{"id":6041,"date":"2016-08-29T21:28:10","date_gmt":"2016-08-30T00:28:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=6041"},"modified":"2016-08-29T21:28:10","modified_gmt":"2016-08-30T00:28:10","slug":"artigo-de-simone-valio-a-lenda-de-eva-leite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=6041","title":{"rendered":"Artigo de Simone Valio: &#039;A lenda de Eva Leite&#039;"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F6041&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F6041&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h1 style=\"text-align: left;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/artigo-de-simone-valio-a-lenda-de-eva-leite-uma-homenagem-ao-mes-do-folclore\/foto-close-27\/\" rel=\"attachment wp-att-6005\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-6005 alignleft\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Foto-close-219x300.jpg\" alt=\"Foto close\" width=\"160\" height=\"219\" \/><\/a>Simone V\u00e1lio &#8211; Viva Eva! Eva Vive!<\/strong><\/h1>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>\u201c\u00c9 na carreira do <\/em>a,<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Ai lai, lai, lai<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Vou falar pra quem me ouve<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Que o folclore \u00e9 coisa s\u00e9ria<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong><em>Como no mundo n\u00e3o h\u00e1&#8230;\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>(Trecho de um Cururu paulista)<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 se tornou um clich\u00ea mais que surrado, mas o dito popular \u201cQuem conta um ponto aumenta um ponto\u201d, al\u00e9m de verdadeiro, \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o que expressa a ess\u00eancia do que muitos chamam de \u201cfolclore\u201d, pois, embora muitas vezes seja \u201cantiquado\u201d, est\u00e1 permanentemente agregando elementos novos e mantendo-se, portanto, sempre vivo, <em>mutante, <\/em>moderno at\u00e9. Ali\u00e1s, o folclore \u00e9 um fato, ou fen\u00f4meno, dif\u00edcil de definir, como mostram as diversas, insuficientes e\/ou pol\u00eamicas tentativas de conceitua\u00e7\u00e3o que dele se fizeram.<\/p>\n<p>Comemorado em agosto, mais especificamente no dia 22 \u2212 data em que foi publicada (mas h\u00e1 duzentos anos!) a carta na qual o brit\u00e2nico William John Thoms criou a palavra \u201cfolclore\u201d (\u201c<em>folklore<\/em>\u201d: fus\u00e3o das palavras inglesas \u201c<em>folk<\/em>\u201d, povo, e \u201c<em>lore<\/em>\u201d, sabedoria\u201d), como nos informa Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a> \u2212, o \u201cfato folcl\u00f3rico\u201d recebeu, e recebe at\u00e9 hoje, as mais diversas defini\u00e7\u00f5es. Na opini\u00e3o de alguns, por exemplo, \u00e9 tudo o que o homem do povo realiza e reproduz como tradi\u00e7\u00e3o. Na de outros, engloba apenas uma pequena por\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es populares. H\u00e1 tamb\u00e9m quem acredite que o \u00e2mbito do \u201cfolclore\u201d \u00e9 t\u00e3o vasto quanto o da cultura. E ainda existem aqueles para quem, por essa mesma raz\u00e3o, o \u201cfolclore\u201d n\u00e3o existe, sendo melhor denominar \u201ccultura\u201d ou \u201ccultura popular\u201d o que tantos chamam de \u201cfolclore\u201d.