{"id":18768,"date":"2018-06-03T00:34:19","date_gmt":"2018-06-03T03:34:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=18768"},"modified":"2018-06-03T00:34:19","modified_gmt":"2018-06-03T03:34:19","slug":"as-varias-faces-da-capoeira-ultima-parte-na-serie-os-grandes-mestres-da-capoeira-entrevista-com-o-mestre-jaime-balbino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=18768","title":{"rendered":"As v\u00e1rias faces da Capoeira! \u00daltima parte: na s\u00e9rie &#039;Os grandes mestres da capoeira&#039;, entrevista com o Mestre Jaime Balbino"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F18768&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F18768&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h3 style=\"text-align: center;\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/33117492_1689158127806233_2197847022923415552_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-18815\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/33117492_1689158127806233_2197847022923415552_n-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/a><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><em>&#8220;Na verdade, a capoeira come\u00e7a \u00e9 na roda. (&#8230;)\u00a0A cantoria t\u00e1 aqui, o cantador canta, os participantes respondem; eu canto, eles respondem; ent\u00e3o, concentra-se uma energia, uma manifesta\u00e7\u00e3o viva. A capoeira \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o viva.&#8221;<\/em><\/h3>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mat\u00e9rias j\u00e1 publicadas sobre a s\u00e9rie \u2018As v\u00e1rias faces da Capoeira\u2019:<\/strong><\/p>\n<p>(http:\/\/www.jornalrol.com.br\/luta-danca-ginga-toque-e-floreios-as-varias-faces-da-capoeira-1a-parte-origem-da-capoeira\/) &#8211; <strong>(http:\/\/www.jornalrol.com.br\/as-varias-faces-da-capoeira-2a-parte-luta-musica-cancoes-toques-ginga-e-floreios\/)<\/strong> &#8211;\u00a0(http:\/\/www.jornalrol.com.br\/as-varias-faces-da-capoeira-3a-parte-os-grandes-mestres-da-capoeira-mestre-besouro-manganga\/) &#8211;\u00a0<strong>(http:\/\/www.jornalrol.com.br\/as-varias-faces-da-capoeira-3a-parte-os-grandes-mestres-da-capoeira-mestre-cobrinha-verde\/)<\/strong> &#8211;\u00a0(http:\/\/www.jornalrol.com.br\/as-varias-faces-da-capoeira-3a-parte-os-grandes-mestres-da-capoeira-mestre-bimba\/) &#8211;\u00a0<strong>(http:\/\/www.jornalrol.com.br\/as-varias-faces-da-capoeira-3a-parte-os-grandes-mestres-da-capoeira-mestre-gato-preto\/)<\/strong> &#8211;\u00a0(http:\/\/www.jornalrol.com.br\/as-varias-faces-da-capoeira-3a-parte-os-grandes-mestres-da-capoeira-mestre-ze-baiano\/) &#8211;\u00a0<strong>http:\/\/www.jornalrol.com.br\/as-varias-faces-da-capoeira-3a-parte-os-grandes-mestres-da-capoeira-mestre-waldemar-da-liberdade\/<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 ENTREVISTA COM O MESTRE JAIME BALBINO DA SILVA<\/strong><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>No dia 16 de mar\u00e7o, sexta-feira, \u00e0s 19h30, o editor do jornal ROL Sergio Diniz da Costa esteve no barrac\u00e3o da R. Silva Barros, 235 \u2013 Vila Fiore \u2013 Sorocaba\/SP, sede da Associa\u00e7\u00e3o Cultural de Capoeira de Angola Bem Brasil, fundada em 1\u00ba de mar\u00e7o de 2004, para bater um papo mega interessante com Jaime Balbino da Silva, mais conhecido como Mestre Jaime ou Mestre Jaiminho.<\/p>\n<p>A entrevista se dividiu em duas partes: na primeira, sobre a vida do Mestre Jaime, a partir do seu ingresso no mundo da capoeira, e, na segunda, curiosidades sobre a capoeira.<\/p>\n<p><strong>A biografia do Mestre Jaime<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Jaime Balbino da Silva<\/strong> \u2013 Mestre Jaime\/Jaiminho, nascido em 3 de junho de 1968 na cidade de Ourinhos, interior de S\u00e3o Paulo, \u00e9 filho de Manuel Balbino da Silva (PB) e Maria Julia de Jesus (PE).<\/p>\n<p>No final da d\u00e9cada de 70, veio morar em Sorocaba, iniciando-se na capoeira em 1981 (com 13 anos) no grupo Cativeiro Capoeira, liderado pelos Mestres Miguel Machado e Belisco.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18772\" aria-describedby=\"caption-attachment-18772\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/15.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-18772 size-medium\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/15-300x234.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"234\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18772\" class=\"wp-caption-text\">Da esquerda para a direita, Mestre Ananias e Mestre Pedro Feitosa &#8211; Foto de Adilene Cavalheiro<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>SDC: O que te levou, Mestre Jaime, aos 13 anos de idade, no in\u00edcio da adolesc\u00eancia, a querer praticar a capoeira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ:<\/strong>\u00a0Foi assim: eu, j\u00e1 quando garoto, via algumas apresenta\u00e7\u00f5es na rua de algumas lutas de capoeira e meu irm\u00e3o, Juraci Balbino, que era muito amigo do Pedro Feitosa, que era o professor na \u00e9poca do Grupo Cativeiro, aqui em Sorocaba. Ent\u00e3o, por essa raz\u00e3o, ele me levou l\u00e1. E foi assim que eu me iniciei. Acho que n\u00e3o tinha nem 13 anos ainda completos, mas foi muito bacana. E, a partir da\u00ed, ingressei no mundo da capoeira. Foi meu irm\u00e3o que levou e fui acompanhado por outro amigo, o Jo\u00e3o Cl\u00e1udio, que \u00e9 um colega meu, e fomos juntos e meu irm\u00e3o que levou eu.<\/p>\n<p><strong>SDC: Mas, a curiosidade que, pelo menos eu tenho, \u00e9 a seguinte: normalmente, um parente, um irm\u00e3o mais pr\u00f3ximo \u00e9 que nos influencia muito pra que a gente fa\u00e7a alguma coisa, desperte em n\u00f3s uma curiosidade. Havia algum conhecimento pr\u00e9vio sobre a capoeira ou simplesmente ele falou: \u201cVamos em tal lugar, fazer tal coisa\u201d. Como foi exatamente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ<\/strong>: Foi eu que me interessei, na verdade. Eu vi um jogo da capoeira, vi as pessoas fazendo a apresenta\u00e7\u00e3o, achei aquilo interessante e comuniquei a ele. Falei a ele: \u201cP\u00f4, o neg\u00f3cio de capoeira \u00e9 muito bacana\u201d. Ele falou: \u201cMas eu conhe\u00e7o um professor muito bom.\u201d Ent\u00e3o, a\u00ed, ele me levou. E atrav\u00e9s disso \u00e9 que eu vim a conhecer os demais mestres. Foi muito interessante isso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18906\" aria-describedby=\"caption-attachment-18906\" style=\"width: 258px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/34367436_1415119748593280_5213880251968389120_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-18906 size-full\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/34367436_1415119748593280_5213880251968389120_n.jpg\" alt=\"\" width=\"258\" height=\"172\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18906\" class=\"wp-caption-text\">Mestre Jaime e Mestre Machado<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>SDC: E Por que escolheu a Capoeira Regional? Quem foi seu primeiro Mestre e o qu\u00ea aprendeu com ele?