{"id":6832,"date":"2016-11-13T20:22:13","date_gmt":"2016-11-13T22:22:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=6832"},"modified":"2016-11-13T20:22:13","modified_gmt":"2016-11-13T22:22:13","slug":"sergio-diniz-da-costa-as-cores-do-urubu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=6832","title":{"rendered":"Sergio Diniz da Costa: &#039;As cores do urubu&#039;"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F6832&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F6832&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><figure id=\"attachment_25102\" aria-describedby=\"caption-attachment-25102\" style=\"width: 148px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/31959000_1530139590441430_4366887940710727680_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"25102\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=25102\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/31959000_1530139590441430_4366887940710727680_n.jpg\" data-orig-size=\"960,958\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"31959000_1530139590441430_4366887940710727680_n\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/31959000_1530139590441430_4366887940710727680_n.jpg\" class=\"wp-image-25102\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/31959000_1530139590441430_4366887940710727680_n-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"148\" height=\"148\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25102\" class=\"wp-caption-text\">Sergio Diniz<\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"mceTemp\" style=\"text-align: center;\"><em>&#8220;E foi numa bela tarde de ver\u00e3o que um desses fatos curiosos ocorreu: um roedor morto em um canto da rua chamou a aten\u00e7\u00e3o de um corvo.&#8221;<\/em><br \/>\n<!--more--><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/c_atratus8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-25250 alignleft\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/c_atratus8-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a><\/strong>Em meio a uma caminhada di\u00e1ria, volto meus olhos para o c\u00e9u e, a uma grande altitude, o voo solit\u00e1rio de uma ave negra me chama a aten\u00e7\u00e3o. E, nessa contempla\u00e7\u00e3o, assoma-me \u00e0 mem\u00f3ria um fato ocorrido h\u00e1 mais de 60 anos na rua onde nasci, na saudosa Vila Am\u00e9lia da minha Sorocaba, fato esse narrado por um tio, um perspicaz observador e narrador das coisas curiosas da vida.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, Sorocaba, de forma geral, era uma t\u00edpica cidade do Interior, com muitas ruas de terra, onde as crian\u00e7as, em suas brincadeiras p\u00f3s-aulas e almo\u00e7o, disputavam os espa\u00e7os com os animais; os cachorros em particular, e at\u00e9 mesmo animais menos \u2018dom\u00e9sticos\u2019.<\/p>\n<p>E foi numa bela tarde de ver\u00e3o que um desses fatos curiosos ocorreu: um roedor morto em um canto da rua chamou a aten\u00e7\u00e3o de um corvo.<\/p>\n<p>Segundo meu tio, o tal corvo, pelo jeito, j\u00e1 tinha vivido uns bons anos de sua vida penosa, pois dava pra perceber que sua fei\u00e7\u00e3o era de uma ave idosa; o negrume de suas penas j\u00e1 estava um tanto quanto descorado, acinzentado mesmo, e faltavam-lhe algumas penas.<\/p>\n<p>Todavia, n\u00e3o bastasse isso, a pobre ave ainda tinha uma descompensa\u00e7\u00e3o f\u00edsica ainda maior: era manquitola!<\/p>\n<p>Apesar de todos esses obst\u00e1culos impostos pelo tempo e pela gen\u00e9tica a pesar-lhes contra seu intento, a corajosa ave n\u00e3o resistiu \u00e0quele \u2018saboros\u00edssimo\u2019 petisco e,\u00a0 como essa esp\u00e9cie de ave n\u00e3o tem habilidade para ca\u00e7ar, pois suas patas n\u00e3o funcionam como ferramentas para agarrar e matar presas, pousou no ch\u00e3o e, manquitolando, dirigiu-se, avidamente, ao seu almo\u00e7o.<\/p>\n<p>Para o seu azar, por\u00e9m, e, ao que tudo indica, a vis\u00e3o perif\u00e9rica afetada pela idade (ou, o mais prov\u00e1vel, a obsess\u00e3o pela carni\u00e7a!), n\u00e3o percebeu a presen\u00e7a de alguns cachorros que, \u00e0quela hora da tarde, estavam perambulando pela rua.<\/p>\n<p>Danou-se a pobre ave! Os cachorros, numa ladra\u00e7\u00e3o infernal, passaram a persegui-lo. E ele, aos trancos e barrancos, quase virou, de ca\u00e7ador, a ca\u00e7a!<\/p>\n<p>Um muro salvador, entretanto, impediu a infeliz ave de ser trucidada. E, num supremo esfor\u00e7o, num salto se p\u00f4s a salvo no alto daquela muralha de pedra. E, n\u00e3o deixando por menos, se vingou dos cru\u00e9is cachorros, e de uma forma ainda mais cruel ainda: vomitando sobre eles!<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o me lembro, ao ouvir essa hist\u00f3ria, qual foi o final dela; se, afinal de contas, o tal corvo estropiado, ap\u00f3s essa infausta aventura, pelo menos p\u00f4de saborear seu merecido e dificultoso almo\u00e7o.