{"id":6513,"date":"2016-10-10T07:20:29","date_gmt":"2016-10-10T10:20:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=6513"},"modified":"2016-10-10T07:20:29","modified_gmt":"2016-10-10T10:20:29","slug":"angelo-lourival-ricchetti-continuacao-do-livro-que-conta-a-historia-de-uma-familia-desde-1400-ate-2023-ficcao-com-base-em-documentos-e-narrativas-de-pessoas-reais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=6513","title":{"rendered":"Angelo Lourival Ricchetti:  Continua\u00e7\u00e3o do livro que conta a hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia, desde 1400 at\u00e9 2023. Fic\u00e7\u00e3o com base em documentos e narrativas de pessoas reais"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F6513&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F6513&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h2><strong><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/angelo-lourival-ricchetti-primeira-parte-de-um-livro-que-conta-a-historia-de-uma-familia-desde-1400-ate-2023-ficcao-com-base-em-documentos-e-narrativas-de-pessoas-rais\/angelo-a-08-de-agosto-de-2016-1\/\" rel=\"attachment wp-att-6443\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-6443 alignleft\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Angelo-a-08-de-agosto-de-2016-1-300x225.jpg\" alt=\"angelo-a-08-de-agosto-de-2016-1\" width=\"152\" height=\"114\" \/><\/a>Angelo Lourival Ricchetti: \u00a0Continua\u00e7\u00e3o do livro &#8216;DA ARTE DE SE CRIAR PONTES&#8217;\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>(primeiras partes j\u00e1 publicadas:\u00a0http:\/\/www.jornalrol.com.br\/angelo-lourival-ricchetti-primeira-parte-de-um-livro-que-conta-a-historia-de-uma-familia-desde-1400-ate-2023-ficcao-com-base-em-documentos-e-narrativas-de-pessoas-rais\/)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(continua\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>&#8211; Tudo bem, v\u00f4, \u00e9 um refor\u00e7o para minha aprendizagem.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>A minha prima Laura entra na sala e traz correspond\u00eancia para o Lolou.<\/p>\n<p>&#8211; V\u00f4 tem um formul\u00e1rio aqui para seu preenchimento e tenho de devolver para o mo\u00e7o da Prefeitura de<\/p>\n<p>Itapetininga que trouxe.<\/p>\n<p>&#8211; Me deixa ver.<\/p>\n<p>Ele pega da m\u00e3o da neta, olha, abre um sorriso:<\/p>\n<p>&#8211; Pode deixar Laura que vou l\u00e1 fora com ele para preencher.<\/p>\n<p>O Lolou sai. Olho aquela prima artista e pergunto o que \u00e9 esse formul\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8211; As pessoas que moram aqui em Itapelinda tem um dia agendado para fazer a medi\u00e7\u00e3o na Secretaria de Sa\u00fade<\/p>\n<p>da Prefeitura para avaliar o seu n\u00edvel de sa\u00fade. Depois o v\u00f4 conta mais para voc\u00ea.<\/p>\n<p>&#8211; Mas porque isso n\u00e3o \u00e9 feito por meio da rede social da Prefeitura de Itapetininga?<\/p>\n<p>&#8211; Nem todo mundo usa Internet. Ou porque s\u00e3o velhos demais para isso ou porque s\u00e3o analfabetos digitais.<\/p>\n<p>Fico pensando o que ser\u00e1 isso. Ser\u00e1 que meu v\u00f4 est\u00e1 com alguma doen\u00e7a grave. Creio que ela percebe que n\u00e3o<\/p>\n<p>estou satisfeito com a resposta e continua.<\/p>\n<p>&#8211; Eu tamb\u00e9m tenho o meu dia para isso. Voc\u00ea tamb\u00e9m devia ter, mas agora mora em S\u00e3o Paulo&#8230;<\/p>\n<p>Ela d\u00e1 um sorriso meio triste meio alegre e sai. Que Itapelinda \u00e9 essa que eu n\u00e3o conhe\u00e7o mais?<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>(Cap\u00edtulo segundo)<\/p>\n<p>Abro no computador do Lolou agora v\u00e1rios textos do pai dele Uth Ricchetti. O primeiro tem como t\u00edtulo<\/p>\n<p>\u201cPr\u00f3logo\u201d e me parece que deve ter sido escrito pelo pr\u00f3prio Lolou Ricchetti.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Pr\u00f3logo \u2013 Imaginando&#8230;<\/p>\n<p>A banda, com a reg\u00eancia do maestro Angelo Ricchetti, no coreto no centro do jardim principal de S\u00e3o Manuel,<\/p>\n<p>Estado de S\u00e3o Paulo, Brasil, termina a valsa Dan\u00fabio Azul e a crian\u00e7ada que roda em volta do coreto no<\/p>\n<p>compasso da valsa, vai ao encontro de seus familiares sentados nos bancos ao redor do coreto.<\/p>\n<p>Uma jovem chega apressada, quase sem f\u00f4lego: Pai, pai, nasceu! \u00c9 um bambino! O maestro abre um meio<\/p>\n<p>sorriso e bate com a batuta no suporte onde jaz a partitura:<\/p>\n<p>&#8211; Senhores m\u00fasicos, minha filha Linda diz que meu novo filho \u00e9 nascido! Mas vamos continuar a alegrar os<\/p>\n<p>adultos e crian\u00e7as aqui com nossa m\u00fasica!<\/p>\n<p>Os m\u00fasicos aprontam seus instrumentos, sorrindo e se entreolhando.<\/p>\n<p>Angelo Ricchetti, empunhando a batuta vai se lembrando dos filhos todos e agora mais este. Desde a It\u00e1lia, das<\/p>\n<p>v\u00e1rias viagens, indo e voltando, a primeira vez, sozinho, depois trazendo a esposa e filha Linda, levando<\/p>\n<p>Henrique, o primeiro filho macho a conhecer sua terra, trazendo os instrumentos musicais, formando esta<\/p>\n<p>banda, trazendo m\u00fasica para os italianos desta terra.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Agora localizo no computador do v\u00f4 Lolou um conjunto sequencial de textos do Uth Ricchetti.