{"id":78536,"date":"2026-02-16T18:37:49","date_gmt":"2026-02-16T21:37:49","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=78536"},"modified":"2026-02-16T18:39:33","modified_gmt":"2026-02-16T21:39:33","slug":"entre-mascaras-e-espelhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=78536","title":{"rendered":"Entre m\u00e1scaras e espelhos"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F78536&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F78536&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Clayton Alexandre Zocarato <br><br>&#8216;Entre m\u00e1scaras e espelhos: o pecado necess\u00e1rio do Carnaval&#8217;<br><br><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"966\" height=\"1288\" data-attachment-id=\"66477\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=66477\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/6d8a5754-eec0-4de2-a6ee-8187eb15498b.jpg\" data-orig-size=\"966,1288\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"6d8a5754-eec0-4de2-a6ee-8187eb15498b\" data-image-description=\"&lt;p&gt;Clayton A. Zocarato&lt;\/p&gt;\n\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Clayton A. Zocarato&lt;\/p&gt;\n\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/6d8a5754-eec0-4de2-a6ee-8187eb15498b.jpg\" src=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/6d8a5754-eec0-4de2-a6ee-8187eb15498b.jpg\" alt=\"Clayton Alexandre Zocarato\" class=\"wp-image-66477\" style=\"aspect-ratio:0.7500344684957948;width:154px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/6d8a5754-eec0-4de2-a6ee-8187eb15498b.jpg 966w, https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/6d8a5754-eec0-4de2-a6ee-8187eb15498b-900x1200.jpg 900w, https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/6d8a5754-eec0-4de2-a6ee-8187eb15498b-768x1024.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 966px) 100vw, 966px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Clayton A. Zocarato<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1536\" data-attachment-id=\"78537\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=78537\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/e7185730-7fd6-43a4-aeb1-dc20191c1e27.jpg\" data-orig-size=\"1024,1536\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"e7185730-7fd6-43a4-aeb1-dc20191c1e27\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/e7185730-7fd6-43a4-aeb1-dc20191c1e27.jpg\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/e7185730-7fd6-43a4-aeb1-dc20191c1e27.jpg\" alt=\"Imagem criada por IA do ChatGPT - https:\/\/chatgpt.com\/c\/69938cd9-5660-8332-8947-734b4540c25c\" class=\"wp-image-78537\" style=\"width:346px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/e7185730-7fd6-43a4-aeb1-dc20191c1e27.jpg 1024w, https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/e7185730-7fd6-43a4-aeb1-dc20191c1e27-800x1200.jpg 800w, https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/e7185730-7fd6-43a4-aeb1-dc20191c1e27-768x1152.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem criada por IA do ChatGPT &#8211; https:\/\/chatgpt.com\/c\/69938cd9-5660-8332-8947-734b4540c25c<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">O carnaval \u00e9 uma esta\u00e7\u00e3o da alma antes de ser uma data no calend\u00e1rio. Ele n\u00e3o come\u00e7a quando o tambor rufa nem termina quando a quarta-feira amanhece cinza; come\u00e7a muito antes, na dobra \u00edntima do desejo humano de suspender o peso da pr\u00f3pria biografia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 como se, por alguns dias, a sociedade respirasse por outra narina, inalando excesso e exalando conten\u00e7\u00e3o, num movimento alternado que a mant\u00e9m viva. <strong>O carnaval \u00e9 o intervalo necess\u00e1rio entre aquilo que somos obrigados a ser e aquilo que tememos ser.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 festa, mas \u00e9 tamb\u00e9m espelho; \u00e9 riso, mas \u00e9 igualmente vertigem.