{"id":3987,"date":"2015-12-30T09:46:01","date_gmt":"2015-12-30T11:46:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=3987"},"modified":"2015-12-30T09:46:01","modified_gmt":"2015-12-30T11:46:01","slug":"artigo-de-reinaldo-canto-o-sopro-de-esperanca-da-cop21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=3987","title":{"rendered":"Artigo de Reinaldo Canto: &#039;O sopro de esperan\u00e7a da COP21&#039;"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F3987&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F3987&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h2><strong>A Confer\u00eancia do Clima em Paris supera alguns impasses. O resultado \u00e9 positivo, mas aqu\u00e9m do necess\u00e1rio<\/strong><\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<h2>por Dal Marcondes e Reinaldo Canto \u2014 publicado 24\/12\/2015 05h15<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/881\/sopro-de-esperanca\/cop21\/@@images\/5f794207-349d-4da5-910e-eaa975650592.png\" alt=\"COP21\" \/><strong>COP21:\u00a0Mais l\u00edderes mundiais se engajaram na discuss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da sensa\u00e7\u00e3o de fracasso que se elevou da gelada Copenhague, no inverno de 2009, quando as decis\u00f5es da COP15 frustraram governos, cientistas e organiza\u00e7\u00f5es sociais, Paris exala otimismo. Os 195 pa\u00edses envolvidos assumiram os compromissos no que agora \u00e9 chamado de Acordo de Paris.<\/h2>\n<p>N\u00e3o est\u00e3o obrigados a cumprir metas impostas, mas concordaram em trabalhar para manter suas metas nacionais divulgadas em um documento conhecido como Intended Nationally Determined Contributions (INDCs), que em tradu\u00e7\u00e3o livre significa Contribui\u00e7\u00e3o Nacional Pretendida. O Acordo de Paris inova tamb\u00e9m ao definir a meta de 1,5 grau cent\u00edgrado de eleva\u00e7\u00e3o m\u00e1xima da temperatura m\u00e9dia do planeta at\u00e9 2100. Para isso, os objetivos nacionais e as a\u00e7\u00f5es adotadas por pa\u00eds ser\u00e3o revisados a cada cinco anos.<\/p>\n<p>O Brasil estabeleceu como objetivo uma redu\u00e7\u00e3o de 37% de suas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa at\u00e9 2020. A base \u00e9 o ano de 2005. A meta \u00e9 considerada avan\u00e7ada por organiza\u00e7\u00f5es sociais, entre elas, o Observat\u00f3rio do Clima, que re\u00fane especialistas e militantes. Carlos Rittl, secret\u00e1rio-executivo da ONG, alerta para o risco de se chegar em 2030 com uma tend\u00eancia global de eleva\u00e7\u00e3o de 3 graus se os pa\u00edses n\u00e3o forem rigorosos no cumprimento de suas INDCs. \u201c\u00c9 preciso que as na\u00e7\u00f5es ricas assumam os compromissos de financiamento e que todos cumpram o prometido.\u201d<\/p>\n<p>Os compromissos volunt\u00e1rios, marcas da COP21, s\u00e3o uma inova\u00e7\u00e3o, mas precisam ser transformados por na\u00e7\u00e3o em \u201cpol\u00edticas de Estado\u201d, afirma a ministra brasileira Izabella Teixeira. O documento de 29 artigos que ser\u00e1 entregue para a guarda da Secretaria-Geral da ONU, diz ela, precisa ser entendido como uma guinada em dire\u00e7\u00e3o a uma nova ci\u00eancia, esfor\u00e7o de inova\u00e7\u00e3o e, principalmente, de compartilhamento de tecnologias e conhecimentos que apontem para uma economia de baixo carbono.<\/p>\n<h2>ONGs<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/881\/sopro-de-esperanca\/PlacasdoCOP21.jpg\/@@images\/6d06bca6-a9fb-4aeb-b4d3-6663a9e92842.jpeg\" alt=\"ONGs\" \/><strong>ONGs e empresas tamb\u00e9m se mobilizaram<\/strong><\/h2>\n<p>(Samuel Boivin\/Citizens\/DE\/AFP)<br \/>\nAs lideran\u00e7as mundiais prometem um aporte de 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano, a partir de 2020, para apoiar os pa\u00edses mais pobres a adaptar suas economias ao novo cen\u00e1rio. Atingir os objetivos propostos depende de uma profunda transforma\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica global, ainda com extrema depend\u00eancia de derivados de petr\u00f3leo e carv\u00e3o. Apenas 10% da energia produzida no mundo \u00e9 renov\u00e1vel. Nesse quesito, o Brasil tem uma vantagem comparativa: cerca de 50% do nosso consumo vem de fontes renov\u00e1veis, principalmente de hidrel\u00e9tricas e biomassas, sem esquecer o fortalecimento recente das fontes e\u00f3licas. H\u00e1 muito ceticismo na capacidade e disposi\u00e7\u00e3o real do planeta de alterar a matriz, especialmente em um momento no qual o barril de petr\u00f3leo est\u00e1 barato.