{"id":56701,"date":"2023-06-01T10:37:47","date_gmt":"2023-06-01T13:37:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=56701"},"modified":"2023-07-05T16:35:15","modified_gmt":"2023-07-05T19:35:15","slug":"no-caminho-das-tropas-o-sonho-de-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=56701","title":{"rendered":"No caminho das Tropas, o sonho de Liberdade"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F56701&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F56701&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">&#8220;No imagin\u00e1rio criado sobre a lida tropeira, a vida em liberdade \u00e9 um tema recorrente&#8221;. (Carlos Cavalheiro)<br><br><br><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-rounded\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"55433\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=55433\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Carlos-Carvalho-Cavalheiro-4.png\" data-orig-size=\"120,120\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Carlos-Carvalho-Cavalheiro-4\" data-image-description=\"&lt;p&gt;Carlos Carvalho Cavalheiro&lt;\/p&gt;\n\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Carlos Carvalho Cavalheiro&lt;\/p&gt;\n\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Carlos-Carvalho-Cavalheiro-4.png\" src=\"https:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Carlos-Carvalho-Cavalheiro-4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-55433\" width=\"164\" height=\"164\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Carlos Cavalheiro<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p id=\"viewer-e8fot\">No imagin\u00e1rio criado sobre a lida tropeira, a vida em liberdade \u00e9 um tema recorrente. Acredita-se que as longas viagens realizadas por lugares in\u00f3spitos e desabitados (e que assim permaneceram por muito tempo), forjaram o esp\u00edrito do tropeiro com a tend\u00eancia \u00e0 vida livre e solta.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-e29i\"><br><br>Sendo o fen\u00f4meno do tropeirismo coincidente, em significativa parcela, com a escravid\u00e3o negra, \u00e9 de se pensar se houve alguma rela\u00e7\u00e3o entre o tropeirismo e o sonho de liberdade dos escravizados. Em outras palavras, se o tropeirismo tornou-se alternativa para o rigor do cativeiro.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-7eqt6\"><br><br>O historiador Alu\u00edsio de Almeida afirma que \u201cManuel Cardoso (1961) provou que a escravid\u00e3o no Rio Grande do Sul foi mais benigna, porque os escravos eram boiadeiros. Podemos chegar a mesma conclus\u00e3o em Sorocaba onde os escravos tropeiros eram bem tratados. Os tropeiros\u201d (ALMEIDA, 1969, p. 2). Florisbela Carneiro Zimmermann defende a ideia de que o trabalho em comum entre patr\u00f5es e pe\u00f5es na lida tropeira aproximou a ambos. Sendo assim, o \u201cdono das tropas soube melhor compreender seus subordinados\u201d (ZIMMERMANN <em>et al, <\/em>1991, p. 19).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-8omj5\"><br><br>Desse modo, \u00e9 poss\u00edvel que escravizados e libertos tenham preferido a lida nas tropas a outros trabalhos. No entanto, em quais fontes podemos encontrar a presen\u00e7a do escravizado ou do liberto (africano ou seu descendente) dentro do tropeirismo?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ai5m0\"><br><br>Algumas gravuras de Debret como Tropeiros e Pouso de tropeiros confirmam a presen\u00e7a de africanos e seus descendentes nas tropas (FLORES, 2004, p. 460). Por\u00e9m, outra fonte valiosa para o estudo da presen\u00e7a de africanos e descendentes, especialmente enquanto escravizados, pode ser encontrada nas publica\u00e7\u00f5es de fugas espalhadas pelos diversos jornais de praticamente todo o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-3rk7c\"><br><br>Neste artigo, nos deteremos nas d\u00e9cadas de 1820 a 1850, \u00e9poca em que o tropeirismo est\u00e1 se consolidando, ao mesmo tempo em que a escravid\u00e3o come\u00e7a a ser questionada enquanto forma vi\u00e1vel de explora\u00e7\u00e3o do trabalho, culminando, nessa \u00e9poca, com a promulga\u00e7\u00e3o da Lei Eus\u00e9bio de Queiroz que proibiu o tr\u00e1fico negreiro intercontinental, ou seja, da \u00c1frica para o Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-b87d0\"><br><br>Al\u00e9m disso, foi nessa \u00e9poca, tamb\u00e9m, que o pa\u00eds se torna politicamente independente e, depois de algumas crises, se estabiliza com a ascens\u00e3o do segundo monarca. Portanto, este recorte, apesar da arbitrariedade inerente a a\u00e7\u00e3o do pesquisador \u2013 pois todo recorte \u00e9, de certa forma, arbitr\u00e1rio \u2013 n\u00e3o deixa, por outro lado, de se justificar.