_id=86ceae78-eee1-4f58-a1a7-75d16301fa59

Em tempos onde o avanço da tecnologia cresce abruptamente e a inteligência artificial passou a substituir o pensamento humano, a Educação corre o grande risco de perder a sua importância no cenário atual, assim como a humanidade, por estar deixando de praticar uma das habilidades mais essenciais para a vida que é o ato de pensar.

Todos os dias e em cada momento, são necessárias diversas tomadas de decisões e isto implica saber gerenciar as emoções e principalmente, pensar de forma estratégica, reconhecendo desta maneira os padrões mentais que estão a reger os comportamentos mediante a essas deliberações; e frente a este contexto, a metacognição se torna a chave invisível que transforma pensamento em consciência.

 A princípio, é preciso entender o que significa o termo Metacognição.

 É, de forma simples, pensar sobre o próprio pensamento, ou seja,
é a capacidade de perceber, entender e regular como você aprende, sente, decide e age, portanto, não é só pensar, é saber que está pensando — e como está pensando.

O ato em aprender exige muito mais que meramente ir para a escola e decorar o que está sendo transmitido pelo professor em sala de aula, e a este respeito, Fonseca corrobora afirmando que:

[…] aprender a aprender envolve focar a atenção para captar informações, formular, estabelecer e planificar estratégias para lidar com a tarefa, monitorizar a performance cognitiva, examinar as informações disponíveis e aplicar procedimentos para resolver problemas e sua adequabilidade.

Para que a aprendizagem de fato aconteça, é necessário que haja não somente o foco para a captação das informações, mas que essas passem a ter tamanha relevância no campo cognitivo que atravesse o estágio do saber (captação da informação), em seguida comece a compreensão desta informação (conhecimento) e por fim, através da metacognição, venha para o patamar de saber (sabedoria, a transformação do conhecimento pela habilidade em sondar os pensamentos e refletir com consciência acerca de cada um deles).

É importante ressaltar que o cérebro e a mente são duas coisas totalmente distintas entre si, apesar de atuarem juntamente com a consciência de forma indissolúvel. O cérebro humano, como todos os órgãos que compõe o sistema físico, é de extrema e fundamental importância, porém, existe algo muito peculiar em relação à sua funcionalidade que é a sua atividade constante e ininterrupta com a mente que é a responsável por codificar todas as informações para transmitir ao cérebro todos os registros dos quais serão receptados pelo mesmo.

Segundo Pinker (1998), a mente não é o cérebro e sim o que o cérebro faz, e nem mesmo é tudo o que ele faz, como metabolizar gordura e calor. A mente é a responsável por criar os códigos e enviá-los ao cérebro por um mecanismo de engrenagem ao qual, através da decodificação dessas informações, passará a pensar sobre os códigos criados primeiramente no campo mental.

Em um cotidiano tão repleto de inúmeros compromissos e o tempo cada vez mais escasso, é natural que muitas pessoas se tornem reativas de uma forma até mesmo agressiva em suas relações, o que vem adoecendo cada vez mais, um número considerável de pessoas que necessitam cuidar da saúde mental.

Praticar a metacognição, é  a maneira mais simples de se reeducar para o alcance de um nível consciencial que eleve a forma tanto de viver, quanto de agir mediante a cada decisão a ser tomada no dia a dia, e frente a este contexto a Neuroeducação, se torna um recurso totalmente eficaz, uma vez que leva o indivíduo a refletir através de seus pensamentos, em cada tipo de comportamento que esteja desenvolvendo ou que já está atuando, transformando a metacognição em consciência; que trará as mudanças necessárias ao sistema, modificando as  reações automáticas, levando-as à escolhas totalmente conscientes, oportunizando desta maneira, uma vida mais leve e feliz, com a saúde mental em perfeita harmonia.

