{"id":80717,"date":"2026-05-11T08:16:00","date_gmt":"2026-05-11T11:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=80717"},"modified":"2026-05-10T12:44:21","modified_gmt":"2026-05-10T15:44:21","slug":"o-quinto-sinal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=80717","title":{"rendered":"O quinto sinal"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F80717&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F80717&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Ramos Ant\u00f3nio Amine: Conto &#8216;O quinto sinal&#8217;<br><br><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"225\" height=\"241\" data-attachment-id=\"77836\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=77836\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/71f39624-0de9-49c7-a5f6-962d54ad62ec-1.jpg\" data-orig-size=\"225,241\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"71f39624-0de9-49c7-a5f6-962d54ad62ec\" data-image-description=\"&lt;p&gt;Ramos Ant\u00f3nio Amine&lt;\/p&gt;\n\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Ramos Ant\u00f3nio Amine&lt;\/p&gt;\n\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/71f39624-0de9-49c7-a5f6-962d54ad62ec-1.jpg\" src=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/71f39624-0de9-49c7-a5f6-962d54ad62ec-1.jpg\" alt=\"Ramos Ant\u00f3nio Amine\" class=\"wp-image-77836\" style=\"aspect-ratio:0.9336704921221552;width:207px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ramos Ant\u00f3nio Amine<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1536\" height=\"1024\" data-attachment-id=\"80723\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=80723\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4bed2895-96ea-43ad-9a64-d6c9df039856.jpg\" data-orig-size=\"1536,1024\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"4bed2895-96ea-43ad-9a64-d6c9df039856\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4bed2895-96ea-43ad-9a64-d6c9df039856.jpg\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4bed2895-96ea-43ad-9a64-d6c9df039856.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-80723\" srcset=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4bed2895-96ea-43ad-9a64-d6c9df039856.jpg 1536w, https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4bed2895-96ea-43ad-9a64-d6c9df039856-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4bed2895-96ea-43ad-9a64-d6c9df039856-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1536px) 100vw, 1536px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imagem criada pelo ChatGPT &#8211; https:\/\/chatgpt.com\/c\/6a00a467-f8e4-83e9-9596-f15dea72ff0b<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Acolhido pelo padre no santu\u00e1rio, o mi\u00fado deparou-se com uma realidade inusitada, tal como o pai se deparara aquando da sua transfer\u00eancia da lavra para o garimpo: muitas crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s de futuro sob o amparo do santu\u00e1rio. Logo \u00e0 entrada, pediram-lhe que se desfizesse da mochila, o aut\u00eantico abrigo da \u00fanica heran\u00e7a que trouxera da quinta dos \u00edmpios: o livro C\u00e2ndido, de Voltaire. Aceitou desprender-se da mochila, mas levou consigo o livro, atitude que deixou boquiabertas as demais crian\u00e7as do santu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ent\u00e3o apresentado \u00e0s outras crian\u00e7as, mas n\u00e3o conseguiu libertar-se do primeiro erro da sua exist\u00eancia: n\u00e3o conseguia dizer o seu nome, n\u00e3o por devaneio, mas porque, de facto, nunca o tivera desde a sua apari\u00e7\u00e3o ao mundo. Deram-lhe abrigo, mas tamb\u00e9m as treze regras do santu\u00e1rio. Ficou particularmente atento \u00e0 quinta regra: \u201cn\u00e3o se salva fora do santu\u00e1rio\u201d. Questionou-se em sil\u00eancio, como guardi\u00e3o de avisos ignorados: que salva\u00e7\u00e3o \u00e9 essa que s\u00f3 existe aqui? Novo naquele espa\u00e7o, decidiu guardar as suas interroga\u00e7\u00f5es para o momento da refei\u00e7\u00e3o, acreditando que encontraria respostas junto das outras crian\u00e7as famintas de futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Deram-lhe roupa adequada, exigida pela dignidade do santu\u00e1rio. Mas permanecia ainda nu de identidade. Essa nudez entristecia-o, pois \u00e0s outras crian\u00e7as fora-lhes forjada alguma forma de perten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O padre, respons\u00e1vel pelo santu\u00e1rio, o mesmo que o acolhera, lisonjeado com o gesto de amparo, decidiu reunir-se de imediato com os dois di\u00e1conos para lhes comunicar a situa\u00e7\u00e3o do novo mi\u00fado. Revelou que o encontrara na rua, desalojado, e que o acolhera em nome da humanidade. Da reuni\u00e3o resultou a miss\u00e3o de lhe fabricar uma identidade nova, capaz de o afastar rapidamente do passado, tal como se afastara da mochila.