{"id":25942,"date":"2019-04-07T20:39:11","date_gmt":"2019-04-07T23:39:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=25942"},"modified":"2019-04-07T20:39:11","modified_gmt":"2019-04-07T23:39:11","slug":"marcelo-paiva-pereira-discurso-sobre-a-paciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=25942","title":{"rendered":"Marcelo Paiva Pereira: &#039;Discurso sobre a paci\u00eancia&#039;"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F25942&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F25942&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><figure id=\"attachment_10780\" aria-describedby=\"caption-attachment-10780\" style=\"width: 247px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/12181-2\/marcleo-paiva-pereira\/\" rel=\"attachment wp-att-10780\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-10780\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/marcleo-paiva-pereira-247x300.jpg\" alt=\"\" width=\"247\" height=\"300\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10780\" class=\"wp-caption-text\">Marcelo A. Paiva Pereira<\/figcaption><\/figure>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>DISCURSO SOBRE A PACI\u00caNCIA<\/strong><\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_25943\" aria-describedby=\"caption-attachment-25943\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/marcelo-paiva-pereira-discurso-sobre-a-paciencia\/juvenal-paiva-pereira\/\" rel=\"attachment wp-att-25943\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"25943\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=25943\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Juvenal-Paiva-Pereira.jpg\" data-orig-size=\"580,574\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Marcelo&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1554579161&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Juvenal Paiva Pereira\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Juvenal-Paiva-Pereira.jpg\" class=\"wp-image-25943 size-medium\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Juvenal-Paiva-Pereira-300x297.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"297\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25943\" class=\"wp-caption-text\">Juvenal Paiva Pereira, aos 17 anos, em foto de 1915<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aos 12 de agosto de 1968 o Professor Juvenal Paiva Pereira (1898-1983) discursou sobre a paci\u00eancia na Igreja Nossa Senhora das Estrelas, em Itapetininga\/SP. O texto original segue transcrito abaixo:<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>P A C I \u00ca N C I A<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Autor: Juvenal Paiva Pereira<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Data: 12.08.1968<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Os dicion\u00e1rios registram a palavra Paci\u00eancia com v\u00e1rias significa\u00e7\u00f5es, entre as quais cito:<\/em><\/p>\n<ol>\n<li><em>Aceita\u00e7\u00e3o pac\u00edfica e espont\u00e2nea de uma situa\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda;<\/em><\/li>\n<li><em>Resigna\u00e7\u00e3o;<\/em><\/li>\n<li><em>Jogo de entretenimento (jogos de paci\u00eancia);<\/em><\/li>\n<li><em>Interjei\u00e7\u00e3o de conformidade ou de conformismo (Paci\u00eancia!&#8230;);<\/em><\/li>\n<li><em>Mansid\u00e3o (quase como humildade);<\/em><\/li>\n<li><em>Insist\u00eancia tranquila em trabalho dif\u00edcil e longo;<\/em><\/li>\n<li><em>Transig\u00eancia com o pr\u00f3ximo.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Se os dicion\u00e1rios assim o fazem \u00e9 porque, na verdade, o mundo, a humanidade, na sua linguagem universal, d\u00e1 o nome de \u201cpaci\u00eancia\u201d a atitudes muito diversificadas que os homens assumem em face da vida, em diferentes circunst\u00e2ncias. S\u00e3o atitudes como:<\/em><\/p>\n<ol>\n<li><em>Suportar, mansamente, a opress\u00e3o e injusti\u00e7a de pessoas autorit\u00e1rias ou conscientemente r\u00edspidas, grosseiras;<\/em><\/li>\n<li><em>Aceitar com emo\u00e7\u00e3o do irremedi\u00e1vel uma perda material ou moral (Quebrou \u2013 \u201cpaci\u00eancia\u201d \u2013 Morreu \u2013 Paci\u00eancia! \u2013 O Palmeiras perdeu \u2013 paci\u00eancia!);<\/em><\/li>\n<li><em>Ficar-se