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>(Primeiro texto do Uth Ricchetti).<\/p>\n<p>Eu, Uth Ricchetti, nascido no dia 11 de outubro de 1911 em S\u00e3o Manuel. No exato momento em que eu vinha<\/p>\n<p>ao mundo, meu pai, que era maestro, estava ensaiando a primeira banda de minha terra natal. Foi o meu<\/p>\n<p>nascimento na Rua 15 de novembro, n\u00ba 112 (hoje a casa foi demolida e em seu lugar h\u00e1 um grande<\/p>\n<p>supermercado). Meu pai chamava-se Angelo Ricchetti \u2013 o maestro como era conhecido. Foi tamb\u00e9m jornalista,<\/p>\n<p>sendo diretor-gerente do jornal \u201cO Movimento\u201d. Minha m\u00e3e era de prendas domesticas como se falava<\/p>\n<p>naqueles tempos. Minha Santa M\u00e3e chamava-se Maria Joana, Teve seis filhos: &#8211; Linda, nascida na It\u00e1lia,<\/p>\n<p>Henrique, Fausto, Helena, Herm\u00ednio e eu, o ca\u00e7ula de todos. Os cinco samanuelenses.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Volto no dia seguinte e espero por Lolou. Ele chega de sua caminhada matinal e deita-se na cama ao lado do<\/p>\n<p>computador. Abro o arquivo e pergunto como ele sabe sobre esse coreto e esse nascimento.<\/p>\n<p>Ele informa que sempre as crian\u00e7as e os pais e parentes, bem como as bandas de m\u00fasica, eram assim. Conclui:<\/p>\n<p>&#8211; Quer dizer, ao menos eu me lembro de mim desde muito cedo pulando ao redor do coreto enquanto a banda<\/p>\n<p>tocava. Tamb\u00e9m me lembro de quando saia de S\u00e3o Paulo Capital e vinha visitar meus pais, de ver as crian\u00e7as,<\/p>\n<p>fam\u00edlias, bandas agindo dessa forma. Talvez at\u00e9 hoje seja assim.<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o voc\u00ea inventou essa cena! Como poderia saber desse fato depois do nascimento e como realmente<\/p>\n<p>aconteceu?<\/p>\n<p>Meu v\u00f4 d\u00e1 um sorriso maroto:<\/p>\n<p>&#8211; Deve ter sido assim mesmo como eu imaginei. Ou voc\u00ea acredita que a verdade n\u00e3o pode ser inventada? (Fico<\/p>\n<p>sem gra\u00e7a) Se \u00e9 para inventar ent\u00e3o vamos inventar s\u00f3 o que foi bom, vamos esquecer tudo de mal que<\/p>\n<p>aconteceu.<\/p>\n<p>&#8211; Esconder as ruindades? Eu pergunto irritado. Nada disso, me conte tudo sem esconder nada! Meu av\u00f4 larga o<\/p>\n<p>corpo no sof\u00e1:<\/p>\n<p>&#8211; Que seja ent\u00e3o! Mas que ningu\u00e9m fique sabendo. Olhe l\u00e1! E, por falar nisso, quem disse que voc\u00ea pode ficar<\/p>\n<p>lendo os arquivos do meu pai?<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea pediu para eu organizar seus velhos arquivos. Como posso fazer isso sem ler ou ver?<\/p>\n<p>&#8211; Como assim sem ver?<\/p>\n<p>Explico para ele que h\u00e1 muitas fotos bem interessantes e garanto que ningu\u00e9m mais vai ver esses textos e fotos.<\/p>\n<p>&#8211; Certo! Mas eu n\u00e3o quero que ningu\u00e9m mais leia!<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Meu av\u00f4 est\u00e1 com 83 anos e eu fa\u00e7o 21 anos daqui a pouco. Ele deve saber mesmo das coisas mais do que eu.<\/p>\n<p>Deve saber que eu o respeito muito, embora discorde muito dele em certas coisas.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>De repente fa\u00e7o uma descoberta extraordin\u00e1ria:<\/p>\n<p>&#8211; Essa noite de 11 de outubro de 1911 foi tamb\u00e9m quando tudo come\u00e7ou para mim!<\/p>\n<p>Meu av\u00f4 franze a testa:<\/p>\n<p>&#8211; Como assim?<\/p>\n<p>&#8211; Se meu bisav\u00f4 n\u00e3o tivesse nascido seus filhos, seu pai, voc\u00ea mesmo tamb\u00e9m n\u00e3o teriam nascido. Muito menos<\/p>\n<p>minha m\u00e3e, sua filha e, portanto, eu!<\/p>\n<p>Lolou d\u00e1 uma risada e me d\u00e1 um tapa na minha cabe\u00e7a:<\/p>\n<p>&#8211; Imagine ent\u00e3o o seu tatarav\u00f4 Angelo Ricchetti e antes dele outros Ricchetti se n\u00e3o tivessem nascido! Deixa de<\/p>\n<p>gra\u00e7a! Continue vendo os textos do meu pai Uth, se quiser.<\/p>\n<p>&#8211; Que nome estranho, eu digo, nunca encontrei algu\u00e9m com esse nome. V\u00f4 me conta porque o maestro colocou<\/p>\n<p>no seu filho esse nome.<\/p>\n<p>&#8211; Esse \u00e9 o nome arcaico da nota d\u00f3, de d\u00f3, r\u00e9, mi, etc. Cada nota representava pelo monge beneditino franc\u00eas<\/p>\n<p>chamado Guido de Arezzo, nascido nos fins do s\u00e9culo X, que aproveitou um hino cantado em louvor a S\u00e3o<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Batista.<\/p>\n<p>Em suas estrofes eram cantados os seguintes versos em latim:<\/p>\n<p>\u201cUt quant laxis \/ Resonare fibris \/ Mira gestorum \/ Famuli tuorum \/ Solve polluti \/ Labii reatum \/ Sancte Iohannesa.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o aproveitou o come\u00e7o de cada estrofe. Dizem tamb\u00e9m que as notas eram criadas pelo inicio do nome de<\/p>\n<p>uma cidade da Alemanha. Uth vem de Utrecht.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a verdade? N\u00e3o sei. Escute aqui: voc\u00ea veio para organizar os arquivos no meu computador ou para<\/p>\n<p>conversar?<\/p>\n<p>De fato ele me chamou para dar um jeito na bagun\u00e7a que ficou sendo os arquivos no velho computador dele.<\/p>\n<p>Continuo ficando sem gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Ele se levanta da poltrona dizendo:<\/p>\n<p>Vamos tomar o caf\u00e9 refor\u00e7ado que a Amanda preparou. Depois continuamos.