Tico-tico, quero-quero Esperançar a paz das garças, onde o Monte beija festivo o céu das alegrias. Palácio dos inocentes, sou seu Espelho de simplicidades e excentricidades. Rio que corre, às vezes suave, outras em Águas de tempestades. Nuances que me Cobrem de surpresas e fazem refletir Amor da menina dos olhos meus, a…
Fé guardiã das montanhas da minha terra. Tenho Orgulho de pertencer a este céu de brancas nuvens. Recebo o seu abraço, ó brisa que me acarinha! Telúricas são as tardes em que Acalento sonhos e guardo Lembranças da minha infância!
Efêmeros, porém, eternos na memória são os instantes em que de olhar Zeloso balbucio as minhas preces Agradeço o dom da vida e me despeço serena, com um sentir de derramar em ti a essência do meu bem-querer.
Estive procurando por ti, meu desejo, Por um tempo em que o fado Resiste além do céu, além do mar, Num vai e vem de poesia sem fim…
Onde teus são os olhos meus Que atravessam dimensões e galáxias, Brincam entre corpos celestes, Até que adormeçam inocentes, enfim.
Aguardo enamorada, meu bem-amado, Enquanto enfrento mil dragões que Teimam em colocar obstáculos ao curso Natural de um amor nunca, antes, visto assim…
Onde teu é o meu coração que, Numa fração de olhar, foi arrebatado Claridade do nascer ao pôr, despertando Nossas almas num eterno carmesim.
Marli FreitasImagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/deb5a3dbb8b8c66c?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all
Quando Machado de Assis disse que “A arte de viver consiste em tirar o maior bem do maior mal”, Meu mundo parou… bebi o mel do seu intelecto E me entreguei ao êxtase de conhecer um gigante Que nasceu humildemente humano, neto de escravos alforriados Que trilhou suavemente o caminho do saber.
De mente brilhante, viu no Padre Silveira Sarmento, Seu mentor de latim e melhor amigo. Absorveu em detalhes os estímulos da Chácara do Livramento E depois da morte prematura de sua mãe, já em São Cristóvão, Apoiado pela madrasta, doceira em uma escola para meninas, Não teve dúvidas de que acumularia nobres aprendizados.
Espírito aventureiro, estudou Língua Francesa com o padeiro, No ‘Periódico dos Pobres’ publicou seu primeiro soneto ‘Senhora D. P. J. A.’, Frequentou a livraria de Francisco de Paula Brito, Que vendia remédios, chás e fumo, Mas também servia de encontro para uma boa conversa.
Em tenra mocidade passou a tipógrafo na ‘Imprensa Nacional’ E Manuel de Almeida, ao contemplar o seu potencial, o incentivou A seguir carreira literária, nesse contexto, passou a colaborar Com o ‘Correio Mercantil’, ao chegar à maioridade, Já era conhecido entre os intelectuais passando a repórter E jornalista no ‘Diário do Rio de Janeiro’.
Dedicou ‘Crisálidas’ aos seus pais e estreitou contatos com os poetas. Contribuiu com o hino ‘Cantada da Arcádia’ – Fluminense, Escrevia crítica teatral, aprendeu grego para conhecer Sócrates e Platão. Machado não era um homem bonito, mas era culto e elegante. Entusiasmava a esposa portuguesa Carola com cartas românticas e dizia, “Tu pertences ao pequeno grupo de mulheres que sabem amar, sentir e pensar”.
Primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, E criou a ‘Panelinha’ para festivos ágapes. Ao perder sua amada revela, “Foi-se a melhor parte da minha vida E aqui estou só no mundo”, e assim o poeta deixou este mundo Com as palavras de Tavares Lira, “… cercava-se de flores, círios de prata E lágrimas discretas”.