{"id":9251,"date":"2017-04-06T04:25:21","date_gmt":"2017-04-06T07:25:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/?p=9251"},"modified":"2017-04-06T04:25:21","modified_gmt":"2017-04-06T07:25:21","slug":"ranielton-dario-colle-estresse-pos-traumatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=9251","title":{"rendered":"Ranielton Dario Colle: &#039;Estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico&#039;"},"content":{"rendered":"<div class=\"pdfprnt-buttons pdfprnt-buttons-post pdfprnt-top-right\"><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F9251&print=pdf\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-pdf\" target=\"_blank\" ><\/a><a href=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fposts%2F9251&print=print\" class=\"pdfprnt-button pdfprnt-button-print\" target=\"_blank\" ><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornalrol.com.br\/wp-content\/plugins\/pdf-print\/images\/print.png\" alt=\"image_print\" title=\"Conte\u00fado de impress\u00e3o\" \/><\/a><\/div><h1><strong><a href=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Rannie-Face.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-7365 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.jornalrol.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Rannie-Face.jpg\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"231\" \/><\/a><\/strong><\/h1>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong>Ranielton Dario Colle: &#8216;ESTRESSE P\u00d3S-TRAUM\u00c1TICO&#8217;<\/strong><\/h2>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>27\/03\/2001 \u2013 9h00<\/p>\n<p>\u2013 Acorda, eu j\u00e1 disse! \u2013 Acorda! Eles est\u00e3o vindo. Temos que sair depressa! \u2013 eu gritava para ela. Mas ela n\u00e3o se mexia. Depois de sacudi-la um pouco percebi que ela estava fria. Entrei em desespero. Eu nem mesmo poderia dar-lhe um enterro decente.<\/p>\n<p>Hav\u00edamos sido despejados h\u00e1 quase dois anos. E desde alguns meses antes, quando o acidente fraturou minha coluna, eu n\u00e3o conseguia mais um emprego fixo. Comecei a viver de pequenos bicos, e vender balas nos sinais. S\u00f3 que isso n\u00e3o era o suficiente para o aluguel. Ent\u00e3o, durante algum tempo, ficamos nas ruas, ou dormindo em quartos de pens\u00e3o barata, quando consegu\u00edamos. Todavia, essa situa\u00e7\u00e3o era insustent\u00e1vel, porque \u00e9 muito duro dormir numa cal\u00e7ada abra\u00e7ado a uma crian\u00e7a de sete anos.<\/p>\n<p>Fazia quase um ano que mor\u00e1vamos naquela casa abandonada, mas agora ter\u00edamos que sair e procurar outro canto onde pud\u00e9ssemos ficar. \u2018Tivemos sorte\u2019, eu dizia para mim mesmo, e para ela, quando pensava que ainda pod\u00edamos estar nas ruas, ou naqueles quartos de pens\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora, ali, olhando para o corpo de minha filhinha, imaginando o que ela deve ter passado, lembrando da sua dor, seu medo, seu frio, eu me senti o pior pai do mundo&#8230; Liguei para a pol\u00edcia anonimamente e informei o endere\u00e7o da casa abandonada onde tinha um cad\u00e1ver. Parti sem olhar para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>As l\u00e1grimas se desprendiam de meu rosto enquanto eu pensava no que tinha acontecido. Que vida eu teria doravante? Estava sozinho no mundo, sem lar, sem fam\u00edlia, sem trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>27\/03\/2001 \u2013 11h<\/p>\n<p>Reportando para a central. Alarme falso! Ao que tudo indica havia um mendigo que vive aqui, mas n\u00e3o est\u00e1 no local. Encontramos uns trapos e uma boneca de pano velha. Deve ter sido algum trote ou