{"id":66314,"date":"2024-05-07T16:39:15","date_gmt":"2024-05-07T19:39:15","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=66314"},"modified":"2024-05-07T16:39:27","modified_gmt":"2024-05-07T19:39:27","slug":"megacidades-desafio-para-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=66314","title":{"rendered":"Megacidades: desafio para o futuro"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F66314&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F66314&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Marcelo Augusto Paiva Pereira:<\/h2>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">&#8216;Megacidades: desafio para o futuro&#8217;<br><br><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"120\" height=\"120\" data-attachment-id=\"55602\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=55602\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Marcelo-Pereira-1.jpg\" data-orig-size=\"120,120\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Marcelo-Pereira-1\" data-image-description=\"&lt;p&gt;Marcelo Paiva Pereira&lt;\/p&gt;\n\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Marcelo Paiva Pereira&lt;\/p&gt;\n\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Marcelo-Pereira-1.jpg\" src=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Marcelo-Pereira-1.jpg\" alt=\"Marcelo Paiva Pereira\" class=\"wp-image-55602\" style=\"width:124px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Marcelo Paiva Pereira<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" data-attachment-id=\"66316\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=66316\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/OIG4.jpg\" data-orig-size=\"1024,1024\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"OIG4\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/OIG4.jpg\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/OIG4.jpg\" alt=\"Megacidades: desafio para o futuro\" class=\"wp-image-66316\" style=\"width:402px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/OIG4.jpg 1024w, https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/OIG4-600x600.jpg 600w, https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/OIG4-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Megacidades: desafio para o futuro<br><em>Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">As grandes cidades que v\u00eam surgindo ao redor do mundo tem sido objeto de incertezas e preocupa\u00e7\u00f5es pelos administradores p\u00fablicos, habitantes e por v\u00e1rios profissionais, dos quais est\u00e3o os arquitetos e urbanistas. As aludidas tem atingido a grandeza de megacidades, com urbaniza\u00e7\u00e3o prolixa e de dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o abrangente. O presente texto far\u00e1 o exame, ainda que de preliba\u00e7\u00e3o, da ca\u00f3tica situa\u00e7\u00e3o urbana que enfrentamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das megacidades existentes \u00e9 S\u00e3o Paulo, capital do Estado de S\u00e3o Paulo, com seus onze milh\u00f5es de habitantes e crescendo a cada ano, mesmo em ritmo menor do que em anos anteriores. A redu\u00e7\u00e3o do crescimento da capital paulista n\u00e3o a exime das atuais dificuldades existentes nem das futuras, visto que o tecido urbano em que se encontra vem sendo deformado desde a comemora\u00e7\u00e3o do terceiro centen\u00e1rio (1854).<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os prec\u00e1rios meios de transporte existentes na segunda metade do s\u00e9culo XIX supriram as necessidades de deslocamento dos habitantes da cidade de S\u00e3o Paulo, a instala\u00e7\u00e3o das linhas de bondes el\u00e9tricos (a partir de 1900) deu in\u00edcio ao ca\u00f3tico tr\u00e2nsito e \u00e0s pioras sucessivas ao longo dos anos, na mobilidade paulistana, acompanhada da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e da cria\u00e7\u00e3o de bairros planejados (Jardim Am\u00e9rica, pela Companhia City em 1915, e outros).