Márcia Nàscimento

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Concreto de Gelo

No espetáculo, um arquiteto está recluso em seu estúdio de 15 m² há alguns dias e faz uma retrospectiva de sua vida. O Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) é o tema desta nova produção teatral

Concreto de Gelo - Foto Divulgação
Concreto de Gelo – Foto Divulgação

SAÚDE MENTAL E ETARISMO SÃO TEMAS DE ESPETÁCULO CYBERPUNK

Concreto de Gela – Foto divulgação

Concreto de Gelo é o título do 60º espetáculo da Cia. das Artes Dramáticas (CAD)e fecha a trilogia de saúde mental abordadas em outros textos de Julio Carrara: Castelos de Areia (transtorno bipolar) e Voar é com os Pássaros (sociopatia). O Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) é o tema desta nova produção teatral.

Vivemos sob uma luz artificial que ilumina tudo, menos a realidade. Em A Sociedade do Espetáculo (1967), Guy Debord descreve uma sociedade onde as imagens, a mídia e o consumo substituem a experiência real, criando uma forma de dominação social onde a vida se torna uma representação, alienando os indivíduos e transformando o ‘ser‘ em ‘parecer‘, com a cultura de massa controlando a consciência e o comportamento. As redes sociais, o uso excessivo de filtros e a ditadura da beleza potencializaram significativamente o TDC criando um ambiente propício para a comparação social e a internalização de padrões de beleza inatingíveis.

No espetáculo, um arquiteto está recluso em seu estúdio de 15 m² há alguns dias e faz uma retrospectiva de sua vida. Diagnosticado com TDC e viciado nas redes sociais, ele é vítima de etarismo. A partir daí, seus pensamentos obsessivos e inseguranças relacionados a supostos ‘defeitos’ na aparência ficam exacerbados.

A encenação tem a estética Cyberpunk – subgênero visual e temático da ficção científica que mistura ‘alta tecnologia e baixa qualidade de vida(Hich tech, low life) e é ambientada em São Paulo que, segundo dizem, é a cidade mais Cyberpunk do Brasil. 

Concreto de Gela – Foto divulgação
Concreto de Gela – Foto divulgação

BREVE HISTÓRICO DA CIA. DAS ARTES DRAMÁTICAS (CAD)

A Cia. das Artes Dramáticas (CAD) foi fundada por Julio Carrara em 25 de março de 1995 em Votorantim. As apresentações eram realizadas nos centros comunitários, escolas estaduais e na primeira sede do Teatro de Bolso Tatiana Belinky, que funcionou durante todo o ano de 1999 no prédio da subsede do Sindicato dos Têxteis. Em dezembro de 2000, Danielzinho e o Sono, de Ricardo Gouveia foi o primeiro espetáculo encenado no Teatro Municipal Francisco Beranger inaugurado nessa ocasião. 

Com a profissionalização do grupo, em 2005, as montagens passaram a ser apresentadas em São Paulo. Depois da Chuva, O Anjo Maldito, Adega dos Anjos e João Magriço foram algumas delas, alcançando grande repercussão do público e da crítica.

O ano de 2017 marcou a execução de mais um projeto: a série Contos Radiofônicos. Durante dois anos foram produzidos 150 audiodramas do gênero noir (caracterizado por pessimismo, fatalismo e histórias sombrias) para o canal Cadnoar. (https://youtube.com/cadnoar)

Em 8 de dezembro de 2019, o espetáculo A Onça e o Bode inaugurou a nova sede do Teatro Tatiana Belinkyna cidade de Sorocaba. Mas devido à pandemia de COVID-19, as atividades passaram a ser virtuais e o canal CAD Quarentena teve seu lançamento no Youtube. Até o momento foram exibidos 209 programas entre leituras dramáticas e bate-papos com dramaturgos cujo objetivo é traçar um panorama do teatro brasileiro. (https://youtube.com/CADQuarentena)

Bereca, a Intrometida, escrita e dirigida por Elvira Gentil, marcou a reabertura do Teatro, em fevereiro de 2024. Nesse mesmo ano aconteceram duas edições da Mostra de Monólogos (dedicadas à Elvira Gentil e Gabriela Rabelo), a Mostra de Dramaturgia (dedicada à Regina Helena de Paiva Ramos) e o Sarau Bocas da Cidade.

A Cia. das Artes Dramáticas (CAD)recebeu inúmeros prêmios em Festivais de Teatro, incluindo os de Melhor Direção em sua trajetória de três décadas. E para celebrar essa data, Concreto de Geloentra em cartaz.

