{"id":79614,"date":"2026-03-27T16:31:58","date_gmt":"2026-03-27T19:31:58","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=79614"},"modified":"2026-03-27T16:32:09","modified_gmt":"2026-03-27T19:32:09","slug":"la-mesita-del-comedor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=79614","title":{"rendered":"La Mesita Del Comedor"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F79614&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F79614&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">CINEMA &amp; PSICAN\u00c1LISE<br><br> &#8216;La Mesita Del Comedor: O espectador como c\u00famplice do absurdo&#8217;<br><br><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1080\" height=\"1080\" data-attachment-id=\"79615\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=79615\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-23-at-20.39.36.jpeg\" data-orig-size=\"1080,1080\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"WhatsApp Image 2026-03-23 at 20.39.36\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-23-at-20.39.36.jpeg\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-23-at-20.39.36.jpeg\" alt=\"Card da coluna CINEMA &amp; PSICAN\u00c1LISE - La Mesita Del Comedor: O espectador como c\u00famplice do absurdo\" class=\"wp-image-79615\" style=\"width:460px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-23-at-20.39.36.jpeg 1080w, https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-23-at-20.39.36-600x600.jpeg 600w, https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-23-at-20.39.36-768x768.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Card da coluna CINEMA &amp; PSICAN\u00c1LISE &#8211; La Mesita Del Comedor: <\/em><br><em>O espectador como c\u00famplice do absurdo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">La Mesita Del Comedor parte de um ato inicial: um casal vai at\u00e9 a loja de m\u00f3veis comprar uma mesa de centro. Um ato cotidiano que revelaria, mais tarde, ser um fio condutor \u00e0 cat\u00e1strofe. A pe\u00e7a: uma mesa um tanto ex\u00f3tica, com duas figuras femininas pintadas em dourado segurando uma tampa de vidro, da\u00ed a &#8220;Mesita&#8221; do t\u00edtulo. Jamais imaginar\u00edamos, no entanto, que o objeto causaria tamanhos estragos. Nos primeiros minutos do filme, percebemos que o casal que acabara de ter um filho passa por um momento dif\u00edcil na rela\u00e7\u00e3o. S\u00e3o desaven\u00e7as o tempo todo, di\u00e1logos inacabados, cobran\u00e7as e acusa\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sabemos muito bem ao certo quando as desaven\u00e7as come\u00e7aram, por\u00e9m a chegada de um beb\u00ea contribui para o clima ficar ainda mais tenso. Depois de alguma discuss\u00e3o, eles decidem, mesmo a contragosto da esposa, levar a tal mesa de centro. Ali\u00e1s, o vendedor parece \u2018empurrar\u2019 o m\u00f3vel de qualquer jeito para eles. Convencidos, levam-na para casa e o pior acontece.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora a pergunta que n\u00e3o quer calar: o que poderia acontecer de t\u00e3o terr\u00edvel com uma est\u00fapida mesa de centro? O roteiro de Caye Casas, que tamb\u00e9m assina a dire\u00e7\u00e3o e Cristina Borobia que o digam! Ambientado praticamente no apartamento do casal, com pouqu\u00edssimas externas e elenco reduzido, La Mesita Del Comedor (Mesa Maldita, no Brasil; The Cofee Table, nos Estados Unidos), surpreende pela sagacidade e perspic\u00e1cia de sua narrativa. <\/p>\n\n\n\n<p>Definitivamente \u00e9 um suspense, com pitadas de <em>gore<\/em> em algumas cenas e aus\u00eancia de <em>jump scares. <\/em>\u00c9 composto por uma atmosfera que nos mant\u00e9m numa tens\u00e3o absurda ao longo da pel\u00edcula e aquele mal-estar crescente a cada cena e a cada