<\/p>\n<p>Eu me lembro, sim, do nojo que meu tio expressou ao contar essa triste hist\u00f3ria, pois um dos cachorros vomitados era o dele. E coube a ele, ainda menino, dar um demorado e nauseabundo banho de sab\u00e3o no peludo arrependido.<\/p>\n<p>E me lembro, tamb\u00e9m, do asco que eu tamb\u00e9m senti ao ouvir a hist\u00f3ria, uma vez que, at\u00e9 ent\u00e3o, tinha verdadeira ojeriza pelos tais \u2018corvos\u2019, vez que, pra mim, eram as aves mais feias do reino animal e cujo card\u00e1pio era&#8230; carni\u00e7a!<\/p>\n<p>Um belo dia, outro momento me marcou a mem\u00f3ria, envolvendo a tal ave. Ou melhor, um \u2018parente\u2019 dela.<\/p>\n<p>\u00c0s quartas-feiras a TV exibia \u2500 na \u00e9poca, em preto e branco \u2500 o programa \u2018Cine Mist\u00e9rio\u2019, e um dos filmes a que assisti era um cl\u00e1ssico do g\u00eanero: \u2018O Corvo\u2019, do escritor norte-americano Edgar Alan Poe.<\/p>\n<p>Aquele \u2018corvo\u2019 me chamou a aten\u00e7\u00e3o, porquanto era muito diferente daquele que eu conhecia. Aquela era uma ave inteligent\u00edssima, muito popular em pa\u00edses do Hemisf\u00e9rio Norte, como os Estados Unidos e a Inglaterra, e tinha uma apar\u00eancia mais bonita, mais nobre. E sua alimenta\u00e7\u00e3o, ainda que inclu\u00edda a carni\u00e7a, era, basicamente, formada por insetos, gr\u00e3os de cereais, bagas e frutos.<\/p>\n<p>Aquela descoberta desconcertou o menino que eu era e, desoladamente, vim a saber que o meu corvo, na verdade, n\u00e3o passava de um \u2018urubu\u2019. Mais especificamente, o urubu-de-cabe\u00e7a-preta. Um reles urubu! Uma ave de nome t\u00e3o feio quanto a pr\u00f3pria apar\u00eancia dela!<\/p>\n<p>E, na minha mem\u00f3ria de menino, ficou impregnada a imagem daquela ave feia, nojenta, suja, que vive em lix\u00f5es e come carni\u00e7a&#8230; Imagem essa, ali\u00e1s, que j\u00e1 acompanha o urubu h\u00e1 s\u00e9culos. A Hist\u00f3ria narra que Charles Darwin, quando visitou a Am\u00e9rica em 1832 no <em>Beagle<\/em>, encontrou o urubu-de-cabe\u00e7a-vermelha e comentou: &#8220;S\u00e3o aves nojentas, que se divertem na podrid\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O tempo, no entanto, \u00e9 um ex\u00edmio cirurgi\u00e3o; um cirurgi\u00e3o que, literalmente, \u2018opera milagres\u2019 em rela\u00e7\u00e3o ao imagin\u00e1rio e ao preconceito da gente.<\/p>\n<p>Os estudos escolares, todavia, descortinaram-me, mais do que a apar\u00eancia dessa ave t\u00e3o desprezada por muitas pessoas, um ser imprescind\u00edvel para a natureza.<\/p>\n<p>Eles s\u00e3o os \u2018garis\u2019 do meio ambiente, mantendo-o limpo, eliminando desde carca\u00e7as at\u00e9 ossos, sendo respons\u00e1veis pela elimina\u00e7\u00e3o de significativa quantidade de carca\u00e7as de animais mortos na natureza. Com isso, eles ajudam a prevenir a propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, eliminando bact\u00e9rias que poderiam adoecer ou matar muitos animais selvagens e dom\u00e9sticos. Alguns estudos demonstraram que em \u00e1reas onde n\u00e3o h\u00e1 urubus, as carca\u00e7as levam at\u00e9 tr\u00eas ou quatro vezes mais tempo para se decompor.<\/p>\n<p>Enquanto continuo a minha caminhada e relembro os tempos idos, agora, mais do que simplesmente observar aquela ave solit\u00e1ria no c\u00e9u, usando as correntes de ar quente para planar por horas, fazendo bel\u00edssimos movimentos ascendentes em espiral em largos c\u00edrculos, admiro (quase extasiado!) a impon\u00eancia de seu voo, de grande altitude, sobrepujando, em muito, a altura de muitas outras aves, canoras e coloridas.<\/p>\n<p>E o negro de suas asas mostra-se um detalhe que o pincel do Criador destacou entre o branco das nuvens e o azul do c\u00e9u. Um detalhe para nos mostrar as cores do urubu. As cores que somente podemos perceber com as cores da alma!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;E foi numa bela tarde de ver\u00e3o que um desses fatos curiosos ocorreu: um roedor morto em um canto da rua chamou a aten\u00e7\u00e3o de um corvo.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[7888],"class_list":["post-6832","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao","tag-sergio-diniz-da-costa"],"aioseo_notices":[],"aioseo_head":"\n\t\t<!-- All in One SEO 4.9.8 - aioseo.com -->\n\t<meta name=\"description\" content=\"&quot;E foi numa bela tarde de ver\u00e3o que um desses fatos curiosos ocorreu: um roedor morto em um canto da rua chamou a aten\u00e7\u00e3o de um corvo.&quot; Em meio a uma caminhada di\u00e1ria, volto meus olhos para o c\u00e9u e, a uma grande altitude, o voo solit\u00e1rio de uma ave negra me chama a\" \/>\n\t<meta name=\"robots\" content=\"max-image-preview:large\" \/>\n\t<meta name=\"author\" content=\"Helio Rubens\"\/>\n\t<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=6832\" \/>\n\t<meta name=\"generator\" content=\"All in One SEO (AIOSEO) 4.9.8\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:site_name\" content=\"Jornal Cultural Rol - 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