<\/p>\n\n\n\n<p>Se, por um lado, as linhas de bondes el\u00e9tricos melhoraram a mobilidade dos habitantes da capital, por outro lado limitaram-se a operar em regi\u00f5es mais favorecidas economicamente, em preju\u00edzo de regi\u00f5es sem o mesmo padr\u00e3o econ\u00f4mico ou mais distantes. Nesse per\u00edodo era a Light a empresa (de origem canadense) que administrava essas linhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1947 foi extinta a Light e criada a Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), sociedade de economia mista que assumiu o monop\u00f3lio, acervo e passivo daquela empresa canadense, operando no munic\u00edpio a partir de 1949 com os primeiros tr\u00f3lebus e \u00f4nibus a diesel. Apesar de ter obtido algum sucesso na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de transporte p\u00fablico, a CMTC mostrou-se insuficiente, fazendo surgir, ao fim da d\u00e9cada de 50 do s\u00e9culo XX, empresas privadas de transporte p\u00fablico. Mas, o sistema de transportes estava caminhando para o am\u00e1lgama existente at\u00e9 os dias atuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao lado do sistema de transporte p\u00fablico, o Plano de Avenidas (1930), de Francisco Prestes Maia (enquanto secret\u00e1rio de obras e via\u00e7\u00e3o da Prefeitura Municipal de S\u00e3o Paulo), tamb\u00e9m colaborou para agravar a mobilidade urbana, na raz\u00e3o do acolhimento do ve\u00edculo de passeio (ve\u00edculo de uso familiar) como o modelo de mobilidade que vinha alimentando os sonhos de consumo das classes populares, m\u00e9dia e alta ao redor do mundo. O autom\u00f3vel seduziu a humanidade desde os prim\u00f3rdios (1884), ensejando diversos projetos urbanos tendo nesse modelo de transporte a \u201csolu\u00e7\u00e3o ideal\u201d para o transporte urbano.<\/p>\n\n\n\n<p>A caracter\u00edstica do seu plano vi\u00e1rio era remodelar o sistema vi\u00e1rio da capital paulista de modo a compor um sistema radial acompanhado de um perimetral. Este seria um anel vi\u00e1rio em torno do centro para descongestiona-lo, fazendo uso de um sistema de avenidas e viadutos. Ele tamb\u00e9m pretendia por um sistema de vias desenhadas a partir do per\u00edmetro de irradia\u00e7\u00e3o para todos os quadrantes da cidade, fazendo liga\u00e7\u00f5es com as vias perimetrais.<\/p>\n\n\n\n<p>A execu\u00e7\u00e3o das obras vi\u00e1rias alterou a estrutura urbana da capital paulista e consolidou o modelo perif\u00e9rico de expans\u00e3o urbana, apoiado no trip\u00e9 loteamentos irregulares, autoconstru\u00e7\u00e3o e transporte p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>A instala\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria nacional de ve\u00edculos \u2013 em 1959 \u2013 veio ao encontro desses projetos urbanos, nos quais o autom\u00f3vel era o meio de transporte para as grandes cidades, constitu\u00eddas de milhares de ruas e avenidas. Era o ideal meio de transporte das classes m\u00e9dia e alta, mas n\u00e3o para as classes populares, desprovidas de condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para adquiri-los. A elas cabia apenas o transporte p\u00fablico, destinado a atender somente a quem n\u00e3o podia ter a pr\u00f3pria condu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse gradiente entre as classes mais e as menos favorecidas permanece at\u00e9 os dias atuais, agravada pelo descompasso da urbaniza\u00e7\u00e3o, surgida em cada per\u00edodo de expans\u00e3o urbana e sob a assist\u00eancia do poder econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Os planos integrados de tr\u00e2nsito das d\u00e9cadas de 60 e 70 do s\u00e9culo XX trataram da mobilidade urbana, com preocupa\u00e7\u00f5es voltadas para o transporte de massa. Foram apresentados:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Grupo Executivo do Metr\u00f4 (GEM), em agosto de 1966;<\/li>\n\n\n\n<li>Plano Urban\u00edstico B\u00e1sico de S\u00e3o Paulo (PUB), em 1969;<\/li>\n\n\n\n<li>Plano Metropolitano de Desenvolvimento Integrado (PMDI), em 1971;<\/li>\n\n\n\n<li>Programa de A\u00e7\u00e3o Imediata de Transporte e Tr\u00e1fego (PAITT), em 1971.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Referidos planos integrados de tr\u00e2nsito surgiram antes da cria\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo (RMSP), pela lei complementar federal n\u00ba 14, de 8 de junho de 1973 e regulamentada pela lei complementar estadual n\u00ba 94, de 24 de maio de 1974.<\/p>\n\n\n\n<p>O Grupo Executivo do Metr\u00f4 elaborou, em 1967, a primeira pesquisa Origem\/Destino, com vistas a atender \u00e0s car\u00eancias de transporte. Serviu de base para o surgimento do metr\u00f4, inaugurado somente em 1974, com duas linhas: Norte-Sul (atual linha azul) e Leste-Oeste (atual linha vermelha).