{"id":4083,"date":"2016-01-29T18:01:50","date_gmt":"2016-01-29T20:01:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=4083"},"modified":"2016-01-29T18:01:50","modified_gmt":"2016-01-29T20:01:50","slug":"artigo-de-marcelo-paiva-pereira-arquitetura-moderna-a-modernidade-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=4083","title":{"rendered":"Artigo de Marcelo Paiva Pereira: &#039;Arquitetura moderna: a modernidade do tempo&#039;"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F4083&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F4083&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h2>Marcelo Augusto Paiva Pereira: &#8216;ARQUITETURA MODERNA: A MODERNIDADE DO TEMPO&#8217;<!--more--><\/h2>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/villa.jpg\" rel=\"attachment wp-att-4087\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-4087\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/villa-300x198.jpg\" alt=\"villa\" width=\"300\" height=\"198\" \/><\/a><\/p>\n<p>A arquitetura moderna surgiu das transforma\u00e7\u00f5es do pensamento art\u00edstico, tecnol\u00f3gico e cient\u00edfico, cujas fontes remotas s\u00e3o do per\u00edodo do Neoclassicismo, e pr\u00f3ximas do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, configurando-a com as caracter\u00edsticas que a instru\u00edram. O presente texto abordar\u00e1, mesmo superficialmente, o percurso efetuado.<\/p>\n<p>Do Neoclassicismo em oposi\u00e7\u00e3o ao Renascimento<\/p>\n<p>O Neoclassicismo foi um movimento art\u00edstico (e historicista) que surgiu no s\u00e9culo XVIII fundamentado na teoria do Iluminismo e junto \u00e0 descoberta dos novos materiais concreto e a\u00e7o, com a finalidade de combater o princ\u00edpio da autoridade, que n\u00e3o acolhia o m\u00e9todo cient\u00edfico e legitimava a representa\u00e7\u00e3o (c\u00f3pia, reprodu\u00e7\u00e3o) dos objetos.<\/p>\n<p>Aludido movimento se op\u00f4s \u00e0 intensa religiosidade da est\u00e9tica dos movimentos anteriores (Renascimento, Maneirismo e Barroco), dos quais o mais influente foi o Renascimento, que se fundamentava na teoria do Humanismo, pela qual o ser humano \u00e9 a medida de todas as coisas, mas subserviente ao Criador (Deus fez o homem \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a).<\/p>\n<p>No Renascimento acolheu-se as rela\u00e7\u00f5es de propor\u00e7\u00e3o da harmonia musical de intervalos consonantes, de Pit\u00e1goras. Era um sistema matem\u00e1tico de intervalos proporcionais, que justificavam a harmonia universal, inclusive a alma humana. Eram:<\/p>\n<ol>\n<li>Oitava: rela\u00e7\u00e3o de 1:2;<\/li>\n<li>Quinta: rela\u00e7\u00e3o de 2:3;<\/li>\n<li>Quarta: rela\u00e7\u00e3o de 3:4.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Alberti, no s\u00e9culo XV, acolheu esse sistema, constitu\u00eddo dos n\u00fameros fundamentais definidos por Plat\u00e3o (1:2:4:8 e 1:3:9:27). No s\u00e9culo XVI, Palladio criou o sistema harm\u00f4nico de intervalos dissonantes, os quais n\u00e3o se restringiam \u00e0 sequ\u00eancia dos n\u00fameros fundamentais.<\/p>\n<p>Ambos os sistemas harm\u00f4nicos \u2013 de intervalos consonantes e dissonantes \u2013 eram modelos aprior\u00edsticos, est\u00e1ticos e externos \u00e0s artes, porque fixavam regras pr\u00e9-concebidas, imut\u00e1veis e oriundas da for\u00e7a divina, as quais eram utilizadas pelos artistas para mensurarem os objetos em conformidade com as propor\u00e7\u00f5es (das almas) humanas. Como resultado, as partes se uniam e formavam o todo, dele se tornando insepar\u00e1veis (assim como as almas pertencem a Deus).