decis\u00e3o do personagem de David Pareja que interpreta o marido completamente desnorteado, tentando permanecer l\u00facido e responsivo diante de tamanha trag\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o ato desastroso acontece, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de total perplexidade. Leva alguns segundos para realmente acreditar no que os olhos veem. Acompanhamos a saga do marido t\u00e3o incr\u00e9dulos quanto ele, que durante todo o filme procura esconder da esposa, do irm\u00e3o e da cunhada, que mais tarde v\u00e3o visit\u00e1-los para um jantar em fam\u00edlia, o terr\u00edvel fato de ter derrubado seu filho rec\u00e9m-nascido na mesa de vidro. O horror \u00e9 escancarado n\u00e3o somente pela sanguinolenta cena, como tamb\u00e9m, a dire\u00e7\u00e3o do filme nos faz ver e saber de algo ainda pior, imposs\u00edvel de revelar: a cabe\u00e7a da crian\u00e7a est\u00e1 embaixo da poltrona. A partir disso, marido e espectador guardam consigo uma dor imensa sem poder compartilhar com ningu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta obra, o confinamento transcende as paredes do apartamento e se torna uma pris\u00e3o moral e emocional absoluta. O diretor utiliza a geografia da sala de estar para criar uma experi\u00eancia de asfixia quase insuport\u00e1vel, tornando-se o epicentro de um trauma irrevers\u00edvel. Essa redefini\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o tem um objeto literal no centro do quadro, pois a mesa de vidro n\u00e3o apenas restringe o movimento dos personagens na pequena sala, ela parece ancorar o olhar do espectador. O quadro cinematogr\u00e1fico nos obriga a orbitar essa jaula de horror, transformando a sala de estar comum em uma masmorra ps\u00edquica do qual o protagonista (e o p\u00fablico) n\u00e3o pode se evadir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A c\u00e2mera frequentemente isola Jes\u00fas, o pai, em planos que o esmagam contra o sof\u00e1 ou as paredes, de forma literal ou emocional, refletindo na tela a sua paralisia imposta; ele n\u00e3o pode fugir fisicamente do apartamento e n\u00e3o pode fugir psicologicamente da trag\u00e9dia ocorrida. A nega\u00e7\u00e3o da realidade posterga a fat\u00eddica revela\u00e7\u00e3o atuando como lastro ao suspense. Ao pai, a cada par de minutos, sente-se menos confort\u00e1vel naquele prolongar, no qual o ar claustrof\u00f3bico fere-o lentamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O espectador e o protagonista s\u00e3o os \u00fanicos que sabem da terr\u00edvel verdade desde o in\u00edcio, criando uma pris\u00e3o daquele que assiste na pr\u00f3pria mente de Jes\u00fas. Acompanha-se \u2018por dentro\u2019, a escalada de esmagamento do personagem pela culpa e face ao insuport\u00e1vel. Nesse passo, a paranoia \u00e9 ativada n\u00e3o por assassinos nas sombras, monstros ou qualquer elemento sobrenatural, mas por elementos supostamente banais. A chegada da esposa, do irm\u00e3o, da cunhada, da vizinha, os sorrisos, as piadas casuais, chocam-se de forma iminente com a trag\u00e9dia oculta, pois a intera\u00e7\u00e3o social cotidiana ao derredor do escabroso acontecimento torna-se a maior fonte de tens\u00e3o e viol\u00eancia psicol\u00f3gica para o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>La Mesita Del Comedor \u00e9 um estudo de caso perfeito sobre o tempo psicol\u00f3gico no cinema, desenrolando-se em apenas uma tarde e noite. Contudo, para o espectador, a dura\u00e7\u00e3o parece infinita. A edi\u00e7\u00e3o refinada e dire\u00e7\u00e3o apurada nos prende em di\u00e1logos corriqueiros enquanto sabemos que a cat\u00e1strofe est\u00e1 a cent\u00edmetros de ser descoberta. Literalmente, afinal n\u00e3o podemos esquecer que a cabe\u00e7a do infante permanece na sala. O diretor estica o tempo, transformando cada conversa trivial em uma agonia prolongada, fazendo-nos sentir fisicamente o peso daquela espera torturante.