<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_18924\" aria-describedby=\"caption-attachment-18924\" style=\"width: 205px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/capuera1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-18924 size-medium\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/capuera1-205x300.jpg\" alt=\"\" width=\"205\" height=\"300\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18924\" class=\"wp-caption-text\">Mestre Miguel Machado<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>MJ<\/strong>: Ent\u00e3o, meu primeiro professor foi o Pedro Feitosa, como estava dizendo a\u00ed, e o Mestre Machado, que era o presidente e diretor do Grupo Cativeiro, juntamente com os fundadores Mestre Belisco, Mestre Caio, Mestre Rodolfo e Mestre Eli. O Cativeiro \u00e9 um grupo que surge no final da d\u00e9cada de 70, 78, no intuito de, vamos dizer assim, \u00e9 dar qualidade \u00e0queles que vieram para S\u00e3o Paulo. A maioria desses capoeiras eram baianos e vieram para s\u00e3o Paulo na inten\u00e7\u00e3o de, vamos dizer assim, de valorizar os mestres de capoeira. Diziam assim, que, pra ser mestre de capoeira, teriam que ter muitas qualidades. Ent\u00e3o, o Grupo Capoeira privava muito isso a\u00ed, dava muito valor a essa quest\u00e3o de valorizar o mestre e o mestre tinha que ter essa qualidade mesmo. E, Capoeira Regional ali, n\u00e3o posso nem dizer que era bem a Regional, porque naquela \u00e9poca se falava muito em capoeira. N\u00e3o se distinguia muito Regional, Angola, porque a Regional do Bimba ela tem as tradi\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, n\u00e3o era um segmento direto da Regional mesmo, como o Mestre Bimba deixou. Ent\u00e3o, era a capoeira. E ent\u00e3o, n\u00e3o era que n\u00e3o tinha. Aqui em Sorocaba, n\u00e3o havia um angoleiro, fazendo esse trabalho, s\u00f3 espec\u00edfico com capoeira; essa capoeira, que era tanto em cima como embaixo, t\u00e1 entendendo? Ent\u00e3o, era capoeira, nem Regional e nem como Angola. Era tratado como capoeira, no contexto capoeira.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18774\" aria-describedby=\"caption-attachment-18774\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/GatoPreto2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-18774 size-medium\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/GatoPreto2-240x300.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18774\" class=\"wp-caption-text\">Mestre Gato Preto<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>SDC: Certo, mas como, historicamente, se distingue da Regional e, depois, da Angola, vem a pr\u00f3xima pergunta: quando e por que optou pela Capoeira de Angola? E quem foi seu primeiro mestre?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ: <\/strong>Foi assim, quando eu conheci, em 83, final de 83, vim a conhecer o Mestre Gato Preto, que j\u00e1 era especialista na capoeira Angola. Ele vinha aqui em Sorocaba para fazer aula com Mestre Pedro, que dava aula de Maculel\u00ea pra n\u00f3s aqui, ent\u00e3o, ele sim, foi ali que eu tive, e o Mestre Ananias antes, o primeiro a conhecer foi o Mestre Ananias, j\u00e1 quando eu entrei na Academia ele frequentava aqui, mas tamb\u00e9m era da linguagem da Capoeira Angola. Eu conheci o Mestre Ananias, admirei muito como um bom tocador de berimbau. Em 83, eu conheci o Mestre Gato. Foram os dois primeiros mestres mais antigos que eu conheci. E a\u00ed, eu fiquei muito encantado, porque o Mestre Gato era o Berimbau de Ouro da Bahia, realmente tocava muito bem o berimbau, e foi a\u00ed que eu me encantei pela capoeira Angola. Ent\u00e3o, o Mestre Pedro fazia isso, ensinava a capoeira pra n\u00f3s, tanto a Angola quanto os fundamentos da Regional, sequ\u00eancia do Bimba, essas coisas toda, tudo isso acontecia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18776\" aria-describedby=\"caption-attachment-18776\" style=\"width: 239px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/mestre-bimba-berimbau.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-18776 size-medium\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/mestre-bimba-berimbau-239x300.jpg\" alt=\"\" width=\"239\" height=\"300\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18776\" class=\"wp-caption-text\">Mestre Bimba<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>SDC: Em termos pr\u00e1ticos, Mestre Jaime, em que se distingue a Capoeira Regional da Capoeira de Angola?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ: <\/strong>Ent\u00e3o, \u00e9 assim, como est\u00e1 na Hist\u00f3ria. Mestre Bimba, Manoel dos Reis Machado, na d\u00e9cada de 30, por volta de 1932, ele come\u00e7a esse movimento de capoeira Regional; ele liga os movimentos do batuque, porque o pai dele era um grande batuqueiro, \u00e9 esses fundamentos que a gente sabe da capoeira Regional. E movimentos ligados de outras lutas tamb\u00e9m, que ele envolveu, junto com a capoeira, mas com a inten\u00e7\u00e3o de colocar a capoeira como, digamos assim, competir com as outras lutas, porque as outras lutas tinham espa\u00e7o dentro da sociedade e a capoeira era marginalizada de verdade. Era praticada nos terreiros, nos guetos, \u00e0s escondidas, n\u00e3o era permitido por lei, era proibido a pr\u00e1tica da capoeira e o Juraci Magalh\u00e3es, que era o pai do Antonio Carlos Magalh\u00e3es, foi quem apresentou o Mestre Bimba pro Get\u00falio Vargas. Ent\u00e3o, j\u00e1 estava com essa movimenta\u00e7\u00e3o e ele saiu desafiando os lutadores pelo Brasil todo, como se sabe assim, como j\u00e1 existe alguns documentos, e vencendo a luta, porque dessa forma ele provou, n\u00e9, que a capoeira poderia ser colocada como desporto, como luta, e agregando, e tirou a capoeira dos guetos, e colocou no centro hist\u00f3rico do Pelourinho, no centro hist\u00f3rico, ao lado da universidade. Ent\u00e3o, ele tirou da sociedade, mal vista pela sociedade, vamos dizer assim, a classe que era repudiada pela sociedade e colocou dentro da sociedade. Ent\u00e3o, esse foi o maior mestre, criou a metodologia de ensino e foi a primeira academia que foi montada em Salvador; ent\u00e3o, chamava-se Luta Regional Baiana. Foi a\u00ed que come\u00e7a as academias.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18778\" aria-describedby=\"caption-attachment-18778\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/PQAAAPmmLGdYqRKtfRDnDUhv40x4TpzW0tRHf-G_bZ8o3cgSmg_5fTjNyJQDNP1VWZM9b1qQcvI2eWR5xKzebPripnkAm1T1UC-aOwXx0kkHTzjZY94hSmgaKwfq-702578.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-18778 size-medium\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/PQAAAPmmLGdYqRKtfRDnDUhv40x4TpzW0tRHf-G_bZ8o3cgSmg_5fTjNyJQDNP1VWZM9b1qQcvI2eWR5xKzebPripnkAm1T1UC-aOwXx0kkHTzjZY94hSmgaKwfq-702578-300x240.