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse, para algumas pessoas essas palavras t\u00eam o mesmo significado e podem \u201cconviver\u201d com harmonia em um mesmo par\u00e1grafo&#8230; O nosso mais c\u00e9lebre folclorista, Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo, sabiamente preferiu fundir os conceitos de folclore e cultura popular. Para ele, folclore \u00e9 \u201ca cultura do popular tornada normativa pela tradi\u00e7\u00e3o\u201d. Por sua vez, um documento importante, a Carta de Folclore Brasileiro, de 1951, fruto do I Congresso Brasileiro do Folclore, estabeleceu claramente o que seria o fen\u00f4meno de que estamos falando: &#8220;Constituem o fato folcl\u00f3rico as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradi\u00e7\u00e3o popular e pela imita\u00e7\u00e3o, e que n\u00e3o sejam diretamente influenciadas pelos c\u00edrculos eruditos e institui\u00e7\u00f5es que se dedicam ou \u00e0 renova\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cient\u00edfico e art\u00edstico humano ou \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o de uma orienta\u00e7\u00e3o religiosa e filos\u00f3fica&#8221;.<\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que aqueles que produzem o que tantos chamam (ou n\u00e3o) de \u201cfolclore\u201d ou \u201ccultura popular\u201d pouco usam a primeira palavra e mal conhecem a \u00faltima express\u00e3o. Quando muito, preferem adaptar a seu uso o voc\u00e1bulo \u201cfolclore\u201d, visto quase como um elemento alien\u00edgena, conforme observou o estudioso do assunto Carlos Rodrigues Brand\u00e3o<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>, cujo livro nos forneceu os principais elementos para esta breve apresenta\u00e7\u00e3o acerca do fen\u00f4meno a que chamam \u201cfolclore\u201d. Quanto a n\u00f3s, preferimos o pensamento de Maria de Loudes Borges Ribeiro, que diz: &#8220;<em>O povo, aceitando o fato, toma-o para si<\/em>, considerando-o como seu, e o modifica e o transforma, dando origem a in\u00fameras variantes. <em>Assim, uma est\u00f3ria \u00e9 contada de v\u00e1rias maneiras<\/em>, uma cantiga tem trechos diferentes na melodia, os acontecimentos s\u00e3o alterados e o <em>pr\u00f3prio povo diz: &#8216;quem conta um conto, acrescenta um ponto&#8217;<\/em>.&#8221;<\/p>\n<p>Nossa inten\u00e7\u00e3o, neste breve texto, no entanto, n\u00e3o \u00e9 dizer \u201co que \u00e9 folclore\u201d, mas acrescentar mais um \u201cponto\u201d \u00e0 \u201clenda\u201d de Eva Leite (ou seja, preservar a ess\u00eancia do que se denomina \u201cfolclore\u201d). Essa lenda, como tantas outras hist\u00f3rias ditas \u201cfolcl\u00f3ricas\u201d, vem sendo passada de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o por itapetininganos, alambarinhenses e habitantes vizinhos. Alguns \u201cpontos\u201d foram somados \u00e0 legend\u00e1ria hist\u00f3ria por Jo\u00e3o Batista da Costa a Maria Nunes da Costa Menk e Luciane Camargo, autoras do livro <em>Lendas de Itapetininga e Regi\u00e3o<\/em>: revivendo a riqueza da literatura oral do interior paulista.<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a><\/p>\n<p>Inclu\u00edda no mencionado livro como uma lenda de Alambari (antigo distrito de Itapetininga), a hist\u00f3ria de Eva Leite, tal como \u00e9 contada por Seu Jo\u00e3o Batista, provavelmente deve ter in\u00fameras vers\u00f5es, como todo fato folcl\u00f3rico \u2212 embora a personagem principal tenha realmente existido, conforme revela ningu\u00e9m menos que&#8230; minha m\u00e3e, Dona Aparecida Silva V\u00e1lio.<\/p>\n<p>Assim principia Dona Cida, como \u00e9 conhecida a angatubense que morou em Itapetininga desde meados da d\u00e9cada de 1940 at\u00e9 1991: \u201cEva Leite era muito uma mo\u00e7a muito bonita e servi\u00e7al, que gostava de ajudar sempre que podia, ajudando a cuidar de pessoas doentes ou rezando uma novena pelas falecidas\u201d. Dona Cida conta que deveria ter uns quatro anos quando conheceu Eva, que nessa \u00e9poca morava em Angatuba e ia com certa frequ\u00eancia ao bar onde trabalhava minha saudosa avozinha, muito ocupada com a feitura de doces para venda&#8230;<\/p>\n<p>Segundo Mam\u00e3e, Eva Leite tinha pele clara e cabelos negros (muito semelhante \u00e0 ilustra\u00e7\u00e3o que dela fez Magno de Almeida Cunha para o livro de Maria Nunes Menk e Luciane Camargo!). Possu\u00eda, al\u00e9m disso, um corpo muito bem feito, que o costume de usar roupas justas e de cor preta salientava.