{"id":50305,"date":"2022-05-24T11:37:36","date_gmt":"2022-05-24T14:37:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=50305"},"modified":"2022-05-24T11:37:36","modified_gmt":"2022-05-24T14:37:36","slug":"bruna-rosalem-mae-suficientemente-boa-contribuicoes-do-psicanalista-d-winnicott-para-uma-compreensao-do-desenvolvimento-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=50305","title":{"rendered":"Bruna Rosalem: &#039;M\u00e3e suficientemente boa? Contribui\u00e7\u00f5es do psicanalista D. Winnicott para uma compreens\u00e3o do desenvolvimento humano&#039;"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F50305&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F50305&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><figure id=\"attachment_47120\" aria-describedby=\"caption-attachment-47120\" style=\"width: 118px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/marcus-hemerly-entrevista-a-psicanalista-bruna-rosalem-sobre-o-tema-saude-mental-em-tempos-pre-e-pos-pandemia\/whatsapp-image-2021-11-13-at-14-33-29\/\" rel=\"attachment wp-att-47120\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"47120\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=47120\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/WhatsApp-Image-2021-11-13-at-14.33.29.jpeg\" data-orig-size=\"734,1304\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"WhatsApp Image 2021-11-13 at 14.33.29\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/WhatsApp-Image-2021-11-13-at-14.33.29.jpeg\" class=\" wp-image-47120\" src=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/WhatsApp-Image-2021-11-13-at-14.33.29-169x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"118\" height=\"209\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-47120\" class=\"wp-caption-text\">Bruna Rosalem<\/figcaption><\/figure>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>COLUNA PSICAN\u00c1LISE E COTIDIANO<\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><em><strong>M\u00e3e suficientemente boa? Contribui\u00e7\u00f5es do psicanalista D. Winnicott para uma compreens\u00e3o do desenvolvimento humano<\/strong><\/em><\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><i><span style=\"color: #333333; background: white;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Ter m\u00e3e \u00e9 \u00f3timo, por\u00e9m excesso de m\u00e3e \u00e9 prejudicial.<\/span><\/i><\/p>\n<p>Nasce em 1896, Donald Woods Winnicott, em Plymouth, sudoeste da Inglaterra. Ele cresceu em uma fam\u00edlia com muitos recursos e tinha duas irm\u00e3s mais velhas. Diante da aus\u00eancia de seu pai, dizia ele que ficava na companhia de suas \u201cdiversas m\u00e3es\u201d.<\/p>\n<p>Por volta de 1923, Winnicott leu um livro de S. Freud e aos 27 anos passou a fazer an\u00e1lise com James Strachey durante dez anos. Neste per\u00edodo iniciou-se como cl\u00ednico pediatra no Paddington Green Children\u2019s Hospital (onde ficaria por 40 anos). Tornou-se psicanalista da Sociedade Brit\u00e2nica de Psican\u00e1lise em 1935, quando iniciou supervis\u00e3o com Melanie Klein, at\u00e9 1940. A partir deste ano fez uma segunda an\u00e1lise, tamb\u00e9m de cerca de dez anos, com Joan Rivi\u00e9re.\u00a0Neste per\u00edodo foi psiquiatra das For\u00e7as Armadas na II Guerra Mundial. Neste contexto, em 1987 escreveu um livro muito interessante acerca do tema Priva\u00e7\u00e3o e Delinqu\u00eancia, onde discorreu sobre atos delinquentes cometidos por jovens desamparados durante o per\u00edodo p\u00f3s guerra. Winnicott faleceu em 25 de janeiro de 1971, em decorr\u00eancia de uma doen\u00e7a pulmonar e card\u00edaca.