A grandeza de ser mulher

Ella Dominici: ‘A grandeza de ser mulher’

Ella Dominici
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“Uma mulher que conhece a própria profundidade
pode vergar sob o mundo, mas nunca perder a estatura”

“Marina Silva não é apenas uma biografia política; ela é uma força da natureza que aprendeu a ler a terra antes de decifrar o alfabeto. Sua trajetória é um épico brasileiro, escrito com o barro do Acre e a resiliência de quem venceu a fome e a doença para se tornar a voz mais potente da ecologia global.
Um olhar sobre essa jornada se abre! Para a mulher brasileira, Marina Silva é o símbolo da ascensão pela resistência.
Ela não chegou ao topo ‘apesar’ de ser uma mulher negra, de origem humilde e seringueira, mas sim carregando esses mundos consigo.”

Junco e a Raiz

Do barro do Bapuri, a escrita se fez orvalho,
Não no papel, mas na pele, no corte, no galho.
A menina que vencia a febre com o olhar no poente,
Aprendeu que o destino é semente, e a fome, serpente.

A Tecelã do Chão e do Vento que uiva

Ela não herdou o cetro, mas a calosidade;
nasceu onde o mapa se apaga e a mata se impõe.
Menina de palha e de febre, que leu no orvalho
o que os doutores de pedra jamais saberão:
que a vida é um fio de água vencendo a montanha.

Para as mulheres deste solo de sol e de mágoa,
ela é o espelho de barro que não se estraçalha.
Não ensinou o grito que fere, mas o silêncio que ocupa,
a autoridade de quem sabe o nome de cada semente
e a urgência de quem pariu o amanhã no deserto.

Marina é o junco: o mistério de quem se inclina
para ouvir o que a terra confidencia à raiz.
Ela é a prova de que a delicadeza é um músculo,
e que o poder, quando puro, tem a cor do alecrim
e a teimosia das águas que voltam ao mar sem fim.

Verga o corpo franzino sob o vento que ruge e devora,
Mas a raiz é de ferro; ela planta o sol na aurora.
Não é o carvalho soberbo que estala na solidão,
Mestra das águas, tecelã de um amanhã urgente,
Marina Silva é a prova: a delicadeza é o pulso da mente.

Herança de fibra, de preta, de selva e de fé,
ela gravou na história o que o tempo não rasura:
que uma mulher que conhece a própria profundidade
pode vergar sob o mundo, mas nunca perder a estatura.

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A casa e exílio

Ella Dominici: Poema ‘A casa e exílio’

Ella Dominici
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Há em mim a casa e o exílio.
A casa é um rumor de água antiga
correndo dentro do nome que me deram.

É o cheiro do pão invisível
que a memória ainda assa
nas cozinhas do afeto.

Casa é onde o olhar repousa
e não precisa explicar-se.
É quando a alma se despe
e o silêncio não constrange.

Mas o exílio —
ah, o exílio —
é quando o olhar não se reconhece
no espelho das horas.

Quando caminho entre rostos familiares
como quem atravessa um país
cuja língua desaprendeu.

Exílio é essa delicada estrangeiridade
de existir demais.
É sentir o mundo por dentro
enquanto o mundo me quer superfície.
E, no entanto…não os renego

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La rencontre de la brume et la brise

Ella Dominici: ‘La rencontre de la brume et la brise

(O encontro da névoa com a brisa)

Ella Dominici
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Quands me jours seront gris peints par des brumes
Mes yeux couverts de bateaux blancs
des nates qui nagent sur une tasse au lait
Je rencontrerai sur la mèr larmes d’ écumes

Quands mes langues seront fatiguées de saveurs
Ma tête angoissée en ayant plus des pleurs
L’ espoir de te revoir en rêve s’évanouie
Je ferai semblant de te croire,s’épanouit

À me plaire

Quands le soleil de ma croyance soit couché
Et presque des ténèbres d’insécurité
Me prendront le coeur ,les jambes et le ventre

Vivront encore mes désirs de tes anches
branches de mon arbre assoiffés de ton feu.

Le soulagement des mes souvenirs qui souffrent tant
Vient par la brise, sont des légères vents qui me soufflent et adoucissent ces moments
La brise femelle m’ avalle le cerveau

Me couvre comme un couvercle manteau
La pensée te voit ,te désire ,te touche
Le vent doux enlève vers le haut l’amoureux vers.

O encontro da névoa com a brisa

Quando meus dias serão cinza pintados por névoas
Meus olhos cobertos de barcos brancos
natas nadando em um copo de leite
Encontrarei lágrimas de espuma no mar

Quando minhas línguas estiverem cansadas de sabores
Minha cabeça angustiada sem mais lágrimas

esperança de ver você novamente em um sonho desaparecendo
vou fingir que acredito em você, florescer
para me agradar

quando o sol da minha crença se pôs
quase uma escuridão de insegurança
Levará meu coração, pernas e ventre

saberia que mesmo que meus lábios fluam
ainda viverei meus desejos de seus juncos
galhos da minha árvore sedentos pelo seu fogo.

Alívio das minhas memórias dolorosas
vem pela brisa, são ventos leves
que me sopram e suavizam esses momentos

brisa feminina engole meu cérebro
me cobre como uma capa de casaco
pensamento te vê, te deseja, te toca

vento suave sopra o amante para o
alto em  amorosos versos

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O delírio é o último luxo

Ella Dominici

‘O delírio é o último luxo:
Emma Bovary e Dom Quixote contra o mundo’

Ella Dominici
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Imagem criada por Ia do ChatGPT – 13 de fevereiro de 2026, às 17h24 – https://chatgpt.com/c/698f878a-ce40-832f-b3e8-b3de789075b3

Tribunal do Delírio e do Real

Olho:

A sociedade perdoa o cinismo, mas não perdoa a imaginação. Por isso os sonhadores acabam sempre no tribunal do real.

