{"id":597,"date":"2015-01-19T11:48:55","date_gmt":"2015-01-19T13:48:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=597"},"modified":"2015-01-19T11:48:55","modified_gmt":"2015-01-19T13:48:55","slug":"apollo-natali-nao-sou-charlie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=597","title":{"rendered":"APOLLO NATALI: &quot;N\u00c3O SOU CHARLIE&quot;"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F597&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F597&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><p><strong><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Foto-close2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-88\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/Foto-close2.jpg\" alt=\"Foto close\" width=\"109\" height=\"81\" \/><\/a>APOLLO NATALI: &#8220;N\u00c3O SOU CHARLIE&#8221; &#8211; Artigo de Celso Lungaretti<\/strong><!--more--><\/p>\n<p><strong>C<\/strong>om toda a raz\u00e3o, cat\u00f3licos de todo o mundo se sentiram agredidos em sua f\u00e9 com a deprecia\u00e7\u00e3o da figura de Jesus no filme\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">A \u00daltima Tenta\u00e7\u00e3o de Cristo<\/span><\/strong>, de Martin Scorcese.\u00a0 Sou esp\u00edrita, o espiritismo \u00e9 crist\u00e3o, n\u00e3o vou me converter ao islamismo e muito menos assino embaixo de qualquer atentado. Mas a pergunta que n\u00e3o cala \u00e9 se mul\u00e7umanos de todo o mundo igualmente n\u00e3o se sentem agora agredidos em sua f\u00e9 com o jornalismo panflet\u00e1rio praticado mediante a j\u00e1 antiga produ\u00e7\u00e3o semanal de cartuns a depreciar humoristicamente o fundador de sua religi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 honesto, sou repetitivo, sim, o mundo se perguntar agora a que ponto se sentem agredidos em sua f\u00e9 mul\u00e7umanos de todo o planeta, acreditados como pac\u00edficos, vendo o criador de sua religi\u00e3o ridicularizado persistentemente diante da produ\u00e7\u00e3o semanal de cartuns de uma imprensa merecedora de ser chamada panflet\u00e1ria, do tipo do primeiro imp\u00e9rio no Brasil, de liberdade total para injuriar, caluniar, difamar, provocar e a liberar viol\u00eancia f\u00edsica e mortes entre ofensores e ofendidos.<\/p>\n<p>A liberdade de express\u00e3o tem limite, evidentemente que tem. Numa democracia, esse orgulho do Ocidente e profiss\u00e3o de f\u00e9 dos vision\u00e1rias da liberdade, da justi\u00e7a, da paz , sabemos todos, esse limite \u00e9 n\u00e3o ultrapassar as fronteiras da lei, da ordem, da \u00e9tica. O limite da liberdade de imprensa \u00e9 o respeito ao pr\u00f3ximo. Simples assim.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 ingenuidade delirar preceitos jornal\u00edsticos universais sabendo-se que por tr\u00e1s da produ\u00e7\u00e3o de cartuns ignominiosos a Maom\u00e9, se trava um confronto entre povos. Os cartuns panflet\u00e1rios do seman\u00e1rio\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">Charlie Hebdo<\/span><\/strong>\u00a0configuram uma pr\u00e1tica de guerra destinada a desmoralizar inimigos e n\u00e3o se resguardam em qualquer valor \u00e9tico para reclamar atentado \u00e0 liberdade de imprensa. Com o fim de desmoralizar inimigos,\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">Charlie<\/span><\/strong>\u00a0desfere inj\u00faria contra amigos, inimigos, religi\u00e3o, seres humanos.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de separar<strong>:<\/strong>\u00a0de um lado, a imprensa. Do outro, essa guerra contempor\u00e2nea, ideol\u00f3gica e econ\u00f4mica, cuja g\u00eanese pode ser encontrada na natureza tenebrosa da esp\u00e9cie humana. Reclamar que o injustific\u00e1vel, embora explic\u00e1vel, atentado \u00e0 revista\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">Charlie Hebdo<\/span><\/strong>\u00a0\u00a0foi um tranco na liberdade de express\u00e3o, como fazem at\u00e9 alguns \u00a0considerados \u00edcones entre os jornalistas, \u00e9 jogar no lixo o que a humanidade aprendeu at\u00e9 agora sobre imprensa.<\/p>\n<p>Pois \u00e9 o que est\u00e1 em jogo, o papel da imprensa.