{"id":17554,"date":"2018-04-09T09:31:47","date_gmt":"2018-04-09T12:31:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=17554"},"modified":"2018-04-09T09:31:47","modified_gmt":"2018-04-09T12:31:47","slug":"livro-de-pollyana-ferrari-discute-fake-news-e-como-sair-das-bolhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=17554","title":{"rendered":"Livro de Pollyana Ferrari discute\u00a0 Fake News e \u201ccomo sair das bolhas\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F17554&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F17554&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><p><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/livro-de-pollyana-ferrari-discute-fake-news-e-como-sair-das-bolhas\/capa_como-sair-das-bolhas-cdr\/\" rel=\"attachment wp-att-17555\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-17555\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/capa_Como-sair-das-bolhas-217x300.jpg\" alt=\"\" width=\"217\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><em>\u00a0<\/em><strong>O livro traz quest\u00f5es e reflex\u00f5es que dialogam com o cotidiano e auxilia a compreender o mundo em que vivemos e como atuar nele<\/strong><\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/livro-de-pollyana-ferrari-discute-fake-news-e-como-sair-das-bolhas\/himalaya-himalaia\/\" rel=\"attachment wp-att-17556\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-17556 alignleft\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/foto_Pollyana_Ferrari_reduzida-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" \/><\/a>No dia 18 de abril, quarta-feira, das 17h30 \u00e0s 21h, acontece na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional (av. Paulista, 2.073, em S\u00e3o Paulo), o lan\u00e7amento do livro \u201cComo sair das bolhas\u201d (176 p\u00e1ginas, R$ 36,00, Educ e Armaz\u00e9m da Cultura), de Pollyana Ferrari. Junto com o lan\u00e7amento, haver\u00e1, no Teatro Eva Hertz (na pr\u00f3pria livraria), um debate sobre o tema do livro, com a presen\u00e7a de Lucia Santaella (PUC-SP), Martha Gabriel (PUC-SP), Eug\u00eanio Bucci (USP), Leandro Beguoci (Nova Escola) e, claro, a pr\u00f3pria Pollyana Ferrari. A entrada para o evento \u00e9 aberta a todos.<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em>O livro traz quest\u00f5es e reflex\u00f5es que dialogam com o cotidiano de qualquer pessoa que vive no s\u00e9culo XXI, auxiliando a compreender o mundo em que vivemos e como atuar nele. \u00a0\u00c9 uma leitura essencial para qualquer indiv\u00edduo \u2013 independentemente da sua forma\u00e7\u00e3o, atua\u00e7\u00e3o ou idade \u2013 pois fomenta a reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre o efeito \u201cbolhas\u201d e suas consequ\u00eancias. Traz uma contribui\u00e7\u00e3o valiosa \u00e0 educa\u00e7\u00e3o na era digital. De forma did\u00e1tica e ao mesmo tempo profunda, Pollyana desvenda as transforma\u00e7\u00f5es que nos trazem para o contexto atual, orientando-nos sobre como n\u00e3o perder a lucidez e combater as distor\u00e7\u00f5es, muitas vezes disfar\u00e7adas em not\u00edcias. De acordo com Martha Gabriel, que apresenta o livro, \u201cPollyana Ferrari nos presenteia aqui, n\u00e3o apenas com informa\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es, mas tamb\u00e9m, e principalmente, com humanidade articulada com tecnologia\u201d.