{"id":32071,"date":"2020-06-18T19:41:55","date_gmt":"2020-06-18T22:41:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=32071"},"modified":"2020-06-18T19:41:55","modified_gmt":"2020-06-18T22:41:55","slug":"o-leitor-participa-douglas-henrique-antunes-lopes-o-dia-do-cinema-brasileiro-e-a-montanha-russa-da-producao-filmica-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=32071","title":{"rendered":"O leitor participa: Douglas Henrique Antunes Lopes: &#039;O Dia do Cinema Brasileiro e a montanha-russa da produ\u00e7\u00e3o f\u00edlmica nacional&#039;"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F32071&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F32071&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h2 style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/movie-918655_1280-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-32072 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/movie-918655_1280-1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><strong>Na primeira metade do s\u00e9culo XX, houve leis de obrigatoriedade de exibi\u00e7\u00e3o de filmes nacionais em todas as salas de cinema do pa\u00eds, o que ajudou a aquecer este mercado<\/strong><\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>No dia 19 de junho, comemoramos o Dia do Cinema Brasileiro, por ocasi\u00e3o das primeiras imagens capturadas por cinemat\u00f3grafo no Brasil, na Ba\u00eda de Guanabara no Rio de Janeiro, pelo italiano Afonso Segreto. De l\u00e1 para c\u00e1, a hist\u00f3ria do cinema nacional parece uma montanha russa, com mais descidas do que subidas. No ano de 2020 ent\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 muitos motivos para festejar, dada a pandemia de coronav\u00edrus que estrangula v\u00e1rios mercados e n\u00e3o deixa o audiovisual fora dessa condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse sentido, n\u00e3o pretendemos fazer uma defesa pelo retorno da produ\u00e7\u00e3o, dado o risco que profissionais possam correr, mas \u00e9 importante considerar alguns aspectos do cinema nacional.<\/p>\n<p>O primeiro deles diz respeito ao papel das pol\u00edticas p\u00fablicas para estimular e manter esse mercado, pois nossa livre iniciativa n\u00e3o pode ser nem comparada \u00e0 economia movimentada em Hollywood. Quer um exemplo? Enquanto o\u00a0<i>Bacurau<\/i>\u00a0de Kleber Mendon\u00e7a Filho contou com o or\u00e7amento de R$ 7,7 milh\u00f5es;\u00a0<i>Vingadores: Ultimato<\/i>, dirigido por Joe Russo e Anthony Russo, contou com US$ 356 milh\u00f5es. Considerando as diferen\u00e7as das propostas e dos produtos finais, podemos verificar que as equipes brasileiras conseguem fazer muito com pouco, pois nunca puderam contar com grandes or\u00e7amentos.<\/p>\n<p>Na primeira metade do s\u00e9culo XX, houve leis de obrigatoriedade de exibi\u00e7\u00e3o de filmes nacionais em todas as salas de cinema do pa\u00eds, o que ajudou a aquecer este mercado. Na d\u00e9cada de 1960, os cinemanovistas, como Glauber Rocha e Anselmo Duarte, distribu\u00edam seus filmes por meio dos cineclubes, de modo que uma produ\u00e7\u00e3o remunerava a outra, sem finalidade lucrativa, e para isto, criaram a Dinafilmes. Em 1969, o Governo Militar criou a Embrafilme, com prop\u00f3sito de divulga\u00e7\u00e3o da cultura nacional, mas com ela veio a censura, de modo que uma parte consider\u00e1vel da produ\u00e7\u00e3o f\u00edlmica nacional foi de pornochanchadas ou filmes sem grande express\u00e3o t\u00e9cnica. Com o decl\u00ednio da censura ao longo da d\u00e9cada de 1980, a empresa produz seus melhores t\u00edtulos, um deles \u00e9 o longa intitulado\u00a0<i>Eles N\u00e3o Usam Black-tie<\/i>\u00a0(1981), de Leon Hirszman. Essa onda duraria pouco, principalmente pela restri\u00e7\u00e3o de investimentos, dadas as frequentes crises econ\u00f4micas enfrentadas pelo pa\u00eds naquela \u00e9poca. Em 1990 Collor sepulta a Embrafilme, de modo que as coisas ficariam melhores somente em 1993, com a cria\u00e7\u00e3o da Lei do Audiovisual.<\/p>\n<p><i>Carlota Joaquina, a princesa do Brasil<\/i>\u00a0(1995), de Carla Camurati, \u00e9 considerada a primeira produ\u00e7\u00e3o da \u00e9poca da retomada e n\u00e3o poder\u00edamos deixar de mencionar a nossa c\u00e9lebre\u00a0<i>Central do Brasil\u00a0<\/i>(1998), dirigida por Walter Salles, conquistando v\u00e1rios pr\u00eamios internacionais e chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme de L\u00edngua Estrangeira.