<\/p>\n<p>Um estudo de 2013 publicado na revista cient\u00edfica Nature alertava: sem a ado\u00e7\u00e3o de um compromisso mais radical de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono, o custo mundial das inunda\u00e7\u00f5es nas cidades poderia aumentar para 1 trilh\u00e3o de d\u00f3lares por ano at\u00e9 2050, e os preju\u00edzos poderiam propagar-se por todos os recantos da Terra.<\/p>\n<p>Portanto, os investimentos para esse controle n\u00e3o podem ser tratados como despesa, mas como um investimento em gest\u00e3o de risco e mitiga\u00e7\u00e3o de eventos globais com impacto financeiro muito maiores. Esse mesmo estudo aponta que quase 830 milh\u00f5es de seres humanos vivem nas periferias urbanas, com graves defici\u00eancias em infraestrutura e servi\u00e7os. Isso torna as cidades as \u00e1reas mais vulner\u00e1veis a eventos clim\u00e1ticos extremos.<\/p>\n<p>Outro estudo, desta vez do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Assentamentos Humanos, o ONU-Habitat, calcula que as concentra\u00e7\u00f5es urbanas s\u00e3o respons\u00e1veis por at\u00e9 80% das emiss\u00f5es mundiais de gases de efeito estufa. At\u00e9 2050, as cidades devem abrigar 70% da popula\u00e7\u00e3o mundial, que, por sua vez, vai aumentar dos atuais 7,4 bilh\u00f5es para perto de 9 bilh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Pelo fato de as cidades terem se tornado grande sorvedouro de recursos, uma tese tem ganhado for\u00e7a entre organiza\u00e7\u00f5es sociais e empres\u00e1rios: a necessidade de estimular a maior efici\u00eancia no uso de energia. Segundo dados do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, uma entidade empresarial brasileira, existe um potencial para a implanta\u00e7\u00e3o de programas de efici\u00eancia que possibilitariam um super\u00e1vit de 20% de toda a energia gerada, apenas na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<h2>Energia-Renovavel<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/881\/sopro-de-esperanca\/EnergiaRenovavel.jpg\/@@images\/ceb9ed6e-1345-45bc-9cef-10a012d53964.jpeg\" alt=\"Energia-Renovavel\" \/><strong>O Brasil \u00e9 destaque em energia renov\u00e1vel <\/strong><\/h2>\n<p>(Vanderlei Tacchio)<br \/>\nEsse n\u00famero, segundo Marina Grossi, presidente da entidade, permitiria uma economia de emiss\u00f5es de g\u00e1s carb\u00f4nico de aproximadamente 2 bilh\u00f5es de toneladas e uma economia de 2,8 trilh\u00f5es de d\u00f3lares at\u00e9 2032. \u201cEsse valor \u00e9 duas vezes o investimento necess\u00e1rio, de acordo com o Banco Mundial, para prover acesso \u00e0 energia a 1,1 bilh\u00e3o de seres humanos que vivem na escurid\u00e3o no mundo\u201d, diz a executiva.<\/p>\n<p>Entre os principais pontos explicitados nos 29 artigos do Acordo de Paris est\u00e3o algumas inova\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 ele n\u00e3o seguir a l\u00f3gica do \u201cprotocolo\u201d, como aquele de Kyoto em 1997. O status legal desse acordo \u00e9 h\u00edbrido e ser\u00e1 abrigado sob o manto da Conven\u00e7\u00e3o da ONU Sobre Mudan\u00e7as do Clima, de 1992. Isso significa que algumas partes s\u00e3o obrigat\u00f3rias e outras se encaixam na categoria de compromissos volunt\u00e1rios assumidos pelos pr\u00f3prios pa\u00edses em suas INDCs.<\/p>\n<p>Ficaram de fora do acordo os termos \u201cdescarboniza\u00e7\u00e3o\u201d e \u201ccombust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d. Ao mesmo tempo, foram assumidos compromissos de longo prazo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s temperaturas pretendidas para o planeta at\u00e9 o fim deste s\u00e9culo. Outra inova\u00e7\u00e3o: o acordo passar\u00e1 por revis\u00f5es peri\u00f3dicas a cada cinco anos, de forma a dimensionar se as medidas adotadas est\u00e3o alinhadas com a meta final de 1,5 grau cent\u00edgrado de eleva\u00e7\u00e3o at\u00e9 2100. Essas revis\u00f5es tamb\u00e9m poder\u00e3o servir para reavaliar a necessidade de dinheiro.