Olhos de poeta

Evani Rocha: Poema ‘Olhos de Poeta’

Evani Rocha
Evani Rocha
"Mesa de madeira com uma rosa amarela, uma carta escrita à mão com caneta e uma taça com vinho, diante de uma janela molhada pela chuva com vista para um jardim."
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A Lua é poesia
Nas mãos do poeta
A noite é boêmia
E a taça é vazia

Na voz de um poeta
A aurora é colorida
A tarde é perfumada
E a estrada infinita

Os olhos deságuam
E as palavras cegam
Nos braços um nada
Nas mãos despedida

E o amor é flor
No verso sinestesia
A saudade é dor
A lida é peregrina

As estrelas cintilam
No céu de um poeta
Tem a noite e o dia
No caminho as pedras

Não há paz nem guerra
Nos olhos de um poeta
A vida é fugaz
E a morte etérea!

Evani Rocha

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Quando fores embora

Evani Rocha: Poema ‘Quando fores embora’

Evani Rocha
Evani Rocha
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Quando fores embora 

Lembra-te de deixares teu perfume 

Não derrames em vão o teu pranto 

Porque mais um dia morre…

Lembra-te que logo nascerá a aurora 

Beijando tua pele agridoce…

Quando fores embora 

Lembra-te de deixares tua pegada

Para que eu não me perca no caminho 

Até nossa casa…

Para que ainda regue o nosso jardim.

Lembra-te da floreira na janela 

E do mel de tuas mãos que me alimenta

Quando fores embora 

Lembra-te de deixares tua presença 

Nem que seja leve como a aura

E no ar o toque de tua essência

Lembra-te…

Lembra-te de nossos dedos entrelaçados 

E das promessas do ‘até o fim…’

Não chores pelo vazio da saudade

Pelos sonhos de outrora…

Lembra-te

Quando fores embora!

Evani Rocha

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O ébrio

Evani Rocha: Poema ‘O ébrio’

Evani Rocha
Evani Rocha
Fotografia digitalizada mostrando um homem com roupas gastas e sujas sentado no chão de uma rua íngreme de paralelepípedos, em uma vila antiga. Ele está encolhido com a cabeça curvada sobre os braços e joelhos dobrados. Ao seu lado, no chão, há uma garrafa de vidro de bebida alcoólica deitada. Ao fundo, casas históricas de estilo europeu ladeiam a rua e o céu exibe um pôr do sol vibrante em tons intensos de vermelho, laranja e amarelo.
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Amanheceu ali na esquina úmida e lodosa.

Tinha na boca um gosto de zinabre.

A pele encrespada e fria

Pelo sereno da madrugada.

Todos já se foram…

Apenas a penumbra permanecia…

Há pouco ele se arrasta pelos becos da cidade morta.

Ainda tenta beber o último gole,

Mas suas mãos trêmulas não suportam o peso do cálice.

No horizonte, o sol quase desponta 

Em meio a um barrado cor de sangue…

É o anúncio de um novo dia!

Permaneceu ali:

Cabisbaixo e embriagado,

Não só pelo álcool, 

Mas pela angústia que lhe açolava o peito.

Nada a lamentar, nem forças para gritar…

O mundo emudeceu!

Sem jeito de ignorar a resignação…

Então, debruçou-se sobre os joelhos,

Vencido pela solidão,

E deixou o tempo dele se encarregar!

Evani Rocha

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Prenúncio

Evani Rocha: Poema ‘Prenúncio’

Evani Rocha
Evani Rocha
Paisagem outonal, com folhas ao vento
Imagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6a5e54f2-a010-83e9-bfc6-53d75f5cd919

O vento passou trazendo o adeus.

Havia apenas um perfume no ar

E um burburinho nos arvoredos…

Era o prenúncio do fim!

Não houve pranto,

Nem estardalhaço.

Apenas uma palavra contida,

Que não havia mais sentido…

Somente os olhos tristes,

Perdidos num tempo distante…

Onde hoje é morada da saudade.

Daquelas crianças correndo no terreiro,

Da inocência refletindo nos sorrisos…

O vento passou e trouxe as últimas folhas do outono,

Frágeis e quebradiças…

Como as lembranças.

Como a solidão desta despedida.

Vestida de branco e cabelos em trança…

Acabou, como acabam todas as coisas

Estáveis ou fugidias…

Como acaba tudo que um dia foi real

E hoje é somente ausência.