a jogar xadrez ou buraco horas e horas sem ambi\u00e7\u00e3o de lucro;<\/em><\/li>\n<li><em>Repetir, vezes e vezes, a tentativa para resolver um problema, consertar um r\u00e1dio, aprender uma m\u00fasica, desatar um n\u00f3, etc.;<\/em><\/li>\n<li><em>Ouvir com bondade, sem agita\u00e7\u00e3o, a conversa ins\u00edpida de uma pessoa ing\u00eanua ou (no meu caso) a palavra de um orador ma\u00e7ante;<\/em><\/li>\n<li><em>Cuidar dos enfermos meses ou anos seguidos de rosto amigo e cora\u00e7\u00e3o sereno;<\/em><\/li>\n<li><em>Esperar nas filas, ao sol, ao frio e \u00e0 chuva; na fila do \u00f4nibus, do emprego, das incertezas, na fila das esperan\u00e7as;<\/em><\/li>\n<li><em>Atender de bom humor crian\u00e7as irriquietas, barulhentas, velhos ranzinzas e adultos ignorantes ou importunos;<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Al\u00e9m das citadas, \u00e9 poss\u00edvel e prov\u00e1vel que haja mais outras diferentes atitudes humanas a que o mundo d\u00ea tamb\u00e9m o mesmo nome de paci\u00eancia, embora se perceba que sejam elas, na verdade, atitudes claramente diversas, nada parecidas entre si, quer pelo resultado, quer pelo estado de esp\u00edrito que elas traduzem. H\u00e1 v\u00e1rios tipos de paci\u00eancia:<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 paci\u00eancia no ato chamado intelectual: c\u00e1lculo;<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 paci\u00eancia no ato motor: desatar um n\u00f3;<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 paci\u00eancia no ato afetivo: cuidar do filho;<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 paci\u00eancia no ato moral: a\u00e7\u00e3o continuada da pr\u00e1tica do bem.<\/em><\/p>\n<p><em>Em todos esses casos, \u00e9 sempre ela, sem d\u00favida, um grande dom pessoal quanto \u00e0 natureza do ato em si mesmo. E, de qualquer forma, uma for\u00e7a interior.<\/em><\/p>\n<p><em>Pode, entretanto, esse dom, essa for\u00e7a interior, deixar de ser virtude quando o fim que se tem em vista \u00e9 moralmente mau ou (de) transig\u00eancia conden\u00e1vel.<\/em><\/p>\n<p><em>A paci\u00eancia do bajulador \u00e9 indignidade;<\/em><\/p>\n<p><em>A paci\u00eancia do jogador pode ser v\u00edcio;<\/em><\/p>\n<p><em>A paci\u00eancia do arrombador de cofres pode ser crime;<\/em><\/p>\n<p><em>A paci\u00eancia do oportunista \u00e9 sem-vergonhice;<\/em><\/p>\n<p><em>A paci\u00eancia do comodista \u00e9 pregui\u00e7a;<\/em><\/p>\n<p><em>A paci\u00eancia ou transig\u00eancia com a injusti\u00e7a \u00e9 aviltamento;<\/em><\/p>\n<p><em>Paci\u00eancia transigente com a mentira \u00e9 cumplicidade;<\/em><\/p>\n<p><em>Paci\u00eancia transigente com a corrup\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 corrup\u00e7\u00e3o;<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Nesses casos, \u00e9 o dom de uma for\u00e7a ps\u00edquica a servi\u00e7o das fraquezas de car\u00e1ter. Por outro lado, \u00e9 virtude:<\/em><\/p>\n<ol>\n<li><em>A paci\u00eancia intransigente e calma na luta do bem contra o mal.<\/em><\/li>\n<li><em>A paci\u00eancia intransigente na luta contra os injustos.<\/em><\/li>\n<li><em>A paci\u00eancia tranquila e austera na luta em defesa dos leg\u00edtimos direitos.<\/em><\/li>\n<li><em>A paci\u00eancia inabal\u00e1vel em defesa da verdade.<\/em><\/li>\n<li><em>A paci\u00eancia terna e serena em toda luta nobre e honesta.<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>Pelo que se v\u00ea, paci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 sempre uma atitude passiva de aceita\u00e7\u00e3o ou suporta\u00e7\u00e3o da adversidade das coisas e das pessoas.<\/em><\/p>\n<p><em>Ela \u00e9 tamb\u00e9m e principalmente uma a\u00e7\u00e3o ou rea\u00e7\u00e3o ativa a favor dos atos bons ou contra as a\u00e7\u00f5es m\u00e1s.<\/em><\/p>\n<p><em>Em ambos os casos \u00e9 ela sempre uma atitude da nossa alma, uma disposi\u00e7\u00e3o interior, de dentro da nossa pessoa individual.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 o que se costuma dizer um estado psicol\u00f3gico, um estado de esp\u00edrito.<\/em><\/p>\n<p><em>Nessa condi\u00e7\u00e3o, \u00e9 ela uma energia mental que age dentro de n\u00f3s, orientando o nosso comportamento.