<\/p>\n<p>A obra da escritora, jornalista, professora e doutora em Comunica\u00e7\u00e3o Digital Pollyana Ferrari se debru\u00e7a sobre as bolhas da p\u00f3s-verdade, principalmente a partir de 2010, com a prolifera\u00e7\u00e3o dos blogs e redes sociais, nos quais a propaga\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas vem crescendo exponencialmente, j\u00e1 que barateou o custo de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o. E se debru\u00e7a tamb\u00e9m nas alternativas de checagem para a sobreviv\u00eancia do debate p\u00fablico em sociedades democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Embora a tecnologia tenha sido desde sempre a mola-mestra da nossa evolu\u00e7\u00e3o, reestruturando continuamente todas as dimens\u00f5es da exist\u00eancia humana, at\u00e9 recentemente o ritmo das transforma\u00e7\u00f5es no mundo era linear e previs\u00edvel.<\/p>\n<p>Para \u201ccombater\u201d a vertiginosa acelera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que torna ainda mais complexo e imprevis\u00edvel tudo o que est\u00e1 ao nosso redor, Pollyana Ferrari prop\u00f5e antes de tudo uma nova rela\u00e7\u00e3o com o ru\u00eddo ou, mais que isso, o sil\u00eancio como uma forma de resist\u00eancia, \u201cum modo de manter a salvo uma dimens\u00e3o interior diante das agress\u00f5es externas\u201d.<\/p>\n<p>Com um texto elegante, leve e ao mesmo tempo profundo, a autora mostra a inevit\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o da Fake News com a rapidez, a falta de \u00e9tica e educa\u00e7\u00e3o e o fato de cada vez mais as pessoas de fecharem em bolhas. Ao conviver, real e virtualmente, apenas com pessoas que t\u00eam os mesmos perfis pol\u00edticos e culturais, abre-se espa\u00e7o \u2013 com a intoler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 diferente e a demoniza\u00e7\u00e3o do \u201coutro\u201d \u2013 para a falta de reflex\u00e3o e questionamento e, claro, prolifera\u00e7\u00e3o da Fake News. O livro \u201cComo sair das bolhas\u201d \u00e9 uma verdadeira batalha, em defesa da paci\u00eancia \u00e9tica exigida pela checagem dos fatos, um contundente manifesto contra a leviandade ing\u00eanua ou deliberada das cren\u00e7as e dos compartilhamentos \u00e0s cegas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os dados e reflex\u00f5es apresentados por Pollyana Ferrari apontam para caminhos e permitem uma certa dose de otimismo, ao demonstrar que h\u00e1 cada vez mais pessoas, grupos, associa\u00e7\u00f5es e ag\u00eancias que atuam em defesa da \u00e9tica e da checagem dos fatos.<\/p>\n<p>\u201cComo sair das bolhas\u201d \u00e9 uma leitura prazerosa e fundamental. Como escreveu Lucia Santaella no pref\u00e1cio do livro, \u201ccontrariamente \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o de comportamentos aguerridos, no livro Como sair das bolhas, com delicadeza na voz, Pollyana Ferrari pega o leitor pela m\u00e3o e pelo cora\u00e7\u00e3o, sinalizando os caminhos e os meios dispon\u00edveis que possibilitam furar as bolhas e delas escapar para desdobrar pontos de vista e, sobretudo, responsabilizar-se por aquilo em que se cr\u00ea\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Trechos da Apresenta\u00e7\u00e3o do livro, por Martha Gabriel<\/strong><\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m da complexidade, as tecnologias digitais catapultaram tamb\u00e9m as conex\u00f5es e a produ\u00e7\u00e3o\/ dissemina\u00e7\u00e3o de conte\u00fados no mundo, resultando em fen\u00f4menos como a Economia da aten\u00e7\u00e3o (Davenport, 2001) e o Paradoxo da escolha (Schwartz, 2004), sobrecarregando-nos cognitivamente. Uma das consequ\u00eancias disso \u00e9 que os filtros informacionais que utiliz\u00e1vamos no mundo linear n\u00e3o funcionam mais na era digital exponencial e complexa \u2013 m\u00eddia\/educa\u00e7\u00e3o tradicional e dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica, os principais estruturantes da informa\u00e7\u00e3o do mundo anal\u00f3gico, colapsaram com as plataformas digitais, transferindo poder e, ao mesmo tempo responsabilidade informacional aos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>\u201cNo entanto, a associa\u00e7\u00e3o da facilidade de se gerar e disseminar informa\u00e7\u00f5es nas plataformas digitais com o uso de filtros informacionais dissociado de pensamento cr\u00edtico agravou dois fen\u00f4menos alienadores que t\u00eam comprometido o cen\u00e1rio comunicacional recentemente \u2013 fake news e p\u00f3s-verdade.\u00a0 Elas geram \u201cbolhas\u201d de percep\u00e7\u00f5es equivocadas e perigosas que tendem a comprometer a sa\u00fade social (tanto individual quanto coletiva) e que s\u00f3 podem ser combatidas por meio da educa\u00e7\u00e3o, do pensamento cr\u00edtico e da \u00e9tica.<\/p>\n<p>Entretanto, um dos principais paradoxos que o ambiente digital nos traz \u00e9 que se, por um lado, ele nos distrai e dispersa, por outro, requer cada vez mais pensamento cr\u00edtico e aprofundado para se lidar com suas mudan\u00e7as e filtrar informa\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Trechos do Pref\u00e1cio do livro, por L\u00facia Santaella<\/strong><\/p>\n<p>\u201c&#8230;o livro de Pollyana Ferrari \u00e9 uma verdadeira batalha, com as armas do esp\u00edrito, em defesa da paci\u00eancia \u00e9tica exigida pela checagem dos fatos. Um verdadeiro manifesto contra a leviandade ing\u00eanua ou deliberada das cren\u00e7as e dos compartilhamentos \u00e0s cegas. Em fun\u00e7\u00e3o disso, deve-se notar que existem hoje nas redes sociais verdadeiros ex\u00e9rcitos de soldados da verdade, prontos a apontar suas armas verbais contra aqueles que, de um lado, pelos deslizes da pressa e dos gestos autom\u00e1ticos a que s\u00e3o convidados pelo simples toque em um bot\u00e3o, compartilham impensadamente falsas not\u00edcias ou informa\u00e7\u00f5es; de outro lado, aqueles que voluntariamente produzem e compartilham mentiras em prol do interesse de suas cren\u00e7as. Tudo estaria perfeito se as armas dos soldados do controle n\u00e3o fossem alimentadas pela viol\u00eancia simb\u00f3lica, por balas de agress\u00e3o destrutiva que visam a linchar virtualmente os pretensos criminosos. N\u00e3o se quer negar, com isso, a positividade da den\u00fancia daquilo que os fatos dizem ser falso. S\u00e3o den\u00fancias ainda mais relevantes quando a mentira \u00e9 intencionalmente criada pela intoler\u00e2ncia com o objetivo de desmontar e minar a alteridade. \u00c9 preciso, contudo, diferenciar as \u00e1rvores da floresta. E elas s\u00e3o, de fato, extremamente diversificadas, quando se trata da postagem e do compartilhamento nas redes, que v\u00e3o da ingenuidade, leviandade, pressa e informa\u00e7\u00e3o distorcida, at\u00e9 a engana\u00e7\u00e3o deliberada e a mentira deslavada com a inten\u00e7\u00e3o de defender interesses e atingir resultados esp\u00farios. Entretanto, denunciar o falso, em quaisquer desses casos, n\u00e3o implica necessariamente a selvageria do julgamento agressivamente arrogante de quem se sente dono da verdade, o \u00f3dio impl\u00edcito no linchamento virtual que n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o longe da viol\u00eancia f\u00edsica quanto se pensa. Contrariamente \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o de comportamentos aguerridos, no livro Como sair das bolhas, com delicadeza na voz, Pollyana Ferrari pega o leitor pela m\u00e3o e pelo cora\u00e7\u00e3o, sinalizando os caminhos e os meios dispon\u00edveis que possibilitam furar as bolhas