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Volto sozinho para o quarto porque chegaram v\u00e1rias pessoas da prefeitura e ele est\u00e1 l\u00e1 fora conversando com<\/p>\n<p>eles. Vou ler novos arquivos. Preciso ler, sen\u00e3o como vou organizar essa bagun\u00e7a?<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>(Segundo texto do Uth Ricchetti).<\/p>\n<p>At\u00e9 aos oito anos moramos na Rua 15 de novembro, n\u00ba 112. Ao lado da resid\u00eancia a tipografia donde sa\u00eda o<\/p>\n<p>jornal \u201cO Movimento\u201d. Nessa casa passei por alegres momentos, mas foi um caso triste que se deu ali que<\/p>\n<p>muito me marcou.<\/p>\n<p>Era uma tarde chuvosa. Meu irm\u00e3o Fausto e uns amigos tinham ligado um fio na instala\u00e7\u00e3o da luz para<\/p>\n<p>tomarem choques. O fio ficava no quintal perto do varal de roupas. Como a chuva era de vento o tal fio<\/p>\n<p>encostou-se ao varal e eu que estava por perto, fui jogado no ch\u00e3o. Minha m\u00e3e pensou que meu amigo tivesse<\/p>\n<p>me empurrado e como estivesse estendendo as roupas correu para mim para me socorrer; nesse momento ficou<\/p>\n<p>presa no varal e n\u00e3o p\u00f4de sair dali.<\/p>\n<p>Eu fiquei pasmo, chocado mesmo. N\u00e3o sabia o que fazer. Foi um corre-corre, uma gritaria e ningu\u00e9m tirava<\/p>\n<p>minha m\u00e3e do fio. Foi um companheiro de meu pai, chamado Lu\u00eds Leonardi que teve a ideia de quebrar o p\u00e9<\/p>\n<p>duma mesa velha e atirar no fio e no varal at\u00e9 que ambos partiram e minha m\u00e3e caiu no ch\u00e3o muito queimada.<\/p>\n<p>Ficou dias enrolada em folhas de bananeiras. Tudo isso marcou muito os meus oito anos.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>N\u00e3o aguento mais esse velho computador. \u00c9 muito lento. Aproveito para sair e comprar um equipamento mais<\/p>\n<p>adequado.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Depois do almo\u00e7o Lolou tira uma soneca. Quando volto, ele ainda est\u00e1 deitado. Come\u00e7o a desmontar aquele<\/p>\n<p>monte de fia\u00e7\u00e3o do velho computador. Coloco a m\u00e1quina de lado para instalar um novo micro computador que<\/p>\n<p>nem precisa dessas fia\u00e7\u00f5es todas.<\/p>\n<p>Pego a velha m\u00e1quina e saio com ela. De repente ou\u00e7o um grito e percebo meu v\u00f4 correndo atr\u00e1s de mim.<\/p>\n<p>&#8211; Volte aqui com meu computador!<\/p>\n<p>N\u00e3o adianta eu acelerar o passo porque ele vem feroz atr\u00e1s de mim. Paro e o enfrento:<\/p>\n<p>&#8211; Eu troquei por um micro computador mil vezes melhor!<\/p>\n<p>Ele arranca de minha m\u00e3o o seu velho computador e entra no seu quarto. Vou atr\u00e1s dele.<\/p>\n<p>&#8211; Agora tira esse neg\u00f3cio ai e p\u00f5e de novo meu computador para funcionar!<\/p>\n<p>Ele est\u00e1 gritando. Eu devia ter antes o convencido. Muito aborrecido instalo de novo o velho, depois de tirar o<\/p>\n<p>novo.<\/p>\n<p>Ele fica satisfeito. E eu come\u00e7o a rir lembrando de um velho correndo atr\u00e1s de um jovem e gritando!<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Vou olhando os arquivos dele com ele sempre atento para ver se n\u00e3o vou fazer a troca de novo. Desconfiado<\/p>\n<p>acompanha a minha leitura dos arquivos.<\/p>\n<p>&#8211; Veja meu neto como voc\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o teria nascido se sua bisav\u00f3 tivesse morrido antes. Observe tamb\u00e9m<\/p>\n<p>como meu tio Fausto era um menino terr\u00edvel! Quem diria que depois seria um dos mais altos funcion\u00e1rios do<\/p>\n<p>Governo Paulista! Aquele pr\u00e9dio enorme em S\u00e3o Paulo que \u00e9 a Secretaria Estadual da Fazenda, em estilo<\/p>\n<p>nazista (naquele tempo quase todo mundo era nazista) foi constru\u00eddo e administrado por ele! O irm\u00e3o dele era o<\/p>\n<p>Delegado Dr. Jos\u00e9 Wilson Ricchetti e foi um dos melhores e mais corajosos da Pol\u00edcia Paulista.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Cap\u00edtulo terceiro<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Quando v\u00f4 Lolou me conta sobre a fam\u00edlia, percebo a import\u00e2ncia desses escritos nesses arquivos. Pergunto<\/p>\n<p>com ele descobriu esses arquivos. Eis o relato que ele me faz:<\/p>\n<p>&#8211; Meu pai e minha m\u00e3e moraram na minha casa em Itapetininga, Estado de S\u00e3o Paulo, Brasil, por um tempo.<\/p>\n<p>Depois eles foram para a casa da minha irm\u00e3 Vera Maria, casada com Jos\u00e9 Carlos Meneguelli, em um sitio no<\/p>\n<p>alto da serra, antes de chegar a Bertioga. L\u00e1, ele veio a falecer.<\/p>\n<p>Depois de algum tempo, indo visitar minha m\u00e3e, agora na casa de minha irm\u00e3 e meu cunhado na praia, em<\/p>\n<p>Bertioga, me mostraram o que ela havia escrito uma esp\u00e9cie de ajuda \u00e0s pessoas que gostam de palavras<\/p>\n<p>cruzadas, o que ela fazia com muita per\u00edcia e assiduidade. Um dos filhos da Vera Maria havia passado a limpo<\/p>\n<p>pelo computador.<\/p>\n<p>Havia tamb\u00e9m tr\u00eas cadernos escolares, com a letra de minha m\u00e3e. Neles, minha m\u00e3e escrevia o que meu pai<\/p>\n<p>ditava a ela, sobre a vida de ambos, gra\u00e7as \u00e0 mem\u00f3ria prodigiosa dele. Abri o primeiro dos cadernos e na capa<\/p>\n<p>estava escrito:<\/p>\n<p>1\u00ba caderno, abaixo as letras LCMR, as iniciais do nome completo de minha m\u00e3e: Lucila de Campos Mello Ricchetti, mais<\/p>\n<p>embaixo ainda: S\u00e3o Manuel 1984. Na primeira contra capa: Se a vida lhe der um lim\u00e3o, fa\u00e7a uma limonada. Lucila de<\/p>\n<p>Campos Mello Ricchetti, 1984 \u2013 13 de 11 de 1984 &#8211; S\u00e3o Manuel.