{"id":59910,"date":"2023-08-09T16:39:21","date_gmt":"2023-08-09T19:39:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=59910"},"modified":"2023-08-09T16:39:28","modified_gmt":"2023-08-09T19:39:28","slug":"um-pais-sem-cultura-e-um-corpo-sem-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=59910","title":{"rendered":"Um pa\u00eds sem cultura \u00e9 um corpo sem alma"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F59910&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F59910&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Carlos Carvalho Cavalheiro: Entrevista <\/h2>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">&#8220;Um pa\u00eds sem cultura \u00e9 um corpo sem alma.&#8221; (Walter Franco)<br><br><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"59911\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=59911\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/04f140_cbfcfa0aa58e4ba19207ac0cc0392010mv2.webp\" data-orig-size=\"740,555\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"04f140_cbfcfa0aa58e4ba19207ac0cc0392010mv2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/04f140_cbfcfa0aa58e4ba19207ac0cc0392010mv2.webp\" src=\"https:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/04f140_cbfcfa0aa58e4ba19207ac0cc0392010mv2.webp\" alt=\"Walter e Diogo Franco, Adilene Ferreira Carvalho Cavalheiro, Fernanda Ikedo e Carlos Carvalho Cavalheiro no camarim da Fundec em 2011. Walter Franco est\u00e1 segurando o exemplar do jornal Sep\u00e9-Tiaraju com a sua entrevista. \n\n\" class=\"wp-image-59911\" width=\"590\" height=\"437\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Walter e Diogo Franco, Adilene Ferreira Carvalho Cavalheiro, Fernanda Ikedo e Carlos Carvalho Cavalheiro no camarim da Fundec em 2011. Walter Franco est\u00e1 segurando o exemplar do jornal Sep\u00e9-Tiaraju com a sua entrevista.<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\" id=\"viewer-3i44i\">O ano era 1994. Walter Franco, \u00edcone da m\u00fasica brasileira, viria a Sorocaba, cidade do interior paulista, para realizar uma apresenta\u00e7\u00e3o musical num bar. Era o dia 13 de maio e eu acabara de completar 22 anos de idade. <br><br>Apreciador da obra de Walter Franco, eu n\u00e3o me contentei apenas em assistir ao show. Eu o entrevistei \u2013 quase que de madrugada \u2013 ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o. Simp\u00e1tico, o artista recebeu a mim e amigos para a entrevista que foi publicada no jornal cultural Sep\u00e9-Tiaraju. <br><br>No dia 29 de junho de 2011, dezessete anos depois, Walter Franco retornou \u00e0 cidade para o show \u201cRa\u00e7a Humana\u201d, com a participa\u00e7\u00e3o de seu filho Diogo Franco. Na oportunidade, consegui entregar o exemplar do jornal de 1994, com a entrevista que fiz com ele. Walter Franco, ent\u00e3o, pediu para que eu desse um aut\u00f3grafo! <br><br>Claro que eu tamb\u00e9m pedi o meu. Walter Rosciano Franco nasceu em S\u00e3o Paulo em 6 de janeiro de 1945 (Dia de Reis). Faleceu em 24 de outubro de 2019, aos 74 anos de idade, ap\u00f3s sofrer um AVC. Foi um dos grandes nomes da m\u00fasica popular no Brasil. Eis a \u00edntegra da entrevista de 1994:<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-a6lrs\"><em>\u201cEle subiu ao palco com seu viol\u00e3o. Sentou-se num banquinho. Conversou com o p\u00fablico, apresentou sua banda e orquestra com corais e maestro imagin\u00e1rios. Cantou. E como n\u00e3o poderia deixar de ser, encantou. Pela primeira vez em vinte e poucos anos de carreira art\u00edstica, Walter Franco se apresentou em Sorocaba no dia 13 de maio pp. no Bar Koisa Nossa. Ap\u00f3s o show, ele concedeu a entrevista que voc\u00eas ir\u00e3o conferir agora. Agradecimentos especiais ao C\u00edcero, ao pessoal do Koisa Nossa e da Ge-Hum pela colabora\u00e7\u00e3o, sem a qual esta entrevista n\u00e3o poderia ser realizada\u201d.