<\/p>\n<p>O Neoclassicismo combateu e abandonou esses dogmas, acolhendo novos entendimentos para justificar suas obras, como seguem:<\/p>\n<ol>\n<li>Eliminou os modelos aprior\u00edsticos e conferiu autonomia \u00e0s artes, permitindo conceber os edif\u00edcios e outras obras com princ\u00edpios pr\u00f3prios das disciplinas;<\/li>\n<li>A natureza deixou de ser copiada (ou reproduzida) para ser examinada com crit\u00e9rios t\u00e9cnicos das disciplinas e dela extrair suas elementares;<\/li>\n<li>Em seguida, criou os tipos, formas <em>a posteriori<\/em> definidos por elementares, que se modificavam no tempo e no espa\u00e7o;<\/li>\n<li>O projeto de cada edif\u00edcio passou a ser composto pelos tipos e ter destina\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, definida pela tipologia a ele conferido.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Com esse arcabou\u00e7o principiol\u00f3gico, a propor\u00e7\u00e3o deixou de ser fixada pela matem\u00e1tica da harmonia universal e passou a s\u00ea-la pela sensibilidade individual do artista; as partes componentes se tornaram independentes e permitiram manipular a composi\u00e7\u00e3o entre elas; a independ\u00eancia e a manipula\u00e7\u00e3o permitiram atribuir a cada obra o car\u00e1ter e a monumentalidade (destina\u00e7\u00e3o); a arquitetura ganhou autonomia; a ornamenta\u00e7\u00e3o, valiosa no Renascimento (tamb\u00e9m no Maneirismo e no Barroco), tornou-se equipamento acess\u00f3rio, decorativo.<\/p>\n<p>Para desenhar os edif\u00edcios, por\u00e9m, utilizava-se de dois eixos perpendiculares de simetria e dividia-se o edif\u00edcio \u2013 preferencialmente \u2013 em quatro partes iguais e os espa\u00e7os eram hierarquizados. No Neoclassicismo ainda havia muita rigidez (est\u00e9tica) compositiva.<\/p>\n<p>O princ\u00edpio compositivo \u2013 independ\u00eancia das partes \u2013 foi inaugurado pelos franceses Eti\u00e9nne-Louis Boull\u00e9e (1728-1799) e Claude-Nicolas Ledoux (1736-1806) e sistematizado por Jean-Nicolas-Louis Durand, que foi aluno de Boull\u00e9e (este priorizou os aspectos est\u00e9ticos).<\/p>\n<p>Durand quebrou a rigidez compositiva do Neoclassicismo para fazer uso de outro m\u00e9todo, formado por um eixo principal cortado por diversos outros, perpendiculares a ele, e organizou os edif\u00edcios com simetria bilateral mais flex\u00edvel. A ele o edif\u00edcio era mais do que a composi\u00e7\u00e3o das partes; era um conjunto de partes articuladas entre si (n\u00e3o se submetiam \u00e0 rigidez compositiva, mas ainda se submetiam \u00e0 hierarquia).<\/p>\n<p>A ele a adequa\u00e7\u00e3o e a est\u00e9tica do edif\u00edcio resultavam \u2013 eram consequ\u00eancias \u2013 da correta aplica\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios econ\u00f4micos e funcionais ao projeto de cada edif\u00edcio e priorizou os aspectos utilit\u00e1rios do edif\u00edcio. Sua concep\u00e7\u00e3o est\u00e9tica ainda era acad\u00eamica, mas como resultado.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo de projeto de Durand fez uso de princ\u00edpios anal\u00edticos, com os quais atribuiu utilidade aos espa\u00e7os; este m\u00e9todo n\u00e3o determinava \u2013 <em>a priori<\/em> \u2013 o aspecto final da composi\u00e7\u00e3o. As li\u00e7\u00f5es de arquitetura de Durand, lecionadas na <em>\u00c9cole Polytechnique<\/em> de Paris, foram publicadas em 1801 e 1805, aperfei\u00e7oadas em 1821 e difundidas por todo o s\u00e9culo XIX e pelo in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Posteriormente, ao final do s\u00e9culo XIX, o professor Julien Guadet, da <em>\u00c9cole de Beaux-Arts <\/em>de Paris, foi o elo entre o m\u00e9todo de Durand e o sistema compositivo empregado no s\u00e9culo XX. Assim como Durand, Guadet dedicou-se ao exame da composi\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio, que para ele era o modo de organizar espacialmente os elementos funcionais e estruturais, os quais estariam previamente estabelecidos pelas caracter\u00edsticas dos materiais e pela an\u00e1lise do programa.