<\/p>\n<p>Mais embaixo:<\/p>\n<p>Quem sabe faz a hora&#8230; N\u00e3o espera acontecer.<\/p>\n<p>\u00c9 uma das frases da letra da m\u00fasica de Geraldo Vandr\u00e9, Para N\u00e3o Dizer Que N\u00e3o Falei Das Flores considerada<\/p>\n<p>pelos ditadores militares de 1964 como impr\u00f3pria e proibida. Esta \u00e9 a \u00fanica men\u00e7\u00e3o sobre a ditadura militar e<\/p>\n<p>mencionado pela minha m\u00e3e Lucila.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Geraldo Vandr\u00e9 - Pra n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei das Flores\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1KskJDDW93k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Nesse instante minha m\u00e3e Carla me interrompe dizendo que preciso acompanha-la at\u00e9 a feira semanal para<\/p>\n<p>comprar frutas e verduras. Pe\u00e7o licen\u00e7a para o v\u00f4 e saio com ela.<\/p>\n<p>A feira em Itapelinda se realiza em v\u00e1rios pontos da cidade, mas a do centro, ao lado das Escolas pioneiras em<\/p>\n<p>forma\u00e7\u00e3o de professores, em 1900 e pouco, \u00e9 a maior de todas, tanto na de quinta feira como a de domingo.<\/p>\n<p>Enquanto caminho com as sacolas e minha m\u00e3e vai selecionando os produtos junto aos pequenos agricultores<\/p>\n<p>em suas barracas, ela me explica:<\/p>\n<p>&#8211; Kain\u00e3, n\u00f3s n\u00e3o temos mais verduras, frutas, legumes e outros alimentos nos mercados, mercadinhos e<\/p>\n<p>supermercados.<\/p>\n<p>&#8211; Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Ela apanha um p\u00e9 de alface.<\/p>\n<p>&#8211; Veja que beleza! A prefeitura n\u00e3o deseja e faz propaganda que n\u00e3o compremos produtos que s\u00e3o resultados de<\/p>\n<p>terras com agro t\u00f3xico ou produtos que venham de outras proced\u00eancias.<\/p>\n<p>Ela me mostra o p\u00e9 de alface.<\/p>\n<p>&#8211; Este alface aqui faz bem para a sa\u00fade, \u00e9 um alimento produzido de forma natural, org\u00e2nica, sem uso de \u00e1gua<\/p>\n<p>fluoretada e \u00e9 aqui mesmo no munic\u00edpio. Perceba tamb\u00e9m que n\u00e3o h\u00e1 mais aves abatidas. Qualquer animal ou<\/p>\n<p>ave sofre para morrer e depois n\u00f3s nos alimentarmos deles. Isso n\u00e3o \u00e9 justo!<\/p>\n<p>Eu acredito na minha m\u00e3e Carla por dois motivos: ela sempre trabalhou na \u00e1rea de sa\u00fade e sabe o que \u00e9 bom. E<\/p>\n<p>o segundo motivo \u00e9 por ela ser minha m\u00e3e! O que acho estranho \u00e9 a prefeitura fazer propaganda para n\u00e3o<\/p>\n<p>comprar produtos que venham de fora.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Voltando para a casa do v\u00f4 Lolou ele se levanta e vai at\u00e9 uma c\u00f4moda com v\u00e1rias gavetas e retira uns cadernos<\/p>\n<p>velhos que me mostra.<\/p>\n<p>&#8211; Levei esses cadernos para Itapetininga e durante v\u00e1rios anos ficaram esquecidos em uma gaveta no meu<\/p>\n<p>quarto. Um domingo, sem nada para fazer, resolvi come\u00e7ar a ler. Fiquei admirado pelo portugu\u00eas correto, para<\/p>\n<p>a \u00e9poca em que foi escrito, a letra muito leg\u00edvel de minha m\u00e3e, a vida do meu pai, dela, dos Ricchetti sendo<\/p>\n<p>narrada por ele de forma instigante, compondo um documento de uma vida sofrida, uma vida de lutas, de um<\/p>\n<p>amor imposs\u00edvel ente ambos.<\/p>\n<p>Com todos seus defeitos e enganos ele e minha m\u00e3e haviam lutado contra a fome, a pobreza e isso por tr\u00eas<\/p>\n<p>vezes seguidas, quando perduram tudo!<\/p>\n<p>&#8211; Leu todos os textos? Eram muito longos?<\/p>\n<p>&#8211; Eu lia com dificuldade por chorar ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Olho espantado para ele.<\/p>\n<p>&#8211; Homem n\u00e3o chora!<\/p>\n<p>&#8211; Homem que \u00e9 homem chora sim. Deixa de ser machista, Kain\u00e3. Eu chorava porque lembrava bem de muitos<\/p>\n<p>dos fatos, das pessoas. Resolvi que haveria de publicar, com a permiss\u00e3o de todos os envolvidos. Mal sabia o<\/p>\n<p>quanto essa tarefa ia exigir de mim, enfrentar minha pr\u00f3pria vida e como seria necess\u00e1rio eu dialogar com esses<\/p>\n<p>textos que emergiam dos tr\u00eas cadernos escolares.<\/p>\n<p>Sabe? Muitas quest\u00f5es surgiam. Qual \u00e9 a hist\u00f3ria dessa fam\u00edlia? Quem s\u00e3o os Ricchetti? Onde moram de onde<\/p>\n<p>vieram, como foram se formando e se espalhando pelo mundo?<\/p>\n<p>Pedi aos meus dois filhos, Leon Francisco, seu pai com 15 anos, e Amanda, com 14 anos, para digitarem os<\/p>\n<p>textos dos tr\u00eas cadernos. Depois comecei a colocar notas de p\u00e9 de p\u00e1gina que ajudassem no entender dos fatos e<\/p>\n<p>situa\u00e7\u00f5es que meu pai descrevia.<\/p>\n<p>Resolvi usar o Orkut, uma antiga ferramenta para rede social que n\u00e3o existe mais e pelo qual perdi grande parte<\/p>\n<p>de textos e fotos dos Ricchetti e assemelhados, para procurar por mais pessoas com esse sobrenome, mesmo<\/p>\n<p>com grafias modificadas.