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua hist\u00f3ria se derrama como vinho antigo. Muito antes de ganhar as avenidas tropicais, j\u00e1 pulsava nos rituais de invers\u00e3o do mundo, quando a ordem era colocada de cabe\u00e7a para baixo para que pudesse, paradoxalmente, permanecer de p\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas antigas celebra\u00e7\u00f5es da fertilidade, nas festas dedicadas a deuses que morriam e renasciam, havia sempre a permiss\u00e3o para a desmedida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em certas \u00e9pocas do imp\u00e9rio romano, durante as festas de inverno, os pap\u00e9is sociais eram trocados, os senhores serviam e os servos riam. S\u00e9culos depois, sob o calend\u00e1rio crist\u00e3o, a festa antecedia a quaresma como a gargalhada antecede o sil\u00eancio do arrependimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A carne era celebrada antes de ser negada. O corpo era exaltado antes de ser disciplinado. A pr\u00f3pria palavra <strong>carnaval<\/strong> carrega essa tens\u00e3o entre a despedida da carne e sua consagra\u00e7\u00e3o derradeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando atravessou oceanos e se enraizou em terras tropicais, encontrou solo f\u00e9rtil. No Brasil, tornou-se espet\u00e1culo de cores, ritmos e multid\u00f5es. Nasceu nos entrudos coloniais, ganhou forma nos sal\u00f5es do s\u00e9culo XIX, tomou as ruas com ranchos e cord\u00f5es, e explodiu em pot\u00eancia nas escolas de samba do s\u00e9culo XX.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em cidades como Rio de Janeiro, transformou-se em ritual coreografado, onde comunidades inteiras trabalham durante meses para contar hist\u00f3rias que misturam mitologia, cr\u00edtica social e mem\u00f3ria coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Salvador, tornou-se mar\u00e9 el\u00e9trica que arrasta milh\u00f5es atr\u00e1s de trios amplificados, dissolvendo fronteiras entre palco e plateia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em Recife, pulsa no frevo que desafia a gravidade e no maracatu que evoca reis e rainhas ancestrais. Cada cidade inscreve no carnaval sua pr\u00f3pria narrativa, mas todas compartilham o mesmo gesto: suspender a normalidade para revelar sua fragilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Filosoficamente, o carnaval \u00e9 o laborat\u00f3rio do excesso. Ele questiona a rigidez das normas ao permitir que o grotesco desfile de m\u00e3os dadas com o sublime.<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e1scaras ocultam identidades ao mesmo tempo em que as revelam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao vestir-se de <strong>outro<\/strong>, o indiv\u00edduo experimenta <strong>a estranha liberdade de n\u00e3o ser ele mesmo.<\/strong> O anonimato torna-se licen\u00e7a, e a licen\u00e7a, risco. H\u00e1 uma verdade paradoxal nessa encena\u00e7\u00e3o: ao representar, confessa-se; ao exagerar, desnuda-se. O riso coletivo n\u00e3o \u00e9 apenas divers\u00e3o, mas uma cr\u00edtica disfar\u00e7ada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Satiriza-se o poder, caricaturam-se as hierarquias, ironizam-se os costumes.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante alguns dias, o rei pode ser ridicularizado, o santo pode dan\u00e7ar, o pobre pode brilhar como nobre. A invers\u00e3o n\u00e3o destr\u00f3i a ordem; antes, recorda que ela \u00e9 constru\u00e7\u00e3o humana, portanto transit\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Sociologicamente, o carnaval \u00e9 v\u00e1lvula e vulc\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1lvula porque permite que tens\u00f5es acumuladas encontrem escape simb\u00f3lico. Vulc\u00e3o porque, ao liberar essas for\u00e7as, revela a energia subterr\u00e2nea que sustenta a conviv\u00eancia social. A multid\u00e3o que dan\u00e7a un\u00edssona experimenta uma forma rara de comunh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Corpos comprimidos em ruas estreitas descobrem um ritmo comum, uma respira\u00e7\u00e3o partilhada. Ali, diferen\u00e7as de classe, cor, profiss\u00e3o e origem parecem dissolver-se sob o suor e o confete.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, essa dissolu\u00e7\u00e3o \u00e9 provis\u00f3ria. Quando o sol da quarta-feira se imp\u00f5e, as fronteiras retornam, as desigualdades reaparecem, as fantasias s\u00e3o guardadas. O carnaval, ent\u00e3o, revela sua face amb\u00edgua: ele tanto aproxima quanto evidencia a dist\u00e2ncia que separa.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 nesse ponto que surge seu pecado. N\u00e3o um pecado simples, moralista, reduzido a excessos de bebida ou lux\u00faria. Seu pecado \u00e9 mais profundo e mais antigo: \u00e9 o pecado de lembrar ao ser humano que ele deseja mais do que a ordem lhe permite.