{"id":71966,"date":"2025-02-07T15:23:01","date_gmt":"2025-02-07T18:23:01","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=71966"},"modified":"2025-02-07T17:39:47","modified_gmt":"2025-02-07T20:39:47","slug":"folk-horror-folie-a-plusieurs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=71966","title":{"rendered":"Folk horror, folie \u00e0 plusieurs"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F71966&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F71966&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">CINEMA &amp; PSICAN\u00c1LISE <br><br>Marcus Hemerly e Bruna Rosalem: <br><br>&#8216;<em>Folk horror, folie \u00e0 plusieurs<\/em>: o apelo grupal em Midsommar&#8217;<br><br><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" data-attachment-id=\"71967\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=71967\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/FLYER-.-MIDSOMMAR-2.jpg\" data-orig-size=\"1920,1080\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"FLYER . MIDSOMMAR (2)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/FLYER-.-MIDSOMMAR-2.jpg\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/FLYER-.-MIDSOMMAR-2.jpg\" alt=\"Flyer da coluna Cinema &amp; Psica\u00e1lise. 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Trata-se de algo que, por um lado, reconhecemos como \u00edntimo e conhecido, mas, por outro lado, percebemos o fen\u00f4meno enquanto desconhecido. Isso traz resson\u00e2ncias e reverbera\u00e7\u00f5es bastante amb\u00edguas que nos instigam a querer saber mais, mesmo que esta busca possa nos causar inc\u00f4modos ou sensa\u00e7\u00f5es do tipo: \u2018isso \u00e9 perturbadoramente belo\u2019 ou \u2018\u00e9 estranhamente fascinante\u2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel dizer que, por esta e outras raz\u00f5es, revela-se pronunciado furor pelo entretenimento de terror, suspense, mist\u00e9rio, al\u00e9m do \u00edmpeto em assistir ou ouvir not\u00edcias m\u00f3rbidas e sensacionalistas. No Brasil dos anos 60 a 90, o j\u00e1 extinto jornal \u00b4Not\u00edcias Populares\u00b4, similar aos tabloides americanos de qualidade e proced\u00eancia question\u00e1veis, enfeiti\u00e7ava a aten\u00e7\u00e3o de seus leitores, al\u00e9m do famoso telejornal de not\u00edcias com forte apelo popular, \u2018Aqui Agora\u2019. Na atualidade, ainda temos este mesmo formato de telejornal com not\u00edcias, muitas vezes, em tempo real, de evidente apelo midi\u00e1tico, como \u2018Cidade Alerta\u2019 e \u2018Balan\u00e7o Geral\u2019, perpetrando verdadeiras \u00e2nsias nos espectadores em consumir tais conte\u00fados. E, no universo das artes e express\u00e3o humana, n\u00e3o se vislumbra tend\u00eancia contr\u00e1ria. A po\u00e9tica do sobrenatural e do g\u00f3tico, sejam nas artes visuais ou liter\u00e1rias, emerge como fator de alcance de consumo, marcando obras atemporais comumente citadas e que permeiam o imagin\u00e1rio popular.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na ind\u00fastria do entretenimento, a exibi\u00e7\u00e3o de conte\u00fados diversos, sejam eles apelativos ou nem tanto, al\u00e9m de uma forma de arte, o cinema \u00e9 um nicho extremamente lucrativo para isso, cite-se aquele denominado \u2018de explora\u00e7\u00e3o\u2019 ou <em>exploitation<\/em>. Alguns exemplos seriam os filmes \u2018B\u2019 realizados na Oceania, <em>Ozploitation<\/em>; <em>Bikersploitation<\/em>, filmes de motocicleta; Zumbis e Canibais; <em>Blaxploitation<\/em>, traduzindo elementos, como g\u00edrias e estere\u00f3tipos da cultura negra; <em>Anuxploitation<\/em>, pel\u00edculas \u2018B\u2019 canadenses; <em>Carsploitation<\/em>, filmes usando carros com corrida, batidas e explos\u00f5es; <em>Chambara films<\/em>, aventuras de samurai; <em>Nazisploitation<\/em>, sobre campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas; <em>Nudist films<\/em>, inseridos numa lista prol\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o raro a miscel\u00e2nea de subg\u00eaneros se entrela\u00e7a ou minimamente se toca em alguns pontos, o filme de terror \u2018Alucarda,(1977)\u2019, de