{"id":19536,"date":"2018-07-04T20:37:14","date_gmt":"2018-07-04T23:37:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=19536"},"modified":"2018-07-04T20:37:14","modified_gmt":"2018-07-04T23:37:14","slug":"goncalves-viana-mano-a-mano-con-gardel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=19536","title":{"rendered":"Gon\u00e7alves Viana: &#039;Mano a mano con Gardel&#039;"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F19536&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F19536&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h3 style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/VIANA-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-19537 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/VIANA-1-197x300.jpg\" alt=\"\" width=\"113\" height=\"172\" \/><em>&#8220;Assim como o samba, o tango come\u00e7ou nas camadas mais humildes, num bairro de descendentes de escravos africanos, mas esse assunto nunca foi bem estudado e compreendido, era quase que um &#8216;segredo&#8217; guardado \u00e0 sete chaves pelos argentinos, que faziam quest\u00e3o de enfatizar suas ra\u00edzes europeias.&#8221;<\/em><\/a><\/h3>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_19538\" aria-describedby=\"caption-attachment-19538\" style=\"width: 252px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/CARLOS-GARDEL-3-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-19538 size-medium\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/CARLOS-GARDEL-3-1-252x300.jpg\" alt=\"\" width=\"252\" height=\"300\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-19538\" class=\"wp-caption-text\">Carlos Gardel<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nossos vizinhos, los hermanos argentinos, sempre foram ciosos da sua hegemonia no continente sul-americano. E alardeiam isso aos quatro cantos do mundo.<\/p>\n<p>No futebol, por exemplo, eles inflam os peitos e proclamam orgulhosos e ir\u00f4nicos:<\/p>\n<p>\u0296Pel\u00e9, quien \u00e9s Pel\u00e9? Nosotros tenemos Don Di Stefano, Maradona \u2013 aquello de la manito de Di\u00f3s \u2013 e por fin, \u00a1Lionel Messi, cinco veces El mejor del mundo! Porisso preguntamos \u0296Quien \u00e9s Pele?<\/p>\n<p>Na literatura, dicen los hermanos: tenemos Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares, Julio Cort\u00e1zar (nasceu em Bruxelas \u2013 B\u00e9lgica, de pais argentinos), Ricardo Piglia, Ernesto Sabato, Manuel Puig, Silvina Ocampo, Alfonsina Stormi y muchos m\u00e1s. \u0296Yusted a quien tenes?<\/p>\n<p>De nada adianta citarmos: Machado de Assis, Guimar\u00e3es Rosa, Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, Jorge Amado, Vinicius de Moraes, eles alegam que n\u00e3o conhecem, nunca ouviram falar.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMAGEM-DE-TANGO-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-19539 alignleft\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/IMAGEM-DE-TANGO-3.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"183\" \/><\/a>Em se tratando de m\u00fasica, ent\u00e3o, eles chegam \u00e0s raias do absurdo quando comparam o tango ao samba. Dizem: &#8220;O samba n\u00e3o passa de um ritmo b\u00e1rbaro, selvagem, onde, ao som de tambores, os brasileiros se p\u00f5em a pular. E depois se zangam quando os chamamos de &#8216;macaquitos&#8217;. J\u00e1 com o tango, tal n\u00e3o acontece, \u00e9 um dan\u00e7a sofisticada, elegante, bem aceita em todos os lugares do mundo, especialmente em Paris, na Fran\u00e7a, desde a d\u00e9cada de 20 do s\u00e9culo passado\u201d.<\/p>\n<p>Talvez, eles se esquecem ou n\u00e3o fazem quest\u00e3o de lembrar, que o <strong><em>tango<\/em><\/strong>, assim como o <strong><em>samba<\/em><\/strong>, t\u00eam a mesma origem, como tamb\u00e9m acontece com o <strong><em>blues<\/em><\/strong> (e por extens\u00e3o, o <strong><em>rock<\/em><\/strong>) nos Estados Unidos; o <strong><em>fado<\/em><\/strong> em Portugal; o <strong><em>flamenco andaluz<\/em><\/strong>, na Espanha e a <strong><em>habanera<\/em><\/strong> cubana: s\u00e3o todos origin\u00e1rios da eterna Mama \u00c1frica.