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"240\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18778\" class=\"wp-caption-text\">Mestre Gato Preto e Mestre Zambi<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>SDC: Quem era o Gato Preto? Por que ele tinha esse apelido e qual foi a impress\u00e3o que voc\u00ea teve dele ou a influ\u00eancia que recebeu dele?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>MJ:<\/strong> Na verdade, o Mestre Pedro j\u00e1 conhecia o Mestre Gato antes, bem antes, ent\u00e3o, eu \u00e9 que o conheci em 1984. Pedro j\u00e1 conhece ele desde a d\u00e9cada de 70. Gato preto porque ele era goleiro. Ele era um goleiro e saltava, dizem, eu n\u00e3o vi ele jogar, n\u00e3o, dizem que era muito bem goleiro e a\u00ed fica essa admira\u00e7\u00e3o, a admira\u00e7\u00e3o por ele; ele era um cara muito simp\u00e1tico, encantador, al\u00e9m de ser um tocador de berimbau ex\u00edmio, era uma pessoa muito simp\u00e1tica, uma pessoa gentil. E a\u00ed, nos encantou, nos encantou n\u00e3o s\u00f3 a mim, mas quem conheceu ele. E, atrav\u00e9s disso, a\u00ed vem a admira\u00e7\u00e3o pela Capoeira Angola. \u00c9 isso!<\/p>\n<p><strong>SDC: E quando voc\u00ea se formou professor de capoeira? E como foi a formatura? Teve alguma coisa de diferente, algum fato curioso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ:<\/strong> Foi muito bacana! A minha formatura, ent\u00e3o, eu comecei nessa faixa dos 12 para os 13 anos e me formei aos 20 anos. Ent\u00e3o, me formei em 1990. Eu e o Mestre Jeov\u00e1. Foi muito curioso, muito bacana, porque tava l\u00e1, foi feito da forma que era antigamente. Tava Mestre Ananias, tinha 18 professores do Grupo Cativeiro l\u00e1 e a\u00ed foi uma sabatina. A\u00ed, o Mestre pediu pra gente tocar o berimbau. Fizemos 16 toques, naquela \u00e9poca apresentamos 16 toques, eu e o Jeov\u00e1. Cantamos a ladainha, cantamos o corrido, e a\u00ed, todo mundo aprovou e a gente se tonou professor e jogamos com todos eles, eu e Jeov\u00e1. Todos eles, estavam Mestre, que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 mais entre n\u00f3s, Monteiro, Suingue, Lambreta. Muitos que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o entre n\u00f3s estavam nesse dia. Era um grupo de capoeira altamente qualificado; ent\u00e3o, ser um professor de capoeira nessa \u00e9poca era um privil\u00e9gio, porque tinha que estar pronto, e o Mestre Miguel n\u00e3o admitia que tivesse vacilo, tinha que estar pronto a gente pra jogar. Foi curioso, porque tivemos que jogar com todos, com todos juntos, ent\u00e3o, foi bacana, n\u00f3s n\u00e3o fizemos feio, n\u00e3o, fizeram bonito, eu mais o Jeov\u00e1, foi bacana, foi bacana.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18779\" aria-describedby=\"caption-attachment-18779\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/mestre-leopoldina.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-18779 size-medium\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/mestre-leopoldina-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18779\" class=\"wp-caption-text\">Mestre Leopoldina<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>SDC: Nestes anos todos de capoeira, quais mestres voc\u00ea conheceu e o que aprendeu com cada um deles?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ:<\/strong> Olha, s\u00e3o muitos mestres. Mas, j\u00e1 nessa d\u00e9cada de 80 a\u00ed, conheci Mestre Ananias, Mestre Gato, conheci no final da d\u00e9cada de 80 Mestre Jo\u00e3o Pequeno, Mestre Leopoldina, depois, posteriormente, Curi\u00f3, Mestre Mala, Mestre&#8230; tem muitos mestres&#8230;, Mestre Lua de Bob\u00f3, tem muitos mestre&#8230; a admira\u00e7\u00e3o foi crescendo cada vez mais, porque cada um deles tem a sua peculiaridade, mas todos eles com a mesma filosofia, principalmente os angoleiros. Eu conheci Nen\u00e9u, o filho de Mestre Bimba, tamb\u00e9m. O Luizinho, outro filho do Mestre Bimba, tamb\u00e9m conheci. E assim foi indo<\/p>\n<p><strong>SDC: Durante o per\u00edodo em que voc\u00ea conviveu com esses mestres, havia um jogo que era considerado \u2018muito duro\u2019. Que jogo era esse e por que era considerado dessa forma?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ:<\/strong> Pois \u00e9, \u00e9 o jogo de dentro. Acho que a capoeira teve essa caracter\u00edstica mesmo de, vamos dizer assim, pra sobreviver ali naquela circunst\u00e2ncia que tava ali, tinha que se jogar duro, chamado \u2018jogo de dentro\u2019, ent\u00e3o, era um movimento com bastante, com muito objetivo, aonde os professores, os mestres ensinavam com precis\u00e3o e a pessoa tinha que sair, a pessoa tinha que fazer a defesa mesmo; hoje em dia, com o passar do tempo foi, como o Mestre Gato dizia, foi se domesticando essas pessoas, ent\u00e3o, o processo de evolu\u00e7\u00e3o da capoeira, dos capoeiristas, vamos assim dizer, com o p\u00fablico, \u00e9 que tornou ela mais tranquila, mas a capoeira nunca deixou de ser dura, ela ainda tem essas caracter\u00edsticas, dependendo de determinados ambientes que vai se jogar com determinadas pessoas, ela continua sendo dura ainda.<\/p>\n<figure id=\"attachment_18782\" aria-describedby=\"caption-attachment-18782\" style=\"width: 199px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/2_MestreCurio.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-18782 size-medium\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/2_MestreCurio-199x300.png\" alt=\"\" width=\"199\" height=\"300\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-18782\" class=\"wp-caption-text\">Mestre Curi\u00f3<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>SDC: Em 2001, Mestre Jaime, voc\u00ea foi para Salvador e conheceu a chamada Velha Guarda da Capoeira Angola da Bahia. Como foi esse contato com os mestres mais antigos e o que esse contato acrescentou a voc\u00ea na capoeira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>MJ: <\/strong>Foi maravilhoso! Foi maravilhoso!\u00a0 Que eu fiz a escolha de seguir s\u00f3 a capoeira mesmo Angola, do trabalho voltando \u00e0 capoeira Angola foi em 1999, quando o Mestre Gato esteve aqui e gravou um CD junto com a Liberdade, Mestre Pedro, Mestre Cupim, esse povo todo e gravaram um CD e, nesse momento, eu n\u00e3o estava completamente ativo na capoeira, eu participava eventualmente, por motivo de trabalho e a\u00ed, quando o Mestre Gato esteve aqui eu falei: n\u00e3o, eu tenho que continuar na capoeira Angola, e a\u00ed foi a escolha,\u00a0 ent\u00e3o, dentro da Associa\u00e7\u00e3o de Capoeira Liberdade eu comecei a trabalhar na linhagem de Angola; ent\u00e3o, n\u00f3s montamos como se fosse uma reparti\u00e7\u00e3o dentro da capoeira Liberdade, s\u00f3 especializada em Angola. Ficou Associa\u00e7\u00e3o de Capoeira Liberdade e Angola e eu como contramestre, tomando conta dessas quest\u00f5es da capoeira Angola.