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto discutiam a nova identidade do mi\u00fado, a m\u00e3e nunca deixara de pensar no filho. Por\u00e9m, a sua miss\u00e3o presente consistia em encontrar o monge que a enganara no primeiro encontro no prost\u00edbulo, logo ap\u00f3s a sua convers\u00e3o&nbsp; \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o. Miss\u00e3o quase imposs\u00edvel, pois o monge havia redimensionado os seus apetites carnais, evitando novos encontros no prost\u00edbulo e preferindo sugar as tetas das prostitutas no mosteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, a m\u00e3e n\u00e3o desistia de o procurar. At\u00e9 ao dia em que recebeu um cliente cujo odor lhe pareceu semelhante ao da injusti\u00e7a do garimpeiro que matara o pai do mi\u00fado, no garimpo. Ningu\u00e9m reconheceu ningu\u00e9m. Mas uma sensa\u00e7\u00e3o antiga de injusti\u00e7a atravessou-a, levando-a a envolver-se com o garimpeiro disfar\u00e7ado de cliente. O prop\u00f3sito tornara-se cristalino: extrair verdades sobre a morte do pai do mi\u00fado e preparar, a partir delas, uma vingan\u00e7a contra a quinta dos \u00edmpios.<\/p>\n\n\n\n<p>O mi\u00fado foi crescendo, longe da quinta dos \u00edmpios, onde o pai fora morto pela gan\u00e2ncia dos garimpeiros ap\u00f3s encontrar ouro de valor \u00edmpar, e longe da m\u00e3e, agora prostituta ressuscitada.<\/p>\n\n\n\n<p>No santu\u00e1rio, ningu\u00e9m estava autorizado a falar do passado, muito menos em voz alta, pois os respons\u00e1veis acreditavam que a repeti\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria despertaria consci\u00eancias de resist\u00eancia. Contudo, esqueciam-se de que o passado n\u00e3o tem lugar: est\u00e1 sempre no presente.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos primeiros dias, o mi\u00fado foi-se ajustando ao novo ar do santu\u00e1rio. Teve contacto com grandes escritores que a bas\u00edlica guardava, mas nunca se imaginou sem o C\u00e2ndido nas m\u00e3os. Um dia, movido pela mesma curiosidade que o guiara quando catava lixo na rua, o seu abrigo anterior, deparou-se com um livro cuja capa ostentava o t\u00edtulo A Rebeli\u00e3o das Massas, de Jos\u00e9 Ortega y Gasset. Leu as primeiras p\u00e1ginas com aten\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o conseguiu termin\u00e1-lo, pois o sino da capela soou anunciando a adora\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Corpo do Senhor. Afinal, era numa quinta-feira. Ainda assim, manteve a esperan\u00e7a de reencontrar o livro ap\u00f3s a adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta foi a sua primeira presta\u00e7\u00e3o servi\u00e7al a Deus ap\u00f3s ter crescido sem Ele: primeiro na quinta dos \u00edmpios e depois na rua. Assim, foi-lhe confiada a miss\u00e3o de segurar o incens\u00e1rio, tal como acontecera outrora na quinta, antes da fuga com a m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>E porque a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 o momento que exige maior entrega, o mi\u00fado, t\u00e3o incauto quanto era, n\u00e3o conseguiu permanecer muito tempo de joelhos. Levantou-se em plena adora\u00e7\u00e3o, facto que chamou a aten\u00e7\u00e3o de todos, incluindo dos dois di\u00e1conos, cujos rostos se transformaram de imediato, como se diante deles surgisse uma profana\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Cessada a adora\u00e7\u00e3o, o mi\u00fado, na sua inoc\u00eancia, correu apressadamente para a biblioteca do santu\u00e1rio, com a esperan\u00e7a de rever o livro que n\u00e3o terminara. Estava tomado pela urg\u00eancia de o ler.<\/p>\n\n\n\n<p>Para sua surpresa, o livro fora retirado da estante habitual. O que o mi\u00fado n\u00e3o sabia era que, no primeiro contacto com a obra, o bibliotec\u00e1rio, um dos ex-lavradores da quinta dos \u00edmpios, o vira e imediatamente informara o di\u00e1cono que se encontrava pr\u00f3ximo. Do di\u00e1cono nascera a decis\u00e3o de retirar o livro da biblioteca, como se temesse uma rebeli\u00e3o dentro do santu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa atitude, longe de passar despercebida, afiou ainda mais as inquieta\u00e7\u00f5es do mi\u00fado. Contudo, como sempre, decidiu mant\u00ea-las em sil\u00eancio, tal como a m\u00e3e mantivera em sil\u00eancio a ideia de fuga da quinta dos \u00edmpios.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, os di\u00e1conos, j\u00e1 incapazes de suportar a intrepidez do mi\u00fado, decidiram falar com o padre. Para isso, esperaram que anoitecesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a \u00faltima refei\u00e7\u00e3o do dia e a ora\u00e7\u00e3o da noite, aquela que invocava o anjo da guarda, os mi\u00fados foram deitar-se, na esperan\u00e7a de ver o amanhecer em paz, para iniciarem as atividades de lavoura dentro do santu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos di\u00e1conos n\u00e3o esperou pela digest\u00e3o do padre e come\u00e7ou a bombarde\u00e1-lo com uma sopa de quest\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Padre, o senhor sabe que esse mi\u00fado \u00e9 t\u00e3o intr\u00e9pido que pode precipitar a queda do c\u00e1lice do santo altar?