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O carnaval encarna a tenta\u00e7\u00e3o da liberdade absoluta, ainda que por horas contadas. Ele celebra o corpo num mundo que frequentemente o vigia; celebra o prazer num contexto que o regula; celebra a mistura num sistema que classifica. Seu pecado \u00e9 o de afirmar a vida em sua abund\u00e2ncia desobediente.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m h\u00e1 o pecado que nasce do pr\u00f3prio excesso. A liberdade pode converter-se em irresponsabilidade, o anonimato em viol\u00eancia, a alegria em aliena\u00e7\u00e3o. A festa que promete comunh\u00e3o pode reproduzir exclus\u00f5es; o espet\u00e1culo que denuncia injusti\u00e7as pode ser capturado por interesses econ\u00f4micos; o rito popular pode transformar-se em produto tur\u00edstico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O carnaval oscila entre resist\u00eancia e mercadoria, entre cr\u00edtica e consumo. Sua dubialidade de pecado reside justamente nessa oscila\u00e7\u00e3o: \u00e9 transgress\u00e3o que liberta e, ao mesmo tempo, transgress\u00e3o que pode aprisionar em novos grilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente, cada per\u00edodo tentou domesticar o carnaval ou dele se apropriar. Governos j\u00e1 o incentivaram como s\u00edmbolo nacional e tamb\u00e9m o reprimiram como amea\u00e7a \u00e0 ordem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Elites j\u00e1 o desprezaram como desordem vulgar e depois o celebraram como patrim\u00f4nio cultural.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ele sobreviveu porque se metamorfoseia. \u00c9 camale\u00e3o social: adapta-se, negocia, reinventa-se.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cada gera\u00e7\u00e3o, renasce com novas m\u00fasicas, novas cr\u00edticas, novos corpos ocupando o espa\u00e7o p\u00fablico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 mem\u00f3ria viva de um povo que aprende a rir de si mesmo para n\u00e3o sucumbir ao peso da pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>No plano \u00edntimo, o carnaval \u00e9 confronto. Ao permitir que desejos ocultos venham \u00e0 tona, ele questiona a narrativa que cada um constr\u00f3i sobre si.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e1scara n\u00e3o apenas esconde; ela autoriza. E, ao autorizar, revela. Quantos impulsos reprimidos encontram ali sua brecha?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quantas identidades silenciadas experimentam, por alguns dias, a luz? O pecado do carnaval \u00e9 tamb\u00e9m o pecado da sinceridade s\u00fabita.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele escancara o quanto somos feitos de camadas e o quanto a moral cotidiana \u00e9 um pacto fr\u00e1gil, sustentado por conven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, seria injusto reduzi-lo a um tribunal de culpas. O carnaval \u00e9 igualmente celebra\u00e7\u00e3o de criatividade, trabalho coletivo e heran\u00e7a cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Por tr\u00e1s de cada desfile h\u00e1 costureiras an\u00f4nimas, artes\u00e3os pacientes, m\u00fasicos dedicados, comunidades inteiras que transformam escassez em esplendor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 disciplina na aparente desordem, c\u00e1lculo na espontaneidade ensaiada, organiza\u00e7\u00e3o no caos coreografado. O pecado e a virtude dan\u00e7am abra\u00e7ados, indistingu\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a festa termina, resta um sil\u00eancio peculiar. N\u00e3o \u00e9 apenas cansa\u00e7o; \u00e9 reflex\u00e3o. A cidade parece estranhamente ampla sem os blocos, quase t\u00edmida sem as cores. Esse vazio revela que o carnaval n\u00e3o era mero excesso, mas necessidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele funciona como rito de passagem anual, lembrando que a vida n\u00e3o pode ser apenas trabalho, regra e conten\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Precisa tamb\u00e9m de del\u00edrio, de m\u00fasica alta, de encontros improv\u00e1veis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Precisa da experi\u00eancia do limite para reconhecer o valor da medida.