e delas escapar para desdobrar pontos de vista e, sobretudo, responsabilizar-se por aquilo em que se cr\u00ea. Toda a\u00e7\u00e3o, especialmente quando fere valores, provoca a\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia opositiva. N\u00e3o \u00e9, portanto, casual que a onda da p\u00f3s-verdade esteja produzindo rea\u00e7\u00f5es de bloqueio e de prote\u00e7\u00e3o contra os golpes da mentira. Isso se d\u00e1, de um lado, na busca dos usu\u00e1rios por diversificar suas fontes de not\u00edcias; e, de outro, pelas plataformas e ag\u00eancias que est\u00e3o sendo abertas para opera\u00e7\u00f5es de checagem dos fatos&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>\u201c&#8230;entre outras qualidades presentes na sutileza dos fios que s\u00e3o tecidos em <em>Como sair das bolhas<\/em>, encontra-se a apresenta\u00e7\u00e3o documentada de pessoas, grupos, associa\u00e7\u00f5es e ag\u00eancias que est\u00e3o do lado de l\u00e1 das bolhas da p\u00f3s-verdade. S\u00e3o exemplos admir\u00e1veis e inspiradores. N\u00e3o creio que haja maneira mais efetiva de educar do que aquela que se realiza pelo exemplo. Nesse sentido, o livro de Pollyana Ferrari \u00e9 sobretudo educativo, pois funciona ele mesmo como exemplo a ser seguido e compartilhado.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Trechos do livro de Pollyana Ferrari<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u201c<em>Como sair das bolhas<\/em> \u00e9 um processo de amadurecimento pessoal, resultado da minha mudan\u00e7a interna: mudei meu jeito de pesquisar, de trabalhar, de enxergar os filhos, mudei de casa e de estilo de vida, priorizando hoje o simples. Bolhas de \u00f3dio, compartilhamento de mentiras como forma de prejudicar o outro, seja uma pessoa, seja um partido pol\u00edtico, seja uma escolha de g\u00eanero ou uma ra\u00e7a n\u00e3o cabem mais neste tempo de expans\u00e3o de consci\u00eancia&#8230;\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c&#8230;a consci\u00eancia est\u00e1 expandindo e pode ser bastante doloroso entrar em contato com essas contradi\u00e7\u00f5es e perceber que voc\u00ea fala uma coisa e faz outra: fala de paz, mas faz guerra; fala de bem-estar social, mas gera sofrimento para a sociedade.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cSeja falando, digitando no grupo da fam\u00edlia no WhatsApp ou compartilhando not\u00edcias nas redes sociais, livre-se das bolhas. Sabemos que apegos s\u00e3o confort\u00e1veis. S\u00f3 conversamos com pessoas iguais a n\u00f3s, s\u00f3 frequentamos a pizzaria dos amigos, s\u00f3 curtimos quem pensa igual a n\u00f3s. S\u00f3 ouvimos m\u00fasicas de g\u00eaneros que gostamos. Nem para conhecer um outro ritmo musical nos aventuramos. E a cada dia nossas timelines v\u00e3o ficando cada vez mais iguais, pois os algoritmos come\u00e7am a nos mostrar s\u00f3 o que est\u00e1 na nossa bolha. \u00a0Ficamos na zona de conforto e achamos que tudo gira em torno do consumo, do est\u00edmulo de uma nova aquisi\u00e7\u00e3o e do m\u00ednimo esfor\u00e7o. N\u00e3o queremos, por exemplo, namorar uma pessoa que mora num bairro distante, pois d\u00e1 trabalho se locomover at\u00e9 l\u00e1. Por isso tantos aplicativos de relacionamentos utilizam ferramentas de geolocaliza\u00e7\u00e3o para voc\u00ea achar o \u2018amor da sua vida\u2019 a menos de 1km de dist\u00e2ncia. Ou as not\u00edcias que s\u00e3o compartilhadas sem sequer serem lidas.