A invenção de quem somos

Nicole Menezes Martins:
entre memórias, escolhas e medos, a descoberta de quem podemos ser

Descrição detalhada (para leitores de ecrã ou acessibilidade alargada):
A imagem apresenta a marca do projecto. No topo, destaca-se o texto "Jovens Talentos" escrito numa fonte preta com serifa. Por baixo da frase, encontra-se a silhueta em preto e tons alaranjados de um grupo de cerca de dez jovens com os braços erguidos e de mãos dadas num gesto de união e celebração. Abaixo da figura, sobressai a inscrição "Jornal Cultural" em letras azuis e, em maior destaque no fundo, o logótipo "ROL" antecedido por um símbolo geométrico laranja.
Logotipo da seção Jovens Talentos
Jovem mulher diante de caminhos que se dividem, cercada por imagens e sombras que simbolizam memória, identidade e escolhas.
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Talvez uma das coisas mais curiosas sobre a vida seja a quantidade de coisas que deixamos de viver não porque não as desejávamos, mas porque, em algum momento, tivemos medo de tentar. O tempo passa, as pessoas seguem caminhos diferentes e, muitas vezes, aquilo que permanece não é exatamente a pessoa, mas a possibilidade. Talvez seja por isso que uma frase do texto tenha ficado tanto na minha cabeça: “e o amor platônico, às vezes, é eterno só porque nunca foi real”. Existe algo de incômodo nisso. Às vezes queremos tanto alguém que construímos uma imagem quase perfeita justamente porque nunca tivemos a oportunidade de descobrir quem aquela pessoa realmente era. O que permanece, então, não é necessariamente o amor por alguém, mas o apego ao que poderia ter acontecido. E talvez transformar o “e se?” em uma memória seja uma das formas mais silenciosas de perder alguma coisa.

Não acho que isso signifique que devemos tentar controlar o tempo ou fazer tudo acontecer à força. Se você ama alguém, talvez valha a pena dizer. Tentar. Permitir que algo exista fora da imaginação. Se o tempo acabar separando duas pessoas, talvez simplesmente não fosse o momento. E, se a vida as colocar novamente no mesmo caminho, talvez exista uma nova possibilidade. O ponto não está em garantir um resultado, mas em não permitir que o medo seja o único responsável pelas escolhas que fazemos.

Talvez essa dificuldade de agir esteja profundamente relacionada ao modo como construímos nossa própria identidade. Acredito que existam muitos fatores envolvidos: comparação, crenças, medo da rejeição, necessidade de aceitação e experiências que nos ensinam, pouco a pouco, a esconder determinadas partes de nós. Na infância, parece existir uma relação mais espontânea com o simples ato de ser. A criança não precisa pensar o tempo inteiro sobre como está sendo percebida para existir. Mas, conforme cresce, começa a descobrir que ser quem é nem sempre é recebido com acolhimento. Às vezes sofre bullying, preconceito, rejeição ou simplesmente percebe que determinadas características suas são menos aceitas naquele ambiente. Então aprende a criar um personagem.

O problema talvez não esteja em criar esse personagem. Em certos momentos, ele pode até ser uma forma de proteção. O problema começa quando esquecemos que ele foi criado. Depois de tanto tempo desempenhando determinado papel, podemos nos identificar profundamente com ele e passar a acreditar que aquilo é quem somos. O personagem deixa de ser uma estratégia e passa a parecer identidade. E talvez seja justamente aí que aconteça um dos maiores esquecimentos humanos: não esquecer fatos sobre nós mesmos, mas esquecer que somos maiores do que as definições que aprendemos a sustentar.

Por isso, talvez a memória tenha uma função diferente daquela que normalmente atribuímos a ela. Uma memória não precisa ser uma verdade imutável sobre quem fomos. Ela é o registro de algo que, em determinado momento, nos marcou. Quando alguém procura um lugar para voltar, talvez não esteja procurando necessariamente um espaço físico. Talvez esteja procurando uma sensação, uma forma de existir, uma versão de si mesma que parecia mais próxima de alguma coisa essencial. A saudade, nesse sentido, pode não ser apenas daquilo que aconteceu, mas também daquilo que poderíamos ter sido.