vi\u00e9s sobrenatural, poderia facilmente ser inserido naqueles denominados <em>nunsploitations<\/em>, filmes er\u00f3ticos de freiras, contempor\u00e2neos \u00e0 deriva\u00e7\u00e3o dos chamados \u2018WIP \u2013 Women in Prison\u2019 (mulheres na pris\u00e3o). No entanto, o cinema deve ser apreciado, n\u00e3o qualificado, pelo menos quando n\u00e3o inserido no contexto acad\u00eamico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tratam-se de produ\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e relativamente baratas, com o objetivo de lucro imediato sem grande apre\u00e7o, salvo exce\u00e7\u00f5es casu\u00edsticas, pelos desdobramentos est\u00e9ticos e art\u00edsticos da pel\u00edcula. Observa-se nesse panorama, um reflexo evidenciado pela demanda mercadol\u00f3gica. No Brasil, de modo similar, verifica-se tal fen\u00f4meno no cinema produzido na chamada \u2018Boca do Lixo\u2019 paulistana, quando a partir dos anos 80, as err\u00f4nea e genericamente rotuladas de pornochanchadas, deram espa\u00e7o ao cinema expl\u00edcito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como se sabe, revela-se uma inclina\u00e7\u00e3o atual \u00e0 rotula\u00e7\u00e3o e&nbsp; cria\u00e7\u00e3o de constantes defini\u00e7\u00f5es, tais como subt\u00edtulos ou subg\u00eaneros muitas vezes in\u00f3cuos. Contudo, em meio a esta \u2018sopa de letrinhas\u2019, como o <em>porn torture <\/em>(\u2018O Albergue, 2005\u2019)<em>, <\/em>ou o <em>found footage <\/em>(\u2018A Bruxa de Blair\u2019, 1999), voltemos a aten\u00e7\u00e3o para aquela chamada de <em>folk horror<\/em>, com representativos pontuais, principalmente a partir dos anos 60, ainda que n\u00e3o denominados inicialmente como tal, pois o termo \u00e9 relativamente recente, aplicado a partir dos anos 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>O terror folcl\u00f3rico, em verdade, se apropria de caracter\u00edsticas regionais ou elementos de folclore, oral ou escrito, a fim de criar os aspectos secund\u00e1rios de suspense, ou mesmo, alinhavar a estrutura de toda a trama, de maior relevo no cinema brit\u00e2nico a partir dos anos 60. Desde cl\u00e1ssicos como \u2018O Homem de Palha\u2019, (1973), com destaque para a atua\u00e7\u00e3o instigante de Christopher Lee, e sua problem\u00e1tica refilmagem de 2006, at\u00e9 celebrados t\u00edtulos recentes como \u2018A Bruxa\u2019 (2015), \u2018A lenda do Cavaleiro Sem Cabe\u00e7a\u2019 (1999) e, finalmente, \u2018Midsommar\u2019 (2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Na trama de \u2018Midsommar\u2019, do aclamado diretor Ari Aster (tamb\u00e9m do amado e odiado \u2018Heredit\u00e1rio\u2019, 2018), temos elementos de roteiro e cinematografia que n\u00e3o s\u00f3 encantam pela sua bel\u00edssima fotografia diurna em tons e nuances em vermelho, azul e branco, remetendo ao contexto da seita, como tamb\u00e9m as quest\u00f5es hist\u00f3ricas dos rituais, das tradi\u00e7\u00f5es ancestrais e da cultura do remoto vilarejo sueco. Acompanhamos um grupo de estudantes que viaja a este lugar ermo na tentativa de estudar o grupo e seus costumes.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, a viagem \u00e9 marcada por uma trag\u00e9dia envolvendo a fam\u00edlia de Dani (Florence Pugh), ent\u00e3o a contragosto de seu distante namorado, Christian (Jack Reynor), embarca junto a ele e seus amigos para o pequeno vilarejo. L\u00e1, a medida em que eles v\u00e3o se envolvendo no cotidiano daquele grupo, paulatinamente, v\u00e3o se afastando uns dos outros, caindo nas gra\u00e7as sedutoras da comunidade que oferece acolhimento e pertencimento, amor e cuidado, por\u00e9m mediante ren\u00fancias \u00e9ticas e morais, ainda que inicialmente n\u00e3o percebidas como tais.