{"id":24700,"date":"2019-02-21T12:55:11","date_gmt":"2019-02-21T15:55:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=24700"},"modified":"2019-02-21T12:55:11","modified_gmt":"2019-02-21T15:55:11","slug":"o-leitor-participa-arvelos-vieira-da-academia-cruzeirense-de-letras-e-artes-um-mico-para-nunca-ser-esquecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=24700","title":{"rendered":"O Leitor Participa: Arvelos Vieira, da Academia Cruzeirense de Letras e Artes: &quot;Um &#039;mico&#039; para nunca ser esquecido&quot;"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F24700&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F24700&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h3 style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/ado-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-24701 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/ado-1-183x300.png\" alt=\"\" width=\"85\" height=\"141\" \/><em>&#8220;<\/em><\/a><em>Quem nunca &#8216;pagou um mico&#8217; na vida que atire a primeira pedra. Eu paguei o meu e, confesso, foi de fato um mico para jamais ser esquecido.&#8221;<\/em><\/h3>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/computa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-24702 alignright\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/computa-300x162.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"162\" \/><\/a>Quem nunca \u201cpagou um mico\u201d na vida que atire a primeira pedra. Eu paguei o meu e, confesso, foi de fato um mico para jamais ser esquecido.<\/p>\n<p>O ano, 1979, eu, na altura dos meus 23 anos de idade, era funcion\u00e1rio da saudosa FNV \u2013 F\u00e1brica Nacional de Vag\u00f5es, hoje MAXION. Ocupava o cargo de Operador de Computador, \u00e9poca que ser integrante de um CPD \u2013 Centro de Processamento de Dados de uma empresa, era como se trabalh\u00e1ssemos, digamos, numa NASA, vez que \u00e9ramos vistos como \u201cseres especiais\u201d.<\/p>\n<p>Os computadores, verdadeiros monstrengos, nada mais eram que \u201cchocolateiras\u201d perto dos \u201cT\u00c1BLETs\u201d de hoje, mas, somente n\u00f3s entend\u00edamos o funcionamento daquele que era considerado a \u201cengenhoca\u201d do s\u00e9culo e que deixava muitos intrigados e curiosos, que n\u00e3o eram do ramo.<\/p>\n<p>A equipe de um \u201cCPD\u201d era formada de \u201cAnalistas de Sistemas\u201d, os c\u00e9rebros pensantes que desenvolviam programas para atender as necessidades dos usu\u00e1rios; \u201cProgramadores\u201d, que constru\u00edam os programas conforme orienta\u00e7\u00e3o e supervis\u00e3o dos Analistas e os \u201cOperadores\u201d da m\u00e1quina, que colocavam os programas para funcionar, entregando o produto final para os usu\u00e1rios, ou seja, quilos e mais quilos de listagens para que eles debru\u00e7assem e trabalhassem em cima. Havia tamb\u00e9m o \u201cApoio\u201d, as chamadas digitadoras, que trabalhavam em m\u00e1quinas perfuradoras de cart\u00f5es codificados, a linguagem que a m\u00e1quina reconhecia para processar todo o servi\u00e7o necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da CPU (mem\u00f3ria principal), que era o computador em si, haviam os perif\u00e9ricos como a impressora, os drives que acondicionavam os discos m\u00f3veis, a leitora de cart\u00f5es, e tamb\u00e9m a \u201cconsole\u201d, ou \u201cSPO\u201d, que era conhecida a via de comunica\u00e7\u00e3o entre o operador e a m\u00e1quina. Por ela comand\u00e1vamos todo o servi\u00e7o. Dentro dela havia um cilindro contendo todo o abeced\u00e1rio e numer\u00e1rio, que corria de um lado ao outro se comunicando atrav\u00e9s da digita\u00e7\u00e3o. Pedia comandos e os recebia atrav\u00e9s do operador para o bom andamento do servi\u00e7o. Sendo esse cilindro m\u00f3vel, que corria de um lado para outro da m\u00e1quina, eu passei a utiliz\u00e1-lo para o meu \u201cbem-estar\u201d, que explicarei a seguir e a\u00ed \u00e9 que est\u00e1 o \u201c\u00f3 do borogod\u00f3!