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o carnaval permanece como paradoxo encarnado. \u00c9 pecado porque ousa desafiar; \u00e9 virtude porque ousa lembrar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 desordem que preserva a ordem; \u00e9 cr\u00edtica que reafirma a tradi\u00e7\u00e3o; \u00e9 fuga que devolve ao ponto de partida com novos olhos. Sua dubialidade n\u00e3o \u00e9 falha, mas ess\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele existe na fronteira entre o sagrado e o profano, entre o corpo e o esp\u00edrito, entre a m\u00e1scara e o rosto. E talvez seu maior significado seja este: ensinar que o ser humano \u00e9, ele pr\u00f3prio, carnaval \u2014 mistura de luz e sombra, regra e desejo, conten\u00e7\u00e3o e excesso \u2014 condenado e aben\u00e7oado por sua eterna capacidade de celebrar e transgredir ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o carnaval permanece como paradoxo encarnado. \u00c9 pecado porque ousa desafiar; \u00e9 virtude porque ousa lembrar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 desordem que preserva a ordem; \u00e9 cr\u00edtica que reafirma a tradi\u00e7\u00e3o; \u00e9 fuga que devolve ao ponto de partida com novos olhos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sua dubialidade n\u00e3o \u00e9 falha, mas ess\u00eancia. Ele existe no cabedal entre o sagrado e o profano, entre o corpo e o esp\u00edrito, entre a m\u00e1scara e o rosto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 ainda algo mais profundo nesse teatro coletivo que se ergue e se desfaz como castelo de areia ao sabor da mar\u00e9.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O carnaval \u00e9 tamb\u00e9m uma pedagogia do ef\u00eamero.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo nele \u00e9 intenso porque tudo nele \u00e9 breve. A fantasia que exigiu meses de trabalho dura algumas horas sob o brilho das luzes; o samba-enredo que embala multid\u00f5es ecoa forte e depois se dissolve na mem\u00f3ria; o beijo roubado na esquina pode nunca mais se repetir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A festa ensina, sem discursos, que a vida \u00e9 feita de instantes que queimam r\u00e1pido. Seu pecado talvez seja nos lembrar da finitude, mas faz\u00ea-lo dan\u00e7ando.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma economia simb\u00f3lica em curso durante esses dias.<\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 marginal torna-se central; o que \u00e9 sil\u00eancio vira canto; o que \u00e9 invis\u00edvel ocupa o palco. Corpos historicamente oprimidos reivindicam beleza, talento e presen\u00e7a. A avenida transforma-se em territ\u00f3rio de afirma\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata apenas de espet\u00e1culo, mas de reescrita provis\u00f3ria da hierarquia social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O carnaval redesenha o mapa do poder, ainda que com giz que a chuva pode apagar. E nessa reescrita reside tanto sua for\u00e7a quanto sua fragilidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Porque ao mesmo tempo em que ele abre espa\u00e7o para vozes esquecidas, tamb\u00e9m pode ser capturado por estruturas que transformam express\u00e3o em produto, cultura em mercadoria, identidade em vitrine.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa tens\u00e3o n\u00e3o o enfraquece; ao contr\u00e1rio, constitui sua pulsa\u00e7\u00e3o. O carnaval vive de contradi\u00e7\u00f5es como o cora\u00e7\u00e3o vive de s\u00edstole e di\u00e1stole. Expande-se na liberdade, contrai-se na disciplina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Exige planejamento rigoroso para que o improviso pare\u00e7a espont\u00e2neo. Cobra patroc\u00ednios e investimentos enquanto canta a simplicidade da rua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Move milh\u00f5es na ind\u00fastria do turismo e, ao mesmo tempo, nasce da criatividade de comunidades que aprendem a fazer do pouco um luxo simb\u00f3lico. Seu pecado \u00e9 tamb\u00e9m o de negociar com o mundo que critica.