{"id":9001,"date":"2017-03-26T18:33:54","date_gmt":"2017-03-26T21:33:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=9001"},"modified":"2017-03-26T18:33:54","modified_gmt":"2017-03-26T21:33:54","slug":"ranielton-dario-colle-o-motorista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=9001","title":{"rendered":"Ranielton Dario Colle: &#039;O motorista&#039;"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F9001&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F9001&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h1 style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Rannie-Face.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7365\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Rannie-Face.jpg\" alt=\"\" width=\"160\" height=\"160\" \/><\/a><\/h1>\n<p><!--more--><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center\">Ranielton Dario Colle: &#8216;O motorista&#8217;<\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu estava triste naquela manh\u00e3 nublada de domingo. Havia constatado que n\u00e3o conseguiria viver com meus parcos rendimentos e precisava muito de uma fonte extra para poder pagar minhas contas, ou em breve seria despejado.<\/p>\n<p>Por isso eu pesquisava na internet. E l\u00e1, havia infinitas formas de se ganhar dinheiro. Todas prometiam uma boa quantia de dinheiro. Por\u00e9m, sempre que eu me aprofundava para saber como, todas essas miraculosas maneiras de incrementar a renda me pediam coisas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quais eu n\u00e3o me sujeitaria a fazer: a mais comum de todas consistia em ficar importunando meus amigos e conhecidos com malotes e mais malotes de propagandas de produtos de qualidade duvid\u00e1vel. Meus amigos\u2026 como se eu tivesse muitos! As chances de retorno eram p\u00e9ssimas.<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 estava bastante desanimado quando vi, na \u00faltima p\u00e1gina de pesquisa, um link que, embora pouco promissor, com todas as probabilidades de ser falso, me daria uma bolada em troca de um \u00fanico servi\u00e7o a ser feito posteriormente. E tudo que eu precisava fazer era preencher meus dados, inclusive com um n\u00famero de conta para dep\u00f3sito, al\u00e9m de responder a um question\u00e1rio que era um tanto estranho: as quest\u00f5es abordavam minhas cren\u00e7as e gostos pessoais, e at\u00e9 onde eu iria para ter o dinheiro que, se eu fosse selecionado, n\u00e3o era nada menos que quinhentos mil d\u00f3lares!<\/p>\n<p>Imediatamente eu preenchi meus dados, embora sem muita esperan\u00e7a de que aquilo pudesse dar em algo. Isso porque, por outro lado, eu sabia que n\u00e3o tinha nada a perder.<\/p>\n<p>Passado dois dias, fiquei excitado quando recebi um e-mail de confirma\u00e7\u00e3o, dizendo que eu havia sido selecionado. No e-mail havia um arquivo anexo, um contrato, para que eu assinasse e registrasse em cart\u00f3rio antes de envia-lo de volta pelo correio. Uma vez feito isso, eu receberia metade do dinheiro em minha conta corrente como sinal, e ficaria de sobreaviso; a qualquer momento eu seria chamado para realizar o tal trabalho que eles alegavam n\u00e3o era ilegal, mas que demandava paci\u00eancia, discri\u00e7\u00e3o e lealdade.<\/p>\n<p>Com dinheiro em m\u00e3os, minha vida se tornou mais f\u00e1cil, e fui me acostumando a pequenos luxos e mordomias. Eu nunca havia visto tanta grana! E a certeza de que, de onde viera esse, ainda viria outro tanto, fez com que eu me tornasse descuidado no seu uso.<\/p>\n<p>Dessa forma, o que a princ\u00edpio foram pequenos luxos, foi se tornando extravag\u00e2ncia. E os meses iam se passando at\u00e9 que eu j\u00e1 estava com quase todo dinheiro esgotado, e isso me preocupava; todavia, a cada novo gasto desnecess\u00e1rio eu prometia a mim mesmo que, quando recebesse a pr\u00f3xima metade, eu seria mais comedido. E foi dessa maneira que, o que antes fora uma vida de priva\u00e7\u00f5es, tornou-se uma vida regada a v\u00edcios, orgias e luxos.<\/p>\n<p>Assim, em menos de seis meses, eu j\u00e1 estava apavorado com a ideia da mis\u00e9ria iminente, o que felizmente n\u00e3o ocorreu, porque eles me convocaram para que eu fizesse o trabalho ao qual havia me comprometido.