{"id":76415,"date":"2025-10-27T08:02:00","date_gmt":"2025-10-27T11:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=76415"},"modified":"2025-10-26T12:20:24","modified_gmt":"2025-10-26T15:20:24","slug":"anatomia-de-um-encanto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=76415","title":{"rendered":"Anatomia de um encanto"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F76415&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F76415&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Bianca Agnelli<br><br>Tim Burton na XV Florence Biennale: anatomia de um encanto<br><br><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" data-attachment-id=\"76416\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=76416\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Banner-x-\ud835\udc1a\ud835\udc2b\ud835\udc2d\ud835\udc22\ud835\udc1c\ud835\udc28\ud835\udc25\ud835\udc22-\ud835\udc09\ud835\udc28\ud835\udc2e\ud835\udc2b\ud835\udc27\ud835\udc1a\ud835\udc25.jpg\" data-orig-size=\"1920,1080\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"Banner x \ud835\udc1a\ud835\udc2b\ud835\udc2d\ud835\udc22\ud835\udc1c\ud835\udc28\ud835\udc25\ud835\udc22 \ud835\udc09\ud835\udc28\ud835\udc2e\ud835\udc2b\ud835\udc27\ud835\udc1a\ud835\udc25\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Banner-x-\ud835\udc1a\ud835\udc2b\ud835\udc2d\ud835\udc22\ud835\udc1c\ud835\udc28\ud835\udc25\ud835\udc22-\ud835\udc09\ud835\udc28\ud835\udc2e\ud835\udc2b\ud835\udc27\ud835\udc1a\ud835\udc25.jpg\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Banner-x-\ud835\udc1a\ud835\udc2b\ud835\udc2d\ud835\udc22\ud835\udc1c\ud835\udc28\ud835\udc25\ud835\udc22-\ud835\udc09\ud835\udc28\ud835\udc2e\ud835\udc2b\ud835\udc27\ud835\udc1a\ud835\udc25.jpg\" alt=\"Card do artigo 'Tim Burton na XV Florence Biennale: anatomia de um encanto'\" class=\"wp-image-76416\" srcset=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Banner-x-\ud835\udc1a\ud835\udc2b\ud835\udc2d\ud835\udc22\ud835\udc1c\ud835\udc28\ud835\udc25\ud835\udc22-\ud835\udc09\ud835\udc28\ud835\udc2e\ud835\udc2b\ud835\udc27\ud835\udc1a\ud835\udc25.jpg 1920w, https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Banner-x-\ud835\udc1a\ud835\udc2b\ud835\udc2d\ud835\udc22\ud835\udc1c\ud835\udc28\ud835\udc25\ud835\udc22-\ud835\udc09\ud835\udc28\ud835\udc2e\ud835\udc2b\ud835\udc27\ud835\udc1a\ud835\udc25-1200x675.jpg 1200w, https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Banner-x-\ud835\udc1a\ud835\udc2b\ud835\udc2d\ud835\udc22\ud835\udc1c\ud835\udc28\ud835\udc25\ud835\udc22-\ud835\udc09\ud835\udc28\ud835\udc2e\ud835\udc2b\ud835\udc27\ud835\udc1a\ud835\udc25-768x432.jpg 768w, https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Banner-x-\ud835\udc1a\ud835\udc2b\ud835\udc2d\ud835\udc22\ud835\udc1c\ud835\udc28\ud835\udc25\ud835\udc22-\ud835\udc09\ud835\udc28\ud835\udc2e\ud835\udc2b\ud835\udc27\ud835\udc1a\ud835\udc25-1536x864.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Card da mat\u00e9ria &#8216;Tim Burton na XV Florence Biennale: anatomia de um encanto<\/em>&#8216;<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Em 21 de outubro de 2025, o dia come\u00e7ou como se quisesse homenagear o convidado especial: chuvoso, cinzento, com um ar levemente espectral. Acordei cedo &#8211; cedo demais &#8211; e logo voltei a dormir. S\u00f3 quando o alarme insistiu pela segunda vez \u00e9 que o meu c\u00e9rebro finalmente registrou: se eu me apressasse, talvez encontrasse um dos meus diretores favoritos. Um sonho ao alcance das m\u00e3os, desde que eu me levantasse da cama.<\/p>\n\n\n\n<p>Parti rumo a Floren\u00e7a com a minha principal parceira de aventuras: minha m\u00e3e. Ela tem uma habilidade invej\u00e1vel de se entusiasmar com qualquer plano que eu invente, sempre em dose dobrada. O detalhe escondido no entusiasmo coletivo: uma espera de seis horas. De p\u00e9. Faz parte do of\u00edcio. O of\u00edcio da cin\u00e9fila assumida, talvez.