<\/p>\n<p>Para minha surpresa, a grafia do sobrenome se apresentava de v\u00e1rias formas: Ricchetti, Richetti, Riquetti,<\/p>\n<p>Riquet&#8230; Parece que a pessoa encarregada de fazer o registro de filhos, junto \u00e0 Igreja e aos cart\u00f3rios, conforme<\/p>\n<p>ouvia, escrevia esse sobrenome, da\u00ed terem tantas grafias diferentes, mas assemelhadas.<\/p>\n<p>Pelo Google, site de sistema de buscas, eu encontrei dados da fam\u00edlia desde 1600, tanto na It\u00e1lia, como na<\/p>\n<p>Fran\u00e7a. Usando o Orkut, localizei e convidei muitos com esses sobrenomes, criando uma p\u00e1gina e uma<\/p>\n<p>comunidade com acessos reservados apenas aos membros das fam\u00edlias com esses sobrenomes. Dei o nome de<\/p>\n<p>Projeto Hist\u00f3ria da Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Minha tia Amanda vem nos chamar para almo\u00e7ar. Como quase todo trabalho hoje em dia \u00e9 feito ela trabalha<\/p>\n<p>virtualmente em casa mesmo fazendo servi\u00e7os on line. Mesmo assim consegue tempo para cozinhar. E, melhor<\/p>\n<p>de tudo, faz pratos maravilhosos! Uma \u00f3tima \u201cchef de cousine\u201d ela seria trabalhando em algum restaurante<\/p>\n<p>famoso. Mas fica por aqui mesmo para cuidar do v\u00f4 Lolou e da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Depois do almo\u00e7o, na sala de estar, v\u00f4 Lolou continua a falar:<\/p>\n<p>&#8211; Pelo visto haviam membros da Fam\u00edlia Ricchetti em v\u00e1rios pa\u00edses, em v\u00e1rios Estados do Brasil. Alguns eram<\/p>\n<p>m\u00fasicos, artistas, outros jogadores de futebol, da Argentina, da It\u00e1lia, havia at\u00e9 mesmo um assassino, junto com<\/p>\n<p>a esposa, em um crime que abalou os Estados Unidos da Am\u00e9rica, crime a mando da Cosa Nostra, que fizeram<\/p>\n<p>por estarem desempregados, na grande recess\u00e3o de 1929. Haviam emboscado e matado um agente do FBI, em<\/p>\n<p>Kansas.<\/p>\n<p>Havia muitos da fam\u00edlia em New York. Na It\u00e1lia, para minha surpresa, achei um deles famoso rabino, o<\/p>\n<p>principal, o que me faz sentir que talvez sejamos judeus, espalhados pela di\u00e1spora pelo mundo todo h\u00e1 muitos<\/p>\n<p>s\u00e9culos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Comecei a conversar com as pessoas de modo a localizar onde moravam no momento no Brasil e em outros<\/p>\n<p>pa\u00edses, bem como, sobre os antepassados.<\/p>\n<p>A minha hip\u00f3tese era: ser\u00e3o todos membros de um mesmo tronco? Chamo de \u201ctronco\u201d, pois precisaria fazer<\/p>\n<p>uma \u201c\u00e1rvore\u201d geneal\u00f3gica. N\u00e3o tenho todos os dados para montar essa \u00e1rvore.<\/p>\n<p>Mais tarde conto minha ida a Cascavel, no Paran\u00e1, em um encontro de todos os membros da fam\u00edlia do sul do<\/p>\n<p>Brasil. Mas todos descendem de outro Ricchetti que chegou ao Rio Grande do Sul, vinte anos antes do meu av\u00f4<\/p>\n<p>Angelo. Somos parentes? Ser\u00e1? Ele se chamava Pasquale Richetti e sua esposa Maria Margherita Corona.<\/p>\n<p>Chegaram a Caxias do Sul em janeiro de 1877 vindo de Cesiomaggiori, Beluno, Italia.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o consegui resolver sobre essa quest\u00e3o. Aprendi muito sobre meu av\u00f4 e av\u00f3, pois v\u00e1rios parentes<\/p>\n<p>foram \u00e0 busca de dados sobre ele e sua esposa. Tamb\u00e9m h\u00e1 muitas fotos, documentos. Enfim, fiquei aturdido<\/p>\n<p>pelo tamanho prov\u00e1vel que o projeto poderia acontecer, tanto como texto impresso, como texto digital reunindo<\/p>\n<p>v\u00e1rias aplicativos como fotos, v\u00eddeos, grava\u00e7\u00f5es de voz, etc.<\/p>\n<p>Essa forma digital eu propus para os mais jovens. Assim eles poder\u00e3o registrar a vida de sua pr\u00f3pria fam\u00edlia ao<\/p>\n<p>mesmo tempo em que acontece. Nascimentos, casamentos, mortes, cidades, pa\u00edses, acontecimentos relevantes<\/p>\n<p>ou significativos.<\/p>\n<p>-Bem interessante v\u00f4 Lolou.<\/p>\n<p>&#8211; Pois \u00e9&#8230; Sabendo dos antepassados, o que fizeram de bem para a fam\u00edlia e tamb\u00e9m para a comunidade, a<\/p>\n<p>p\u00e1tria, pode-se construir uma vida melhor, com mais \u00e9tica.<\/p>\n<p>&#8211; E os mais jovens fizeram isso?<\/p>\n<p>&#8211; Infelizmente apenas algumas pessoas seguiram minha orienta\u00e7\u00e3o. Tenho algumas planilhas com esses dados,<\/p>\n<p>quase um modelo de genealogia, tamb\u00e9m alguns arquivos. Mas \u00e9 pouca coisa.<\/p>\n<p>Depois n\u00e3o tive mais tempo para me comunicar com todos e voc\u00ea vai perceber que h\u00e1 muitos dados<\/p>\n<p>incompletos e mesmo falta de dados dos parentes. Pior de tudo que eu perdi as fontes dos dados.<\/p>\n<p>Vov\u00f4 Lolou se entristece. Para de falar e fica olhando para o vazio. Aproveito e vou trabalhar um pouco mais<\/p>\n<p>nos arquivos. Fico entretido com isso e nem reparo as horas passarem at\u00e9 que minha tia Amanda vem chamar a<\/p>\n<p>gente para jantar. Minha tia Amanda faz uma sopa de feij\u00e3o maravilhosa!<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Sento-me ao lado da minha prima Mariana. Enquanto jantamos ela puxa conversa.<\/p>\n<p>&#8211; Est\u00e1 namorando Kain\u00e3?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o. E voc\u00ea?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o tenho tempo. Toda hora viajo por causa dos desfiles de modas. S\u00f3 namoros bem curtos.