<\/p>\n<p>As palavras que a seguir saem da minha boca n\u00e3o s\u00e3o uma vaidosa aula de jornalismo e sim meu modo de dizer porque n\u00e3o sou\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">Charlie<\/span><\/strong>, essa express\u00e3o que assume ao mesmo tempo a conota\u00e7\u00e3o de coopta\u00e7\u00e3o a atentados psicol\u00f3gicos \u00e0 pessoa humana praticados por um seman\u00e1rio e de condena\u00e7\u00e3o, justific\u00e1vel, de atentados terroristas com mortes. Hebdomad\u00e1rio quer dizer semanal, explica a j\u00e1 minha presun\u00e7osa aula.<\/p>\n<p>Portanto, crian\u00e7as, imaginemo-nos em sala de aula sobre comunica\u00e7\u00e3o. Diz-nos no Brasil o professor Jos\u00e9 Marques de Mello que a charge \u00e9 g\u00eanero jornal\u00edstico opinativo. H\u00e1 tamb\u00e9m, ensina ele, os informativos &#8211; notas e not\u00edcias, e os interpretativos &#8211; a entrevista, a reportagem, o livro-reportagem.<\/p>\n<p>Pois bem, charge \u00e9 g\u00eanero jornal\u00edstico e, como tal, necessariamente impregnado de seus limites morais. O que surpreende, e o quanto surpreende, \u00e9 que mesmo jornalistas-mito, escudados numa desvairada liberdade de imprensa tipo lesa-humanidade, defendam a afronta que o manuseio de um l\u00e1pis comete contra todo um imenso povo, sua religi\u00e3o, seu l\u00edder.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou Charlie.\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/naufrago-da-utopia.blogspot.com.br\/\"><br \/>\n<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>(Apollo Natali, especial p\/ o blogue\u00a0<\/strong><strong><a href=\"http:\/\/mail.uol.com.br\/naufrago-da-utopia.blogspot.com.br\">N\u00e1ufrago da Utopia<\/a>)<\/strong><\/p>\n<p><strong>LUNGARETTI: &#8220;SER OU N\u00c3O SER CHARLIE? SER OU N\u00c3O SER CIVILIZADO?&#8221;<\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8220;&#8230;assim, mal dividido,<\/strong><\/p>\n<p><strong>esse mundo anda errado:<\/strong><\/p>\n<p><strong>que a Terra \u00e9 do homem,<\/strong><\/p>\n<p><strong>n\u00e3o \u00e9 de Deus nem do diabo&#8221;<\/strong><\/p>\n<p><strong>(S\u00e9rgio Ricardo,\u00a0<span style=\"text-decoration: underline\">O\u00a0<\/span><\/strong><strong><span style=\"text-decoration: underline\">sert\u00e3o vai virar mar<\/span>)<\/strong><\/p>\n<p><strong>A<\/strong>pollo Natali, meu amigo h\u00e1 d\u00e9cadas e ex-colega de reda\u00e7\u00e3o na\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">Ag\u00eancia Estado<\/span><\/strong>, \u00e9 um dos grandes jornalistas e dos melhores seres humanos que conhe\u00e7o. Sua opini\u00e3o ter\u00e1 sempre lugar e vai ser sempre respeitada nos meus espa\u00e7os virtuais, da\u00ed eu ter imediatamente concordado com seu pedido de publica\u00e7\u00e3o do artigo\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">N\u00e3o sou Charlie<\/span><\/strong>\u00a0(acesse\u00a0<a href=\"http:\/\/naufrago-da-utopia.blogspot.com\/2015\/01\/apollo-natali-nao-sou-charlie.html\"><strong>aqui<\/strong><\/a>), expressando seu descontentamento, como religioso, com filmes e publica\u00e7\u00f5es que lhe parecem inconvenientes.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tenho, claro, algumas palavras a dizer. N\u00e3o se nega aos crentes o direito de sentirem-se ofendidos, mas vale lembrar que nenhum deles \u00e9 obrigado a ler o\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">Charlie Hebdo<\/span><\/strong>\u00a0ou ver\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">A \u00faltima tenta\u00e7\u00e3o de Cristo<\/span><\/strong>. Os que o fizeram, provavelmente, foi em fun\u00e7\u00e3o do falat\u00f3rio e das pol\u00eamicas, para verificarem se era ou n\u00e3o verdade o que se dizia a respeito de ambos &#8211;j\u00e1 predispostos, portanto, \u00e0 indigna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Ocidente, com a separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e estado, sua \u00fanica iniciativa poss\u00edvel contra a fita era recorrerem aos tribunais. Felizmente, pa\u00edses contempor\u00e2neos \u00e0 pr\u00f3pria \u00e9poca n\u00e3o censuram filmes por atentarem contra a imagem de personagens hist\u00f3ricos que alguns consideram sagrados, outros n\u00e3o. E j\u00e1 v\u00e3o longe os tempos em que cat\u00f3licos queimavam bruxas e lan\u00e7avam cruzadas sanguin\u00e1rias contra os\u00a0<strong><em>infi\u00e9is<\/em><\/strong>, ent\u00e3o nenhuma besta-fera foi encher de balas o diretor Martin Scorcese ou o ator Willem Dafoe (que interpretou Cristo)<\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis pelo seman\u00e1rio, por sua vez,\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">jamais fizeram o que seria, realmente, uma provoca\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong>: providenciar tradu\u00e7\u00f5es e lan\u00e7ar edi\u00e7\u00f5es direcionadas para pa\u00edses e contingentes humanos que vivem no s\u00e9culo 21, mas continuam com a cabe\u00e7a no s\u00e9culo 6.