<\/p>\n\n\n\n<p>A trama segue perturbando nossa mente e carne, pois \u00e9 poss\u00edvel sentir a afli\u00e7\u00e3o de Jes\u00fas em inventar desculpas e sa\u00eddas para que Maria, a esposa, n\u00e3o saiba que Cayetano, seu precioso filho est\u00e1 morto e daquela forma. De origem espanhola, a pel\u00edcula nos brinda com um enredo simples, mas que consegue extrair a partir de uma hist\u00f3ria aparentemente trivial de um casal ordin\u00e1rio comprando um m\u00f3vel qualquer, um desenrolar t\u00e3o criativo e inc\u00f4modo. Tal \u00e9 a t\u00f4nica j\u00e1 conhecida nas produ\u00e7\u00f5es daquele pa\u00eds. <\/p>\n\n\n\n<p>Filmes assim nos fazem crer na import\u00e2ncia de excelentes roteiros, al\u00e9m da montagem das sequ\u00eancias, sem necessariamente se preocupar com cen\u00e1rios gigantescos, alta quantidade de personagens e externas, trilha sonora fenomenal, entre outros elementos. Claro que tudo isso tamb\u00e9m \u00e9 consider\u00e1vel numa produ\u00e7\u00e3o, por\u00e9m La Mesita, faz com poucos ingredientes uma experi\u00eancia inesquec\u00edvel. Outros filmes com caracter\u00edsticas semelhantes vem \u00e0 baila: o drama\/com\u00e9dia Carnage (2011); o sufocante Enterrado Vivo (2010); o solit\u00e1rio Inside (2023); a excelente produ\u00e7\u00e3o O Farol (2019); o fren\u00e9tico filme argentino 4&#215;4 (2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio de filmes em que o perigo espreita do lado de fora da casa, ou do ponto de aten\u00e7\u00e3o do personagem, aqui o horror est\u00e1 confinado dentro do pr\u00f3prio espa\u00e7o vis\u00edvel, mas oculto dos outros participantes. Afinal, o que n\u00e3o \u00e9 visto \u00e9 imaginado de forma ainda mais intensa. Nessa tens\u00e3o palp\u00e1vel, o <em>design<\/em> de som coadjuvantemente \u00e9 usado para manter a ferida aberta. Os sons ao redor funcionam para nos lembrar o tempo todo do que est\u00e1 escondido dos demais e de ci\u00eancia apenas de Jes\u00fas. Uma esp\u00e9cie de \u2018extracampo\u2019 moral, n\u00e3o espacial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que Caye Casas faz \u00e9 valer-se das ferramentas do cinema de confinamento e aplic\u00e1-las para criar um estado de choque cont\u00ednuo. N\u00f3s n\u00e3o estamos apenas presos na sala, mas na inevitabilidade da dor, e o imensur\u00e1vel per\u00edodo de lat\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Decerto, quando a narrativa nos priva do horizonte, a din\u00e2mica entre o espectador e a pel\u00edcula sofre uma muta\u00e7\u00e3o profunda. O filme deixa de ser uma janela para o mundo e passa a operar como um espelho de nossas pr\u00f3prias ang\u00fastias. Tais efeitos s\u00e3o criados a partir de sofisticadas t\u00e9cnicas interacionais que atingem, por assim dizer, o espectador de forma mais intensa. Espelhamento F\u00edsico: a sala de cinema (ou o quarto escuro de casa) j\u00e1 \u00e9, por si s\u00f3, um espa\u00e7o confinado. Quando a imagem na tela reflete um ambiente fechado, ocorre uma sobreposi\u00e7\u00e3o de realidades. O espectador n\u00e3o est\u00e1 apenas vendo o confinamento; ele est\u00e1, fisicamente e simbolicamente, submetido a ele junto com os personagens.