<\/p>\n<p>E minha prima me olha com o canto dos olhos de modo malicioso. Fico quieto e n\u00e3o revelo que estou de olho<\/p>\n<p>em uma jovem l\u00e1 na Faculdade.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>De volta do jantar, V\u00f4 Lolou e eu vamos nos sentar nos bancos da pracinha no Jardim Deise, em frente de sua<\/p>\n<p>casa. Est\u00e1 uma noite gostosa, c\u00e9u escuro, muitas estrelas brilhando, perfume maravilhoso das flores da noite.<\/p>\n<p>Vov\u00f4 se sente bem e expressa isso:<\/p>\n<p>&#8211; Eu gosto de estar nesta pra\u00e7a. Antes n\u00e3o. N\u00e3o sei o que se modificou ou o que eu me modifiquei. Sinto que ela<\/p>\n<p>\u00e9 importante para mim. Antes eu a via apenas como pintura, as muitas cores do verde, a ilumina\u00e7\u00e3o, fotografava<\/p>\n<p>as v\u00e1rias \u00e1rvores. Era um sentimento est\u00e9tico. Mas agora \u00e9 emocional.<\/p>\n<p>Eu pergunto por que o pai dele e outros da fam\u00edlia vieram para o Brasil. Ele explica a forme que se seguiu ap\u00f3s<\/p>\n<p>as guerras para a unifica\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios reinos, nascendo o novo estado italiano, provou um \u00eaxodo de imigrantes.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a partir de 1860, e com o apoio do governo brasileiro, desejando substituir o trabalho escravo por<\/p>\n<p>trabalhadores de outros pa\u00edses, se iniciou a vinda de levas e levas de italianos. No caso do meu av\u00f4 Angelo n\u00e3o<\/p>\n<p>consta registro dos vapores que traziam imigrantes, logo ele deve ter vindo com recursos financeiros de sua<\/p>\n<p>fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Ele faz uma pausa, fecha os olhos e descansa um pouco. De repente, abre os olhos e me pergunta:<\/p>\n<p>&#8211; Qual o fato mais antigo que voc\u00ea se lembra?<\/p>\n<p>Penso um pouco e respondo:<\/p>\n<p>&#8211; Quando tinha 4 ou 5 anos e vinha brincar com a Mariana aqui na sua casa.<\/p>\n<p>&#8211; Ah! Ele diz sorrindo, a Mariana primeira minha neta menina, muito linda, agora com 20 anos j\u00e1 brilhando<\/p>\n<p>como modelo nas passarelas.<\/p>\n<p>&#8211; E voc\u00ea v\u00f4 de que se lembra?<\/p>\n<p>Ele fecha os olhos, parece sonhar e me conta:<\/p>\n<p>&#8211; Lembro bem quando estava no colo da minha m\u00e3e subindo pela cal\u00e7ada do jardim da cidade e vendo os<\/p>\n<p>arbustos sendo passados para traz. Devia ter poucos meses&#8230; Se n\u00e3o me engano t\u00ednhamos ido ao Cine Paratodos<\/p>\n<p>ver um filme. Acho que desde aquele momento fiquei fascinado por cinema.<\/p>\n<p>Lembro tamb\u00e9m do meu pai me levando ao matadouro para tomar sangue quente do boi matado na hora!<\/p>\n<p>&#8211; Nossa! Que horror v\u00f4! Por que isso? Lolou me explica:<\/p>\n<p>&#8211; Eu nasci antes de completar os nove meses quando minha m\u00e3e levou um tombo, nasci bem fraco e foi preciso,<\/p>\n<p>nos primeiros anos de vida uma alimenta\u00e7\u00e3o suplementar, at\u00e9 que aos quatro anos Dr. Rugai, m\u00e9dico da<\/p>\n<p>fam\u00edlia, recomendou tomar copo de sangue algumas vezes.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se foi isso mesmo, quem me contou e n\u00e3o me lembro bem se tudo isso aconteceu.<\/p>\n<p>Pode ter sido inven\u00e7\u00e3o do meu pai ou da minha m\u00e3e. Mas o fato \u00e9 que fiquei forte feito um touro! Costumava<\/p>\n<p>erguer meus irm\u00e3os com um bra\u00e7o apenas! Minha m\u00e3e Lucila dizia que eu era como seu irm\u00e3o Fernando que<\/p>\n<p>morava no Paran\u00e1 e de t\u00e3o forte, erguia um caminh\u00e3o sozinho!<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Leio um pouco mais dos textos dos arquivos enquanto meu v\u00f4 Lolou dorme assistindo televis\u00e3o. N\u00e3o sei por<\/p>\n<p>que ele liga a televis\u00e3o apenas para dormir com ela ligada. Percebo que meu av\u00f4 faz coment\u00e1rios aos p\u00e9s das<\/p>\n<p>p\u00e1ginas sobre o que lia. Eis o que leio do terceiro texto do meu bisav\u00f4 Uth Ricchetti:<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>(Terceiro texto do Uth).<\/p>\n<p>Nasci, andei, falei ouvindo m\u00fasica.<\/p>\n<p>Aos oito anos mudamos de casa, por\u00e9m, na mesma Rua 15 de Novembro. Um ponto muito bom, perto de uma<\/p>\n<p>linda pra\u00e7a, que at\u00e9 hoje existe. Essa casa era de esquina e a outra rua chamava Rua Gomes de Faria. Ainda<\/p>\n<p>est\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n<p>Casa assobradada. Fazia parte do antigo \u201cHotel Leite\u201d. Na parte de cima ficavam seis quartos. Meus irm\u00e3os<\/p>\n<p>ocupavam cada um o seu quarto. Na parte de baixo ficava a tipografia. A tipografia estava dividida em tr\u00eas<\/p>\n<p>sal\u00f5es na descida da Rua Gomes de Faria. No primeiro sal\u00e3o ficavam as m\u00e1quinas menores, no do meio<\/p>\n<p>ficavam as caixas dos tipos para fazer os impressos e para o jornal, no terceiro sal\u00e3o a m\u00e1quina grande onde<\/p>\n<p>faziam o jornal (\u201cO Movimento\u201d).<\/p>\n<p>Ali trabalhavam os seguintes tip\u00f3grafos: &#8211; Miguel Donatelli, (que era o gerente, hoje falecido), Vicente Viana,<\/p>\n<p>Antonio Di Nardo, Orlando Moratelli, Rodolfo Bacchiega e Antonio Francisco. Por motivo de maiores ganhos,<\/p>\n<p>os senhores Miguel Donatelli e Vicente Viana montaram outra tipografia em sociedade com os irm\u00e3os<\/p>\n<p>Faschietti (Ciro e Nando) que tamb\u00e9m eram donos de a\u00e7ougues.