<\/p>\n<p>Diz Dona Cida que as roupas de Eva pareciam mais antigas do que as trajadas na \u00e9poca (in\u00edcio dos anos 1940) e que a mo\u00e7a usava, no dedo do meio, um anel com uma enorme pedra transparente, aparentemente um cristal, que muito atra\u00eda o olhar da balbuciante mas atenta crian\u00e7a que era, ent\u00e3o, Mam\u00e3e&#8230; Quantos \u201cpontos\u201d, portanto, acrescenta Dona Cida ao depoimento j\u00e1 rico de Seu Jo\u00e3o Batista! Este descreve Eva como uma mo\u00e7a \u201cmeiga\u201d e de \u201cbeleza celestial\u201d; Mam\u00e3e relata que, apesar de j\u00e1 ser naturalmente bonita, Eva era muito vaidosa e gostava de usar saltos altos (os quais acentuavam sua estatura j\u00e1 elevada), de passar batom vermelho nos l\u00e1bios e de usar uma esp\u00e9cie de \u201crolo\u201d de cabelos naturais ou artificiais, como uma tiara, sobre os cabelos pretos, levemente encaracolados e de comprimento m\u00e9dio.<\/p>\n<p>As peculiaridades da mo\u00e7a que virou lenda n\u00e3o paravam a\u00ed, de acordo com o relato de Dona Cida. Eva gostava de celebrar seu anivers\u00e1rio e fazia quest\u00e3o de levar aos que n\u00e3o haviam comparecido \u00e0 festa, uma bandeja com copinhos cheios de licor de folhas de figo (o qual, diga-se de passagem, Mam\u00e3e, embora crian\u00e7a, experimentou, aprovou e aprendeu a fazer tempos depois!).<\/p>\n<p>Ainda moradora de Angatuba, Eva tamb\u00e9m tinha o costume de vestir-se, nas palavras de Dona Cida, de \u201cbandeira do Brasil\u201d, para participar das romarias que se dirigiam a Aparecida do Norte (SP), cidade onde hoje se localiza a bas\u00edlica da santa de que era devota. Usava sobre a saia babados verdes, amarelos, azuis e brancos, feitos de papel crepom, que um dia se molharam devido a uma chuva e mancharam o restante da roupa da mo\u00e7a, assim como suas pernas e sapatos&#8230;<\/p>\n<p>Eva acabou mudando-se de Angatuba e, depois disso, as informa\u00e7\u00f5es que Mam\u00e3e teve da jovem chegaram-lhe por meio de outras pessoas. Mas, antes disso, revela Dona Cida que Eva namorou um m\u00e9dico chamado Ulisses \u2013 o \u00fanico homem, portanto, a ocupar parte do cora\u00e7\u00e3o que em Alambari a mo\u00e7a entregou totalmente ao mo\u00e7o com quem havia \u201cde viver de um amor intenso\u201d, conforme o relato de Seu Jo\u00e3o Batista.<\/p>\n<p>O nome do felizardo que veio a conquistar o cora\u00e7\u00e3o da curiosamente bela mo\u00e7a n\u00e3o chegou ao conhecimento de Dona Cida, o que \u00e9 explic\u00e1vel, pois Eva havia se mudado para Alambari, e o contato tornara-se mais dif\u00edcil. No entanto, disse minha av\u00f3 a minha m\u00e3e que se tratava de um mo\u00e7o muito bonito&#8230; Seu Jo\u00e3o Batista fornece esse \u201cponto\u201d importante: Eva \u201cconheceu um jovem chamado Domingos Quendera, por quem se apaixonou\u201d. Aqui lan\u00e7o eu meu \u201cponto\u201d devaneante: qu\u00e3o prof\u00e9tico era o sobrenome do amor da vida de Eva: Quendera, \u201cQuem dera\u201d!&#8230; De fato, relata Seu Jo\u00e3o Batista:<\/p>\n<p>\u201c[&#8230;] O amor dos dois era de dar inveja a qualquer um.<\/p>\n<p>Depois de alguns meses de namoro, ficaram noivos e logo marcaram a data do casamento. Ambas as fam\u00edlias, tanto do lado da mo\u00e7a como do lado do mo\u00e7o, estavam empenhadas nos preparativos para a linda festa do enlace matrimonial do jovem casal.<\/p>\n<p>A noiva estava radiante, mas a pobrezinha n\u00e3o imaginava o que iria acontecer no seu futuro&#8230;<\/p>\n<p>Chegou o dia que ficou marcado na vida de Eva. Dia infeliz que o destino havia reservado para aquela noiva, uma desagrad\u00e1vel surpresa. Estava chegando a data do casamento, era a v\u00e9spera do grande dia, e logo veio a s\u00fabita not\u00edcia da morte de Domingos, o noivo, separando os dois apaixonados para sempre.