\u201d<\/p>\n<p>Eu trabalhava das 22 horas \u00e0s 06 horas da manh\u00e3. Dentre as muitas atividades noturnas a serem executadas no computador, existia um programa que se chamava \u201cMT1110\u201d. Era um cadastro geral de materiais, de todo o movimento da f\u00e1brica durante o dia, ou seja entrada e sa\u00edda de tudo dentro da f\u00e1brica. \u00c0 noite esse cadastro era atualizado para que no dia seguinte o pessoal de Compras trabalhasse em cima. Sem esse cadastro o pessoal n\u00e3o podia fazer nada.<\/p>\n<p>O programa que cuidava desse cadastro levava aproximadamente umas 4 horas s\u00f3 de atualiza\u00e7\u00e3o (apenas a m\u00e1quina processando, ou seja, luzinhas piscando, nada mais do que isso!).<\/p>\n<p>Quando \u00edamos colocar esse programa para processar, primeiro desocup\u00e1vamos o m\u00e1ximo poss\u00edvel de \u00e1rea ou espa\u00e7o no disco para comportar o cadastro atualizado a ser criado. Eram imensas as informa\u00e7\u00f5es para atualiza\u00e7\u00e3o desse cadastro. Quando o computador encerrava a atividade ele removia o cadastro anterior que se encontrava em um disco, e gravava em um outro, o cadastro atualizado, passando em seguida a emitir listagens quilom\u00e9tricas, que levavam mais de uma hora s\u00f3 de impress\u00e3o.<\/p>\n<p>E o que eu fazia? Quando chegava a vez de acionar esse programa, geralmente por volta das 2 horas da madrugada, e ap\u00f3s eu ter tomado todos os cuidados necess\u00e1rios para que o programa fosse executado sem interrup\u00e7\u00e3o, eu amarrava um barbante na ponta do cilindro da SPO, esticava-o por toda lateral da sala de opera\u00e7\u00e3o, at\u00e9 um quartinho lateral que era usado pelos t\u00e9cnicos. Colocava em cima de um arquivo de a\u00e7o de pastas suspensas que ficava na dire\u00e7\u00e3o da SPO, uma caixa de papel\u00e3o vazia, onde vinham acondicionados os formul\u00e1rios que utiliz\u00e1vamos, e numa de suas tampas, eu amarrava a outra ponta do barbante, deixando-o meticulosamente esticado. Em baixo, no ch\u00e3o, acondicionava um acento cumprido de um sof\u00e1 que havia na recep\u00e7\u00e3o, apagava as luzes e dormia ali tranquilamente durante as 4 horas em que a m\u00e1quina processava o servi\u00e7o. Se houvesse algum problema de \u00e1rea no disco, ela acionava a console, que esticava o barbante fazendo a caixa cair sobre o meu rosto, me acordando imediatamente. Eu levantava, ia at\u00e9 a m\u00e1quina atendia a sua necessidade e, ato seguinte, voltava a deitar-me, depois de ter armado a arapuca novamente. Detalhe: Eu deixava a impressora desligada, obrigando a m\u00e1quina a pedir para liberar a impress\u00e3o, ela fazia isso disparando a console, que esticava o barbante e jogava a caixa novamente em cima do meu rosto. A\u00ed eu levantava, desarrumava a arapuca, colocava o colchonete no lugar, e ia cuidar da impressora, pois nesse caso havia a necessidade de toda a aten\u00e7\u00e3o, vez que era comum rasgar a listagem ap\u00f3s atravess\u00e1-la, devido a grossura, pois eram 4 vias. E assim obrigava-nos a estar voltando sempre a impress\u00e3o no ponto anterior ao incidente.