O passado, entretanto, não pode ser reconstruído. Podemos observá-lo, compreendê-lo e aprender com ele, mas não precisamos permanecer presos a ele. Talvez o caminho não seja voltar a ser quem éramos, mas trazer para quem somos hoje aquilo que havia de verdadeiro naquela versão. Recuperar uma espontaneidade sem recuperar a ingenuidade. Recuperar a coragem sem abandonar a consciência. Olhar para trás não para morar no passado, mas para reconhecer partes de nós que ficaram esquecidas no caminho.

Isso também muda a maneira como enxergamos as outras pessoas. Vivemos em uma época em que frequentemente vemos apenas aquilo de que gostamos ou não gostamos em alguém. Muitas vezes, enquanto outra pessoa fala, já estamos preparando uma resposta, uma defesa ou um julgamento. Escutamos menos do que pensamos que escutamos. Talvez compreender alguém exija justamente uma espécie de redução do próprio ego: aceitar que uma pessoa é complexa demais para caber em uma única definição. Ninguém é apenas uma característica, uma escolha, um erro, uma opinião ou uma fase da vida. E isso vale também para nós mesmos.

Talvez nos rotulemos tanto que esquecemos que estamos constantemente mudando. Uma pessoa pode ser contraditória, mudar de ideia, amadurecer, regredir, aprender, esquecer e reconstruir-se inúmeras vezes. Isso não significa que não exista identidade, mas que identidade talvez seja menos uma coisa fixa e mais um processo. Somos influenciados por aquilo que vivemos, pelas pessoas que encontramos, pela cultura, pelas crenças que aprendemos e pelos ambientes que habitamos. A questão não é escapar completamente dessas influências — provavelmente isso seja impossível —, mas perceber que elas existem.

É nesse ponto que a discussão sobre tecnologia e sociedade se torna interessante. Talvez seja simplista tratá-la como algo simplesmente bom ou ruim. A pergunta mais profunda é quem constrói esses ambientes, quais incentivos existem dentro deles e de que maneira eles moldam nosso comportamento. Byung-Chul Han ajuda a pensar sobre isso quando discute como o “você pode” pode transformar-se silenciosamente em “você precisa”. Ninguém necessariamente nos obriga a produzir o tempo inteiro, responder imediatamente, estar disponíveis ou melhorar constantemente. Ainda assim, podemos acabar internalizando essas exigências e cobrando de nós mesmos aquilo que antes vinha de fora.

Isso levanta uma questão importante sobre autonomia. Nossas escolhas continuam sendo nossas, mas não acontecem no vazio. Escolhemos dentro de ambientes, possibilidades, valores e estruturas que já existiam antes de nós. Talvez autonomia, então, não seja a ausência completa de influência, mas a capacidade de perceber as influências que nos atravessam e, mesmo assim, escolher conscientemente. A pergunta deixa de ser apenas “eu escolhi?” e passa a ser “eu consigo perceber por que estou escolhendo isso?”.

Essa mesma questão aparece dentro de nós. Existe uma diferença enorme entre ter um pensamento e acreditar que somos aquele pensamento; entre sentir uma emoção e acreditar que precisamos agir imediatamente de acordo com ela. Talvez liberdade não seja fazer tudo aquilo que desejamos, mas ampliar nossa capacidade de escolha. Existe um pequeno espaço entre o estímulo e a resposta, e talvez seja justamente nesse espaço que nasce o discernimento. Não precisamos deixar de sentir medo, raiva, tristeza ou insegurança para sermos livres. Precisamos conseguir perceber o que está acontecendo antes de transformar automaticamente aquilo em ação.

Talvez o mesmo aconteça com nossas crenças. Muitas vezes tratamos interpretações que aprendemos ao longo da vida como se fossem verdades absolutas sobre quem somos. “Eu sou assim”, “eu não consigo”, “isso não é para mim”, “as pessoas vão me rejeitar”. Mas de onde veio cada uma dessas certezas? Quantas delas nasceram realmente de uma escolha consciente e quantas foram construídas a partir de experiências, medo, comparação ou necessidade de pertencimento?