<\/p>\n<p>Guadet eliminou os eixos de refer\u00eancia que Durand usava para projetar e deixou de ser hierarquizado. Sua teoria vinculava-se \u00e0 est\u00e9tica acad\u00eamica, por\u00e9m, como resultado, efeito. Ele fez a transi\u00e7\u00e3o para a Arquitetura Moderna.<\/p>\n<p>Da Arquitetura Moderna e Le Corbusier<\/p>\n<p>A Arquitetura Moderna tem sua g\u00eanese t\u00e9cnica oriunda dos estudos do neoclassicista Julien Guadet, mas sua g\u00eanese etimol\u00f3gica encontra-se nas palavras gregas \u201c<em>arkhein<\/em>\u201d (primazia, superioridade ou prefer\u00eancia) e \u201c<em>tektonikos<\/em>\u201d (construtor ou carpinteiro) e na palavra latina \u201c<em>modernus<\/em>\u201d (<em>modo <\/em>+ <em>hodiernus<\/em>), das quais se extraiu a g\u00eanese conceitual.<\/p>\n<p>No per\u00edodo medieval o latim daquela \u00e9poca cunhou a palavra \u201c<em>modernus<\/em>\u201d (<em>modo <\/em>+ <em>hodiernus<\/em>) com o significado de presente ou corrente. No s\u00e9culo XVII a palavra \u201cmoderno\u201d adquiriu o significado \u201cnovo\u201d em oposi\u00e7\u00e3o a \u201cantigo\u201d e, no s\u00e9culo XIX passou a significar moment\u00e2neo, transit\u00f3rio.\u00a0 Ao longo dos s\u00e9culos a palavra \u201cmoderno\u201d adquiriu o significado de tempo atual, do momento presente, em alus\u00e3o \u00e0 contemporaneidade da pr\u00f3pria exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Derivada de moderno, a palavra \u201cmodernidade\u201d indica as qualidades espec\u00edficas do tempo presente que o distinguem do passado. S\u00e3o: novo, corrente, moment\u00e2neo e atual.<\/p>\n<p>A palavra \u201cmodernismo\u201d surgiu em meados do s\u00e9culo XIX para identificar o pensamento, ideia, teoria, corrente ou movimento liter\u00e1rio, art\u00edstico e t\u00e9cnico que aflorava. Visava abarcar os novos princ\u00edpios e atuais propostas, do momento presente, em oposi\u00e7\u00e3o a tudo o quanto fosse antigo.<\/p>\n<p>A arquitetura moderna \u00e9 a obra primaz atual, contempor\u00e2nea, e os princ\u00edpios que a informam conferem autonomia. Eliminou as propor\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas, os eixos de refer\u00eancia, a hierarquia dos ambientes, a est\u00e9tica acad\u00eamica e o historicismo.<\/p>\n<p>Ela surgiu com o prop\u00f3sito de criar estilos novos, sem resgat\u00e1-los do passado. A ideia que se exteriorizava era criar obras in\u00e9ditas, sem lastro com o passado, num processo criativo sempre presente, atual e contempor\u00e2neo. Tornou-se dominante no cen\u00e1rio das artes e das constru\u00e7\u00f5es no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, ap\u00f3s afastar os movimentos historicistas contra os quais concorria.<\/p>\n<p>Os movimentos (ou correntes) historicistas surgiram no s\u00e9culo XVIII e visavam resgatar e recriar a arquitetura dos tempos passados, acrescida das t\u00e9cnicas modernas de constru\u00e7\u00e3o (a\u00e7o e concreto). Foram historicistas (ou revivalistas) o Neoclassicismo, o Neog\u00f3tico, o Ecletismo e o \u201c<em>Art Nouveau<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Le Corbusier (1887-1965), apelido de Charles-Edouard Jeanneret-Gris, \u00e9 considerado um dos mais importantes arquitetos do s\u00e9culo XX, junto a Frank Lloyd Wright, Ludwig Mies van der Rohe, Alvar Aalto e Oscar Niemeyer. A import\u00e2ncia dada a ele est\u00e1 no enorme poder de s\u00edntese em abstrair a ess\u00eancia das obras visitadas e na influ\u00eancia doutrin\u00e1ria \u00e0 Arquitetura Moderna.