<\/p>\n<p>Enquanto pediatra, ele j\u00e1 evidenciava suas preocupa\u00e7\u00f5es relativas aos aspectos emocionais de seus pequenos pacientes na intera\u00e7\u00e3o com suas respectivas m\u00e3es. Prova disso, quando criou t\u00e9cnicas para \u201cbrincar\u201d com as crian\u00e7as sendo poss\u00edvel constatar v\u00e1rios sintomas que os pequenos manifestavam.<\/p>\n<p>De acordo com a vis\u00e3o de Winnicott, o ser humano \u00e9 uma amostra atemporal da natureza. A crian\u00e7a nasce indefesa, desintegrada diante dos est\u00edmulos exteriores, a tarefa da progenitora \u00e9 oferecer um bom suporte para que as condi\u00e7\u00f5es inatas do beb\u00ea alcancem um desenvolvimento harm\u00f4nico.<\/p>\n<p>Os adeptos \u00e0 escola winnicottiana, dizem que o psicanalista quebrou paradigmas: em Freud o maior desafio para o ser humano seria resolver o conflito ed\u00edpico, j\u00e1 para Winnicott o maior conflito do ser humano em desenvolvimento \u00e9 o pr\u00f3prio existir, isto \u00e9, o grande problema do beb\u00ea reside em sustentar sua pr\u00f3pria exist\u00eancia e inaugurar-se neste mundo.<\/p>\n<p>Ele percebeu que havia ainda mais problematiza\u00e7\u00f5es a serem investigadas quanto ao surgimento das neuroses. Para ele existem problemas iniciais da vida humana que podem ser claramente descritos e identificados, mas que n\u00e3o s\u00e3o suficientemente super\u00e1veis por meio da teoria ed\u00edpica. Ele ent\u00e3o denominou esses problemas de ang\u00fastias ou agonias impens\u00e1veis e que, segundo o psicanalista, surgem antes mesmo do in\u00edcio da atividade mental e de for\u00e7as instintuais. Por ser impens\u00e1veis, n\u00e3o poderiam ser entendidas a princ\u00edpio.<\/p>\n<p>Logo nos prim\u00f3rdios da vida de um beb\u00ea, as for\u00e7as instintuais s\u00e3o para ele como fen\u00f4menos externos que mais o amea\u00e7a do que o move. Seu motor \u00e9 o pr\u00f3prio fato de ele estar vivo. O beb\u00ea ocupa um espa\u00e7o que n\u00e3o \u00e9 algo nem interno, nem externo, ele \u00e9 subjetivo, antecede a qualquer situa\u00e7\u00e3o que haveria como conflitante entre o \u201cdentro\u201d e o \u201cfora\u201d. Assim tamb\u00e9m \u00e9 o entendimento quanto ao seio da m\u00e3e, ou seja, algo nem interno, nem externo, para Winnicott este \u00e9 na verdade uma t\u00e9cnica que tem a pretens\u00e3o de alcan\u00e7ar determinadas fun\u00e7\u00f5es puramente maternas: apresenta\u00e7\u00e3o do objeto (seio), <em>holding<\/em> e <em>handling<\/em>.<\/p>\n<p>O seio para o beb\u00ea cria uma sensa\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria de que este objeto vem prontamente quando h\u00e1 necessidade, quando ele invoca a m\u00e3e. \u00c9 como se o beb\u00ea pudesse produzir o seu pr\u00f3prio alimento e garantir a sua satisfa\u00e7\u00e3o. Em raz\u00e3o de seu estado vital a crian\u00e7a passa a \u201cesperar\u201d algo, e esse algo surge e ele, naturalmente, aceita o objeto oferecido. \u00c9 como se o objeto adquirisse exist\u00eancia real quando desejado e esperado \u00e0 medida que a m\u00e3e vai sempre estando \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o. Esta ilus\u00e3o vai sendo refor\u00e7ada e, ao mesmo tempo, protege-o a fontes de ang\u00fastia que seriam insuport\u00e1veis.<\/p>\n<p><em>Holding<\/em> seria o ato de sustentar, n\u00e3o somente o corpo da crian\u00e7a, mas tamb\u00e9m de modo ps\u00edquico. E <em>handling<\/em> seria o manusear, o introduzir o beb\u00ea ao mundo. Dessa forma, a jun\u00e7\u00e3o destas fun\u00e7\u00f5es especificamente maternas realizadas com sucesso torna a figura da m\u00e3e suficientemente boa, ou seja, boa o suficiente para que o beb\u00ea possa conviver com ela sem preju\u00edzos ps\u00edquicos. Ela representa o \u201cambiente bom\u201d e permite que a crian\u00e7a coloque em pr\u00e1tica sua tend\u00eancia inata ao desenvolvimento e continuidade da vida fazendo emergir o\u00a0verdadeiro <em>self<\/em>.