<\/p>\n\n\n\n<p>Do Plano Urban\u00edstico B\u00e1sico de S\u00e3o Paulo (PUB) os demais planos tamb\u00e9m propuseram \u2013 em comum \u2013 a prioridade para o transporte coletivo como solu\u00e7\u00e3o aos gravames da mobilidade, enfrentados pela capital paulista. Esses planos sustentavam uma extensa rede metroferrovi\u00e1ria, acrescida de linhas de metr\u00f4 e da recupera\u00e7\u00e3o das linhas do trem metropolitano. Os \u00f4nibus atuariam nos trechos em que as linhas f\u00e9rreas fossem ausentes, fazendo a conex\u00e3o entre um e outro modelo de transporte.<\/p>\n\n\n\n<p>Os planos de mobilidade urbana que foram concebidos priorizaram as esp\u00e9cies de transporte \u2013 coletivo e particular \u2013 em detrimento dos projetos urbanos. Estes sempre foram fundamentais para a mobilidade urbana, porque o tra\u00e7ado desenhado define as rotas para a realiza\u00e7\u00e3o urbana da mobilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre transporte e uso do solo. Se, por um lado, o transporte atua como causa do uso do solo, levando a urbaniza\u00e7\u00e3o onde antes n\u00e3o havia, por outro lado o transporte responde como consequ\u00eancia do uso do solo, sendo introduzido nas regi\u00f5es urbanas que os reclame.<\/p>\n\n\n\n<p>Os projetos urbanos, por\u00e9m, n\u00e3o atuam sozinhos. Eles s\u00e3o submetidos ao exame da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, no sentido de serem aprovados para que possam urbanizar sob a tutela da lei os espa\u00e7os do munic\u00edpio carentes da atua\u00e7\u00e3o da municipalidade. O munic\u00edpio, entretanto, deve realizar o planejamento urbano, elaborando o plano diretor estrat\u00e9gico e a lei de zoneamento para organizar a distribui\u00e7\u00e3o do uso do solo urbano.<\/p>\n\n\n\n<p>O plano diretor estrat\u00e9gico tem o escopo de estabelecer a pol\u00edtica de desenvolvimento urbano e distribuir a regi\u00e3o metropolitana nas zonas e \u00e1reas urbanas, distinguindo uma da outra em raz\u00e3o das esp\u00e9cies \u2013 ou tipos \u2013 de ambientes urbanos pretendidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A lei de zoneamento do munic\u00edpio tem a finalidade de regulamentar a urbaniza\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio, estabelecendo os crit\u00e9rios legais para as esp\u00e9cies de edifica\u00e7\u00f5es, em obedi\u00eancia ao disposto no plano diretor estrat\u00e9gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente, outras legisla\u00e7\u00f5es \u2013 municipais, estaduais e federais \u2013 tamb\u00e9m tem o escopo de regulamentar o crescimento urbano, fixando outras regras e outras exce\u00e7\u00f5es para dar cumprimento aos anseios da sociedade, desejosa por um ambiente urbano que d\u00ea melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, em alus\u00e3o ao art. 6\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal (conceito de cidade justa). Ao lado de toda essa din\u00e2mica legislativa, com vistas a assegurar \u00e0 sociedade o ambiente urbano almejado, tamb\u00e9m caminha o interesse econ\u00f4mico, assistido pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria \u00e9 fator indissoci\u00e1vel do crescimento urbano, seja ou n\u00e3o amparado por um projeto ou planejamento urbano. A referida surge na medida do interesse particular, que anseia por um lugar ou por um melhor lugar na urbe, com vistas a melhorar a qualidade da pr\u00f3pria vida ou dos familiares. H\u00e1, tamb\u00e9m, o interesse pessoal por status (capricho pessoal movido pela vaidade) e muitas outras vari\u00e1veis (necessidade, por exemplo), que estimulam a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado desse am\u00e1lgama de interesses \u2013 p\u00fablico e particular \u2013 cria diferen\u00e7as no permanente crescimento urbano, por vezes alterando planos diretores, modificando acidentes geogr\u00e1ficos e avan\u00e7ando em \u00e1reas impr\u00f3prias para a edifica\u00e7\u00e3o de habita\u00e7\u00f5es, com\u00e9rcio e ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p>O controle do crescimento urbano torna-se insuficiente para assegurar a correta obedi\u00eancia \u00e0s regras legislativas fixadas, abrindo brechas na operacionalidade do planejamento da urbe, podendo obstar a atividade administrativa e fazer a sociedade crer que est\u00e1 ao desamparo, porque o crescimento urbano encontra-se sem a adequada ordena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o espectro atual da megacidade de S\u00e3o Paulo. A nossa capital paulista enfrenta os mais diversos gravames urbanos, por vezes sem solu\u00e7\u00e3o apropriada para a finalidade a que se pretende, movendo os mais diversos profissionais a desenhar e propor muitos projetos, alguns infrut\u00edferos, outros adequados \u00e0 