\u201d<\/p>\n<p>Dona Cida conta que, segundo lhe chegou aos ouvidos, o namorado de Eva Leite adoeceu gravemente, ficou acamado durante muito tempo, at\u00e9 que&#8230; at\u00e9 que&#8230; certo dia um padre realizou o casamento de Eva e seu amado no leito de morte deste \u00faltimo. Eva estaria vestida de noiva, n\u00e3o se sabe se com o traje nupcial que usaria quando o mo\u00e7o se restabelecesse ou se com um vestido \u201cprovis\u00f3rio\u201d, apropriado apenas para aquele enlace terreno transit\u00f3rio&#8230;<\/p>\n<p>Mam\u00e3e e Seu Jo\u00e3o Batista s\u00e3o un\u00e2nimes ao contar que Eva ficou arrasada com a morte de seu noivo e foi \u00e0 casa dele buscar os pertences do mo\u00e7o. Seu Jo\u00e3o afirma que a vi\u00fava os pendurou na sala de sua casa, mas minha m\u00e3e conta que Eva os guardou, junto com um vestido de noiva, num ba\u00fa ou numa mala. E que, da\u00ed em diante, a mo\u00e7a nunca mais se interessou por ningu\u00e9m. Eva, apesar de precocemente vi\u00fava, fazia quest\u00e3o de dizer a todos que havia se casado com o noivo em seu leito de morte e que, portanto, era uma mulher casada&#8230; Seu Jo\u00e3o Batista tem sua vers\u00e3o desse fato:<\/p>\n<p>\u201cNo sofrimento de seu cora\u00e7\u00e3o, Eva chorou muito, durante muito tempo. A trag\u00e9dia lhe causou uma profunda desilus\u00e3o. Triste e desolada, Eva foi \u00e0 casa do falecido, juntou seus pertences, levou para sua casa e deixou-os pendurados na sala.<\/p>\n<p>O comportamento de Eva mudou muito depois da perda de seu amado. Quando algu\u00e9m chegava \u00e0 sua casa e perguntava:<\/p>\n<p>\u2212 A senhora \u00e9 casada?<\/p>\n<p>Ela respondia:<\/p>\n<p>\u2212 Sou.<\/p>\n<p>E a pessoa acrescentava:<\/p>\n<p>\u2212 E cad\u00ea seu marido?<\/p>\n<p>Eva dizia:<\/p>\n<p>\u2212 Est\u00e1 trabalhando.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes ela falava:<\/p>\n<p>\u2212 Est\u00e1 viajando.\u201d<\/p>\n<p>Em seguida \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o desse di\u00e1logo, Seu Jo\u00e3o Batista relata que Eva ia todo ano a Iguape (SP), com os romeiros de Alambari. \u201cO que os romeiros estranhavam\u201d, acrescenta ele, \u201c\u00e9 que ela ia vestida de noiva, na cabina do caminh\u00e3o que levava os religiosos\u201d. Ele n\u00e3o menciona a informa\u00e7\u00e3o, mas, pela progress\u00e3o de seu relato, d\u00e1 a entender que o curioso comportamento da jovem vi\u00fava come\u00e7ou a partir da morte de Domingos Quendera. Mam\u00e3e diz desconhecer o fato, mas acredita que bem pode ter sido verdadeiro; afinal, vestir-se com as cores da Bandeira Nacional, como dantes, deve ter passado a n\u00e3o mais refletir o estado de esp\u00edrito daquela antiga e desditosa conhecida da fam\u00edlia, que emagrecera, empalidecera e passara a usar \u00f3culos de aros escuros&#8230; Dona Cida afirma que realmente Eva sonhava casar-se vestida de branco, conforme a tradi\u00e7\u00e3o, a qual exigia tamb\u00e9m, dada a moral r\u00edgida da \u00e9poca, que as noivas fossem virgens. A virgindade de Eva, a prop\u00f3sito, \u00e9 um ponto comum a todas as vers\u00f5es da hist\u00f3ria infeliz da mo\u00e7a. Diz Mam\u00e3e que todos achavam que Eva era uma vi\u00fava \u201cintocada\u201d e que parecia ansiar pela noite de n\u00fapcias, a qual consumaria o amor e a felicidade do casal de noivos&#8230; A hist\u00f3ria de Eva contada por Seu Jo\u00e3o Batista, de acordo com as palavras com que foi registrada no livro de Menk e Camargo \u2013 sob o t\u00edtulo de \u201cA Vi\u00fava Virgem\u201d \u2212, al\u00e9m de proporcionar um detalhe desconhecido por minha m\u00e3e, parece confirmar o anseio de Eva:<\/p>\n<p>\u201cOutro momento estranho na vida de Eva acontecia todo ano na v\u00e9spera do dia de finados. Ela pernoitava no cemit\u00e9rio junto ao t\u00famulo do noivo e sempre com algum item que usaria no dia do seu casamento, como o vestido de noiva.