<\/em><br><br><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-30fl6\"><strong>Carlos Carvalho Cavalheiro<\/strong> \u2013 Walter, voc\u00ea estava desaparecido nos \u00faltimos tempos. Por onde voc\u00ea andava?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-ekh5\"><strong>Walter Franco<\/strong> \u2013 \u00c9 circunstancial essa minha parada&#8230; no disco. Na m\u00fasica, n\u00e3o. Eu tenho feito uma carreira mais sutil, digamos assim. Eu tenho me apresentado ciclicamente, nos espa\u00e7os em S\u00e3o Paulo, algumas capitais que me atraem muito, e interior tamb\u00e9m. Tenho procurado n\u00e3o me afastar totalmente.<br><br>E acontece comigo um mist\u00e9rio grande: mesmo que eu desapare\u00e7a por algum tempo, quando eu volto, o p\u00fablico aumenta. H\u00e1 uma resposta grande para mim. Isso me deu tranquilidade porque eu nunca, na minha carreira toda, sempre me neguei a fazer um disco comum, nunca joguei esse jogo da m\u00eddia. <br><br>E acredito que, atualmente, seja uma consequ\u00eancia natural disso. As pessoas me chamam, eu estou mais dispon\u00edvel. Fechei para balan\u00e7o. Continuei trabalhando com m\u00fasica, me aperfei\u00e7oando, buscando compreender esse processo de autoconhecimento, mas n\u00e3o culpo ningu\u00e9m por isso, n\u00e3o. <br><br>Eu sou respons\u00e1vel pelas coisas boas ou n\u00e3o-boas que me acontecem. Mas, n\u00e3o me afasto, n\u00e3o. Eu simplesmente tenho estado presente de uma forma mais sutil. N\u00e3o tanto pela grande m\u00eddia, mas tenho estado presente esse tempo todo.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-95lu5\"><strong>CCC<\/strong> \u2013 Voc\u00ea musicou letras de autoria de seu pai, Cid Franco. Fale um pouco sobre ele e sua influ\u00eancia em seu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-e10qo\"><strong>WF<\/strong> \u2013 Foi meu grande amigo, meu mestre na arte de discernir a vida, principalmente a partir dos princ\u00edpios \u00e9ticos, morais, enfim, coisas que hoje em dia est\u00e3o meio postas de lado. Mas foi meu grande amigo e, circunstancialmente, por coincid\u00eancia, nesta encarna\u00e7\u00e3o \u2013 nesta \u201cencaderna\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 foi, tamb\u00e9m, meu pai. <br><br>Foi um pol\u00edtico, o primeiro vereador socialista eleito no Estado de S\u00e3o Paulo, mas, como pol\u00edtico, um grande poeta. Uma pessoa que vivenciava, na verdade, os seus achados po\u00e9ticos. E uma pessoa que deixou, para mim, para meus filhos, enfim, era uma pessoa p\u00fablica, acredito que um dos maiores exemplos que um ser humano possa deixar, que \u00e9 do desapego. <br><br>Uma pessoa que dedicou a sua vida a estudar Mahatma Gandhi, a vida de Cristo, a pesquisar as linguagens alternativas, j\u00e1 naquela \u00e9poca, desde discos voadores at\u00e9 a dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 literatura infanto-juvenil, \u00e0 poesia, \u00e0 literatura, prosa, o jornalismo, o radicalismo, enfim&#8230; Mas uma pessoa voltada para o crescimento do ser. Uma pessoa que buscava se aperfei\u00e7oar. <br><br>Um pol\u00edtico que, na verdade, passou para a outra vida em fun\u00e7\u00e3o do sofrimento porque foi cassado pelo Golpe de 64, por raz\u00f5es ideol\u00f3gicas, por ser um homem de esquerda, um socialista democr\u00e1tico, mas que deixou para n\u00f3s, para mim, para os meus filhos, para minha fam\u00edlia, para as pessoas todas que voc\u00eas viram aqui presentes,<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/92c1b246-3d52-4d9a-adb1-2786a42aa324\/blog\/create-post?tab=published&amp;lang=pt#_ftn1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[1]<\/a> o exemplo do amor fraterno. <br><br>Uma pessoa que nos ensinou a n\u00e3o sentir \u00f3dio ideol\u00f3gico, a combater o \u00f3dio ideol\u00f3gico, a conviver, a se relacionar at\u00e9 mesmo com os contr\u00e1rios ideologicamente. Eu acho isso o maior exemplo que o ser humano nessa