{"id":6503,"date":"2016-10-09T21:48:25","date_gmt":"2016-10-10T00:48:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=6503"},"modified":"2016-10-09T21:48:25","modified_gmt":"2016-10-10T00:48:25","slug":"carlos-cavalheiro-artigo-sobre-a-revolucao-de-1932-em-sorocaba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=6503","title":{"rendered":"Carlos Cavalheiro: &#039;Artigo sobre a Revolu\u00e7\u00e3o de 1932 em Sorocaba&#039;"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F6503&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F6503&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h2><strong>Carlos Cavalheiro: &#8216;Artigo sobre a Revolu\u00e7\u00e3o de 1932 em Sorocaba&#8217;\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Prezados amigos:<\/p>\n<div>Sa\u00fade e Paz!<\/div>\n<div>Em anexo, segue o artigo que fiz sobre a participa\u00e7\u00e3o de Sorocaba na Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista de 1932.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Carlos Carvalho Cavalheiro.<\/strong><\/div>\n<div>Historiador<\/div>\n<div>Colunista dos jornais ROL e Tribuna das Mon\u00e7\u00f5es<\/div>\n<div>Colaborador Em\u00e9rito do N\u00facleo MMDC de Itapetininga<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista de 1932 em Sorocaba<\/strong><\/h2>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6504 alignleft\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/image31-186x300.jpg\" alt=\"image31\" width=\"186\" height=\"300\" \/>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Sorocaba era uma importante cidade do interior paulista na d\u00e9cada de 1930, contando com um aglomerado de f\u00e1bricas de tecido de grande porte, al\u00e9m de outros empreendimentos que fizeram a fama da localidade como a \u201cManchester Paulista\u201d.<\/p>\n<p>Entre 1929 e 1930 havia 7574 oper\u00e1rios em Sorocaba, na contabilidade feita pelo registro obrigat\u00f3rio na Pol\u00edcia local, eis que para o \u201ccontrole social\u201d, os trabalhadores eram fichados (CRUZEIRO DO SUL, 21 fev 1929 e 05 fev 1930). Em 1932 o n\u00famero de trabalhadores cresce para 8338, distribu\u00eddos da seguinte forma: a F\u00e1brica t\u00eaxtil de Votorantim possu\u00eda 2818 oper\u00e1rios, a F\u00e1brica Santa Ros\u00e1lia, 878, a F\u00e1brica Santa Maria, 805, a F\u00e1brica Santo Ant\u00f4nio, 1074, a F\u00e1brica S\u00e3o Paulo, 229, a F\u00e1brica Nossa Senhora da Ponte, 941, a F\u00e1brica de Enxadas, 103, a F\u00e1brica de Arreios, 46, a F\u00e1brica de facas e fac\u00f5es, 14 e as Oficinas da Sorocabana, 1430 oper\u00e1rios (CAVALHEIRO, 2001).<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o local era de 78937 habitantes. A cidade, 38775. Na zona rural, 20679 habitantes.\u00a0 Os outros 19483 habitantes estavam distribu\u00eddos nos distritos de Votorantim (5217), Salto de Pirapora (888), Campo Largo (12019) e Brigadeiro Tobias (1359).<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias giravam em torno dos ideais anarquistas e anarcossindicalistas, principalmente, sendo que o comunismo come\u00e7ava a adentrar no meio trabalhador sorocabano.<\/p>\n<p>De outro lado, organiza\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter fascista como a Legi\u00e3o Revolucion\u00e1ria e o Partido Nacional Fascista Italiano e o Dopolavoro tamb\u00e9m se faziam presentes. Em 1931 fundou-se em Sorocaba uma se\u00e7\u00e3o da Frente Negra Brasileira, organiza\u00e7\u00e3o que militava pela valoriza\u00e7\u00e3o social dos negros, especialmente em S\u00e3o Paulo. Do ponto de vista pol\u00edtico partid\u00e1rio, permanecia o ideal liberal e os partidos tradicionais, como o Partido Democr\u00e1tico e o Partido Republicano Paulista, tamb\u00e9m disputavam o poder local.