<\/p>\n\n\n\n<p>As bordas do quadro cinematogr\u00e1fico deixam de ser limites passivos da imagem e tornam-se paredes ativas e esmagadoras. A pel\u00edcula nos aprisiona atrav\u00e9s de <em>closes<\/em> extremos e da recusa em mostrar o \u2018lado de fora\u2019, gerando uma sensa\u00e7\u00e3o de enclausuramento. De certo modo, a restri\u00e7\u00e3o espacial obriga a narrativa a mergulhar verticalmente na psicologia dos personagens, o que desencadeia rea\u00e7\u00f5es espec\u00edficas no p\u00fablico. A ansiedade do personagem \u00e9 transferida para o espectador atrav\u00e9s de t\u00e9cnicas de <em>mise-en-sc\u00e8ne<\/em>. Ao nos negar o contexto externo, o diretor nos for\u00e7a a focar em microexpress\u00f5es e na deteriora\u00e7\u00e3o mental, ativando um lado emp\u00e1tico baseado na tens\u00e3o e no desconforto. O que provavelmente n\u00e3o ocorreria nos contextos de maior escopo de contextualiza\u00e7\u00e3o c\u00eanica, com o al\u00edvio visual do mundo exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Qualquer ru\u00eddo, som externo ou sombra no fundo do cen\u00e1rio tornam-se uma amea\u00e7a monumental, criando uma hipervigil\u00e2ncia deflagrada por perigos ocultos ou idealizados. A imagem \u00e9 ent\u00e3o dissecada quase que paranoicamente, pois no confinamento, o tempo cronol\u00f3gico perde a import\u00e2ncia e o tempo psicol\u00f3gico assume maior relev\u00e2ncia. Este tipo de fazer cinematogr\u00e1fico assemelha-se a um laborat\u00f3rio do comportamento humano, possibilitando expandir a percep\u00e7\u00e3o sobre a fragilidade dos sujeitos diante do isolamento em um ambiente \u2018controlado\u2019. Sensa\u00e7\u00f5es e sentimentos s\u00e3o intensificados, e, como deflu\u00eancia l\u00f3gica, o pr\u00f3prio cl\u00edmax inicia sua pujan\u00e7a antecipadamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuando na trama, h\u00e1 outras subtramas gravitando de maneira velada, muito bem orquestradas pela dire\u00e7\u00e3o que agu\u00e7a nosso imagin\u00e1rio: a garotinha Ruth, vizinha do casal, apaixonada por Jes\u00fas, prop\u00f5e claramente a ele um \u2018relacionamento\u2019. Ser\u00e1 que este pedido teria algum fundamento? Ele manteve alguma rela\u00e7\u00e3o obscura com a menor ou seria apenas a imagina\u00e7\u00e3o f\u00e9rtil de uma pr\u00e9-adolescente? A mesa de centro quebrou de fato quando o beb\u00ea caiu? Foi realmente um acidente? Como Jes\u00fas participa deste momento? O brilhante enquadramento em outro ponto da cena em quest\u00e3o nos deixa um vazio, pois apenas \u00e9 poss\u00edvel escutar o estilha\u00e7ar dos vidros. Corta para a fei\u00e7\u00e3o de horror do pai. Nada mais. Sangue nos m\u00f3veis e tapete. N\u00e3o sabemos como se deu cada sequ\u00eancia. Vivemos esse pesadelo juntos. As brigas constantes do casal poderiam revelar que o filho, naquele momento, n\u00e3o era bem-vindo? Jes\u00fas reclamava a Maria que n\u00e3o tinha liberdade de escolha no casamento. O pai deixou cair o filho na mesa da disc\u00f3rdia num ato falho?<\/p>\n\n\n\n<p>A tens\u00e3o entre o casal \u00e9 patente desde o di\u00e1logo de abertura, longo, aparentemente sem prop\u00f3sito, bem \u2018tarantinesco\u2019. No entanto, tudo tem seu prop\u00f3sito. Poder-se-ia indagar se o rebento foi planejado, se, de fato, o marido pretendia ampliar a fam\u00edlia naquele momento. Seria o descendente uma esp\u00e9cie de materializa\u00e7\u00e3o de \u2018terapia matrimonial\u2019, como um \u00faltimo recurso ao relacionamento? E, ainda de forma mais dram\u00e1tica, o findar t\u00e3o horripilante da crian\u00e7a poderia ter sido produzido, ainda que inconscientemente, numa revolta \u00e0 sua mulher e seu relacionamento? O drama de Jes\u00fas e seu delongamento, poderia ser uma forma de autopuni\u00e7\u00e3o por ter sido o respons\u00e1vel \u2013 ainda que acidental? \u2013 pela morte do filho? Quer ele prolongar seu supl\u00edcio, e, consequentemente projet\u00e1-lo sobre a companheira como se buscasse dividir, n\u00e3o apenas a culpa, mas a intensa dor?