Vozes caladas
Márcio José Zacarias: Poema ‘Vozes caladas’


Na rua vazia, há gritos no chão,
Sonhos quebrados, pedindo atenção.
Olhares que clamam por pão e abrigo,
Contudo o mundo apressa-se, segue consigo.
A pele marcada, a fome exposta,
A vida negada, a dor que encosta.
Muros erguemos, pontes esquecemos,
E a indiferença é o que mais mantemos.
A justiça adormece em berço de lei,
Enquanto o pobre pergunta: “E eu, onde fiquei?”
Se cada gesto tivesse coragem,
O mundo seria menos selvagem.
Causas são vidas, não estatística fria;
Só há mudança onde há empatia.