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c&#8230;Mesmo em grandes centros urbanos, como S\u00e3o Paulo, \u00e9 poss\u00edvel entrar num parque, pra\u00e7a [na hora do almo\u00e7o] e fazer essa conex\u00e3o com a M\u00e3e Terra. Nossos anjos j\u00e1 est\u00e3o ao nosso lado, s\u00f3 esperando essa brecha para se manifestar, mesmo que voc\u00ea esteja voltando, por exemplo, de uma reuni\u00e3o pesada. Tudo \u00e9 uma quest\u00e3o de se manter firme, na pr\u00e1tica di\u00e1ria. F\u00e1cil, quem disse que era? \u00c0s vezes queremos apenas colo e um banho quente, quando a maldade do mundo parece maior do que podemos suportar. Mesmo estando sozinho, prepare seu banho quente e pe\u00e7a colo, com o cora\u00e7\u00e3o. Vai se sentir abra\u00e7ado pelo seu anjo. Pode achar que \u00e9 uma bobagem o que estou falando, mas com treino vai perceber que \u00e9 uma quest\u00e3o de lei da F\u00edsica [\u00e9 a corrente vibracional e a repeti\u00e7\u00e3o que v\u00e3o mudar seu padr\u00e3o mental].\u201d<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u201c<\/em>N\u00e3o precisamos nos retirar nos Himalaias, jogar fora o celular ou sair das redes sociais. O que precisamos aprender \u00e9 fazer bom uso dessas ferramentas. E o bom uso da sua exist\u00eancia aqui na Terra. E essa proposta de vida serve para hora do banho, para o momento nas redes sociais, lugares e pessoas. O reto caminho exige perseveran\u00e7a, pois n\u00e3o \u00e9 um processo f\u00e1cil. A pr\u00e1tica di\u00e1ria da gratid\u00e3o pelo ar, pelo acordar de manh\u00e3, pelo alimento, pelo trabalho, come\u00e7a a virar um h\u00e1bito divertido. Voc\u00ea percebe o quanto \u00e9 narcisista e come\u00e7a a ter compaix\u00e3o pelo outro ser: uma planta, um gato ou a pessoa ao lado no \u00f4nibus lotado. Come\u00e7a a dar bom dia na rua para estranhos, pois, afinal, ele faz parte da mesma fam\u00edlia de 7 bilh\u00f5es de encarnados no planeta. Com essa filosofia, voc\u00ea vai come\u00e7ar a pensar dez vezes antes de compartilhar fake news ou parar na vaga do idoso. Vai se colocar no lugar do outro. Aprender a colocar a mente onde estiverem nossas m\u00e3os, como ensina a filosofia v\u00e9dica, tamb\u00e9m faz parte dos ensinamentos do Caminho \u00d3ctuplo de Buda. Exerc\u00edcio dif\u00edcil para mim, pois era adepta de fazer 10 coisas ao mesmo tempo. At\u00e9 tontura sinto ao focar em uma coisa de cada vez.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cPRIMEIRAMENTE, DEVEMOS RECONHECER que as not\u00edcias falsas s\u00e3o, na verdade, uma variedade de desinforma\u00e7\u00f5es que pode variar entre a correta utiliza\u00e7\u00e3o de dados manipulados, a utiliza\u00e7\u00e3o errada de dados verdadeiros, a incorreta utiliza\u00e7\u00e3o de dados falsos e outras combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. As ag\u00eancias de fact-checking (checagem de fatos), movimento mundial que come\u00e7ou a ganhar for\u00e7a a partir de 2010 e nada tem a ver com os ve\u00edculos tradicionais de comunica\u00e7\u00e3o, s\u00e3o iniciativas de institutos como, por exemplo, o Poynter, nos Estados Unidos, criador da International FactChecking Network (IFCN), ONGs e empresas privadas que vivem de investidores externos, como \u00e9 o caso da ag\u00eancia Lupa no Brasil, que tem o Instituto Moreira Salles como patrocinador, ou iniciativas de financiamentos coletivos, como a que mant\u00e9m o site Aos Fatos, tamb\u00e9m brasileiro. Essas a\u00e7\u00f5es mistas entre universidades, ONGs, funda\u00e7\u00f5es e iniciativa privada mostraram ao mundo, ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump \u00e0 presid\u00eancia dos Estados Unidos e a vota\u00e7\u00e3o do Brexit, na Inglaterra, que fake news virou uma praga midi\u00e1tica, e que precisamos combat\u00ea-la, retomando o debate p\u00fablico, ensinando o