<\/p>\n<p>A quais maometanos antes incomodavam,\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">de verdade<\/span><\/strong>, os 60 mil exemplares do\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">Charlie Hebdo<\/span><\/strong>\u00a0comercializados semanalmente na Europa? Pouqu\u00edssimos, decerto.\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">O que houve n\u00e3o foi nenhuma rea\u00e7\u00e3o furibunda de indiv\u00edduos emocionalmente primitivos que estariam sentindo-se agredidos em sua f\u00e9, mas sim uma sanguin\u00e1ria e calculista demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a de terroristas cl\u00e1ssicos<\/span><\/strong>\u00a0(aqueles que, como francos-atiradores dissociados das massas e sem estarem contribuindo para nenhum ascenso revolucion\u00e1rio, utilizam a viol\u00eancia apenas para\u00a0<strong><em>punirem<\/em><\/strong>\u00a0e intimidarem seus inimigos),\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">os quais garimparam diligentemente, at\u00e9 encontrarem, um alvo condizente com a\u00a0<em>mensagem<\/em>\u00a0que queriam passar<\/span><\/strong>.<\/p>\n<p>Terroristas cl\u00e1ssicos obt\u00eam muitos holofotes, mas sua pirotecnia quase sempre levanta a bola para o inimigo marcar pontos, al\u00e9m de eventualmente ter consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas. No primeiro caso est\u00e1, p. ex., a tentativa de matarem o czar Alexandre III em 1897, que redundou na execu\u00e7\u00e3o do irm\u00e3o do L\u00eanin, Alexandre Ulianov, e de quatro de seus companheiros, al\u00e9m, \u00e9 claro, de um previs\u00edvel agravamento da repress\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>E no segundo, tanto o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando por parte do\u00a0<strong><em>m\u00e3o negra<\/em><\/strong>\u00a0Gravilo Princip em 1914, que conduziu aos horrores da 1\u00aa Guerra \u00a0Mundial; quanto o atentado ao WTC em 2011, respons\u00e1vel pela pior escalada global de estupro dos direitos humanos e persegui\u00e7\u00e3o a inocentes que os cidad\u00e3os de origem \u00e1rabe j\u00e1 sofreram.<\/p>\n<p>Marxistas e anarquistas h\u00e1 muito descartaram e se dissociaram do terrorismo cl\u00e1ssico. Nos \u00faltimos tempos, contudo, contingentes desnorteados de esquerda, trocando a coer\u00eancia com seu amadurecimento pol\u00edtico que j\u00e1 haviam atingido pela mais tacanha\u00a0<strong><em>realpolotik<\/em><\/strong>, v\u00eam cometendo uma dupla\u00a0<strong><em>heresia<\/em><\/strong>\u00a0(este termo retr\u00f4 cai como uma luva no atual contexto&#8230;):<\/p>\n<ul>\n<li>a de defenderem fundamentalistas religiosos que n\u00e3o querem, de maneira nenhuma, fazer a humanidade avan\u00e7ar para al\u00e9m do capitalismo, mas sim faz\u00ea-la retroceder para antes do capitalismo, ou seja, para as trevas medievais; e<\/li>\n<li>a de defenderem terroristas cl\u00e1ssicos e seus monumentais tiros pela culatra, tornando-se parceiros dessas derrotas e associando estupidamente sua imagem a carnificinas que qualquer cidad\u00e3o isento repudia.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Caem no vazio suas tentativas de relativiza\u00e7\u00e3o de um epis\u00f3dio que foi, isto sim, totalmente bestial e absolutamente conden\u00e1vel. Quando algu\u00e9m \u00e9 chacinado por\u00a0<strong><em>d\u00e1-l\u00e1-aquela-palha<\/em><\/strong>, buscar justificativas para o crime soa hip\u00f3crita e aberrante. Uma das diferen\u00e7as entre n\u00f3s e os animais \u00e9 que, ao contr\u00e1rio dos touros, n\u00e3o temos nenhuma compuls\u00e3o irresist\u00edvel de destruir um semelhante apenas porque veste vermelho.