Talvez consciência seja justamente começar a fazer essas perguntas. Não para desconfiar de tudo o que somos, mas para diferenciar aquilo que escolhemos daquilo que simplesmente aprendemos a repetir. Talvez amadurecer não seja chegar a um estado em que nada mais nos afeta, em que finalmente somos imunes ao medo, às opiniões ou às circunstâncias. Talvez seja perceber cada vez mais aquilo que antes acontecia automaticamente e conquistar, pouco a pouco, a possibilidade de escolher diferente.

No fim, talvez o que mais nos aprisione não seja o passado, o tempo, a tecnologia ou sequer as outras pessoas, mas a inconsciência com que atravessamos tudo isso. O passado não pode ser mudado, mas pode ser compreendido. O futuro não pode ser garantido, mas pode ser construído. As influências não podem ser eliminadas, mas podem ser percebidas. E aquilo que sentimos não precisa determinar aquilo que fazemos.

Talvez viver seja justamente esse movimento entre receber aquilo que a vida nos oferece e decidir o que faremos com isso. Não voltar a ser quem éramos, nem tentar controlar quem seremos, mas reconhecer, no presente, aquilo que ainda é verdade em nós. Porque talvez a pergunta mais importante não seja “quem eu fui?” ou “quem eu deveria ser?”, mas simplesmente: diante de tudo o que me aconteceu, quem eu escolho ser agora?

Nicole Menezes Martins

Nicole Menezes Martins, aluna do 3º ano do ensino médio do curso técnico com ênfase em Administração de Empresas da Etec de Novo Horizonte (SP), é orientanda do professor clayton Alexandre Zocarato.

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A vida na capital

Ismaél Wandalika: ‘Vida na capital’ — quando a arte sorri diante das feridas de uma sociedade desigual

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika
Uma capa de livro ou pôster com o título "A VIDA NA CAPITAL" no topo, em fontes pretas e amarelas pinceladas, sobre uma paisagem urbana de Luanda, Angola, ao pôr do sol. Abaixo do título, há uma bandeira de Angola. No centro da imagem, várias pessoas caminham em uma rua movimentada, incluindo uma mulher carregando uma criança em um pano colorido. Ao fundo, uma ponte de pedestres cheia de pessoas e o horizonte da cidade com arranha-céus. No canto inferior, o texto "AUTOR: SOLDADO WANDALIKA" em fontes amarelas e brancas, seguido por "POETA E ESCRITOR ANGOLANO" e um pequeno ícone de um livro aberto.
Foto do autor, editada pelo ChatGPT

Oh!
‎O ápice é um catálogo que embriaga a população
‎Dormir pra que se já não há nada a sonhar
‎Realismo social atravessa o âmago de quem só quer somar.
‎Sorrisos desfilam no pulsar de cada coração
‎Lamentam os pratos em cada olhar…
‎
‎A Vida Na Capital
‎
‎É versátil tal como a carreira de C4 Pedro
‎É corrida como a vida de Valentino Rossi
‎Nostálgica como a carta de guerra di Bárbara Tinoco
‎Tem ritmo de kuduro, R.A.P e Zouk e Semba tudo
‎O mundo cabe na palma da minha Capital
‎AQUI:
‎Há quem sustenta a família entre os enganos recolhidos das migalhas dos ignorantes…
‎
‎Todos sabem mas ninguém faz
‎A vida é controvérsia aos outros pontos do planeta
‎Até os pássaros têm pressa
‎A Arte encanta a pobreza
‎Artistas vivem suas loucuras e atraem riqueza
‎Todos têm fome de comer pelo seu nome com honra…
‎
‎A VIDA NA CAPITAL
‎
‎É nobre e miserável
‎A Política é o troféu da força motriz  
‎É Perturbadora e Confortável
‎Aprende-se a tradução dos olhares em cada sorriso infeliz…
‎
‎A VIDA NA CAPITAL
‎AQUI:
‎A saúde testa seus idiomas nos corpos dos indefesos
‎O Sorriso esconde as lágrimas no canto dos olhos
‎A música anestesia o sofrimento dos chamados
‎Os escolhidos bebem as águas do ☀️ sol, mesmo com os testes positivos!