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1q7gf\"><br><br>Aqui, tamb\u00e9m, n\u00e3o se distinguir\u00e1, a princ\u00edpio, a tropa xucra da arreada. N\u00e3o \u00e9 o fato de que se desconhe\u00e7am as diferen\u00e7as entre uma e outra realidade, mas, por outro lado, percebe-se, pelas fontes compulsadas, que o tropeiro escravizado, na maioria das vezes, poderia se empregar em qualquer uma das duas modalidades de tropa.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ep960\"><br><br>O padre Francisco de Assis Ribeiro, capel\u00e3o do 7\u00ba Batalh\u00e3o em Santa Efig\u00eania, S\u00e3o Paulo (capital), por exemplo, oferecia para compra um escravo de 40 anos de idade e que possu\u00eda as seguintes qualidades: \u201cbom cosinheiro, lava e engoma bem roupa, bom arreador de tropa, mestre de vallo e carreiro, bom pagem\u201d (O FAROL PAULISTANO, 28 set 1830, p. 4). Esse escravizado estaria apto a trabalhar, em tese, tanto com tropa xucra quanto arreada, at\u00e9 mesmo pelo fato de ser considerado bom cozinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-b7ec2\"><br><br>J\u00e1 outro escravizado, do Rio de Janeiro, era vendido como \u201cbom campeiro, adomador de mulas e cavalos, he pr\u00f3prio para bolieiro\u201d (JORNAL DO COMMERCIO, 8 jan 1830, p. 2).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-52v5o\"><br><br>Na d\u00e9cada de 1850 fugiu de Campinas, possivelmente com destino a Sorocaba, um escravizado de nome Ant\u00f4nio, o qual, de acordo com a publica\u00e7\u00e3o dos jornais, \u201ccarrea, doma, e inculca-se camarada de tropa\u201d (CAVALHEIRO, 2006, p. 56). Curiosamente, alguns destinos desses escravizados em fuga e que buscavam trabalho nas tropas, eram recorrentes. <br><br><br>Sorocaba era um desses destinos e isso se explica pelo fato da exist\u00eancia de uma concentra\u00e7\u00e3o de tropas nessa cidade por conta da Feira de Muares que ocorria anualmente e do Registro de Animais e cobran\u00e7a de impostos a partir de 1750 (ALMEIDA, 2012, p. 59).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-6mkg7\"><br><br>Benedicto, por exemplo, escravo de Francisco Ferreira Prestes, que fugira em 1870, provavelmente se dirigira para Sorocaba e \u201cdesconfia-se que queira justar-se como camarada em alguma tropa que siga para Minas\u201d (O SOROCABANO, 05 jun 1870, p. 01).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-a6e24\"><br><br>Rio de Janeiro, ent\u00e3o capital do pa\u00eds, tamb\u00e9m era uma terra buscada pelos fugitivos que desejavam vender sua for\u00e7a de trabalho para as comitivas tropeiras. De Goi\u00e1s, por exemplo, fugiu a Domingos Jos\u00e9 Dantas de Amorim o escravo Flor\u00eancio, que, segundo acreditava-se, \u201cconsta que anda como camarada de Tropa no caminho do Rio de Janeiro com o nome de Jo\u00e3osinho Cuiabano\u201d (O UNIVERSAL, 19 mar 1830, p. 4). De Silveira, Distrito de Lorena, \u201cna estrada geral que segue para a Corte do Rio de Janeiro\u201d, fugiu o escravizado Severino, de na\u00e7\u00e3o quilim\u00e3, \u201ccom o officio d\u2019arreador de tropa\u201d (O FAROL PAULISTANO, 16 abr 1831, p. 4).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-f1rmb\"><br><br>Um fato curioso e inusitado. H\u00e1 um an\u00fancio de fuga que afirma ser o escravo um \u201c\u00edndio\u201d, em \u00e9poca na qual a escraviza\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas no Brasil estava proibida. Mais curioso ainda \u00e9 o relato desse an\u00fancio que afirma que o fugitivo \u201cfalla Inglez, Portugu\u00eas e Hespanhol\u201d e que teria se \u201caneixado a alguma tropa que vai para Minas\u201d (JORNAL DO COMMERCIO, 22 jan 1830, p. 3). O fato teria ocorrido na Ponta do Caju, no Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1ohhi\"><br><br>De S\u00e3o Paulo fugiu Aleixo, que \u201cteve principio de alfaiate e foi algum tempo tocador de tropas de animaes\u201d, tendo se dirigido para os lados do Rio de Janeiro (O NOVO FAROL PAULISTANO, 30 abr 1833, p. 4).