<\/p>\n<p>As necessidades que o beb\u00ea vai apresentando e os problemas fundamentais surgem da intera\u00e7\u00e3o com outros elementos. S\u00e3o quest\u00f5es como sentir-se real, ser integrante de um mundo, o pr\u00f3prio nascimento, a distin\u00e7\u00e3o entre a realidade interna e externa, tempo e espa\u00e7o, saber usar seu pr\u00f3prio corpo e as coisas que est\u00e3o ao redor. \u00c9 justamente a partir deste ambiente, o pr\u00f3prio conceito de m\u00e3e ambiente e sua depend\u00eancia que surgem as falhas que amea\u00e7am a solu\u00e7\u00e3o das tarefas impostas ao beb\u00ea nos est\u00e1gios do processo de amadurecimento e de integra\u00e7\u00e3o. O ambiente falha n\u00e3o por frustrar ou amea\u00e7ar, mas por se tornar algo que n\u00e3o seja confi\u00e1vel e suficiente para assegurar que todo o seu desenvolvimento e evolu\u00e7\u00e3o sejam saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Dentre os destinos psicopatol\u00f3gicos do sujeito, Winnicott, coloca que o surgimento das psicoses n\u00e3o adv\u00e9m das vicissitudes da fun\u00e7\u00e3o sexual, em sintonia ao que Freud apresentava, mas sim da teoria geral da tend\u00eancia inata em dire\u00e7\u00e3o a independ\u00eancia e a autonomia.<\/p>\n<p>Assim, a ideia de progress\u00e3o das zonas er\u00f3genas vai sendo redescrita em termos da teoria do amadurecimento da pessoa humana. Assim, para ele, o que h\u00e1 de mais inato no desenvolvimento humano \u00e9 o amadurecimento. O beb\u00ea n\u00e3o estabelece uma rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tr\u00eas, beb\u00ea, mundo e m\u00e3e, seria um dois-em-um, pois ele nem mesmo se daria conta de saber sobre a sua pr\u00f3pria exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Winnicott nos coloca que para que o beb\u00ea tenha um amadurecimento saud\u00e1vel, a m\u00e3e precisa ser suficientemente boa e atender as necessidades integrais da crian\u00e7a. Do contr\u00e1rio, uma s\u00e9rie de complica\u00e7\u00f5es poder\u00e3o surgir. Isto ocorre quando a m\u00e3e n\u00e3o se identifica com as necessidades do filho, n\u00e3o responde aos seus gestos ou n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para detectar as demandas, de adquirir a sensibilidade necess\u00e1ria capaz de identificar os sinais que o beb\u00ea manifesta. Surge da\u00ed uma \u201cadapta\u00e7\u00e3o falha ao beb\u00ea\u201d devido \u00e0 divis\u00e3o da m\u00e3e em \u201cpeda\u00e7os\u201d. Nesse caso, trata-se mais de uma m\u00e3e ausente e cujo apego \u00e0 crian\u00e7a \u00e9 simplesmente comum, n\u00e3o de modo singular, significativo, prazeroso, identificat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A m\u00e3e suficientemente boa permite o desenrolar do verdadeiro <em>self,<\/em> como dito anteriormente. Por\u00e9m, o contr\u00e1rio, pode ocorrer a constitui\u00e7\u00e3o de um falso <em>self<\/em>, que seria justamente a manifesta\u00e7\u00e3o do beb\u00ea diante das falhas da m\u00e3e. O beb\u00ea renuncia \u00e0 esperan\u00e7a de ver suas necessidades atendidas e vai adaptando-se aos cuidados que n\u00e3o lhe agradam. Numa escala mais patol\u00f3gica, este sentimento de frustra\u00e7\u00e3o, de desamparo, de distanciamento \u00e9 acompanhado geralmente por uma sensa\u00e7\u00e3o subjetiva de vazio, futilidade e irrealidade. O beb\u00ea acaba criando uma fantasia para, ao inv\u00e9s de naturalmente desenvolver a criatividade, vai caminhar com esta irrealidade como uma maneira de sobreviver a aquele ambiente insustent\u00e1vel e insuport\u00e1vel. Como se fosse uma esp\u00e9cie de ref\u00fagio.