Oh!
‎O ápice é um catálogo que embriaga a população
‎Dormir pra quê se já não há nada a sonhar
‎Realismo social atravessa o âmago de quem só quer somar.
‎Sorrisos desfilam no pulsar de cada coração
‎Lamentam os pratos em cada olhar…

Soldado Wandalika‎

Poeta e escritor angolano CEO do projeto Luso internacional POETAS DA ILUSÃO

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A guerra

Laskiaf Amortegui: Crônica ‘A guerra’

Laskiaf Amortegui
Laskiaf Amortegui
Broto de planta verde nascendo em solo rachado e destruído pela guerra, com silhuetas sombrias ao fundo e raios de sol dourados rompendo as nuvens escuras.
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​“É um tumor a ser extirpado.”

​A guerra é culpada ou inocente?

Quem provoca a guerra?

​Dizem que a maldade nasce em um ato de amor ou paixão.

Ela nasce, sorri e se amamenta com leite; depois engatinha, aprende a caminhar e, quando cresce, saca o que há de pior em seu coração, psique ou mente.

São os ambiciosos, aqueles que perderam o sentido de humanidade e compaixão.

​Muitos inocentes são treinados para a guerra e, para os seus sedutores, não importa gerar a dor e o choro de suas mães ao nascer e muito menos ao morrer.

Não lhes dói mandar os mais desvalidos a derramar seu sangue, enquanto eles contam o dinheiro em seus cofres.
​A guerra destrói, danifica e contamina.

Às vezes, os desalmados abusam de crianças em nome da guerra, mas são suas baixezas internas escudando-se nela…

​A guerra empobrece a terra, os estados e o universo.

Até quando tomaremos consciência? O que mais devemos esperar!

Acaso devemos aguardar que os deuses venham e acabem conosco?

Será que nos é grande demais, como espécie, respeitar e viver em paz?

Laskiaf Amortegui

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Deseducação

Milton Gaspar Domingues: ‘Deseducação’

Logo da seção O Leitor Participa
Logo da seção O Leitor Participa
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Espero ver a Educação dos tempos idos.
Dos tempos de Sócrates, Aristóteles e Pitágoras,
utilitária, integral e sem partidos
consistente e bela, embora nas ágoras
Aquela que não fazia dos seus educando reprimidos
Charlatões, intrujões, mas pessoas promissoras
Aquela que agregava valores nada enrustidos
Ontem, a Educação foi das promissoras

Desgosto e ressentimento são sentimentos embutidos
Algures, hoje, no peito de pessoas comprometedoras.

Perversão e descompromisso estão garantidos,
opressão e escravidão são as progenitoras
reais dessa Educação caraterizada pelos punidos.
Creio, no entanto, em pessoas debravadoras,
as que tanto querem ver refletidos
risos no rosto de uma Nação mais humanizadora,
imaculada e com punhos bem reinvestidos
a procura de uma Educação rica e promissora.

Milton Gaspar Domingues

Foto do poeta Milton Gaspar Domingues
Milton Gaspar Domingues

Milton Gaspar Domingos (Decano), natural da província de Malanje (Angola) e residente no município do Quéssua, é professor de Língua Portuguesa e de Literatura), no Liceu nº 314 – 4 de Janeiro.

Mestrando em Educação pela Universidade Europeia do Atlântico (UNEATLÂNTICO) e Licenciado em Língua e Literaturas em Língua Portuguesa pela Faculdade de Humanidades da Universidade António Agostinho Neto (FHUAN).

Autor de artigos disponíveis na internet e investigador na área de Língua, Literatura.

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Superando pensamentos negativos

Lina Veira: Crônica ‘Superando pensamentos negativos’

Lina Veira
Lina Veira
Imagem gerada pela IA do Canva, com prompt de
Lina Veira

Estamos diante de uma sociedade onde, na maioria das vezes, responder e concordar é positivo, mas reagir ou mostrar o contrário é negativo. Onde, no geral, damos mais atenção às coisas negativas que nos acontecem do que às positivas.

Mas venho lembrar: a vida é um conjunto de experiências positivas e negativas. E os pensamentos são nossa maneira de registrar e processar tudo nela.

Quantas vezes reclamamos de algo negativo que aconteceu no dia? Um atraso no encontro marcado, o trânsito parado, o mal atendimento de um funcionário, o que esquecemos de realizar…

Sem perceber, nossa mente se acostuma com a negativa de palavras e predominância de pensamentos negativos todos os dias. E é claro que pensamentos e falas negativas levam a acontecimentos negativos. Então, por que não pensamos e falamos positivamente? Por que estamos sempre interferindo na nossa alegria de viver?