cidad\u00e3o comum a checar antes de clicar ou compartilhar qualquer informa\u00e7\u00e3o. Conseguir aliar tecnologia, algoritmos, sociedade da informa\u00e7\u00e3o e a conex\u00e3o com o ser divino que te habita ser\u00e1 a grande sa\u00edda do s\u00e9culo XXI. Sem nos conectar amorosamente com o planeta, com os rios, com as praias, com o sol, com as florestas e com os outros seres humanos n\u00e3o teremos como transcender e cada vez mais nos atolaremos na p\u00f3s-verdade, no estado de exce\u00e7\u00e3o, no retrocesso cultural e social e nas bolhas. Faltar\u00e3o alimentos para todos, as cidades entrar\u00e3o em deteriora\u00e7\u00e3o, a infraestrutura social colapsar\u00e1 se continuarmos promovendo as bolhas, movidos pelo desejo e pelo consumo.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA sociedade do fluxo informacional, a velocidade das redes sociais, dos aplicativos, tudo nos deixa inquietos, e a inquietude s\u00f3 causa preju\u00edzos: compartilhamos o que n\u00e3o lemos, aceitamos a sedu\u00e7\u00e3o como verdade, pois ela nos conforta no momento de ang\u00fastia. Atiramo-nos ao consumo, pois tamb\u00e9m, momentaneamente, nos sentidos calmos e saciados, mas tudo isso \u00e9 frugal, como um brigadeiro gourmet. Os likes (curtidas) que conseguimos com a foto manipulada, em que diminu\u00edmos as bochechas do rosto, damos uma \u201cemagrecidinha\u201d na barriga ou iluminamos o rosto com um blush m\u00e1gico, fazem-nos acreditar naquela persona digital que criamos. E, num segundo, j\u00e1 estamos presos nas bolhas da p\u00f3s-verdade. J\u00e1 come\u00e7amos a mentir, a compartilhar mentiras, e isso tem virado um tsunami na era atual. Quando perdemos nosso papel de questionadores? De pessoas \u00e9ticas? Quando passamos a nos contentar com t\u00e3o pouco? Onde perdemos a conex\u00e3o com nossa divindade interna? A vida est\u00e1 mais complexa, a tecnologia criou um fosso entre os que n\u00e3o dominam a m\u00eddia social e os que a dominam. Todos buscam ser jovens, alegres, soci\u00e1veis. Isso \u00e9 inerente ao ser humano e muito antigo. Cle\u00f3patra banhava-se em leite para manter a pele jovem, leite que escravos tinham que trazer para seu deleite. Maria Antonieta, no s\u00e9culo XV na Fran\u00e7a, idem, com suas festas que duravam dias, enquanto os franceses morriam de pestes e fome. A vaidade remonta a tempos primitivos. O que mudou no s\u00e9culo atual foi uma quest\u00e3o de escala. Mais seres humanos ganharam voz e conex\u00e3o no planeta, e tudo viraliza mais r\u00e1pido do que o tempo org\u00e2nico, o tempo linear das esta\u00e7\u00f5es do ano, do aprendizado escolar, do calend\u00e1rio, das leis, etc. Logo, a vaidade viraliza mais r\u00e1pido. Mas a bondade tamb\u00e9m pode viralizar, depende de n\u00f3s.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOutro problema gigantesco \u00e9 a car\u00eancia afetiva do cidad\u00e3o do s\u00e9culo XXI; a necessidade de ser aceito nas redes sociais tem criado um gigantesco mar de dados de fake news. Como n\u00e3o consigo me enxergar, identificar meu ser divino, transfiro para minha persona digital meus desejos. \u00a0A mentira, fake news, n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 nas not\u00edcias exibidas na televis\u00e3o, nos jornais, nos blogs ou nas redes sociais. \u00a0\u00a0Ela est\u00e1 na foto <em>photoshopada<\/em>, ou seja, no rejuvenescimento milagroso feito por um software; a mentira est\u00e1 no check-in do restaurante descolado, feito da porta, s\u00f3 para dizer que esteve l\u00e1; a mentira est\u00e1 na elei\u00e7\u00e3o de Donald Trump, nos casamentos, nos relacionamentos entre empregados