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/download-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-18783 alignright\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/download-1.jpg\" alt=\"\" width=\"188\" height=\"268\" \/><\/a>A\u00ed, eu me senti na obriga\u00e7\u00e3o de ir para Salvador, conhecer mais alguns mestres, alguns eu j\u00e1 tinha conhecido, mas eu tinha a obriga\u00e7\u00e3o de ir l\u00e1 ver a ABCA \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Capoeira Angola e o Mestre Curi\u00f3 era presidente na \u00e9poca; a\u00ed conheci o Mestre Virg\u00edlio, conheci Mestre Neco, Tel\u00e9 da Bomba, contramestre Pel\u00e9 do Tonel, Barba Branca, Mestre bigodinho, Mestre Boa Gente, Mestre Gildo Alfinete, muitos mestres l\u00e1, que frequentavam aquele ambiente ali, da ABCA. E isso me incentivou a permanecer nesse caminho. Ent\u00e3o, at\u00e9 hoje, pois pra mim foi um combust\u00edvel, foi uma coisa assim que me encantou mais, vamos dizer que foi uma chamada da capoeira Angola e l\u00e1 foi a confirma\u00e7\u00e3o dessa chamada. Realmente, eu senti que tinha feito a escolha certa e, de l\u00e1 por diante, eu me firmei e\u00a0 continuei e estou at\u00e9 hoje aprendendo e foi at\u00e9 sair de Salvador o que fortaleceu a minha escolhe, entendeu? Ou a capoeira me escolheu tamb\u00e9m, eu n\u00e3o sei dizer ao certo.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/959e291096ddc73c04be0630efd88b8c.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-18784 alignleft\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/959e291096ddc73c04be0630efd88b8c-225x300.png\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" \/><\/a>SDC: Voc\u00ea citou que tinha um trabalho. Em que a capoeira ajudou, ou n\u00e3o, no seu trabalho como profissional: Ajudou em alguma coisa ou atrapalhou? Fez de voc\u00ea uma pessoa mais centrada, mais amig\u00e1vel ou n\u00e3o mudou em nada o seu comportamento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ: <\/strong>Mudou muito! Em todos os ambientes de trabalho. Eu comecei a trabalhar aos 15 anos de idade, registrado. Em todos os ambientes de trabalho a capoeira me ajudou muito na quest\u00e3o da disciplina, a educa\u00e7\u00e3o com meu pai, o conv\u00edvio com papai e mam\u00e3e tamb\u00e9m foi muito importante, mas em todos os ambientes de trabalho, a capoeira, como disciplina e hierarquia, de saber respeitar os mais velhos, saber respeitar a ordem do dia, vamos assim dizer, me fez com que eu fosse bem sucedido. O \u00faltimo emprego meu foi numa multinacional, por exemplo, e foi atrav\u00e9s de um pai de aluno que me levou at\u00e9 l\u00e1 e eu fui trabalhar l\u00e1, ent\u00e3o, a capoeira me influenciou e muito, muito mesmo, n\u00e3o s\u00f3 pra entrar dentro desse trabalho como relacionar com as pessoas\u00a0 tamb\u00e9m, ter um entendimento da hierarquia, vamos assim dizer. Dentro da capoeira a hierarquia \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p><strong>SDC: A partir de 10 de janeiro de 2009, voc\u00ea assumiu a presid\u00eancia da ASCA \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Sorocabana de Capoeira, com o objetivo de unificar as for\u00e7as enquanto capoeiristas e profissionais na educa\u00e7\u00e3o. Qual foi a sua aceita\u00e7\u00e3o \u00e0 frente da Associa\u00e7\u00e3o? Qual foi a rea\u00e7\u00e3o do Poder P\u00fablico, diante das reivindica\u00e7\u00f5es da Associa\u00e7\u00e3o? Voc\u00eas conseguiram atingir algum ou todos os objetivos da ASCA?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ: <\/strong>Foi muito bom, na verdade \u00e9 assim, a ASCA j\u00e1 existia, tinha sido passada nas m\u00e3os do Mestre Cl\u00e1udio, do Mestre Cupim, do Mestre Pedro e, nesse momento de 2008, o que que acontece, entre um projeto-piloto da capoeira nas escolas e eu comecei a fazer parte desse projeto. Em 2009, tomou uma dimens\u00e3o maior e, como eu estava l\u00e1, dos mestres ali, que j\u00e1 pertenciam \u00e0 ASCA e eu j\u00e1 estava \u00e0 frente, fizemos a elei\u00e7\u00e3o e at\u00e9 os pr\u00f3prios mestres e as pessoas ali viram da forma como eu me relacionava com os educadores, era favor\u00e1vel, por isso que me elegeram como presidente da ASCA e foi muito favor\u00e1vel naquele momento, porque conseguimos implantar, atender o que a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o precisava, n\u00e9, que era sistema de aula, planejamento, projeto. Tudo o que a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o prop\u00f4s, n\u00f3s, como capoeiristas da ASCA, e as demais pessoas, os professores, todo mundo junto, criamos a sequ\u00eancia de pr\u00e1tica, monitoramento. Tudo o que o col\u00e9gio pediu, a gente ajustou ao sistema; ent\u00e3o, foi muito favor\u00e1vel, e a rela\u00e7\u00e3o com a secret\u00e1ria, com as gestoras tamb\u00e9m foi de respeito foi um momento importante. A capoeira cresceu nesse momento, pelo bom entendimento, por eles entenderem que a capoeira, como educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 natural, vamos dizer assim, se educa naturalmente e que tem hierarquia, que tem todos esses valores que a gente acabou de conversar. Ent\u00e3o, dentro desse procedimento foi muito bem, valeu tanto a rela\u00e7\u00e3o de l\u00e1 pra c\u00e1 como de c\u00e1 pra l\u00e1.<\/p>\n<p><strong>SDC: Hoje, na sua vis\u00e3o, existe ainda algum preconceito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capoeira ou isso j\u00e1 n\u00e3o existe mais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>MJ:<\/strong>\u00a0Olha, eu acredito que n\u00e3o vai deixar de existir, porque est\u00e1 arraigado na alma de muita gente, por ser uma cultura que vem do negro. A cultura negra, n\u00e3o d\u00e1 pra dizer que vai ser 100% eliminada, quer dizer, talvez eu n\u00e3o veja isso, termina a minha vida e eu n\u00e3o consiga ver isso, por \u2018n\u2019 situa\u00e7\u00f5es, porque a cultura negra abrange muitas coisas e as pessoas, por falta de interesse e, \u00e0s vezes, por falta de conhecimento, n\u00e3o se interessam em conhecer a cultura negra. \u00c9 mais f\u00e1cil criticar sem o conhecimento, na ignor\u00e2ncia, do que procurar saber; ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que n\u00e3o exista preconceito.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>2\u00aa Parte: Hist\u00f3ria e curiosidades sobre a capoeira<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A luta, 100% brasileira, foi criada no s\u00e9culo 17 por escravos africanos da etnia banto. Por causa da origem, ficou proibida oficialmente at\u00e9 1937, embora nunca tenha deixado de ser praticada. Nos anos 30, o baiano <strong>Manuel dos Reis Machado, o mestre Bimba<\/strong>, tirou os capoeiristas do ch\u00e3o, quebrou o gingado e incorporou golpes de outras lutas. Sua cria\u00e7\u00e3o, a <strong>capoeira regional<\/strong>, se diferencia at\u00e9 hoje da capoeira angola, mais tradicional e difundida a partir da d\u00e9cada de 1910 pelo baiano <strong>Vicente Ferreira, o mestre Pastinha<\/strong>. No s\u00e9culo 20, a capoeira virou esporte, com direito a confedera\u00e7\u00e3o nacional. Existem at\u00e9 torneios em que capoeiristas encaram lutadores de outras especialidades.