Concreto de Gela – Foto divulgação

Ficha Técnica

Texto, Direção e Sonoplastia: Julio Carrara

Com: Luciano Schwab

Vozes em off: Alexandre Valentim, Ana Lúcia Mendes, Daniel Nunes, Igor Ogri, Jee México, Otávio Balieiro, Roberto Borenstein e Silmara Gussi

Depoimentos em vídeo: Antonio Carlos Bernardes, Cibele Troyano, Cláudia Dalla Verde, Gabriela Rabelo, Regina Helena de Paiva Ramos e Rosane Gofman.

Poema Sem Eufemismos de Leila Miccolis – escrito especialmente para o espetáculo

Máscara Olé (pintura e colagem): Fernando Castioni

Cenografia e Figurinos: Ana Duarte

Iluminação: Luciano Schwab

Maquete: Santiago Ribeiro

Cenotécnica: Marcelo V. Hessel 

Fotos, Design Gráfico e Vídeos: Alexandre Valentim

Interprete de Libras: Afenda Assessoria (Walkiria Santos Costa) 

Realização: Cia. das Artes Dramáticas (CAD) e Teatro de Bolso Tatiana Belinky

Produção e Supervisão Geral: Julio Carrara

Concreto de Gela – Foto divulgação

Serviço

Espetáculo: CONCRETO DE GELO

Texto e Direção: JULIO CARRARA

Poema: LEILA MICCOLIS

Ator: LUCIANO SCHWAB

Gênero: CYBERPUNK

Classificação: 16 ANOS

Duração: 50 MINUTOS

Temporada: DE 16 DE JANEIRO A 8 DE FEVEREIRO DE 2026 (DE SEXTA A DOMINGO) 

Horários: SEXTAS E SÁBADOS ÀS 20:30 HORAS E DOMINGOS ÀS 19:30 HORAS

Local: TEATRO DE BOLSO TATIANA BELINKY

Endereço: ALAMEDA FRANCA, 864 – VILA NOVA SOROCABA

Capacidade: 20 LUGARES

ENTRADA GRATUITA (Os ingressos estarão disponíveis no local com uma hora de antecedência e também podem ser reservados pelo Whatsapp: 11 943372368 com Julio Carrara)

O espetáculo começa pontualmente. Não será permitida, em hipótese alguma, a entrada após o início da sessão
Este espetáculo foi produzido com recursos da Lei Aldir Blanc através do Ministério da Cultura, Secretaria da Cultura de São Paulo e Secretaria de Cultura de Sorocaba.

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Fabiano de Abreu lança novo livro com ensinamentos sobre comportamento humanos e possíveis soluções para preserva a saúde mental para distribuição gratuita

Para o PhD, neurocientista, biólogo e escritor, a leitura amplia o poder de escolha das pessoas para que
tomem as melhores decisões

“Nas profundezas da razão, a pandemia da saúde mental” traz artigos relacionados aos sentimento e
emoções que afloraram ou nasceram em um cenário pandêmico. De autoria do PhD, neurocientista,
neuropsicólogo e biólogo Fabiano de Abreu , o livro é o sexto que integra o projeto “Conhecimento para
todos”, desenvolvido durante a pandemia e que tem por objetivo levar aos leitores ensinamentos sobre
comportamento humanos e possíveis soluções para preserva a saúde mental em tempos tão difíceis e de
um longo distanciamento social.

De acordo como o autor, todos nós estamos vivendo um descontrole coletivo, que funciona como um
looping no cérebro, e coloca as pessoas em situações de variações emocionais e a ansiedade está entre
elas. A ansiedade funciona como pendência, seja para resolver problemas ou buscar conquistas, destaca
Fabiano de Abreu. Ele pontua que “quando esse sentimento surge de forma desordenada, causa disfunção
em neurotransmissores que são nossos mensageiros da vida, que controlam nosso estado de ser, assim
como nossas necessidades biológicas”.