<\/p>\n<p>Assim como o samba, o tango come\u00e7ou nas camadas mais humildes, num bairro de descendentes de escravos africanos, mas esse assunto nunca foi bem estudado e compreendido, era quase que um \u201csegredo\u201d guardado \u00e0 sete chaves pelos argentinos, que faziam quest\u00e3o de enfatizar suas ra\u00edzes europeias. Mas, h\u00e1 pouco tempo, o antrop\u00f3logo Norberto Pablo C\u00edrio resgatou esse fato hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Inicialmente, o tango era instrumental e muito interpretado nos prost\u00edbulos de Buenos Aires, nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX (1880 e 1890) e era dan\u00e7ado por dois homens, da\u00ed o fato de dan\u00e7arem com os rostos virados, sem se fitar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o surgiu aquele que seria sin\u00f4nimo de tango: <strong><em>Carlos Gardel<\/em><\/strong>. Come\u00e7ou sua carreira aos 17 anos, formando uma dupla com o uruguaio Jos\u00e9 Razzano. Suas performances, no cabar\u00e9 Armenoville de Buenos Aires, os tornaram um fen\u00f4meno de vendas e p\u00fablico. Em 1925 iniciou uma carreira solo de imenso sucesso, tornando-se o maior cantor de tangos de todos os tempos, um \u00eddolo imortal.<\/p>\n<p>Havia um fato que muito incomodou os argentinos: Gardel, praticamente o criador do tango argentino, ao acrescentar letras \u00e0quela m\u00fasica, antes, apenas instrumental e, interpret\u00e1-las de modo magistral, n\u00e3o era argentino. Seu nascimento deu-se em 11 de dezembro de 1890, na cidade de Toulouse (Fran\u00e7a) e seu nome: Charles Romuald Gard\u00e9s.<\/p>\n<figure id=\"attachment_19540\" aria-describedby=\"caption-attachment-19540\" style=\"width: 252px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ALFREDO-LE-PERA-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-19540 size-medium\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/ALFREDO-LE-PERA-1-252x300.jpg\" alt=\"\" width=\"252\" height=\"300\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-19540\" class=\"wp-caption-text\">Alfredo Le Pera<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00c9 a\u00ed que nossos hermanos sofrem mais um rude golpe em seu orgulho, pois um dos tangos imortalizado por Gardel, a obra prima \u201cMi Buenos Aires Querido\u201d, um tango que exalta a capital portenha e o povo argentino, um monumento da m\u00fasica argentina, foi escrita por quem? Alfredo Le Pera, um brasileiro! Abro aqui um par\u00eantese, para tecer um ligeiro coment\u00e1rio: imaginem se \u201cAquarela do Brasil\u201d, o nosso segundo hino nacional, fosse composta por um argentino, que trag\u00e9dia n\u00e3o seria?<\/p>\n<p>Alfredo Le Pera, nasceu em 7 de junho de 1900, em S\u00e3o Paulo, no bairro do Bexiga. Era filho de imigrantes italianos que, ap\u00f3s seu nascimento, migraram para Buenos Aires em 1902.<\/p>\n<p>Na capital argentina, Le Pera escreveu a maior parte da sua hist\u00f3ria. Na juventude, estudou Medicina, que abandonou para dedicar-se exclusivamente ao jornalismo.<\/p>\n<p>Le Pera conheceu Gardel no ano de 1932, quando foi convidado pela Paramount para escrever roteiros para os filmes de Garde lem Paris. A partir desse encontro, os dois tornaram-se amigos insepar\u00e1veis e Alfredo Le Pera passou a fazer letras para os tangos de Carlos Gardel.<\/p>\n<p>Le Pera era um misto de dramaturgo, escritor, poeta e jornalista. Ele retirou os recorrentes regionalismos portenhos das m\u00fasicas de Gardel e fez com que as can\u00e7\u00f5es ganhassem as paradas de sucesso em outros pa\u00edses, principalmente os de l\u00edngua espanhola.<\/p>\n<p>Como ele era um homem muito discreto, n\u00e3o buscava o estrelato, preferia ficar sempre atr\u00e1s das luzes que incidiam sobre Gardel. Bem diferente de muitos que s\u00f3 querem aparecer e procuram a fama a qualquer pre\u00e7o. Isso gerou um esquecimento sobre a import\u00e2ncia dele na carreira de Gardel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da j\u00e1 citada \u201cMi Buenos Aires Querido\u201d, Le Pera \u00e9 autor de outras m\u00fasicas importantes e famosas, como: <strong><em>El dia que me quieras<\/em><\/strong>, <strong><em>Sus ojos se cerraron<\/em><\/strong>, <strong><em>Soledad<\/em><\/strong>, <strong><em>Cuesta abajo<\/em><\/strong>, <strong><em>Arrabal amargo<\/em><\/strong>, <strong><em>Por una cabeza<\/em><\/strong>, e muitas outras.