{"id":82926,"date":"2026-07-29T15:01:17","date_gmt":"2026-07-29T18:01:17","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=82926"},"modified":"2026-07-29T15:02:53","modified_gmt":"2026-07-29T18:02:53","slug":"a-guerra-em-primeira-pessoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=82926","title":{"rendered":"A guerra em primeira pessoa"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F82926&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F82926&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div>\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Ella Dominici<br><br> &#8216;A guerra em primeira pessoa <br><br><em>Mem\u00f3ria, consci\u00eancia e a reconstru\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o humana<\/em>&#8216;<br><br><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"720\" data-attachment-id=\"63406\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=63406\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-17.47.55.jpeg\" data-orig-size=\"720,720\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"WhatsApp-Image-2023-11-26-at-17.47.55\" data-image-description=\"&lt;p&gt;Ella Dominici&lt;\/p&gt;\n\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Ella Dominici&lt;\/p&gt;\n\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-17.47.55.jpeg\" src=\"http:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/WhatsApp-Image-2023-11-26-at-17.47.55.jpeg\" alt=\"Ella Dominici\" class=\"wp-image-63406\" style=\"width:202px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ella Dominici<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"559\" data-attachment-id=\"82930\" data-permalink=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/?attachment_id=82930\" data-orig-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/7645c51d-01ab-4234-a087-80c9dfbc3682.jpg\" data-orig-size=\"1024,559\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"7645c51d-01ab-4234-a087-80c9dfbc3682\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/7645c51d-01ab-4234-a087-80c9dfbc3682.jpg\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/7645c51d-01ab-4234-a087-80c9dfbc3682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-82930\" srcset=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/7645c51d-01ab-4234-a087-80c9dfbc3682.jpg 1024w, https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/7645c51d-01ab-4234-a087-80c9dfbc3682-768x419.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>https:\/\/gemini.google.com\/app\/153e8c5d77076052?utm_source=app_launcher&amp;utm_medium=owned&amp;utm_campaign=base_all<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Premissa<br>&#8220;A verdadeira paz talvez n\u00e3o seja a aus\u00eancia da guerra, mas a coragem de permanecer humano quando tudo parece conspirar contra a humanidade.&#8221; (Rute Ella Dominici)<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap wp-block-paragraph\">A guerra costuma ser narrada pela hist\u00f3ria oficial atrav\u00e9s de mapas, tratados diplom\u00e1ticos, estrat\u00e9gias militares e estat\u00edsticas. Conhecemos datas, n\u00fameros de v\u00edtimas e nomes de batalhas. Contudo, por tr\u00e1s de cada dado existe uma exist\u00eancia interrompida, uma mem\u00f3ria fragmentada e uma consci\u00eancia profundamente transformada pela viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poucos acontecimentos revelam t\u00e3o intensamente a fragilidade da condi\u00e7\u00e3o humana quanto os conflitos armados. Eles n\u00e3o destroem apenas cidades, monumentos e fronteiras. Desorganizam a linguagem, silenciam afetos e alteram a forma como as gera\u00e7\u00f5es futuras compreendem a pr\u00f3pria humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este ensaio prop\u00f5e deslocar o olhar da narrativa hist\u00f3rica para a experi\u00eancia humana. A guerra deixa de ser observada apenas como um acontecimento coletivo para tornar-se experi\u00eancia \u00edntima, inscrita na mem\u00f3ria de indiv\u00edduos, fam\u00edlias e povos. \u00c9 na primeira pessoa que a dor adquire rosto, voz e perman\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A literatura ocupa, nesse contexto, um lugar singular. Enquanto a hist\u00f3ria registra acontecimentos, a literatura preserva aquilo que dificilmente pode ser quantificado: o medo, a aus\u00eancia, a culpa, a esperan\u00e7a e a lenta reconstru\u00e7\u00e3o da dignidade humana. Ela transforma a mem\u00f3ria em responsabilidade \u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao refletir sobre Hiroshima, sobre as mulheres que sustentam a continuidade da vida e sobre a perman\u00eancia das lembran\u00e7as nas gera\u00e7\u00f5es seguintes, este texto n\u00e3o pretende oferecer respostas definitivas. Busca, antes, reconhecer que toda civiliza\u00e7\u00e3o depende da capacidade de recordar sem transformar a mem\u00f3ria em instrumento de \u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lembrar n\u00e3o significa permanecer aprisionado ao sofrimento, mas impedir que a viol\u00eancia seja naturalizada. Quando a mem\u00f3ria permanece viva, ela se converte em consci\u00eancia; quando a lucidez permanece desperta, torna-se possibilidade de paz.