Preocupado com a ansiedade acentuada e constante, Fabiano de Abreu argumenta que a leitura está
relacionada à neuroplasticidade e ao conteúdo com o conhecimento. “Sempre digo que quanto mais
conhecimento a pessoa adquire, mais opções de escolha terão para melhores decisões”.
Para chegar a um número elevado de pessoas e incentivar a leitura, o autor decidiu distribuir o livro
gratuitamente. Os interessados no conteúdo podem fazer download e no Google Play para visualização
gratuita pelo ISBN:9786599231513. “Minha intenção com os conteúdos é contribuir para melhorar a
saúde pública”, observa.

Fabiano de Abreu Rodrigues é um escritor e cientista luso-brasileiro que tem diversas formações como
jornalista, neurocientista, neuropsicólogo, biólogo, historiador, com pós graduações em antropologia,
diversas pós relacionadas com neurociências, formação avançada em nutrição clínica, programação em
Python, inteligência artificial, entre outras, que soma mais de 50 títulos entre diplomas e certificados,
além de doutorado em Ciências da Saúde nas áreas de Neurociências e Psicologia e mestrado em
psicanálise.

“Há quem não acredite em tantas formações, já até fui denunciado, o que foi bom, pois fiz mais amizade
nos órgãos ao comprovar as titularidades, é natural, entendo que alguns não acreditem pois percebo a
mente humana e a negação relacionada aos transtornos. Tenho um cérebro acelerado e busco nos estudos
uma maneira de sentir-me bem e de sanar minha curiosidade, além de aproveitar os testes de QI e o
currículo para bolsas e encurtamento de cadeiras.” Conclui o cientista membro das sociedades brasileira e
portuguesa de neurociências e da federação européia.

Fabiano de Abreu também é membro da Mensa, associação de pessoas mais inteligentes do mundo com
sede na Inglaterra e tem um QI comprovado através de testes de 99 de percentil, com números entre 148 e
180 sendo considerado uma das pessoas mais inteligentes da atualidade. Titulo este que já revelou o
incomodar, mas que o tornou um grande estudioso sobre a inteligência chegando a descobrir uma
inteligência denominada DWRI.
Este é o décimo primeiro livro do escritor, que tem mais de trinta artigos científicos publicados.




Covid-19 atinge o cérebro e causa depressão, confusão mental, ansiedade e disfunções cognitivas

Pesquisas recentes apontam diversas consequências para a saúde mental e cerebral de pacientes recuperados da Covid-19…”

Cientistas e pesquisadores observaram que o vírus Sars-CoV-2 pode ser capaz de infectar os astrócitos, células que ajudam os neurônios a se manterem vivos, causando confusão mental, ansiedade, depressão, dificuldade de raciocínio, perda de memória, falta de equilíbrio, problemas com compreensão, mudanças comportamentais e emocionais.

Um estudo realizado pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, indica que em 80% dos participantes recuperados de Covid-19 indicaram alguma desordem cognitiva. Incluindo os pacientes assintomáticos ou que tiveram sintomas leves.

“Pesquisas recentes apontam diversas consequências para a saúde mental e cerebral de pacientes recuperados da Covid-19. Por isso, é importante que as pessoas saibam que é uma possibilidade, e que estejam atentas aos sintomas mais comuns como perda de lembranças, dificuldades com concentração e execução de tarefas simples, além de fraquezas e dores pelo corpo. Quanto mais cedo é feito o diagnóstico, maiores as chances de recuperação e melhores os prognósticos”, diz o neurocientista Nicolas Cesar.

Segundo Nicolas, em alguns casos, dependendo das regiões afetadas e quando as perdas neuronais são leves, há possibilidade dos traumas serem revertidos com o tempo, devido a neuroplasticidade, conhecida também como plasticidade cerebral, que é a capacidade fundamental do cérebro de se reorganizar.

Os tratamentos para as lesões são diferentes, mas em geral são indicadas as terapias cognitivas e ocupacionais, em algumas situações os médicos indicam também a utilização de medicamentos.

Sobre Nicolas Cesar
Formado em Ciência e Tecnologia, e Neurociência, palestrante, autor do livro “Neurociente – Por que algumas pessoas são mais felizes que outras”, professor dos cursos online “Neurociência no dia a dia” e “Neuroeducação”. Também do curso acadêmico de Pós-Graduação em Neurolearning. Atualmente participa de uma de linha de pesquisa em percepção de tempo no Laboratório de Cognição Humana da UFABC.