Emma Bovary reconhece Dom Quixote sem precisar de apresentação. Ambos pertencem à mesma espécie rara: a dos que leram demais o mundo e, por isso, não conseguiram aceitá-lo como ele é.

Ele partiu a cavalo; ela permaneceu numa casa.

Mas os dois viajaram.

Dom Quixote enfrentou moinhos como se fossem gigantes. Emma enfrentou o cotidiano — esse monstro sem rosto que devora lentamente. Ele escolheu a loucura como honra. Ela escolheu o amor como saída. E ambos pagaram com a queda.

O que chamam de delírio, nos dois, talvez seja apenas recusa: recusa de viver dentro do possível, recusa de aceitar a moral pequena da época como destino. — uma tentativa de transformar a existência em romance, porque a realidade lhe parecia sem música.

Dom Quixote também foi ridicularizado. Também lhe disseram: “devia ter sido sensato”. Mas há uma pergunta que a sensatez não responde, e é a mesma que atravessa Emma até o fim:

vale a pena viver sem delírio?

Talvez o delírio seja, em certas almas, uma forma provisória de lucidez: uma janela quando o mundo fecha as portas. Por isso Emma escreve a Dom Quixote como quem pede aliança. Não busca consolo. Busca reconhecimento.

Ambos fracassaram na vida — mas triunfaram na literatura.

E é isso que os torna eternos:

não o erro, nem o escândalo, nem a morte,

mas a coragem de sonhar além do consentido.

Soneto de fechamento — Tribunal do Real

Chamaram de erro o excesso de horizonte,
e de virtude a resignação sem chama;
o mundo, que se diz tão vigilante,
condena o sonho quando o sonho inflama.

Dom Quixote ergueu-se ao riso dos caminhos,
Emma comprou auroras nas vitrines;
um viu gigantes onde havia moinhos,
outra viu céu no chão dos dias finos.

Mas toda época tem sua lei secreta:
perdoa o cínico, a máscara discreta,
e pune o coração que não se doma.

E assim tombaram — não por fraqueza ou sorte —
mas por quererem vida até na morte:
Sonhar é luxo… e o mundo não perdoa.

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O voo do poeta e os telúricos

Ella Dominici: ‘O voo do poeta e os telúricos’

Ella Dominici
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Imagem criada por IA do Bing - 06 de fevereiro de 2026, 
às 14:49 PM - https://sl.bing.net/7xVpRp1Um4
Imagem criada por IA do Bing – 06 de fevereiro de 2026,
às 14:49 PMhttps://sl.bing.net/7xVpRp1Um4

O homem de espírito voa como quem pensa: não para fugir, mas para sustentar a contemplação. Nas alturas, a dúvida não é falha — é método. Ali, o pensamento se torna tempestade e constelação, e cada ideia parece um lance lançado ao invisível.

Quando desce, encontra os telúricos. Eles vivem no imediato como se fosse verdade absoluta. Diante do poema, fazem do incompreensível um escândalo e do silêncio uma acusação. O caos nasce menos do texto do que do medo: o medo de que exista algo que não se possa reduzir, medir ou pisar.

O homem de espírito é humilhado não por suas fraquezas, mas por suas asas. E o golpe mais cruel não atinge o corpo: atinge o sentido. Até que, por fim, a cena se desfaz. Já não há ave, nem plateia, nem vaia. Resta apenas o lugar — o branco — onde o voo não precisa ser aceito para existir. Ali, o poema permanece: inteiro no indizível.

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Equilibrista

Ella Dominici: Poema ‘Equilibrista’

Ella Dominici
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Criador de imagens do Bing – 30 de janeiro de 2026, às 15:28 PM https://sl.bing.net/j5QL2psYie4

Vida segue duas vias paralelas:
imposição,
paciência, compromissos
reais e leais imprescindíveis
outra avança no mais profundo:
Ser livre sensorial ridente
às palavras irredutíveis

Sabes, deixas tuas mãos viajarem,
se puderes
desliga-te do tempo esmagador,
não sabemos que somos
todos marinheiros?
como o porto é amargo
quando todos os barcos
partindo, partiram?

Reconcilias o diplomata
homem alma aflita,
Sabes, as casas se irritam
com moradores rasos
povoas dignamente bem-te-vis
nos teus cantos e espaços

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Conchas e o mar adentro

Ella Dominici: Poema ‘Conchas e o mar adentro’

Ella Dominici
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Imagem criada por IA da Mea - 23 de janeiro de 2026, às 16h06 - https://grok.com/imagine/post/d861784d-8fdc-4842-ab4e-ed4b1df0f1df
Imagem criada por IA da Mea – 23 de janeiro de 2026, às 16h06 – https://grok.com/imagine/post/d861784d-8fdc-4842-ab4e-ed4b1df0f1df

conchas esmagadas em sofrido aperto
contritas consternadas pelo vento
constantes sopros desmesurados
neste amor que une graciosas pérolas
rochas com a sedimentação dos tempos

águas colam enquanto passam argolas
adentrando os montes pelas grutas
choro nas paredes lágrimas nos tetos
nas lástimas me inundo em lago interno

dentro vigora azul profundo água-estéril
pinga-pinga de arbustos-folhas-sacras
ondas desiguais do mar na praia
estrondos violência em sons espetaculares

como o mar se comporta mediante
Impassibilidade das rochas
recontam o amor louco e estupendo
em tuas rochas abres fenda e adentro
enquanto mar no ímpeto

Ella Dominici

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