<\/p>\n<p>A tipografia Ricchetti continuou com os outros e mais os novos que vieram aprender o of\u00edcio. Um deles foi<\/p>\n<p>Bento Pais de Campos Mello, filho de Bento de Campos Mello e Maria Elisa Arruda Leite Campos Mello.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m vieram aprender Jo\u00e3o Mota Macedo (com oito anos), Francisco Borges (oito anos) os quais se<\/p>\n<p>tornaram meus amigos.<\/p>\n<p>Com Bento Pais de Campos Mello, conheci em sua casa, sua irm\u00e3. Uma menina de oito anos (e eu contava<\/p>\n<p>nesse tempo 12 anos). Disse ao Bento filho:<\/p>\n<p>_ Vou me casar com sua irm\u00e3. E ele respondeu:<\/p>\n<p>_ Vai crescer mais um pouco para depois pensar em casamento.<\/p>\n<p>Aquilo ficou em minha ideia.<\/p>\n<p>Continuando sobre as casas. esta, na Rua 15 de Novembro em continua\u00e7\u00e3o com a Gomes de Faria.<\/p>\n<p>Na frente da casa estavam: &#8211; a papelaria e a livraria.<\/p>\n<p>Atr\u00e1s uma sala de visitas, banheiro e a cozinha, embaixo desses c\u00f4modos estavam guardadas as garrafas de<\/p>\n<p>vinho que o Herm\u00ednio (meu irm\u00e3o) e eu engarraf\u00e1vamos. Pois naquele tempo, meu pai mandava vir da It\u00e1lia<\/p>\n<p>cartolas de vinho que p\u00fanhamos em garrafas.<\/p>\n<p>Um dia quis provar do vinho e bebi demais ficando tonto e o meu irm\u00e3o Fausto para esconder o fato de papai,<\/p>\n<p>me levou para a cama.<\/p>\n<p>Esse irm\u00e3o sempre me protegeu livrando-me das surras pelas minhas peraltices. Dava-me conselhos bastantes.<\/p>\n<p>J\u00e1 o meu irm\u00e3o Henrique gozava com tudo o que eu fazia.<\/p>\n<p>Eu ca\u00e7ava com uma armadilha as pombas do vizinho. Ficava em cima de um barrac\u00e3o coberto de zinco onde<\/p>\n<p>ficavam os caixotes vazios. Quando as pombas iam cair na armadilha o Fausto as matava, ainda no ar, com um<\/p>\n<p>rifle e ent\u00e3o ria porque eu ficava nervoso e ia contar tudo para mam\u00e3e.<\/p>\n<p>O Fausto e o Henrique (meus irm\u00e3os mais velhos) sempre foram meus amigos.<\/p>\n<p>Esqueci-me de contar: quando em tinha cinco anos, papai mandou fazer um fraque (uma cal\u00e7a preta comprida)<\/p>\n<p>e comprou uma bengalinha e me levava no coreto do jardim, onde os m\u00fasicos ficavam. Naqueles trajes eu<\/p>\n<p>ficava todo enjoado fazendo inveja aos outros meninos.<\/p>\n<p>Essa casa da Rua 15 de novembro foi demolida e em 1928. Foi constru\u00edda outra que em 1976 pegou fogo e<\/p>\n<p>acabou com Casa Ricchetti; todo um patrim\u00f4nio que meu pai conseguiu no Brasil.<\/p>\n<p>Meus outros amigos de inf\u00e2ncia. Lauro de Oliveira (falecido) formou-se em medicina, Henrique Faschietti,<\/p>\n<p>tamb\u00e9m m\u00e9dico, Artur e Gilberto Marmolite, que s\u00f3 vim encontrar depois de mo\u00e7os (oper\u00e1rios) em S\u00e3o Paulo,<\/p>\n<p>Gilberto j\u00e1 falecido (mais tarde, o filho dele veio me conhecer aqui em S\u00e3o Manuel), Carlos e Silvio de Barros<\/p>\n<p>que depois estudaram comigo no Gin\u00e1sio S\u00e3o Bento em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Silvio \u00e9 m\u00e9dico afamado, foi diretor do Hospital das Cl\u00ednicas em S\u00e3o Paulo. O Carlos (irm\u00e3o do Silvio) \u00e9<\/p>\n<p>engenheiro.<\/p>\n<p>No mesmo Gin\u00e1sio S\u00e3o Bento fui amigo de C\u00e9lio Souza Aranha, que faleceu logo depois, Carlos Pupo,<\/p>\n<p>advogado; An\u00edsio Floriano de Toledo tamb\u00e9m m\u00e9dico, hoje numa cadeira de rodas.<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>Depois desse trecho longo tenho muitas perguntas a fazer, mas meu av\u00f4 n\u00e3o quer falar sobre essas coisas e me<\/p>\n<p>manda voltar no outro fim de semana. Eu me pergunto por que estou lendo essas hist\u00f3rias antigas. O que elas<\/p>\n<p>v\u00e3o me ajudar? No qu\u00ea?<\/p>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>No s\u00e1bado seguinte nos sentamos um a frente do outro e vou fazendo perguntas e ele tenta me explicar. Esse<\/p>\n<p>mundo, essa gente, tudo isso \u00e9 muito distante do que vivo agora e n\u00e3o fa\u00e7o ideia dessas coisas que o bisav\u00f4 Uth<\/p>\n<p>conta. Parece que ele est\u00e1 fazendo um rol de fatos, de nomes, de lembran\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8211; Por que ele escreveu tudo isso? Quantos anos ele tinha? Como podia se lembrar de tudo isso? Por que se<\/p>\n<p>lembrar disso tudo?<\/p>\n<p>Lolou chama minha aten\u00e7\u00e3o para um fato importante:<\/p>\n<p>&#8211; Antes de tudo, vamos pensar quem era Angelo Ricchetti? Ele importava vinho da It\u00e1lia, entendia de<\/p>\n<p>tipografia, de neg\u00f3cios, Li em um recorte de jornal de 1925, se n\u00e3o me engano, um anuncio em nome dele,<\/p>\n<p>oferecendo lotes de terreno na Capital em um novo bairro, sendo ele mesmo o incorporador. Nesse tempo,<\/p>\n<p>afastado j\u00e1 de S\u00e3o Manuel, morava no pensionato da irm\u00e3 da minha av\u00f3 que veio da It\u00e1lia junto com ela.<\/p>\n<p>Foi l\u00edder pol\u00edtico, divulgando as id\u00e9ias anarquistas desde Garibaldi, publicou toda a Primeira Guerra Mundial,<\/p>\n<p>ouvindo r\u00e1dio galena e publicando em seu jornal, portanto jornalista tamb\u00e9m, al\u00e9m de m\u00fasico.