<\/p>\n\n\n\n<p>O argumento, rico dentro de sua simplicidade, gravita em torno do beb\u00ea e o desenrolar de eventos, no qual ele \u00e9 o catalisador que propulsiona os fatos e cenas ulteriores, o objeto de manuten\u00e7\u00e3o do suspense e, al\u00e9m disso, ponto que guia o fat\u00eddico desfecho, afinal, o sofredor pai ter\u00e1 de revelar o nefasto acontecimento. Jes\u00fas n\u00e3o tem como escapar: fatalmente em algum momento ter\u00e1 que contar \u00e0 fam\u00edlia enquanto que segue recebendo visitas, interagindo com a esposa de modo rob\u00f3tico, checando se o beb\u00ea est\u00e1 dormindo e ainda recha\u00e7ando as investidas e amea\u00e7as da jovem vizinha enamorada por ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Imposs\u00edvel n\u00e3o tra\u00e7ar um paralelo com uma das celebradas obras de Hitchcock, Festim Diab\u00f3lico, (Rope, 1948), no qual, em vez de um beb\u00ea, um corpo repousa dentro de um ba\u00fa na sala de um apartamento onde se organiza uma recep\u00e7\u00e3o. Como dito anteriormente, o cinema de confinamento lan\u00e7a m\u00e3o de in\u00fameras ferramentas como recursos narrativos, a partir da utiliza\u00e7\u00e3o de trilha sonora intensa, ou seu decote total e o desenrolar de fatos em tempo real. Aqui, o sil\u00eancio e o ru\u00eddo tornam-se \u2018personagens\u2019 invis\u00edveis, operando uma tens\u00e3o acusm\u00e1tica. O ponto de mal \u2013 estar n\u00e3o \u00e9 visto, no entanto seu resultado \u00e9 sentido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Observa-se que o cinema, muitas vezes associado \u00e0 grandiosidade do espet\u00e1culo visual, encontra alguns de seus momentos mais relevados, justamente na restri\u00e7\u00e3o. A escolha pelo minimalismo c\u00eanico n\u00e3o \u00e9 meramente or\u00e7ament\u00e1ria, (muitas vezes, o \u00e9), mas uma decis\u00e3o est\u00e9tica e narrativa que for\u00e7a a linguagem cinematogr\u00e1fica a dialogar intimamente com o teatro de c\u00e2mara e com a pintura de interiores, onde a tens\u00e3o psicol\u00f3gica substitui a a\u00e7\u00e3o cin\u00e9tica, vetor este explorado nos anos 30, pelo dito movimento Kammerspiel, quase paralelo ao expressionismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Festim, Hitchcock, a partir do material original da pe\u00e7a de Patrick Hamilton, orquestra o filme para parecer um \u00fanico plano-sequ\u00eancia cont\u00ednuo, inspirado no famoso caso conhecido como \u2018Leopold e Loeb\u2019, dois estudantes da Universidade de Chicago que assassinaram um adolescente apenas para provar sua suposta superioridade intelectual nietzschiana, explorada no filme em di\u00e1logos filos\u00f3ficos. Na trama, Brandon e Philip estrangulam um colega e escondem o corpo em um ba\u00fa de madeira que permanece no centro da sala de estar onde, minutos depois, eles oferecem um jantar para a fam\u00edlia e a noiva da v\u00edtima. O filme sustenta uma tens\u00e3o gerada muito mais pela \u00e2nsia de saber quando os assassinos ser\u00e3o descobertos, afinal eles est\u00e3o entre os familiares, do que quem realmente matou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em La Mesita, o cen\u00e1rio minimalista \u2014 um apartamento com vista para o horizonte de Nova York \u2014 torna-se um pan\u00f3ptico invertido. O p\u00fablico sabe a verdade sobre o assass\u00ednio do beb\u00ea. Indiretamente, somos c\u00famplices voyeuristas, observando a banalidade das conversas sociais acontecerem na presen\u00e7a de um cad\u00e1ver. Assim como em Festim h\u00e1 a cumplicidade do p\u00fablico em saber sobre o cad\u00e1ver que est\u00e1 no ba\u00fa. Sua descoberta \u00e9 constantemente postergada a cada vez que um personagem se aproxima do objeto para servir comida ou colocar livros.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Hitchcock utiliza o realismo espacial, La Mesita Del Comedor transp\u00f5e o absurdo c\u00f4mico extremo. J\u00e1 Luis Bu\u00f1uel (em sua fase mexicana), subverte o minimalismo para o surrealismo. \u00d3tima jun\u00e7\u00e3o!