\u201d<\/p>\n<p>A respeito da mudan\u00e7a de comportamento da \u201cvi\u00fava virgem\u201d, Mam\u00e3e afirma que pouco lhe chegou a seu conhecimento (tirante o uso dos \u00f3culos, a palidez e o emagrecimento da mo\u00e7a). Dona Cida j\u00e1 se mudara para Itapetininga e soube por outras pessoas da morte de Eva, a qual, segundo Seu Jo\u00e3o Batista, se deu muitos anos ap\u00f3s a morte de Domingos Quendera. Assim reza a lenda, conforme a variante de Seu Jo\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cEva viveu por muitos anos, mas nunca mais teve nenhum outro namorado. Vivia em sua humilde casa, que passou a ser chamada pelo povo do lugar de \u2018Rancho do Sossego e Paz\u2019. Ali ela rezava muito. S\u00f3 sa\u00eda de casa para fins religiosos e, quando morria algu\u00e9m, ela ia \u00e0 casa do falecido e rezava uma novena.<\/p>\n<p>Passaram-se anos e Eva veio a falecer. Foi sepultada junto ao t\u00famulo do noivo, sobre o qual constru\u00edram uma capelinha. Sobre o t\u00famulo colocaram alguns pertences de Eva, sendo o principal seu lindo vestido de noiva.\u201d<\/p>\n<p>Dona Cida diz que, realmente, Eva foi enterrada junto a seu noivo e que na capelinha erguida sobre seu t\u00famulo est\u00e1 exposto um vestido de noiva, o qual, entretanto, pode tanto ser o que a mo\u00e7a usou em seu casamento ao p\u00e9 do leito de morte do amado, quanto um outro (a ser usado na eternidade, em seu encontro com o finado noivo?). Seja como for, de acordo com Mam\u00e3e, as pessoas diziam que Eva sempre expressava a vontade de ser sepultada vestida de noiva, para finalmente rever seu amado da maneira que ela queria, e que esse desejo lhe foi concedido.<\/p>\n<p>Como in\u00fameras lendas folcl\u00f3ricas, o desfecho da hist\u00f3ria contada por Seu Jo\u00e3o Batista tem um toque fant\u00e1stico, assustador mesmo, pelo menos para as pessoas que temem o \u201csobrenatural\u201d. Arremata ele:<\/p>\n<p>\u201cMuitos moradores afirmam ver uma noiva perambulando pelo cemit\u00e9rio \u00e0 noite. Contam ainda que Eva tornou-se um mito no munic\u00edpio de Alambari, tanto \u00e9 que seu t\u00famulo \u00e9 o mais visitado pela popula\u00e7\u00e3o daquele lugarejo.\u201d<\/p>\n<p>O pormenor fantasmag\u00f3rico da lenda de Eva Leite tamb\u00e9m \u00e9 mencionado por Dona Cida, embora ela n\u00e3o acrescente mais \u201cpontos\u201d a esse costumeiro desfecho das lendas de nosso folclore. Embora seja uma ex\u00edmia contadora de \u201chist\u00f3ria de fantasmas\u201d, Mam\u00e3e parece se lembrar de Eva mais como uma pessoa \u201cfesteira\u201d, prestativa, bela e alegre \u2013<em> viva<\/em>, como o folclore que a cerca&#8230;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>Imaginamos que a lenda contada nas linhas anteriores deva ter intrigado e fascinado seus leitores. Mas n\u00e3o s\u00f3 isso. Quem leu a hist\u00f3ria de Eva Leite pode estar perguntando-se, conforme indagou o pr\u00f3prio estudioso de folclore Carlos Brand\u00e3o j\u00e1 no in\u00edcio de seu livro sobre o assunto: \u201cPor que as pessoas contam e recontam as hist\u00f3rias das av\u00f3s e entre si\u201d as repetem? A nosso ver, o coment\u00e1rio feito por um b\u00falgaro que assistia a uma festa folcl\u00f3rica em Goi\u00e1s, na qual Brand\u00e3o e seu interlocutor estrangeiro estavam presentes, responde com surpreendente exatid\u00e3o a essa pergunta: \u201cAs pessoas parece que est\u00e3o se divertindo [&#8230;] mas elas fazem isso <em>para n\u00e3o esquecer quem s\u00e3o<\/em>\u201d. A precis\u00e3o da resposta avulta ainda mais nestes tempos de mem\u00f3rias substitu\u00eddas pelo Google; de despersonaliza\u00e7\u00e3o; de identidades substitu\u00eddas por perfis em redes sociais; de fasc\u00ednio pelas inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e de desprezo pelas \u201ccoisas antigas\u201d \u2212 evidente na demoli\u00e7\u00e3o dos belos casar\u00f5es antigos de Itapetininga e pr\u00e9dios hist\u00f3ricos de outras cidades deste enorme Brasil, entre outras atitudes desconsoladoras. Por outro lado, a agudeza da resposta destaca-se tamb\u00e9m por aludir aos esfor\u00e7os dos poucos mas persistentes