<\/p>\n<p>A eclos\u00e3o do movimento Constitucionalista de 1932 encontrar\u00e1 esse cen\u00e1rio em Sorocaba. Como bem salientou o historiador Boris Fausto, \u201cO movimento de 1932 uniu diferentes setores sociais, da cafeicultura \u00e0 classe m\u00e9dia, passando pelos industriais. S\u00f3 a classe oper\u00e1ria organizada, que se lan\u00e7ara em algumas greves importantes no primeiro semestre de 1932, ficou \u00e0 margem dos acontecimentos\u201d (FAUSTO, 1999, p. 346). Em Sorocaba, os oper\u00e1rios ligados os movimentos de trabalhadores tamb\u00e9m mostravam resist\u00eancia aos apelos para a participa\u00e7\u00e3o na Revolu\u00e7\u00e3o que estourava no dia 9 de julho (CAVALHEIRO, 2001).<\/p>\n<p>Por\u00e9m outros setores da sociedade estiveram engajados no movimento revoltoso. J\u00e1 nos primeiros dias ap\u00f3s a eclos\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o, o jornal Cruzeiro do Sul noticiou:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Movimento Constitucionalista de S. Paulo<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>Em Sorocaba a attitude de S. Paulo foi recebida com justificado jubilo popular, mantendo se o povo na pra\u00e7a cathedral em commentarios favor\u00e1veis. \u00c1 hora do concerto musical a banda executou o hymno nacional, ouvindo-se ao final vibrantes applausos e vivas. A popula\u00e7\u00e3o se mantem em calma e na mais perfeita ordem. E \u00e9 preciso que isso contin\u00fae n\u00e3o s\u00f3 para o socego da fam\u00edlia sorocabana como tamb\u00e9m porque \u00e9 essa uma das melhores maneiras de se concorrer para a causa que nesta hora empolga todos os cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>[&#8230;]<\/p>\n<p>(CRUZEIRO DO SUL, 11 jul 1932, p. 1).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse mesmo dia noticiou-se a espera de 800 pra\u00e7as provindas de Mato Grosso, que seriam alojadas no Teatro S\u00e3o Raphael, em Sorocaba. No dia seguinte, dia 12 de julho de 1932, foi aberto o voluntariado sorocabano com a partida, no mesmo dia, dos primeiros combatentes.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/carlos-cavalheiro-artigo-sobre-a-revolucao-de-1932-em-sorocaba\/1932-boato-1\/\" rel=\"attachment wp-att-6508\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6508 alignleft\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/1932-Boato-1-252x300.jpg\" alt=\"1932-boato-1\" width=\"252\" height=\"300\" \/><\/a>A hist\u00f3ria registrou os seus nomes: Jorge Martins Passos, Francisco Amaral Rogich, Le\u00e3o Amaral Rogich, Rubens Scherepel, Rubens Gon\u00e7alves, \u00c1lvaro Martins Filho, Brasil Melchior, Carmo Scarpa, Hyl\u00e1rio Corr\u00eaa<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, Jos\u00e9 Vieira Rodrigues, Jos\u00e9 Ibrahim Saker, L\u00edbero Mudini, Ov\u00eddio Cattuzzo, Floriano Pacheco e Ary Seabra. Concomitantemente fundou-se a sede do MMDC em Sorocaba, numa sess\u00e3o em que estiveram presentes o prefeito Octac\u00edlio Malheiro, Porphyrio Loureiro, Capit\u00e3o Augusto do Nascimento Filho, Affonso Vergueiro, Jos\u00e9 Carlos Salles Gomes, Hernani Ferreira Braga e Jo\u00e3o Pereira Ign\u00e1cio, este \u00faltimo representando o distrito de Votorantim.<\/p>\n<p>Os primeiros volunt\u00e1rios escreveram uma eloq\u00fcente mensagem aos jovens sorocabanos, incitando-os a tamb\u00e9m partirem para a batalha:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Mensagem de mo\u00e7os<\/strong><\/h2>\n<p>\u00c9 da primeira leva de volunt\u00e1rios mo\u00e7os de Sorocaba a seguinte mensagem a n\u00f3s entregue:<\/p>\n<p>CONTERR\u00c2NEOS: A \u00e9poca \u00e9 de ac\u00e7\u00f5es e n\u00e3o de palavras. Mentir\u00edamos ao nosso honroso t\u00edtulo de Paulistas, se nos deix\u00e1ssemos quedar indifferentes ante os acontecimentos hist\u00f3ricos do momento. Eis porque partimos para a Capital do Estado, dispostos se mister for, a sacrificar a nossa vida em holocausto \u00e1 causa Bandeirante. Ao partirmos, levamos a convic\u00e7\u00e3o de que somos acompanhados pelo vosso benepl\u00e1cito, porque v\u00f3s tamb\u00e9m sois Paulistas. Si, como tudo faz suppor, a causa Paulista for victoriosa, voltaremos satisfeitos de haver cumprido o nosso dever. Si tombarmos no campo da luta e da honra, v\u00f3s conterr\u00e2neos queridos, irei nos substituir!