<\/p>\n<p>Conforme a crian\u00e7a vai amadurecendo, Winnicott nos apresenta o conceito de objeto transicional que representa a primeira posse da crian\u00e7a como algo \u201cn\u00e3o-ego\u2019 e que tem a fun\u00e7\u00e3o de intermedi\u00e1rio entre o mundo interno e externo. Fala-se ent\u00e3o em transi\u00e7\u00e3o, algo que n\u00e3o est\u00e1 nem dentro, nem fora da crian\u00e7a. Este processo serve para que o indiv\u00edduo possa experimentar as sensa\u00e7\u00f5es e demarcar seus pr\u00f3prios limites mentais entre o eu interno e externo.<\/p>\n<p>Na fase inicial, a crian\u00e7a tem a sensa\u00e7\u00e3o de criar seus pr\u00f3prios objetos de satisfa\u00e7\u00e3o, agora por volta do segundo semestre de vida, vai descobrindo que ela e sua m\u00e3e s\u00e3o separadas e que continua a depender da m\u00e3e para suas necessidades, no entanto, agora n\u00e3o mais \u201cproduz o seu pr\u00f3prio alimento\u201d. \u00c9 uma\u00a0fase de desilus\u00e3o, a crian\u00e7a pode levar os dedos ou algum objeto \u00e0 boca, como a ponta de um len\u00e7ol ou fralda, se agarrar a bichinhos de pel\u00facia, come\u00e7ar a puxar as coisas, a fazer sons com a boca, balbucios, etc. Estas atividades se dar\u00e3o em momentos onde poderia surgir a ang\u00fastia de separa\u00e7\u00e3o da m\u00e3e, com o objetivo de suavizar o choque da conscientiza\u00e7\u00e3o de uma realidade.<\/p>\n<p>Vemos ent\u00e3o a poss\u00edvel exist\u00eancia de um espa\u00e7o transicional onde ocorrem fen\u00f4menos transicionais que podem, ou n\u00e3o, envolver algum objeto. Se h\u00e1 um \u201cobjeto\u201d, ele sempre representar\u00e1 a m\u00e3e nos momentos mais serenos. O beb\u00ea passa de onipotente quando \u201cmaterializa\u201d algo para sua imediata satisfa\u00e7\u00e3o, para a de controle pela manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Winnicott, o surgimento deste espa\u00e7o \u00e9 sinal de que a m\u00e3e da fase inicial foi suficientemente boa. Por\u00e9m, mesmo neste ponto, \u00e9 poss\u00edvel detectar dist\u00farbios ps\u00edquicos, quando, por exemplo, a m\u00e3e se ausenta por um determinado tempo que vai al\u00e9m da capacidade da crian\u00e7a mant\u00ea-la viva em sua lembran\u00e7a, pode ocorrer neste momento um\u00a0desinvestimento do objeto. A crian\u00e7a necessita, a princ\u00edpio, conseguir \u201cinvestir\u201d em objetos e espa\u00e7os transicionais para que ocorra a supera\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia da m\u00e3e. Gradualmente, a crian\u00e7a necessita se desvencilhar de uma depend\u00eancia absoluta da figura materna, para uma depend\u00eancia parcial. Assim, aos poucos, conquistando sua autonomia.<\/p>\n<p>Winnicott nos provoca quando diz que ter m\u00e3e \u00e9 \u00f3timo, por\u00e9m excesso de m\u00e3e \u00e9 prejudicial. E ele foi mais al\u00e9m, quando considerou para o entendimento das neuroses que at\u00e9 ent\u00e3o ficariam num \u201cplano intraps\u00edquico\u201d, para um \u201cinterps\u00edquico\u201d, ou seja, a quest\u00e3o ambiental patog\u00eanica poderia ensejar grande sofrimento. E estudar as quest\u00f5es relativas ao ambiente, para Winnicott, instaura a necessidade de novas linhas terap\u00eauticas para os casos em que este mesmo ambiente fracassa no desenvolvimento dos aspectos f\u00edsicos, ps\u00edquicos, afetivos e emocionais sadios e equilibrados para nossas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bruna Rosalem<\/p>\n<p>Psicanalista Cl\u00ednica<\/p>\n<p>@psicanalistabrunarosalem<\/p>\n<p>www.psicanaliseecotidiano.com.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>COLUNA PSICAN\u00c1LISE E COTIDIANO M\u00e3e suficientemente boa? Contribui\u00e7\u00f5es do psicanalista D. 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