apreciadores da cultura passada ou atual, popular ou de elite; sejam eles eruditos ou n\u00e3o \u2013 como as autoras e o ilustrador do livro sobre o folclore de Itapetininga e regi\u00e3o; os membros do IHGGI (Instituto Hist\u00f3rico, Geogr\u00e1fico e Geneal\u00f3gico de Itapetininga), do (MIS-I) Museu da Imagem e do Som de Itapetininga e de outros \u00f3rg\u00e3os dedicados \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria e da cultura locais e nacional. Todos esses bravos \u201cnadadores\u201d que bracejam contra a corrente da massifica\u00e7\u00e3o e do esquecimento desempenham o que pode ser considerado o principal prop\u00f3sito do folclore: resistir ao esquecimento e \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o dos valores culturais pelos mais diversos poderes advers\u00e1rios do conhecimento e do povo; <em>n\u00e3o permitir que esque\u00e7amos quem somos<\/em>, nem que para isso seja preciso incorporar ao chamado folclore elementos modernos e suprimir alguns dos antigos, mas de forma a manter-se sempre mut\u00e1vel ou, em uma palavra, VIVO!<\/p>\n<p><strong>Simone V\u00e1lio<\/strong><\/p>\n<p>Itapetingana &#8216;da gema&#8217;, Simne V\u00e1lio atualmente est\u00e1 morando na cidade de Assis\/SP, mas numa esqueceu de sua terra natal (Helio Rubens, editor)<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> Membro correspondente do IHGGI (Instituto Hist\u00f3rico, Geogr\u00e1fico e Geneal\u00f3gico de Itapetininga) em Assis (SP); mestre e doutora em Teoria e Hist\u00f3ria Liter\u00e1ria pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro. <strong>Entendendo o folclore e a cultura popular<\/strong>. Governo Federal; Minist\u00e9rio da Cultura; IPHAN: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular. O portal afirma que seu objetivo \u00e9 constituir-se em um espa\u00e7o de comunica\u00e7\u00e3o, din\u00e2mico e atualizado, prestando servi\u00e7os para todos os interessados no campo do folclore e da cultura popular brasileira\u00a0 Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.cnfcp.gov.br\/pdf\/entendendo_o_folclore_e_a_cultura_popular.pdf\">http:\/\/www.cnfcp.gov.br\/pdf\/entendendo_o_folclore_e_a_cultura_popular.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 15 ago. 2016.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> BRAND\u00c3O, Carlos Rodrigues. <strong>O que \u00e9 folclore<\/strong>. 4. ed. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1984. (Princ\u00edpios, 60). Os it\u00e1licos que aparecem nos trechos citados s\u00e3o nossos.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> MENK, Maria Nunes da Costa; CAMARGO, Luciane. <strong>Lendas de Itapetininga e Regi\u00e3o<\/strong>: revivendo a riqueza da literatura oral do interior paulista. Ilustra\u00e7\u00e3o Magno Almeida Cunha. Itapetininga, SP: Gr\u00e1fica Regional, 2014.<a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/artigo-de-simone-valio-a-lenda-de-eva-leite-uma-homenagem-ao-mes-do-folclore\/foto-close-27\/\" rel=\"attachment wp-att-6005\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6005\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Foto-close-219x300.jpg\" alt=\"Foto close\" width=\"219\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Simone V\u00e1lio &#8211; Viva Eva! Eva Vive!<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[5051,7992],"class_list":["post-6041","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao","tag-lendas","tag-simone-valio"],"aioseo_notices":[],"views":0,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":6003,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=6003","url_meta":{"origin":6041,"position":0},"title":"Artigo de Simone Valio: &#039;A lenda de Eva Leite&#039; (uma homenagem ao m\u00eas do Folclore)","author":"Helio Rubens","date":"27 de agosto de 2016","format":false,"excerpt":"Simone V\u00e1lio - Viva Eva! 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