<\/p>\n<p>Gentes conterr\u00e2neas! Juntae as vossas ora\u00e7\u00f5es \u00e1s de nossas m\u00e3es, para que possamos brevemente regressar inc\u00f3lumes, trazendo a nova palpitante do triumpho da causa de nossa terra!<\/p>\n<p>(aa) Hilario Correa \u2013 Ary Seabra \u2013 Jorge M. Passos \u2013 Francisco M. Rogich \u2013 Rubens Gon\u00e7alves \u2013 Rubens Schrepel \u2013 Alvaro Martins Filho.<\/p>\n<p>(CRUZEIRO DO SUL, 13 jul 1932, p. 1).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o \u201cMMDC\u201d de Sorocaba tinha por fim o alistamento de volunt\u00e1rios e era filiada ao Comando Geral da Capital. O Dr. Adhemar de Sousa Queir\u00f3z, nomeado pelo Comando Geral do MMDC de S\u00e3o Paulo, presidiu a sess\u00e3o de funda\u00e7\u00e3o da MMDC de Sorocaba, em 11 de julho de 1932, e da qual participaram ainda o prefeito Octacilio Malheiro, Porphyrio Loureiro, capit\u00e3o Augusto do Nascimento Filho, Dr. Affonso Vergueiro, Dr. Jos\u00e9 Carlos de Salles Gomes, Dr. Hernani Ferreira Braga e o Sr. Jo\u00e3o Pereira Ign\u00e1cio, representante do distrito de Votorantim (ent\u00e3o pertencente a Sorocaba). Durante a Revolu\u00e7\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o \u201cMMDC\u201d ficou instalada em salas da prefeitura municipal.<\/p>\n<p>A velha oligarquia paulista ressentiu-se da falta de exerc\u00edcio na pol\u00edtica nacional. Os mandat\u00e1rios de antes agora estavam no ostracismo. E n\u00e3o eram somente os inimigos pol\u00edticos da Revolu\u00e7\u00e3o. Tanto o PRP quanto o PD paulista estavam relegados a um plano inferior na pol\u00edtica nacional. Em Sorocaba essas duas for\u00e7as, antes opostas, se uniram em prol da Revolu\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Igualmente fizeram os partidos regionais do Rio Grande do Sul, rompendo com Get\u00falio, e formando a Frente \u00danica Ga\u00facha. Com isso, e com a promessa da entrada dos mineiros na revolta, os paulistas animaram-se para a luta.<\/p>\n<p>No dia 13, fundou-se a Caixa Popular, com inten\u00e7\u00e3o de prestar aux\u00edlios aos volunt\u00e1rios pobres. Os estudantes do Gin\u00e1sio Municipal e da Escola Normal (ambos no mesmo pr\u00e9dio) telegrafaram ao governador do Estado:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;<em>Exmo. Sr. Embaixador Pedro de Toledo, muito digno governador de S. Paulo. Normalistas e gymnasianos de Sorocaba, solid\u00e1rios na cruzada patri\u00f3tica de constitucionaliza\u00e7\u00e3o do paiz, hypothecam seu apoio a V.Exa. Sorocaba, 13-7-932.&#8221;<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Criou-se um Batalh\u00e3o Infantil com mais de duzentas crian\u00e7as. Tamb\u00e9m um Batalh\u00e3o Feminino. A col\u00f4nia espanhola realizou um espet\u00e1culo, atrav\u00e9s do G.D. Dicenta<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, apresentado no dia 15 de agosto no Teatro S\u00e3o Jos\u00e9, cuja bilheteria foi destinada a causa paulista. Tamb\u00e9m a mesma col\u00f4nia, atrav\u00e9s da empresa Andr\u00e9 Asensio &amp; Irm\u00e3os, arrecadou alimentos, roupas e dinheiro para o triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o. Os clubes de futebol tamb\u00e9m fizeram a sua parte: o Esporte Clube Sav\u00f3ia, de Votorantim, o extinto Guarany Futebol Clube, o S\u00e3o Paulo Junior, o Sport Club Sorocabano, o Sorocaba-Paulista (reunidos) e o S\u00e3o Bento doaram suas gloriosas ta\u00e7as angariadas em diversos campeonatos. Esse material foi doado para o Material B\u00e9lico das For\u00e7as Constitucionalistas: virou muni\u00e7\u00e3o. Jo\u00e3o Gen\u00e9sio de Luca esteve em Sorocaba arrecadando \u201cutens\u00edlios imprest\u00e1veis de metal\u201d, preferencialmente de cobre, zinco, chumbo e lat\u00e3o.