<\/p>\n<p>Ele veio ao mundo por ocasi\u00e3o da Segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (ocorrida na Alemanha ao final do s\u00e9culo XIX) e conheceu a import\u00e2ncia da ind\u00fastria para a realiza\u00e7\u00e3o do conforto \u00e0s pessoas na medida da condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de cada, e tamb\u00e9m as transforma\u00e7\u00f5es e as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas do per\u00edodo, como s\u00e3o exemplos a inven\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel de combust\u00e3o interna, o tel\u00e9grafo, o telefone, a l\u00e2mpada el\u00e9trica, o r\u00e1dio, o avi\u00e3o, a televis\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos em s\u00e9rie iniciada por Henry Ford.<\/p>\n<p>Em muitas foram as contribui\u00e7\u00f5es de Le Corbusier para a forma\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria (te\u00f3rica e principiol\u00f3gica) da Arquitetura Moderna, das quais tr\u00eas se destacam: a Casa Domin\u00f3, os Cinco Pontos da Arquitetura Moderna e o Modulor.<\/p>\n<p>No per\u00edodo de 1914 a 1917 ele desenvolveu a Casa Domin\u00f3 (ou \u201c<em>Dom-ino House<\/em>\u201d), sistema construtivo constitu\u00eddo de lajes planas, pilares e funda\u00e7\u00f5es em concreto armado com vistas a permear os edif\u00edcios de elementos formais, que abaixo seguem:<\/p>\n<ol>\n<li>Elementos formais abstratos: padroniza\u00e7\u00e3o (ou universalidade), redu\u00e7\u00e3o de custos, rapidez, rigor t\u00e9cnico e precis\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Elementos formais concretos: plantas e fachadas livres, uso de pilotis, pisos em balan\u00e7o, etc;<\/li>\n<\/ol>\n<p>No ano de 1926 foi publicada a s\u00edntese dos estudos que fez no in\u00edcio da carreira sobre as elementares que deveriam instruir a arquitetura de vanguarda \u2013 a arquitetura moderna \u2013 e o resultado foi os cinco pontos que abaixo seguem:<\/p>\n<ol>\n<li>Pilotis: colunas de sustenta\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio recuadas das bordas, permitem no espa\u00e7o urbano outra perspectiva entre o observador e o morador, tamb\u00e9m oferecem a oportunidade de redesenhar o espa\u00e7o urbano, integrando os edif\u00edcios por outro enfoque urban\u00edstico;<\/li>\n<li>Terra\u00e7o-jardim (ou teto-jardim): espa\u00e7o de lazer sobre a laje do \u00faltimo pavimento, simboliza a conquista da tecnologia industrial, capacitada a suportar as intemp\u00e9ries clim\u00e1ticas (chuva, neve e umidade);<\/li>\n<li>Planta livre: permite a elabora\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os divididos por paredes sem fun\u00e7\u00e3o estrutural, diminuindo custos e emprego de materiais;<\/li>\n<li>Fachada livre: a aus\u00eancia de obst\u00e1culos permite o desenho de fachadas desimpedidas, com projetos flex\u00edveis de aberturas para as janelas;<\/li>\n<li>Janela em fita: desenhada de um ponto a outro da fachada, orientada pela melhor orienta\u00e7\u00e3o solar \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o dos ambientes do edif\u00edcio.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Ao tempo da Segunda Guerra Mundial ele criou o Modulor, sistema de medidas baseada no m\u00f3dulo (unidade de medida) e na se\u00e7\u00e3o \u00e1urea, em que a divis\u00e3o de uma reta deve ser efetuada de modo a ser a mesma raz\u00e3o entre o segmento menor para o maior e o segmento maior para o todo.<\/p>\n<p>O Modulor est\u00e1 fundado da propor\u00e7\u00e3o \u00e1urea, com a qual fez duas s\u00e9ries de medidas, quais sejam a azul (composta de dois quadrados de 1,10 m de aresta cada) e a vermelha (um s\u00f3 quadrado, cuja aresta \u2013 1,10 m \u2013 atinge o umbigo da pessoa). Delas se desdobraram medidas proporcionais, de 27 a 226 cm, distribu\u00eddas em degraus de 16 e 27 cm.<\/p>\n<p>O Modulor nunca foi produzido industrialmente nem aceito comercialmente. Foi alvo de v\u00e1rias cr\u00edticas, dentre elas as de Ernst Neufert. Serviu, entretanto, para estudos doutrin\u00e1rios e desenvolver as ideias de propor\u00e7\u00e3o, simetria (ou comodula\u00e7\u00e3o), harmonia e euritmia (ritmo equilibrado).