<\/p>\n<p>Em 2001 testemunhamos a cria\u00e7\u00e3o da Ancine, de forma que a empresa resultou em grandes produ\u00e7\u00f5es, como\u00a0<i>Cidade de Deus\u00a0<\/i>(2002), de Fernando Meirelles e K\u00e1tia Lund, e\u00a0<i>Que Horas Ela Volta?\u00a0<\/i>(2015), de Anna Muylaert.<\/p>\n<p>A Ancine agoniza, com esvaziamento or\u00e7ament\u00e1rio desde 2016 e diminui\u00e7\u00e3o de editais de est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o audiovisual. Al\u00e9m das dificuldades de haverem novas produ\u00e7\u00f5es, a nossa mem\u00f3ria cinematogr\u00e1fica tamb\u00e9m est\u00e1 amea\u00e7ada com a crise da Cinemateca Brasileira, inaugurada em 1940, tendo como figura central nosso maior historiador do cinema brasileiro, Paulo Em\u00edlio Salles Gomes. Desde ent\u00e3o, a cinemateca promove eventos de forma\u00e7\u00e3o, publica\u00e7\u00f5es e tem um papel essencial na preserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o de arquivos de filmes nacionais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, de acordo com a Folha de S\u00e3o Paulo, quase 600 salas de cinema est\u00e3o fechadas nesse contexto de pandemia, pois os locais s\u00e3o ambientes de alto risco para propaga\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus. No entanto, a Covid-19 fez ressuscitar uma forma de exibi\u00e7\u00e3o esquecida, os cinemas em \u201cdrive-in\u201d, onde o p\u00fablico pode assistir os filmes dentro dos seus carros. A maioria das capitais brasileiras j\u00e1 contam com esse tipo de servi\u00e7o, apesar disso, n\u00e3o h\u00e1 consenso m\u00e9dico sobre a seguran\u00e7a do p\u00fablico neste tipo de ambiente.<\/p>\n<p>Diante deste contexto, quem est\u00e1 na \u201ccrista da onda\u201d s\u00e3o os servi\u00e7os de streaming, que j\u00e1 estavam crescendo nos \u00faltimos anos, mas ganharam uma alavancada maior ainda em raz\u00e3o das medidas de distanciamento social. Um relat\u00f3rio da Conviva, indica que o crescimento do consumo de servi\u00e7os de streaming teve um aumento de 20% no m\u00eas de mar\u00e7o. O que, na falta de pol\u00edticas p\u00fablicas, n\u00e3o \u00e9 negativo. Ao pensarmos nas produ\u00e7\u00f5es nacionais, somente a Netflix planejou um investimento de R$ 350 milh\u00f5es no mercado nacional entre 2019 e 2020, gerando pelo menos 40 mil empregos diretos, conforme indica a reportagem da Revista Exame, pois as produ\u00e7\u00f5es brasileiras t\u00eam sido um sucesso.<\/p>\n<p>O que n\u00f3s, os espectadores, podemos fazer neste momento de isolamento \u00e9 aproveitar as plataformas p\u00fablicas, como o Banco de Conte\u00fados Culturais (<a href=\"http:\/\/www.bcc.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/www.bcc.gov.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1592605422722000&amp;usg=AFQjCNGNyghlchigT54ssKUetWp_kGd1Wg\">http:\/\/www.bcc.gov.br\/<\/a>) da Cinemateca Brasileira ou o Portacurtas (<a href=\"http:\/\/portacurtas.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/portacurtas.org.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1592605422722000&amp;usg=AFQjCNEl-g5qcYJQKuKN3ucaFB2EY2MrlA\">http:\/\/portacurtas.org.br\/<\/a>), e privados, como a Netflix e o Telecineplay, de modo que o consumo implica em maiores investimentos nas produ\u00e7\u00f5es brasileiras em diversas modalidades.<\/p>\n<p>Autor: <strong>Douglas Henrique Antunes Lopes<\/strong><b>\u00a0<\/b>\u00e9 professor de Filosofia e tutor da \u00e1rea de Humanidades do Centro Universit\u00e1rio Internacional Uninter.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na primeira metade do s\u00e9culo XX, houve leis de obrigatoriedade de exibi\u00e7\u00e3o de filmes nacionais em todas as salas de cinema do pa\u00eds, o que ajudou a aquecer este mercado<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[1094,2780,2991,6182],"class_list":["post-32071","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao","tag-artigo","tag-dia-do-cinema-nacionak","tag-douglas-henrique-antunes-lopes","tag-o-leitor-participa"],"aioseo_notices":[],"views":606,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":34581,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=34581","url_meta":{"origin":32071,"position":0},"title":"O livro-espelho (ou O Povo Brasileiro) discute a antropologia no Brasil","author":"Sergio Diniz da Costa","date":"21 de outubro de 2020","format":false,"excerpt":"\u00a0Neste artigo,\u00a0\u00a0Douglas Henrique A. 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