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">I \u2014 A Guerra em Primeira Pessoa<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cToda guerra come\u00e7a quando o outro deixa de ser reconhecido como semelhante.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe uma diferen\u00e7a profunda entre estudar uma guerra e sobreviver a ela. A primeira atividade pertence ao dom\u00ednio da an\u00e1lise hist\u00f3rica; a segunda modifica irreversivelmente a percep\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia. Nenhuma estat\u00edstica consegue traduzir o instante em que uma crian\u00e7a compreende o significado da perda, nem o sil\u00eancio que permanece ap\u00f3s o desaparecimento daqueles que davam sentido ao cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A guerra rompe a continuidade da vida ordin\u00e1ria. O tempo deixa de ser organizado por projetos e passa a ser medido pela sobreviv\u00eancia. Cada dia representa uma conquista incerta, cada despedida pode tornar-se definitiva, cada gesto cotidiano adquire inesperada dimens\u00e3o \u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, a primeira pessoa deixa de ser mero recurso narrativo para transformar-se em lugar de resist\u00eancia. Dizer &#8220;eu&#8221; significa afirmar que existe uma consci\u00eancia que n\u00e3o foi completamente reduzida \u00e0 l\u00f3gica da destrui\u00e7\u00e3o. A identidade sobrevive mesmo quando tudo ao redor parece destinado ao desaparecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A literatura testemunhal tornou-se um dos maiores patrim\u00f4nios da mem\u00f3ria contempor\u00e2nea exatamente porque restitui nomes, rostos e emo\u00e7\u00f5es \u00e0s v\u00edtimas. Ao narrar a experi\u00eancia individual, revela aquilo que permanece invis\u00edvel nas descri\u00e7\u00f5es gerais da hist\u00f3ria: a singularidade da dor humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A guerra produz tamb\u00e9m deslocamentos interiores. Sobreviver implica conviver com lembran\u00e7as fragmentadas, culpas silenciosas e perguntas sem resposta. O trauma n\u00e3o termina quando cessam os combates; prolonga-se na mem\u00f3ria, influenciando rela\u00e7\u00f5es familiares, escolhas pessoais e a maneira como novas gera\u00e7\u00f5es compreendem o passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recordar, portanto, n\u00e3o significa cultivar ressentimento. A mem\u00f3ria transforma-se em exerc\u00edcio de responsabilidade. Ela impede que a viol\u00eancia seja reduzida a simples acontecimento hist\u00f3rico e recorda continuamente que cada conflito nasce, antes de tudo, da recusa em reconhecer plenamente a humanidade do outro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, toda narrativa em primeira pessoa torna-se tamb\u00e9m uma narrativa coletiva. Ao escutar uma \u00fanica voz, reconhecemos milhares de outras que permaneceram silenciadas pela destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">II \u2014 A Mulher em Primeira Pessoa<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cOnde a guerra interrompe a vida, muitas mulheres preservam a mem\u00f3ria.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As guerras foram frequentemente narradas pelos vencedores, pelos generais e pelos l\u00edderes pol\u00edticos. Entretanto, existe uma outra hist\u00f3ria, menos vis\u00edvel e igualmente decisiva: aquela preservada pelas mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto o conflito reorganiza fronteiras e estruturas pol\u00edticas, mulheres sustentam aquilo que permanece essencial \u00e0 continuidade da exist\u00eancia: o cuidado, a transmiss\u00e3o da mem\u00f3ria, a preserva\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia e a reconstru\u00e7\u00e3o cotidiana da esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Elas experimentam perdas m\u00faltiplas. Perdem companheiros, filhos, lares, estabilidade e, muitas vezes, a pr\u00f3pria identidade constru\u00edda antes da viol\u00eancia. Ainda assim, assumem silenciosamente o trabalho de reorganizar a vida quando os combates terminam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se trata de idealizar a figura feminina, mas de reconhecer uma dimens\u00e3o hist\u00f3rica frequentemente negligenciada. A mem\u00f3ria coletiva de in\u00fameros povos foi preservada por relatos orais, di\u00e1rios, fotografias, cartas e gestos cotidianos mantidos sobretudo pelas mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maternidade, compreendida aqui em sentido amplo como capacidade de proteger e transmitir a vida, converte-se em resist\u00eancia \u00e9tica diante da destrui\u00e7\u00e3o. Mesmo quando tudo parece perdido, permanece o compromisso de impedir que o esquecimento complete aquilo que a guerra iniciou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A literatura registra in\u00fameras personagens femininas que atravessam conflitos sem perder completamente a capacidade de compaix\u00e3o. Elas n\u00e3o representam ingenuidade, mas coragem moral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao narrar a guerra em primeira pessoa feminina, a literatura amplia nossa compreens\u00e3o da viol\u00eancia. Ela mostra que a reconstru\u00e7\u00e3o de uma sociedade come\u00e7a muito antes da assinatura de tratados diplom\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">III \u2014 A Modernidade e a Guerra em Terceira Pessoa<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cA t\u00e9cnica amplia o poder humano; somente a consci\u00eancia pode limitar seu uso.