vida pode aprender, a se aperfei\u00e7oar na arte de conviver com os opostos, e se reduzir a zero, como diria Mahatma Gandhi, se colocar no \u00faltimo degrau dos seus semelhantes. <br><br>E aqui n\u00e3o vai nenhum sentido messi\u00e2nico, m\u00edstico- religioso, n\u00e3o. O princ\u00edpio de fraternidade, de amizade, de humildade, enfim, sem sentido pejorativo nenhum, como diria Mahatma Gandhi: \u201cN\u00e3o haver\u00e1 nenhuma salva\u00e7\u00e3o para eles\u201d. Eu tive o privil\u00e9gio de conviver com as artes, com a poesia, com a literatura, com a m\u00fasica desde garoto na minha pr\u00f3pria casa. Talvez, por isso, eu tenha sa\u00eddo meio do jeito que sou.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-eqac\"><strong>CCC<\/strong> \u2013 Nos seus dois primeiros discos (Ou n\u00e3o e Revolver) voc\u00ea desenvolveu um trabalho mais de vanguarda, experimentalista, se \u00e9 que assim podemos qualificar. J\u00e1 a partir do terceiro LP (Long Play), Respire Fundo, houve uma mudan\u00e7a de estilo bem percept\u00edvel. Como est\u00e1 hoje o seu trabalho? Esse \u00e9 o pren\u00fancio de uma nova fase?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-5nvn9\"><strong>WF<\/strong> \u2013 Acredito que sim. A gente \u00e9 a soma daquilo que fomos e do que fizemos. Eu sou a soma disso tudo. Busco me aperfei\u00e7oar. N\u00e3o h\u00e1 segredo nenhum nisso. N\u00e3o h\u00e1 nem o personagem artista. Eu sou uma pessoa que est\u00e1 buscando se aperfei\u00e7oar nesse caminho.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-amk83\"><strong>CCC<\/strong> \u2013 Neste show voc\u00ea se apresenta apenas com viol\u00e3o. Por qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-bk1ae\"><strong>WF<\/strong> \u2013 Isso tem a ver com o momento. Eu tenho v\u00e1rias alternativas. Eu trabalho com banda, tenho uma superbanda com seis m\u00fasicos&#8230; uma banda concreta (risos).<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/92c1b246-3d52-4d9a-adb1-2786a42aa324\/blog\/create-post?tab=published&amp;lang=pt#_ftn2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[2]<\/a> S\u00e3o m\u00fasicos de primeira. Eu tenho a satisfa\u00e7\u00e3o de ter sempre tocado com grandes m\u00fasicos, de Jo\u00e3o Donato a Wagner Tiso, aos meninos dos Mutantes, enfim, a minha trajet\u00f3ria, se voc\u00ea olhar os meus discos, a ficha t\u00e9cnica do \u201cRespire Fundo\u201d tem mais de 150 m\u00fasicos&#8230;<br><br><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-efm47\"><strong>CCC<\/strong> \u2013 At\u00e9 mesmo o Lob\u00e3o&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-2nlm2\"><strong>WF<\/strong> \u2013 At\u00e9 o Lob\u00e3o, at\u00e9 o Lulu Santos, enfim, eu tenho essa satisfa\u00e7\u00e3o. Mas, no momento, hist\u00f3rico que estamos vivendo, o artista tem que ter v\u00e1rias alternativas para trabalhar. <br><br>Assim, como eu viajo com banda para espa\u00e7os maiores, com produ\u00e7\u00f5es maiores, eu viajo tamb\u00e9m com trabalho experimental, com engenheiros de som, trabalho que venho desenvolvendo h\u00e1 muito tempo, e viajo, tamb\u00e9m, s\u00f3 com viol\u00e3o solo; voz e viol\u00e3o, dessa maneira que voc\u00eas viram porque eu acho que o artista \u00e9 um trabalhador, ele tem que estar presente. A mim me interessa estar presente fisicamente com as pessoas, com voc\u00eas e, profissionalmente, \u00e9 importante isso porque \u00e9 da\u00ed que a gente vive e sobrevive.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-53mov\"><strong>CCC<\/strong> \u2013 Voc\u00ea influenciou uma gera\u00e7\u00e3o de roqueiros nos anos 80: Arnaldo Antunes (ex-Tit\u00e3s), Camisa de V\u00eanus (que regravou \u201cCanalha\u201d), Olho Seco (que regravou \u2018Feito gente\u201d)&#8230; Como voc\u00ea v\u00ea essa influ\u00eancia numa gera\u00e7\u00e3o posterior, uma d\u00e9cada depois de seu surgimento no cen\u00e1rio brasileiro?