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, ainda, o carnaval interior, aquele que n\u00e3o depende de trio el\u00e9trico nem de arquibancada. \u00c9 o instante em que algu\u00e9m decide ousar ser outro, ainda que discretamente; quando escolhe uma roupa mais colorida do que o habitual; quando permite ao riso escapar em meio \u00e0 rotina r\u00edgida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O esp\u00edrito carnavalesco \u00e9 uma disposi\u00e7\u00e3o para a metamorfose. Ele questiona identidades fixas e lembra que somos processos, n\u00e3o est\u00e1tuas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao experimentar pap\u00e9is, compreendemos melhor o nosso. Ao atravessar o excesso, voltamos ao equil\u00edbrio com mais consci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o carnaval carrega uma \u00e9tica impl\u00edcita. N\u00e3o a \u00e9tica da proibi\u00e7\u00e3o, mas a \u00e9tica da responsabilidade na liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdadeira transgress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 destruir, mas criar; n\u00e3o \u00e9 violentar, mas revelar; n\u00e3o \u00e9 desumanizar, mas expandir a experi\u00eancia humana. Quando a festa se desvia para o desrespeito, trai sua pr\u00f3pria ess\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Porque sua raz\u00e3o de ser n\u00e3o \u00e9 o caos pelo caos, mas a catarse que purifica, a ironia que educa, o riso que humaniza. Seu pecado s\u00f3 \u00e9 f\u00e9rtil quando gera reflex\u00e3o; caso contr\u00e1rio, torna-se mero ru\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p>E quando o calend\u00e1rio avan\u00e7a e a rotina reassume o comando, algo permanece como res\u00edduo luminoso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez seja a mem\u00f3ria de uma m\u00fasica que insiste em tocar na mente; talvez seja a lembran\u00e7a de ter pertencido a uma multid\u00e3o sem perder a singularidade; talvez seja a certeza de que a ordem n\u00e3o \u00e9 absoluta, de que sempre h\u00e1 brechas por onde a imagina\u00e7\u00e3o pode escapar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O carnaval deixa marcas invis\u00edveis, pequenas fissuras na rigidez cotidiana. Por essas fissuras, entra ar.<\/p>\n\n\n\n<p>No fundo, o carnaval \u00e9 uma pergunta lan\u00e7ada \u00e0 sociedade todos os anos: quem somos quando as regras afrouxam? O que fazemos com a liberdade que tanto desejamos? Conseguimos transformar a energia da festa em transforma\u00e7\u00e3o duradoura ou a deixamos evaporar junto com o \u00faltimo acorde? Ele n\u00e3o responde; apenas encena.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E nessa encena\u00e7\u00e3o nos entrega um espelho ampliado, onde virtudes e v\u00edcios aparecem em cores saturadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez seu maior pecado seja este: recusar-se a ser simples. Ele n\u00e3o cabe na defini\u00e7\u00e3o de festa nem na condena\u00e7\u00e3o moral. \u00c9 rito e mercado, cr\u00edtica e entretenimento, devo\u00e7\u00e3o e irrever\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 heran\u00e7a hist\u00f3rica e reinven\u00e7\u00e3o anual. \u00c9 mem\u00f3ria ancestral que dan\u00e7a com tecnologia de ponta. \u00c9 o grito coletivo que desafia o sil\u00eancio imposto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua dubialidade, ensina que o humano n\u00e3o \u00e9 linha reta, mas espiral.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim, ano ap\u00f3s ano, ele retorna.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o como repeti\u00e7\u00e3o, mas como renascimento. Traz consigo a promessa de que, por alguns dias, ser\u00e1 poss\u00edvel experimentar o mundo ao avesso para compreender melhor seu direito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E ao final, quando as m\u00e1scaras s\u00e3o guardadas, talvez descubramos que elas nunca estiveram apenas sobre o rosto \u2014 estavam tamb\u00e9m nas certezas. O carnaval as desloca, as embaralha, as exp\u00f5e.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E, nesse gesto amb\u00edguo de pecado e revela\u00e7\u00e3o, cumpre sua miss\u00e3o mais antiga: recordar que viver \u00e9, inevitavelmente, dan\u00e7ar entre limites e abismos, entre culpa e gra\u00e7a, entre o que se deve e o que se deseja.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><br>Clayton Alexandre Zocarato<\/h3>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-electric-grass-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/wa.me\/17992491192\" title=\"WhatsApp\">WhatsApp<\/a><\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-electric-grass-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100092188444999&amp;locale=pt_BR\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/\" title=\"Voltar\">Voltar<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/JCulturalrol\/\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O carnaval \u00e9 uma esta\u00e7\u00e3o da alma antes de ser uma data no calend\u00e1rio. 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