&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Temos ent\u00e3o em O Anjo Exterminador (El \u00c1ngel Exterminador, 1962), um grupo da alta burguesia confinado em uma sala de estar ap\u00f3s um jantar. N\u00e3o h\u00e1 barreiras f\u00edsicas, trancas ou guardas; por\u00e9m eles simplesmente n\u00e3o conseguem sair. Aqui, o cen\u00e1rio est\u00e1tico funciona como uma cr\u00edtica social corrosiva. O minimalismo do espa\u00e7o serve para despir as camadas de civilidade. \u00c0 medida que os dias passam, a sala luxuosa se degrada, assim como a moral dos personagens e o lugar torna-se uma jaula psicol\u00f3gica onde a figura humana \u00e9 distorcida pelo isolamento. O suspense \u00e9 existencial, ainda que sem vi\u00e9s \u2018bergmanianos\u2019, mas ainda restrito em sua a\u00e7\u00e3o, mesmo surreal, pelo qual o terror n\u00e3o assoma de um assassino externo, mas da implos\u00e3o da quebra das normas sociais dentro de um per\u00edmetro restrito.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um prisma, se o corpo no ba\u00fa \u00e9 deliberadamente inclu\u00eddo como ponto de condu\u00e7\u00e3o indireta da trama, o pequeno apartamento atua como uma cela n\u00e3o oficial, assim como na pel\u00edcula de Bu\u00f1uel, os pr\u00f3prios elementos humanos erigem a pris\u00e3o. Em La Mesita, os contornos do filme gravitam, ora em tom de sarcasmo \u00e1cido, do\u00eddo, ora em um suspense\/terror cotidiano. \u00c9 assustador pensar que qualquer um de n\u00f3s pode enclausurar-se nas pr\u00f3prias celas e ba\u00fas ps\u00edquicos a partir de decis\u00f5es ou a\u00e7\u00f5es bem ou mal-intencionadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, se considerarmos as intensas investidas do inconsciente, todo ato falho carrega seu sucesso. Talvez, a jaula do sil\u00eancio seja t\u00e3o potente quanto o fat\u00eddico, tal como um corpo num ba\u00fa, um grupo confinado em um ambiente no qual \u00e9 imposs\u00edvel projetar o que se espera, ou mesmo, o que est\u00e1 escondido debaixo de nossas mesas de centro, reais ou simb\u00f3licas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Marcus Hemerly e Bruna Rosalem<\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Marcus Hemerly<\/h3>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-electric-grass-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/marcus_hemerly\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Instagram\">Instagram<\/a><\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-electric-grass-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcus.hemerly\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Bruna Rosalem<\/h3>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-to-luminous-vivid-orange-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/brunarodriguesfotografias?locale=pt_BR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-to-luminous-vivid-orange-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/psicanaliseecotidiano.com.br\/\" title=\"Saite\">Saite<\/a><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/\" title=\"Voltar\">Voltar<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/JCulturalrol\/\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>La Mesita Del Comedor parte de um ato inicial: um casal vai at\u00e9 a loja de m\u00f3veis comprar uma mesa de centro. Um ato cotidiano que revelaria, mais tarde, ser&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":79615,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[9398,9285],"tags":[13583,16544],"class_list":["post-79614","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-literatura","tag-cinema-psicanalise","tag-la-mesita-del-comedor"],"aioseo_notices":[],"views":523,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-23-at-20.39.36.jpeg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":75639,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=75639","url_meta":{"origin":79614,"position":0},"title":"La