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A modernidade proporcionou extraordin\u00e1rios avan\u00e7os cient\u00edficos, tecnol\u00f3gicos e econ\u00f4micos. Contudo, o mesmo conhecimento capaz de prolongar a vida tamb\u00e9m produziu instrumentos de destrui\u00e7\u00e3o jamais imaginados pelas gera\u00e7\u00f5es anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo do s\u00e9culo XX, a guerra deixou de depender exclusivamente da coragem individual dos combatentes para tornar-se resultado de sistemas burocr\u00e1ticos altamente organizados. A viol\u00eancia passou a ser administrada por estruturas impessoais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hannah Arendt observou que o mal pode apresentar-se n\u00e3o apenas como manifesta\u00e7\u00e3o de crueldade consciente, mas tamb\u00e9m como resultado da incapacidade de pensar criticamente sobre os pr\u00f3prios atos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse cen\u00e1rio, a literatura recupera aquilo que a burocracia tende a apagar: a singularidade humana. Ao devolver nomes \u00e0s v\u00edtimas e sentimentos \u00e0s estat\u00edsticas, rompe a impessoalidade produzida pelas grandes m\u00e1quinas administrativas da guerra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A t\u00e9cnica n\u00e3o possui, em si mesma, orienta\u00e7\u00e3o moral. Ela amplia possibilidades. Cabe \u00e0 consci\u00eancia humana decidir se o conhecimento ser\u00e1 utilizado para preservar ou destruir a vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A verdadeira modernidade talvez n\u00e3o resida apenas na capacidade de criar tecnologias cada vez mais sofisticadas, mas na maturidade de utiliz\u00e1-las em favor da dignidade humana.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>IV \u2014 Cartografia da Mem\u00f3ria<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cA mem\u00f3ria n\u00e3o pertence apenas ao passado; ela orienta a responsabilidade do futuro.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mem\u00f3ria constitui um dos fundamentos da identidade humana. N\u00e3o \u00e9 apenas um arquivo de acontecimentos, mas um processo vivo pelo qual indiv\u00edduos e sociedades interpretam a pr\u00f3pria exist\u00eancia. Ap\u00f3s os grandes conflitos do s\u00e9culo XX, recordar tornou-se tamb\u00e9m um imperativo \u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As guerras n\u00e3o terminam quando cessam os disparos. Permanecem inscritas nos corpos, nas narrativas familiares e na cultura dos povos. O trauma atravessa gera\u00e7\u00f5es, moldando percep\u00e7\u00f5es, medos e formas de compreender o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paul Ricoeur observa que recordar exige responsabilidade. A mem\u00f3ria precisa preservar a verdade sem alimentar o ressentimento. Esquecer completamente favorece a repeti\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia; permanecer aprisionado ao passado impede a reconstru\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A literatura torna-se espa\u00e7o privilegiado dessa elabora\u00e7\u00e3o. Ela transforma lembran\u00e7as em linguagem, oferecendo \u00e0 dor um lugar de perman\u00eancia que n\u00e3o se reduz \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o do sofrimento. Assim, a mem\u00f3ria deixa de ser apenas recorda\u00e7\u00e3o e converte-se em compromisso com o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Cartografia da Mem\u00f3ria \u2014 Os grandes massacres do s\u00e9culo XX<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Primeira Guerra Mundial (1914\u20131918): cerca de 20 milh\u00f5es de mortos. Deixou uma Europa devastada e inaugurou a guerra industrial em larga escala. \ufffd<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HISTORY \u00b7 1<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Genoc\u00eddio Arm\u00eanio (1915\u20131917): aproximadamente 1,5 milh\u00e3o de v\u00edtimas, considerado um dos primeiros genoc\u00eddios do s\u00e9culo XX. \ufffd<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">thoughtco.com<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segunda Guerra Mundial (1939\u20131945): entre 70 e 85 milh\u00f5es de mortos, incluindo o Holocausto, o maior conflito da hist\u00f3ria humana. \ufffd<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HISTORY \u00b7 1<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Holocausto (1933\u20131945): cerca de 6 milh\u00f5es de judeus assassinados, al\u00e9m de milh\u00f5es de outras v\u00edtimas perseguidas pelo regime nazista. \ufffd<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HISTORY<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hiroshima