<\/p>\n<p>No dia 16 de julho o prefeito Octac\u00edlio Malheiro renunciou. Em seu lugar, provisoriamente, subiu o capit\u00e3o Augusto C\u00e9sar do Nascimento Filho. Posteriormente assumiu esse cargo o senhor Ernesto de Campos.<\/p>\n<p>A Companhia Nacional de Estamparia, a maior organiza\u00e7\u00e3o industrial sorocabana, ofereceu ajuda financeira aos trabalhadores que se dispusessem partir para o <em>front<\/em>. A mesma Companhia forneceu material para a confec\u00e7\u00e3o de distintivos aos combatentes da MMDC. O jornal Cruzeiro do Sul noticiou que chegou a cifra de 105 os volunt\u00e1rios sorocabanos que pertenciam aos quadros de funcion\u00e1rios das f\u00e1bricas do Comendador Pereira Ign\u00e1cio, o qual garantiu o sal\u00e1rio dos mesmos durante todo o tempo de incorpora\u00e7\u00e3o ao ex\u00e9rcito rebelde (CRUZEIRO DO SUL, 3 set 1932, p. 4).<\/p>\n<p>Muitos dos sorocabanos partiram para Lorena, engajados no Batalh\u00e3o Santos Dumont.<\/p>\n<p>Oficialmente, a Frente Negra n\u00e3o quis participar desse Movimento. Com isso, ocorreu uma divis\u00e3o nessa organiza\u00e7\u00e3o e fundou-se a Legi\u00e3o Negra, respons\u00e1vel pelo alistamento de homens negros que quisessem lutar pela constitucionaliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Com isso, em Sorocaba publicou-se a nota em que deixa claro que \u201cO MMDC acceita inscrip\u00e7\u00f5es dos valorosos homens de cor, para formarem batalh\u00f5es da Legi\u00e3o Negra\u201d (CRUZEIRO DO SUL, 13 ago 1932, p. 1). Sabe-se que dentre os sorocabanos que partiram pela Legi\u00e3o Negra estava o major Jo\u00e3o de Almeida Melces (CAVALHEIRO, 2013).<\/p>\n<p>O Tiro de Guerra de Sorocaba enviou mais 100 homens, segundo os dados informados pelo historiador Alu\u00edsio de Almeida. Sobre o total de sorocabanos que partiram para os campos de batalha nessa Revolu\u00e7\u00e3o, as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o divergentes. Segundo o mesmo historiador Alu\u00edsio de Almeida, os n\u00fameros s\u00e3o bastante discrepantes. Diz o historiador:<\/p>\n<p>Os primeiros volunt\u00e1rios s\u00e3o nitidamente nomes das classes n\u00e3o oper\u00e1rias. Em seguida, todos aderem. O jornal, refletindo a zoada popular, calcula em 2000 o n\u00famero de sorocabanos nas fileiras. O M.M.D.C. ajuda-o nessa exalta\u00e7\u00e3o. Ora, ou as listas quase di\u00e1rias das pessoas que seguiram foram injustamente incompletas ou o total n\u00e3o atingiu a 1000. Mas, 900 ou 950 \u00e9 um n\u00famero imponente (ALMEIDA, 2002, p. 401).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A segunda lista de volunt\u00e1rios sorocabanos contou com os seguintes nomes: Antonio Almeida Filho, Jos\u00e9 d\u2019Ambrosio, Jos\u00e9 Soares, Abilio Soares Filho, Manoel Soares, Jorge Pilar, Jo\u00e3o Lisboa, Oswaldo Fasano, Sylvio Rocha, Germinal Signorelli, Pedro Oliveira e Antonio Antunes Almeida.<\/p>\n<p>Em agosto, o hospital da Santa Casa de Sorocaba serviu quase que exclusivamente aos feridos nos combates. Tamb\u00e9m levantou-se um Hospital provis\u00f3rio no distrito de\u00a0 Votorantim (ALMEIDA, 2002, p. 400).<\/p>\n<p>Apesar da vontade e do empenho dos paulistas, as for\u00e7as federais eram numericamente superiores. Diz o historiador Boris Fausto:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas a superioridade militar dos governistas era evidente. No setor sul, as for\u00e7as do Ex\u00e9rcito contavam com 18 mil homens, al\u00e9m da Brigada Ga\u00facha e outros contingentes menores. Os paulistas n\u00e3o passavam de 8500 homens. As for\u00e7as federais contavam tamb\u00e9m com muni\u00e7\u00e3o suficiente e artilharia pesada, contrastando com a precariedade dos meios \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios. No ar, os paulistas perdiam nitidamente para a avia\u00e7\u00e3o do governo federal. A Revolu\u00e7\u00e3o de 1932 marcou ali\u00e1s o ingresso da avia\u00e7\u00e3o no Brasil como arma de combate, em propor\u00e7\u00f5es consider\u00e1veis.