<\/p>\n<p>O modelo da casa Domin\u00f3 e os cinco pontos da arquitetura moderna, entretanto, preponderaram nas suas obras. Seu projeto mais significativo, da <em>Villa Savoye<\/em>, localizada na cidade francesa de <em>Poissy-sur-Seine<\/em>, reproduziu-os inteiramente, expondo a funcionalidade dos espa\u00e7os, fundada nas necessidades das pessoas.<\/p>\n<p>A funcionalidade \u2013 realizada nas obras de Le Corbusier \u2013 n\u00e3o \u00e9 exclusiva dele. Foi consolidada na frase \u201cA forma segue a fun\u00e7\u00e3o\u201d, de Louis Sullivan (1856-1924), arquiteto americano, pai dos edif\u00edcios \u201carranha-c\u00e9us\u201d de Chicago, E.U.A., que por primeiro defendeu essa ideia ainda na segunda metade do s\u00e9culo XIX. Sua c\u00e9lebre frase foi acolhida pelos arquitetos e movimentos modernistas, dos quais Le Corbusier a e BAUHAUS eram dois deles.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre Le Corbusier e Louis Sullivan est\u00e1 na aplica\u00e7\u00e3o da mencionada frase na elabora\u00e7\u00e3o dos projetos: enquanto para o autor da frase a arquitetura deveria ser org\u00e2nica (como efeito da fun\u00e7\u00e3o ou funcionalidade), para Le Corbusier deveria ser geom\u00e9trica, sem contornos recortados ou detalhados (ele acolhia a arte ou movimento purista no desenho arquitet\u00f4nico, em que as formas tinham contorno geom\u00e9trico proporcional e todos os adornos e excessos deviam ser eliminados).<\/p>\n<p>A BAUHAUS, escola de artes e of\u00edcios criada por Walter Gropius em 1919 na cidade alem\u00e3 de Weimar, tamb\u00e9m acolheu a frase \u201cA forma segue a fun\u00e7\u00e3o\u201d para justificar a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ornamenta\u00e7\u00e3o, por vezes exagerada, dos movimentos art\u00edsticos contra os quais ainda concorria \u2013 o \u201c<em>Art Nouveau<\/em>\u201d e o Ecletismo.<\/p>\n<p>Na esteira da funcionalidade da c\u00e9lebre frase, Le Corbusier criou a frase \u201cM\u00e1quina de Morar\u201d em alus\u00e3o \u00e0 forma dada a cada elemento segue a fun\u00e7\u00e3o a que se destina. A ele a casa era uma m\u00e1quina de morar porque a fun\u00e7\u00e3o de habitar \u2013 suprir necessidades \u2013 definia a forma de cada elemento (mobili\u00e1rio e equipamentos dom\u00e9sticos, por exemplo).<\/p>\n<p>Ao lado da funcionalidade, Le Corbusier tamb\u00e9m acolheu a ideia de monumentalidade \u00e0s suas obras, tanto para os edif\u00edcios habitacionais quanto aos institucionais. Ele, entretanto, n\u00e3o a entendeu como causa determinante (suntuosidade memorial), mas como efeito ou resultado do projeto. S\u00e3o exemplos os projetos em grande escala de edif\u00edcios habitacionais sob autoestradas para a cidade do Rio de Janeiro (1929) e para a cidade de <em>Algiers<\/em> (1933). A realiza\u00e7\u00e3o dessa monumentalidade ocorreu com a constru\u00e7\u00e3o do capit\u00f3lio de <em>Chandigard <\/em>(1951) capital do novo Estado indiano do <em>Punjab<\/em> e, posteriormente, a \u201c<em>Unit\u00e9 d\u2019habitation<\/em>\u201d de Marselha (1952), na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o das teorias, princ\u00edpios e projetos de Le Corbusier e de outros arquitetos e escolas de arquitetura, a Arquitetura Moderna adquiriu arcabou\u00e7o doutrin\u00e1rio (te\u00f3rico e principiol\u00f3gico) que a ela conferiu autonomia.