uma brincadeira de mau gosto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>03\/05\/2002<\/p>\n<p>\u2500 Precisamos fugir! \u2500 eu disse. Ela me encarou: \u2013 Mas, para onde? \u2013 N\u00e3o sei, mas precisamos fugir! Eles acham que fui eu que te matei. Se me encontrarem aqui tudo est\u00e1 perdido. \u2013 Mas, voc\u00ea me matou \u2013 disse ela \u2013 Encare os fatos, papai! \u2013 N\u00e3o! Eu n\u00e3o te matei, voc\u00ea sabe disso! Voc\u00ea estava doente\u2026 Por que voc\u00ea faz isso comigo? Me deixa em paz! \u2013 Mas voc\u00ea podia ter me levado no hospital, papai. Era s\u00f3 n\u00e3o ter batido o carro. \u2013 ela insistia. Eu enlouqueceria se continuasse aquela conversa. Ent\u00e3o eu gritei: \u2013 Chega! E ela me deixou em paz por um tempo. Depois o sil\u00eancio fiou ensurdecedor. Implorei! Por\u00e9m, ela n\u00e3o voltou a falar comigo. Ent\u00e3o arrumei os poucos trapos que tinha e sai dali.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>16\/09\/2012 \u2013 19h30<\/p>\n<p>\u2013 Ei, ei, senhor! \u2013 eu escutei. \u2013 Qual \u00e9 o seu nome?<\/p>\n<p>Eu estava tentando um lugar para dormir em um abrigo\u2026 Seria bom repousar em uma cama depois de tanto tempo. Eu sabia que n\u00e3o merecia ap\u00f3s t\u00ea-la deixado morrer t\u00e3o covardemente anos atr\u00e1s naquela casa abandonada. Mas estava exausto e precisava de um descanso. Com minhas m\u00e3os tr\u00eamulas, peguei minha identidade\u2026 fazia tanto tempo j\u00e1, talvez tivessem desistido de procurar o culpado. Afinal, minha filha era s\u00f3 uma sem-teto como eu. E ningu\u00e9m se importa com um sem-teto\u2026 esse pensamento me deixou triste. E ela me disse: \u2013 Eu n\u00e3o era uma sem-teto papai. Nem o senhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>16\/09\/2012 \u2013 20h.<\/p>\n<p>\u2013 Sim senhora, estou ligando porque vi, h\u00e1 uns seis meses, uma antiga lista de pessoas desaparecidas. E l\u00e1 tinha algu\u00e9m de mesmo nome. N\u00e3o, n\u00e3o, a foto est\u00e1 diferente, mas faz mais de dez anos j\u00e1, ent\u00e3o achei que pode ser a mesma pessoa. Ele parece falar sozinho \u00e0s vezes.<\/p>\n<p>\u2013 Obrigada! Se for ele mesmo \u00e9 meu pai. Faz mais de dez anos que ele sumiu. Muito, muito obrigada mesmo! \u2013 Mam\u00e3e, mam\u00e3e! O papai pode estar vivo!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Notinha no jornal:<\/p>\n<p>Foi encontrado o Sr. J. C. M., que havia desaparecido h\u00e1 dez anos levando consigo apenas a boneca de sua filha ca\u00e7ula, portadora de hemofilia, que havia falecido em um acidente de carro. Diagnosticado com esquizofrenia desencadeada por estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, o Sr J. C. M. \u00e9 considerado inofensivo. A fam\u00edlia celebra o reencontro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ranielton Dario Colle: &#8216;ESTRESSE P\u00d3S-TRAUM\u00c1TICO&#8217;<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-9251","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao"],"aioseo_notices":[],"views":0,"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":7205,"url":"https:\/\/jornalrol.com.br\/?p=7205","url_meta":{"origin":9251,"position":0},"title":"Ranielton Dario Colle, o \u2018Ranie\u2019: &#039;Div\u00f3rcio&#039;","author":"Helio Rubens","date":"15 de dezembro de 2016","format":false,"excerpt":"Ranielton Dario Colle, o \u2018Ranie\u2019: novo artigo: 'Div\u00f3rcio' \u00a0 \u2013 Voc\u00ea abasteceu o carro? \u2500 ela me perguntou antes de sair. \u2500 Sim, querida, o tanque est\u00e1 cheio. \u2500 eu respondi, com ironia. 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