<\/p>\n<p>Mas, como j\u00e1 dizia o Benito de Paulo, \u201cnem tudo pode ser perfeito, nem tudo pode ser bacana\u201d, chegou o dia que a \u201ccasa caiu feio pra mim\u201d.<\/p>\n<p>Acostumado com minha engenhoca que sempre funcionou, teve um dia em que acordei no ch\u00e3o, por volta das 7h40 da manh\u00e3, com um monte de pernas em volta de mim. Estavam nessa ocasi\u00e3o, que eu me lembre: o saudoso Juarez Gon\u00e7alves, nosso gerente do CPD, o Sebasti\u00e3o \u00c9lcio Paes Leme, meu chefe imediato, Franklin Adeodato Boaventura, Lafayete, Rodolfo Leonel e outros mais curiosos. Todos me encarando, uns sorrindo da situa\u00e7\u00e3o inusitada, os chefes, com caras s\u00e9rias e eu&#8230;, imaginem com que cara! &#8230; Para meu azar, justo nesse dia o colega que deveria me substituir \u00e0s 6 horas n\u00e3o foi trabalhar, e eu acabei sendo &#8220;pego de gaiato no navio!&#8221;.<\/p>\n<p>Acontece que eu havia pensado em tudo, e at\u00e9 ent\u00e3o tudo havia funcionado, s\u00f3 n\u00e3o havia pensado na possibilidade de um pique de energia, quando a m\u00e1quina simplesmente deixava de funcionar e a SPO n\u00e3o tinha como puxar o barbante para jogar a caixa sobre o meu rosto para avisar-me.<\/p>\n<p>E assim nesse dia aconteceu esse pique de energia por volta das 3 horas da manh\u00e3 e somente \u00e0s 8 horas, quando o servi\u00e7o j\u00e1 deveria estar nas m\u00e3os do pessoal de Compras para o trabalho, \u00e9 que fomos reiniciar o trabalho desde o ponto de partida, pois, em caso de pique de energia, perdia-se tudo que estava sendo processado, havendo necessidade de carregar o cadastro anterior e iniciar o trabalho desde o principio. O pessoal do Dept\u00ba de Compras s\u00f3 foi ter acesso ao material para trabalhar, depois das 13 horas, tendo perdido toda a manh\u00e3.<\/p>\n<p>Levei uma reprimenda sem tamanho e n\u00e3o sabia onde enfiar a cara de tanta vergonha, e o caso s\u00f3 n\u00e3o virou \u201ctrag\u00e9dia\u201d com a minha demiss\u00e3o, porque foi \u201cc\u00f4mico\u201d demais, por mais s\u00e9rios que queriam ficar, riam da minha cara e tamb\u00e9m porque nos consider\u00e1vamos uma fam\u00edlia, trabalhando numa FNV paternalista, onde todos \u00e9ramos amigos, e a generosidade sempre estava presente, n\u00e3o havendo a s\u00f3rdida e covarde disputa como tornou-se comum depois que a empresa passou a mudar de \u201csiglas\u201d, quando tornou-se contumaz para pleitear postos mais elevados, a subida nas costas dos outros, muitas vezes derrubando-o covardemente para ocupar o seu lugar ou justificar a sua efici\u00eancia. A \u201cdela\u00e7\u00e3o\u201d tornou-se demonstra\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e compet\u00eancia ante aos olhos de novas diretorias que foram assumindo.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que at\u00e9 hoje, quando me encontro com alguns desses amigos que viveram comigo esse \u201cmico\u201d, o assunto sempre volta \u00e0 tona e n\u00e3o tem como n\u00e3o terminar em risos. \u00c9 por isso que dizem que o crime n\u00e3o compensa, por mais que ele possa parecer perfeito, rsrsrsr.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Arvelos Vieira<\/strong> &#8211;\u00a0arvelosvieiraneto@gmail.com<\/p>\n<h3><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Quem nunca &#8216;pagou um mico&#8217; na vida que atire a primeira pedra. 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