<\/p>\n<p>DA CONCLUS\u00c3O<\/p>\n<p>A Arquitetura Moderna tem origem remota no Neoclassicismo do s\u00e9culo XVIII (ao tempo do Iluminismo) e origem pr\u00f3xima nas doutrinas de Le Corbusier e outros arquitetos contempor\u00e2neos a ele, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Caracterizou-se a Arquitetura Moderna por ser aut\u00f4noma, ter princ\u00edpios pr\u00f3prios, ser contempor\u00e2nea, visar \u00e0 funcionalidade dos espa\u00e7os e mobili\u00e1rios, ter liberdade de cria\u00e7\u00e3o, est\u00e9tica purista, monumentalidade e representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Distingue-se dos movimentos anteriores porque n\u00e3o se prende ao passado como fonte \u2013 ou causa determinante \u2013 dos projetos, n\u00e3o tem interesse de resgatar o passado para atualiz\u00e1-lo com os modernos materiais de constru\u00e7\u00e3o. A Arquitetura Moderna n\u00e3o \u00e9 historicista; ela \u00e9 contempor\u00e2nea, por estar sempre pensando nos projetos do tempo presente.<\/p>\n<p>A tipologia adotada tamb\u00e9m difere da existente no Neoclassicismo, porque enquanto no movimento mais antigo ela n\u00e3o se destinava \u00e0 funcionalidade, no movimento moderno ela se destina \u00e0 funcionalidade (do projeto).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se distingue dos movimentos anteriores em rela\u00e7\u00e3o ao purismo, funcionalidade, monumentalidade e representa\u00e7\u00e3o, pelos motivos que abaixo seguem:<\/p>\n<ol>\n<li>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 est\u00e9tica purista (ou purismo), tem causa na racionalidade do projeto (precis\u00e3o, simplicidade e harmonia proporcional ao desenho ou ao objeto) com vistas \u00e0 funcionalidade do projeto, e n\u00e3o ao car\u00e1ter dele;<\/li>\n<li>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 funcionalidade, esta tem causa nas necessidades humanas, e n\u00e3o na destina\u00e7\u00e3o (car\u00e1ter) dada ao projeto ou ao edif\u00edcio;<\/li>\n<li>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 monumentalidade, esta \u00e9 efeito, resultado do projeto, que adquire a dimens\u00e3o dos espa\u00e7os destinados \u00e0s necessidades humanas e na medida do projeto final; ela existe <em>a posteriori<\/em> e n\u00e3o <em>a priori<\/em> (como no Neoclassicismo);<\/li>\n<li>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 representa\u00e7\u00e3o, esta representa a industrializa\u00e7\u00e3o dos materiais utilizados na constru\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios, mas como efeito ou resultado do projeto, e n\u00e3o como causa determinante; a representa\u00e7\u00e3o surge <em>a posteriori<\/em> e n\u00e3o <em>a priori<\/em> (como no Neoclassicismo).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Comparativamente, enquanto os valores pr\u00e9-estabelecidos no Renascimento eram a ordem natural e divina e no Neoclassicismo (ou Iluminismo) eram a ordem racional e tipol\u00f3gica, no Modernismo (ou Arquitetura Moderna) s\u00e3o a ordem racional e funcional.<\/p>\n<p>Finalmente, a Arquitetura Moderna \u00e9 a modernidade do tempo porque ela \u00e9 contempor\u00e2nea do momento em que cada projeto \u00e9 desenhado e realizado, e se prolonga no tempo pelo tempo com que se atualiza. Nada a mais.<\/p>\n<p>Marcelo Augusto Paiva Pereira.<\/p>\n<p>(o autor \u00e9 aluno de gradua\u00e7\u00e3o da FAUUSP)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FONTES DE PESQUISA<\/p>\n<ol>\n<li>OBRAS:<\/li>\n<\/ol>\n<p>AULETE, Caldas. <strong>Dicion\u00e1rio Contempor\u00e2neo da L\u00edngua Portuguesa<\/strong>. 4. Ed. Rio de Janeiro: Delta, 1958. 5 v.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>SITES:<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/WWW.UP.EDU.BR\">UP.EDU.BR<\/a>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.up.edu.br\/davinci\/3\/304_arquitetura_moderna_brasileira.pdf\">http:\/\/www.up.edu.br\/davinci\/3\/304_arquitetura_moderna_brasileira.pdf<\/a>&gt;. Acessado aos 12.10.2015;<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/WWW.MEOCLOUD.PT\">MEOCLOUD.PT<\/a>. 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