<\/p>\n<p>Apesar do desequil\u00edbrio de for\u00e7as, a luta durou quase tr\u00eas meses. O ataque sobre o territ\u00f3rio paulista foi lan\u00e7ado a partir do sul do estado, da fronteira com Minas Gerais e do Vale do Para\u00edba (FAUSTO, 1999, p. 350).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos primeiros dias de outubro os jornais sorocabanos anunciam o armist\u00edcio. Era o fim da Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista. Aos paulistas, a derrota com sabor de vit\u00f3ria: o Brasil teve a sua Constitui\u00e7\u00e3o promulgada em 1934. Talvez por esse motivo essa seja a \u00fanica Revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o triunfante a receber, em sua homenagem, um feriado estadual.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Carlos Carvalho Cavalheiro<\/p>\n<p>09.10.2016<\/p>\n<p>Historiador<\/p>\n<p>Colunista dos jornais ROL e Tribuna das Mon\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Colaborador Em\u00e9rito do N\u00facleo MMDC de Itapetininga<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ALMEIDA, Alu\u00edsio de. <em>Sorocaba, 3 s\u00e9culos de Hist\u00f3ria. <\/em>Itu: Ottoni, 2002.<\/p>\n<p>CAVALHEIRO, Carlos Carvalho. <em>Salvadora! <\/em>Sorocaba: Crearte, 2001.<\/p>\n<p>______________________. <em>Nossa gente negra. <\/em>Sorocaba: Crearte, 2013.<\/p>\n<p>FAUSTO, Boris. <em>Hist\u00f3ria do Brasil. <\/em>S\u00e3o Paulo: EDUSP, 1999.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jornal Cruzeiro do Sul (Acervo do Gabinete de Leitura Sorocabano).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Em um artigo intitulado \u201cNove de Julho\u201d, o escritor Hil\u00e1rio Correia diz que \u201co primeiro volunt\u00e1rio sorocabano a partir para o front, arrastando atraz de si mais uma d\u00fazia de \u00eamulos (&#8230;) foi este seu amigo e criado\u201d. Hil\u00e1rio Correia foi, portanto, o primeiro a se inscrever como volunt\u00e1rio na Revolu\u00e7\u00e3o de 1932. O artigo citado foi publicado no jornal \u201cO 3 de Mar\u00e7o\u201d, 14 de julho de 1957, 3\u00aa p\u00e1gina.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> \u201cAqueles \u00f3timos novos governantes ca\u00edram ao sopro da Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, com os mesmos que combateram. Juntos se reergueram para a epop\u00e9ia de 1932\u201d. ALMEIDA, Alu\u00edsio de. <em>Mem\u00f3ria Hist\u00f3rica de Sorocaba (IX) \u2013 vol.XXXIX<\/em>, n\u00ba 79. S\u00e3o Paulo: USP, 1969, p. 180.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Gr\u00eamio Dram\u00e1tico Dicenta<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Cavalheiro: &#8216;Artigo sobre a Revolu\u00e7\u00e3o de 1932 em Sorocaba&#8217;\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[1653,7533],"class_list":["post-6503","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao","tag-carlos-cavalheiro","tag-revolucao-de-1932"],"aioseo_notices":[],"views":0,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":6531,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=6531","url_meta":{"origin":6503,"position":0},"title":"Artigos sobre a Revolu\u00e7\u00e3o de 1932 repercutem na regi\u00e3o","author":"Helio Rubens","date":"12 de outubro de 2016","format":false,"excerpt":"Revolu\u00e7\u00e3o C0nstitucionalista de 1932 estudada na regi\u00e3o Os artigos do professor Carlos Carvalho Cavalheiro sobre a participa\u00e7\u00e3o de Porto Feliz na Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista de 1932, publicados pelo jornal eletr\u00f4nico ROL - Regi\u00e3o On Line e pelo jornal impresso\u00a0'Tribuna das Mon\u00e7\u00f5es', de Porto Feliz, repercutiram na regi\u00e3o. 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