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o vejo nada de estranho nele &#8211; respondeu o padre.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; N\u00e3o diga isso, reverendo. O mi\u00fado parece intransigente. Lembra-se de que n\u00e3o quis permanecer de joelhos na \u00faltima adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Lembro-me. Mas n\u00e3o houve nada de grave. \u00c9 novo e poder\u00e1 habituar-se aos procedimentos do santu\u00e1rio. Acreditem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; E se n\u00e3o o fizer? &#8211; rematou o outro di\u00e1cono.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Confio que o mi\u00fado se ajustar\u00e1 ao ar do santu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Caso contr\u00e1rio, ter\u00e1 de mand\u00e1-lo para o semin\u00e1rio. L\u00e1 aprender\u00e1 o que \u00e9 a vida, de facto &#8211; disse o outro di\u00e1cono.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; O semin\u00e1rio \u00e9 voca\u00e7\u00e3o. Ele deve decidir ir para o semin\u00e1rio. Caso contr\u00e1rio, poder\u00e1 desistir pelo caminho. O semin\u00e1rio recorda-se tristemente de gente assim &#8211; respondeu o padre.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Reverendo, esse mi\u00fado parece esconder algo inquietante. O senhor conhece o seu passado?<\/p>\n\n\n\n<p>Do lado do padre veio um sil\u00eancio ensurdecedor.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto conversavam, o mi\u00fado escutara tudo, pois n\u00e3o tinha o h\u00e1bito de dormir cedo, at\u00e9 porque estivera a reler as \u00faltimas p\u00e1ginas de C\u00e2ndido.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebeu imediatamente que falavam dele. Mas n\u00e3o se importou. Na manh\u00e3 seguinte, decidiu ajudar os colegas na lavra da horta do santu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ent\u00e3o que soube que a maioria dos seus colegas eram filhos de garimpeiros e outros de lavradores da quinta dos \u00edmpios. Por\u00e9m, desconheciam o paradeiro dos seus progenitores. Ali, ningu\u00e9m se lembrava das origens, apenas sabiam que as tinham.<\/p>\n\n\n\n<p>Num desses dias, o mi\u00fado foi escalado para servir o santo altar. Ensaiara quase toda a semana, pois a disciplina lit\u00fargica era r\u00edgida e exigia precis\u00e3o nos gestos para n\u00e3o trope\u00e7ar com o incens\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A missa seria presidida pelo vig\u00e1rio-geral da diocese, conhecido pelo gesto de reclamar o ofert\u00f3rio da ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. A informa\u00e7\u00e3o espalhou-se rapidamente. A comunidade paroquial convidou as circunvizinhas. As leituras foram distribu\u00eddas entre as comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegou o domingo. Era de ramos. A par\u00f3quia estava apinhada de gente. Vieram os \u00edmpios de todos os tipos, incluindo os filhos da quinta, os lavradores e os garimpeiros da quinta, a prostituta ressuscitada e a amiga que lhe emprestara a roupa de estreia do prost\u00edbulo, os compradores de ouro do garimpo, os c\u00e3es fardados, o monge e o dono do prost\u00edbulo, e os fi\u00e9is em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m reconheceu ningu\u00e9m, pois todos estavam transfigurados e cada um atento aos seus pr\u00f3prios objectivos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O vig\u00e1rio estava concentrado no ofert\u00f3rio solene. Os \u00edmpios procuravam o mi\u00fado, a oferenda prometida pelos filhos da quinta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os filhos da quinta procuravam a m\u00e3e do mi\u00fado, a fugitiva. A m\u00e3e do mi\u00fado procurava o monge, o desonesto. O monge procurava o incens\u00e1rio desaparecido na quinta dos \u00edmpios, agora nas m\u00e3os do mi\u00fado. Os c\u00e3es fardados procuravam a prostituta ressuscitada. Os garimpeiros e os lavradores procuravam os seus filhos, acolhidos pelo santu\u00e1rio. Os fi\u00e9is n\u00e3o buscavam salva\u00e7\u00e3o: clamavam por humanidade. O mi\u00fado queria entender a raz\u00e3o de tantos olhares desatentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o ofert\u00f3rio solene, no momento em que o mi\u00fado se aproxima do altar com o incens\u00e1rio, o monge reconhece imediatamente o objecto desaparecido da quinta dos \u00edmpios. N\u00e3o reconhece primeiro o mi\u00fado, reconhece o incens\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O monge perde momentaneamente a compostura.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e, ao observar o monge perturbado, fixa finalmente o olhar nele.