e Nagasaki (1945): aproximadamente 200 mil mortos entre v\u00edtimas imediatas e posteriores \u00e0 radia\u00e7\u00e3o, marcando o in\u00edcio da era nuclear. \ufffd<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HISTORY<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Guerra da Coreia (1950\u20131953): cerca de 3 milh\u00f5es de mortos, consolidando a divis\u00e3o da pen\u00ednsula coreana. \ufffd<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PubMed Central (PMC)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Guerra do Vietn\u00e3 (1955\u20131975): aproximadamente 2 a 3 milh\u00f5es de mortos, deixando profundas marcas humanas, ambientais e pol\u00edticas. \ufffd<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PubMed Central (PMC) \u00b7 1<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Genoc\u00eddio Cambojano (1975\u20131979): cerca de 2 milh\u00f5es de v\u00edtimas, consequ\u00eancia do regime do Khmer Vermelho. \ufffd<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">thoughtco.com<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Guerras dos B\u00e1lc\u00e3s (1991\u20131999): aproximadamente 140 mil mortos, marcadas por limpeza \u00e9tnica e pelo massacre de Srebrenica. \ufffd<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PubMed Central (PMC)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Estima-se que mais de 100 milh\u00f5es de pessoas tenham perdido a vida em guerras e conflitos do s\u00e9culo XX, tornando-o o per\u00edodo mais violento da hist\u00f3ria contempor\u00e2nea e um permanente chamado \u00e0 responsabilidade \u00e9tica e \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria. \ufffd<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>V \u2014 Hiroshima: Quando a Ci\u00eancia <em>Ultrapassou a Consci\u00eancia<\/em><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cO conhecimento alcan\u00e7a sua grandeza quando permanece insepar\u00e1vel da responsabilidade.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hiroshima permanece como um dos s\u00edmbolos mais contundentes da capacidade humana de produzir destrui\u00e7\u00e3o em escala in\u00e9dita. Em poucos segundos, milhares de vidas foram interrompidas, e os efeitos f\u00edsicos, psicol\u00f3gicos e ambientais prolongaram-se por d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O epis\u00f3dio n\u00e3o representa apenas um marco militar. Ele inaugura uma reflex\u00e3o permanente sobre os limites \u00e9ticos do progresso cient\u00edfico. A intelig\u00eancia t\u00e9cnica mostrou-se extraordin\u00e1ria; a consci\u00eancia moral revelou-se insuficiente para impedir a devasta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Memorial da Paz de Hiroshima permanece como testemunho silencioso dessa responsabilidade hist\u00f3rica. Mais do que preservar ru\u00ednas, convida a humanidade a reconhecer que nenhum avan\u00e7o cient\u00edfico pode ser separado de suas consequ\u00eancias humanas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>VI \u2014 Como a Flor de Hiroshima<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cHiroshima, mon amour\u201d\u00c0 Marguerite Duras<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201c\u00c0 mem\u00f3ria daqueles cuja aus\u00eancia continua a ensinar a humanidade a florescer\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma bomba julgou est\u00e9ril o solo da fertilidade. Apesar da devasta\u00e7\u00e3o homicida, houve um impulso; na vila morta, c\u00e9lere, a vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A flor de Hiroshima floresce. Se apenas sobrevivesse, seria somente um s\u00edmbolo biol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas florescer \u00e9 um verbo da alma, met\u00e1fora da resili\u00eancia, a serenidade que ensaia novamente a vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cinza acreditava possuir a \u00faltima palavra. A flor respondeu em perfume: imagem singela&nbsp; da extraordin\u00e1ria continuidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O perfume n\u00e3o tem corpo nem ocupa espa\u00e7o. N\u00e3o se deixa aprisionar; expande-se, transcende. E do massacre, gesto agreste, a poesia se consagra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o reconstr\u00f3i edif\u00edcios, nem desfaz explos\u00f5es. N\u00e3o devolve os mortos \u00e0s suas imensid\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A flor n\u00e3o explica a trag\u00e9dia, mas transforma suas dimens\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A bomba definia a terra como o \u00faltimo vazio. A vida, por\u00e9m, recusa o verbo desistir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consci\u00eancia, em flora\u00e7\u00e3o, renasceu na natureza, porque florescer \u00e9 escolha da alma, e quando a&nbsp; cinza imaginou ser a \u00faltima palavra,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;A flor de Hiroshima poetizou o perfume na forma mais delicada de negar a viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O amor permanece em plena liberdade, sem fronteiras nem espa\u00e7os definidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Persiste quando a mat\u00e9ria desaparece e o sil\u00eancio dialoga com as mem\u00f3rias que n\u00e3o cabem na linguagem:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">colecionam perfumes que devolvem \u00e0 humanidade, n\u00e3o os seus mortos, mas o f\u00f4lego que a dor acreditava ter extinguido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porque a mat\u00e9ria do absurdo torna-se cinza: o obscuro<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">mas&nbsp; na alma o \u00faltimo verbo \u00e9 florescer:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hiroshima, mon amour.