Evani Rocha

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É assim que a gente vai embora

Evani Rocha

Poema ‘É asim que a gente vai embora’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada pelo ChatGPT, em 07/07/2026 – https://chatgpt.com/s/m_6a4d2732d5e0819
1ba5e94268c0d814a

É assim que a gente vai embora
Na penumbra de um quarto
No correr triste das horas
Na libertação do fardo

Feito plumas de algodão
Deixa o corpo despido
Preenchido tão somente
Pelas máscaras da vida

É assim que a gente vai embora
Renascer em outro plano
Sem adeus na despedida
Sem ouro nem sonhos na mala

Não há mochilas cheias
Tampouco malas vazias
Há no céu muitas estrelas
E no chão muitas raizes

É assim que a gente vai embora
Entregue ao fim de um ciclo
Entregue à própria sorte
Por caminho desconhecido

Todos um dia irão
Com seu jeito de partir
A hora marcada nas mãos
A certeza que deve ir

Não sabe-se há um rio
Se há ponte sobre ele
Se há montanhas ou vales
Se há deserto ou oásis

É assim que a gente vai embora
Como nascer novamente
Para uma vida nova
Como germina a semente

Fica para trás uma casca
Um invólucro senil
Deixa todas as bagagens
Leva consigo o vazio

Leva consigo o sentimento
De ser único e sozinho
A partida é sua e inadiável
Assim como o nascimento

A partida é a morte do corpo
E a liberdade da alma
Como se fosse só um sopro
E tudo se transforma em asas!

Evani Rocha

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Um dia destes

Evani Rocha: Poema ‘Um dia destes’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6a466058-ae74-83e9-a3e7-d600edcb69a6

Um dia destes ainda subo as montanhas,

Ainda colho as últimas gotas de orvalho.

Um dia qualquer de janeiro,

Ainda alço voo feito uma águia

Ou feito a profusão das cachoeiras.

Um dia destes ainda quero tuas mãos nas minhas…

Aninhadas, como se fosse a última vez!

E talvez, ficar em silêncio para ouvir teu coração,

Ouvir o cochicho de nossas almas, bem devagarinho,

Como quem lapida um diamante…

Porque as palavras certas são preciosas,

Não devem perder-se na distância,

Na displicência das horas…

Um dia destes, ainda na aurora,

Quero apreciar-te ao nascer do sol: 

Tez radiante, embebida pelos raios fulgurantes 

Que penetram teus olhos, e faz-te flor,

Campinas e campos.

Um dia destes, talvez eu possa ser lua,

Para dormir em teus braços, de alma nua,

Mas protegida dos olhos do mundo!

Evani Rocha

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Rio de minha vida

Evani rocha: Poema ‘Rio de minha vida

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6a328b3d-32b8-83e9-a2d2-e42a3d6192a4

Tenho medo do rio, porque o vejo violento,
Caudaloso, cheio de cachoeiras e correntezas velozes…
Mas eu o admiro… pois é lindo, atraente,
E transborda vida.
Vida, em suas águas profundas e em suas margens arenosas.
Eu sei que há uma ponte…sei que posso atravessá-la, ou talvez,
Tentar atravessar a nado.
Porém, eu não sei nadar! E talvez não teria fôlego para tanto…
Porquanto, sei que se tentar atravessá-lo a nado,
Posso me afogar e, morrer.
Mas, se eu passar pela ponte, terei que bastar-me apenas à contemplá-lo de longe!

Eu vejo o rio, com suas águas borbulhantes e cristalinas,
Suas quedas d’água, suas pedras…
O rio é vida, portanto pode ser morte, quando excedemos nossos limites…
Quando extravasamos nossos ímpetos inconsequentes,
Quando somos insanos e deixamos nos guiar pelo ego!
O rio nos envolve e nos enlaça com suas águas em profusão,
Suas garras de águia, suas asas de falcão…

Eu sinto o rio, não o temo mais, porque venci a correnteza, pisei sobre as pedras e transpassei as profundezas…
Profundezas de mim, enquanto rio, enquanto águas turbulentas, por vezes, mansas e serenas.
Rio de minha vida, meus caminhos secos e poeirentos,
Enxurradas na tempestade…
Rio de minha estrada larga e transponível, jardim de margaridas e girassóis!
Rio dos meus últimos dias, águas banhadas de sol…
Águas turquesas, abissais, altivezas…
Eu, meu rio, minha ponte…
Eu, feita de pedras, quedas d’água
Borbulhas…
Margens…
Eu, grão de areia
Na vastidão do meu próprio rio!

Evani Rocha

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