e empregadores, nos governos, nas religi\u00f5es, que adulteraram a palavra de Cristo e praticamente vendem a salva\u00e7\u00e3o em presta\u00e7\u00f5es mensais. A mentira est\u00e1 tomando conta de tudo. Mas como reconhecer uma mentira? Voc\u00ea tem consci\u00eancia das suas mentiras? De tudo que voc\u00ea d\u00e1 uma \u201cmanipuladinha\u201d para parecer mais legal? Como leitores, estamos preparados para identificar uma falsa informa\u00e7\u00e3o? E o que fazem os jornais, as emissoras de televis\u00e3o e as redes sociais para evitar a sua circula\u00e7\u00e3o? Que sistemas est\u00e3o sendo preparados para que este planeta mergulhado em bolhas de mentiras n\u00e3o ganhe dimens\u00e3o suficiente para interferir ainda mais nos resultados das elei\u00e7\u00f5es, no futuro de uma cidade? De uma crian\u00e7a? Sair das bolhas deveria ser discutido na grade curricular das escolas, nas festas de anivers\u00e1rio, nas filas dos supermercados, nas esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4, etc. Quais iniciativas educacionais est\u00e3o sendo planejadas para ensinar adolescentes e jovens como sa\u00edrem das bolhas? S\u00e3o perguntas importantes e que exigem uma resposta r\u00e1pida porque a hist\u00f3ria mostra que as fake news podem interferir no normal funcionamento das democracias e at\u00e9 matar, como no caso de Fabiane de Jesus, moradora do Guaruj\u00e1, litoral de S\u00e3o Paulo, que ser\u00e1 detalhado mais adiante no livro.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cQuando paramos de duvidar? E passamos a aceitar todas as declara\u00e7\u00f5es que recebemos? A emo\u00e7\u00e3o anda presidindo a raz\u00e3o nesta era da p\u00f3s-verdade, tornando-se porta escancarada para fake news e outras aberra\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas. \u00a0E aqui vale uma ressalva, meu caro leitor, pois duvidar e querer checar a informa\u00e7\u00e3o recebida s\u00e3o a\u00e7\u00f5es muito maiores do que etapas da rotina do Jornalismo, \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o social do cidad\u00e3o que foi educado para ter pensamento cr\u00edtico; o que \u00e9 pouco estimulado em governos corruptos e democracias em crise. Anda faltando \u00e9tica, educa\u00e7\u00e3o, e sobrando influenciadores [adjetivo, nome masculino, que influencia outras pessoas. Na era das m\u00eddias sociais, virou sin\u00f4nimo de profiss\u00e3o, na maior parte das vezes ligada a youtubers]. Segundo a defini\u00e7\u00e3o do dicion\u00e1rio Oxford, p\u00f3s-verdade (post-truth em ingl\u00eas) \u00e9 um adjetivo que faz refer\u00eancia a \u201ccircunst\u00e2ncias em que os fatos objetivos t\u00eam menos influ\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o p\u00fablica do que os apelos emocionais e as opini\u00f5es pessoais\u201d. O termo foi escolhido como a palavra do ano de 2016 pelos dicion\u00e1rios brit\u00e2nicos Oxford e s\u00f3 vem refor\u00e7ar a sociedade do consumo, na qual apelos emocionais e opini\u00f5es falam mais alto do que a verdade. As bolhas acabam ditando nosso comportamento, pois n\u00e3o queremos sair da zona de conforto.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sobre Pollyana Ferrari<\/strong><\/p>\n<p>Pollyana Ferrari \u00e9 escritora, jornalista, doutora em Comunica\u00e7\u00e3o Digital pela USP, professora do Departamento de Jornalismo e professora do Programa de Estudos P\u00f3s-Graduados Stricto Sensu em Tecnologias da Intelig\u00eancia de Design Digital, ambos na PUC-SP. \u00c9 autora\u00a0de seis livros sobre Comunica\u00e7\u00e3o Digital, entre eles \u201cJornalismo Digital\u201d,\u00a0\u201dHipertexto, Hiperm\u00eddia\u201d, \u201cA for\u00e7a da m\u00eddia social\u201d e \u201cNo tempo das telas\u201d, al\u00e9m de ter participado de 12 livros sobre Comunica\u00e7\u00e3o. Lan\u00e7ar\u00e1 no dia 18 de abril, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na av. Paulista, seu novo livro, \u201cComo sair das bolhas\u201d, pela Educ, editora da PUC-SP.