interven\u00e7\u00e3o urbana e outros de or\u00e7amentos p\u00fablicos invi\u00e1veis ao munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas das solu\u00e7\u00f5es encontradas s\u00e3o pontuais, reportam-se a um recorte urbano, limitando-se a trechos da cidade onde se pretende dar nova leitura e melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida e de mobilidade \u00e0s pessoas desse local e que por ele transitem. Se, por\u00e9m, esses projetos pontuais solucionam os gravames locais, removendo \u00f3bices preexistentes, tais projetos n\u00e3o se estendem para toda a urbe nem seus efeitos conseguem atingi-la na totalidade; somente atingem o entorno da regi\u00e3o redesenhada.<\/p>\n\n\n\n<p>Solu\u00e7\u00f5es pontuais s\u00e3o bem vindas na medida da for\u00e7a de influ\u00eancia do projeto que se preparou para a interven\u00e7\u00e3o no recorte urbano para o qual foi destinado. Muitos projetos de interven\u00e7\u00e3o urbana apresentam \u00f3timas solu\u00e7\u00f5es, que servem de modelo para outros projetos em regi\u00f5es da capital paulista que apresentem gravames ou caracter\u00edsticas urbanas semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre muitas propostas h\u00e1 uma mais abrangente, que pretende dar autonomia \u00e0s regi\u00f5es perif\u00e9ricas da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo (RMSP), unindo-as por vias p\u00fablicas perimetrais, acrescidas de transporte p\u00fablico adequado \u00e0 demanda de passagens e a elas conferindo mobilidade pr\u00f3pria, sem necessitar de ir ao centro de S\u00e3o Paulo, criando bols\u00f5es de habita\u00e7\u00f5es, com\u00e9rcio e atividades de lazer nessas regi\u00f5es perif\u00e9ricas, assemelhando-se ao modelo adotado para a cidade de Madri, na Espanha. Essa proposta tem o escopo de melhorar a mobilidade na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo e n\u00e3o apenas em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Provid\u00eancias administrativas como a publica\u00e7\u00e3o de decretos de desapropria\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis s\u00e3o medidas salutares, convenientes e oportunas para determinado recorte urbano, trecho a que se pretende dar outra configura\u00e7\u00e3o espacial para melhor aproveitamento desse espa\u00e7o no tecido urbano. Mas, assim como outras propostas de recupera\u00e7\u00e3o urbana, \u00e9 medida limitada ao recorte contido na imensa malha urbana de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>As reclama\u00e7\u00f5es da sociedade, na obten\u00e7\u00e3o de melhor qualidade de vida, visam \u00e0 infraestrutura urbana, sendo esta um complexo sistema de equipamentos, servi\u00e7os p\u00fablicos e gest\u00e3o administrativa. A infraestrutura urbana se constitui de postos de sa\u00fade, postos policiais, delegacias de pol\u00edcia, escolas, creches, habita\u00e7\u00f5es populares, servi\u00e7o de coleta de lixo, transporte p\u00fablico, al\u00e9m das redes de \u00e1gua, luz, g\u00e1s, esgoto, galerias de \u00e1guas pluviais, cal\u00e7amento das vias p\u00fablicas e outros servi\u00e7os e equipamentos p\u00fablicos. A infraestrutura urbana tem o escopo de dar suporte \u00e0 vida di\u00e1ria dos habitantes, devendo para isso ter, o poder p\u00fablico, equipamentos, suportes f\u00edsicos, presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e a administra\u00e7\u00e3o deles.<\/p>\n\n\n\n<p>A execu\u00e7\u00e3o da infraestrutura urbana pelos poderes p\u00fablicos requer volumosas verbas p\u00fablicas, que precisam ser aprovadas pelo poder legislativo de cada pessoa pol\u00edtica e administrativa. Nem sempre s\u00e3o aprovadas e, mesmo quando s\u00e3o, por vezes se tornam insuficientes para bancar a infraestrutura almejada (ensejando a coparticipa\u00e7\u00e3o da iniciativa privada na execu\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos de infraestrutura urbana).<\/p>\n\n\n\n<p>As car\u00eancias urbanas s\u00e3o em muitas e, devido \u00e0s dimens\u00f5es da urbe paulistana, as solu\u00e7\u00f5es apresentadas \u2013 tamb\u00e9m pelos arquitetos e urbanistas \u2013 parecem resultar em menos do que o proposto. A megacidade de S\u00e3o Paulo \u00e9 t\u00e3o grande, inclusive em seus gravames, que parece engolir os projetos de interven\u00e7\u00e3o urbana apresentados e nela executados.