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rute Ella Dominici<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ep\u00edlogo \u2014 Eu, Sobrevivente<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Sobreviver \u00e9 transformar a mem\u00f3ria em responsabilidade.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o sobrevivi apenas \u00e0s guerras inscritas na hist\u00f3ria. Sobrevivi \u00e0s guerras silenciosas que atravessam consci\u00eancias, fragmentam afetos e desafiam continuamente a condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Compreendi que a paz n\u00e3o se estabelece apenas pelo fim dos conflitos. Ela come\u00e7a quando reconhecemos no outro a mesma dignidade que desejamos preservar em n\u00f3s. Esse reconhecimento transforma a mem\u00f3ria em compromisso \u00e9tico e impede que a viol\u00eancia encontre no esquecimento um novo abrigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A literatura participa dessa reconstru\u00e7\u00e3o ao conservar aquilo que a destrui\u00e7\u00e3o n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar: a experi\u00eancia humana. Enquanto houver quem escreva, leia e recorde, permanecer\u00e1 viva a possibilidade de uma cultura fundada na responsabilidade, na compaix\u00e3o e na esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez essa seja a mais profunda voca\u00e7\u00e3o da palavra: lembrar que, mesmo depois das maiores ru\u00ednas, a humanidade ainda pode escolher florescer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Que este trabalho encontre leitores capazes de reconhecer que, mesmo diante da devasta\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria , a literatura continua sendo uma forma de preservar a humanidade.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Dossi\u00ea Cultural<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hannah Arendt \u2014 Eichmann em Jerusal\u00e9m<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/livro\/9788571649620\/eichmann-em-jerusalem\">https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/livro\/9788571649620\/eichmann-em-jerusalem<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Primo Levi \u2014 \u00c9 Isto um Homem?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/rocco.com.br\/produto\/e-isto-um-homem\">https:\/\/rocco.com.br\/produto\/e-isto-um-homem<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">John Hersey \u2014 Hiroshima<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/livro\/9788535902792\/hiroshima\">https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/livro\/9788535902792\/hiroshima<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Companhia das Letras (cat\u00e1logo)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\">https:\/\/www.companhiadasletras.com.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Editora Vozes<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.vozes.com.br\">https:\/\/www.vozes.com.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Editora Record<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.record.com.br\">https:\/\/www.record.com.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nova Fronteira<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.novafronteira.com.br\">https:\/\/www.novafronteira.com.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todavia<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/todavialivros.com.br\">https:\/\/todavialivros.com.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Editora Unicamp<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.editoraunicamp.com.br\">https:\/\/www.editoraunicamp.com.br<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sugest\u00f5es culturais<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anne Frank House<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.annefrank.org\">https:\/\/www.annefrank.