E eu repondo: Porque nos educaram com ideias negativas que se acomodam dentro de nós, e que nem sempre são nossas, mas despejadas em nós pelas pessoas com as quais convivemos.

Vamos pensar juntos! Se a vida é um reflexo do que pensamos, é preciso educar o pensamento, criar novas ideias, escolher saudáveis atitudes e imaginar o melhor sempre, porque tudo passa e a gente precisa estar mais forte e confiante com o momento presente e futuro que virá.

Que se torne simples gerar pensamentos positivos e ser sinal de alegria no mundo.

Lina Veira

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Orientação governamental na educação

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo:

‘Orientação governamental na educação’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
‘Orientação governamental na educação’
Imagem criada pela IA do Bing

Ao Governo é atribuída intervenção decisiva no processo de instrução, de tal forma que: se por um lado, deve proporcionar a cada cidadão as facilidades indispensáveis para aquisição dos conhecimentos, compatíveis com uma profissão útil ao próprio e à sociedade; por outro lado, deve fiscalizar para que o esforço da nação não seja esbanjado por aqueles a favor de quem se fazem; de que modo? Contrariando a negligência dos benefícios e acompanhando a conduta dos pais e tutores que, obrigados pelas leis sociais e da natureza, devem cuidar da educação dos filhos, no sentido de não proporcionar a estes uma carreira falsa ou viciosa.

 Para resolver a aparente incompatibilidade entre o facto de a lei retirar a educação dos filhos à autoridade de seus pais, e o respeito pelas ideias recebidas, sem ofender os sentimentos paternais, Pinheiro Ferreira defende que o plano de educação nacional deve assentar nos mesmos sentimentos que «animam os pais para com seus filhos, enquanto fundados na natureza do coração humano.» (FERREIRA, 1834b:454).

Nas reflexões que antecedem o “Projecto de Associação para o Melhoramento da Sorte das Classes Industriosas” (1840), Pinheiro Ferreira dá a ideia de uma sociedade promotora da educação industrial, observando uma formação integral, com possibilidades de polivalência, isto é, uma formação profissional específica, acompanhada de uma educação para os valores da Cidadania e dos Direitos Humanos e, finalmente, conhecimentos diversos para enfrentar eventuais crises de emprego, e correspondentes situações de desemprego. A polivalência é uma estratégia, já então, pensado por este autor.

Defende, portanto, que: «O Governo tem já providenciado e sem dúvida se propõe continuar a prover com o mesmo ardor a instrução pública. (…). Os estabelecimentos criados pelas leis têm unicamente por objecto fornecer à mocidade os meios de adquirir os conhecimentos precisos para as diferentes carreiras científicas ou industriais; mas na instrução não se encerra tudo o que se entende e deve entender por educação verdadeiramente nacional. (…) é necessário que os alunos (…) adquiram os princípios de moral e os hábitos de ocupação e indústria, sem os quais a instrução, longe de aproveitar ao indivíduo, só serve de convertê-lo num incorrigível inimigo da moral e da sociedade. (…) E enfim, como entre várias artes existe mais ou menos afinidade, será fácil aos Directores organizarem o Ensino de maneira que, se bem que o aluno faça de uma delas a sua habitual profissão, possa, contudo, na falta de trabalho, lançar utilmente mão de qualquer daquelas que lhe são análogas.» (FERREIRA, 1836:37-38).

A construção do edifício Silvestrino no domínio político, social e económico, exigia um sistema educativo do tipo politécnico e profissional; complementado por uma estrutura assistencial adequada, designadamente com a ocupação dos tempos livres, com atividades culturais (teatro), físicas, jogos sedentários (xadrez, damas, cartas, mas não jogos de azar), incluindo-se nesta assistência um objetivo bem específico: o de evitar as situações de marginalidade (vadiagem, prostituição e criminalidade).