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o veio como imigrante custeado pelos governos da It\u00e1lia e do Brasil e sim chamado pelos amigos<\/p>\n<p>imigrantes que sentiam saudades da It\u00e1lia. Pagou ele pr\u00f3prio sua passagem de vapor.<\/p>\n<p>Era filho de pais ricos, pois para estudar m\u00fasica naquele tempo na It\u00e1lia precisava-se de muito dinheiro. Casou-<\/p>\n<p>se com uma jovem cuja m\u00e3e trabalhava no Pal\u00e1cio do Rei Humberto I como bab\u00e1 da filha do rei.<\/p>\n<p>Essa mo\u00e7a, minha av\u00f3, ao descer do vapor que a trouxe ao porto de Santos, desmaiou ao ver, pela primeira vez<\/p>\n<p>na vida, um jovem negro, semi n\u00fa a descarregar bagagens de um navio.<\/p>\n<p>Trouxe junto com ela objetos de lou\u00e7a para lavabo, para uso pessoal. Tive acesso a esses objetos na Casa<\/p>\n<p>Ricchetti, uma mans\u00e3o enorme, muitos quartos. Lembro de minha av\u00f3 me ensinando em um misto de portugu\u00eas<\/p>\n<p>mal aprendido com dialeto de sua regi\u00e3o na It\u00e1lia:<\/p>\n<p>&#8211; Deixa a espuma do sabonete espalhada no rosto por um tempo, bambino, para que penetre nos poros e depois<\/p>\n<p>enxagua, desse modo sua pele vai ficar sempre limpa e sem rugas!<\/p>\n<p>Olho ent\u00e3o para o rosto do meu v\u00f4 Lolou e reparo como seu rosto n\u00e3o \u00e9 de um velho para a idade que tem.<\/p>\n<p>Pergunto sobre a tal de Casa Ricchetti.<\/p>\n<p>Ele me explica que na parte de baixo ficava a Tipografia, na frente da casa, a papelaria e depois tamb\u00e9m uma<\/p>\n<p>loja de presentes, nos fundos ficavam os dep\u00f3sitos de todo o necess\u00e1rio para a tipografia, a loja, os vinhos, etc.<\/p>\n<p>&#8211; No andar de cima, em uma parte vivia minha tia Helena com seu esposo, Jos\u00e9 Alves, a filha Maria Helena, por<\/p>\n<p>quem me apaixonei aos dez anos, e o filho Ulisses. Na outra parte vivia minha av\u00f3, meu tio Herm\u00ednio e esposa.<\/p>\n<p>Eram duas casas ligadas no mesmo andar superior, separadas apenas por uma porta de vidro com desenhos de<\/p>\n<p>florais.<\/p>\n<p>A Casa Ricchetti, o casar\u00e3o era assim quando meu av\u00f4 j\u00e1 havia morrido e minha tia Linda, casada, com muitos<\/p>\n<p>filhos, morava em outra casa. Meus tios Henrique e Fausto j\u00e1 moravam na capital, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Ainda tenho a lembran\u00e7a, devia ter uns oito anos, da minha av\u00f3 fazendo o molho da macarronada, que s\u00f3 ela<\/p>\n<p>sabia fazer, minhas tias ajudando na cozinha, na enorme sala de jantar, os demais membros da fam\u00edlia, tios,<\/p>\n<p>primos meus, muita gente, aguardando a chegada das travessas italianas enormes de macarronada!<\/p>\n<p>Nesse tempo todos os meus tios e esposas ainda moravam S\u00e3o Manuel.<\/p>\n<p>As garrafas de vinho da adega do meu v\u00f4 Angelo j\u00e1 haviam sido abertas e todos os adultos j\u00e1 saboreavam o<\/p>\n<p>suprassumo da uva, como diziam.<\/p>\n<p>Quando chegam as travessas com a macarronada, fumegante, trazidas pelas minhas tias, todos, velhos, jovens e<\/p>\n<p>crian\u00e7as come\u00e7\u00e1vamos a cantar Il Solio Mio, a can\u00e7\u00e3o que minha av\u00f3 mais amava&#8230;<\/p>\n<p>O Sole Mio &#8211; Il Volo<\/p>\n<p>Che bella cosa na giornata&amp;#39;e&amp;#39;sole<\/p>\n<p>N&amp;#39;aria serena doppo na tempesta<\/p>\n<p>Pe&amp;#39;ll&amp;#39;aria fresca pare gia&amp;#39; na festa<\/p>\n<p>Che bella cosa na giornata&amp;#39;e sole.<\/p>\n<p>Ma n&amp;#39;atu sole cchiu&amp;#39; bello, oi ne&amp;#39;<\/p>\n<p>&amp;#39;O sole mio sta nfronte a te!<\/p>\n<p>&amp;#39;O sole o sole mio<\/p>\n<p>Sta nfronte a te&#8230; Sta nfronte a te.<\/p>\n<p>Quanno fa notte e o sole se ne scene,<\/p>\n<p>Me vene quas&amp;#39;na malincunia.<\/p>\n<p>Sotto a fenesta toia restaria,<\/p>\n<p>Quanno fa notte e o sole se ne scene.<\/p>\n<p>Ma n&amp;#39;atu sole cchiu&amp;#39; bello, oi ne&amp;#39;<\/p>\n<p>&amp;#39;O sole mio sta nfronte a te!<\/p>\n<p>&amp;#39;O sole o sole mio<\/p>\n<p>Sta nfronte a te&#8230; Sta nfronte a te.<\/p>\n<p>Ma n&amp;#39;atu sole cchiu&amp;#39; bello, oi ne&amp;#39;<\/p>\n<p>&amp;#39;O sole mio sta nfronte a te!<\/p>\n<p>&amp;#39;O sole o sole mio<\/p>\n<p>Sta nfronte a te&#8230; Sta nfronte.<\/p>\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Enrico Caruso - O Sole Mio\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/u1QJwHWvgP8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>&amp;lt;&amp;gt;<\/p>\n<p>(Continua)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Angelo Lourival Ricchetti: \u00a0Continua\u00e7\u00e3o do livro &#8216;DA ARTE DE SE CRIAR PONTES&#8217;\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[898,5164],"class_list":["post-6513","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao","tag-angelo-ricchetti","tag-livros"],"aioseo_notices":[],"views":0,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":26312,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=26312","url_meta":{"origin":6513,"position":0},"title":"Angelo Ricchetti lan\u00e7a seu novo livro: &#039;Da Arte de se Criar Pontes&#039;","author":"Helio Rubens","date":"18 de abril de 2019","format":false,"excerpt":"Da Arte de se Criar Pontes A editora Flor Comunica lan\u00e7a seu primeiro livro: Da Arte de Se Criar Pontes, de Angelo Lourival Ricchetti, escritor itapetiningano.. 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