<\/p>\n<p>Reconhe\u00e7o e at\u00e9 admiro a boa f\u00e9 de\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">religiosos<\/span><\/strong>\u00a0como o Apollo Natali, mas n\u00e3o perdoo os\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">esquerdistas<\/span><\/strong>\u00a0que abdicam do seu compromisso fundamental com a civiliza\u00e7\u00e3o, passando a raciocinar como simpl\u00f3rios torcedores de futebol (&#8220;Se \u00e9 contra os EUA, a Europa e Israel, vale tudo, at\u00e9 gol de m\u00e3o nos acr\u00e9scimos, em posi\u00e7\u00e3o de impedimento&#8221;&#8230;).<\/p>\n<p>Por \u00faltimo:\u00a0<strong><em>religiosos de ocasi\u00e3o e por conveni\u00eancia<\/em><\/strong>\u00a0\u00e0 parte, como fica a quest\u00e3o das pessoas devotas que,\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">sinceramente<\/span><\/strong>, sentirem-se insultadas em sua f\u00e9?<\/p>\n<p>Ora, sendo nosso estado laico, homens tidos como santos s\u00e3o encarados, por quem n\u00e3o \u00e9 religioso, como personagens hist\u00f3ricos (ou fict\u00edcios) iguais a quaisquer outros. N\u00e3o cabe nenhuma forma de censura ou persegui\u00e7\u00e3o dos poderes p\u00fablicos a quem trata Cristo ou Maom\u00e9 da mesma forma que, digamos, Vlad Dracul e Hitler (os quais, ali\u00e1s, t\u00eam l\u00e1 seus defensores, mas 99,9% do que aparece sobre eles em filmes e seman\u00e1rios \u00e9 extremamente negativo).<\/p>\n<p>E, como a ningu\u00e9m \u00e9 dado o direito de fazer justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os no Brasil do s\u00e9culo 21, s\u00f3 resta aos ofendidos o caminho dos tribunais e de iniciativas visando ao convencimento da opini\u00e3o p\u00fablica (desde an\u00fancios pagos at\u00e9 campanhas virtuais incentivando o boicote aos\u00a0<strong><em>blasfemos<\/em><\/strong>).<\/p>\n<p>No fundo, o que os religiosos pretendem \u00e9 que se conceda um tratamento diferenciado para quem eles consideram diferente. Mas, agn\u00f3sticos, ateus e mesmo religiosos de outras confiss\u00f5es podem discordar (um neopentecostal admitiria, p. ex., Oxal\u00e1 como similar a Jesus Cristo?). Ent\u00e3o, n\u00e3o faz nenhum sentido, em termos legais ou morais, pretender que a imprensa n\u00e3o os ridicularize como ridiculariza outros personagens hist\u00f3ricos do passado e do presente.<\/p>\n<p>Podemos at\u00e9 achar que a irrever\u00eancia \u00e9 exagerada no seu todo, que a nossa imprensa pega pesado demais com Paulo Maluf e Jair Bolsonaro, ou que a francesa pega pesado demais com Jean-Marie Le Pen e Maom\u00e9. O que n\u00e3o podemos \u00e9 aceitar como v\u00e1lidos os piores achincalhes a Bolsonaro, Maluf e Le Pen e, ao mesmo tempo, n\u00e3o admitir a mais inofensiva irrever\u00eancia com Maom\u00e9.<\/p>\n<p>Caso contr\u00e1rio, para que ter\u00e3o servido, afinal, 1945 e 1985 aqui, o iluminismo e a grande revolu\u00e7\u00e3o l\u00e1? E de que valeu tantos resistentes morrerem lutando contra os nazist\u00f3ides daqui e contra os nazistas de l\u00e1? Pois eram todos express\u00f5es da intoler\u00e2ncia, fanatismo e autoritarismo insepar\u00e1veis da tese da\u00a0<strong><em>intocabilidade dos homens santos<\/em><\/strong>&#8230;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mau humor e dos maus bofes, claro!<\/p>\n<p><strong>(Celso Lungaretti, no blogue\u00a0<a href=\"http:\/\/mail.uol.com.br\/naufrago-da-utopia.blogspot.com.br\">N\u00e1ufrago da Utopia<\/a>)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>APOLLO NATALI: &#8220;N\u00c3O SOU CHARLIE&#8221; &#8211; Artigo de Celso Lungaretti<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-597","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao"],"aioseo_notices":[],"views":0,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":403,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=403","url_meta":{"origin":597,"position":0},"title":"EDITORIAL","author":"Helio Rubens","date":"8 de janeiro de 2015","format":false,"excerpt":"\u00a0 JE SUIS CHARLIE AUSSI \u00c9 inaceit\u00e1vel o ataque contra a liberdade representado pelo ataque terrorista ao jornal franc\u00eas Charlie Hebdo que matou 12 jornalistas em Paris, entre eles \u00a0 \u00a0 os melhores cartunistas do mundo. 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