<\/p>\n<p>O medo tomou conta de mim, porque, se eu n\u00e3o tivesse condi\u00e7\u00f5es de fazer o trabalho (que n\u00e3o estava bem claro o que seria) eu n\u00e3o teria como devolver-lhes o dinheiro. E se eles me pedissem para fazer algo indecoroso? Algo que n\u00e3o fosse crime, mas que n\u00e3o fosse correto? A ideia era apavorante, porque eu gostava de me ver como uma pessoa correta, embora no fundo n\u00e3o passasse de um covarde.<\/p>\n<p>Somente quando chegou o pacote dos correios com as instru\u00e7\u00f5es do que eu deveria fazer \u00e9 que fiquei aliviado e comecei a rir. Era algo simples e, t\u00e3o bobo, que me senti um tolo por ter alimentado o medo: eu tinha que ir a um hotel com um carro j\u00e1 pago, que eu pegaria numa concession\u00e1ria, com o uniforme de motorista que me enviaram pelo correio. O meu trabalho seria transportar um famoso CEO de uma empresa de tecnologia, um dos homens mais ricos do mundo, enquanto ele estivesse no Brasil. Respirei fundo, aliviado&#8230; Sim, eu daria conta do recado\u2026 Fiquei seis dias praticamente vivendo naquele carro, sem hor\u00e1rios. Nesses seis dias eu n\u00e3o era mais que uma extens\u00e3o da vontade daquele CEO. N\u00e3o obstante, foram os seis dias mais bem remunerados da minha vida. E que terminaram comigo levando-o a um aeroporto onde ele embarcaria em seu jatinho de volta ao seu pa\u00eds de origem.<\/p>\n<p>Eu o levei a lugares estranhos. Alguns deles at\u00e9 me davam arrepios: eram galp\u00f5es imundos, corti\u00e7os piores que favelas, casas aparentemente abandonadas\u2026\u00a0 e que eu n\u00e3o conseguia imaginar era o que ele ia fazer l\u00e1. Cogitava comigo que poderiam ser f\u00e1bricas clandestinas, mas jamais tive coragem de averiguar. Ele sempre voltava para o carro um pouco diferente, como se sua aura mudasse. E eu n\u00e3o me arriscava a perguntar-lhe nada sob\u00a0 pena de perder meu t\u00e3o ansiado pagamento. Eu deveria apenas lev\u00e1-lo, o resto era entre ele e seus parceiros de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Ao final do servi\u00e7o, recebi um e-mail me congratulando pela minha dedica\u00e7\u00e3o ao trabalho e pela minha discri\u00e7\u00e3o, e me perguntando se eu estaria disposto a fazer, em outras ocasi\u00f5es, o mesmo servi\u00e7o por duzentos e cinquenta mil d\u00f3lares. Fiquei um pouco surpreso, feliz com a expectativa de mais trabalho, mas decepcionado com o valor, que agora caia pela metade. Pensei em retrucar, reclamando, mas achei melhor n\u00e3o.<\/p>\n<p>Tal pagamento era ainda melhor do que qualquer emprego que eu j\u00e1 tivera. E me permitia ainda uma vida de relativo luxo em compara\u00e7\u00e3o com as priva\u00e7\u00f5es de meu passado recente. Por isso, concordei. Afinal, o que era ser escravo por seis dias para depois viver meio ano ou um ano inteiro como rei?<\/p>\n<p>A segunda pessoa que eu transportei era uma celebridade do Rock, que queria visitar o Brasil, anonimamente. Era uma mulher! E era linda e devassa. Mas, uma excelente pessoa. E, embora eu n\u00e3o pudesse demonstrar isso, eu era seu f\u00e3 e estava honrado com a possibilidade de servi-la em suas f\u00e9rias inc\u00f3gnita pela noite bo\u00eamia do Rio\u2026<\/p>\n<p>Algumas vezes eu me perguntava se n\u00e3o seria mais barato para eles chamarem o Uber ou contratar alguma ag\u00eancia de transporte. Por\u00e9m, conclui que eles queriam ficar realmente inc\u00f3gnitos e era para n\u00e3o correr riscos de serem expostos que pagavam o exorbitante pre\u00e7o que aqueles para quem eu trabalhava devia lhes cobrar.<\/p>\n<p>Durante tr\u00eas anos eu transportei umas seis pessoas. O que eu ganhava dependia dos dias que trabalhava e da import\u00e2ncia da pessoa transportada. Nunca menos que duzentos e cinquenta mil d\u00f3lares e nunca mais que um milh\u00e3o. E, com isso, eu tinha a vida que eu pedi a Deus!<\/p>\n<p>Dormi nos melhores hot\u00e9is, com as melhores prostitutas de luxo e comi nos melhores restaurantes, tendo frequentado as mais exclusivas festas da alta sociedade, nas quais iam desde personalidades do cinema at\u00e9 pol\u00edticos do alto escal\u00e3o, como ministros e o presidente da rep\u00fablica. Em suma: tudo estava perfeito.