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ci43g\"><br><br>Sorocaba, Rio de Janeiro e Minas Gerais eram destinos procurados por escravizados fugitivos que pretendiam trabalhar com tropas. Mas, por outro lado, os escravizados dessas localidades procuravam fugir para longe das vistas de quem os pudesse reconhecer. De Sorocaba fugiu Marcolino, com destino, poss\u00edvel, para Itapetininga ou Freguesia do Pillar. Apesar de lidar \u201csoffrivelmente com animaes\u201d, Marcolino \u201cj\u00e1 esteve em Mogy-Mirim cuidando em tropas de bestas invernadas\u201d (A PROVINCIA DE S. PAULO, 31 maio 1876, p. 3).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-biq2u\"><br><br>Da Villa de Valen\u00e7a, Prov\u00edncia do Rio de Janeiro, fugiu e foi preso na Freguesia da S\u00e9, em S\u00e3o Paulo, o escravizado Joaquim, o qual trabalhava para um senhor que era propriet\u00e1rio de engenho de caf\u00e9 e de tropa (O PAULISTA OFFICIAL, 15 jan 1836, p. 4).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-m0nk\"><br><br><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-m0nk\">Muitos an\u00fancios de fugas d\u00e3o conta de que os escravizados j\u00e1 possu\u00edam experi\u00eancia em trabalho com tropas. Al\u00e9m dos acima j\u00e1 citados, h\u00e1 outros como \u00e9 o caso de Ad\u00e3o, da Villa de Rezende, no Rio de Janeiro, o qual \u00e9 \u201cinclinado a lidar com tropa, ou carro\u201d (JORNAL DO COMMERCIO, 12 jul 1830, p. 4). Ou Ant\u00f4nio, de na\u00e7\u00e3o Congo, morador da Villa de Pomba em Minas Gerais e que era \u201cnegro de ro\u00e7a, e tamb\u00e9m sabe lidar com tropa\u201d (O UNIVERSAL, 30 out 1835, p. 4). <br><br><br>Tamb\u00e9m \u00e9 o caso de outro Ant\u00f4nio, da na\u00e7\u00e3o Mo\u00e7ambique, residente em Catta Branca, Minas Gerais, o qual fugiu e era tido como \u201cacostumado a andar com tropas\u201d (O UNIVERSAL, 25 maio 1836, p. 4).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2dt3v\"><br><br>No Rio de Janeiro anunciou-se a venda de um escravo que \u201cera bom cozinheiro de tudo\u201d e que \u201ctamb\u00e9m sabe tratar de cavallos\u201d (JORNAL DO COMMERCIO, 20 set 1830, p. 3). Martinho, escravo morador em Jundia\u00ed, interior de S\u00e3o Paulo, foi visto, depois de ter fugido, em Bragan\u00e7a. Considerava-se que fosse bom cozinheiro e que \u201cmette-se a lidar com animaes\u201d (A PHENIX, 24 fev 1841, p. 4). De Mogy-Mirim foi anotada a fuga de um escravizado que \u201clida com tropa\u201d (A PHENIX, 24 abr 1839, p. 4). Jo\u00e3o, de na\u00e7\u00e3o Congo, vivia em Merc\u00eas da Pomba, Minas Gerais, e \u201cvive de tropa\u201d (O UNIVERSAL, 29 out 1838, p. 4). Outro fugiu de Silveira, na Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo, e tinha \u201chabilidade para tropa carregada\u201d (O NOVO FAROL PAULISTANO, 7 jul 1834, p. 4). <br><br><br>Ign\u00e1cio era \u201cmuito intelligente para lidar com tropa arreada\u201d, conforme o an\u00fancio de sua fuga (O NOVO FAROL PAULISTANO, 19 nov 1836, p. 4). E o escravo do Bispo Diocesano, chamado Louren\u00e7o, foi \u201cencontrado em uma tropa a caminho de Santos\u201d (O NOVO FAROL PAULISTANO, 21 jan 1837, p. 4). <br><br><br>Registrou-se tamb\u00e9m o caso de um escravo que \u201cfugio da borda do campo indo para Sanctos com a tropa do seu senhor\u201d (O FAROL PAULISTANO, 23 fev 1830, p. 4). Eleut\u00e9rio, de Campinas, sabia \u201candar com tropas, e talvez mesmo queira ser arrieiro\u201d (O PIRATININGA, 4 set 1849, p. 4). Miguel, de Ca\u00e7apava, \u201centende do of\u00edcio de tropeiro, \u00e9 muito inclinado a lidar com animaes, e por isso pode ser que se intitule por forro e se ajuste em alguma parte para andar com tropa ou lidar com animaes\u201d (AURORA PAULISTA, 31 jul 1852, p. 4).