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o em muitos os desafios apresentados pela megacidade de S\u00e3o Paulo, ensejando muitos estudos t\u00e9cnicos, tanto pelos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos quanto pelas universidades, p\u00fablicas e privadas, engenheiros, arquitetos e urbanistas e outros profissionais. Em concurso de vontades dever\u00e3o ter a incumb\u00eancia de apresentar solu\u00e7\u00f5es que eliminem todos os gravames urbanos existentes. Mas, a quest\u00e3o a ser respondida \u00e9 quando essas solu\u00e7\u00f5es vir\u00e3o ao nosso encontro. A resposta ser\u00e1 dada pelo tempo, almejando-se pelo menor deles, num futuro pr\u00f3ximo da realidade e do momento que enfrentamos. Nada a mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>FAU.USP. A Metr\u00f3pole de uma Sociedade de Elite. Dispon\u00edvel em: (acessado em 21.09.2014);<\/p>\n\n\n\n<p>FAU.USP. A Rede de Transporte e a Ordena\u00e7\u00e3o do Espa\u00e7o Urbano. Dispon\u00edvel em: 13\/133_07_Andreina_Nigriello_e_Rafael_de_Oliveira_V2.pdf&gt; (acessado em 25.09.2014);&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>ANTP.ORG. Premissas para um plano de mobilidade urbana. Dispon\u00edvel em: (acessado em 14.11.2014);<\/p>\n\n\n\n<p>PREFEITURA.SP.GOV. EMURB. Empresa Municipal de Urbaniza\u00e7\u00e3o. Infraestrutura Urbana. Dispon\u00edvel em:pitulo_II_MeioSocioeconomico_parte5.pdf&gt; (acessado em 20.12.2014);<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. Lei Complementar Federal n\u00ba 14, de 08 de junho de 1973. Dispon\u00edvel em: (acessado em 27.11.2014);<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. Lei Complementar Estadual n\u00ba 94, de 24 de maio de 1974. Dispon\u00edvel em: %20Regioes%20Metropolitanas\/04.03.01.%20Regi%C3%A3o%20Metropolitana%20de%20S%C3%A3o%20Paulo\/04.03.01.01.%20Legisla%C3%A7%C3%A3o%20Geral%5C01.%20Lei%20Complementar%20estadual%20n%C2%BA%2094,%20de%2029%20de%20maio%20de%2 01974.htm&gt; (acessado em 27.11.2014);<\/p>\n\n\n\n<p><strong>OUTRAS REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>NOBRE, Eduardo et al. Desenho Urbano e Projeto dos Espa\u00e7os da Cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>FAUUSP. De. 07.03 a 28.06.2013. Anota\u00e7\u00f5es de aulas. N\u00e3o publicadas;<\/p>\n\n\n\n<p>NIGRIELLO, Andre\u00edna et al. Organiza\u00e7\u00e3o Urbana e Planejamento. FAUUSP. De 18.09 a 11.12.2014. Anota\u00e7\u00f5es de aulas. N\u00e3o publicadas;<\/p>\n\n\n\n<p>SILVA, Ricardo Toledo, MEYER, Jo\u00e3o F. Pires, BORELLI, Jos\u00e9. Infraestrutura Urbana e Meio Ambiente. FAUUSP. De 18.09 A 18.12.2014. Anota\u00e7\u00f5es de aulas. N\u00e3o publicadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Marcelo Augusto Paiva Pereira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Contatos com o autor<\/h3>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-pale-ocean-gradient-background has-background\"><a href=\"mailto:marcelo.ap.pereira@alumni.usp.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"E-meio\">E-meio<\/a><\/h4>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-pale-ocean-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/wa.me\/15991199334\" title=\"WhatsApp\">WhatsApp<\/a><\/h4>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/\" title=\"Voltar\">Voltar<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/JCulturalrol\/\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As grandes cidades que v\u00eam surgindo ao redor do mundo tem sido objeto de incertezas e preocupa\u00e7\u00f5es pelos administradores p\u00fablicos, habitantes e por v\u00e1rios&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":66316,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[9398,9285],"tags":[2692,10686,5533],"class_list":["post-66314","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-literatura","tag-desafio","tag-futuro","tag-megacidades"],"aioseo_notices":[],"views":655,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/OIG4.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":37506,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=37506","url_meta":{"origin":66314,"position":0},"title":"Marcelo Paiva Pereira: &#039;Megacidades &amp; Centralidades urbanas&#039;","author":"Marcelo Paiva Pereira","date":"7 de fevereiro de 2021","format":false,"excerpt":"Megacidades & Centralidades urbanas Megacidades s\u00e3o macrorregi\u00f5es em que se concentram milh\u00f5es de habitantes, distribu\u00eddos nas diversas classes sociais e econ\u00f4micas, num conjunto por vezes desordenado de crescimento urbano devido \u00e0 morosidade na implanta\u00e7\u00e3o de projetos urbanos. 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