<\/p>\n\n\n\n<p>Falando em sedu\u00e7\u00e3o e grupo, experimentamos na hist\u00f3ria, verdadeiras figuras perform\u00e1ticas que captaram significativa quantidade de admiradores\/seguidores\/servi\u00e7ais que cegamente envolvidas numa esp\u00e9cie de encantamento, aceitaram se submeter aos mais insanos rituais em nome do amor, desde assassinatos em s\u00e9rie a suic\u00eddio coletivo. S\u00e3o os casos de extrema repercuss\u00e3o de Charles Milles Manson, d\u00e9cada de 60, Calif\u00f3rnia, EUA e Jim Jones, d\u00e9cada de 70, Jonestown, Guiana. Se olharmos mais criteriosamente, em tempos atuais, assistimos a teatrais l\u00edderes religiosos que conduzem gigantescas massas em nome de supostas salva\u00e7\u00e3o e prosperidade eternas ao pre\u00e7o do fiel entregar algo que n\u00e3o tem. Evidentemente, n\u00e3o apontando nenhuma denomina\u00e7\u00e3o religiosa ou doutrina em si, mas indiv\u00edduos e epis\u00f3dios que destoam da institui\u00e7\u00e3o, num verdadeiro contexto de indulg\u00eancia e simonia contempor\u00e2neos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em Psicologia das Massas e An\u00e1lise do Eu (1921), Freud ao explorar fen\u00f4menos sociais e coletivos e a din\u00e2mica dos grupos humanos, observa a influ\u00eancia destes grupos no comportamento do sujeito que parece se transformar inconscientemente quando est\u00e1 inserido na massa. O la\u00e7o grupal e a aliena\u00e7\u00e3o direcionada aos ritos ou a um l\u00edder em comum, o Pai, um Outro, representante da autoridade m\u00e1xima, inst\u00e2ncia da lei e grande gozador, faz com que o sujeito perca sua singularidade em meio \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o coletiva. Ademais, o grupo enquanto espelho que estrutura o sujeito que est\u00e1 imerso nesta trama, tenciona um jogo entre atender a demanda de amor do sujeito ao mesmo tempo que o convoca a renunciar seus princ\u00edpios e valores para continuar pertencendo \u00e0 \u2018fam\u00edlia\u2019. O cerne disso tudo poderia ser: sou amado e, portanto, permito-me tamb\u00e9m amar, e por que n\u00e3o, gozar disso tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>A personagem Dani, parece ter encontrado naquele colorido e acolhedor vilarejo, a possibilidade de novamente ser amada e amar o outro. A morte de sua fam\u00edlia orquestrada pela irm\u00e3 de maneira terr\u00edvel, que logo investe contra sua pr\u00f3pria vida, deixa um grande vazio. Ao encontrar aquele agrupamento, mesmo vivenciando sacrif\u00edcios e atividades ritual\u00edsticas brutais, inclusive, de forma d\u00fabia, entre aceita\u00e7\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o, onde at\u00e9 seu namorado \u00e9 sacrificado, nesse momento, Dani percebe que \u00e9 necess\u00e1rio cumprir certos mandamentos da comunidade para manter-se enla\u00e7ada e completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Paradoxalmente, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o humana o sentimento de desamparo e incompletude desde o nascimento, quando somos arrancados do terno e seguro \u00fatero. No entanto, para vivenciarmos a ilus\u00f3ria condi\u00e7\u00e3o de liberdade que faz parte do crescimento e da experi\u00eancia de viver, \u00e9 necess\u00e1rio se desvencilhar daquilo que oferece conforto e seguran\u00e7a. Portanto, pagamos o pre\u00e7o continuamente entre pertencer, ser amado e poder amar, renunciando ao querer. Cabe aqui a velha m\u00e1xima \u2018N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter tudo\u2019. A boa not\u00edcia \u00e9 que a falta gera desejo, e desejo \u00e9 vida em movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 certo que todos os elementos cl\u00e1ssicos comp\u00f5em de maneira perif\u00e9rica a escaleta do suspense a partir da constru\u00e7\u00e3o lenta e o desenvolver n\u00e3o apenas do roteiro, mas das peculiaridades dos personagens. A tens\u00e3o, num primeiro momento n\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia, pois sinaliza ao espectador que algo n\u00e3o \u00e9 o que parece. E, realmente, nada \u00e9 evidente quando somos surpreendidos por cenas gr\u00e1ficas que n\u00e3o apenas constroem o terror rural a partir de cren\u00e7as arraigadas, mas a partir de um caminho inelut\u00e1vel quanto a dramaticidade que orquestra o fim derradeiro. Retornando ao famoso \u2018Homem de Palha\u2019, a cena final, (a qual cabe ao leitor descobrir), flerta com a euforia em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 pretensa racionalidade e os meandros mais obscuros da capacidade humana, quando guiada\/criada de forma err\u00f4nea. Todavia, novamente o que \u00e9 err\u00f4neo a partir da vis\u00e3o sociol\u00f3gica e antropol\u00f3gica lan\u00e7ada de forma horizontal \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica?<\/p>\n\n\n\n<p>Em Midsommar, Dani ao ser acolhida naquelas estranhas e bizarras condi\u00e7\u00f5es impostas pelo grupo, temos uma perturbadora sensa\u00e7\u00e3o de que aquilo \u00e9 poss\u00edvel e aceit\u00e1vel. O subg\u00eanero do terror tem o tom de subvers\u00e3o j\u00e1 no in\u00edcio quando os aspectos sinistros envolvendo as dan\u00e7as, os di\u00e1logos, os olhares, os ritos acontecem \u00e0 luz do dia. Deparamo-nos com o sublime dos cen\u00e1rios e o visceral das mortes regadas a muito sangue em vibrante vermelho e desvario contagiante. Ao final, o filme impulsiona a reflex\u00e3o sobre nossa pequenez diante da finitude, da fragilidade dos corpos diante da solid\u00e3o e do quanto demandamos do pr\u00f3ximo para sentirmos vivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Constantemente citado como um dos grandes t\u00edtulos do horror nos \u00faltimos anos, a obra de Ari Aster, justamente por afastar-se dos estere\u00f3tipos do horror que remanescem pr\u00e9-concebidos nos espectadores, evoca a possibilidade do terror cotidiano e inesperado. Os cen\u00e1rios l\u00fagubres dos est\u00fadios brit\u00e2nicos Hammer, ou as trevosas loca\u00e7\u00f5es do suspense g\u00f3tico italiano, d\u00e3o lugar \u00e0 luminosidade do dia e das paisagens, lembrando que o assombro e o medo podem ser alvos como o branco ou cintilante, o azul celeste ou o vermelho sangue.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Marcus Hemerly e Bruna Rosalem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Marcus Hemerly<\/h4>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-electric-grass-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcus.hemerly?locale=pt_BR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"FACEBOOK\">FACEBOOK<\/a><\/h4>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-electric-grass-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/marcus_hemerly\/\" title=\"INSTAGRAM\">INSTAGRAM<\/a><\/h4>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Bruna Rosalem<\/h4>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-to-luminous-vivid-orange-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/brunarodriguesfotografias\/photos?locale=pt_BR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"FACEBOOK\">FACEBOOK<\/a><\/h4>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-to-luminous-vivid-orange-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/psicanaliseecotidiano.com.br\/\" title=\"SAITE\">SAITE<\/a><\/h4>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/\" title=\"Voltar\">Voltar<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/JCulturalRol\/\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um aspecto interessante que parece nos atravessar cotidianamente \u00e9 uma esp\u00e9cie de duplo: quando alguma coisa \u00e9 capaz de ser estranha, obscura, inquietante e&#8230; <\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":71967,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[13775,1490,13583,13774],"class_list":["post-71966","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-ari-aster","tag-bruna-rosalem","tag-cinema-psicanalise","tag-midsommar"],"aioseo_notices":[],"views":1288,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/FLYER-.-MIDSOMMAR-2.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":65242,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=65242","url_meta":{"origin":71966,"position":0},"title":"O Animal Cordial: a duplicidade homem e fera\u00a0","author":"Bruna Rosalem","date":"22 de mar\u00e7o de 2024","format":false,"excerpt":"O cinema brasileiro \u00e9 bem definido sob o ponto de vista de per\u00edodos e sua intera\u00e7\u00e3o\/comunica\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. 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