<\/p>\n<p><strong>SDC: Segundo pesquisas, uma caracter\u00edstica que distingue a capoeira da maioria das outras artes marciais \u00e9 a sua musicalidade. Mestre Jaime, qual a import\u00e2ncia da m\u00fasica no in\u00edcio da capoeira e atualmente, e quais s\u00e3o os instrumentos utilizados?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ: <\/strong>No in\u00edcio, era a forma de disfar\u00e7ar. Eles faziam batuque com a palma da m\u00e3o, tambores, festejando, criava essa estrat\u00e9gia. Enquanto as pessoas pensavam que eles estavam brincando, se divertindo, eles estavam \u00e9 treinando a capoeira, disfar\u00e7ada em dan\u00e7a; ent\u00e3o, a musicalidade \u00e9 indispens\u00e1vel, ela surge a\u00ed e at\u00e9 hoje as pessoas pensam que a capoeira \u00e9 dan\u00e7a; ent\u00e3o, a musicalidade vem da\u00ed, e ela foi tomando dire\u00e7\u00f5es com o transcorrer do tempo, no batuque, nos candombl\u00e9s, na influ\u00eancia da religiosidade negra, dos terreiros. Ent\u00e3o, a musicalidade sempre esteve ligada \u00e0 capoeira. Os instrumentos, no caso, no come\u00e7o, nessa \u00e9poca a\u00ed, da escravid\u00e3o, era a palma da m\u00e3o, era o tambor, posteriormente, o pandeiro, a\u00ed entra os batuques, que n\u00e3o era o samba, era o batuque e a capoeira sempre envolvida nisso. A\u00ed, por volta de 1840 pra frente, o berimbau tamb\u00e9m j\u00e1 existia, o \u2018berimbau de boca\u2019; em vez de usar a caba\u00e7a, era a boca que fazia a resson\u00e2ncia; a caixa de resson\u00e2ncia n\u00e3o era a caba\u00e7a, era a boca. Esse \u00e9 o berimbau de boca. Posteriormente, surgiu o \u2018berimbau de barriga\u2019. Mestre gato nos falou assim, que nessa \u00e9poca da escravid\u00e3o, o negro ficava no alto da \u00e1rvore, com o berimbau, pra avisar a chegada do feitor, a chegada das pessoas que vigiavam os escravos trabalhando e, atrav\u00e9s do toque, tem um toque de cavalaria antiga, eles avisavam, atrav\u00e9s da pisada do cavalo, que ele estava chegando e eles voltavam a trabalhar; enquanto o feitor sa\u00eda pra fazer alguma coisa, eles iam fazer a pr\u00e1tica da capoeira. A hora que o feitor voltava, atrav\u00e9s do berimbau o instrumento tamb\u00e9m tinha essa fun\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m foi se aprimorando, depois colocaram na verga o arame recozido, o arame que quebrava com facilidade. N\u00e3o era todas as pessoas que tocava berimbau e, com o transcorrer do tempo, a\u00ed sim, foi se criando o que se chama \u2018conjunto musical. Ent\u00e3o, esse nome \u2018capoeira de Angola\u2019, no Rec\u00f4ncavo j\u00e1 existia esse nome de capoeira de Angola. E n\u00e3o era com os 3 berimbaus. Essa quest\u00e3o dos berimbaus, o Mestre Pastinha organiza essa quest\u00e3o da capoeira Angola. Mas a capoeira de Angola ela era tocada com um berimbau, um pandeiro, ou 2 berimbaus, dois pandeiros. N\u00e3o existia um padr\u00e3o, como at\u00e9 hoje n\u00e3o existe. A gente n\u00e3o pode dizer o que \u00e9 certo e o que \u00e9 errado. Mas, a capoeira angola era manifestada desse jeito e de que maneira, nos ambientes de terreiro, fundos de quintais, ou em festividades que tinha \u00e0s escondidas, quando aparecia a pol\u00edcia, que todo mundo se dispersava. Mas tamb\u00e9m tinha o toque de aviso. Isso acontecia dessa forma no Rec\u00f4ncavo. E Mestre Gato come\u00e7ou a aprender tocar berimbau crian\u00e7a. A influ\u00eancia que existia do berimbau era exatamente essa, a musicalidade, as cantigas animava aquela apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>SDC: Uma curiosidade: se os negros faziam de<\/strong> <strong>uma forma para que os brancos, os feitores achassem que era uma dan\u00e7a, ent\u00e3o o objetivo da capoeira era uma luta?\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0MJ:\u00a0<\/strong>Sim, o objetivo da capoeira seria uma luta. A pr\u00e1tica era disfar\u00e7ada em dan\u00e7a, pra que eles n\u00e3o vissem. Na calada da noite, na senzala eles praticavam tamb\u00e9m, no sil\u00eancio, exatamente pra se disfar\u00e7ar a pr\u00e1tica. E eles tinham uma estrat\u00e9gia, onde eles se abra\u00e7avam e ficam de p\u00e9. Enquanto eles estavam de p\u00e9, os negros estavam treinando a luta. Eles abaixavam, eles estavam gingando e dava essa impress\u00e3o de que estavam dan\u00e7ando, que estavam brincando; ent\u00e3o, confundia muito o branco, o branco n\u00e3o entendia, achava que aquilo era uma manifesta\u00e7\u00e3o de brincadeira; agora, na hora da fuga, na hora de pegar o mato, a\u00ed eles botavam pra derreter, a\u00ed eles botavam pra frente mesmo, era um movimento pra nocautear, pra destruir o feitor, pra destruir mesmo, pra ganhar o mato e fugir pro quilombo. Esse era o objetivo da capoeira.<\/p>\n<p><strong>SDC: O que vem a ser a \u2018roda de capoeira\u2019? Qual a sua finalidade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ: <\/strong>Na verdade, a capoeira come\u00e7a \u00e9 na roda. Porque a roda, vamos dizer assim, nos ensinamentos dos gri\u00f4s, dos grandes s\u00e1bios da \u00c1frica \u00e9 sempre em roda. Sempre foi em roda. Ent\u00e3o, a\u00ed eu penso que a roda de capoeira tem exatamente isso a\u00ed, o seu mestre ensinava, em roda, na hora de manifestar ela tamb\u00e9m estava em roda, que na roda todo mundo est\u00e1 olhando um para o outro; ent\u00e3o, segundo o que eu sei, vem dos ensinamentos dos gri\u00f4s, dos mais antigos. E ali est\u00e1 uma energia concentrada. Estamos todos numa roda, essa energia est\u00e1 concentrada na roda. A cantoria t\u00e1 aqui, o cantador canta, os participantes respondem; eu canto, eles respondem; ent\u00e3o, concentra-se uma energia, uma manifesta\u00e7\u00e3o viva. A capoeira \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o viva.<\/p>\n<p><strong>SDC: E qual \u00e9 o maior objetivo do capoeirista ao entrar em uma roda?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ: <\/strong>O objetivo do capoeirista \u00e9 jogar com o outro e n\u00e3o contra o outro. Diz-se que a capoeira \u00e9 a luta do oprimido contra o opressor. \u00c9 fato, isso surgiu com essa filosofia. Mas, tamb\u00e9m, no decorrer da hist\u00f3ria, o capoeirista tamb\u00e9m foi o opressor; ent\u00e3o, a gente n\u00e3o pode descartar isso, com at\u00e9 hoje acontece. N\u00f3s, como capoeiristas, dever\u00edamos nos tratarmos como irm\u00e3o \u00a0e nem sempre acontece isso; ent\u00e3o, s\u00e3o muitas, \u2018n\u2019 quest\u00f5es, pra se discutir isso. Tem muito assunto pra se discutir.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/20180221_201938.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-18848 alignright\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/20180221_201938-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" \/><\/a>SDC: Voltando \u00e0 pergunta anterior, eu perguntei sobre os instrumentos, e atualmente, permanecem ou aumentaram ou modificaram?