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Elie Wiesel Foundation<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-the-elie-wiesel-foundation wp-block-embed-the-elie-wiesel-foundation\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"mgQDXxzXea\"><a href=\"https:\/\/eliewieselfoundation.org\/\">Home<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"\u201cHome\u201d \u2014 The Elie Wiesel Foundation\" src=\"https:\/\/eliewieselfoundation.org\/embed\/#?secret=f0j9kWQeIl#?secret=mgQDXxzXea\" data-secret=\"mgQDXxzXea\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hiroshima Peace Memorial Museum<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/hpmmuseum.jp\/?lang=eng\">https:\/\/hpmmuseum.jp\/?lang=eng<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">UNESCO \u2013 Hiroshima Peace Memorial<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/whc.unesco.org\/en\/list\/775\">https:\/\/whc.unesco.org\/en\/list\/775<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nagasaki Atomic Bomb Museum<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/nabmuseum.jp\/en\">https:\/\/nabmuseum.jp\/en<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Auschwitz-Birkenau Memorial<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.auschwitz.org\/en\">https:\/\/www.auschwitz.org\/en<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">United States Holocaust Memorial Museum<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ushmm.org\">https:\/\/www.ushmm.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IMDb \u2013 Hiroshima mon amour<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0052893\">https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0052893<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Filmografia Sugerida<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Obras audiovisuais recomendadas para complementar o ensaio &#8220;A Guerra em Primeira Pessoa: Mem\u00f3ria, consci\u00eancia e a reconstru\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o humana&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hiroshima mon amour<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dire\u00e7\u00e3o: Alain Resnais (1959)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reflex\u00e3o sobre mem\u00f3ria, amor e trauma ap\u00f3s Hiroshima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0052893\">https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0052893<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Schindler&#8217;s List<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dire\u00e7\u00e3o: Steven Spielberg (1993)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Holocausto, mem\u00f3ria e responsabilidade \u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0108052\">https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0108052<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">The Pianist<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dire\u00e7\u00e3o: Roman Polanski (2002)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobreviv\u00eancia durante a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0253474\">https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0253474<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Grave of the Fireflies<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dire\u00e7\u00e3o: Isao Takahata (1988)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inf\u00e2ncia e devasta\u00e7\u00e3o provocadas pela guerra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0095327\">https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0095327<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Waltz with Bashir<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dire\u00e7\u00e3o: Ari Folman (2008)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mem\u00f3ria, trauma e conflito contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt1185616\">https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt1185616<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">The Thin Red Line<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dire\u00e7\u00e3o: Terrence Malick (1998)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dimens\u00e3o filos\u00f3fica da guerra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0120863\">https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0120863<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Come and See<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dire\u00e7\u00e3o: Elem Klimov (1985)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Impactos psicol\u00f3gicos da guerra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0091251\">https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0091251<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Ella Dominici<\/h3>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8f761849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-to-luminous-vivid-orange-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/rute.ella.dominici.2025\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center has-luminous-vivid-amber-to-luminous-vivid-orange-gradient-background has-background\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ruteelladominici\/\" title=\"Instagram\">Instagram<\/a><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/\" title=\"Voltar\">Voltar<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Jculturalrol\/\" title=\"Facebook\">Facebook<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma profunda reflex\u00e3o liter\u00e1ria sobre os impactos humanos e \u00edntimos da guerra, destacando o papel da literatura como guardi\u00e3 da mem\u00f3ria e da dignidade 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