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-fctvb\"><strong>WF<\/strong> \u2013 Eu acho que \u00e9 isso que a gente quer. Quando a gente faz alguma coisa, a gente imagina que chegue a algum lugar. E, de fato, o Arnaldo<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/92c1b246-3d52-4d9a-adb1-2786a42aa324\/blog\/create-post?tab=published&amp;lang=pt#_ftn3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[3]<\/a> deu algumas entrevistas falando do resgate dessa linha evolutiva do \u201cRevolver\u201d, do \u201cAra\u00e7\u00e1 Azul\u201d.<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/92c1b246-3d52-4d9a-adb1-2786a42aa324\/blog\/create-post?tab=published&amp;lang=pt#_ftn4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[4]<\/a> \u00c9 meu parceiro tamb\u00e9m. Tenho uma can\u00e7\u00e3o in\u00e9dita com ele. <br><br>O \u201cCamisa de V\u00eanus\u201d me deixou feliz, e tantos outros, o pr\u00f3prio Jo\u00e3o Gordo do Ratos de Por\u00e3o deu uma declara\u00e7\u00e3o falando do trabalho da gente como precursor dessa coisa punk e tal. Eu sempre atuei em v\u00e1ria faixas. A minha m\u00fasica vem desde o sil\u00eancio at\u00e9 o grito primal. Eu sempre trabalho dessa maneira. Talvez por isso eu tenha atingido tantas regi\u00f5es, digamos assim, da musica.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-1a8iv\"><strong>CCC<\/strong> \u2013 \u00c9 dif\u00edcil ser um artista aut\u00eantico no Brasil? Artista que n\u00e3o se vende aos ditames da m\u00eddia e do mercado?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-otq9\"><strong>WF<\/strong> \u2013 O estar distante da m\u00eddia \u00e9 circunstancial. Eu n\u00e3o parto desse princ\u00edpio. \u00c9 \u00f3bvio que h\u00e1 fases, a moda conduz a m\u00fasica popular para esse ou para aquele caminho. Mas como artista eu sempre estive na grande m\u00eddia. Eu sempre pertenci a grandes gravadoras. Eu nunca fiz um trabalho independente.<br><br> Eu sempre tive o apoio das grandes gravadoras para fazer meu trabalho. Se n\u00e3o gravei durante esse tempo todo \u00e9 circunstancial, tanto quanto Paulinho da Viola que ficou sete ou oito anos sem gravar, e tantos outros. Mas eu acredito que o artista , na verdade, ele tenha mais poder. N\u00e3o poder a partir da vol\u00fapia, a vol\u00fapia de poder, mas um poder oriundo de sua pr\u00f3pria natureza. <br><br>Enquanto um pol\u00edtico sobe ao palanque para fazer um discurso em \u00e9poca de elei\u00e7\u00e3o, atr\u00e1s de votos, e essa coisa toda; enquanto um militar imp\u00f5e o poder a partir de seu pr\u00f3prio status; o artista sobe ao palco e canta um refr\u00e3o e estimula toda uma multid\u00e3o, toda uma plateia. <br><br>Ent\u00e3o, \u00e9 preciso que os artistas em geral tamb\u00e9m partam para isso. N\u00e3o se deixem usar simplesmente em \u00e9poca de elei\u00e7\u00e3o para esse ou aquele candidato, enfim, essa coisa toda. Porque o pa\u00eds sem cultura, sem querer ser redundante e cair num lugar comum, \u00e9 um corpo sem alma.<br><br> Tivemos a experi\u00eancia a pouco de um presidente que foi cassado,<a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/92c1b246-3d52-4d9a-adb1-2786a42aa324\/blog\/create-post?tab=published&amp;lang=pt#_ftn5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[5]<\/a> que a primeira coisa que fez foi bloquear o est\u00edmulo \u00e0 cultura. Por qu\u00ea? Porque um povo culturalmente bem informado \u00e9 um povo atento. Essa \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o dos artistas, de manter, de uma forma ou de outra, esse est\u00edmulo.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-885k3\"><strong>CCC<\/strong> \u2013 Proposta de um novo disco? Voc\u00ea volta a gravar?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-f6srm\"><strong>WF<\/strong> \u2013 Espero que sim. Estou com um trabalho novo, estou compondo, fazendo as coisas. Vai depender do ritmo das coisas. Estou relan\u00e7ando agora dois LP\u2019s em CD pela Warner, Continental-Warner e isso, com certeza, est\u00e1 dando um pique grande para a continuidade do meu trabalho posteriormente.