<\/p>\n\n\n\n<p>Os filhos da quinta percebem a inquieta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os c\u00e3es fardados observam os movimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>O vig\u00e1rio mant\u00e9m-se concentrado no ofert\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>E o mi\u00fado, sem compreender totalmente, sente pela primeira vez que todos os olhares convergem para si.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse instante, o incens\u00e1rio toca o altar como quem toca o destino. O mi\u00fado segura-o com a mesma leveza com que segurara C\u00e2ndido, nas p\u00e1ginas da sua inf\u00e2ncia sem nome. O fumo sobe, mas n\u00e3o em paz: sobe como inquieta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O sil\u00eancio que se segue n\u00e3o \u00e9 lit\u00fargico. \u00c9 reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e do mi\u00fado, entre rostos transfigurados, sente algo que n\u00e3o sabe nomear. O monge tamb\u00e9m a v\u00ea. N\u00e3o a reconhece de imediato. Mas o passado, esse que o santu\u00e1rio fingia n\u00e3o existir, come\u00e7a a respirar dentro do espa\u00e7o sagrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os di\u00e1conos sentem a tens\u00e3o antes de a compreenderem. O vig\u00e1rio mant\u00e9m-se preso ao ofert\u00f3rio, como se os olhares desavindos pudessem impedir o c\u00e2ntico da ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 que o incens\u00e1rio vacila.<\/p>\n\n\n\n<p>E cai.<\/p>\n\n\n\n<p>O som do metal no ch\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas ru\u00eddo. \u00c9 ruptura.<\/p>\n\n\n\n<p>O fumo espalha-se pelo altar, j\u00e1 n\u00e3o em direc\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u, mas em direc\u00e7\u00e3o aos homens. E por um breve momento, ningu\u00e9m sabe se est\u00e1 diante de uma missa ou de um julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O mi\u00fado olha \u00e0 sua volta. Pela primeira vez, n\u00e3o s\u00e3o apenas olhares dispersos. S\u00e3o buscas. Todos procuram algo nele sem saber o qu\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>E ele, que nunca tivera nome, percebe apenas isto: est\u00e1 no centro de algo que n\u00e3o escolheu.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele domingo de ramos, o santo altar cheira mais a inc\u00eandio do que a incenso.<\/p>\n\n\n\n<p>O c\u00e2ntico da ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as comove aos fi\u00e9is ao ponto de se juntarem \u00e0 fileira das dan\u00e7arinas que animavam a missa. Esse gesto desencadeia uma confus\u00e3o generalizada, em que cada um tenta alcan\u00e7ar os seus pr\u00f3prios objectivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi nesse tumulto que o mi\u00fado consegue escapar do santu\u00e1rio, sem o incens\u00e1rio, mas com a sua mochila, apesar de vazia, do livro que ter\u00e1 ficado no santu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, se consumou o quinto sinal: quando no santo altar, o incenso deixou de ser ora\u00e7\u00e3o e passou a ser mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Ramos Ant\u00f3nio Amine<\/h3>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-electric-grass-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DEYUTkBNmj8\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Instagram\">Instagram<\/a><\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-electric-grass-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=61586084024398\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-electric-grass-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@ramosantonioamine\" title=\"YouTube\">YouTube<\/a><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/\" title=\"Voltar\">Voltar<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/JCulturalrol\/\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acolhido pelo padre no santu\u00e1rio, o mi\u00fado deparou-se com uma realidade inusitada, tal como o pai se deparara aquando da sua transfer\u00eancia da lavra para o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":134,"featured_media":80723,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[9607,9285],"tags":[16448,16874],"class_list":["post-80717","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-contos","category-literatura","tag-quinta","tag-santuario"],"aioseo_notices":[],"views":143,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4bed2895-96ea-43ad-9a64-d6c9df039856.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":78728,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=78728","url_meta":{"origin":80717,"position":0},"title":"A quinta dos \u00edmpios","author":"Ramos Antonio Amine","date":"26 de fevereiro de 2026","format":false,"excerpt":"Na Quinta dos \u00cdmpios, respira-se apenas porque o ar ainda n\u00e3o foi cooptado. 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