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegamos \u00e0 entrada da&nbsp;<em>XV Florence Biennale<\/em>, na imponente Fortezza da Basso. O ambiente, de arquitetura quase militar, hoje pulsa arte contempor\u00e2nea e, naquele dia, parecia ecoar perfeitamente o tema da edi\u00e7\u00e3o: \u201cA Ess\u00eancia Sublime da Luz e da Escurid\u00e3o. Conceitos de Dualismo e Unidade na Arte e no Design Contempor\u00e2neo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Bienal reuniu mais de 550 artistas de mais de 80 pa\u00edses e apresentou cerca de 1.500 obras entre 18 e 26 de outubro de 2025. Foi ali, \u00e0s 17h, que se realizou a cerim\u00f4nia do prestigioso \u201cLorenzo il Magnifico Lifetime Achievement Award\u201d, dedicado a artistas que transformaram a arte contempor\u00e2nea. No comunicado oficial se destaca a \u201cextraordin\u00e1ria obra art\u00edstica de Tim Burton, que abra\u00e7a desenho, gr\u00e1fica, anima\u00e7\u00e3o em stop-motion e produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limitava ao palco. A poucos passos dali, se escondia outro pequeno teatro das maravilhas: a exposi\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>Tim Burton: Light and Darkness<\/em>. Um t\u00edtulo que j\u00e1 entregava, com eleg\u00e2ncia, o cora\u00e7\u00e3o do encontro. O percurso expositivo parecia uma ca\u00e7a ao tesouro dentro da mente do cineasta: esbo\u00e7os, apontamentos, criaturinhas que pareciam sair de um pesadelo afetuoso e, detalhe que derrete qualquer f\u00e3, desenhos retirados de seus cadernos pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada sala abria uma fenda diferente para o seu imagin\u00e1rio. A viagem come\u00e7ava com obras bidimensionais que n\u00e3o tinham nada de planas: pap\u00e9is, lenticulares 3D e criaturas de resina que pareciam respirar. A luz era cir\u00fargica, precisa, e a sombra se infiltrava para provocar a inquieta\u00e7\u00e3o certa.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, o mundo parava. Entrei em um espa\u00e7o que poderia ser aquele de um parque de divers\u00f5es psicod\u00e9lico: luzes ultravioletas, cores que arranham a retina e, no centro, um carrossel que observava o p\u00fablico como se pudesse girar sem aviso. Uma esp\u00e9cie de &#8216;Burtonl\u00e2ndia&#8217; secreta, in\u00e9dita e, ainda assim, estranhamente familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o veio o golpe que faz o cora\u00e7\u00e3o cin\u00e9filo trope\u00e7ar: marionetes e desenhos dos filmes. Victor e Emily, de&nbsp;<em>A Noiva Cad\u00e1ver<\/em>, relembravam que o amor depois da morte pode ser mais fiel que o dos vivos. Edward M\u00e3os-de-Tesoura surgia em forma de esbo\u00e7o, murmurando: \u201cfica tranquila, eu tamb\u00e9m nunca sei onde me encaixo\u201d. Totens delicados que revelam o lado mais \u00edntimo da stop-motion.<\/p>\n\n\n\n<p>A tese da mostra me pareceu cristalina: nada existe apenas na luz ou apenas na sombra. As obras diziam isso. A curadoria dizia isso. O meu rosto, meio iluminado e meio oculto enquanto eu tentava entender se o monstro fluorescente no canto estava me cumprimentando, tamb\u00e9m dizia isso. Burton nunca exige que o p\u00fablico escolha um lado. Ele convida a enxergar a linha onde os contrastes se reconciliam.<\/p>\n\n\n\n<p>O curioso \u00e9 que a pr\u00f3pria cidade conspirava a favor da narrativa. A chuva da manh\u00e3, o sagu\u00e3o em penumbra, o cen\u00e1rio medieval da fortaleza\u2026 tudo parecia encaixado na est\u00e9tica burtoniana. Al\u00e9m disso, quem j\u00e1 assistiu&nbsp;<em>Edward Scissorhands<\/em>&nbsp;ou&nbsp;<em>The Nightmare Before Christmas<\/em>&nbsp;sabe que sua arte encontra beleza exatamente na brecha entre os opostos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na fila para a cerim\u00f4nia (de p\u00e9, com minha m\u00e3e gesticulando como se comandasse um ex\u00e9rcito de fantasmas), pensei no quanto o tema da Bienal era certeiro. O dualismo luz-escurid\u00e3o \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da po\u00e9tica de Burton. Floren\u00e7a n\u00e3o era apenas palco. Tinha o papel de personagem silenciosa.<\/p>\n\n\n\n<p>A premia\u00e7\u00e3o durou poucos minutos. O cineasta subiu ao palco, agradeceu em um italiano t\u00edmido e aplaudiram sem pressa, como se ningu\u00e9m quisesse encerrar aquele momento. Registrei internamente o som como \u201cum cora\u00e7\u00e3o que pulsa tamb\u00e9m no escuro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante aqueles instantes, imaginei que Tim olhava na minha dire\u00e7\u00e3o. Sei que n\u00e3o era verdade. Ainda assim, senti o choque doce da realidade: eu estava ali, testemunhando o encontro entre uma refer\u00eancia criativa e a cidade que o celebrava.