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-fvmeh\"><strong>CCC<\/strong> \u2013 Como voc\u00ea define o seu trabalho hoje?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-coj8v\"><strong>WF<\/strong> \u2013 Eu nunca defini o meu trabalho. Ele sempre foi definido pelas pessoas. Eu prefiro permanecer assim.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-eisqf\"><strong>CCC<\/strong> \u2013 E, para encerrar, voc\u00ea gostaria de deixar alguma mensagem?<\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-d2v79\"><strong>WF<\/strong> \u2013 Eu quero: \u201cTudo \u00e9 uma quest\u00e3o de manter a mente quieta, a espinha ereta e o cora\u00e7\u00e3o tranquilo\u201d.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Carlos Carvalho Cavalheiro<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p id=\"viewer-9k4kf\"><a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/92c1b246-3d52-4d9a-adb1-2786a42aa324\/blog\/create-post?tab=published&amp;lang=pt#_ftnref1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[1]<\/a> Walter Franco tinha familiares residentes em Sorocaba e que assistiram ao seu show naquele dia. <br><a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/92c1b246-3d52-4d9a-adb1-2786a42aa324\/blog\/create-post?tab=published&amp;lang=pt#_ftnref2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[2]<\/a> No show, Walter Franco simulou a exist\u00eancia do acompanhamento de uma banda imagin\u00e1ria. <br><a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/92c1b246-3d52-4d9a-adb1-2786a42aa324\/blog\/create-post?tab=published&amp;lang=pt#_ftnref3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[3]<\/a> Arnaldo Antunes<br><a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/92c1b246-3d52-4d9a-adb1-2786a42aa324\/blog\/create-post?tab=published&amp;lang=pt#_ftnref4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[4]<\/a> Disco experimental de Caetano Veloso. <br><a href=\"https:\/\/manage.wix.com\/dashboard\/92c1b246-3d52-4d9a-adb1-2786a42aa324\/blog\/create-post?tab=published&amp;lang=pt#_ftnref5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">[5]<\/a> Fernando Collor de Mello<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><\/p>\n\n\n\n<p><br><br>Voltar: <a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\" title=\"\">http:\/\/www.jornalrol.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Carvalho Cavalheiro: Entrevista &#8220;Um pa\u00eds sem cultura \u00e9 um corpo sem alma.&#8221; (Walter Franco) O ano era 1994. Walter Franco, \u00edcone da m\u00fasica brasileira, viria a Sorocaba, cidade do interior paulista, para realizar uma apresenta\u00e7\u00e3o musical num bar. Era o dia<\/p>\n<p class=\"link-more\"><a class=\"myButt \" href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=59910\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":59911,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[9286,9979],"tags":[1057,1651,9978,3307,8870],"class_list":["post-59910","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte","category-show","tag-arte","tag-carlos-carvalho-cavalheiro","tag-diogo-franco","tag-entrevista","tag-walter-franco"],"aioseo_notices":[],"views":1110,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/04f140_cbfcfa0aa58e4ba19207ac0cc0392010mv2.webp","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":29748,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=29748","url_meta":{"origin":59910,"position":0},"title":"Carlos Carvalho Cavalheiro: &#039;Walter Franco&#039;","author":"Carlos Carvalho Cavalheiro","date":"30 de outubro de 2019","format":false,"excerpt":"Walter Franco \u201cL\u00e1 vai uma vela aberta, se afastando pelo mar...\u201d. 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