\u00a0Foi editora-assistente no jornal \u201cO Estado de S. Paulo\u201d, diretora da unidade de internet da Editora Globo, editora do site da revista \u201c\u00c9poca\u201d e diretora de conte\u00fado do portal IG. Atua tamb\u00e9m como Consultora de Empresas em M\u00eddia Social.<\/p>\n<p>Em seu doutorado (2007) procurou mapear de que forma as narrativas hipertextuais est\u00e3o mudando a democracia digital. Ao detectar tais mudan\u00e7as, ocorridas nas narrativas mediadas por computador, com a elabora\u00e7\u00e3o de um experimento coletivo de trocas de narrativas, o Remixando (<a href=\"http:\/\/remixando.ig.com.br\/html\/index.php\">http:\/\/remixando.ig.com.br\/html\/index.php<\/a>), procurou correlacionar algumas escrituras, sejam elas em formato texto (poesias, contos, folhetins, hist\u00f3rias cotidianas, urbanidades), formato imag\u00e9tico (fotografias, ilustra\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos, recortes), formato sonoro ou formato comunit\u00e1rio, como listas de discuss\u00e3o e redes sociais.<\/p>\n<p>Em sua disserta\u00e7\u00e3o (2002), que investigou o formato portal e sua rela\u00e7\u00e3o com o Jornalismo Digital, Pollyana Ferrari estava interessada em saber como as diferen\u00e7as de arquitetura entre os p\u00fablicos de um portal afetavam a sociabilidade, a identidade e a edi\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica. \u00a0H\u00e1 25 anos atua no mercado editorial de TI, tendo dedicado os \u00faltimos 20\u00a0anos \u00e0 Internet.<\/p>\n<p><strong>Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado:<\/strong> \u201cusabilidade e exerc\u00edcio de jornalismo, dentro do formato portal no Brasil\u201d, defendida em 2002, na ECA \u2013 Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes \u2013 da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p><strong>Tese de Doutorado:<\/strong> \u201cA rizom\u00e1tica aventura da hiperm\u00eddia\u201d, defendida em 2007 na ECA \u2013 Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes \u2013 da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Servi\u00e7o:<\/p>\n<p><strong>Nome do livro: <\/strong>\u201cComo sair das Bolhas\u201d<\/p>\n<p><strong>Autora: <\/strong>Pollyana Ferrari<\/p>\n<p><strong>Editoras: <\/strong>Educ e Armaz\u00e9m da Cultura<\/p>\n<p><strong>N\u00famero de p\u00e1ginas: <\/strong>176.<\/p>\n<p><strong>Pre\u00e7o: <\/strong>R$ 36,00.<\/p>\n<p><strong>Ano de edi\u00e7\u00e3o: <\/strong>2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u00a0O livro traz quest\u00f5es e reflex\u00f5es que dialogam com o cotidiano e auxilia a compreender o mundo em que vivemos e como atuar nele<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[4985,6901],"class_list":["post-17554","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao","tag-lancamento-de-livro","tag-pollyana-ferrari"],"aioseo_notices":[],"aioseo_head":"\n\t\t<!-- All in One SEO 4.9.8 - aioseo.com -->\n\t<meta name=\"description\" content=\"O livro traz quest\u00f5es e reflex\u00f5es que dialogam com o cotidiano e auxilia a compreender o mundo em que vivemos e como atuar nele No dia 18 de abril, quarta-feira, das 17h30 \u00e0s 21h, acontece na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional (av. 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