<\/em><\/p>\n<p><em>Ora, atua para inibir rea\u00e7\u00f5es, isto \u00e9, para n\u00e3o nos deixar agir.<\/em><\/p>\n<p><em>Ora, para excitar rea\u00e7\u00f5es para nos levar a agir.<\/em><\/p>\n<p><em>No primeiro caso \u00e9 inibit\u00f3ria; no segundo, liberat\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p><em>O que h\u00e1 de comum nestes extremos \u00e9 a serenidade, impassibilidade interior que a cont\u00e9m. H\u00e1 indiv\u00edduos que suportam os revezes, as doen\u00e7as, o infort\u00fanio. Mas suportam de cora\u00e7\u00e3o amargo, com a revolta no \u00edntimo, mal sufocando resmungos ou palavr\u00f5es. Isso \u00e9 uma falsa paci\u00eancia, uma suporta\u00e7\u00e3o penosa, como doloroso fardo, resigna\u00e7\u00e3o, contrafeita. N\u00e3o \u00e9 a paci\u00eancia psicol\u00f3gica e moral aut\u00eanticas.<\/em><\/p>\n<p><em>Esta, a verdadeira, \u00e9 sempre uma diferente, singular e especial\u00edssima energia tranquila da alma; e, como visa ela \u00e0 a\u00e7\u00e3o, \u00e0 diferen\u00e7a da nossa vontade \u00e9, por isso, uma energia, uma for\u00e7a moral muito preciosa e n\u00e3o muito comum. Nessa condi\u00e7\u00e3o de disposi\u00e7\u00e3o da alma, \u00e9 sempre uma qualidade mental e um dom pessoal, um potencial. N\u00e3o \u00e9 sinal de moleza como erradamente alguns julgam.<\/em><\/p>\n<p><em>Quem tem essa paci\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um fraco; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma pessoa de \u00e2nimo forte e feliz.<\/em><\/p>\n<p><em>Naturalmente, como toda disposi\u00e7\u00e3o individual da alma, como todo corpo, a paci\u00eancia est\u00e1 sujeita a fatores condicionantes tamb\u00e9m negativos.<\/em><\/p>\n<p><em>Fatores externos: o ambiente f\u00edsico ou humano, \u00e0s vezes pode diminuir ou anular a paci\u00eancia;<\/em><\/p>\n<p><em>Outros internos: sistema nervoso agitado heredit\u00e1rio ou adquirido; mau funcionamento do f\u00edgado, da tire\u00f3ide, das supra renais, etc.; ou preocupa\u00e7\u00f5es internas, estados emotivos que interferem prejudicando a efic\u00e1cia da paci\u00eancia como energia mental ou moral. S\u00e3o casos em que a vontade quer agir, mas os nervos n\u00e3o obedecem, os horm\u00f4nios frustram.<\/em><\/p>\n<p><em>Trata-se, repito, de uma energia espec\u00edfica, inconfund\u00edvel, sui generis. N\u00e3o se confunde com bondade, humildade, carinho, compaix\u00e3o, etc.<\/em><\/p>\n<p><em>Existem pessoas nitidamente pacientes e outras naturalmente impacientes, por efeito de condi\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas e ps\u00edquicas, peculiaridades a cada individualidade ou por dadas circunst\u00e2ncias ocasionais. Uns s\u00e3o mais pacientes que outros, e um mesmo indiv\u00edduo ora \u00e9 mais paciente, ora menos paciente, para certo ato e n\u00e3o para outros; e at\u00e9 \u00e0s vezes chega a perder a paci\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p><em>H\u00e1 pessoas cheias de bondade, realmente amorosas, piedosas e compassivas, que n\u00e3o tem o dom moral da paci\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 inoperante, pois, pregar-lhes a paci\u00eancia; ou recriminar liminarmente os impacientes.<\/em><\/p>\n<p><em>Coerentemente devemos ter paci\u00eancia com os impacientes.<\/em><\/p>\n<p><em>Por isso mesmo, entretanto, porque existem fatores e causas condicionantes conhecidas, diz-se que \u00e9 muito merit\u00f3rio e aconselhado o emprego de cultivar a paci\u00eancia ou mesmo adquiri-la.<\/em><\/p>\n<p><em>Se a causa da impaci\u00eancia \u00e9, por exemplo, enfermidade hep\u00e1tica hormonal ou nervosa, \u00e9 um dever de consci\u00eancia procurar tratamento m\u00e9dico.<\/em><\/p>\n<p><em>Se s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es ou exalta\u00e7\u00f5es emotivas, \u00e9 poss\u00edvel e \u00e9 um dever corrigi-las por t\u00e9cnicas psicoter\u00e1picas derivativas, com aux\u00edlio de reflex\u00e3o, da medita\u00e7\u00e3o, da intelig\u00eancia, enfim.