ni\u00f1a que coleccion\u00f3 plumas","author":"Marta Oliveri","date":"22 de setembro de 2025","format":false,"excerpt":"Los que saben, dicen que mi naturaleza es simple contingencia: Nazco como la hoja en primavera, me atormento de esperanzas durante la estaci\u00f3n de las flores e\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Contos&quot;","block_context":{"text":"Contos","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?cat=9607"},"img":{"alt_text":"Imagem criada por IA da Meta - 17 de setembro de 2025, \u00e0s 19:58 PM","src":"https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/e3444a79-a458-4250-9fa0-17ddc6c368fb.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/e3444a79-a458-4250-9fa0-17ddc6c368fb.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/e3444a79-a458-4250-9fa0-17ddc6c368fb.jpeg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/e3444a79-a458-4250-9fa0-17ddc6c368fb.jpeg?resize=700%2C400&ssl=1 2x, https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/e3444a79-a458-4250-9fa0-17ddc6c368fb.jpeg?resize=1050%2C600&ssl=1 3x"},"classes":[]},{"id":51032,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=51032","url_meta":{"origin":79614,"position":1},"title":"Humberto Napole\u00f3n Varela Robalino: &#039;La primera palabra&#039;","author":"Sergio Diniz da Costa","date":"9 de julho de 2022","format":false,"excerpt":"La primera palabra \u00a0(A PROP\u00d3SITO DE LA PUBLICACI\u00d3N DE MI LIBRO \" POES\u00cdA DEL BIGOTE HUMEDECIDO EN VINO\". BELO HORIZONTE - BRASIL - 2019) \u00a0 Cuando tengo para ti la primera palabra poes\u00eda m\u00eda me lamo el bigote. traviesa bailarina caminante la palabra inicial... desnudita manzana sin el hip\u00f3crita bikini\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Comunica\u00e7\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"Comunica\u00e7\u00e3o","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?cat=7"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/399046f4-3f8f-41ee-a10d-2b5310df5b03-230x300.jpg?resize=350%2C200","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":4623,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=4623","url_meta":{"origin":79614,"position":2},"title":"M\u00fasica e questionamentos sobre o mundo animam os almo\u00e7os de domingo do Sesc Sorocaba","author":"Helio Rubens","date":"9 de abril de 2016","format":false,"excerpt":"As apresenta\u00e7\u00f5es fazem parte do projeto m\u00fasica de bandeja\u00a0e acompanham o card\u00e1pio especial da comedoria \u00a0 Durante todo o m\u00eas de abril, o projeto m\u00fasica de bandeja, que acompanha os almo\u00e7os de domingo no Sesc Sorocaba, apresenta repert\u00f3rios aliados aos questionamentos sobre as verdades e mentiras que permeiam as hist\u00f3rias\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Comunica\u00e7\u00e3o&quot;","block_context":{"text":"Comunica\u00e7\u00e3o","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?cat=7"},"img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":77961,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=77961","url_meta":{"origin":79614,"position":3},"title":"El Cristo de la Furia","author":"Sergio Diniz da Costa","date":"20 de janeiro de 2026","format":false,"excerpt":"He calculado el rumbo de los p\u00e1jaros l\u00e1grimas azules roc\u00edan el plumaje son restos de un diluvio que jam\u00e1s ha pasado he mirado mis manos vac\u00edas y mis hombros\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Sem categoria&quot;","block_context":{"text":"Sem categoria","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?cat=1"},"img":{"alt_text":"Imagem criada por IA da Meta - 20 de janeiro de 2026, \u00e0s 10:27 PM","src":"https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/de29573d-0577-45d6-86c3-66fe158c4474.