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ: <\/strong>N\u00e3o, na verdade \u00e9 assim, quando voc\u00ea falou do Mestre Pastinha, ele organiza a capoeira e monta essa orquestra. S\u00e3o 3 berimbaus: o Berra-Boi, Gunga e viola, pandeiro, agog\u00f4 e reco-reco. Ent\u00e3o, segundo o Mestre\u00a0Gato, na academia de Pastinha n\u00e3o tinha atabaque. Mestre Gato foi contramestre de bateria durante 20 anos na academia de Mestre Pastinha. <a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/34345970_1415126045259317_8383405750927491072_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-18902 alignleft\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/34345970_1415126045259317_8383405750927491072_n-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" \/><\/a>Isso eu ouvi da boca dele assim, em Sorocaba, que l\u00e1 n\u00e3o tinha atabaque. E tem tamb\u00e9m entrevista que ele fala com o Cajueiro, dourado Cajueiro, no Rio de Janeiro, que ele diz isso a\u00ed, n\u00e9? Ele diz que na capoeira n\u00e3o tinha atabaque. O fato de n\u00f3s n\u00e3o usarmos atabaque tamb\u00e9m, \u00e9 exatamente essa quest\u00e3o, porque o Mestre Gato usava atabaque nas quest\u00f5es religiosas; ent\u00e3o, eu tinha, n\u00e3o, eu tenho respeito do povo de Santo Amaro, os filhos dele todos juntos, muito grande com a quest\u00e3o religiosa, e o tambor \u00e9 s\u00edmbolo disso, n\u00e9? Na nossa capoeira, ele pediu que n\u00f3s n\u00e3o us\u00e1ssemos o atabaque, ent\u00e3o usamos Berra-Boi, M\u00e9dio e Viola, que s\u00e3o os 3 berimbaus, grave, m\u00e9dio e agudo, dois pandeiros, que s\u00e3o os Bode, agog\u00f4 e reco-reco. Ent\u00e3o, essa \u00e9 a nossa bateria de capoeira Angola. N\u00e3o est\u00e1 errado os capoeiristas que usam tambor tamb\u00e9m. A maior parte deles usam tambor, t\u00e1 entendendo? N\u00e3o \u00e9 errado. J\u00e1 como a gente segue essa linhagem, foi a pedido dele que, a partir a gente segue isso.<\/p>\n<p><strong>SDC: Ent\u00e3o, pode-se dizer que , pode-se concluir que\u00a0 na Regional h\u00e1 um cunho mais religioso e o da Angola, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/34409835_1415126068592648_3655695589045174272_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-18904 alignright\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/34409835_1415126068592648_3655695589045174272_n-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" \/><\/a>MJ: <\/strong>N\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o! A quest\u00e3o religiosa \u00e9 a mesma. O que Mestre Bimba criou \u00e9 o seguinte: um berimbau e dois pandeiros. Ent\u00e3o, ele chama \u2018Charanga\u2019 a bateria dele; da forma que a capoeira Angola tem os 3, os do Mestre Bimba\u00a0 \u00e9 um berimbau e dois pandeiros. Foi dentro desse fundamento que ele criou. E os toques que ele criou S\u00e3o Bento Grande da Regional, Cavalaria, <strong>I\u00fana<\/strong> &#8211; <em>I\u00fana \u00e9 um jogo da capoeira que, acompanhado do toque do berimbau, serve para demarcar os n\u00edveis hier\u00e1rquicos dos mestres e dos formandos (disc\u00edpulos<\/em>) &#8211; do Bimba, a I\u00fana que ele criou, ent\u00e3o, s\u00e3o coisas dele, que ele criou pra diferenciar, mas esses toques tamb\u00e9m alguns j\u00e1 existiam; a I\u00fana, existe a I\u00fana tradicional, que a capoeira Angola usa. O Bimba criou a I\u00fana dele, a Cavalaria do Bimba; ent\u00e3o, como na \u00e9poca da repress\u00e3o, como o senhor falou a\u00ed, 1930, ele criou a Cavalaria, chama Cavalaria do Bimba. O toque de Cavalaria do Mestre bimba \u00e9 diferente do toque da Cavalaria antiga; n\u00e3o \u00e9 o mesmo toque. Ele acrescentou, ele foi muito s\u00e1bio, e uma das pessoas, digamos assim, se a capoeira t\u00e1 hoje no mundo todo, e tomou dimens\u00e3o, ele foi o precursor\u00a0 disso; gra\u00e7as a ele que, pela coragem, pela iniciativa, por tudo isso, foi um grande homem. O Mestre Gato falava muito bem do Mestre Bimba, da pontualidade dele como homem, da hombridade, da retid\u00e3o dele com os alunos, com as pessoas; ent\u00e3o, ele foi uma pessoa exemplar na conduta tamb\u00e9m, como v\u00e1rios outros mestres assim s\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>SDC: O que significa a \u2018ginga\u2019?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ: <\/strong>A ginga \u00e9 a malandragem. \u00c9 a forma de enganar o branco, porque a ginga \u00e9 a dan\u00e7a, porque a pessoa pensa que a capoeira \u00e9 a dan\u00e7a. A ginga \u00e9 como se fosse o drible, a finta do jogador de futebol; \u00e9 atrav\u00e9s da ginga que a gente ludibria o nosso companheiro do jogo, pra sair de um lado, ele de outro, e, atrav\u00e9s disso, eu levo a maior ou levo a pior. A gente quer ganhar. Nem sempre ganha, mas a ideia \u00e9 essa.<\/p>\n<p><strong>SDC: O que significa o \u2018batizado\u2019?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ: <\/strong>Mestre bimba, quando cria essa Capoeira Regional, ele tamb\u00e9m cria essa quest\u00e3o do batizado; o batizado, pelo que eu sei, \u00e9 a pessoa, o menino na \u00e9poca dele l\u00e1, ele escolhia a pessoa pra ser o padrinho; ent\u00e3o, o padrinho fazia o qu\u00ea, o padrinho ia jogar com ele l\u00e1\u00a0 e, se desse uma queda,\u00a0 n\u00e3o vamos dizer que era obrigat\u00f3rio dar uma queda, mas se desse\u00a0 no menino, ele\u00a0 dava l\u00e1 a gradua\u00e7\u00e3o, era len\u00e7o na \u00e9poca, n\u00e3o sei dizer exatamente a escala da grada\u00e7\u00e3o, mas a\u00ed, o padrinho era\u00a0 cara que cuida daquele capoeirista; o objetivo do padrinho foi\u00a0 esse.<\/p>\n<p><strong>SDC: O que \u00e9 o \u2018apelido\u2019 e qual a sua import\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ: <\/strong>Eu n\u00e3o tenho o h\u00e1bito de dar apelidos aos meus alunos, mas, geralmente, \u00e9 a caracter\u00edstica do aluno. Isso a\u00ed surgiu l\u00e1 atr\u00e1s tamb\u00e9m. \u00c0s vezes, o rapaz e mexe bem, \u00e9 cobra, por exemplo, Cobrinha Verde, Besouro; \u00e9 pra camuflar, vamos dizer. Quem \u00e9 cobrinha Verde, \u00e9 Rafael Alves Fran\u00e7a. No caso da capoeira, era mais f\u00e1cil saber quem era Cobrinha Verde, do quem era Rafael Alves dos Santos; era pra camuflar, pois, j\u00e1 que era proibido, ent\u00e3o, tem que ter um pseud\u00f4nimo, n\u00e9?<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Screenshot_20180604-200912.