<\/p>\n<p>Os dois, Gardel e Le Pera, que foram parceiros em vida, tamb\u00e9m os foram\u00a0 na morte. Ambos estavam no trimotor Ford da empresa SACO, que, ao decolar sobre a pista do Aeroporto Las Playas, da cidade de Medelin (Col\u00f4mbia) desviou e chocou-se com outro avi\u00e3o similar da empresa alem\u00e3 SCADIA que esperava seu momento para decolar. Era o dia 24 de junho de 1935.<\/p>\n<p>Foram 17 mortos e apenas 3 sobreviventes. As causas do acidente nunca foram esclarecidas. Ambas as empresas aeron\u00e1uticas mantinham uma dura concorr\u00eancia e, al\u00e9m do mais, por tr\u00e1s disso encontravam-se os interesses estrat\u00e9gico-militares dos Estados Unidos e Alemanha.<\/p>\n<p>Criou-se uma lenda, nunca comprovada, que Gardel e Le Pera haviam brigado, talvez, por uma mulher e Le Pera atirou em Gardel, originando o acidente. O que colaborou para alimentar essa lenda, foi o fato de que na aut\u00f3psia procedida no corpo de Gardel, foi encontrada uma bala. Essa bala realmente existiu, mas j\u00e1 estava h\u00e1 muito tempo alojada em seu corpo.<\/p>\n<p>Na noite de 10 para 11 de dezembro de 1915, portanto quase 20 anos antes, quando ele completava 25 anos e acabara de fazer uma apresenta\u00e7\u00e3o, envolveu-se em uma briga e acabou levando um tiro. Quem disparou foi ningu\u00e9m nada mais do que Roberto Guevara Lynch, tio daquele que seria, d\u00e9cadas depois, her\u00f3i da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana: Ernesto Che Guevara.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Gon\u00e7alves Viana\u00a0<\/strong>&#8211; viana.gaparecido@gmail.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>EL DIA QUE ME QUIERAS<\/strong><\/p>\n<p>Acaricia mi esue\u00f1o<\/p>\n<p>el suave murmullo de tu suspirar<\/p>\n<p>\u00a1C\u00f3mo rie la vida<\/p>\n<p>Si tus ojos negros me quierem mirar!<\/p>\n<p>Y si es mio el amparo de su risa leve<\/p>\n<p>que es como un cantar<\/p>\n<p>Ella aquieta mi herida todo, todo, se olvida&#8230;<\/p>\n<p>El dia que me quieras,<\/p>\n<p>la rosa que engalana<\/p>\n<p>se vestir\u00e1 de festa com su mejor color.<\/p>\n<p>Y al viento las campanas<\/p>\n<p>dir\u00e1n que eres m\u00eda,<\/p>\n<p>y locas las fontanas se contar\u00e1n su amor.<\/p>\n<p>El dia que me quieras<\/p>\n<p>No habr\u00e1 m\u00e1s que armonia<\/p>\n<p>ser\u00e1 clara la aurora y alegre el manantial<\/p>\n<p>Traer\u00e1 quieta la brisa rumor de melodias<\/p>\n<p>y nos dar\u00e1n las fuentes su canto de cristal.<\/p>\n<p>La noche que me quieras<\/p>\n<p>Desde el azul del cielo,<\/p>\n<p>las estrelas celosas nos mirar\u00e1n passar.<\/p>\n<p>Y um rayo misterioso<\/p>\n<p>Har\u00e1 nido en tu pelo<\/p>\n<p>luci\u00e9rnaga curiosa que ver\u00e1<\/p>\n<p>que eres mi consuelo.<\/p>\n<p><strong><em>M\u00fasica: Carlos Gardel<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0Letra: Alfredo Le Pera<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Assim como o samba, o tango come\u00e7ou nas camadas mais humildes, num bairro de descendentes de escravos africanos, mas esse assunto nunca foi bem estudado e compreendido, era quase que um &#8216;segredo&#8217; guardado \u00e0 sete chaves pelos argentinos, que faziam quest\u00e3o de<\/p>\n<p class=\"link-more\"><a class=\"myButt \" href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=19536\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":19539,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[747,1660,4206,8183],"class_list":["post-19536","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-comunicacao","tag-alfredo-le-pera","tag-carlos-gardel","tag-goncalves-viana","tag-tango"],"aioseo_notices":[],"aioseo_head":"\n\t\t<!-- All in One SEO 4.9.8 - 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