<\/p>\n<p>S\u00f3 que eu era contratado por servi\u00e7o e, para cada servi\u00e7o prestado, eu assinava um contrato similar ao primeiro; um contrato que n\u00e3o deixava claro o que eu deveria fazer&#8230; Como j\u00e1 lhes prestara o servi\u00e7o por v\u00e1rias vezes, eu sabia que n\u00e3o tinha nada a temer e nem mais o lia antes de assinar. Ah, como a rotina nos d\u00e1 uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a\u2026<\/p>\n<p>O meu s\u00e9timo trabalho para eles mudou a minha vida para sempre. Eu transportaria uma van cheia de modelos at\u00e9 uma festa em um endere\u00e7o remoto, ao qual chegamos depois de trilhar por quil\u00f4metros em estrada de ch\u00e3o. E, nesse trabalho, diferente das outras vezes, eu n\u00e3o deveria esperar por elas e lev\u00e1-las de volta. Eu deveria partir assim que as tivesse deixado l\u00e1, tendo sido, inclusive, instru\u00eddo para jogar no mar o GPS t\u00e3o logo tivesse conclu\u00eddo minha miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao deix\u00e1-las na porta da mans\u00e3o, fui recebido por um homem alto, vestido a rigor, mas cego. Era um senhor de cabelos grisalhos e de elegante trato. E tudo que pude entrever, no sal\u00e3o do casar\u00e3o, foi o CEO que eu transportara uma vez, e outras pessoas que imaginei compunham a nata da alta sociedade. Vislumbrei tamb\u00e9m, entre eles, criaturas de uns tr\u00eas metros de altura, com corpo humano e cabe\u00e7a de animal, coisa demasiado bizarra, que conclui que fosse uma esp\u00e9cie de fantasia enorme usada para entreter os convidados.<\/p>\n<p>Eu estava a ponto de perguntar isso para o cego anci\u00e3o; entretanto, antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele me disse que eu deveria partir imediatamente e fechou a porta \u00e0 minha frente. Espantado com a grosseria do velho, eu parti.<\/p>\n<p>H\u00e1 coisas que nos acontecem, que nos pegam de surpresa quando n\u00e3o estamos preparados e mudam subitamente todo o rumo de nossas vidas. E eu me pergunto se elas n\u00e3o s\u00e3o apenas uma forma de Deus nos alertar ou castigar, porque, na volta para casa aquela noite, ainda pr\u00f3ximo \u00e0 mans\u00e3o, o motor entrou em pane. E isso mudou tudo. Por instinto, peguei o telefone para ligar para a seguradora. Mas estava sem sinal. Ent\u00e3o, fui caminhando pela estrada escura, sem ilumina\u00e7\u00e3o, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 mans\u00e3o em que deixara as meninas, que devia estar a, no m\u00e1ximo, um quil\u00f4metro dali. Eu esperava apoio ou, pelo menos, um telefone para ligar para a seguradora.<\/p>\n<p>A noite parecia mais escura e fria fora do carro. Havia algo de sinistro no ar. A neblina densa dificultava minha vis\u00e3o, e ocasionalmente, ouvia o piar de uma coruja. Nesse momento, quando eu julgava me aproximar da enorme casa onde deixara as modelos, comecei a ouvir os sons de um violino, que ficavam mais altos e claros, e tamb\u00e9m o que soava como o estalar de chicotes, som esse que era seguido por gemidos e gritos horripilantes: um som gutural que at\u00e9 hoje, tantos anos depois, ainda me deixa arrepiado ao lembrar; eram berros de dor, pavor e de desespero.<\/p>\n<p>E, em minha mente de imagina\u00e7\u00e3o f\u00e9rtil, excitada pela escurid\u00e3o e pelo ineditismo da situa\u00e7\u00e3o, eu visualizava aquelas lindas meninas que eu levara at\u00e9 ali em l\u00e1grimas, com o corpo j\u00e1 desfigurado pelos hematomas e cortes das chicotadas, implorando a eles que, por favor, as deixassem vivas; que tivessem miseric\u00f3rdia de suas almas.<\/p>\n<p>Por fim, depois de alguns minutos, que pareciam uma eternidade horripilante ouvindo isso, ouvi tamb\u00e9m uns grunhidos e um som sinistro e inumano. E esse som foi seguido pelo sil\u00eancio e por um forte clar\u00e3o de luz que parecia sair do local onde estava a enorme casa onde eu havia deixado aquelas lindas garotas.<\/p>\n<p>Pensei em dar meia-volta, correr. Fugir! Sumir dali! No entanto, era in\u00fatil. Eu estava no meio do nada\u2026 juntei os restos de minha coragem em frangalhos e caminhei em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 mans\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 Deve ter uma explica\u00e7\u00e3o para tudo isso \u2013 eu dizia para mim mesmo, enquanto imaginava que poderia ter levado aquelas pobres mulheres para a morte.