A preocupação de Pinheiro Ferreira pela educação, ao seu tempo, foi notável, na medida em que a quantidade de projetos, normas e regulamentos que elaborou, constitui prova da sua inquietação pela educação, não só dos alunos enquanto tais, mas principalmente da mocidade, ao ponto de entender que não bastava uma formação exclusivamente técnica, ou tecnicista, porque sendo o homem um todo complexo, dotado de várias dimensões (política, social, cultural, ética, religiosa, económica), a sua formação devia ser abrangente, integral, para que pudesse enfrentar, com menos dificuldades, as vicissitudes da vida. 

Bibliografia

FERREIRA, Silvestre Pinheiro (1834b). Manual do Cidadão em um Governo Representativo. Vol. I, Tomo II, Introdução de António Paim (1998b) Brasília: Senado Federal.

FERREIRA, Silvestre Pinheiro (1836). Declaração dos Direitos e Deveres do Homem e do Cidadão. Paris: Rey et Gravier.

 FERREIRA, Silvestre Pinheiro (1840) “Projecto de Associação para o Melhoramento da Sorte das Classes Industriosas”, in: José Esteves Pereira, (1996) (Introdução e Direcção de Edição) Silvestre Pinheiro Ferreira, Textos Escolhidos de Economia Política e Social (1813-1851). Lisboa: Banco de Portugal.

PAIM, Antônio, (1970). Prelecções filosóficas, “Silvestre Pinheiro Ferreira”, Introdução. São Paulo: Editorial Grijalbo: 27ª. Prelecção.

PAIM, Antônio, (1980). Relações entre as Filosofias Portuguesa e Brasileira no Século XIX, in: Revista Presença Filosófica, Vol. VI, (2/3) Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Filósofos Católicos, abr./set. Págs.102-110.

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

Contatos com o autor

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O desafio de ser mulher

Verônica Moreira: ‘O desafio de ser mulher’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Uma mulher que desfruta intensamente dos momentos de felicidade, como se não tivessem fim
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

O desafio de ser mulher se apresenta diariamente em minha vida, persisto em ser autêntica e buscar a minha melhor versão, mesmo diante da pressão para se encaixar nos padrões cruéis e machistas da sociedade.

Opto por evoluir à minha própria maneira, aceitando minhas imperfeições e valorizando o que me faz bem.

Prefiro a simplicidade ao excesso de vaidades, não me permito extravagâncias.

Meu sorriso e meu olhar são os detalhes que definem a minha essência. Enxergo a verdade no meu reflexo e encontro segurança em me reconhecer, abraçando a mim mesma.

Desfruto intensamente dos momentos de felicidade, como se não tivessem fim.

O desafio de ser mulher se apresenta diariamente em minha vida, persisto em ser autêntica e buscar a minha melhor versão, mesmo diante da pressão para se encaixar nos padrões cruéis e machistas da sociedade.

Opto por evoluir à minha própria maneira, aceitando minhas imperfeições e valorizando o que me faz bem. Prefiro a simplicidade ao excesso de vaidades, não me permito extravagâncias.

Meu sorriso e meu olhar são os detalhes que definem a minha essência. Enxergo a verdade no meu reflexo e encontro segurança em me reconhecer, abraçando a mim mesma.

Desfruto intensamente dos momentos de felicidade, como se não tivessem fim. Cada sorriso, cada gesto de carinho, cada palavra amiga toca a minha alma.

A minha identidade reside no amor que carrego com leveza, na força que me impulsiona a levantar a cada novo dia. Em mim habitam todos os sonhos possíveis, inclusive aqueles que ainda estou por sonhar, pois cada dia é uma oportunidade sagrada.

Enquanto atravesso os obstáculos deste mundo, estou contribuindo para torná-lo um lugar mais belo para habitar, meramente pelo fato de ser mulher e ter fé de que, com Deus, somos capazes de superar tudo.

A minha identidade reside no amor que carrego com leveza, na força que me impulsiona a levantar a cada novo dia. Em mim habitam todos os sonhos possíveis, inclusive aqueles que ainda estão por sonhar, pois cada dia é uma oportunidade sagrada.

Enquanto atravesso os obstáculos deste mundo, estou contribuindo para torná-lo um lugar mais belo para habitar, meramente pelo fato de ser mulher e ter fé de que, com Deus, somos capazes de superar tudo.

Verônica Moreira

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