<\/em><\/p>\n<p><em>Dizem os psic\u00f3logos e psiquiatras que podemos educar e aumentar a paci\u00eancia; mas ningu\u00e9m ignora que ela tamb\u00e9m tem um limite de capacidade de satura\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>E \u00e9 exatamente por saber disso que estou eu procurando terminar logo esta minha leitura, receoso de j\u00e1 estar enchendo a vossa paci\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o posso, por\u00e9m, terminar sem mais uma r\u00e1pida observa\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Tenho para mim que paci\u00eancia, isto \u00e9, paci\u00eancia para com o pr\u00f3ximo, se n\u00e3o me confunde, pelo menos \u00e9 muito ligada com o que vulgarmente n\u00f3s chamamos de compreens\u00e3o, no sentido de toler\u00e2ncia, indulg\u00eancia, qualidade essa da pessoa tida como compreensiva. Poderiam ser sin\u00f4nimas at\u00e9.<\/em><\/p>\n<p><em>Para cultivar, preservar ou adquirir a paci\u00eancia, ou mesmo curar a impaci\u00eancia, quer parecer-nos que uma boa t\u00e9cnica ser\u00e1 racionaliz\u00e1-la, isto \u00e9, ampar\u00e1-la em um ato de intelig\u00eancia racional, que deve ser exatamente a referida compreens\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 a atitude racional de uma pessoa se colocar mentalmente na posi\u00e7\u00e3o do ser conivente na situa\u00e7\u00e3o do seu amigo, na idade e circunst\u00e2ncias do seu familiar, do companheiro, do interlocutor e at\u00e9 do inimigo, procurando sentir e avaliar os problemas desse outro e os porqu\u00eas do comportamento dele.<\/em><\/p>\n<p><em>Essa racionaliza\u00e7\u00e3o, creio eu, pode ou deve necessariamente armar na nossa alma toda aquela trama de energia afetiva e moral, inibit\u00f3ria e liberat\u00f3ria, que prepara e estrutura a paci\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p><em>Conv\u00e9m, entretanto, uma nota final\u00edssima:<\/em><\/p>\n<p><em>Todas essas t\u00e9cnicas de tratamento m\u00e9dico autoter\u00e1pico inclusive uma racionaliza\u00e7\u00e3o, s\u00f3 eles n\u00e3o bastam, se juntamente com elas n\u00e3o procuramos com f\u00e9 e fervor o rem\u00e9dio supremo e infal\u00edvel da ora\u00e7\u00e3o; porque a paci\u00eancia \u00e9 acima de tudo uma gra\u00e7a, um dos doze frutos do Esp\u00edrito Santo.<\/em><\/p>\n<p><em>Quem n\u00e3o conhece aquela ora\u00e7\u00e3ozinha magn\u00edfica, quase uma jaculat\u00f3ria, atribu\u00edda a S\u00e3o Francisco de Assis, para nos dar paci\u00eancia e conserv\u00e1-la?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 uma s\u00faplica sublime que eleva a nossa alma a Deus:<\/em><\/p>\n<p><em>\u201c\u00d3 Mestre! Faze que eu procure mais que consolar, que ser consolado, compreender, que ser compreendido, amar, que ser amado,&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>pois:<\/em><\/p>\n<p><em>\u00e9 dando que se recebe,<\/em><\/p>\n<p><em>\u00e9 perdoando que se \u00e9 perdoado;<\/em><\/p>\n<p><em>\u00e9 morrendo que se vive para a Vida Eterna\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Se temos a gra\u00e7a da f\u00e9, procuremos n\u00f3s todos os dias, paci\u00eancia na prece, na sincera humildade perante Deus, entregando-nos com serena confian\u00e7a aos des\u00edgnios de sua divina vontade e provid\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p><em>F I M<\/em><\/p>\n<p><em>O Professor Juvenal Paiva Pereira foi dentista, formado em 1925 pela escola de Farm\u00e1cia e Odontologia de Itapetininga\/SP e, posteriormente, tornou-se Professor de Sociologia da Escola Normal Peixoto Gomide. Autor da obra \u201cUm esquema de Sociologia Geral\u201d publicada pela editora Saraiva em tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es (a primeira de 1941 e a \u00faltima de 1952) e \u00e9 tamb\u00e9m, um dos vultos ilustres do mencionado munic\u00edpio e um dos patronos da Academia Itapetiningana de Letras.<\/em><\/p>\n<p>Nada a mais.<\/p>\n<p>Marcelo Augusto Paiva Pereira<\/p>\n<p>(neto do autor do texto)<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DISCURSO SOBRE A PACI\u00caNCIA<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[4930,5358,6504],"class_list":["post-25942","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao","tag-juvenal-paiva-pereira","tag-marcelo-paiva-pereira","tag-paciencia"],"aioseo_notices":[],"views":619,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":39002,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=39002","url_meta":{"origin":25942,"position":0},"title":"Marcelo A. 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