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-cqg1n\"><br><br>N\u00e3o bastassem as gravuras de Debret e os an\u00fancios de jornais aqui coletados, h\u00e1 ainda a afirma\u00e7\u00e3o do historiador Alu\u00edsio de Almeida:<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5lm0t\"><br><br>V\u00ea-se que tamb\u00e9m entre os componentes de tropeiros havia escravos. Estes, apesar de pretos, adquiriam as qualidades mestras do ga\u00facho tropeiro: domadores, pe\u00f5es perfeitos, negociantes ou barganhistas, nisto muito e muito homens do sul paulistas (ALMEIDA, 1981, p. 13).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9p4dm\"><br><br>Todos esses casos citados s\u00e3o suficientes para corroborar a afirma\u00e7\u00e3o de que escravizados e libertos trabalharam como tropeiros. Ademais, o engajamento em uma tropa poderia significar, para o escravo fugido, a possibilidade de manter-se em liberdade, dada a caracter\u00edstica n\u00f4made da profiss\u00e3o e a intensa mobilidade, o que, seguramente, dificultava a identifica\u00e7\u00e3o e localiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-fnaak\"><br><br>Por outro lado, apesar das in\u00fameras fontes apontando para a presen\u00e7a de escravizados e libertos nas tropas \u2013 tanto xucras quanto arreadas \u2013 pouco ainda se tratou do assunto na historiografia. A mem\u00f3ria que perdura \u00e9 a da presen\u00e7a de \u201cbrancos\u201d, livres e portadores de uma cultura que mesclava a paulista com a do sul, ent\u00e3o em forma\u00e7\u00e3o, especialmente no com\u00e9rcio de muares xucros no trajeto de Viam\u00e3o a Sorocaba. Qual ter\u00e1 sido a contribui\u00e7\u00e3o de africanos e seus descendentes na forma\u00e7\u00e3o cultural do sul paulista e dos estados do sul do pa\u00eds em terras de passagem das tropas?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9pn83\"><br><br>Afinal, o tr\u00e2nsito das tropas unificou o Brasil n\u00e3o somente do ponto de vista territorial, mas, sobretudo, cultural, pois \u201cos tropeiros de tropas xucras e arreadas cumpriram um papel da mais alta import\u00e2ncia na unifica\u00e7\u00e3o cultural do pa\u00eds, como ve\u00edculos difusores de not\u00edcias e de ideias\u201d (BONADIO, 1984, p. 47).<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-6mn8e\"><br><br>Perceber a presen\u00e7a desses escravizados e libertos nas tropas de animais ajuda a entender a forma\u00e7\u00e3o da cultura dessas localidades percorridas pelos tropeiros, mas, ainda, permite ampliar a vis\u00e3o sobre as estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia encontradas por africanos e seus descendentes nas trincas do sistema escravista. Possivelmente, para quem estava em situa\u00e7\u00e3o de escraviza\u00e7\u00e3o, o ajuste em alguma tropa deve ter possibilitado a manuten\u00e7\u00e3o do sonho da liberdade.<br><br><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"504\" height=\"530\" data-attachment-id=\"56702\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=56702\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/04f140_d073ef44e6bf496ab0895136415562f3mv2.webp\" data-orig-size=\"504,530\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"04f140_d073ef44e6bf496ab0895136415562f3mv2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/04f140_d073ef44e6bf496ab0895136415562f3mv2.webp\" src=\"https:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/04f140_d073ef44e6bf496ab0895136415562f3mv2.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-56702\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p id=\"viewer-cgmpu\"><br><br><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5jtkk\">ALMEIDA, Alu\u00edsio de. <em>A feira de 1852. A feira e os jornais da \u00e9poca. <\/em>In Cruzeiro do Sul, 04 jan 1981, p. 13.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-f148a\">______. <em>Crueldade e mansid\u00e3o dos senhores escravos. <\/em>In Cruzeiro do Sul, 04 fev 1969,<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-8l6fj\">p. 2.