<\/p>\n<p>Nas duas semanas da reuni\u00e3o em Paris, compareceram 150 chefes de Estado de 195 delega\u00e7\u00f5es de negociadores. Nas ruas da cidade estima-se a circula\u00e7\u00e3o de 30 mil a 40 mil representantes de organiza\u00e7\u00f5es sociais e empresariais de todo o mundo, que participaram de manifesta\u00e7\u00f5es e de centenas de eventos paralelos sobre os temas correlatos \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. As negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram f\u00e1ceis, relata a ministra brasileira, e em alguns momentos os maiores emissores de poluentes tiveram de conversar duro para encontrar um denominador comum.<\/p>\n<p>H\u00e1 registros de telefonemas do presidente Barack Obama a seu colega chin\u00eas Xi Jinping em um esfor\u00e7o de convencimento sobre os benef\u00edcios de um acordo. Desse di\u00e1logo saiu uma in\u00e9dita parceria para a implementa\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris. A China, um dos maiores poluidores do mundo, comprometeu-se a chegar a um pico de suas emiss\u00f5es em 2030 e depois reverter sua curva drasticamente para auxiliar no cumprimento da meta global de 1,5 grau.<\/p>\n<h2><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/881\/sopro-de-esperanca\/PoluiaonaChina.jpg\/@@images\/bf0309a3-a298-47f2-824d-cbbd746c973d.jpeg\" alt=\"Polui\u00e7ao-na-China\" \/><strong>Polui\u00e7ao-na-China<\/strong><\/h2>\n<p>A China, enfim, aceitou negociar uma meta (Valter Campanato\/ABr)<br \/>\nFoi preciso ainda um esfor\u00e7o descomunal dos negociadores para lidar com os pa\u00edses que tentaram bloquear um acordo mais ambicioso. A coaliz\u00e3o Climate Action Network, que congrega mais de 900 organiza\u00e7\u00f5es ambientais, entregou o pr\u00eamio \u201cF\u00f3ssil do Dia\u201d para as na\u00e7\u00f5es que mais se opuseram aos avan\u00e7os das negocia\u00e7\u00f5es. A Ar\u00e1bia Saudita, maior exportadora de petr\u00f3leo do mundo, era presen\u00e7a constante na lista. Mas houve surpresas, entre elas, a Nova Zel\u00e2ndia, que ainda subsidia petr\u00f3leo e carv\u00e3o, a B\u00e9lgica, que n\u00e3o tem cumprido com seus compromissos assumidos no \u00e2mbito da Uni\u00e3o Europeia, al\u00e9m das organiza\u00e7\u00f5es internacionais de Avia\u00e7\u00e3o Civil e de Navega\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima, que, apesar de representarem 6% das emiss\u00f5es globais, conseguiram desobrigar-se de qualquer meta.<\/p>\n<p>Para o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, o mais importante \u00e9 os pa\u00edses abandonarem uma vis\u00e3o egoc\u00eantrica e colaborarem para uma perspectiva global de longo prazo. \u201cEstamos em um momento definitivo, uma nova economia deve emergir do Acordo de Paris\u201d, disse, ao espelhar o otimismo de diversos l\u00edderes que participaram do evento.<\/p>\n<p>A voz destoante veio da Nicar\u00e1gua. Seu negociador-chefe, Paul Oquist, exigiu a retirada de um artigo no texto final que exime as na\u00e7\u00f5es ricas de responsabilidades sobre perdas e danos das na\u00e7\u00f5es mais fr\u00e1geis perante as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, e alertou que as soma das metas nacionais apresentadas em Paris n\u00e3o garante o limite de eleva\u00e7\u00e3o da temperatura. Como o brasileiro Rittl, ele teme uma alta de 3 graus at\u00e9 2100.<\/p>\n<p>Mesmo sem estabelecer limites ou metas de corte de emiss\u00f5es de carbono, o Acordo de Paris tem como refer\u00eancia os relat\u00f3rios do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), criado no \u00e2mbito da ONU e que re\u00fane mais de 1,5 mil cientistas e pesquisadores. Estudos apresentados pelo IPCC apontam que para se conseguir manter a temperatura com eleva\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 1,5 grau celsius ser\u00e1 necess\u00e1rio um corte de 70% a 80% das emiss\u00f5es de carbono no mundo at\u00e9 2050. O otimismo em rela\u00e7\u00e3o ao acordo \u00e9 justificado pela vit\u00f3ria pol\u00edtica e pela abrang\u00eancia alcan\u00e7ada. O problema \u00e9 daqui para a frente. Palavras de otimismo e promessas v\u00e3s n\u00e3o v\u00e3o evitar um desastre clim\u00e1tico.<\/p>\n<p>*Dal Marcondes \u00e9 diretor do portal Envolverde<br \/>\n<strong>Reinaldo Canto<\/strong> \u00e9 colunista do <strong>ROL &#8211; REGI\u00c3O ON LINE,<\/strong>\u00a0do site de CartaCapital e enviado especial do portal Envolverde a Paris.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Confer\u00eancia do Clima em Paris supera alguns impasses. 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