<\/p>\n<p>\u2013 Deve ter uma explica\u00e7\u00e3o\u2026 elas devem estar gravando um filme\u2026 \u00c9 isso, um filme! Como eu sou bobo, n\u00e3o tem nada de mais\u2026 eu vou chegar l\u00e1 e eles v\u00e3o rir da minha cara, de meu medo\u2026<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando eu entrei na rua, e olhei para onde ficava a mans\u00e3o, n\u00e3o havia nada ali al\u00e9m de uma enorme regi\u00e3o queimada, no meio do que parecia ser uma planta\u00e7\u00e3o de milho. N\u00e3o havia o menor sinal de que, antes, ali, havia uma casa\u2026 e muito menos que havia pessoas.<\/p>\n<p>Tendo conclu\u00eddo que estava perdido, tentei achar o caminho para a mans\u00e3o por diversas vezes, mas ela, definitivamente, havia desaparecido. E, novamente, minha consci\u00eancia pesou:<\/p>\n<p>\u2013 Dinheiro \u2013 eu pensei \u2013 eu fiz isso por dinheiro! \u2013 e me senti um monstro, porque podia sempre perguntar o que seria. O que eu faria?\u2026 quais seriam as consequ\u00eancias de meus atos? Entretanto, era expresso no contrato: sem perguntas! E eu n\u00e3o queria perder o trabalho. E perder o dinheiro\u2026 e o luxo era t\u00e3o bom\u2026 Se eu soubesse o que aconteceria eu faria o trabalho? Fiquei espantado comigo quando conclui que eu n\u00e3o saberia dizer, porque estava acostumado demais com o conforto, e tinha medo de perd\u00ea-lo! Isso fez com que eu me odiasse por um segundo e pegasse o canivete abrindo um talho em meu bra\u00e7o para sentir dor, porque eu era um miser\u00e1vel\u2026<\/p>\n<p>Foi nesse exato momento, quando o sangue come\u00e7ou a jorrar, que eu ouvi o que parecia ser uma gargalhada g\u00e9lida e maquiav\u00e9lica, um som t\u00e9trico que ecoava pelo infinito. Ent\u00e3o, apavorado, esqueci-me de tudo, estanquei o sangue tremendo de frio e medo, e a gargalhada ainda ecoou por uma segunda vez quando comecei a rezar\u2026<\/p>\n<p>Adormeci rezando no carro, com a conclus\u00e3o de que eu n\u00e3o passava de um verme idiota.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 do dia seguinte acordei com um fazendeiro em um trator ao lado da van. Ele me perguntava se eu estava com problemas:<\/p>\n<p>\u2013 Problemas? Que problemas? \u2013 eu respondi, amargo. E lembrei-me de perguntar-lhe se ele sabia onde ficava uma mans\u00e3o por aqueles lados\u2026 Ele respondeu que n\u00e3o havia nada ali al\u00e9m de uma planta\u00e7\u00e3o de milho\u2026 E estava indignado, porque parecia que alguns moleques haviam queimado toda uma enorme \u00e1rea circular. Ele j\u00e1 ia partindo quando tentei ligar o ve\u00edculo, e recordei que ele n\u00e3o estava funcionando; ent\u00e3o, pedi ajuda.<\/p>\n<p>Ainda hoje sonho com aquelas pobres modelos, seus gritos e gemidos, com seus rostos distorcidos de dor; ainda sonho com elas gritando e implorando por socorro. E em meus sonhos eu sempre as vejo em cenas dantescas, no meio daquelas criaturas n\u00e3o humanas, de tr\u00eas metros de altura e cabe\u00e7a de animal, seres hediondos, dem\u00f4nios ou deuses pag\u00e3os.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, depois, \u00e0s vezes chego a pensar que tudo aquilo foi mera alucina\u00e7\u00e3o. Que j\u00e1 sonhei tanto com isso, que \u00e9 por isso acredito que aconteceu de verdade.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, depois olho para a cicatriz em meu bra\u00e7o, e entendo porque eu nunca mais tive coragem de pegar outro servi\u00e7o daqueles, por mais rendoso que me fosse.<\/p>\n<p>Investi o dinheiro desse \u00faltimo trabalho em uma pequena franquia e levo uma vida relativamente modesta. Uma vida pacata, n\u00e3o fosse pelos pesadelos que, \u00e0 noite, me lembram de que eu n\u00e3o sou merecedor da paz\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-9001","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao"],"aioseo_notices":[],"views":0,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":7081,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=7081","url_meta":{"origin":9001,"position":0},"title":"Mais um importante colunista colabora com o ROL: Ranielton Dario Colle, o &#039;Rani&#039;","author":"Helio Rubens","date":"2 de dezembro de 2016","format":false,"excerpt":"O ROL cresce de conte\u00fado e de import\u00e2ncia com a entrada do Rani como colunista (HR) \u00a0 \u00c9 com grande prazer que apresento aos leitores o Ranielton Dario Colle, conhecido entre seus amigo como 'Rani'. 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