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/de29573d-0577-45d6-86c3-66fe158c4474.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/de29573d-0577-45d6-86c3-66fe158c4474.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/de29573d-0577-45d6-86c3-66fe158c4474.jpg?resize=700%2C400&ssl=1 2x, https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/de29573d-0577-45d6-86c3-66fe158c4474.jpg?resize=1050%2C600&ssl=1 3x"},"classes":[]},{"id":77655,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=77655","url_meta":{"origin":79614,"position":4},"title":"Leyendas del Umbral","author":"Sergio Diniz da Costa","date":"6 de janeiro de 2026","format":false,"excerpt":"Con la publicaci\u00f3n de \"Leyendas del Umbral\", VER-MAR Ediciones presenta una colecci\u00f3n de relatos que exploran el umbral entre lo on\u00edrico y lo real, la\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Contos&quot;","block_context":{"text":"Contos","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?cat=9607"},"img":{"alt_text":"Capa do livro 'Leyendas del Umbral'","src":"https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/dc96d5e0-0fe1-4424-81bf-a8e03e9b9882.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/dc96d5e0-0fe1-4424-81bf-a8e03e9b9882.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/dc96d5e0-0fe1-4424-81bf-a8e03e9b9882.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/dc96d5e0-0fe1-4424-81bf-a8e03e9b9882.jpg?resize=700%2C400&ssl=1 2x, https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/dc96d5e0-0fe1-4424-81bf-a8e03e9b9882.jpg?resize=1050%2C600&ssl=1 3x"},"classes":[]},{"id":72476,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=72476","url_meta":{"origin":79614,"position":5},"title":"Arquitetura da dor: &#8216;O Brutalista&#8217;, de Brady Corbet","author":"Bianca Agnelli","date":"17 de mar\u00e7o de 2025","format":false,"excerpt":"Fevereiro na It\u00e1lia \u00e9 um m\u00eas frio, cortante, brutal. O lan\u00e7amento de The Brutalist n\u00e3o poderia ser mais pertinente: n\u00e3o apenas pelo clima meteorol\u00f3gico que...","rel":"","context":"Em &quot;Arte&quot;","block_context":{"text":"Arte","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?cat=9286"},"img":{"alt_text":"Card do artigo \"Arquitetura da Dor: \u2018O Brutalista\u2019, de Brady Corbet\"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/IMG_7579-1.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/IMG_7579-1.jpeg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/IMG_7579-1.jpeg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/IMG_7579-1.jpeg?resize=700%2C400&ssl=1 2x, https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/IMG_7579-1.jpeg?resize=1050%2C600&ssl=1 3x, https:\/\/i0.wp.com\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/IMG_7579-1.jpeg?resize=1400%2C800&ssl=1 4x"},"classes":[]}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/79614","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=79614"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/79614\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79618,"href":"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/79614\/revisions\/79618"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/79615"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=79614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=79614"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=79614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}