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-18915 alignleft\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Screenshot_20180604-200912-169x300.png\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" \/><\/a>SDC: E como se classificam as \u2018can\u00e7\u00f5es\u2019 na capoeira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ: <\/strong>Que eu conhe\u00e7o, eu conhe\u00e7o um pouco s\u00f3. Eu conhe\u00e7o \u2018ladainha\u2019, que \u00e9 o canto de entrada, tem o \u2018lamento\u2019, que \u00e9 um canto tamb\u00e9m, aonde o cantador faz teste com o sentimento das pessoas que ali est\u00e3o, depois da ladainha, do lamento entra a \u2018salva\u2019, que \u00e9 a louva\u00e7\u00e3o, vamos assim dizer, e, depois disso, entra o \u2018canto corrido\u2019, \u00e9 o momento em que o jogador entra pra jogar; enquanto ele t\u00e1 fazendo a ladainha, ou a salva, n\u00e3o se joga, os jogadores ficam prestando aten\u00e7\u00e3o; a hora que entra o canto corrido, \u00e9 a hora que o capoeirista entre com o jogo. E Mestre Bimba tamb\u00e9m usava essa mesma estrat\u00e9gia; ele fazia quadra, cantava quadra, quadr\u00e3o e tamb\u00e9m tinha l\u00e1 pra tr\u00e1s os cantos de desafio; meu pai foi cantador, foi repentista, mas \u00e9 semelhante, mas era galop\u00e1vel, t\u00e1 entendendo? A boiada, essas coisas; o nosso mestre, o Z\u00e9 Baiano canta boiada; ent\u00e3o, isso vem disso, uma coisa foi originando a outra.\u00a0 Man\u00e9 do Riach\u00e3o foi repentista, participava muito da capoeira; papai conhecia muito o trabalho de Man\u00e9 Isa\u00edas do Riach\u00e3o, ent\u00e3o, cantos de desafio. Ent\u00e3o, por exemplo, eu vou jogar com o senhor, fa\u00e7o um canto ou posso desafiar, como posso te elogiar. A cantiga depende da inten\u00e7\u00e3o que eu tenho contigo; eu posso te elogiar quanto posso te desafiar.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>SDC: O que representam e quais s\u00e3o os \u2018toques\u2019 na capoeira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>MJ: <\/strong>Olha, s\u00e3o muitos os toques. Esse tamb\u00e9m d\u00e1 mat\u00e9ria pra conversar muito tempo, porque tem coisas que num \u00e9 bom falar, principalmente quando se fala do Mestre Gato, e eu nem tenho autoriza\u00e7\u00e3o, porque, por exemplo, tem o filho dele, Cin\u00e9zio G\u00f3es,\u00a0 mais velho, o Gato 2, e eu nem vou falar dos toques\u00a0 de Mestre Gato, exatamente por conta disso, porque ele t\u00e1 a\u00ed , se tiver que falar, \u00e9 importante que ele fale, porque \u00e9 um trabalho do pai dele, n\u00e9, voc\u00ea t\u00e1 entendendo, mas Mestre Gato, que eu conhe\u00e7o, \u00e9 34 toques que ele apresentou, que eu conhe\u00e7o do Mestre Gato; 34 toques\u00a0 de ele tocando. Os toques tem o objetivo, como eu disse a\u00ed, toque de cavalaria, que \u00e9 pra avisar, o toque S\u00e3o Bento Grande \u00e9 o toque de angola, \u00e9 o toque que representa a capoeira Angola. Ent\u00e3o, as que tem, tem tempo e significado, tem essa representatividade. O toque do jogo de dentro \u00e9 o toque onde a capoeira \u00e9 jogada dura, como a gente j\u00e1 tava conversando; toques do jogo de dentro, quando o toque \u00e9 feito a capoeira, ela \u00e9 aplicada, ela \u00e9 dura, com cabe\u00e7ada, com rasteira; ent\u00e3o, o toque tem ter esse significado.<\/p>\n<p><strong>SDC: Mas, o toque em si, ele \u00e9 uma alguma nota musical? Est\u00e1 relacionado \u00e0 m\u00fasica, \u00e9 isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ:\u00a0\u00a0<\/strong>T\u00e1 relacionado \u00e0 m\u00fasica, t\u00e1 relacionado \u00e0s dobras, dos dobr\u00f5es, as varia\u00e7\u00f5es. O que diferencia os toques s\u00e3o as varia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/34343410_1415126085259313_1209502252713115648_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-18903 alignright\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/34343410_1415126085259313_1209502252713115648_n-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"236\" height=\"236\" \/><\/a> SDC: E qual \u00e9 o instrumento que gera esse toque?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ:\u00a0\u00a0<\/strong>O Berimbau! No caso, o \u2018Berra Boi\u2019 \u00e9 o grave, \u00e9 o que comanda a roda. Ent\u00e3o, se ele faz o toque do jogo de dentro, ele t\u00e1 avisando que o jogo vai ser duro; eu, como entendedor, se eu t\u00f4 na roda aqui e o berrador, que fez o toque do jogo de dentro, eu tenho que tomar cuidado com o meu camarada, que ele vai cair pra dentro, entendeu? Terminou a capoeira, ele faz um samba de roda. Pronto, \u00e9 a brincadeira, \u00e9 um momento de distra\u00e7\u00e3o, de lazer, onde as pessoas v\u00e3o sambar.<\/p>\n<p><strong>SDC: O Carlos Carvalho Cavalheiro, que \u00e9 um amigo e irm\u00e3o em comum, trouxe aqui um projeto envolvendo as mulheres para aprenderem a capoeira. Qual \u00e9 o objetivo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MJ: <\/strong>\u00c9 assim, houve o feminic\u00eddio, houve 40 mortes no ano que passou, e ele, preocupado com essa quest\u00e3o com a viol\u00eancia contra a mulher, sugeriu a mime a meus alunos que n\u00f3s fiz\u00e9ssemos uma quest\u00e3o de defesa pessoal, com os golpes, os movimentos da capoeira; ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 ensinar as mulheres a jogar a capoeira, jogar a capoeira tem todo um ritual, \u00e9 um movimento de defesa, n\u00e9, de defesa pessoal, com os golpes da capoeira. Ent\u00e3o, foi esse o objetivo. Ele sai com essa ideia e pergunta se eu aceito e eu falo que sim. E pra mim tamb\u00e9m foi um desafio, como um desafio pra elas, pra meninas tamb\u00e9m. A\u00ed levou isso at\u00e9 a vereadora Fernanda, atrav\u00e9s do Eron e a\u00ed ela levou pro movimento das meninas Rosa Lil\u00e1s e n\u00f3s iniciamos essa quest\u00e3o de defesa pessoal com as mulheres. Foi um sucesso, a primeira aula foi muito bem aceita.<\/p>\n<p><strong>SDC: E quantas mulheres tem atualmente o curso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>MJ:\u00a0 <\/strong>Se n\u00e3o me engano, foram 14, 15 mulheres, de in\u00edcio, na primeira aula.<\/p>\n<p><strong>SDC: E em que faixa de idade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>MJ:\u00a0 <\/strong>Ah, diversas! Teve de crian\u00e7as at\u00e9 senhoras<\/p>\n<p><strong>SDC: Pra encerrar a nossa entrevista, qual \u00e9, sob a sua vis\u00e3o, a import\u00e2ncia da capoeira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>MJ: <\/strong>A capoeira, na cultura negra, abrange tudo. Ent\u00e3o, eu vejo que a capoeira, n\u00e3o d\u00e1 pra explicar o t\u00e3o quanto ela \u00e9 importante, porque ela t\u00e1 musicalidade, ela t\u00e1 a luta, ela t\u00e1 cultura, ela t\u00e1 arte, t\u00e1 ligada a tudo, toda a cultura negra, a capoeira tem um pouco de tudo. Ent\u00e3o, por isso que a capoeira \u00e9 grandiosa. E da mesma forma que eu disse ao senhor aqui, eu, com mais de 37 anos na capoeira estou come\u00e7ando a aprender. Ent\u00e3o, d\u00e1 pra ter ideia da dimens\u00e3o que \u00e9 isso. Eu ouvia os mestres antigos dizer isso quando jovens, quando garoto eu achava que n\u00e3o era verdade isso, que eles estavam dizendo isso poeticamente, mas n\u00e3o \u00e9. Realmente, a gente vai descobrindo, a cada dia que passa, a gente vai descobrindo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/27544786_1591276894261024_3751813493562609588_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-18816\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/27544786_1591276894261024_3751813493562609588_n-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"233\" height=\"311\" \/><\/a>\u00a0 \u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/27654696_1591276847594362_6758616481024937909_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-18817\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/27654696_1591276847594362_6758616481024937909_n-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"233\" height=\"310\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/27750584_1591277524260961_6926528490297474335_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-18818\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/27750584_1591277524260961_6926528490297474335_n-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"169\" height=\"300\" \/><\/a>\u00a0 \u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/27545283_1591277124261001_7660500114710945035_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-18820\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/27545283_1591277124261001_7660500114710945035_n-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/27545118_1591277420927638_7236321751999244408_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone 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href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/17103412_1007180572717359_6893336954030985217_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-18829\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/17103412_1007180572717359_6893336954030985217_n-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/a><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/198033_563718940312234_508164198_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-18832\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/198033_563718940312234_508164198_n-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/16996392_1007175519384531_3572157727024573515_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-18833\" 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href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/13343016_591261424383857_86591555247002113_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-18841\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/13343016_591261424383857_86591555247002113_n-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a>\u00a0 \u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/28755_563741256976669_990323299_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-18844\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/28755_563741256976669_990323299_n-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a><\/p>\n<p>Roda de comemora\u00e7\u00e3o de 14 anos de funda\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Cultural Capoeira de Angola Bem Brasil:\u00a0https:\/\/www.facebook.com\/angolabembrasil\/videos\/1612262262162487\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Na verdade, a capoeira come\u00e7a \u00e9 na roda. (&#8230;)\u00a0A cantoria t\u00e1 aqui, o cantador canta, os participantes respondem; eu canto, eles respondem; ent\u00e3o, concentra-se uma energia, uma manifesta\u00e7\u00e3o viva. A capoeira \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o viva.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":18815,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[1140,5622,6445],"class_list":["post-18768","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comunicacao","tag-as-varias-faces-da-capoeira","tag-mestre-jaime-balbino","tag-os-grandes-mestres"],"aioseo_notices":[],"views":0,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":18608,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=18608","url_meta":{"origin":18768,"position":0},"title":"As v\u00e1rias faces da Capoeira! 3\u00aa parte: os grandes mestres da capoeira: Mestre Z\u00e9 Baiano&#039;","author":"Sergio Diniz da Costa","date":"25 de maio de 2018","format":false,"excerpt":"\"Jos\u00e9 Joaquim de Andrade Filho \u00e9 o nome de registro dele, sendo mais conhecido como 'Mestre Z\u00e9 Baiano', nascido em Paripiranga (BA).\" \u00a0 \u00a0 Mat\u00e9rias j\u00e1 publicadas sobre a s\u00e9rie \u2018As v\u00e1rias faces da Capoeira\u2019: (http:\/\/www.jornalrol.com.br\/luta-danca-ginga-toque-e-floreios-as-varias-faces-da-capoeira-1a-parte-origem-da-capoeira\/) (http:\/\/www.jornalrol.com.br\/as-varias-faces-da-capoeira-2a-parte-luta-musica-cancoes-toques-ginga-e-floreios\/) (http:\/\/www.jornalrol.com.br\/as-varias-faces-da-capoeira-3a-parte-os-grandes-mestres-da-capoeira-mestre-besouro-manganga\/) (www.jornalrol.com.br\/as-varias-faces-da-capoeira-3a-parte-os-grandes-mestres-da-capoeira-mestre-cobrinha-verde\/) (http:\/\/www.jornalrol.com.br\/as-varias-faces-da-capoeira-3a-parte-os-grandes-mestres-da-capoeira-mestre-bimba\/) (http:\/\/www.jornalrol.com.br\/as-varias-faces-da-capoeira-3a-parte-os-grandes-mestres-da-capoeira-mestre-gato-preto\/) \u00a0 Jos\u00e9 Joaquim de Andrade Filho \u00e9 o nome\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Comunica\u00e7\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"Comunica\u00e7\u00e3o","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?cat=7"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/principal1-1024x576-300x169.jpg?resize=350%2C200","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":18622,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=18622","url_meta":{"origin":18768,"position":1},"title":"As v\u00e1rias faces da Capoeira! 3\u00aa parte: os grandes mestres da capoeira: &#039;Mestre Waldemar da Liberdade&#039;","author":"Sergio Diniz da Costa","date":"30 de maio de 2018","format":false,"excerpt":"A vida de Waldemar como capoeirista e mestre de capoeira come\u00e7a na d\u00e9cada de 1940, onde ele implanta um barrac\u00e3o na invas\u00e3o do Corta-Bra\u00e7o, futuro bairro da Liberdade, onde joga-se capoeira e choquen pom todos os domingos, tamb\u00e9m ensinando na rampa do mercado na cidade baixa \u00a0 Mat\u00e9rias j\u00e1 publicadas\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Comunica\u00e7\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"Comunica\u00e7\u00e3o","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?cat=7"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/PRINCIAPL-300x237.jpg?resize=350%2C200","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":18041,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=18041","url_meta":{"origin":18768,"position":2},"title":"As v\u00e1rias faces da Capoeira! 3\u00aa Parte: Os grandes mestres da capoeira: Mestre Cobrinha Verde","author":"Sergio Diniz da Costa","date":"8 de maio de 2018","format":false,"excerpt":"Rafael Alves Fran\u00e7a, o Mestre Cobrinha Verde, viveu entre 1917 e 1983 e foi um dos mais temidos e respeitados capoeiristas de sua \u00e9poca \u00a0 Na s\u00e9rie de mat\u00e9rias sobre a Capoeira, a 1\u00aa parte abordou a origem da Capoeira (http:\/\/www.jornalrol.com.br\/luta-danca-ginga-toque-e-floreios-as-varias-faces-da-capoeira-1a-parte-origem-da-capoeira\/). 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