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando deixamos a fortaleza ao anoitecer, a chuva j\u00e1 tinha amainado. Entre postes tremeluzentes e far\u00f3is distantes, a luz de Floren\u00e7a parecia conquistar uma vit\u00f3ria tempor\u00e1ria sobre a escurid\u00e3o, refletida nos paralelep\u00edpedos molhados com a gra\u00e7a de um pequeno feiti\u00e7o urbano.<\/p>\n\n\n\n<p>Burton teria aprovado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Bianca Agnelli<\/h3>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Tim Burton alla XV Florence Biennale: anatomia di un incanto<\/h2>\n\n\n\n<p>Il 21 ottobre 2025 \u00e8 stata una giornata memorabile.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c8 iniziata piovosa, uggiosa, perfettamente in mood spettrale. Ovviamente mi sono svegliata prestissimo &#8211; e poi, come al solito, mi sono riaddormentata. Poi la sveglia ha compiuto il suo dovere, e &#8211; click &#8211; il mio cervello ha realizzato che avrei incontrato (forse, se mi fossi data una mossa) il mio regista (beh, uno DEI) preferito.<\/p>\n\n\n\n<p>Cos\u00ec, con tutta la voglia di vivere che mi restava (che, riconosciamolo, quella mattina non era al massimo), ho preso la strada verso Firenze, insieme alla mia compagna d\u2019avventure numero uno: mia madre. Ecco: se c\u2019\u00e8 qualcosa che probabilmente non sapete \u00e8 che mia madre si entusiasma per tutto ci\u00f2 che le propongo con un entusiasmo doppiamente esuberante rispetto al mio &#8211; anche se la cosa prevedeva un\u2019attesa che ho scoperto sarebbe stata di sei ore\u2026 in piedi. Ma questi sono dettagli del mestiere. (Il mestiere della pazza di cinema, forse?)<\/p>\n\n\n\n<p>Arrivati all\u2019ingresso del&nbsp;<em>XV Florence Biennale<\/em>, nella grandiosa cornice della Fortezza da Basso di Firenze &#8211; spazio storico, quasi militare, ora saturato di arte contemporanea &#8211; l\u2019atmosfera pareva rispecchiare perfettamente il tema dell\u2019edizione: \u201cThe Sublime Essence of Light and Darkness. Concepts of Dualism and Unity in Contemporary Art and Design\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>La manifestazione &#8211; che raccoglie oltre 550 artisti da pi\u00f9 di 80 paesi, con circa 1.500 opere esposte &#8211; si \u00e8 tenuta dal 18 al 26 ottobre 2025. E quel pomeriggio, alle 17:00, \u00e8 avvenuta la cerimonia di conferimento del prestigioso premio \u201cLorenzo il Magnifico Lifetime Achievement Award\u201d, destinato a celebrare la carriera di artisti che hanno profondamente segnato il contemporaneo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nel comunicato ufficiale si legge che il comitato curatoriale ha voluto riconoscere in Tim Burton \u00ablo straordinario lavoro artistico che abbraccia disegno, grafica, animazione stop-motion e produzione cinematografica\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>E in effetti l\u2019evento non si \u00e8 limitato a una mera cerimonia. A pochi passi dalla sala della premiazione, la Fortezza custodiva anche un altro piccolo teatro delle meraviglie: la mostra&nbsp;<em>Tim Burton: Light and Darkness<\/em>. Il titolo non poteva essere pi\u00f9 esplicito, quasi un gentile spoiler del motivo per cui eravamo l\u00ec. L\u2019organizzazione ha costruito un percorso che assomigliava a una caccia al tesoro nella mente di Burton: schizzi, appunti, creaturine che sembrano uscite da un incubo tenerissimo e &#8211; dettaglio adorabile &#8211; alcuni disegni presi dai suoi taccuini.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u2019esposizione si articola su pi\u00f9 sale e ognuna ti lancia in un frammento del suo immaginario. Si comincia con opere bidimensionali che si rivelano tutt\u2019altro che piatte: fogli, lenticolari 3D e quelle \u201ccreature\u201d in resina che sembrano sul punto di respirare. Qui la luce era chirurgica, precisa, e l\u2019ombra si insinuava dove serviva per far emergere l\u2019inquietudine.