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-247h6\">______. <em>Hist\u00f3ria de Sorocaba. <\/em>Itu: Ottoni, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-dj5og\">BONADIO, Geraldo. O tropeirismo e a forma\u00e7\u00e3o do Brasil. Sorocaba: Academia Sorocabana de Letras, Funda\u00e7\u00e3o Ubaldino do Amaral, 1984.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-8epo9\">CAVALHEIRO, Carlos Carvalho. <em>Scenas da Escravid\u00e3o. <\/em>Sorocaba: Crearte, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-679gd\">FLORES, Moacyr. Etnias dos Tropeiros. In. SANTOS, Lucila Maria Sgarbi., BARROSO, Vera L\u00facia (ORGs.). <em>Bom Jesus na rota do tropeirismo no Cone Sul. <\/em>Porto Alegre: EST, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-url1\">ZIMMERMANN, Florisbela Carneiro., ZIMMERMANN NETO, Adolfo. <em>Biribas \u2013 A contribui\u00e7\u00e3o do tropeiro \u00e0 forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-cultural do Planalto M\u00e9dio sul-rio-grandense. <\/em>Sorocaba: Funda\u00e7\u00e3o Ubaldino do Amaral, 1991.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-4ubcv\">E jornais citados ao longo do texto.<br><br><br><strong>Carlos Carvalho Cavalheiro<\/strong><br>19.03.2023<\/p>\n\n\n\n<p>E-meio: <a href=\"carlosccavalheiro@gmail.com\" title=\"carlosccavalheiro@gmail.com\">carlosccavalheiro@gmail.com<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>WhatsApp: <a href=\"http:\/\/15\/99174-6634\" title=\"15\/99174-6634\">15\/99174-6634<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><br><br><br>Voltar: <a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\" title=\"\">http:\/\/www.jornalrol.com.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-6mn8e\"><br><br><br><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No caminho das Tropas, o sonho de Liberdade. No imagin\u00e1rio criado sobre a lida tropeira, a vida em liberdade \u00e9 um tema recorrente. <\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":25837,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[11,9285],"tags":[1651,4377,5084,8500],"class_list":["post-56701","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-literatura","tag-carlos-carvalho-cavalheiro","tag-historia","tag-liberdade","tag-tropeirismo"],"aioseo_notices":[],"views":867,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/Carlos-Foto-Andr\u00e9-Pinto-2018-1.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":76339,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=76339","url_meta":{"origin":56701,"position":0},"title":"Tropeirismo \u2013 A Saga que Transformou o Brasil","author":"Sergio Diniz da Costa","date":"22 de outubro de 2025","format":false,"excerpt":"A obra Tropeirismo \u2013 A Saga que Transformou o Brasil, foi a contemplada como melhor livro na categoria n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o, no Pr\u00eamio Sorocaba de Literatura 2025.","rel":"","context":"Em &quot;lan\u00e7amentos&quot;","block_context":{"text":"lan\u00e7amentos","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?cat=9462"},"img":{"alt_text":"Capa do livro Tropeirismo - A Saga que Transformou o Brasil","src":"https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-10-22-as-13.24.18_a7678d38.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-10-22-as-13.24.18_a7678d38.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-10-22-as-13.24.18_a7678d38.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Imagem-do-WhatsApp-de-2025-10-22-as-13.24.18_a7678d38.jpg?resize=700%2C400&ssl=1 2x"},"classes":[]},{"id":71176,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=71176","url_meta":{"origin":56701,"position":1},"title":"Trilhas e Tropas","author":"Sergio Diniz da Costa","date":"6 de dezembro de 2024","format":false,"excerpt":"No dia 12 de dezembro de 2025, \u00e0s 19h, na Casa Kennedy, a genealogista e professora Alba Regina Franco Carron Luisi lan\u00e7ar\u00e1 o livro Trilhas e Tropas.","rel":"","context":"Em &quot;lan\u00e7amentos&quot;","block_context":{"text":"lan\u00e7amentos","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?cat=9462"},"img":{"alt_text":"Capa do livro Trilhas e Tropas, de Alba Regina F.C. 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