<\/p>\n\n\n\n<p>Poi l\u2019atmosfera immobile. Mi sono ritrovata in una stanza che pareva uscita da un luna-park psichedelico: luci ultraviolette, colori che graffiano, e al centro un carosello incantato. Una specie di \u201cBurtonland\u201d segreto che nessuno di noi aveva ancora immaginato, eppure cos\u00ec familiare.<\/p>\n\n\n\n<p>Infine, il colpo al cuore cinefilo: pupazzi e disegni legati ai suoi film. Victor ed Emily di&nbsp;<em>La Sposa Cadavere<\/em>&nbsp;stanno l\u00ec a ricordarti che l\u2019amore dopo la morte pu\u00f2 essere pi\u00f9 fedele di quello in vita. Edward con le mani-cesoia fa capolino in forma di schizzo, come se dicesse: \u201ctranquilla, sono sempre un po\u2019 fuori posto anche io\u201d. Piccoli totem che restituiscono al pubblico il lato pi\u00f9 intimo dell\u2019animazione stop-motion.<\/p>\n\n\n\n<p>Ho pensato che la vera tesi della mostra fosse semplice quanto profonda:&nbsp;<strong>niente \u00e8 mai solo luce o solo ombra.<\/strong>&nbsp;Lo dicevano le opere, lo diceva la curatrice, lo diceva la mia faccia illuminata a met\u00e0 mentre cercavo di capire se il mostro fluorescente nell\u2019angolo mi stesse salutando. Burton non chiede mai allo spettatore di scegliere una parte. Ti invita a guardare proprio quella linea dove i contrasti fanno pace.<\/p>\n\n\n\n<p>Non ho potuto fare a meno di notare come l\u2019intera ambientazione &#8211; dalla pioggia mattutina al foyer in ombra della Fortezza &#8211; fosse una scenografia perfetta per il suo mondo: chiunque abbia visto anche solo una volta&nbsp;<em>Edward Scissorhands<\/em>&nbsp;o&nbsp;<em>The Nightmare Before Christmas<\/em>&nbsp;sa che Burton gioca con la luce e l\u2019oscurit\u00e0 in modo che &#8211; sorpresa \u2014 &#8211; bellezza spesso nasca nell\u2019intercapedine.<\/p>\n\n\n\n<p>Mentre ero in fila (in piedi, con mia madre che gesticolava come se stesse dirigendo un\u2019armata di fantasmi), ho pensato a quanto la Biennale avesse ragione a scegliere quel tema. Il dualismo luce-ombra \u00e8 davvero il cuore della poetica burtoniana: e l\u2019ambientazione fiorentina non era solo una cornice, ma un personaggio silenzioso.<\/p>\n\n\n\n<p>La cerimonia \u00e8 durata pochi minuti &#8211; il regista \u00e8 salito sul palco, ha pronunciato un ringraziamento misurato in un italiano vagamente migliorabile, e la sala \u00e8 scoppiata in un applauso che sembrava non voler finire. Io l\u2019ho registrato mentalmente come \u201cil battito di un cuore che pulsa anche nell\u2019ombra\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante quei due minuti, ho immaginato che Tim mi stesse guardando &#8211; e s\u00ec, lo so: un\u2019illusione. Ma in quel frammento di tempo ho percepito l\u2019incredulit\u00e0 di trovarmi davvero l\u00ec, testimone dell\u2019incontro tra uno dei miei riferimenti creativi e la citt\u00e0 che lo ospitava.<\/p>\n\n\n\n<p>Alla fine, uscendo dalla Fortezza all\u2019imbrunire, la pioggia si era fermata. Tra lampioni tremolanti e fari lontani, la luce di Firenze, sottile e suggestiva, sembrava giocare una vittoria temporanea sull\u2019oscurit\u00e0, riflettendosi sui sassi bagnati con la grazia di un piccolo incantesimo urbano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Burton avrebbe approvato.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Bianca Agnelli<\/h3>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-to-luminous-vivid-orange-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bibiselkie\/\" title=\"Instagram\">Instagram<\/a><\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-to-luminous-vivid-orange-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/biancaxagnelli?_rdc=2&amp;_rdr#\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-to-luminous-vivid-orange-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/bibiselkie\" title=\"YouTube\">YouTube<\/a><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/\" title=\"Voltar\">Voltar<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/JCulturalrol\/\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 21 de outubro de 2025, o dia come\u00e7ou como se quisesse homenagear o convidado especial: chuvoso, cinzento, com um ar levemente espectral. 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